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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O regresso de Charlie Crist?

Charlie Criste foi, em tempos, um dos mais promissores políticos republicanos. Moderado, com boa imagem e Governador do mais importante Estado em eleições presidenciais, a Florida, Crist tinha tudo para ser, a médio prazo, um fortíssimo candidato a mais altos voos, incluindo, claro está, à Presidência dos Estados Unidos.
Todavia, em 2009, o então Governador da Florida demonstrou o seu apoio ao programa de estímulos da Administração Obama e chegou mesmo a comparecer num evento com o Presidente. Ora, o abraço trocado entre os dois políticos foi fatal para Charlie Crist que, quando concorreu, no ano seguinte, ao cargo de Senador, teve de enfrentar a ira dos republicanos e a forte concorrência de uma estrela em ascensão no GOP, Marco Rubio. Com a derrota nessas eleições primárias, muitos pensaram que Crist estaria arrumado para a política e que acabaria por cair no esquecimento. 
Mas Crist, sempre ambicioso, respondeu à desfeita com uma viragem de rumo. Deixou o Partido Republicano, registou-se como independente e, após esta espécie de período de carência, filiou-se no Partido Democrata. Logo surgiram rumores de que o antigo Governador da Florida poderia juntar-se à Administração Obama ou mesmo concorrer ao seu antigo cargo, nas eleições de 2014. Rick Scott, o republicano que lhe sucedeu, tem uma fraca popularidade no Estado e, por isso, é considerado vulnerável na corrida para a reeleição. Ontem, foi conhecida uma sondagem da PPP que, num hipotético frente-a-frente entre Scott e Crist, dá vantagem de 14% ao (agora) democrata.
Estes números deverão levar Charlie Crist a ponderar um regresso à mansão do Governador do Sunshine State. Além disso, também a liderança democrata deverá pressionar Crist para que volte a concorrer, cientes de que o antigo republicano é a sua melhor hipótese para conquistar um dos mais importantes cargos estratégicos a nível nacional. Parece, assim, estarem a reunir-se todas as condições para assistirmos, no próximo ano, ao regresso político de um dos mais polémicos políticos norte-americanos da sua geração.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Primeiras previsões para 2012

Numa altura em que ainda se analisam as eleições intercalares deste ano, começam já a surgir as primeiras previsões para 2012. Como seria de esperar, as presidenciais têm merecido a grande maioria das atenções, mas, hoje, o conceituado site The Cook Political Report lançou os primeiros indicadores para as outras corridas que terão lugar daqui a dois anos, para o Senado, Câmara dos Representantes e Governadores estaduais.
Apesar de ser ainda muito cedo e de faltarem alguns dados para a análise ser mais conclusiva, em especial conhecer a decisão de muitos políticos que estão a ponderar a reforma e os resultados do processo de redistricting, este ponto da situação que é feito por Charlie Cook permite retirar as primeiras ilações daquilo que poderão ser as eleições de 2012, onde os republicanos terão de defender muitos lugares conquistados em 2010 na Câmara dos Representantes, enquanto que no Senado a grande maioria dos assentos em jogo pertencem a democratas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Primeiras impressões

Enquanto vou vendo os primeiros resultados oficiais e analisando algumas exit polls, fico com a sensação que a noite de hoje poderá trazer desfechos diferentes para cada uma das câmaras do Congresso. No Senado, a situação para os democratas poderá ser melhor do que se previa, já que parecem estar em boa posição nas corridas de Washington, da California, da West Virginia e mesmo nas do Colorado e do Nevada. Contudo, na disputa pela Câmara dos Representantes a história é bem diferente, visto que os resultados já conhecidos em alguns distritos do Kentucky e do Indiana parecem indicar que se está a preparar uma grande vitória republicana. Assim, pode muito bem acontecer que, com um empate no Congresso (apesar de, na prática, os republicanos também irem ganhar lugares no Senado), sejam as eleições para os governadores estaduais que decidam quem cantará vitória nestas midterms de 2010.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Projecções finais: Governadores

Distribuição actual, por partido, dos governadores
Existem hoje, entre os 50 governadores de cada um dos estados americanos, 26 democratas, 23 republicanos e o (agora) independente Charlie Crist, na Florida. E, há cerca de um ano atrás, o Partido Democrata contava com ainda mais dois governadores, mas, entretanto, foi derrotado nas urnas em New Jersey e na Virginia. Contudo, amanhã, o mais provável é o cenário alterar-se profundamente a favor do GOP.
Os democratas até deverão recuperar algumas state houses, com destaque para a provável vitória na Califórnia, onde o Governator, Arnold Schwarzenneger, muito impopular no estado, deverá ceder o seu lugar ao democrata Jerry Brown, que surge nas sondagens com uma confortável vantagem sobre a sua opositora republicana, Meg Whitman. Também no Minnesota e no Hawaii os candidatos democratas têm boas chances de vencer. Por fim, o Vermont e o Connecticut são ainda toss-ups, mas onde uma vitória democrata é um cenário perfeitamente possível. 
Contudo, os republicanos têm ao seu alcance um grande número de governos estaduais até agora na posse dos democratas. O Iowa, o Kansas, o Maine, o Michigan, o New Mexico, o Wisconsin e a Pennsylvania deverão todos mudar de mãos a favor do GOP. 
Contudo, as corridas que merecem mais atenção são aquelas que se disputam nos gigantes Florida, Illinois e Ohio. Destes, os dois últimos são actualmente controlados pelos democratas, mas, em todos, os candidatos republicanos partem como favoritos, apesar que muito ligeiramente, para a noite eleitoral. Dada a importância destes três estados, os resultados das suas  eleições serão uma parte fulcral da narrativa eleitoral.
Assim, é possível que os republicanos consigam ficar perto da marca das três dezenas de governos estaduais, com os democratas a rondar as 20. É também provável que continue a existir um governador independente, mas, agora, no Rhode Island, já que o ex-republicano Lincoln Chafee saiu, aparentemente, a ganhar da polémica envolvendo Barack Obama e a eleição neste pequeno estado.
Por fim, é importante sublinhar que, apesar das eleições para os governadores terem um cariz primordialmente local, elas são também determinantes a nível nacional. Em primeiro lugar, porque cabe aos governos estaduais o redesenho dos distritos eleitorais e já se sabe que o partido no poder se esforça por definir um mapa que favoreça os seus interesses. Depois, porque neste ciclo eleitoral estão em jogo alguns dos maiores battlegrounds em eleições presidenciais, como a Florida, o Ohio e a Pennsylvania, e a vantagem de contar com o Governador do estado do seu lado (com o seu apoio, influência e organização) não é nada negligenciável para um candidato presidencial. Assim sendo, importa seguir com muita atenção o que se vai passar nestas eleições.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

2 weeks to go

Daqui a precisamente duas semanas, os eleitores americanos deslocar-se-ão às urnas para escolher os seus congressistas, senadores e governadores (além de outros representantes a nível estadual). Com o aproximar do dia de todas as decisões, muitas das corridas têm mostrado uma tendência de maior equilíbrio rumo às eleições de 2 de Novembro. Esse dia irá marcar decisivamente o futuro próximo da política norte-americana e vai também moldar as eleições presidenciais de 2012, onde Obama tentará a reeleição.
Mas, de entre todas as centenas de corridas que irão decorrer na noite eleitoral, haverão alguns pontos de interesse que se destacarão. Em primeiro lugar estará a disputa pelo controlo da Câmara dos Representantes, actualmente sob o domínio democrata, partido que tem uma vantagem de 39 congressistas sobre os seus adversários republicanos. Contudo, todas as análises são unânimes em atribuir aos republicanos um ganho de lugares que será suficiente para fazer com que o GOP retome o controlo da Câmara Baixa e afaste Nancy Pelosi do cargo de speaker.
Depois, e apesar de dificilmente o Senado ir mudar de mãos, várias corridas para esta câmara irão merecer as maiores atenções durante a noite das midterms. Entre elas, a do Nevada merece natural destaque, visto que o actual líder da maioria do Senado, Harry Reid, corre sérios riscos de não ser reeleito. Em seguida, temos quase uma dezena de eleições equilibradas e cujo desfecho está longe de ser conhecido. A mais curiosa dessas corridas é a do Alasca, onde decorre uma interessante luta a três, entre o republicano Joe Miller, o democrata Scott Adams e a "auto-candidata" Lisa Murkowski que, sendo a actual detentora do cargo, perdeu a nomeação do Partido Republicano. Esta indecisão no mais remoto estado americano fará com que apenas na manhã do dia 3 de Novembro saibamos todos os resultados finais desta louca noite eleitoral.
Por fim, entre as eleições para os governadores estaduais, saliento as que terão lugar na Califórnia, no Illinois, na Florida e no Ohio, pela importância que se revestem devido à dimensão dos estados em causa, mas também por se tratarem, nos últimos dois casos, dos maiores battlegrounds em eleições presidenciais. Em segundo plano estarão as disputas no Massachussetts e no Minnesota, as mais importantes daquelas que estão, neste momento, em empate técnico.
Quando entramos para as duas últimas semanas de campanha, muito pode ainda acontecer e nunca se sabe que surpresas podem aparecer até ao dia das eleições. Porém, por esta pequena amostra daquilo que poderão ser alguns dos principais destaques da noite de 2 de Novembro, fica claro que não faltarão motivos de interesse, nem matéria para analisar, numa noite que promete ser longa, mas também emocionante.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Este e a Oeste

Com populações, territórios, e PIBs dignos de grandes nações mundiais, a Califórnia e Nova Iorque são dois gigantescos estados federados americanos em extremos opostos dos Estados Unidos. Assim, interessa manter especial atenção às eleições para o cargo de governador nestes dois locais. Até porque os mais recentes desenvolvimentos vieram trazer um inesperado destaque à corrida noviorquina, que parecia, à partida, praticamente decidida a favor dos democratas. Já a disputa pela mansão do governador da Califórnia seria sempre uma das mais renhidas e equilibradas deste ciclo eleitoral.
E o equilíbrio tem sido mesmo a nota dominante na campanha do golden state, onde a republicana Meg Whitman e o democrata Jerry Brown concorrem para substituir o Governator Arnold Schwarzenegger na capital do estado em Sacramento. Whitman, uma estrela em ascensão no Partido Republicano, é uma conceituada businesswoman norte-americana (foi CEO do Ebay), contando com uma vantagem financeira assinalável, proveniente da sua enorme riqueza pessoal (é a quarta mulher mais rica da Califórnia) e tendo já gasto nada menos do que 100 milhões de dólares na sua campanha. Por seu lado, Jerry Brown conta com um grande historial ao serviço dos californianos, tendo já desempenhado diversos cargos no estado, desde governador (entre 1975 e 1983), até Secretário de Estado, sendo, actualmente, Attorney General. Ainda hoje, duas sondagens traduzem a indefinição sobre o vencedor desta corrida: a Field Poll coloca os dois candidatos empatados com 41% das intenções de votos, enquanto a SurveyUSA atribui uma vantagem de três pontos percentuais, mas dentro da margem de erro, a Brown.
Em Nova Iorque, o actual Attorney General, Andrew Cuomo, que concorre pelo Partido Democrata, continua a ser o grande favorito para suceder ao Governador David Paterson, que, devido à sua impopularidade, decidiu não procurar a reeleição. Porém, sondagens recentes, da Rasmussen e da Quinnipiac, indicam que o candidato republicano, Carl Paladino, está a aproximar-se perigosamente. Porém, estes estudos apresentam uma falha importante: não apresentam aos entrevistados a possibilidade de  voto em Rick Lazio, que, depois de perder a nomeação republicana para Paladino, irá, ao que tudo indica, concorrer pelo Partido Conservador, que tem uma razoável implantação no estado de Nova Iorque. Com Lazio no boletim de voto, é provável que o eleitorado conservador se divida entre este e Paladino, facilitando, de sobremaneira, a vitória de Andrew Cuomo. De qualquer forma, e independentemente desta falha dos pollsters, Paladino parece mesmo estar a diminuir a diferença para o favorito Cuomo. Por isso, será importante seguir com atenção redobrada o desenrolar dos acontecimentos no estado de Nova Iorque.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A corrida pelas mansões dos governadores

O mapa actual: Azul (D) Vermelho (R)
Faltam menos de três meses para as eleições intercalares e tendo seguido regularmente as eleições para o Senado e feito já referência à luta pela Câmara dos Representantes, falta, então, abordar as corridas por cargos de governadores estaduais que irão ser também decididas no próximo dia 2 de Novembro.
Este ano, os eleitores de 37 dos 50 Estados federados americanos irão a votos para escolher o seu governador estadual, fazendo de 2010 um ano que promete alterar o mapa político norte-americano relativamente aos governos dos Estados. Actualmente, os democratas contam com 26 governadores, contra 23 republicanos e o (agora) independente Charlie Crist na Florida.Contudo, e à imagem do que acontece nas eleições para o Congresso, também aqui os republicanos podem esperar obter ganhos importantes. Segundo o Real Clear Politics, o Partido Democrata conta com 15 cargos de governador seguros (contando com os que não vão a votos), enquanto o GOP tem 24 certos na sua coluna. Isto deixa 11 Estados com desfecho imprevisível e onde a vitória pode cair para qualquer lado. Visto isto, parece claro que o Partido Republicano irá conseguir ganhar, pelo menos, uma mão cheia de governadores aos democratas.
Todavia, além do número de Estados que o GOP pode roubar aos democratas, interessa ainda perceber quais são. Entre os Estados em perigo para o partido de Obama contam-se alguns dos mais importantes, como o Illinois, a Califórnia, a Pennsylvania, o Ohio e o Michigan. Assim, ver um político do seu partido abandonar  mansão do governador em qualquer um destes Estados representa uma pesada derrota para os democratas.
E, para piorar o cenário para o Partido Democrata, o problema de perder governadores estaduais tem ainda implicações relevantes na corrida pela reeleição de Barack Obama em 2012. É certo e sabido que o Governador é o principal organizador político no seu Estado, angariando votos, apoio, dinheiro e colocando a sua máquina política a trabalhar em prol do candidato presidencial do seu partido. Desta forma, também aqui, os democratas podem ficar em clara desvantagem, se perderem o controlo de Estados decisivos em eleições presidenciais, como são o caso do Ohio e da Pennsylvania.
Sendo assim, continuam as más notícias para o partido que entre 2006 e 2009 não conheceu o sabor da derrota e alterou totalmente o panorama político dos Estados Unidos. Porém, parece que, pelo menos por agora, os republicanos conseguiram alterar a maré, beneficiados pela lenta recuperação económica americana e que em Novembro poderá ser a sua vez de obterem um triunfo histórico em todas as frentes.