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sábado, 19 de outubro de 2024

Vantagem para Trump?


A presente campanha pela presidência dos Estados Unidos tem sido marcada, como tenho dito, por um enorme equilíbrio, à imagem do que aconteceu nas duas últimas corridas pela Casa Branca, em 2016 e 2020. Nos últimos, dias, porém, assistiu-se a um (muito) pequeno movimento nas sondagens em favor de Donald Trump. Apesar de ser uma tendência pouco perceptível, parece-me que é algo mais do que mero ruído estatístico e que o candidato republicano, a pouco mais de duas semanas do dia das eleições, melhorou ligeiramente a sua posição na corrida.

Depois do desastroso debate de Joe Biden e até ao ainda presidente abdicar da candidatura à reeleição a favor da sua vice-presidente, Kamala Harris, Trump parecia lançado para um segundo mandato na Casa Branca, pois eram muitas as dúvidas sobre a capacidade de Biden conseguir cumprir mais quatro anos na presidência. Mas, com Harris, o entusiasmo democrata ressurgiu e a boa prestação da democrata no seu único debate com Trump, bem como a bem sucedida convenção nacional democrata foram dois importantes momentos que catapultaram a actual vice-presidente para bons números nas sondagens e a ter um pequeno favoritismo na corrida.

Contudo, nas últimas duas ou três semanas, a campanha estabilizou e não houve grandes motivos de destaque. Talvez isso tenha levado alguns independentes com maior tendência para votar no GOP a "voltar para casa", depois de terminado o período de "lua de mel" de Kamala Harris. Estamos a falar de uma ínfima percentagem de eleitores e não de um movimento significativo. As sondagens nacionais, por exemplo, mostravam uma vantagem da democrata na casa dos 3%, quando, agora, esse número desceu para cerca de 2%, o que pode ser suficiente para que Trump vença o colégio eleitoral, mesmo saindo derrotado no número total de votos a nível nacional. 

Nos sete battleground states decisivos, Trump tem também mostrado sinais de força e o site Real Clear Politics atribui já vantagem ao candidato republicano em todos eles. Todavia, é preciso ter em atenção que, neste ciclo eleitoral, e especialmente nos dias mais recentes, temos sido inundados por sondagens de empresas de estudos de opinião com ligação ao partido Republicano e que isso tem sempre influência nos números, mesmo que os modelos agregadores de sondagens tenham em consideração esse house effect nos resultados que apresentam. 

Este alegado movimento nas sondagens foi já detectado pelos modelos que tentam prever o resultado da corrida. Tanto o FiveThirtyEight como o SilverBulletin atribuem, à hora que escrevo, um ligeiro favoritismo a Trump, que conta, em ambos os modelos, com uma probabilidade de vitória de 52%, tendo Harris 48% de hipóteses de ganhar a eleição.  

Também as duas campanhas parecem observar, nos seus números e sondagens internos, esta mesma tendência, pelo menos a julgar pela sua estratégia actual. Trump comporta-se como o frontrunner da corrida, a recusar um segundo debate com a sua opositora e dando-se ao luxo de desperdiçar tempo e recursos em eventos em estados que estão fora do seu alcance, como em Nova Iorque e na Califórnia. Por sua vez, Kamala insiste num segundo debate que possa voltar a ser-lhe favorável e mostra-se mais propensa ao risco e tenta alargar o seu universo de eleitores, tendo mesmo dado uma entrevista à conservadora Fox News, procurando uma incursão no eleitorado do seu adversário.

Significa tudo isto que Donald Trump tem agora um momentum decisivo e que a eleição começa a escapar a Kamala Harris? Neste momento, a minha resposta é "não". Ainda que Trump tenha melhorado a sua posição, a verdade é que a corrida continua virtualmente empatada e ter 48% ou 52% de hipóteses não é uma diferença estatisticamente relevante. Assim, o desfecho da disputa pela Casa Branca continua tão incerto como um coin flip

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O que os números nos dizem


Abri este ciclo de 2024 no Máquina Política a apresentar os battleground states decisivos para a escolha do próximo presidente dos Estados Unidos. Nesse post, salientei que a corrida está empatada e totalmente em aberto, mesmo que hoje tenha saído uma sondagem Reuters/Ipsos nacional que apresenta uma vantagem de sete pontos percentuais para Kamala Harris (47%-40%). Todavia, e tendo em conta todos os estudos de opinião conhecidos, é provável que esta sondagem seja um outlier, ainda que não se possa descurar que este resultado seja a primeira manifestação de uma tendência que venha a ser confirmada mais tarde.

A menos de um mês do dia das eleições, é previsível que não haja grandes alterações no estado da corrida, salvo uma surpresa de Outubro ou se Donald Trump aceitar um novo debate televisivo. Assim, podemos antever que aquilo que as sondagens no dizem hoje é muito representativo dos resultados eleitorais definitivos. Isto, claro, se considerarmos que as sondagens não falharão, como aconteceu em 2016 e em 2020.

Em média, as sondagens têm um desvio de cerca de 4% relativamente ao resultado final. Por isso, e como o consenso dos estudos de opinião é que a corrida se encontra empatada, podemos ainda ter um resultado relativamente desnivelado para qualquer um dos lados, sendo que, a verificar-se tal desvio, será mais provável que aconteça a favor de Trump, cujos resultados foram subvalorizados nas duas anteriores eleições. Porém, com dois ciclos eleitorais para analisarem, e com o fenómeno Trump hoje bem mais consolidado, é natural que as empresas de sondagens tenham conseguido adaptar os seus modelos de forma a preverem com mais exactidão os resultados do nomeado do GOP.

Por outro lado, importa perceber que, por causa do sistema de Colégio Eleitoral, os números nacionais pouco importam para termos uma noção de quem lidera a disputa pela Casa Branca. Como aconteceu em 2016 e 2020, os republicanos contam com uma importante vantagem nos votos eleitorais, porque os democratas "desperdiçam" muitos votos em estados muito populosos (a Califórnia é o melhor exemplo) e porque os republicanos vencem em muitos dos estados mais pequenos, cujo peso no Colégio Eleitoral é desproporcionalmente elevado. Desta forma, calcula-se que Kamala Harris terá de vencer pelo menos por 3% no total dos votos para estar confortável na contagem dos votos eleitorais.

Assim, o mais relevante será seguir os números nos sete estados decisivos, mas como todas as sondagens têm colocado a corrida em todos eles como estando dentro da margem de erro, também não conseguimos, neste momento, retirar grandes ilações a não ser aquela que já fiz: a eleição está empatada e é impossível antecipar um vencedor. Seja como for, deixo em baixo um apanhado das previsões dos vários analistas e modelos de agregação de sondagens, ficando bem demonstrado a total imprevisibilidade da corrida pela presidência norte-americana. 

Nate Silver Bulletin - Harris 55% - Trump 45% (hipóteses de vitória)

FiveThirtyEight - Harris - 53% - Trump 46% (hipóteses de vitória)

Cook Political Report - Harris 226 - Trump 219 (votos eleitorais)

Larry Sabato's Christal Ball - Harris 226 - Trump 219  (votos eleitorais)

Real Clear Politics - Harris 215 - Trump 219 (votos eleitorais)

The Economist - Harris 273 - Trump 265 (votos eleitorais, sem toss ups)

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

As últimas previsões

É (finalmente) amanhã o grande dia das eleições nos Estados Unidos. Com mais de metade dos votos já submetidos, os restantes eleitores deslocam-se às urnas para escolher os seus governantes e legisladores. A pouco mais de 24 horas do fecho das urnas, é altura de fazer uma última ronda pelas previsões, sendo que a mais importante (a minha) ficará para o dia de amanhã.

FiveThirtyEight

Hipóteses de vitória: Biden 90%; Trump 10%

Votos eleitorais: Biden 351; Trump 187

Real Clear Politics

Votos eleitorais: Biden 335Trump 203

Cook Political Report

Votos eleitorais: Biden 290Trump 125; Toss up 123

The Economist

Hipóteses de vitória: Biden 95%Trump 5%

Votos eleitorais: Biden 351Trump 187

Electoral Polls

Hipóteses de vitória: Biden 96%; Trump 4%

Votos eleitorais: Biden 335; Trump 203

Larry Sabato's Crystal Ball

Biden 321Trump 217; 

Como se pode verificar, a vantagem de Joe Biden face a Donald Trump tem sido constante e estabilizou desde o último debate. Se confiarmos nas sondagens, então o ex-vice de Barack Obama será o 45º presidente dos Estados Unidos e substituirá Trump a partir de 20 de Janeiro de 2021. 

Contudo, como costumam dizer os políticos da nossa praça, "sondagens valem o que valem" e temos de esperar pelos resultados oficiais, que podem demorar alguns dias, para saber se, desta vez, os estudos de opinião acertaram ou se temos um novo golpe de teatro, como o que aconteceu em 2016. 


terça-feira, 20 de outubro de 2020

O que dizem as previsões

É já de hoje a duas semanas o dia das eleições nos Estados Unidos. Ao contrário do que é normal, é muito provável que não fiquemos a saber, nessa noite (ou madrugada em Portugal) quem é o vencedor de várias corridas, com destaque, claro está, para a disputa pela Casa Branca. Devido à pandemia, o enorme fluxo de votos por correspondência e a possibilidade de esses boletins enviados por correio serem aceites após o dia 3 de Novembro (desde que tenham o selo dos correios referente a esse dia), podemos ter que esperar mais alguns dias para que todos os votos estejam contados. 

À medida que se aproxima a data limite para o voto, diminuem os indecisos e também a margem de erro das sondagens. Importa, por isso, fazer um ponto de situação, percorrendo alguns modelos, agregadores de sondagens e previsões disponíveis, para melhor se perceber se devemos esperar a reeleição de Donald Trump ou se será Joe Biden a tornar-se o 46º presidente norte-americano. Assim:

538.com 

Probabilidade de vitória: Biden - 87%; Trump - 12%; Empate - 1%

Votos eleitorais - Biden - 335; Trump - 203

The Economist

Probabilidade de vitória: Biden - 92%; Trump - 8%

Votos eleitorais - Biden - 346; Trump - 192

Real Clear Politics

Votos eleitorais - Biden - 357; Trump - 181

Larry Sabato's Crystal Ball

Votos eleitorais - Biden - 290; Trump - 163; Toss-up - 85

Com base nestes dados, fica evidente que, neste momento, Joe Biden é o claro favorito a conquistar a Casa Branca. Contudo, há quatro anos, também Hillary Clinton parecia lançada rumo à presidência e, no fim de contas, foi Donald Trump a conseguir ultrapassar os 270 votos eleitorais necessários para se poder sentar na Sala Oval. 

Por isso, e ainda que as empresas de sondagens e os próprios modelos agregadores de sondagens tenham feito ajustes na sequência do upset de há quatro anos, é preciso ter alguma cautela quando se olha para estes números. A propósito deste tema, aconselho a leitura da análise do responsável da empresa Trafalgar Group, cujas sondagens têm sido bem mais favoráveis para Trump do que a média. Ainda que esta empresa tenha um claro bias republicano e uma classificação de apenas C- pelo FiveThirtyEight, a verdade é que, há quatro anos, previram correctamente o triunfo de Trump no Michigan. 

Daqui a umas duas semanas, veremos se a Trafalgar tem ou não razão. Mas uma coisa é certa: se Trump vencer, e depois do que aconteceu em 2016, as empresas de sondagens e os gurus da previsão como Nate Silver, terão os dias contados, ou, no mínimo, perderão toda a credibilidade. Para já, e confiando nas empresas e nas pessoas que, no passado, já demonstraram a sua competência, parece-me indiscutível que é o candidato democrata quem leva vantagem na corrida. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Clinton segura a vantagem

A dois dias do dia em que a maioria dos norte-americanos vai depositar o seu voto (milhões já o fizeram através de voto antecipado), Hillary Clinton parece ter estancado a hemorragia e, agora, os seus valores nas sondagens a nível nacional estabilizaram numa vantagem curta mas sólida. Vejamos os números das sondagens publicadas hoje:

ABC/Washington Post - Clinton 48% - Trump 43%

Ipsos/Reuters - Clinton 44% - Trump 40%

UPI/CVOTER - Clinton 49% - Trump 48%

McClatchy/Marist - Clinton 46% - Trump 44%

Politico/Morning Consult - Clinton 45 %- Trump 42%

Nestas sondagens, o melhor que o candidato republicano consegue é ficar a um ponto percentual, com os estudos de opinião mais favoráveis à antiga Secretária de Estado a indicarem uma vantagem de Clinton que pode chegar aos 5%. Em 2012, as sondagens nacionais (na minha opinião, bem menos fiáveis do que as de nível estadual) subestimaram a votação de Obama. Se isso voltar a acontecer, então Hillary poderá ter um triunfo relativamente folgado. Contudo, e como costumam dizer os políticos, a sondagem que interessa só terá lugar na próxima Terça-feira.

domingo, 31 de janeiro de 2016

A última sondagem

Foi conhecida na noite de ontem (madrugada em Portugal), a última sondagem do Des Moines Register antes da realização do caucus do Iowa. Este estudo de opinião, com larga tradição nas eleições presidenciais norte-americana, tem o hábito de ser muito certeiro e é sempre aguardado com muita expectativa pelas campanhas, que esperam sempre receber boas notícias para o esforço final antes de os eleitores se deslocarem até aos locais de voto durante o dia de amanhã. Este ano, os resultados foram os seguintes:

Democratas
Hillary Clinton - 45%
Bernie Sanders - 42%
Martin O'Malley - 3%

Republicanos
Donald Trump - 28%
Ted Cruz - 23%
Marco Rubio - 15%
Ben Carson - 10%
Rand Paul - 5%
Chris Christie - 3%
Jeb Bush - 2%
Carly Fiorina - 2%
Mike Huckabee - 2%
John Kasich - 2%
Rick Santorum - 2

Sem surpresas, estes números vão de encontro ao esperado e deixam antever uma disputa muito apertada no lado democrata, com Hillary Clinton a perder muito terreno nos últimos dias e Bernie Sanders a ameaçar uma surpresa (sobre a corrida democrata, falarei mais em pormenor no próximo post). 
Nas fileiras do GOP, Trump continua na liderança, mas os níveis de participação serão cruciais. Uma afluência em massa deverá garantir uma vitória do entertainer, enquanto que números mais baixos de participação poderão significar boas notícias para Ted Cruz. Ben Carson consegue melhores números do que se estaria a contar, ao mesmo tempo que os dois últimos vencedores do caucus (Huckabee em 2008 e Santorum em 2012) não passam dos 2% das intenções de votos.
Amanhã confirmaremos se estes números batem certo com os resultados finais.

domingo, 2 de novembro de 2014

Onda republicana em formação?

A dois dias das eleições intercalares norte-americanas, os números das sondagens começam a convergir definitivamente num sentido. As sondagens do fim-de-semana indiciam que as eleições do dia 4 de Novembro poderão resultar numa wave republicano, um pouco à imagem do que sucedeu em 2010, quando o GOP conseguiu um resultado esmagador nas corridas para a Câmara dos Representantes, destronando a maioria democrata, e retirou seis assentos no Senado aos seus adversários do Partido Democrata, número que, ainda assim, não foi suficiente para alcançar a maioria na câmara alta.
Quatro anos depois, o mais provável é que os republicanos alcancem finalmente o objectivo que falharam em 2010 e 2012 e se tornem o partido maioritário no Senado. Mas deixemos as palavras e passemos aos mais recentes resultados de sondagens em alguns dos Estados que irão decidir o controlo do Senado na próxima Terça-feira:

Alaska: Sullivan (R) 47% - Begich (D) 42%

Georgia: Perdue (R) 48% - Nunn (D) 44%

Iowa: Ernst (R) 51 % - Braley (D) 44%

Arkansas: Cotton (R) 49% - Pryor 41%

Louisiana: Cassidy (R) 51% - Landrieu (D) 43% (em caso de segunda volta)

Definitivamente, não parece nada positivo o cenário para o lado democrata. Contudo, e como temos lembrado, também em 2010 e 2012 tiveram a sua maioria no Senado em perigo e, dessas vezes, os números das sondagens subvalorizaram os eventuais resultados dos candidatos democratas. Ainda assim, parece-me que, muito provavelmente, o Senado mudará mesmo de mãos e, para os democratas, restará a consolação da (quase) certeza de que voltarão a controlar o Senado daqui a dois anos. Mas isso já é tema para um novo post, que escreverei nos próximos dias.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A economia recupera, mas os americanos andam zangados

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anda pelas ruas da amargura. Segundo a última sondagem da Gallup, 49% dos norte-americanos não estão contentes com o trabalho do seu Chefe de Estado, ao invés dos apenas 42% que aprovam a prestação de Obama na Casa Branca. 
A insatisfação com o trabalho do Presidente é ainda acompanhada de uma percepção generalizada por parte do público de que a situação do país está a piorar e não a melhorar. De facto, de acordo com os dados fornecidos pela Rasmussen, 65% dos norte-americanos considera que a direcção seguida pelos Estados Unidos é errada, com apenas 28% a achar o contrário.
Curiosamente, o agravamento da percepção negativa por parte do público norte-americano em relação ao trabalho de Obama e ao rumo do seu país, surge numa altura em que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma franca recuperação, em claro contra-ciclo com outras regiões do mundo, sendo a Europa o exemplo mais flagrante. Em Novembro, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos, estando agora nos 7% e os níveis de emprego nos EUA aproximam-se dos valores "normais" do período anterior à grande crise de 2008.
A confirmar-se esta tendência até ao final de 2016, então Barack Obama poderá até ter um grande argumento para utilizar como ponto-chave do seu mandato: a recuperação económica. Na verdade, o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca no olho do furacão que representou a crise económica e financeira de 2008. Contudo, e apesar do aumento do desemprego na primeira metade do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi capaz de evitar uma recessão como a que se verificou na Europa, salvou a indústria automóvel (um dos pilares da economia norte-americana), reformou (ainda que timidamente) a regulação financeira de Wall Street e lançou um programa de estímulos federais que, além de impedir níveis de desemprego ainda mais elevados, serviu de âncora para uma lenta mas notória recuperação económica. 
Contudo, e apesar de ter realizado todos estes feitos, Barack Obama não recebeu por eles todo o mérito que lhe era devido e, pior ainda, merece, actualmente, índices de popularidade francamente negativos. É difícil explicar as razões que levam os norte-americanos a entender que a situação do país está a piorar, quando todos os indicadores apontam o contrário. Talvez a polémica em torno da implementação da impopular reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos explique parte da insatisfação do público, mas certamente não o explica na sua totalidade. Assim, estou mais inclinado a considerar que é o actual clima de polarização política em Washington a estar na base do negativismo do público. 
Actualmente, democratas e republicanos mostram-se incapazes de se entenderem no que quer que seja e o país parece ingovernável. Como se vê pelos números das sondagens (Obama tem valores negativos e o índice de aprovação do Congresso ronda os 12%!), os norte-americanos não estão contentes com os políticos e não vêem uma luz ao fundo do túnel para a resolução do impasse na capital federal. Por isso, aos olhos do público, a recuperação económica acontece apesar dos políticos e não por causa dos políticos. E, assim sendo, Obama (que também tem a sua quota-parte de responsabilidades na polarização política actual) "leva por tabela" e vê a sua popularidade prejudicada.

domingo, 13 de outubro de 2013

Os republicanos em maus lençóis

Como se esperava, as consequências políticas do shutdown estão a ser muito negativas para o Partido Republicano e as sondagens mostram que a maioria dos americanos culpa principalmente os republicanos pelo impasse em Washington que levou ao encerramento parcial do governo federal norte-americano. Esta semana, uma sondagem para o Wall Street Journal e para a NBC News revelou que 53% dos norte-americanos atribuiem as culpas do shutdown ao GOP, enquanto que apenas 31% assacam as principais responsabilidades desta crise política ao Presidente Barack Obama.
Ora, a um ano das eleições intercalares, este percepção pública sobre a responsabilidade pelo shutdown poderá ter importantes consequências eleitorais para o Partido Republicano. Tradicionalmente, o GOP é mais forte em eleições intercalares do que em anos de eleições presidenciais, beneficiando da maior abstenção entre grupos eleitorais tendencialmente democratas, como os jovens ou as minorias, em eleições que não contam com o mediatismo das eleições em que se escolhe o ocupante da Casa Branca.
Contudo, os estudos de opinião mostram agora um rápido crescimento das intenções de voto para os democratas nas eleições para o Congresso. Uma sondagem da Greenberg Quinlan Rosner Research (com ligações aos democratas) indicou uma vantagem democrata que já atingiu os dois dígitos. De acordo com esta sondagem, 46% dos eleitores tencionam votar num candidato democrata e 36% preparam-se para votar num republicano para o Congresso.
É certo que falta ainda muito tempo para as eleições intercalares (terão lugar em Novembro de 2014), mas estas são péssimas notícias para os republicanos que tinham como principal objectivo político a breve prazo recuperar a maioria no Senado. Todavia, a manter-se este cenário, não só não conseguirão alcançar esse objectivo, como se arriscam a perder o controlo da Câmara dos Representantes para os democratas, algo que, há poucas semanas, parecia praticamente impossível. 
Os alarmes deverão estar a soar entre a liderança do GOP e os republicanos mais moderados. Porém, estes terão uma árdua tarefa pela frente para resgatar o partido, que se encontra actualmente refém dos sectores mais radicais e que, apesar de serem uma minoria, têm um grande poder político. Contudo, para controlar os danos, é obrigatório que o partido se desvie da retórica mais extremista e belicosa e regresse à sua mensagem tradicional que tão bons resultados lhe costuma trazer em eleições intercalares. Caso contrário, o GOP arrisca-se a sofrer uma derrota estrondosa no próximo ano.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Obama a perder popularidade

Como se pode constatar através deste gráfico do Real Clear Politics, Barack Obama tem, nas últimas semanas, vindo a perder grande parte da popularidade (no que diz respeito à taxa de aprovação do seu trabalho) que conquistou após a sua vitória eleitoral que lhe garantiu o direito a um segundo mandato na Casa Branca.
Esta descida nas sondagens é provavelmente consequência do impasse em Washington entre a Casa Branca e os republicanos no Congresso que impede a chegada a um acordo em relação ao défice federal. Apesar de a maioria dos norte-americanos continuar a culpar mais o Partido Republicano do que o Presidente pelo falhanço das negociações, a verdade é que também Obama vê a sua imagem ser beliscada pela incapacidade dos dois lados se entenderem quanto a eventuais cortes na despesa do Estado e aumentos de impostos.
Ciente da sua perda de popularidade, Obama terá de reagir rapidamente, de forma a não desperdiçar o capital político conquistado pela sua reeleição sem o ter aproveitado para conseguir uma vitória legislativa, como, por exemplo, a reforma da imigração. Veremos, nos próximos tempos, se o 44º Presidente é capaz de recuperar o terreno perdido e partir para um segundo mandato de sucesso ou se, como aconteceu na segunda metade do seu primeiro mandato, fica refém de um Congresso hostil e da sua própria impopularidade.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obama em alta

Depois da sua reeleição, faz hoje precisamente um mês, Barack Obama atravessa agora o tradicional período de lua de mel e isso reflecte-se nos números das sondagens, que indicam que a taxa de aprovação do trabalho do Presidente está nos valores mais altos desde 2009. Isso mesmo é perceptível no gráfico de cima, que demonstra sem margem para dúvidas o momento positivo que atravessa a Presidência de Obama, pelo menos aos olhos da maioria dos norte-americanos. Ainda assim, este fenómeno de subida nas sondagens após um triunfo eleitoral não é novidade (afinal, para um político melhorar a sua imagem não há melhor do que vencer uma eleição) e se Obama se quiser manter nas boas graças do público terá que somar vitórias políticas e evitar que a situação económica dos Estados Unidos se degrade. Seja como for,  numa altura em que a Casa Branca precisa da maior margem de manobra possível para as negociações do fiscal cliff com os republicanos, esta popularidade de Obama só vem ajudar os democratas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Obama lidera a nível nacional

Até há alguns dias, Barack Obama aparecia em desvantagem em grande parte das sondagens de âmbito nacional. Em algumas delas, como as da Rasmussen e da Gallup, chegou mesmo a estar a uma distância significativa de Mitt Romney. Contudo, agora, nas vésperas da eleição, o cenário inverteu-se a favor do actual Presidente dos Estados Unidos, como se pode ver pelos números das diversas sondagens que foram hoje divulgadas: 
 
NBC/Wall Street Journal - Obama 48% - Romney 47%
 
Reuters/Ipsos - Obama 48% - Romney 47%
 
Rasmussen - Obama 49% - Romney 49%
 
YouGov - Obama 49% - Romney 47%
 
Washington Post/ABC - Obama 49% - Romney 48%
 
Politico/George Washington University - Obama 48% - Romney 48%
 
Pew Research - Obama 50% - Romney 47%
 
Ou seja, entre todos os estudos, Romney não lidera em nenhum e o melhor que consegue é um empate em duas sondagens. Chamo atenção especial para os números da YouGov, por se tratar da sondagem final desta entidade e que reuniu a opinião de 36 mil (!) prováveis eleitores. Com estes resultados, a média nacional do Real Clear Politcs já é favorável, ainda que ligeiramente, a Obama.
Assim, o Presidente junta esta pequena vantagem nacional à liderança que tem mantido sistematicamente na maioria dos battleground states. Por tudo isto, percebe-se que as coisas estão muito complicadas para a candidatura de Mitt Romney, que parte para o último dia de campanha como o underdog da corrida e com as suas principais esperanças a focarem-se na possibilidade de as sondagens estarem totalmente erradas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Corrida empatada

Pois é, a actual disputa pela Casa Branca não pára de nos surpreender. Antes do debate da passada Quarta-feira, Barack Obama parecia bem encaminhado para a reeleição, com as sondagens a mostrarem o candidato democrata na dianteira a nível nacional, mas, principalmente, com uma vantagem aparentemente decisiva em quase todos os battleground states.
Contudo, o resultado do debate televisivo em Denver mudou drasticamente o cenário da corrida. Logo nos primeiros dias seguintes ao frente-a-frente, algumas sondagens começaram a dar a entender que Mitt Romney poderia estar a recuperar terreno face ao Presidente. Inicialmente, esses indicadores poderiam não passar de ruído estatístico, ou um bump natural e decorrente da boa prestação no debate do nomeado republicano. Porém, neste momento, quase uma semana depois do debate, é já possível perceber que a recuperação de Mitt Romney ultrapassa mesmo as melhores expectativas do mais optimista dos republicanos.
As sondagens nacionais mostram agora que a corrida pode muito bem estar empatada. Esse é, aliás, o resultado da última tracking poll da Rasmussen, que mostra os dois candidatos com 48% dos votos. Na Gallup, Obama surge ainda com 5% de avanço em relação ao seu opositor, mas, com esta entidade e alterar, hoje mesmo, a sua amostra (passando de eleitores registados para apenas eleitores prováveis), é bem possível que os próximos números indiquem, também, um empate entre Obama e Romney. Outra sondagem nacional, da Pew Research, é ainda mais negativa para o actual ocupante da Sala Oval, já que aponta agora para uma vantagem de quatro pontos percentuais para o republicano, em grande contraste com a anterior sondagem da mesma empresa, que atribuia a Obama uma liderança com 8% de diferença relativamente a Romney. Com estes dados, a média das sondagens do RealClearPolitics já atribui a Obama uma vantagem de apenas 0,5% (no Pollster, Obama ainda lidera por 2 pontos percentuais).
Também nas sondagens estaduais se assistiu a uma acentuada recuperação de Mitt Romney, ainda que Obama mantenha, na maior parte dos casos, uma ligeira vantagem. Estados como a Florida e a Virginia, onde Obama vinha a solidificar a sua posição, parecem agora totalmente empatados ou mesmo a inclinarem-se novamente para o candidato republicano. Noutros locais, onde Barack Obama tinha lideranças firmes, como no Ohio, no Wisconsin e mesmo na Pennsylvania, voltam agora a estar ao alcance de Mitt Romney. Ou seja, o Colégio Eleitoral, que há uma semana parecia um pesadelo para Romney, volta a estar totalmente em aberto.
É possível que o inevitável contra-ataque democrata sirva para compensar parte das perdas de Obama no pós-debate. Além disso,  dificilmente o debate vice-presidencial de Quinta-feira (assim como os posteriores dois debates entre os "chefes de fila") correrá tão mal aos democratas como o da semana passada. Até porque, agora, o jogo das expectativas está virado do avesso e espera-se que o ticket do GOP volte a derrotar copiosamente o adversário. Ainda assim, é realmente notável a mudança brutal numa corrida que já leva largos meses de duração devido ao impacto de um evento de 90 minutos. Costuma-se dizer que os debates raramente têm grande influência numa campanha eleitoral. Todavia, a manter-se a dinâmica actual, é bem possível que esse mito venha a cair em 2012.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Obama com larga vantagem no Big Three

Como apontei ontem, Barack Obama tem, de momento, uma importante vantagem nos battleground states. E, entre todos os Estados decisivos em eleições presidenciais americanas, o destaque vai para os três que entregam mais votos eleitorais: a Florida, a Pennsylvania e o Ohio, um grupo muitas vezes apelidado de Big Three. Ora, a crer por um conjunto de sondagens da responsabilidade do New York Times, da CBS e da Quinnipiac, Obama está em grande forma no Big Three:

Florida
Obama - 53%
Romney - 44%

Pennsylvania
Obama - 54%
Romney - 42%

Ohio
Obama - 53%
Romney - 43%

A grande novidade destas sondagens é o facto de Obama surgir, em todas elas, com um resultado solidamente acima da barreira dos 50%, o que obriga a campanha republicana não só a conquistar os votos dos eleitores indecisos mas também de muitos votantes que, de momento, estão mais inclinados a votar em Obama. A tarefa de Mitt Romney é ainda mais complicada quando se percebe que, para se sagrar vencedor, necessita de vencer, pelo menos, em dois destes três Estados. Para já, Romney, ainda conta com os debates para mudar o rumo da maré a seu favor, mas começa a ter já pouco tempo para dar a volta à corrida.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Obama domina a corrida

A eleição presidencial aproxima-se rapidamente - estamos a menos de mês e meio de 6 de Novembro - e a corrida parece cada vez mais inclinada para Barack Obama. É provável que, neste momento, os sinais de alarme estejam a soar na sede da campanha de Mitt Romney, que vê, a cada dia que passa, as suas hipóteses de vitória diminuírem. De facto, basta observar para se perceber que o candidato republicano terá de fazer algo para mudar a dinâmica da corrida.
Nas sondagens de nível nacional, Obama nem tem uma vantagem por aí além, especialmente se virmos de forma isolada as tracking polls da Gallup, onde o actual Presidente tem surgido com uma reduzida vantagem, ou da Rasmussen, onde Obama consegue hoje uma vantagem de apenas um ponto (um bom resultado, tendo em conta que, nesta sondagem, da autoria da republican leaning Rasmussen, o democrata tem ficado atrás de Rommney). Noutros estudos, Obama tem conseguido melhores resultados, distanciando-se do seu oponente por uma margem superior. Além disso, a taxa de aprovação do trabalho do Presidente também tem vindo a subir e, para o RealClearPolitics já atingiu mesmo a barreira psicológica dos 50%.
Mas é nas sondagens dos swing states que Obama marca claramente a diferença para Romney. Nos últimos dias, o candidato democrata tem surgido constantemente à frente de praticamente todos os Estados que parecem em disputa neste ciclo eleitoral, com excepção da Carolina do Norte, que parece um verdadeiro exemplo de um Estado too close to call. Correndo os principais sites que realizam uma média de sondagens e apresentam o estado actual do mapa eleitoral, vemos que o Pollster atribui 332 votos eleitorais a Obama e 191 a Romney, deixando apenas a Carolina do Norte na coluna dos toss up. O Politico, que não classifica Estados como indecisos, entrega 347 votos eleitorais ao Presidente e 191 ao challenger republicano. Finalmente, o RealClearPolitics, com um modelo mais conservador (ou seja, é mais rígido a atribuir Estados a um dos candidatos), coloca 247 votos eleitorais na coluna de Obama e os "habituais" 191 na de Romney. 
Tendo em conta que são 270 os votos eleitorais necessários para um dos candidatos se sagrar vencedor, torna-se perceptível que, de momento, Barack Obama leva uma importante vantagem no Colégio Eleitoral. Para já, Romney está a perder a luta pelos battleground states em toda a linha e isso obriga-o a virar o tabuleiro de jogo totalmente de pernas para o ar se quiser tornar-se o próximo Presidente dos Estados Unidos.

domingo, 9 de setembro de 2012

Obama ganha avanço

Ao que tudo indica, o saldo das convenções nacionais dos dois partidos foi extremamente favorável a Barack Obama, que, nas tracking polls já divulgadas após o final da Convenção Democrata, surge com vantagem sobre Mitt Romney, tendo também melhorado o seu resultado comparativamente às mesmas sondagens, mas que haviam sido realizadas antes das convenções. Mas vejamos os números das sondagens já conhecidas:

Gallup:
Obama - 49%
Romney - 45%

Rasmussen:
Obama - 46%
Romney - 44%

Reuters/Ipsos:
Obama - 47%
Romney - 44%

É expectável que a diferença venha a alargar-se durante os próximos dias, já que a maior parte das entrevistas destas sondagens foi ainda realizada antes da convenção democrata, ou, mais precisamente, antes do discurso de Bill Clinton, que terá sido o momento decisivo na mente dos eleitores. Por isso, Nate Silver prevê que, nesta altura, a diferença entre os dois candidatos se situe entre os sete e os nove pontos percentuais. A confirmar-se a previsão do especialista em sondagens do New York Times, então o panorama da eleição alterou-se significativamente após as convenções e Barack Obama é, para já, o claro frontrunner desta corrida pela Casa Branca.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Romney com momentum?

Até ao momento, verificava-se uma tendência na corrida presidencial norte-americana: as sondagens nacionais traduziam um grande equilíbrio entre os dois candidatos, mas, por outro lado, as sondagens estaduais nos chamados battleground states mostravam Barack Obama numa posição favorável para vencer o Colégio Eleitoral e, consequentemente, garantir mais um mandato na Casa Branca.
Contudo, durante o dia de hoje, a Purple Strategies revelou novos estudos de opinião em quatro Estados fundamentais: Colorado, Florida, Ohio e Virginia. E, algo surpreendentemente, ficámos a saber que, segundo estas sondagens, Obama apenas lidera no Colorado, ficando atrás de Romney nos restantes três Estados.

Colorado
Obama 49%
Romney 46%

Florida
Romney 48%
Obama 47%

Ohio
Romney 46%
Obama 44%

Virginia
Romney 48%
Obama 45%

Como se pode ver pelos números de cima, o equilíbrio é a nota dominante, mas não deixa de ser significativo que, de um momento para o outro, Obama perca, aparentemente, terreno para Romney em vários Estados decisivos para o desfecho da eleição. Mas, afinal de contas, o que quererão dizer estes resultados: serão apenas outliers? Serão efeito positivo da escolha de Paul Ryan para running mate de Romney? Para já, a resposta a estas questão é um incógnita. Teremos de esperar pelos próximos dias para ver se a corrida está mesmo a mudar a favor do nomeado republicano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Missouri parece competitivo

Em eleições presidenciais, o Missouri é considerado um barómetro, já que, desde 1904, apenas por duas vezes (em 1956 e em 2008) o vencedor neste Estado não coincidiu com o vencedor da eleição geral. Assim, o Missouri é tradicionalmente um battleground state bastante disputado durante a campanha presidencial. Neste ciclo eleitoral, porém, este Estado não parecia, à partida, um dos principais palcos da corrida à Casa Branca, até porque se, em 2008, num ano extremamente favorável para os democratas, Obama não foi capaz de vencer neste Estado, então, desta vez, isso ainda seria mais improvável.
Talvez em virtude dessa descrença quase geral de uma corrida renhida no Missouri, este Estado tem recebido pouca atenção por parte das empresas de sondagens e há algum tempo que estávamos sem notícias sobre o rumo dos acontecimentos neste Estado do midwest. Contudo, foram divulgadas duas sondagens sobre a disputa presidencial no Missouri e, de forma até algo surpreendente, ambas mostram uma corrida muito renhida, com Mitt Romney a superiorizar-se a Barack Obama por apenas um ponto percentual.
Primeiro, foi a SurveyUSA a apresentar uma sondagem que colocava Romney com 45% das intenções de voto, contra os 44% de Obama. Quando esse estudo surgiu, houve quem pensasse (eu próprio incluído) que se tratava de "ruído estatístico". Contudo, logo depois, surgiu uma nova sondagem, desta vez da Chilenski Strategies (confesso que desconheço esta empresa), que mostrou números semelhantes - Romney 48%, Obama 47%, o que pode indicar que, afinal, o Missouri é mesmo um Estado competitivo e a ter em conta para a eleição presidencial.
Ainda assim, parece-me que o Missouri não será decisivo na luta pela Casa Branca. É certo Barack Obama pode perfeitamente sair vencedor neste Estado, mas, se o fizer, será certamente num cenário em que ganhará facilmente a eleição geral, já que o Missouri é significativamente mais republicano que a média nacional.Ou seja, muito dificilmente serão os votos eleitorais do Missouri a decidir o desfecho da eleição.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Obama descola, mas pouco


A pouco mais de três meses da eleição presidencial norte-americana, a corrida entra agora num período de alguma acalmia que se manterá até ao fim dos Jogos Olímpicos. Depois disso, a campanha eleitoral deve voltar em força, com o anúncio do candidato à vice-presidência no ticket de Romney e as convenções nacionais dos dois partidos a assinalarem o arranque a todo o gás, e sem mais pausas até ao final, da corrida pela Casa Branca.
Importa, por isso, fazer um breve ponto da situação. De momento, os números parecem mostrar uma ligeira descolagem de Barack Obama. Como indica o gráfico do Real Clear Politics, as sondagens nacionais têm colocado o Presidente em vantagem e apenas a Rasmussen continua a dar a liderança na sua tracking poll. Mas, mais importante ainda que as sondagens nacionais são os números que chegam dos swing states e esses também têm favorecido Obama. Ainda ontem, a Quinnipiac divulgou sondagens no big three (Ohio, Florida e Pennsylvania), onde Barack surge em todos os Estados acima da barreira dos 50% e com uma vantagem interessante sobre Romney. Aliás, o actual ocupante da Sala Oval tem conseguido a dianteira em praticamente todos os battleground states, com excepção do Missouri (que este ano não o deverá ser) e da Carolina do Norte, onde, ainda assim, está muito próximo, se não empatado, de Romney. É com base nos números das sondagens, mas não só, que a probabilidade de vitória de Barack Obama, segundo o modelo do fivethirtyeight de Natel Silver, ultrapassa já os 70%. 
Contudo, alguns analistas têm sugerido que quando as empresas e institutos responsáveis pelas sondagens mudarem o modo como seleccionam as amostras (aceitando apenas eleitores prováveis), isso favorecerá os republicanos, já que os apoiantes democratas têm, tradicionalmente, uma maior propensão à abstenção do que os republicanos. Ainda assim, há já algumas empresas que já sondam apenas likely voters (a própria Quinnipiac, por exemplo) e as eleições passadas provaram que a alteração nos modelos tem impacto nos números das sondagens, mas que esse impacto é muito reduzido.
Assim sendo, parece correcto afirmar que Barack Obama está, de momento, numa situação de vantagem, ainda que muito ligeira. Todavia, faltam ainda muitos dias até 6 de Novembro, quando se saberá quem será o Presidente dos EUA durante os próximos quatro anos. Até lá, conheceremos o VP de Romney, decorrerão as convenções nacionais, os quatro debates televisivos e poderão suceder, ou não, várias surpresas. Além disso, estamos em pleno período de férias e só lá para Setembro é que o grosso do eleitorado norte-americano irá prestar uma maior atenção à campanha eleitoral. E aí sim, começará verdadeiramente a corrida.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

New Mexico em jogo?

À medida que se aproximam as eleições presidenciais (serão a 6 de Novembro), convém ir prestando uma atenção mais detalhada às sondagens de nível estadual, nomeadamente nos chamados battleground states, onde se vai decidir o vencedor.
O New Mexico é, normalmente, um desses Estados decisivos. Contudo, nos últimos anos, este Estado do midwest tem-se tornado progressivamente mais democrata, fruto do aumento da comunidade hispânica - o New Mexico é o Estado mais latino da União, já que mais de 40% da sua população pertence a este grupo "étnico". Em 2008, Barack Obama venceu folgadamente neste Estado, derrotando John McCain por quase quinze pontos percentuais.
Assim, não se esperava que, este ano, o New Mexico fosse entrar nas contas da corrida e as sondagens vinham confirmando essas previsões, mostrando Obama à frente de Romney por uma larga margem. Ontem, porém, um estudo da Public Policy Polling atribui apenas 5% de vantagem ao Presidente, o que traduz uma redução drástica na diferença entre Obama e Romney em relação às últimas sondagens da mesma empresa no New Mexico, em que o Presidente tinha cerca de 15% de vantagem sobre o nomeado republicano.
É certo que esta sondagem pode apenas tratar-se de um outlier e terá de ser confirmada por outros estudos de opinião que confirmem os números da PPP. Todavia, e pelo menos para já, é melhor não riscarmos o New Mexico da lista de Estados a seguir com atenção nesta muito disputada corrida eleitoral.