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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As midterms de 2014: um balanço

Uma semana após serem conhecidos os resultados das eleições intercalares de 2014, é altura de fazer um balanço do que se passou, tentando perceber as razões que levaram a uma vitória imperial do Partido Republicano e a uma estrondosa derrota dos democratas. E, a meu ver, o desfecho da noite eleitoral explica-se mais pelo demérito do Partido Democrata do que propriamente pelo mérito do GOP.
Em primeiro lugar, importa referir que para estas eleições nunca se poderia esperar um resultado positivo para os democratas. As midterms que coincidem com o sexto ano de mandato de um Presidente são, por norma, muito penalizadoras para o partido que ocupa a Casa Branca. Para piorar as coisas, Barack Obama é um presidente impopular nos Estados Unidos, ainda que mantenha bastiões de defensores nos principais territórios democratas. Contudo, este ciclo eleitoral desenrolou-se principalmente em red e purple states, ou seja, Estados republicanos ou moderados, o que potenciou a carga negativa da imagem do Chefe de Estado para os candidatos democratas.
Se em 2010 e 2012 o Partido Democrata conseguiu algumas vitórias improváveis contando com a preciosa colaboração dos candidatos republicanos, alguns deles verdadeiramente inaptos para concorrerem a cargos de dimensão nacional, desta vez o GOP não prestou essa ajuda aos seus adversários. De facto, o establishment republicano foi capaz de evitar e derrotar candidatos mais radicais e conseguiu controlar o Tea Party. Para isso, foi muito importante o recrutamento de concorrentes de qualidade, mas também o controlo dos principais financiadores do partido (como os irmãos Koch), que, este ano, fecharam a torneira aos fringe candidates em detrimento daqueles que tinham o apoio da estrutura partidária.
Assim, a estratégia republicana centrou-se principalmente em não cometer erros, evitando candidatos improváveis, mas também gaffes comprometedoras como as que fizeram cabeçalhos de jornais nas duas últimas eleições e que prejudicaram seriamente os resultados eleitorais do partido. Por outro lado, assistimos a uma vazio ideológico por parte da maioria dos candidatos republicanos, que consideraram (e, pelos visto, bem) que quanto menos dissessem, melhor. E quando os concorrentes do GOP falavam era, invariavelmente, para colar a imagem dos seus opositores à do impopular Obama. 
Do lado democrata, a campanha eleitoral não podia ter sido mais desastrada. Como cada vez mais acontece, os operativos democratas planearam as suas estratégias com base quase exclusivamente nas sondagens. Desse modo, vimos os candidatos democratas a centrarem o seu discurso nos temas normalmente associados ao seu eleitorado mais predominante, as mulheres, com destaque para o direito ao aborto. Ao mesmo tempo, os democratas, assustados com os números de Obama nos estudos de opinião, fugiram a sete pés do seu Presidente e do seu currículo. 
Todavia, considero que esse foi o principal erro do Partido Democrata. Em vez de renegarem Barack Obama e o seu historial na Casa Branca, os democratas deveriam ter abraçado o legado do seu líder e feito campanha com base nos seus feitos. Podiam ter defendido o estímulo económico que terá evitado o colapso da economia do país; podiam ter apontado para os números do desempenho económico norte-americano, com o PIB a crescer acima dos 3% e o desemprego abaixo dos 6%; podiam ter recordado que o Obamacare é cada vez menos vilipendiado e veio cobrir dezenas de milhões de norte-americanos até então sem seguro de saúde; podiam ainda ter apostado na defesa dos direitos de milhões de imigrantes ilegais.
Mas não. Os democratas preferiram atirar tudo isso para debaixo do tapete com medo que o eleitorado republicano e independente os penalizasse nas urnas. O que conseguiram, porém, foi desmobilizar e desmotivar o seu eleitorado de base, que se mantém, desde 2008, com Barack Obama. E foram esses mesmos eleitores, como os hispânicos (que viram Obama a sacudir a reforma da imigração para uma qualquer data após as eleições), os afro-americanos e, principalmente, os jovens que ficaram em casa no passado dia 4 de Novembro e contribuíram, por isso, para uma esmagadora republicana nas midterms.
Durante os próximos dois anos, os democratas farão uma inevitável travessia no deserto, sendo minoritários nas duas câmaras do Congresso, detendo muito menos governos estaduais do que os republicanos e preparando a sucessão de um Presidente lame duck. Em 2016 terão uma nova oportunidade. Será que aprenderão com os erros, como fizeram, este ano, os republicanos?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

E tudo a onda levou

Estão contados quase todos os votos das eleições intercalares de 2014 nos Estados Unidos e o resultado é fácil de descrever: uma imponente vitória do Partido Republicano.  Confirmaram-se os piores receios democratas e a noite eleitoral de ontem revelou-se uma onda dos republicanos que venceram a toda a linha, com praticamente todas as corridas assinaladas como competitivas a caírem para o lado dos candidatos do GOP.
Nas eleições para o Senado, as melhores expectativas republicanas terão sido superadas e o GOP retirou sete assentos aos democratas, sendo que este número deverá aumentar para nove, quando todos os votos estiverem contados no Alaska, que deverá ir para a coluna vermelha, e quando se realizar a segunda volta da corrida no Louisiana, que deverá cair para o lado republicano. No outro Estado ainda sem resultado oficial, a Virginia, o Democrata Mark Warner deverá ser sagrado vencedor. Dessa forma, o Senado ficaria dividido entre 46 democratas (incluindo dois independentes) e 54 republicanos, uma assinalável transferência de poder e que coloca mesmo o Partido Republicano em condições de aguentar a previsível investida democrata nas eleições de 2016.
No que diz respeito à Câmara dos Representantes, cuja recuperação de controlo não passava pela cabeça ao democrata mais optimista, o desfecho não foi diferente. Esperava-se um resultado dentro do de há dois anos, ou, no máximo, um dos dois partidos a ganhar uma meia dúzia de lugares ao adversário. Porém, o Partido Republicano obteve um novo triunfo, conseguindo aumentar ainda mais a sua maioria na câmara baixa. Até ao momento, o GOP já conquistou 13 novos lugares, mas esse número poderá subir quase até aos 20, quando todas as corridas tiverem sido encerradas. Assim sendo, os republicanos passarão a ocupar cerca de 250 dos 435 lugares na House, ficando com uma sólida maioria que poderá resistir durante vários ciclos eleitorais.
Finalmente, nas eleições para governos de Estados federados, assistiu-se, invariavelmente, a uma vitória dos republicanos, com destaque para os resultados na Florida, onde Rick Scott segurou o seu cargo de Governador frente ao favorito Charlie Crist que, depois de ter sido Governador do Estado como republicano e de ter concorrido ao Senado como independente, tentou o regresso à mansão de governador do sunshine state, desta vez como democrata, mas sem sucesso, no Wisconsin, Estado onde Scott Walker garantiu a reeleição, posicionando-se, assim, para uma previsível candidatura à Casa Branca, em 2016, e no Illinois, território democrata, mas que não permitiu a reeleição a Pat Quinn, o actual Governador democrata, que perdeu a corrida para Bruce Rauner, o seu opositor republicano. 
Para os democratas, apenas a reconquista da Pennsylvania e e vitória no Colorado (ambas as corridas para Governador do Estado) podem ser encarados como resultados positivos, mas que não chegam, longe disso, para atenuar aquela que foi uma péssima noite eleitoral (foi mesmo pior do que o shellacking de 2010) e cujas consequências darão muito que falar nos próximos tempos. 

Vitória republicana

A noite ainda não terminou nos Estados Unidos, mas em Portugal a madrugada já vai longa e o sono começa finalmente a levar a melhor. Análises mais profundas ficarão para os próximos dias, mas, neste momento, parece evidente que as eleições intercalares de 2014 resultaram, como se esperava, numa vitória do Partido Republicano. 
Quando o próximo Congresso tomar posse, o GOP passará a deter a maioria dos assentos nas duas câmaras. Sem surpresas, manteve o controlo da Câmara dos Representantes (deverá mesmo ganhar mais alguns lugares) e, principalmente, conseguiu destronar o Partido Democrata da maioria no Senado. À hora que escrevo, ainda não são conhecidos os resultados na North Carolina, no Virginia (deverá cair para os democratas), no Iowa, no Kansas e no Alaska, mas esses Estados apenas ditarão a dimensão da vitória republicana.
No que diz respeito aos Governadores, os democratas ainda podem atenuar um pouco os danos se, à vitória na Pennsylvania juntarem um triunfo na Florida (neste momento, o sunshine state está muito renhido e será decidido no phono finish). Com o ganho destes dois grandes e importantes Estados ao GOP, os democratas teriam, pelo menos, alguns motivos de festa que serviriam de consolo para uma noite, no cômputo geral, muito negativa.
Ainda assim, e analisando as exit polls, parece-me que os democratas perderam principalmente, por falta de comparência. Olhando para os números, percebe-se que o Partido Democrata conseguiu atingir os valores habituais junto da sua coligação de eleitores (nomeadamente, afro-americanos, hispânicos jovens e mulheres). Contudo, esses eleitores deslocaram-se às urnas em menor número do que o necessário para que os democratas alcançassem melhores resultados. Por exemplo, em 2012, 72% dos votantes eram brancos, menos 3 pontos percentuais do que hoje, quando se sabe que a tendência da população dos Estados Unidos é tornar-se mais diversa. Por isso, não podem os republicanos retirar grandes ilações dos resultados de hoje no que diz respeito à corrida presidencial de daqui a dois anos.

Segunda volta no Louisiana

No Louisiana, já se sabe que não vai haver vencedor esta noite. Como nenhum dos candidatos obteve uma maioria absoluta, haverá lugar, a 6 de Janeiro, a uma segunda volta entre a democrata Mary Landrieu e o republicano Bill Cassidy na disputa de um lugar no Senado. Assim sendo, e dependendo dos resultados nos restantes Estados, pode acontecer que o controlo do Senado pode ficar adiado por mais dois meses. Todavia, nesta altura, o mais provável é que o Partido Republicano consiga alcançar os 51 assentos necessários para retirar a maioria na câmara alta do Congresso aos democratas.

GOP rouba primeiro assento no Senado aos democratas

Os republicanos já conseguiram "roubar" um assento no Senado aos democratas. Logo após o fecho das urnas na West Virginia, a CNN anunciou a vitória de Shelley Moore Capito. Este era um triunfo mais que aguardado para o GOP que, com este resultado, ficam precisam "apenas" de recuperar outros cinco lugares no Senado para retirar o controlo da câmara alta ao Partido Democrata. 

Mitch McConnell reeleito

Acabaram de fechar as urnas nos primeiros Estados e já há algumas corridas declaradas pelos principais meios de comunicação social. Entre elas, destaque para a vitória de Mitch McConnell no Kentucky. Assim sendo, o líder republicano do Senado garante um novo mandato de seis anos. Este era um resultado previsível, mas que chegou a estar em causa durante a campanha. Agora, McConnell terá de esperar para saber se, em Janeiro, continuará como líder da minoria, ou, se por outro lado, passará a chefiar a maioria no Senado.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um guia para a noite eleitoral

Chegou, finalmente, o dia das eleições. Hoje, milhões de norte-americanos deslocam-se às urnas para votar. Outros milhões já o fizeram por voto antecipado, mas será na noite de hoje que serão contados os votos e anunciados os resultados que decidirão o figurino do Congresso, assim como o de vários governos estaduais um pouco por todo o país. 
Para quem está do lado de cá do Atlântico, a diferença horária é um obstáculo, mas, ainda assim, vários political junkies, como eu, ficarão acordados a seguir os resultados. E, para isso, nada melhor do que ter uma ferramenta como esta, providenciada pelo Daily Kos, que nos indica o horário de fecho das urnas em cada Estado, ao mesmo tempo que faz um apanhado dos destaques da noite eleitoral. Ajudará, sem dúvida, no acompanhamento da longa mas emocionante noite eleitoral de mais logo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os democratas perdem a maioria no Senado: e agora?

Como ontem referi, tudo aponta, na véspera do dia de todas as decisões, no sentido de os republicanos estarem muito perto de "roubarem" a maioria no Senado aos democratas, tornando-se, assim, a força maioritária nas duas câmaras do Congresso. A confirmar-se esta previsão (o que poderá suceder apenas em Janeiro do próximo ano, devida a possíveis segundas voltas), o que mudará no panorama político dos Estados Unidos?
Na verdade, não me parece que, formalmente, se verifique uma grande mudança, especialmente a nível legislativo. De facto, o Partido Republicano já controla a Câmara dos Representantes e, por isso, os democratas, para fazerem passar legislação, têm sempre de chegar a acordo com a oposição. Contudo, o mesmo já não acontece no que diz respeito a nomeações presidenciais, que, segundo a Constituição, necessitam apenas da confirmação do Senado. Assim, e caso a maioria na câmara alta seja republicana, Barack Obama terá mais dificuldades em fazer aprovar os seus nomeados políticos (eventuais substituições na sua Administração) e, principalmente judiciais. E isso, numa altura em que surgem rumores que apontam para uma possível vaga no Supremo Tribunal, pode ter um grande impacto.
Mas a maior consequência de uma derrota democrata de grandes proporções na noite de amanhã pode ser mesmo ao nível da percepção. Com os níveis de popularidade de Obama em queda livre, a perda do controlo do Senado implicaria um novo e grande rombo na credibilidade do Presidente norte-americano e debilitaria seriamente a sua posição em Washington. Sem apoio no Congresso e com uma imagem tão negativa junto do público que dissuadiria outros políticos de se verem associados ao Presidente, Obama teria enormes dificuldades em fazer passar algum pacote legislativo com alguma relevância. Nesse caso, a reforma da imigração poderia estar seriamente, senão definitivamente, comprometida. Em resumo, teríamos um Barack Obama, durante os dois últimos anos do seu mandato na Casa Branca, em modo lame duck.
Mas nem tudo são más notícias para o Partido Democrata. Mesmo que o partido de Obama perca, nestas eleições, a maioria no Senado, é praticamente certo que a recuperará já daqui a dois anos, aquando das eleições de 2016. Nessa altura, irão a votos os Senadores que foram eleitos na onda republicana de 2010 e, alguns deles, representam Estados fortemente democratas. Por isso, num ano de eleições presidenciais, que atraem mais eleitores democratas às urnas, é crível que o Partido Democrata amealhe assentos suficientes para destronarem novamente os republicanos da maioria na câmara alta. Em suma, as previsíveis vitórias do GOP na noite de amanhã serão, sem dúvida, saborosas para os republicanos, mas virão, todavia, com um prazo de validade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Onda republicana em formação?

A dois dias das eleições intercalares norte-americanas, os números das sondagens começam a convergir definitivamente num sentido. As sondagens do fim-de-semana indiciam que as eleições do dia 4 de Novembro poderão resultar numa wave republicano, um pouco à imagem do que sucedeu em 2010, quando o GOP conseguiu um resultado esmagador nas corridas para a Câmara dos Representantes, destronando a maioria democrata, e retirou seis assentos no Senado aos seus adversários do Partido Democrata, número que, ainda assim, não foi suficiente para alcançar a maioria na câmara alta.
Quatro anos depois, o mais provável é que os republicanos alcancem finalmente o objectivo que falharam em 2010 e 2012 e se tornem o partido maioritário no Senado. Mas deixemos as palavras e passemos aos mais recentes resultados de sondagens em alguns dos Estados que irão decidir o controlo do Senado na próxima Terça-feira:

Alaska: Sullivan (R) 47% - Begich (D) 42%

Georgia: Perdue (R) 48% - Nunn (D) 44%

Iowa: Ernst (R) 51 % - Braley (D) 44%

Arkansas: Cotton (R) 49% - Pryor 41%

Louisiana: Cassidy (R) 51% - Landrieu (D) 43% (em caso de segunda volta)

Definitivamente, não parece nada positivo o cenário para o lado democrata. Contudo, e como temos lembrado, também em 2010 e 2012 tiveram a sua maioria no Senado em perigo e, dessas vezes, os números das sondagens subvalorizaram os eventuais resultados dos candidatos democratas. Ainda assim, parece-me que, muito provavelmente, o Senado mudará mesmo de mãos e, para os democratas, restará a consolação da (quase) certeza de que voltarão a controlar o Senado daqui a dois anos. Mas isso já é tema para um novo post, que escreverei nos próximos dias.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Too close to call

As midterms são já na próxima Terça-feira, mas continua tudo em aberto no que diz respeito à maioria da câmara alta do Congresso norte-americano. Com o controlo da Câmara dos Representantes bem seguro em mãos republicanas e com as eleições para os governos estaduais a serem mais importantes a nível local do que nacional, resta a "batalha" pelo Senado como principal ponto de interesse para a noite eleitoral do dia 4 de Novembro.
Na ponta final da campanha, o Partido Republicano continua favorito para alcançar a maioria, mas o grande número de sondagens com resultados diferentes em vários Estados torna mais difícil fazer uma previsão de confiança sobre o que acontecerá na noite eleitoral. Em eleições intercalares, por norma bem menos participadas do que em anos coincidentes com eleições presidenciais, as sondagens são, também, tradicionalmente menos precisas. Por exemplo, em 2010, todos os estudos de opinião apontavam para a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Contudo, como hoje sabemos, o senador do Nevada saiu vitorioso e, inclusive, por uma margem relativamente folgada.
Além disso, as sondagens em alguns dos Estados cujas corridas serão decisivas para o desfecho final têm um historial de pouca fiabilidade. Entre eles, o caso mais paradigmático é o do Alaska, com um eleitorado disperso, pouco implantado e de difícil acesso por telefone (o método de contacto da grande maioria das sondagens). Os números das sondagens no Kansas e no South Dakota têm também de ser olhados com alguma reserva, já que estes dois Estados, ambos profundamente republicanos, não costumam gerar corridas competitivas. Por isso, os analistas e as empresas de sondagens não estão particularmente familiarizados com as realidade política e eleitoral desses Estados, que normalmente não contam para o "totobola" das noites de eleições.
Há ainda o caso da Georgia, onde as leis do Estado obrigam a uma segunda volta, caso o vencedor não alcance uma maioria absoluta dos votos. Ora, com a presença de um candidato libertário na corrida, é bem possível, se não provável, que o cenário de um runoff se concretize. Nesse caso, a segunda volta apenas se realizaria em Janeiro de 2015 (o que pode adiar a decisão do controlo do Senado para essa data), o que dificulta a "tomada de pulso" ao eleitorado, estando essa eventual eleição a mais de dois meses de distância. No Louisiana, também existe a figura do runoff, mas, nesse caso, é pouco provável que o candidato republicano deixe escapar a vitória à primeira volta.
Se a isto juntarmos resultados muito equilibrados que as sondagens vão mostrando no Kansas, na Georgia, no Iowa, no Alaska, na North Carolina, no Colorado e até no Kentucky (e ainda podem haver surpresas noutros Estados), facilmente se percebe que é muito difícil fazer uma previsão sobre o resultado da noite eleitoral da próxima semana no que ao controlo do Senado diz respeito. É certo que os republicanos parecem levar, hoje, uma vantagem importante sobre os democratas, mas, na minha opinião, a corrida está ainda too close to call.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Maioria democrata no Senado em perigo

A pouco mais de um mês das eleições intercalares de 4 de Novembro, as atenções políticas nos Estados Unidos estão principalmente dirigidas para a disputa pelo Senado. Com a Câmara dos Representantes bem segura nas mão dos republicanos, é, acima de tudo, o destino da câmara alta do Congresso que está em jogo na noite eleitoral. E, segundo as recentes sondagens, o Partido Republicano vai bem lançado para retirar a maioria no Senado aos democratas.
Para chegarem aos 51 assentos necessários para se tornarem a nova maioria na câmara alta, o GOP precisa de ganhar seis lugares ao Partido Democrata, que conta, actualmente, com 55 senadores no seu caucus. A crer nas sondagens, os republicanos são favoritos a vencer na West Virginia, no Arkansas, no Montana, no South Dakota, no Alaska e no Louisiana. Só com estas seis corridas o Partido Republicano já chegaria à maioria. 
Contudo, os democratas ambicionam ainda "roubar" um assento ao GOP. E logo num Estado onde os republicanos dominam há já várias décadas: o Kansas. Acontece, porém, que o candidato que ameaça destronar o actual ocupante do cargo, o republicano Pat Roberts, não é um democrata, mas sim um independente. Greg Orman, um ex-democrata, é um empresário de sucesso e a sua entrada na corrida foi de tal forma bem sucedida que os democratas retiraram o seu candidato, cientes de que Orman era a sua única possibilidade de derrotar o Senador Roberts. Neste momento, o concorrente independente é um ligeiro favorito a alcançar a vitória e, nesse caso, o mais provável é que, uma vez no Senado, se juntasse aos democratas. 
Assim sendo, teríamos um Senado empatado, com 50 republicanos e 50 democratas. Todavia, em caso de empate nas votações do Senado, o voto decisivo cabe ao Vice-Presidente e isso significa que, pelo menos até Janeiro de 2017, um empate no Senado favorece os democratas.
Mas calma, porque ainda não falei de dois dos três Estados que, juntamente com o Kansas, decidirão o controlo do Senado nas próximas eleições. No Colorado e no Iowa, os democratas defendem dois assentos que estão claramente em perigo para a eleição de 4 de Novembro. No Colorado, a corrida está praticamente empatada, mas, nos últimos dias, o candidato republicano, Cory Gardner, até parece levar uma ligeira vantagem em relação ao seu opositor, o senador democrata Mark Udall. No Iowa, as notícias são ainda menos animadoras para o partido de Obama. Isto porque uma sondagem do geralmente certeiro Des Moines Register colocou a candidata do GOP, Joni Ernst, seis pontos percentuais à frente do democrata Bruce Braley.
Com base neste cenário, percebemos que apenas uma perfeita conjugação de resultados permitirá ao Partido Democrata manter a sua maioria no Senado. Ou seja, precisa de contrariar as sondagens mais recentes e manter os assentos no Iowa e no Colorado do seu lado, impedir surpresas noutros Estados em que a vantagem democrata não é tão significativa quanto isso (New Hampshire, Michigan e North Carolina), ajudar o independente Orman a vencer no Kansas e depois convencê-lo a ajuntar-se ao caucus democrata no Senado.
Não parece uma tarefa nada fácil, especialmente num ano em que, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2012, os candidatos republicanos têm-se mostrado mais impermeáveis aos erros e às gaffes. Mas não deixa de ser verdade que, nos últimos ciclos eleitorais, os democratas têm superado as expectativas e conseguido segurar o controlo do Senado. A 4 de Novembro, tiraremos todas as dúvidas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agenda em dia

Depois de umas merecidas férias, o Máquina Política está de regresso. Durante o período de descanso, muito se passou do lado de lá do Atlântico. Mas vamos por partes:

EUA atacam o ISIS - Depois de dois jornalistas norte-americanos terem sido decapitados pelo Islamic State in Iraq and Syria (ISIS), Barack Obama decidiu agir e, num discurso transmitido em directo pelas principais cadeias dos Estados Unidos, anunciou o seu plano para combater o ISIS, grupo radical que controla já grande parte do Iraque e da Síria. O Presidente informou os cidadãos norte-americanos que os ataques aéreos da Força Aérea dos Estados Unidos já em vigor no território iraquiano serão alargados a regiões da Síria ocupadas pelo ISIS. Além disso, Obama anunciou ainda que colocará mais conselheiros militares norte-americanos no terreno e que aumentará o apoio financeiro e militar às autoridades iraquianas e curdas que combatem o Estado Islâmico. Contudo, Barack Obama frisou que o conjunto de acções agora implementado não contempla o envio de tropas combatentes norte-americanas.
Estas novas medidas são a resposta de Obama ao choque sentido pela opinião pública dos Estados Unidos após a divulgação dos vídeos das decapitações dois dois jornalistas. Contudo, o 44º Presidente norte-americano está numa situação muito delicada, pois sempre defendeu a retirada do Iraque e, agora, está, de facto, a regressar àquele território para uma nova guerra de desgaste sem um fim à vista. Na verdade, este pode ter sido um momento decisivo para o legado de Obama que chegou ao poder como aquele que acabaria com o fim da presença norte-americana no Médio Oriente, mas que pode, como o seu antecessor, deixar a Casa Branca com um conflito em aberto e que terá de ser resolvido pelo seu sucessor.

Eleições intercalares - A menos de dois meses das eleições intercalares, as notícias não podiam ser piores para os democratas. Com uma maioria na Câmara dos Representantes a ser uma mera possibilidade matemática, está também cada vez mais complicada a tarefa do partido de Obama para manter a maioria no Senado. Se as eleições fossem hoje,  segundo tanto Nate Silver como Larry Sabato, o mais provável é que o GOP alcançasse o controlo da câmara alta do Congresso, relegando os democratas para a oposição. 
Nesse caso, o mais provável é que os dois últimos anos do mandato presidencial de Obama fossem praticamente irrelevantes no sector legislativo, dado que sem apoio do Congresso, será praticamente impossível para um presidente relativamente impopular conseguir amealhar apoios para qualquer peça legislativa de relevo (como, por exemplo, a reforma da imigração).

Corrida presidencial - Do lado democrata, não há novidades. Hillary Clinton continua a ser a presumível nomeada democrata e a antiga Primeira-Dama regressará, este Domingo, ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos nas primárias presidenciais. Esta será a primeira vez que Hillary se desloca ao Hawkeye State desde que, em Janeiro de 2008, foi surpreendentemente derrotada por Barack Obama (e também por John Edwards). Tudo indica que a ex-Secretária de Estado entrará mesmo na corrida, isto apesar de ter anunciado esta semana que apenas tomará uma decisão no início do próximo ano. Com todos os outros democratas de peso (que não são assim tantos como isso) a colocarem-se de fora das contas presidenciais para 2016 devido à presença de Clinton, o Partido Democrata não receberia nada bem uma decisão negativa da sua grande estrela quanto à sua candidatura à Casa Branca.
Do lado republicano, o destaque vai para Ted Cruz e para Rand Paul. O primeiro continua a dar mais indicações quanto à sua candidatura presidencial, com o seu chefe de gabinete a deixar esse cargo para assumir maiores responsabilidades políticas (leia-se, eleitorais). Todavia, o Senador pelo Texas foi também notícia pela negativa: numa gala organizada por um grupo de cristãos do Médio Oriente, Cruz abandonou o palco onde discursava, após as suas declarações vincadamente pró-Israel terem sido recebidas pela audiência com fortes vaias. Já em relação ao segundo é praticamente certo que será um candidato presidencial e as suas constantes presenças no New Hampshire, o primeiro Estado a realizar primárias indiciam que o Granite State será o centro da sua estratégia. Ora, tal facto não é surpreendente ou não fosse o eleitorado republicano do New Hampshire um dos mais favoráveis a candidaturas de candidatos com raízes libertárias, como se comprova pelo excelente resultado obtido, em 2012, por Ron Paul (pai de Rand), com 23% dos votos, apenas atrás do vencedor, Mitt Romney.

domingo, 15 de junho de 2014

A incrível derrota de Eric Cantor

Na passada Terça-feira à noite, os Estados Unidos foram testemunhas de uma das mais surpreendentes derrotas políticas de que há memória. Eric Cantor, o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes (o segundo cargo mais importante, apenas ultrapassado pelo Speaker), não poderá ser reeleito como o congressista do 7º distrito do Estado da Virginia, após ter sido batido nas eleições primárias do Partido Republicano por David Brat, um (até agora) desconhecido professor universitário.
Apoiado por grupos do Tea Party a nível local e estadual, David Brat desafiou Cantor pela sua Direita, acusando-o de não ser suficientemente conservador, de se preocupar mais com a elevação do seu estatuto público do que com os seus constituintes e de ser soft on immigration. Contudo, nem mesmo as organizações do Tea Party a nível nacional investiram seriamente nestas primárias, dado que a vitória de Eric Cantor era vista como certa, o que demonstra bem o efeito choque que a derrota de um dos mais influentes e poderosos republicanos provocou no mundo político norte-americano.
Uma das principais repercussões do afastamento de Eric Cantor poderá sentir-se na tão aguardada e, ao mesmo tempo, tão adiada reforma da imigração. O congressista da Virginia era visto como uma das figuras de proa do Partido Republicano para o avanço legislativo desta reforma e, sem a sua presença na Câmara dos Representantes, a vontade dos republicanos para chegarem a um acordo com os democratas nesta matéria pode ser seriamente afectada. Além disso, o facto de a posição tendencialmente favorável de Cantor em relação à reforma da imigração ter sido, ao que tudo indica, uma das principais razões para a sua derrota nas primárias, pode levar muitos congressistas republicanos a pensarem duas vezes quando ponderarem o seu eventual apoio à reforma.
Após a derrota da semana passada, esfumou-se também o sonho de Eric Cantor em ascender à tão ambicionada posição de Speaker of the House. Sendo o número dois na hierarquia da Câmara dos Representantes e assumindo-se como uma das principais figuras do Partido Republicano, o congressista da Virginia era o principal favorito a suceder a John Boehner como Speaker. Agora, com Cantor fora de cena, assistiremos a uma enorme luta de poder entre os congressistas do GOP: primeiro, para a sucessão de Eric Cantor e, mais tarde, para a substituição de Boehner.
O resultado no 7º distrito da Virginia pode também voltar a trazer à baila a narrativa da influência negativa das facções mais conservadoras nas eleições primárias do Partido Republicano. Este ano, essa tendência não se tem sentido tanto como em 2010 e 2012, mas também é verdade que estamos ainda muito cedo no calendário eleitoral. Caso se verifique que, mais uma vez, os candidatos do Tea Party estão a derrotar, nas primárias, candidatos mais moderados e, logo, mais elegíveis, isso pode prejudicar as hipóteses do GOP nas eleições intercalares do Outono. Ora, numas eleições em que se prevê que o controlo do Senado possa depender de apenas um assento, basta uma escolha menos acertada para alterar totalmente o desfecho da noite eleitoral do dia 4 de Novembro.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Rude golpe para os democratas na Florida

As eleições para o Congresso estão ainda a oito meses de distância, mas, de momento, o cenário não é nada positivo para o Partido Democrata. A eleição especial que teve ontem lugar na Florida veio comprovar isso mesmo, com a derrota da candidata democrata, Alex Sink, às mãos do republicano David Jolly.
Na disputa pelo 13º distrito da Florida, os democratas perderam uma excelente oportunidade para recuperar um assento que se encontra na posse do GOP há mais de 40 anos. De facto, Sink era vista como a favorita à vitória, fruto de ser um nome conhecido (perdeu à tangente, em 2010, o cargo de Governador do Estado para Rick Scott), de contar com uma importante vantagem financeira e de concorrer contra um antigo lobbysta. Contudo, nada disto evitou que Jolly alcançasse uma vitória e que nem foi assim tão justa quanto isso (o republicano obteve 48,5% dos votos contra os 46,6% da sua opositora).
Este resultado, num Estado tão importante como é a Florida, é um rude golpe para o Partido Democrata  e deve fazer soar os alarmes no DCCC (estrutura democrata de apoio às eleições para a Câmara dos Representantes). O 13º distrito da Florida trata-se de um local tradicionalmente republicano, mas também é precisamente o tipo de distrito moderado, apenas ligeiramente republican leaning, que os democratas precisam de conquistar se querem ter alguma hipótese de anular o défice de 17 lugares na Cãmara dos Representantes que os afastam da maioria. 
A reconquista da câmara baixa do Congresso sempre foi um long shot para os democratas. Todavia, o desfecho de ontem na Florida indicia que essa meta é uma missão impossível para o partido de Obama. Por isso, parece cada vez mais acertada a opção alegadamente tomada pela liderança democrata de, em 2014, apostar todas as suas fichas nas corridas do Senado, onde a manutenção da maioria é uma tarefa complicada, mas exequível.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A corrida pela Florida

Na passada Sexta-feira, falei das eleições para o Congresso que se realizarão no próximo dia 4 de Novembro. Pelo seu impacto nacional, estas eleições são as que atraem mais atenção e mediatismo, mas não são as únicas a terem lugar nesse dia, já que também irão a votos vários governos estaduais um pouco por todo o território norte-americano. Entre essas eleições estaduais, algumas merecem especial destaque, como a que decidirá o nome do governador de um dos maiores Estados do país, a Florida.
A corrida do sunshine state é especialmente interessante por marcar o regresso de Charlie Crist um dos mais polémicos políticos da Florida nos últimos anos. Crist foi governador do Estado entre 2007 e 2011, na altura como membro do Partido Republicano. Todavia, quando em 2012 concorreu ao Senado, foi desafiado nas primárias pelo carismático Marco Rubio. Com as sondagens a mostrarem uma enorme vantagem para Rubio, Charlie Crist desistiu das primárias, abandonou o Partido Republicano e concorreu na eleição geral como independente. Mas nem assim o antigo Governador conseguiu a eleição para o Senado e Marco Rubio, derrotando copiosamente Crist e o candidato democrata, foi mesmo eleito para a câmara alta do Congresso.
Agora, Charlie Crist volta a tentar a sua sorte, desta vez concorrendo pelo Partido Democrata, em mais um twist político-partidário que está a dar muito que falar. Apesar da polémica desta incessante troca de partidos, Crist parece bem lançado para derrotar o actual ocupante do cargo, o impopular Rick Scott, que será o candidato do GOP. Todas as últimas sondagens mostram Crist na liderança da corrida, com uma vantagem para Scott que varia entre os três e os doze pontos percentuais.
Os números da taxa de popularidade de Rick Scott deixam antever uma reeleição muito complicada para o actual Governador da Florida. Contudo, essa impopularidade deve-se sobretudo a posições que Scott tomou e que desagradaram às classes sociais mais baixas (como, por exemplo, a instituição da obrigatoriedade de testes de drogas para quem recebe subsídios sociais). Ora, esses eleitores têm menor propensão para votar em eleições intercalares, como é o caso das eleições deste ano. Por seu lado, Charlie Crist é um político muito conhecido, relativamente bem visto na Florida e que contará com a excelente máquina democrata no Estado. Contudo, será certamente muito atacado pela sua constante troca de partidos.
A corrida pelo controlo do quarto mais populoso Estado da União (a Florida muito brevemente ultrapassará New York, actualmente em terceiro lugar) promete dar muito que falar e será seguida com atenção pelos possíveis candidatos à Casa Branca, pois trata-se, porventura, do mais importante Estado em eleições presidenciais. Por isso, aqui, no Máquina Política, iremos dar especial atenção à disputa entre Rick Scott e Charlie Crist.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os democratas apostam tudo no Senado

A menos de nove meses das eleições intercalares, as atenções começam a virar-se para as várias corridas que terão lugar um pouco por todo o território dos Estados Unidos. Ainda assim, nesta altura, o centro das decisões eleitorais ainda se mantém em Washington, à medida que os diversos candidatos vão angariando os tão necessitados fundos financeiros para as suas campanhas e que as estruturas partidárias vão alinhavando estratégias para alcançar o melhor resultado possível nas eleições do dia 4 de Novembro.
No Partido Democrata, a estratégia escolhida começa a ser evidente: com fundos e recursos limitados, os líderes e estrategas democratas apontam baterias para o Senado, deixando as corridas para a Câmara dos Representantes para segundo plano. Nos últimos tempos, esta táctica tem sido evidente e abertamente discutida em público, com muitos dos maiores financiadores do Partido Democrata a revelarem que a liderança do partido tem solicitado que concentrem as suas doações em eleições para a câmara alta. 
O rumo escolhido pelos democratas parece lógico. Se há um ano atrás, após a derrota republicana no shutdown, parecia possível os democratas estarem na luta pela reconquista da Câmara dos Representantes, agora, com o deterioração da imagem do Presidente Obama, a situação é bem diferente e os democratas têm poucas hipóteses de voltarem a ser a maioria na câmara baixa. De facto, o redesenho dos distritos eleitorais está actualmente tão desequilibrado a favor dos candidatos republicanos que, mesmo que os democratas consigam  uma percentagem total de votos nacionais para a House superior a dois pontos percentuais (como apontam as previsões actuais), isso não será suficiente para o Partido Democrata eleger mais congressistas que o GOP.
Assim, os democratas preferem ir all in nas corridas para o Senado, de modo a aumentarem as suas hipóteses de manter a maioria na câmara alta, já que a derrota nas duas câmaras significaria o fim de facto da presidência Obama, que ficaria sem qualquer possibilidade de interferir na agenda doméstica, ficando relegado para a política externa, quase que como um Secretário de Estado com o Air Force One só para si.
Contudo, nem essa estratégia é garantia de sucesso, já que o cenário em 2014 é muito desfavorável para o Partido Democrata. Dos 36 assentos no Senado em discussão no próximo Outono, 21 deles são actualmente ocupados por democratas, com apenas 15 na posse de republicanos.
Entre os 21 lugares democratas, os lugares em disputa no South Dakota, no Montana e na West Virginia estão muito inclinados para o lado republicano, ao passo que outras seis corridas  (Michigan, Arkansas, Alaska, Iowa, Louisiana e North Carolina) estão actualmente muito equilibradas. Por seu lado, o GOP tem apenas dois lugares em jogo, no Kentucky e na Georgia. Curiosamente, o primeiro corresponde precisamente a Mitch McConnell, o líder da minoria republicana no Senado, que, apesar da sua posição de liderança, é altamente impopular no seu Estado e pode muito bem não conseguir a reeleição.
Ora, como o Partido Democrata conta com 55 senadores face aos 45 republicanos, o GOP necessita de ganhar seis assentos aos democratas para se afirmar como a maioria no Senado. Se segurar os seus dois lugares no Kentucky e na Georgia e se se confirmarem as vitórias republicanas no South Dakota, no Montana e na West Virginia, o Partido Republicano fica a apenas três assentos de conquistar a maioria do Senado, que podem ser alcançada se vencer em três das seis corridas actualmente muito renhidas.
Fica, por isso, demonstrado que a conquista da maioria no Senado pelos republicanos é um cenário possível e que alguns consideram até provável num ano que se espera favorável para os candidatos do GOP. Todavia, é preciso não esquecer que em todos as eleições para o Senado desde 2006 os candidatos democratas à câmara alta do Congresso superaram as expectativas e alcançaram resultados acima do esperado. Será que em 2014 isso voltará a acontecer ou teremos um Congresso totalmente republicano? Teremos de esperar para ver.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As duras tarefas de Obama em 2014

Já começa a dar que falar a eleição presidencial de 2016, momento em que os norte-americanos escolherão o sucessor da Barack Obama à frente dos destinos dos Estados Unidos. Contudo, quase três anos nos separam desse marcante acontecimento e o actual ocupante da Casa Branca tem ainda mais de metade do seu mandato pela frente. Ora, a segunda metade do último mandato de um Presidente é normalmente caracterizada por uma perda de influência e de capacidade interventiva do Chefe de Estado que se torna um Lame Duck. Para Obama, este é um problema ainda maior, dado que o primeiro ano deste seu segundo mandato, o período em que teria, em teoria, mais margem para conseguir realizações importantes, foi marcado pela polémica em torno da implementação do programa que ficou conhecido como Obamacare, que ofuscou todos os outros temas e manchou de tal modo a sua imagem que impediu Obama de perseguir outros objectivos.
Agora, Barack Obama tenta recuperar o domínio da narrativa política, de forma a recuperar a opinião pública a tempo de alcançar ainda vitórias que marquem a sua passagem pela Casa Branca, com natural destaque para uma muito aguardada reforma da imigração. O discurso do Estado da Nação, marcado para daqui a duas semanas, é a oportunidade ideal para o fazer. Contudo, um discurso eficiente perante o Congresso não chegará para colocar Obama de novo nas boas graças da opinião pública. Com a reforma do sistema de saúde no centro das atenções, os democratas se podem dar ao luxo de ignorar o tópico. Assim, Obama e os membros do seu partido começam agora a fazer um novo pressing, tentando "vender" a sua mais importante vitória legislativa aos norte-americanos. Para serem bem sucedidos, é essencial que os problemas com o site do Obamacare sejam totalmente resolvidos, pois só assim poderão acalmar as críticas ao programa.
Finalmente, e mesmo que tudo isto seja alcançado por Barack Obama, chegará o mais decisivo dos objectivos para este ano: as eleições intercalares. Apesar de o Presidente não ir a votos nas eleições de Novembro, a verdade é que os seus dois últimos anos enquanto Presidente muito dependerão dos resultados desse momento eleitoral, já que uma vitória republicana em toda a linha, que significasse uma maioria nas duas câmaras do Congresso, teria um efeito devastador para o Presidente.Se, neste momento, quando ainda não é um Lame Duck e ainda conta com uma maioria democrata no Senado, Obama já sente enormes dificuldades em fazer avançar as suas iniciativas legislativas, então, no período final da sua estadia Casa Branca, com o GOP a controlar o Congresso, seria um Presidente isolado e totalmente paralisado.
Por isso, Obama e o Partido Democrata sabem que têm de se agarrar com unhas e dentes ao controlo do Senado, já que a recuperação da maioria na Câmara dos Representantes é algo muito difícil de ser conseguido. Acontece que o cenário é muito complicado para os democratas, que contam com 21 assentos  na câmara alta em jogo, contra apenas 14 do lado republicano. Além disso, muitos dos lugares democratas em jogo estão em perigo de trocarem de mãos, enquanto que os do GOP estão, maioritariamente, mais seguros na coluna vermelha. Desta forma, os democratas terão de jogar principalmente à defesa, defendendo a sua maioria de 55 senadores, sendo certo que perderão pelo menos alguns deles.
Assim sendo, em 2014, Barack Obama terá, simultaneamente, de conseguir voltar a controlar a narrativa política, recuperar a sua popularidade (e do "seu" Obamacare) aos olhos dos eleitores, tentar alguma vitória legislativa e evitar uma derrota eleitoral, empenhando-se no trilho da campanha (onde a sua presença for benéfica, claro) e na angariação de fundos em prol dos candidatos democratas. Será, certamente, um ano duro e trabalhoso para Obama. Falta saber se será também um ano bem sucedido.

sábado, 19 de outubro de 2013

Que futuro para o GOP depois do shutdown?

Na passada Quarta-feira, democratas e republicanos chegaram finalmente a um entendimento que levou ao fim do shutdown e trouxe a normalidade de volta a Washington e aos Estados Unidos. O acordo foi originalmente anunciado pelos líderes do Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell e, mais tarde, o Senado votava esmagadoramente a favor do acordo para retomar o financiamento do governo federal, com apenas 18 senadores (todos republicanos) a votarem contra o fim do shutdown. De seguida, também a Câmara dos Representantes aprovou o acordo, com os votos favoráveis de todos os democratas e 87 republicanos (144 congressistas do GOP votaram contra).
16 dias depois, chegou ao fim, pelo menos por agora, um longo e desgastante impasse que provocou grandes tumultos políticos e económicos na nação norte-americana. Contudo, o acordo agora alcançado não resolve o problema do orçamento federal, limitando-se a adiar o debate para daqui a cerca de três meses. Nessa altura, democratas e republicanos terão de chegar a um novo entendimento para que o o governo continue a funcionar.
Ainda assim, um novo shutdown deverá estar fora da mesa, já que os republicanos não quererão repetir a receita que, desta vez, lhes trouxe tantos dissabores. De facto, este frente-a-frente foi altamente prejudicial para o Partido Republicano, que saiu da crise como o grande derrotado. Considerados pela opinião pública como os principais responsáveis pelo shutdown e sem terem conseguido ganhar nada com a sua tomada de posição, os republicanos estão agora numa posição muito fragilizada e terão de correr atrás do prejuízo causado pela sua actuação ao longo da crise que agora termina.
Em sentido inverso, os democratas e Barack Obama em particular estão a ser caracterizados como os vencedores do despique. É um facto que conseguiram obrigar os republicanos a ceder sem "entregar" nada ao outro lado. Todavia, não é totalmente claro que o Presidente dos Estados Unidos tenha ganho alguma coisa com esta sua vitória. Isto porque é bem possível que, após esta derrota, os republicanos se tornem ainda mais intransigentes e ainda menos dispostos a negociar com Obama e com os democratas. E isso pode inviabilizar quaisquer novas conquistas legislativas da Casa Branca durante este segundo e último mandato de Barack Obama. A reforma da imigração, cuja aprovação no Congresso parecia, há uns meses atrás, parecia praticamente inevitável, pode ser a grande prejudicada e arrisca-se a ficar na "gaveta".
Contudo, a estratégia a seguir pelos republicanos é ainda um pouco dúbia e deverá depender do resultado da batalha interna pelo controlo do partido que se trava actualmente no seio do GOP. De um lado, os republicanos mais radicais, liderados pelos políticos mais próximos do Tea Party e, do outro, os membros do GOP mais moderados. No Congresso, essa disputa tem sido vencida pelos mais radicais e a liderança republicana, constituída principalmente por políticos mais próximos do centro, tem tido enorme dificuldade em controlar as suas bancadas, hoje em dia sob grande influência dos Tea Party. 
Ora, a posição demasiado intransigente dos republicanos do Congresso tem levado à contínua degradação da imagem do partido a nível nacional. As últimas sondagens colocam os a aprovação do trabalho dos congressistas republicanos por parte dos eleitores nos níveis mais baixo de sempre e mostram os democratas a fugir nas intenções de voto para as eleições intercalares de 2014. Assim sendo, e apesar de faltar ainda mais de um ano para este momento eleitoral, tudo aponta para que os republicanos não tenham um 2014 tão positivo como esperariam.
Em suma, o GOP atravessa, hoje, um mau momento, com o extremismo da ala mais conservadora e a impopularidade dos seus membros do Congresso a arrastarem o partido para o fundo. Assim, e com as presidenciais de 2016 cada vez mais perto, aquilo que os republicanos precisam desesperadamente a precisar é de encontrar um líder moderado, que não tenha sido "tocado" pelos vícios de Washington e que tenha experiência de governação. Neste momento, quem encaixa que nem uma luva nesta descrição é, claro está, Chris Christie.