Mostrar mensagens com a etiqueta Rand Paul. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rand Paul. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

As desistências

Depois de uma longa época de pré-campanha que durou praticamente todo o ano de 2015 (num período que costuma ser conhecido como a "primária invisível", o Iowa marcou o início oficial das eleições presidenciais norte-americanas. E, com os primeiros resultados a serem conhecidos, começaram, sem surpresa, as desistências da corrida por parte daqueles que não conseguiram passar a sua mensagem.
Logo na noite do caucus do Iowa, Martin O'Malley anunciou a suspensão da sua campanha, o que significa sempre a desistência. Numa corrida a dois entre Hillary Clinton e Bernie Sanders, o ex-Governador da Virginia nunca se conseguiu afirmar e viu Sanders a assumir o papel que estaria a pensar que seria o seu: o de representante da ala mais liberal do Partido Democrata. Com esse espaço ideológico ocupado pelo senador do Vermont e com Hillary a dominar as preferências do establishment democrata, a campanha de O'Malley, que chegou a ser apontado como um forte candidato, nunca teve qualquer hipótese.
Ainda na noite de 1 de Fevereiro, também Mike Huckabee saiu da corrida, depois de um péssimo resultado num caucus que havia vencido de forma surpreendente em 2008. Contudo, desta vez, o antigo Governador do Arkansas não contava com o factor novidade e não conseguiu voltar a contar com o voto evangélico, que votou preferencialmente em Ted Cruz. 
Curiosamente, Huckabee teve exactamente o mesmo resultado (1,8% dos votos) que Rick Santorum, o último vencedor no caucus do Iowa, em 2012. Santorum, que só teve o destaque que teve há quatro anos porque o leque de candidatos era dos mais fracos de sempre, não repetiu a graça e confirmou a irrelevância da sua candidatura. Ontem, também anunciou a sua desistência.
Se todas estas desistências eram esperadas devido aos maus resultados que o Iowa trouxe a estes ex-candidatos, já a desistência anunciada ontem por Rand Paul é um pouco mais surpreendente. O actual senador do Kentucky, eleito na onda republicana de 2010, partiu como uma das principais figuras para esta campanha eleitoral. Contudo, os seus números nas sondagens nunca descolaram e nem sequer foi capaz de atrair o voto do eleitorado libertário que apoiou entusiasticamente o seu pai Ron Paul em 2012. Contudo, Rand podia ainda tentar um pequeno surge no New Hampshire, precisamente o Estado com um bloco libertário mais importante e onde o seu pai conseguiu um segundo lugar há quatro anos. Assim, esperava-se que Paul fizesse uma última tentativa antes de sair da corrida. Não foi essa, porém, a decisão de Rand Paul que, com problemas em angariar dinheiro, relegado para os debates secundários e preocupado com a sua reeleição para o Senado em Novembro, preferiu desistir já e minimizar os riscos.
No New Hampshire, daqui a cinco dias, far-se-á uma nova selecção de candidatos, em especial do lado republicano, já que no campo democrata a corrida está limitada a dois concorrentes. Com o leque de candidatos da ala do establishment republicano ainda largo (além do agora favorito Rubio, ainda seguem Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich), é bem provável que depois da primária do granite state ocorram mais desistências até porque a Super Tuesday de 1 de Março aproxima-se e os candidatos precisarão de muito dinheiro para disputarem 14 Estados simultaneamente. Veremos, por isso, quem serão os próximos dropouts da classe de 2016.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agenda em dia

Depois de umas merecidas férias, o Máquina Política está de regresso. Durante o período de descanso, muito se passou do lado de lá do Atlântico. Mas vamos por partes:

EUA atacam o ISIS - Depois de dois jornalistas norte-americanos terem sido decapitados pelo Islamic State in Iraq and Syria (ISIS), Barack Obama decidiu agir e, num discurso transmitido em directo pelas principais cadeias dos Estados Unidos, anunciou o seu plano para combater o ISIS, grupo radical que controla já grande parte do Iraque e da Síria. O Presidente informou os cidadãos norte-americanos que os ataques aéreos da Força Aérea dos Estados Unidos já em vigor no território iraquiano serão alargados a regiões da Síria ocupadas pelo ISIS. Além disso, Obama anunciou ainda que colocará mais conselheiros militares norte-americanos no terreno e que aumentará o apoio financeiro e militar às autoridades iraquianas e curdas que combatem o Estado Islâmico. Contudo, Barack Obama frisou que o conjunto de acções agora implementado não contempla o envio de tropas combatentes norte-americanas.
Estas novas medidas são a resposta de Obama ao choque sentido pela opinião pública dos Estados Unidos após a divulgação dos vídeos das decapitações dois dois jornalistas. Contudo, o 44º Presidente norte-americano está numa situação muito delicada, pois sempre defendeu a retirada do Iraque e, agora, está, de facto, a regressar àquele território para uma nova guerra de desgaste sem um fim à vista. Na verdade, este pode ter sido um momento decisivo para o legado de Obama que chegou ao poder como aquele que acabaria com o fim da presença norte-americana no Médio Oriente, mas que pode, como o seu antecessor, deixar a Casa Branca com um conflito em aberto e que terá de ser resolvido pelo seu sucessor.

Eleições intercalares - A menos de dois meses das eleições intercalares, as notícias não podiam ser piores para os democratas. Com uma maioria na Câmara dos Representantes a ser uma mera possibilidade matemática, está também cada vez mais complicada a tarefa do partido de Obama para manter a maioria no Senado. Se as eleições fossem hoje,  segundo tanto Nate Silver como Larry Sabato, o mais provável é que o GOP alcançasse o controlo da câmara alta do Congresso, relegando os democratas para a oposição. 
Nesse caso, o mais provável é que os dois últimos anos do mandato presidencial de Obama fossem praticamente irrelevantes no sector legislativo, dado que sem apoio do Congresso, será praticamente impossível para um presidente relativamente impopular conseguir amealhar apoios para qualquer peça legislativa de relevo (como, por exemplo, a reforma da imigração).

Corrida presidencial - Do lado democrata, não há novidades. Hillary Clinton continua a ser a presumível nomeada democrata e a antiga Primeira-Dama regressará, este Domingo, ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos nas primárias presidenciais. Esta será a primeira vez que Hillary se desloca ao Hawkeye State desde que, em Janeiro de 2008, foi surpreendentemente derrotada por Barack Obama (e também por John Edwards). Tudo indica que a ex-Secretária de Estado entrará mesmo na corrida, isto apesar de ter anunciado esta semana que apenas tomará uma decisão no início do próximo ano. Com todos os outros democratas de peso (que não são assim tantos como isso) a colocarem-se de fora das contas presidenciais para 2016 devido à presença de Clinton, o Partido Democrata não receberia nada bem uma decisão negativa da sua grande estrela quanto à sua candidatura à Casa Branca.
Do lado republicano, o destaque vai para Ted Cruz e para Rand Paul. O primeiro continua a dar mais indicações quanto à sua candidatura presidencial, com o seu chefe de gabinete a deixar esse cargo para assumir maiores responsabilidades políticas (leia-se, eleitorais). Todavia, o Senador pelo Texas foi também notícia pela negativa: numa gala organizada por um grupo de cristãos do Médio Oriente, Cruz abandonou o palco onde discursava, após as suas declarações vincadamente pró-Israel terem sido recebidas pela audiência com fortes vaias. Já em relação ao segundo é praticamente certo que será um candidato presidencial e as suas constantes presenças no New Hampshire, o primeiro Estado a realizar primárias indiciam que o Granite State será o centro da sua estratégia. Ora, tal facto não é surpreendente ou não fosse o eleitorado republicano do New Hampshire um dos mais favoráveis a candidaturas de candidatos com raízes libertárias, como se comprova pelo excelente resultado obtido, em 2012, por Ron Paul (pai de Rand), com 23% dos votos, apenas atrás do vencedor, Mitt Romney.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O épico filibuster de Rand Paul

Actualmente, o procedimento de filibuster no Senado dos Estados Unidos significa que uma minoria de até 41 dos 100 senadores pode bloquear uma medida legislativa na câmara alta do Congresso. Contudo, originalmente, o filibuster obrigava a que um legislador se mantivesse a falar de forma praticamente ininterrupta de forma a que esse bloqueio fosse realmente efectivo. 
Esta semana, o Senador republicano Rand Paul voltou a pôr em prática esse costume e esteve cerca de 13 horas de pé, a falar, no pódio do Senado, com o objectivo de bloquear a nomeação presidencial de John Brennan para director da CIA. Apesar do filibuster, Brennan acabou por ser confirmado, depois de Rand Paul ter posto fim à sua maratona oratória, satisfeito com o facto de a Administração ter respondido (negativamente) à sua questão sobre a possibilidade de o Presidente ordenar um ataque de drones contra um cidadão norte-americano em solo dos Estados Unidos.
O filibuster do filho de Ron Paul teve duas consequências imediatas. Em primeiro lugar, voltou a colocar na ordem do dia a reforma do próprio procedimento de filibuster, um tema que havia sido abandonado recentemente pelo líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Por outro lado, o destaque mediático de Rand Paul voltou a suscitar rumores sobre uma eventual candidatura presidencial do actual senador pelo Kentucky em 2016. Aliás, o próprio admitiu ponderar essa possibilidade, ciente que carrega agora o estandarte da causa libertária nos Estados Unidos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rand Paul testa as águas

Em 2009 e 2010, o Partido Republicano obteve importantes vitórias eleitorais, entre eleições para a Câmara dos Representantes, o Senado e governos estaduais. Nesse período, emergiram novas estrelas do partido, que representam uma vaga de políticos republicanos com sangue novo e capacidade de catapultarem o GOP para os sucessos de que andaram afastados entre 2006 e 2008. Entre essas rising stars, destacaram-se nomes como os de Chris Christie, Bob McDonnel, Marco Rubio ou Rob Portman. Contudo, todos eles têm afastado a possibilidade de entrarem na corrida presidencial já em 2012, provavelmente à espera de uma melhor oportunidade do que num ano onde teriam de enfrentar um presidente em exercício.
Assim, e quando já não se esperava que nenhum destes "jovens lobos" republicanos participasse nas primárias republicanas de 2012, eis que Rand Paul, recentemente eleito Senador pelo Kentucky, sugere estar a ponderar uma candidatura à Casa Branca, tendo visitado a Carolina do Sul, um dos early states, para discutir essa possibilidade. Adiantou, porém, uma única certeza: não concorrerá contra o seu pai, Ron Paul, congressista do Texas, e candidato presidencial em 2008.
Apesar de o mais recente Senador pelo Kentucky ter diminutas hipóteses de conseguir a nomeação pelo seu partido, poderia mobilizar a ala libertária do Partido Republicano e, à imagem do que aconteceu com o seu pai em 2008, criar um movimento de entusiasmo à sua volta. Além disso, é agora muito mais conhecido a nível nacional do que era o seu pai no último ciclo eleitoral e o calendário das primárias favorece-o, podendo conseguir bons resultados no Iowa, com o seu eleitorado conservador, e no New Hampshire, onde existem muitos eleitores com tendências libertárias. 
A entrada de Paul na corrida seria, sem dúvida, um motivo de interesse acrescido numa contenda que teima em iniciar-se e ameaça tornar-se pouco cativante. De qualquer forma, uma coisa é certa: Rand Paul não será o próximo Presidente dos Estados Unidos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A (in)decisão do Kentucky

Rand Paul e Jack Conway
Uma das corridas mais interessantes deste ciclo eleitoral é, sem dúvida, aquele que se desenrola no Kentucky, onde o republicano Rand Paul e o democrata Jack Conway concorrem por um lugar no Senado dos Estados Unidos. Em condições normais, este não seria um local onde o Partido Democrata tivesse hipóteses de vitória (em 2008, Obama perdeu o Kentucky por mais de 16 pontos percentuais). Contudo, com a nomeação de Rand Paul para ser o candidato do GOP, esta corrida mudou de figura e as última sondagens têm mostrado os dois concorrentes muito próximos um do outro.
O grande destaque desta disputa eleitoral é definitivamente Rand Paul, que, após a vitória das primárias republicanas, saltou para a ribalta da política norte-americana. Rand é filho de Ron Paul, congressista do GOP pelo Texas, candidato presidencial em 2008 e um dos mentores e símbolos do movimento libertário nos Estados Unidos. E como tal pai, tal filho, Rand Paul herdou muito do pensamento do progenitor, sendo um liberal a nível económico, mas também em algumas questões sociais - defende, por exemplo, a legalização da marijuana. Porém, algumas das suas ideias políticas chocam com as do cidadão americano comum, o que prejudica as suas perspectivas de vitória, mesmo num estado profundamente republicano, como é o Kentucky. A seu favor, tem o facto de contar com o apoio entusiasta dos movimentos Tea Party e de nunca ter exercido qualquer cargo político, o que, dado o actual ambiente nos EUA, é sempre uma vantagem.
O adversário de Paul é o democrata Jack Conway, actual Attorney General do Kentucky, que venceu umas disputadas primárias democratas. Apesar de Conway não poder contar com o apoio de Barack Obama - o que só o prejudicaria - tem outras armas para jogar. Bill Clinton,  em particular, tem prestado uma importante ajuda ao candidato democrata, valendo-se da sua popularidade no Kentucky. 
Por outro lado, esta corrida tem como particularidade o facto de se assistir ao debate entre estes dois concorrentes, a uma espécie de inversão ideológica. Veja-se, por exemplo, que, relativamente ao Patriot Act, o polémico pacote de medidas, promovido por George W. Bush após o 11 de Setembro, Rand Paul é crítico, enquanto Jack Conway defende algumas medidas da legislação, precisamente as posições inversas dos seus partidos. 
Uma coisa é certa: pelo menos esta corrida está a ter o condão de tornar o Kentucky famoso no mundo por outra razão que não o frango frito da cadeia de fast food KFC.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

As polémicas da semana

Não foram só as eleições primárias de Terça-feira a marcarem a semana política americana. Durante os últimos dias, duas polémicas encheram as primeiras páginas dos jornais nos Estados Unidos. A nível partidário, esta matéria resultou num empate, com um caso para cada lado.
A primeira história remete-nos para o candidato democrata ao Senado pelo Estado do Connecticut, Richard Blumenthal, que foi apanhado a mentir sobre o seu passado militar, referindo-se ao serviço prestado na guerra do Vietname, quando, na verdade, nem sequer chegou a pisar solo vietnamita, tendo recorrido a sucessivos adiamentos para evitar a incorporação militar em tempo de guerra. Já se sabe que o tema do serviço militar é um dos mais sensíveis para a sociedade americana e estas mentiras (ou enganos, como Blumenthal tem afirmado) estão a ser vistas como um desrespeito pelos veteranos de guerra norte-americanos. Assim, após este monumental tropeção de Blumenthal, uma corrida que ninguém esperaria poder vir a fugir aos democratas - após a decisão de Chris Dodd, o impopular detentor do cargo, de não se recandidatar - passa a estar na coluna das eleições que podem a vir a ser disputadas.

Por sua vez, a polémica republicana tem a ver com Rand Paul, o recém-nomeado candidato do GOP ao Senado pelo Estado do Kentucky. Paul, que pode muito bem representar a primeira grande vitória do Tea Party sobre o establishment do Partido Republicano, tem sido criticado por parte dos media americanos, que o acusam de assumir posições radicais, completamente fora do mainstream político do país. Recentemente, Paul pôs em causa a legitimidade de um aspecto do Civil Rights Act de 1964 (a legislação que acabou com a segregação entre brancos e negros), que proibiu a discriminação racial em estabelecimentos privados. Esta posição colocou os movimentos dos direitos civis e vários quadrantes da sociedade americana em polvorosa, mas os efeitos sobre o estado da corrida ao Senado são ainda incertos. Porém, também aqui, a eleição de Rand Paul e estas suas declarações parecem vir trazer algum equilíbrio a uma disputa que, à partida, era dada como certa para o GOP.

Estas duas controvérsias prometem uma campanha de Verão muito quente - e não só devido ao calor - nas corridas do Connecticut e do Kentucky ao Senado. Como tal, irão merecer, ao longo dos próximos tempos, uma atenção especial por parte do Máquina Política.