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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

A batalha pelo Congresso

Como não podia deixar de ser, a corrida pela Casa Branca captará a maior parte das atenções na noite eleitoral de 5 de Novembro. Contudo, os eleitores norte-americanos irão às urnas para decidir um enorme número de outras eleições, sejam elas para órgãos locais (como cargos de xerife, por exemplo), referendos vários (os que têm como tema o aborto terão destaque nacional), para os governos estaduais ou para o Congresso federal. Com mais impacto a nível nacional e até internacional, são estas últimas eleições que, depois das presidenciais, suscitam maior interesse para os observadores internacionais. 

Em 2024, e como sempre acontece a cada dois anos, todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes vão a votos, enquanto que, no Senado, são 34 dos 100 assentos que estarão em disputa. À imagem do que acontece na corrida presidencial, também a disputa pelo controlo das duas câmaras do órgão legislativo do governo federal dos Estados Unidos da América está a ser marcado pelo equilíbrio entre democratas e republicanos.

Actualmente, a Câmara dos Representantes é controlada pelo GOP, ainda que por uma margem muitíssimo curta - existem 220 congressistas republicanos e 212 democratas (três lugares estão, por agora, vagos). Tudo indica que 2024 será muito semelhante aos últimos ciclos eleitorais da House e que, independentemente do vencedor, a diferença em número de congressistas entre os dois partidos se mantenha em números reduzidos. 

A pouco mais de duas semanas das eleições, as previsões não permitem arriscar que partido poderá indicar o Speaker of the House. O FiveThirtyEigth, por exemplo, atribui 53% de hipóteses para uma vitória republicana e 47% para um triunfo democrata. Já no Cook Political Report, podemos consultar uma visão mais abrangente do estado da corrida pela Câmara dos Representantes e perceber que, dos 435 lugares, 202 estarão, com diferentes graus de certeza, do lado democrata e 208 deverão cair para os republicanos. Sobram, assim, 27 corridas empatadas que decidirão quem consegue alcançar, pelo menos, os 218 assentos necessários para controlar a câmara baixa. 

Como se percebe por estes números, o equilíbrio é a nota dominante e qualquer um dos lados pode sair vitorioso. Contudo, as eleições para a Câmara dos Representantes, por terem um universo relativamente pequeno e poderem ser mais voláteis, são mais propícias a surpresas - não é invulgar o resultado final de uma corrida para a House diferir em dezenas de pontos percentuais dos números das sondagens. Além disso, pode também existir um spillover de dimensão nacional nestas eleições e um dos partidos conseguir bater as sondagens e amealhar todas as corridas tossup e até algumas que pareciam estar relativamente seguros no campo adversário. 

Se na disputa pela Câmara dos Representantes a situação é a de um verdadeiro empate, já a decisão do controlo do Senado parece estar bastante encaminhada a favor do Partido Republicano. Se hoje os democratas são maioritários na câmara alta, contando com 51 senadores democratas ou independentes que votam do seu lado, o panorama deste ciclo eleitoral para 2024 é-lhes imensamente desfavorável, já que, dos 34 lugares em jogo, 23 são ocupados por democratas. Desses 23, é certo que perderão o assento na West Virginia, com a reforma de Joe Manchin, o último dos Blue Dogs (democratas conservadores). Além disso, tudo indica que sairão ainda derrotados no Montana, onde o Senador Jon Tester tem surgido consistentemente atrás do challenger republicano, Tim Sheehy. 

Por seu lado, os democratas não têm grandes perspectivas de virarem qualquer lugar em mãos republicanas, ainda que existam alguns long shots no Nebraska, no Texas e na Florida. Não acredito, porém, que consigam vencer qualquer uma destas eleições, sendo que será no Nebraska, um bastião republicano, que terão mais probabilidades de sucesso. Vencendo uma destas corridas, terão ainda de triunfar em todas as corridas actualmente empatadas - Ohio, Pennsylvania, Michigan e Wisconsin (e, não por coincidência, todos estes estados situam-se no Midwest e, com excepção do Ohio, são também battleground states na corrida pela Casa Branca) e de esperar que Kamala Harris derrote Donald Trump para que seja o vice-presidente democrata a desempatar esse eventual cenário de 50 democratas e 50 republicanos no Senado. 

Assim, temos em perspectiva uma longa e interessante noite (madrugada, no caso dos portugueses) eleitoral. Além de ficarmos a saber (será?) quem ocupará a Sala Oval, também descobriremos se o novo presidente terá no Congresso um aliado para fazer passar os seus pacotes legislativos, se terá um Congresso hostil, ou se assistiremos a um cenário híbrido, com uma câmara de cada cor partidária (como agora acontece) para baralhar ainda mais o já turbulento panorama político norte-americano. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A disputa pela House













Na próxima Terça-feira, os eleitores norte-americanos não escolhem apenas o seu presidente para os próximos quatro anos. Além de uma quase infinita variedade de eleições e referendos de nível local e estadual, irá a votos o Congresso, mais precisamente 35 dos 100 senadores e todos os 435 representantes. Sobre o Senado, cujas corridas merecem uma atenção mais detalhada, falarei mais à frente. Hoje, importa prever o que será a configuração da Câmara dos Representantes após as eleições que se aproximam.

Actualmente os democratas controlam a câmara baixa do Congresso, ocupando 232 dos 435 assentos. Em 2018, o Partido Democrata voltou a assumir posição maioritária na House, que lhe escapava desde 2010. Nesse ano, marcado pelas ascensão do Tea Party e pela impopularidade da reforma do sistema de saúde apresentado por Barack Obama (curiosamente, o Obamacare é, hoje, muito popular), os democratas sofreram uma copiosa derrota. Ora, a distribuição dos círculos eleitorais que acontece a cada dez anos sucedeu precisamente após esse ciclo eleitoral, e, por isso, os republicanos, tendo alcançado maiorias em grande parte das legislaturas estaduais, conseguiram uma importante vantagem na forma como os círculos eleitorais foram desenhados. Assim, nas eleições seguintes, apesar de os democratas receberem, um maior número total de votos para a Câmara dos Representantes, ficaram aquém no que diz respeito ao número de deputados.

Em 2018, uma onda democrata com base no sentimento anti-Donald Trump fez com que os liberais conseguissem, finalmente, contrariar esse handicap e voltassem à maioria na House. Este ano, a tendência mantém-se e é praticamente certo que os democratas continuarão a controlar a câmara baixa. Aliás, a sua vantagem em número de assentos deverá mesmo aumentar, já que, nesta altura, segundo as previsões, o número de lugares que o GOP deve perder para os seus adversários ronda a dezena. Mas vejamos o que dizem as principais projecções:

538.com

Possibilidades de vitória: Democratas - 98%; GOP - 2%

Assentos: Democratas - 232; GOP - 187; Toss-up - 16

Cook Political Report

Assentos: Democratas - 228; GOP - 181; Toss-up - 26

Real Clear Politics

Assentos: Democratas - 214; GOP - 182; Toss-up - 39

Total nacional dos votos para a Câmara dos Representantes: Democratas - 50,4%; GOP - 42%

The Economist

Possibilidades de vitória: Democratas - 99%; GOP - 1%

Assentos: Democratas - 243; GOP - 192

Como se vê, tudo indica que a Câmara dos Representantes continuará a ser pintada, na sua maioria, em tons de azul, o que poderá ser importante para uma eventual presidência Biden, em especial se à manutenção da House os democratas juntarem a conquista do Senado. De qualquer forma, o que é certo é que, entre as três principais disputas (Casa Branca, Senado e Câmara dos Representantes), esta é aquela com desfecho mais previsível. Nancy Pelosi, continuará, por isso, como Speaker of the House.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

State of the Union 2015

Barack Obama realizou ontem o habitual discurso do Estado da Nação perante o Congresso dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que o Presidente norte-americano discursou no órgão legislativo federal desde que os republicanos assumiram a maioria do Senado e terá sido o seu último State of the Union (SOTU) relevante para o que resta da sua Presidência (daqui a um ano já estarão a decorrer as primárias presidenciais e o SOTU perderá importância).
Foi um Presidente aguerrido e confiante aquele que compareceu na Câmara dos Representantes, ontem à noite. Desde a derrota democrata nas eleições intercalares, Obama parece renascido e com uma nova dinâmica. Os números das sondagens revelam isso mesmo e o actual ocupante da Sala Oval tem já índices de aprovação muito perto dos 50%, valores que, há pouco tempo, parecia que Obama nunca mais iria atingir neste seu último mandato na Casa Branca.
No seu discurso, Barack Obama apresentou uma clara defesa ao que a sua Administração alcançou nestes últimos seis anos e deixou bem claro que os seus principais feitos, como o Obamacare, a reforma de Wall Street ou a amnistia de imigrantes ilegais não serão revertidos pela oposição. Além disso, apresentou o seu plano para os seus dois últimos anos na Casa Branca, reafirmando a sua aposta na classe média, que considera o principal pilar da economia e da sociedade norte-americana, defendendo cortes fiscais para estes cidadãos, que serão possíveis com aumentos de impostos para os norte-americanos mais abastados.
Assim, assistiu-se, ontem, no Capitoll Hill, a um Presidente mais combativo do que apaziguador, ainda que Obama tenha recuperado um dos seus mais famosos discursos de sempre para afirmar que os críticos estão errados quando dizem que não cumpriu a sua ideia de uma América unida, em vez de uma América dividida em liberais e conservadores, ou em negros e brancos. 
Como é normal nestas ocasiões, a recepção ao seu discurso foi francamente positiva - uma sondagem da CNN mostrou que 81% dos norte-americanos deram uma nota positiva ao discurso do Presidente. Com este State of the Union, Barack Obama terá ganho ainda mais momentum, que lhe será, certamente, muito útil para enfrentar esta recta final da sua presidência. De facto, Obama volta a ser relevante e a ter capital político para fazer valer as suas ideias, mesmo perante um Congresso hostil e dominado pelo GOP. E isso também são boas notícias para Hillary Clinton, a provável nomeada presidencial para 2016 que logo após o final do SOTU deixou no Twitter o seu apoio a Barack.
Para o fim fica aquele que foi, no meu entender, o melhor momento de Barack Obama neste State of the Union. E, curiosamente, até foi improvisado...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os democratas apostam tudo no Senado

A menos de nove meses das eleições intercalares, as atenções começam a virar-se para as várias corridas que terão lugar um pouco por todo o território dos Estados Unidos. Ainda assim, nesta altura, o centro das decisões eleitorais ainda se mantém em Washington, à medida que os diversos candidatos vão angariando os tão necessitados fundos financeiros para as suas campanhas e que as estruturas partidárias vão alinhavando estratégias para alcançar o melhor resultado possível nas eleições do dia 4 de Novembro.
No Partido Democrata, a estratégia escolhida começa a ser evidente: com fundos e recursos limitados, os líderes e estrategas democratas apontam baterias para o Senado, deixando as corridas para a Câmara dos Representantes para segundo plano. Nos últimos tempos, esta táctica tem sido evidente e abertamente discutida em público, com muitos dos maiores financiadores do Partido Democrata a revelarem que a liderança do partido tem solicitado que concentrem as suas doações em eleições para a câmara alta. 
O rumo escolhido pelos democratas parece lógico. Se há um ano atrás, após a derrota republicana no shutdown, parecia possível os democratas estarem na luta pela reconquista da Câmara dos Representantes, agora, com o deterioração da imagem do Presidente Obama, a situação é bem diferente e os democratas têm poucas hipóteses de voltarem a ser a maioria na câmara baixa. De facto, o redesenho dos distritos eleitorais está actualmente tão desequilibrado a favor dos candidatos republicanos que, mesmo que os democratas consigam  uma percentagem total de votos nacionais para a House superior a dois pontos percentuais (como apontam as previsões actuais), isso não será suficiente para o Partido Democrata eleger mais congressistas que o GOP.
Assim, os democratas preferem ir all in nas corridas para o Senado, de modo a aumentarem as suas hipóteses de manter a maioria na câmara alta, já que a derrota nas duas câmaras significaria o fim de facto da presidência Obama, que ficaria sem qualquer possibilidade de interferir na agenda doméstica, ficando relegado para a política externa, quase que como um Secretário de Estado com o Air Force One só para si.
Contudo, nem essa estratégia é garantia de sucesso, já que o cenário em 2014 é muito desfavorável para o Partido Democrata. Dos 36 assentos no Senado em discussão no próximo Outono, 21 deles são actualmente ocupados por democratas, com apenas 15 na posse de republicanos.
Entre os 21 lugares democratas, os lugares em disputa no South Dakota, no Montana e na West Virginia estão muito inclinados para o lado republicano, ao passo que outras seis corridas  (Michigan, Arkansas, Alaska, Iowa, Louisiana e North Carolina) estão actualmente muito equilibradas. Por seu lado, o GOP tem apenas dois lugares em jogo, no Kentucky e na Georgia. Curiosamente, o primeiro corresponde precisamente a Mitch McConnell, o líder da minoria republicana no Senado, que, apesar da sua posição de liderança, é altamente impopular no seu Estado e pode muito bem não conseguir a reeleição.
Ora, como o Partido Democrata conta com 55 senadores face aos 45 republicanos, o GOP necessita de ganhar seis assentos aos democratas para se afirmar como a maioria no Senado. Se segurar os seus dois lugares no Kentucky e na Georgia e se se confirmarem as vitórias republicanas no South Dakota, no Montana e na West Virginia, o Partido Republicano fica a apenas três assentos de conquistar a maioria do Senado, que podem ser alcançada se vencer em três das seis corridas actualmente muito renhidas.
Fica, por isso, demonstrado que a conquista da maioria no Senado pelos republicanos é um cenário possível e que alguns consideram até provável num ano que se espera favorável para os candidatos do GOP. Todavia, é preciso não esquecer que em todos as eleições para o Senado desde 2006 os candidatos democratas à câmara alta do Congresso superaram as expectativas e alcançaram resultados acima do esperado. Será que em 2014 isso voltará a acontecer ou teremos um Congresso totalmente republicano? Teremos de esperar para ver.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Obama não se resigna e vai à luta

Barack Obama esteve ontem no Congresso dos Estados Unidos para o seu quinto discurso do Estado da Nação, um momento sempre marcante numa Presidência mas que, nas últimas décadas, tem vindo perder relevância política, à medida que se transforma cada vez mais num espectáculo mediático. 
Em ano eleitoral, esperava-se que o Presidente tentasse marcar pontos políticos que permitissem ganhos eleitorais aos democratas. Contudo, foi um Obama mais preocupado com policys do que com politics aquele que surgiu ontem na Câmara dos Representantes. Não houve muitos crowd pleasers para a base liberal do Partido Democrata, mas o Presidente tocou em alguns temas queridos para os democratas e fez da igualdade porventura o principal destaque deste discurso.
Este State of the Union pode ser dividido em duas partes. Em primeiro lugar, Obama defendeu o seu historial na Casa Branca. Como não podia deixar de ser, apresentou uma forte defesa da reforma da saúde e desafiou os republicanos a apresentarem alternativas, num momento muito aplaudido pela ala democrata. Num tom sempre muito optimista, apontou para a recuperação económica dos Estados Unidos durante a sua Presidência, nomeadamente ao nível do emprego, da produção industrial e do mercado imobiliário.
Depois de defender o que já fez, Barack Obama partiu para o que pretende fazer. Anunciou o aumento do salário mínimo para os trabalhadores federais através de uma acção executiva presidencial e exortou o Congresso a aprovar legislação que alargue este aumento a todos os trabalhadores. Com este gesto, Obama quis mostrar que não se resignará perante a paralisia do Congresso dividido e que está disposto a usar o seu poder executivo para fazer avançar a sua agenda mesmo sem o apoio do órgão legislativo. O líder norte-americano também se referiu àquele que deverá ser o seu próximo objectivo legislativo: a reforma da imigração. Sem ser demasiado agressivo (Obama não quer antagonizar os republicanos que parecem estar agora dispostos a avançar neste tema), o Presidente foi claro ao insistir na necessidade desta reforma que poderá legalizar a situação de milhões de imigrantes ilegais.
O discurso de ontem, que durou pouco mais de uma hora, está a ser genericamente bem recebido, ainda que não deva representar um game changer que permita a Obama melhorar substancialmente os seus números de aprovação nas sondagens, que, nos últimos meses, andam insistentemente em terreno negativo. Todavia, o State of the Union serviu pelo menos para se perceber que Barack Obama não desiste da luta e não tenciona remeter-se à irrelevância à medida que o seu último mandato na Casa Branca se aproxima do fim.

Nota: Como acontece sempre em todos os discursos do Estado da Nação, um dos membros do Cabinet  do Presidente é escolhido para não marcar presença na cerimónia, precavendo, dessa forma, a linha de sucessão presidencial em caso de atentado terrorista ou catástrofe natural que decapite o governo federal. Curiosamente, desta vez, foi o Secretário da Energia, Ernest Moniz, o eleito. Como Moniz é filho de açorianos, podemos dizer que nunca esteve um luso-descendente tão perto da Presidência dos Estados Unidos como na noite de ontem.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A economia recupera, mas os americanos andam zangados

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anda pelas ruas da amargura. Segundo a última sondagem da Gallup, 49% dos norte-americanos não estão contentes com o trabalho do seu Chefe de Estado, ao invés dos apenas 42% que aprovam a prestação de Obama na Casa Branca. 
A insatisfação com o trabalho do Presidente é ainda acompanhada de uma percepção generalizada por parte do público de que a situação do país está a piorar e não a melhorar. De facto, de acordo com os dados fornecidos pela Rasmussen, 65% dos norte-americanos considera que a direcção seguida pelos Estados Unidos é errada, com apenas 28% a achar o contrário.
Curiosamente, o agravamento da percepção negativa por parte do público norte-americano em relação ao trabalho de Obama e ao rumo do seu país, surge numa altura em que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma franca recuperação, em claro contra-ciclo com outras regiões do mundo, sendo a Europa o exemplo mais flagrante. Em Novembro, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos, estando agora nos 7% e os níveis de emprego nos EUA aproximam-se dos valores "normais" do período anterior à grande crise de 2008.
A confirmar-se esta tendência até ao final de 2016, então Barack Obama poderá até ter um grande argumento para utilizar como ponto-chave do seu mandato: a recuperação económica. Na verdade, o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca no olho do furacão que representou a crise económica e financeira de 2008. Contudo, e apesar do aumento do desemprego na primeira metade do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi capaz de evitar uma recessão como a que se verificou na Europa, salvou a indústria automóvel (um dos pilares da economia norte-americana), reformou (ainda que timidamente) a regulação financeira de Wall Street e lançou um programa de estímulos federais que, além de impedir níveis de desemprego ainda mais elevados, serviu de âncora para uma lenta mas notória recuperação económica. 
Contudo, e apesar de ter realizado todos estes feitos, Barack Obama não recebeu por eles todo o mérito que lhe era devido e, pior ainda, merece, actualmente, índices de popularidade francamente negativos. É difícil explicar as razões que levam os norte-americanos a entender que a situação do país está a piorar, quando todos os indicadores apontam o contrário. Talvez a polémica em torno da implementação da impopular reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos explique parte da insatisfação do público, mas certamente não o explica na sua totalidade. Assim, estou mais inclinado a considerar que é o actual clima de polarização política em Washington a estar na base do negativismo do público. 
Actualmente, democratas e republicanos mostram-se incapazes de se entenderem no que quer que seja e o país parece ingovernável. Como se vê pelos números das sondagens (Obama tem valores negativos e o índice de aprovação do Congresso ronda os 12%!), os norte-americanos não estão contentes com os políticos e não vêem uma luz ao fundo do túnel para a resolução do impasse na capital federal. Por isso, aos olhos do público, a recuperação económica acontece apesar dos políticos e não por causa dos políticos. E, assim sendo, Obama (que também tem a sua quota-parte de responsabilidades na polarização política actual) "leva por tabela" e vê a sua popularidade prejudicada.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A divisão republicana ilustrada

Com a divisão que reina actualmente no seio do Partido Republicano em destaque após o acordo para o fim do shutdown, o New York Times criou um gráfico/mapa interactivo que ilustra as diferentes facções do GOP, de acordo com o sentido de voto dos congressistas republicanos no que diz respeito à proposta que resolveu, por enquanto, o impasse em Washington. A consulta deste gráfico, ajuda, e muito, a tomarmos consciência da realidade actual dos dois partidos norte-americanos: de um lado, os democratas, unidos e a votar como um bloco praticamente inexpugnável, e, do outro, os republicanos, divididos pela discórdia das suas várias facções.

sábado, 19 de outubro de 2013

Que futuro para o GOP depois do shutdown?

Na passada Quarta-feira, democratas e republicanos chegaram finalmente a um entendimento que levou ao fim do shutdown e trouxe a normalidade de volta a Washington e aos Estados Unidos. O acordo foi originalmente anunciado pelos líderes do Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell e, mais tarde, o Senado votava esmagadoramente a favor do acordo para retomar o financiamento do governo federal, com apenas 18 senadores (todos republicanos) a votarem contra o fim do shutdown. De seguida, também a Câmara dos Representantes aprovou o acordo, com os votos favoráveis de todos os democratas e 87 republicanos (144 congressistas do GOP votaram contra).
16 dias depois, chegou ao fim, pelo menos por agora, um longo e desgastante impasse que provocou grandes tumultos políticos e económicos na nação norte-americana. Contudo, o acordo agora alcançado não resolve o problema do orçamento federal, limitando-se a adiar o debate para daqui a cerca de três meses. Nessa altura, democratas e republicanos terão de chegar a um novo entendimento para que o o governo continue a funcionar.
Ainda assim, um novo shutdown deverá estar fora da mesa, já que os republicanos não quererão repetir a receita que, desta vez, lhes trouxe tantos dissabores. De facto, este frente-a-frente foi altamente prejudicial para o Partido Republicano, que saiu da crise como o grande derrotado. Considerados pela opinião pública como os principais responsáveis pelo shutdown e sem terem conseguido ganhar nada com a sua tomada de posição, os republicanos estão agora numa posição muito fragilizada e terão de correr atrás do prejuízo causado pela sua actuação ao longo da crise que agora termina.
Em sentido inverso, os democratas e Barack Obama em particular estão a ser caracterizados como os vencedores do despique. É um facto que conseguiram obrigar os republicanos a ceder sem "entregar" nada ao outro lado. Todavia, não é totalmente claro que o Presidente dos Estados Unidos tenha ganho alguma coisa com esta sua vitória. Isto porque é bem possível que, após esta derrota, os republicanos se tornem ainda mais intransigentes e ainda menos dispostos a negociar com Obama e com os democratas. E isso pode inviabilizar quaisquer novas conquistas legislativas da Casa Branca durante este segundo e último mandato de Barack Obama. A reforma da imigração, cuja aprovação no Congresso parecia, há uns meses atrás, parecia praticamente inevitável, pode ser a grande prejudicada e arrisca-se a ficar na "gaveta".
Contudo, a estratégia a seguir pelos republicanos é ainda um pouco dúbia e deverá depender do resultado da batalha interna pelo controlo do partido que se trava actualmente no seio do GOP. De um lado, os republicanos mais radicais, liderados pelos políticos mais próximos do Tea Party e, do outro, os membros do GOP mais moderados. No Congresso, essa disputa tem sido vencida pelos mais radicais e a liderança republicana, constituída principalmente por políticos mais próximos do centro, tem tido enorme dificuldade em controlar as suas bancadas, hoje em dia sob grande influência dos Tea Party. 
Ora, a posição demasiado intransigente dos republicanos do Congresso tem levado à contínua degradação da imagem do partido a nível nacional. As últimas sondagens colocam os a aprovação do trabalho dos congressistas republicanos por parte dos eleitores nos níveis mais baixo de sempre e mostram os democratas a fugir nas intenções de voto para as eleições intercalares de 2014. Assim sendo, e apesar de faltar ainda mais de um ano para este momento eleitoral, tudo aponta para que os republicanos não tenham um 2014 tão positivo como esperariam.
Em suma, o GOP atravessa, hoje, um mau momento, com o extremismo da ala mais conservadora e a impopularidade dos seus membros do Congresso a arrastarem o partido para o fundo. Assim, e com as presidenciais de 2016 cada vez mais perto, aquilo que os republicanos precisam desesperadamente a precisar é de encontrar um líder moderado, que não tenha sido "tocado" pelos vícios de Washington e que tenha experiência de governação. Neste momento, quem encaixa que nem uma luva nesta descrição é, claro está, Chris Christie.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A posição republicana

Dois dias depois do Shutdown, continua a não haver acordo em Washington e os serviços não essenciais do governo federal continuam encerrados. Ontem, na Casa Branca, Barack Obama reuniu-se com os líderes democratas e republicanos do Congresso, mas nenhum entendimento foi alcançado. Os republicanos continuam a insistir no seu ataque ao Obamacare e Obama é intransigente na defesa da maior vitória legislativa da sua presidência.
Para muitos, pode parecer estranha a posição republicana. É verdade que a reforma do sistema de saúde norte-americano continua a dividir opiniões nos Estados Unidos. Contudo, essa reforma foi aprovada pelo Congresso, confirmada pelo Supremo Tribunal e passou o teste das urnas no ano passado. Assim sendo, porque razão continuam os congressistas republicanos tão empenhados na sua luta para derrubar o Obamacare?
Para perceber a resposta a esta questão é preciso recuarmos às eleições intercalares de 2010. Nesse ano, o Partido Republicano alcançou uma grande vitória e, além de roubar a maioria na Câmara dos Representantes aos democratas, conseguiu o controlo da maioria dos órgãos legislativos estaduais. Ora, são exatamente as legislaturas estaduais que determinam, a cada dez anos, o desenho e a distribuição dos círculos eleitorais que determinam a eleição dos congressistas para a Câmara dos Representantes. Em 2011, com as câmaras legislativas da maior parte dos Estados no seu poder, os republicanos redesenharam os círculos eleitorais de forma a que as suas hipóteses nas eleições para a House saíssem muito favorecidas. Neste momento, a distribuição dos círculos eleitorais é-lhes tão favorável que os democratas, para conseguirem uma maioria na Câmara dos Representantes, teriam de vencer o GOP por 4% ou 5% dos votos a nível nacional.
Além de garantir que a maioria dos congressistas republicanos estão seguros da sua posição eleitoral, tendo, por isso, maior margem de manobra para tomar posições impopulares, a redistribuição dos distritos congressionais também resultou numa maior polarização dos círculos eleitorais. Por norma, os distritos controlados por um congressista democrata são constítuidos por uma maioria de liberais, enquanto que os distritos nas mãos de um republicano são tendencialmente muito conservadores. Assim, os congressistas do GOP têm, grosso modo, um eleitorado significativamente mais conservador do que o eleitor médio norte-americano. E, como é óbvio, esse eleitorado opõe-se ao Obamacare, provavelmente o programa federal mais odiado de sempre pelo movimento conservador dos Estados Unidos.
Podemos, então, concluir que os congressistas republicanos, ao combaterem a implementação do novo sistema de saúde, estão apenas a cumprir a vontade dos eleitores que representam. É preciso ainda recordar que os congressistas têm, com honrosas excepções, pouca notoriedade e influência a nível nacional. Apenas um pequeno número terá a ambição de alcançar cargos estaduais ou nacionais, pelo que lhes interessa, sobretudo, manter satisfeitos os seus constituintes. 
Com esta explicação, torna-se mais compreensível a tomada de posição dos republicanos na Câmara dos Representantes. Todavia, nem o facto de a postura do GOP ser menos irracional do que à primeira vista se poderia pensar reveste de objectividade a sua posição. Isto porque, mais tarde ou mais cedo, terão de ceder de forma a permitir que o governo volte a funcionar normalmente. E, no final, o Obamacare continuará a ser the law of the land, mas o shutdown terá, ao que tudo indica, fortes consequências políticas e eleitorais para o Partido Republicano

terça-feira, 1 de outubro de 2013

SHUTDOWN!

E o impensável aconteceu: à meia-noite de hoje, em Washington D.C., o governo federal norte-americano foi encerrado depois de o Congresso não ter chegado a um acordo para a aprovação de um orçamento temporário que permitiria manter os serviços geridos pelo governo dos Estados Unidos a funcionar até ao final do ano.
As negociações entre democratas e republicanos não chegaram a bom porto devido à posição inflexível dos republicanos da Câmara dos Representantes, que exigiam a eliminação ou o corte de fundos para o sistema de saúde conhecido como Obamacare, ideia totalmente rejeitada pelos democratas.
Esta é uma postura muito dura por parte dos republicanos mais radicais e que pode ter graves consequências políticas e eleitorais para o GOP. Todas as sondagens têm indicado que a grande maioria dos norte-americanos não concorda com a estratégia utilizada pelos republicanos da House e, agora, quando os efeitos do shutdown começarem a ser sentidos na pele pelos milhares de funcionários públicos que estão a ser enviados para casa sem ordenado e quando os meios de comunicação social derem um enorme destaque ao que se está a passar, é muito provável que a imagem do Partido Republicano saia muito beliscada desta crise.
No seio do GOP, há, contudo, quem esteja preocupado com a posição assumida pelo caucus republicano da Câmara dos Representantes. Chegou a falar-se mesmo de uma rebelião dos republicanos moderados face à ala mais extremista. Todavia, quando uma proposta que visava ultrapassar o bloqueio ao orçamento foi votada, apenas seis congressistas republicanos votaram ao lados dos democratas, um número insuficiente para ultrapassar a maioria do GOP. Os democratas é que não perderam tempo e encetaram de imediato uma barragem de publicidade nos distritos dos congressistas republicanos mais vulneráveis culpando-os pela crise governamental.
Agora, resta esperar que uma das partes ceda, sendo que é mais provável que sejam os republicanos a fazê-lo, dado que se espera que sejam eles os principais responsabilizados por esta crise. Aliás, tudo indica que as consequências para o Partido Republicano serão ainda mais nefastas do que aquelas que sofreram Newt Gingrich e os republicanos, em 1996, quando se deu o último shutdown em Washington, durante a Presidência de Bill Clinton. Se assim for, a vida não ficará nada fácil para o GOP e mesmo as eleições intercalares de 2014 podem vir a ser muito influenciadas pelo modo como esta crise se desenrolar.
Será também interessante perceber como reage Barack Obama a esta situação, numa altura em que os seus números de aprovação têm vindo a cair significativamente. Se conseguir parecer "presidencial" e assumir a gestão e resolução da crise, então poderá conseguir um novo balão de oxigénio para este seu segundo mandato; se, por outro lado, a sua reacção for inócua e não mostrar capacidade de liderança, então o rótulo de lame duck pode chegar mais cedo do que nunca.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Síria e o mundo nas mãos do Congresso

No início da sua carreira política, Barack Obama começou a ganhar notoriedade quando, em 2002, e contra a opinião generalizada na época, se opôs publicamente à intervenção norte-americana no Iraque. Mais tarde, por ocasião da sua candidatura à Casa Branca, em 2008, essa posição foi-lhe muito útil para estabelecer uma verdadeira diferença face a Hillary Clinton, que havia votado a favor da guerra no Senado.
Agora, onze anos e um Prémio Nobel da Paz depois, o Presidente dos Estados Unidos está do lado contrário e defende a intervenção do país num conflito armado, mais precisamente na Síria. Há umas semanas atrás, Obama havia limitado a sua acção ao afirmar que a utilização de armas químicas por parte do regime de Bashar al-Assad era o limite que, se fosse ultrapassado, obrigaria os Estados Unidos a intervir militarmente no conflito.
Com o uso de gás Sarin por parte das forças leais ao regime sírio, que os norte-americanos alegam estar comprovado inequivocamente, Obama foi forçado a agir. Numa primeira instância, os Estados Unidos procuraram o tradicional apoio britânico, que lhes foi negado após a rejeição da intervenção britânica por parte da Câmara dos Comuns. Ainda assim, outros aliados, como a França de François Hollane, parecem dispostos a colocar-se do lado dos norte-americanos.
Contudo, quando tudo parecia encaminhar-se rapidamente para a intervenção dos Estados Unidos e dos seus aliados, Obama decidiu, de forma algo surpreendente, solicitar a autorização do Congresso para a utilização das forças armadas norte-americanas na Síria. Esta é uma prática prevista na Constituição, mas que caiu em desuso desde que Harry Truman entrou na Guerra da Coreia sem autorização do Congresso. Esta decisão de Obama terá sido, provavelmente, inflenciada pela opinião pública norte-americana (a esmagadora maioria defendia a consulta do Congresso) e também pelo que sucedeu no Reino Unido. 
É agora incerta a decisão do Congresso dos Estados Unidos. Há dúvidas e resistências à intervenção norte-americana em ambos os partidos, mas a maior dor de cabeça para a Casa Branca são os repblicanos da Câmara dos Representantes. John Kerry e Chuck Hagel, respectivamente Secretários de Estado e da Defesa dos Estados Unidos, estão a utilizar toda a sua influência para garantir o maior número de votos e contam ainda com o apoio de republicanos proeminentes como John McCain, que já referiu que uma recusa por parte do órgão legislativo seria "catastrófico". Todavia, a ala libertária do GOP, liderada pelo Senador Rand Paul, parece decidida a colocar muitas dificuldades à autorização do uso da força pelo Presidente.
Sendo incerta a resposta do Capitólio a este pedido presidencial, vislumbram-se já algumas consequências importantes resultantes da decisão de Barack Obama em solicitar a autorização do Congresso para a intervenção militar na Síria. Em primeiro lugar, reverte-se a tendência que parecia imparável desde a II Guerra Mundial de reforço do poder presidencial. Com o precedente aberto por Obama, é provável que, no futuro, seja mais díficil para um Presidente norte-americano intervir num conflito externo sem consultar previamente o órgão legislativo. 
Em segundo lugar, o debate no Congresso deixa a nú a divisão que reina actualmente no seio do Partido Republicano. Outrora o partido tough on foreign relations por excelência, com uma maior tendência para o uso do hard power, o GOP está agora a braços com um facção libertária que acredita no isolacionismo cada vez mais influente e que afasta o partido do rumo seguido nos últimos anos. 
Assim sendo, se o voto da Congresso for no sentido de negar ao Presidente o uso da força, então Rand Paul e os seus correligionários libertários darão uma extraordinária demonstração de força. Contudo, colocarão em causa o poder e a influência dos Estados Unidos no mundo e, com a China e a Rússia à espreita para se assumirem como líderes planetários, isso não pode ser positivo para o mundo ocidental.

domingo, 21 de julho de 2013

Reforma da imigração nas mãos da Câmara dos Representantes

Continua a batalha legislativa pela passagem de uma histórica e ampla reforma das regras da imigração para os Estados Unidos da América. Com o apoio da Casa Branca, dos democratas e de uma parte minoritária mas influente do Partido Republicano, falta apenas a passagem da proposta de lei pela câmara baixa do Congresso norte-americano. Contudo, o último passo pode muito bem não chegar a ser dado e é possível que a reforma da imigração venha mesmo a morrer na praia.
No final do mês passado, as conversações do famoso Gang of Eight (um grupo bipartidário responsável por negociar e acordar o formato final da lei) foram bem sucedidas e, após algumas alterações realizadas para agradar aos republicanos (nomeadamente o fortalecimento da segurança das fronteiras), a proposta de lei foi finalmente apresentada no Senado que a aprovou com um resultado de 68 votos favoráveis contra 32 votos contra. Ao lado dos democratas e dos independentes, votaram 14 senadores do GOP. Apesar de os proponentes da proposta não terem atingido os 70 votos pretendidos, o resultado não deixa de ser positivo e encorajador para os defensores da reforma da imigração. 
Com a aprovação no Senado, ficava a faltar apenas o "sim" da Câmara dos Representantes - a promulgação da lei por parte de Barack Obama é um dado adquirido. Todavia, e ao contrário do que acontece na câmara alta, são os republicanos (na sua maioria, marcadamente conservadores) que estão na maioria e, aparentemente, pouco dispostos a votar favoravelmente a Border Security, Economic Opportunity and Immigration Modernization Act, o pomposo nome oficial da proposta de lei. 
Mesmo assim, ainda há esperança para a reforma da imigração e figuras proeminentes dos dois partidos estão a trabalhar no sentido de a verem passar na Câmara dos Representantes. No seio do Partido Republicano, cujos representantes decidirão o desfecho final, Marco Rubio, John McCain e até mesmo George W. Bush têm desdobrado esforços com o objectivo de conseguirem os votos suficientes para a passagem da proposta. Entre estes, Rubio é aquele que tem mais a perder, já que apostou muito do seu capital e futuro político na aprovação desta reforma. Se falhar, as suas ambições (inclusive presidenciais) ficarão seriamente comprometidas.
Mas também o Partido Republicano joga muito do seu futuro nesta questão. Como se viu nas últimas eleições presidenciais, o voto hispânico continua a fugir para o lado democrata a um ritmo assustador para os líderes do GOP. Se esta reforma da imigração for rejeitada pelos republicanos, então o bloco eleitoral com maior crescimento demográfico nos Estados Unidos poderá ficar definitivamente nas mãos do Partido Democrata. 
São, por isso, consideráveis e importantes as razões políticas que justificam a aprovação da reforma da imigração. Contudo, as razões morais são ainda mais poderosas, especialmente se tivermos em conta os ideais fundadores da nação norte-americana. Afinal, a Terra das Oportunidades e o Sonho Americano têm de estar acessíveis e a todos e a qualquer um.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nas mãos de Rubio

Ainda que muito lentamente, continuam as negociações entre democratas e republicanos com vista à reforma da imigração no país. Com o apoio da Casa Branca de Barack Obama, é o o chamado Gang of Eight, constituido por oito senadores dos dois partidos, que lidera o processo que deverá levar à apresentação de uma proposta que possa ser aprovada pelo Congresso norte-americano.
Aparentemente, tudo aponta para que a reforma da imigração tenha já os votos suficientes para passar no Senado, mesmo tendo em conta que necessitaria de uma maioria de pelo menos 60 senadores para ultrapassar um eventual bloqueio através de filibuster. Contudo, o Gang of Eight pretende alcançar uma super-maioria, conseguindo o apoio de 70 ou mais dos 100 senadores e uma maioria entre os representantes dos dois partidos. Dessa forma, demonstrando força e consenso, seria bem mais provável que a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos e cujos membros são bem mais voláteis e polarizados politicamente, aprovasse também esta reforma.
Com os votos democratas garantidos, assim como os de pelo menos quase uma dezena de senadores republicanos mais moderados, falta agora atrair os votos de republicanos relativamente conservadores. Para isso, a chave parece ser Marco Rubio, o senador da Florida e porventura a maior figura do Partido Republicano na actualidade. Filho de pais cubanos que imigraram para os Estados Unidos, Rubio foi um dos proponentes desta reforma que permitirá legalizar milhões de cidadãos ilegais no país e tornou-se o líder do GOP nesta questão. Com o seu apoio inequívoco, muitos dos congressistas republicanos terão maior propensão em aprovar a reforma da imigração. Caso contrário, terão na "desistência" de Rubio um excelente motivo para votarem contra.
Nos últimos tempos, Marco Rubio tem preferido manter um low profile, deixando o destaque para o Gang of Eight que integra. Todavia, é certo que terá sempre um papel determimante para o futuro da reforma da imigração. Ao apostar muito do seu capital político neste tema, Rubio tem também muito a ganhar e a perder. Se a reforma passar tranquilamente e de forma consensual no Congresso, então Rubio terá afirmado a sua liderança e será um concorrente de peso para as eleições presidenciais de 2016. Se, pelo contrário, a reforma falhar, então Rubio terá perdido a batalha que travou o seio do seu próprio partido, ao mesmo tempo que verá o voto hispânico fugir ainda mais dos republicanos, com todas as consequências eleitorais que daí advêm, como tão bem se tem visto nas últimas eleições.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A luta pelas armas

Apesar de a mais recente legislação que restringiria (muito pouco) a compra de armas de fogo nos Estados Unidos não ter passado no Senado, parece que este tema controverso não despareceu da agenda política norte-americana. Aliás, é bem provável que a proposta de lei ou outra muito semelhante volte a ser votada no Congresso, já que o chumbo anterior caiu que nem uma bomba entre os proponentes dessa medida.
Após o falhanço no Senado, os defensores do gun control têm realizado um autêntico blitz mediático, aproveitando-se da popularidade da proposta de lei chumbada entre a maioria dos eleitores norte-americanos. Assim, personalidades como Gabby Giffords (a congressista democrata baleada em Tucson) ou o Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg têm feito uma intensiva campanha de lobbying de forma a garantir que a mais ambiciosa legislação para o controlo da compra de armas das últimas décadas se torne realidade. 
Parte da estratégia deste lobby anti-armas de fogo é a crítica aos republicanos que votaram contra e que representam Estados moderados. Por exemplo, a senadora Kelly Ayotte, do New Hampshire, está a ser alvo de duras críticas, ao mesmo tempo que é pressionada para modar o seu sentido de voto numa eventual nova votação. Em sentido contrário, um dos proponentes da legislação, o senador republicano Pat Toomey tem visto os seus índices de popularidade subirem na Pennsvylvania, o Estado que representa e que, em 2012, foi ganho por Obama com 52% dos votos.
Para compensar o esforço dos partidários do controlo de armas, o poderosíssimo lobby das armas, em especial a National Rifle Association, está também a colocar a sua própria campanha no terreno. Contudo, a estratégia da NRA passa mais por pressionar os senadores conservadores ao ameaçar descer o seu rating (a NRA possui um ranking onde classifica todos os congressistas de acordo com o seu historial de voto mais ou menos favorável à livre posse de armas de fogo) e a caracterizá-los como anti-armas do que a alterar a opinião da maioria dos cidadãos americanos que apoiam a proposta de lei. Por isso, há até quem fale de um atentado à democracia, quando se percebe que um poderoso lobby tem mais influência do que a opinião pública.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Obama força reforma da imigração

Barack Obama deu início à primeira grande iniciativa deste seu segundo mandato na Casa Branca e, como se esperava, o tema escolhido foi a reforma da imigração norte-americano. Num discurso no Nevada, um dos Estados do país com maior número de hispânicos, o Presidente pressionou o Congresso a agir e deu a conhecer a sua pretensão de assinar brevemente uma lei que permita que cerca de onze milhões de imigrantes ilegais tenham a possibilidade de conseguir a cidadania norte-americana.
Esta era uma acção aguardada, já que a reforma da imigração foi uma das grandes promessas da sua campanha para a reeleição (já o havia sido em 2008, mas, dessa vez, o capital político de Obama foi consumido com a reforma do sistema de saúde) e o eleitorado hispânico constituiu-se como um dos principais pilares da coligação que reelegeu Obama no ano passado. Para fazer avançar esta reforma, a Casa Branca conta com o apoio bipartidário de um grupo de senadores. Entre os republicanos, as maiores esperanças de Obama recaem em John McCain, outrora um defensor da reforma da imigração, e Marco Rubio, ele próprio descendente de imigrantes.
Depois do falhanço do DREAM Act, esta nova tentativa de fazer passar legislação que permita e legalização de imigrantes ilegalmente nos Estados Unidos tem boas hipóteses de ser aprovada pelo Congresso. Com amplo apoio dos democratas, também os republicanos terão grande dificuldade em opor-se a esta proposta, cientes de que o seu partido não pode continuar a alcançar tão fracos resultados junto dos eleitores hispânicos, que são, afinal, o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico no país. Assim, e mesmo que os republicanos mais conservadores continuem a ser opositores da suavização da política norte-americana em relação à imigração, é expectável que os membros mais moderados permitam a passagem desta legislação.
Tudo indica, por isso, que os democratas alcançarão com esta reforma uma importante vitória. Barack Obama, em especial, junta o seu nome a mais uma peça legislativa de referência, solidificando o seu legado na Casa Branca. Contudo, nem tudo é perfeito para o Partido Democrata, já que, com a aprovação da reforma da imigração, perdem um dos seus principais argumentos para atraírem os eleitores latinos, que, sendo, por norma, socialmente conservadores e pro-business podem ser mais facilmente cativados pelo GOP. Neste caso, porém, o mérito da legislação deverá sobrepor-se ao interesse político envolvido.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Reforma do filibuster cancelada

Durante as últimas semanas, democratas e republicanos do Senado estiveram envolvidos em negociações com vista a uma eventual reforma do sistema do filibuster, o famoso e polémico do funcionamento da câmara alta do Congresso que permitia a uma minoria de pelo menos 40 dos 100 senadores o bloqueio de qualquer medida ou legislação que passasse pelo Senado. Contudo, no final desta semana, o líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, anunciou a desistência da intenção de reformar o sistema, afirmando não estar preparado para, nesta altura, abandonar o actual sistema que obriga ao acordo de 60 votos para que qualquer lei de relevo seja aprovada pelo Senado.
Fica assim sem efeito uma reforma que poderia ter importantes repercussões a médio prazo no funcionamento político do Governo Federal dos Estados Unidos. Durante muitos anos, o método de filibuster funcionou (apesar de não ter sido concebido pelos Founding Fathers) como um dos mais proeminentes instrumentos de checks and balances do sistema político norte-americano, impedindo que uma maioria simples no Senado fosse suficiente para permitir a passagem de legislação fulcral pelo Congresso. Assim, o filibuster foi importante para garantir a essência do Senado, que foi pensado como um órgão mais ponderado e responsável do que a mais volátil Câmara dos Representantes.
Contudo, nas últimas décadas, o filibuster foi sendo utilizado abusivamente e deixou de ser uma medida de último recurso e para ocasiões de superior interesse para ser usada "a torto e a direito", servindo  para a minoria impedir o partido maioritário de passar praticamente qualquer medida na câmara alta. Este fenómeno foi sendo progressivamente mais sentido com a crescente polarização do Senado, outrora um órgão legislativo relativamente moderado e onde era possível ver-se dois senadores de partidos opostos a unirem-se para patrocinarem em conjunto uma proposta de lei. Agora, com o Senado, à imagem da Câmara dos Representantes, a dividir-se de forma praticamente perfeita entre as linhas partidárias, torna-se praticamente impossível para qualquer dos lados conseguir fazer passar legislação, a não ser que um dos partidos consiga a tal super maioria de 60 Senadores, o que, apesar de possível, é altamente improvável (nos últimos anos, apenas o Partido Democrata o conseguiu e apenas durante um ano).
Assim sendo, parece-me que era importante uma reforma no sistema de filibuster, mantendo-se esta provisão, mas reservando-a apenas para questões de fundo, permitindo que as matérias mais corriqueiras da governação pudessem ser aprovadas por uma maioria simples no Senado. Mas, mais uma vez, a visão política falou mais alto e os democratas, cientes que, uma vez na minoria, necessitarão do filibuster para bloquear a legislação republicana, preferiram colocar esta reforma na gaveta. 
Neste caso, a posição democrata é compreensível. Durante os próximos anos, pelo menos até 2022, o Partido Democrata terá enormes dificuldades em recuperar a Câmara dos Representantes, dada a grande vantagem obtida pelos republicanos no processo de redistribuição dos círculos uninominais de 2011. Assim, o partido de Obama precisa de se agarrar com unhas e dentes ao Senado, de forma a poder evitar que uma eventual vitória republicana em eleições presidenciais e para o Congresso crie um cenário perfeito para um total domínio do GOP em matéria legislativa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Fiscal cliff evitado

O suspense manteve-se até ao fim, mas, literalmente no último minuto, democratas e republicanos chegaram a um acordo que permitisse escapar ao precipício fiscal e, consequentemente, evitar que milhões de americanos tenham de pagar mais impostos, ao mesmo tempo que o Estado corta substancialmente nas suas despesas.
Foi já na madrugada do dia 1 de Janeiro que o Senado votou e aprovou, de forma esmagadora (89 votos favoráveis contra apenas 8 votos negativos) uma proposta que mantinha os cortes de impostos para todos os norte-americanos, excepto para os que têm rendimentos anuais superiores a 400 mil dólares. Mais tarde, a Câmara dos Representantes também passou a legislação que evitou o fiscal cliff, com 257 votos e favor e 167 contra.
Apesar da proposta ter recebido um amplo apoio por parte da grande maioria dos legisladores dos dois lados, a verdade é que parece que ninguém está verdadeiramente satisfeito com o acordo alcançado. Do lado democrata, os liberais acusam Barack Obama de ter mais uma vez cedido face aos republicanos, ao deixar cair a sua intenção de subir os impostos para para os rendimentos superiores a 250 mil dólares por ano. Por seu lado, os republicanos fiscalmente mais conservadores enfureceram-se com a ausência de cortes na despesa nesta proposta e ameaçaram mesmo rejeitar o acordo na Câmara dos Representantes. Seja como for, estas críticas das franjas menos moderadas dos dois partidos são normais e inevitáveis sempre que um acordo bipartidário é alcançado. No fundo, demonstram apenas que houve cedências de parte a parte.
Ainda assim, importa salientar que este acordo evita o fiscal cliff apenas de forma temporária. Nos próximos meses, a Casa Branca e o Congresso terão de continuar as negociações de forma a chegarem a um entendimento global, que deverá prever mais subidas de impostos mas também cortes na despesa, de forma selar definitivamente esta questão.
Em jeito de balanço, parece-me que Obama, apesar das críticas liberais, não se saiu nada mal desta sua primeira "batalha" pós-eleitoral. Obrigou os republicanos a votarem a favor de subidas de impostos (algo que, há pouco tempo atrás, parecia impensável) sem ter de ceder nos cortes de despesa em programas sociais. Dessa forma, fica com margem para, nas futuras negociações, conseguir aumentar os impostos para os mais abastados que ficaram de fora desta vez. Porém, é cedo para sabermos quem ficou ganhou politicamente, pois esta "partida" não acabou: vai apenas para intervalo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A batalha pelo Congresso

Em ano de eleições presidenciais é normal que a corrida pela Casa Branca domine os destaques noticiosos e desvie muita da atenção das eleições para o Congresso. Este ano, com a disputa pela Presidência a ser mais renhida do que nunca, o relativo esquecimento das corridas para o Congresso e para cargos  estaduais é ainda mais notória. Assim, aproveitando esta espécie de pausa na campanha presidencial causada pelo Sandy, vale a pena fazer uma breve análise ao estado da corrida pelo Senado e pela Câmara dos Representantes.
Em relação à câmara baixa, já se sabia que, depois dos enormes ganhos do GOP nas eleições intercalares de 2010, em que os republicanos arrebataram a maioria na Câmara dos Representantes, seria muito difícil para os democratas, em apenas dois anos, estarem em posição de conseguir inverter a situação e voltarem a dominar a House. Para os democratas, a situação ficou ainda mais complicada, após o processo de redistricting que foi dominado, na maioria dos Estados, por legislaturas republicanas (consequência, também, das vitórias do GOP, em 2010) que souberam "trabalhar" o mapa dos congressional districts de forma a maximizar as suas hipóteses em eleições para a Câmara dos Representantes. Não obstante, é expectável que os democratas "roubem" alguns lugares ao Partido Republicano, ainda que esses ganhos não venham a ser suficientes para que Nancy Pelosi volte a ocupar o lugar de Speaker.
No Senado, a situação é muito semelhante. Actualmente, o Partido Democrata conta com uma maioria de 53 senadores, face aos 47 do lado republicano. Até há alguns meses atrás, a perda da maioria por parte dos democratas era um dado praticamente adquirido. Contudo, alguns erros de casting por parte dos eleitores republicanos nas primárias (à semelhança do que sucedeu em 2010) e gaffes monumentais por parte dos próprios candidatos do GOP (Todd Akin, no Missouri, e Richard Mourdock foram os casos mais gritantes, com os seus "estranhos" comentários acerca da questão do aborto em situações de violação). Assim, tudo indica que os democratas serão capazes de manter o controlo da câmara alta, não sendo totalmente impossível que consigam mesmo aumentar a sua maioria. Na minha opinião, o figurino do Senado não deverá sofrer grandes modificações e os democratas deverão ficar, após as eleições, com  uma representação entre os 52 e os 54 senadores.
Em conclusão, percebe-se que as eleições legislativas deste ano não devem trazer grandes novidades no que diz respeito à composição do Congresso norte-americano. Também por isso se entende que, neste ciclo eleitoral, as centenas de corridas por cargos na Câmara dos Representantes e no Senado não estejam a suscitar um grande interesse por parte dos media, que se interessam mais por verdadeiras horse races. Nesse aspecto, a corrida pela Casa Branca deste ano, totalmente em aberto, é imbatível.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

State of the Union 2012

Barack Obama realizou ontem aquele que poderá ter sido o seu último discurso do estado da nação perante o Congresso dos Estados Unidos. No ano em que disputará a sua reeleição, o State of the Union de ontem representou o pontapé de saída da sua campanha eleitoral. Não admira, por isso, que o conteúdo da sua comunicação tenha tido contornos marcadamente políticos, delineando aquela que será o tom da sua mensagem durante a corrida pela Casa Branca.
No início, Obama apresentou logo duas das suas maiores vitórias do seu mandato: a morte de Bin Laden e a retirada do Iraque, glorificando os militares dos Estados Unidos, o que lhe valeu, como não podia deixar de ser, largos aplausos de todos os presentes. Todavia, o consenso foi sol de pouca dura, já que os principais temas abordados, como a economia e a política energética, pelo Presidente norte-americano dividem totalmente os dois grandes partidos.
Deixando definitivamente de lado a tónica do bipartidarismo que foi uma das suas grandes bandeiras na campanha de 2008, Obama foi assertivo ao colocar-se como o defensor do povo americano, alegando que os milionários e bilionários têm de pagar mais impostos. Trata-se da conhecida táctica populista de defender os desprotegidos "99%" dos favorecidos "1%", mas, em ano de eleições, esta é uma estratégia que pode muito bem ser bem sucedida (veja-se, por exemplo, o exemplo de Newt Gingrich).
Este ataque é também dirigido a Mitt Romney, ele próprio um milionário, e que não tem sido capaz de afastar a imagem que lhe está associada: a de um fat cat que está desconectado das preocupações do cidadão comum. Desta forma, Barack Obama tenciona não só melhorar a sua imagem junto dos americanos, mas também contribuir ainda mais para os problemas de Romney e, assim, preparar o terreno para enfrentar o mais provável nomeado republicano.
Este foi, então, um State of the Union claramente dominado (e até assombrado) pelas eleições presidenciais de Novembro. Basta ver que até os cidadãos tradicionalmente convidados para se sentarem junto da Primeira Dama eram oriundos dos chamados swing states. Assim se percebe que tudo neste discurso foi pensado ao mais pequeno pormenor, de forma a aumentar as hipóteses de Obama não vir a ser um presidente de um só mandato.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Giffords abandona o Congresso

Gabrielle Giffords, a congressista democrata pelo Arizona que, há pouco mais de um ano foi atacada e baleada na cabeça durante uma iniciativa política em Tucson, anunciou, via Youtube (onde ficam evidentes as limitações na fala de que ainda padece), que irá deixar o seu lugar na Câmara dos Representantes, de forma poder concentrar-se a tempo inteiro na recuperação das lesões sofridas nesse trágico atentado à sua vida. Assim sendo, deve também ficar afastada a possibilidade de Giffords concorrer, este ano, a um lugar no Senado, algo que os líderes democratas ambicionavam de modo a poderem sonhar com a conquista de um assento actualmente na posse dos republicanos. Obviamente, a saúde tem de vir sempre em primeiro lugar, mas Gabby, como é conhecida, ainda é jovem e nunca se sabe o que o futuro lhe reserva.