sexta-feira, 11 de maio de 2012

O rescaldo do anúncio de Obama

Assentado o pó que se levantou depois de, na passada Quarta-feira, Barack Obama ter anunciado o seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, importa agora analisar possíveis consequências desse seu acto.
Do lado democrata, o anúncio do Presidente animou, como seria de esperar, a base do partido.  Normalmente, os homossexuais (particulares, lobbies ou grupos) são já um grupo eleitoral afecto aos democratas, mas é de esperar que a posição de Obama - o primeiro sitting Presidente a defender publicamente o casamento gay - estimule, e de que maneira, o apoio e as contribuições financeiras deste sector do eleitorado. Além disso, a nova posição de Obama em relação a este assunto serve também para refutar algumas críticas que vinham surgindo da ala mais liberal do Partido Democrata, e que acusavam o Presidente de não ser demasiado ambicioso e progressista. Do seu lado, Obama apenas poderá temer alguns problemas com os afro-americanos, já que esta comunidade, muito religiosa, é maioritariamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, dado os níveis de popularidade de que Obama goza junto dos afro-americanos, é muito duvidoso que este assunto lhe retire parte do voto negro, nas eleições do Outono.
Entre as fileiras republicanas, a reacção ao anúncio presidencial tem sido bem menos audível do que seria de esperar. Na verdade, os principais líderes republicanos têm preferido não comentar muito o assunto, cientes de que necessitam de voltar à mensagem em torno dos problemas da economia. E são sensatos ao fazê-lo, dado que - dizem as sondagens - o único tema em que Romney leva vantagem sobre Obama aos olhos dos eleitores é precisamente a economia. Por isso, sempre que os democratas forem capazes de desviar as atenções do público da situação económica do país os republicanos sairão a perder. E, como nos últimos dias os destaques noticiosos têm ido para o apoio do Presidente ao casamento gay, temos de considerar que isso favorece mais os democratas do que o GOP.
No que diz respeito às consequências eleitorais, é possível que Obama perca uns quantos votos junto dos eleitores independentes e em Estados importantes, mas essa perdas poderão ser anuladas por um aumento do número de eleitores jovens, que se sentirão mais propensos a votar num candidato que partilha das suas convicções sociais e pelas grandes contribuições financeiras que deverão chegar por parte de associações ou lobbies de defesa dos homossexuais. No fim de contas, duvido que o anúncio presidencial da última Quarta-feira tenha um grande impacto na eleição que se aproxima a passos largos. Afinal de contas, it's still about the economy, stupid!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Obama apoia casamento homossexual

Barack Obama, numa entrevista à ABC News, acaba de se declarar apoiante do casamento homossexual. Depois de vários anos em que nunca marcou uma posição clara e decisiva em relação a este assunto (chegou mesmo, durante a sua campanha de reeleição para o Sendo do Illinois, em 1998, a confessar-se "indeciso"), Obama considera agora que a sua opinião "evoluiu" e que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo deve ser legal, tornando-se, assim, o primeiro Presidente dos Estados Unidos a anunciar publicamente tal posição. Em ano de eleições eleitorais, teremos de esperar para ver que consequências políticas terá este anúncio de Obama, sendo certo que Obama terá garantido o apoio, mais entusiasta do que nunca, dos homossexuais norte-americanos.

3 destaques da noite de ontem

Ontem à noite, nos Estados Unidos, realizaram-se eleições das mais variadas formas e feitios. Desde primárias para a Presidência, para o Senado ou para cargos de nível estadual, até referendos sobre o casamento pessoas do mesmo sexo, houve votações para todos os gostos. Entre elas, porém, importa realçar os três maiores pontos de interesse:

1) Nas primárias para a eleição presidencial, não houve surpresas do lado republicano. Mitt Romney, que corre agora sem oposição (com excepção do caso especial que é Ron Paul), venceu com cerca de dois terços dos votos no Indiana, na Carolina do Norte e na West Virginia. Contudo, neste último Estado, registou-se uma meia surpresa na primária democrata, com Barack Obama a vencer, mas cedendo 41% dos votos para concorrente que se encontra actualmente a servir pena de prisão (!) no Novo México por ameaças feitas à universidade desse Estado.
Este incrível resultado demonstra uma vez mais que a West Virginia é terreno agreste para Obama, onde foi copiosamente derrotado em 2008, tanto nas primárias contra Hillary Clinton, como na eleição geral frente a John McCain. As características demográficas deste Estado, com uma grande percentagem de eleitores rurais, pouco instruidos e blue collar workers, não favorecem Obama, cuja administração também tão tem sido muito amigável para com a indústria do carvão, uma das principais actividades da West Virginia. Assim, em 2012, o ticket Obama não escapará a uma pesada derrota no Mountain State.

2) No Indiana, houve também lugar a eleições primárias para o Senado. E, aqui, registou-se um resultado importante, com a derrota do histórico senador republicano, Richard Lugar, frente ao challenger Richard Mourdock, Secretário do Tesouro do Indiana, e que contou com o apoio dos líderes partidários locais e também dos movimentos Tea Party (incluindo Sarah Palin). Dick Lugar, que conta já com 80 anos de idade, estava no Senado desde 1977, e é um dos mais respeitados senadores do GOP. Apesar de não ser propriamente um dos membros mais moderados da câmara alta do Congresso, Lugar mostrou várias vezes ser capaz de se entender com os democratas e de chegar a acordos bipartidários. Contudo, foi incapaz de responder a uma tenaz e bem montada campanha do seu opositor e tornou-se, ontem, no primeiro senador em exercício a perder a nomeação pelo seu partido.

3) Nos boletins de voto da Carolina do Norte constava uma proposta de emenda à Constituição do estado, em jeito de referendo, que pretendia definir o casamento como uma união entre um homem e uma mulher, ou, por outras palavras, banir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Como se esperava, num Estado ainda tendencialmente conservador, a emenda foi aprovada e a Carolina do Norte tornou-se no 29º Estado norte-americano a conter na sua Constituição uma provisão que proíbe o casamento homossexual.
Ora, o tema tem dado que falar nos Estados Unidos, em especial a posição algo dúbia de Barack Obama em relação a este assunto. Apesar de nos Estados Unidos o número de apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo estar em clara ascensão, existe ainda uma grande oposição a esse conceito em vários dos Estados decisivos nas eleições presidenciais (como, por exemplo, a própria Carolina do Norte). Por isso, Barack Obama move-se em terreno movediço em relação a este tema: por um lado, não pode alienar a sua base (a comunidade gay é uma grande apoiante dos democratas), mas por outro, tem de evitar desagradar aos eleitores dos swing states e aos independentes.

Edit: Obama, numa entrevista à ABC News, acabou de se declarar a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cartoon: The President's new best friend

Em 2008, durante a histórica campanha pela nomeação democrata, entre Barack Obama e Hillary Clinton, a relação entre o actual Presidente e Bill Clinton foi bastante tensa, com o 42º ocupante da Casa Branca a referir-se, algumas vezes, em tons pouco abonatórios para o candidato que acabaria por ser o nomeado do Partido Democrata. Contudo, quatro anos depois, tudo mudou e Bill Clinton é um dos principais apoiantes de Obama, marcando presença em vários eventos de apoio e de angariação de fundos da campanha. Por isso, este cartoon não podia ser mais certeiro e divertido.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Six months to go; too close to call

Quando faltam exactamente seis meses para a tão esperada noite eleitoral que decidirá quem ocupará a Casa Branca entre Janeiro de 2013 e 2017, a corrida entre Barack Obama e Mitt Romney dá sinais de estar a aquecer. Hoje mesmo, David Axelrod, um dos principais conselheiros do Presidente anunciou que a campanha democrata irá investir 25 milhões de dólares em anúncios nos swing-states. Para já, a publicidade utilizada será positiva, realçando os feitos da administração  Obama ao nível da economia, ao mesmo tempo que se lembra aos americanos a pesada herança recebida de George W. Bush.

Com esta imponente investida, a campanha de Obama pretende garantir desde já uma vantagem importante nos mais decisivos Estados em eleições presidenciais. Curiosamente, saíram hoje duas sondagens realizadas nos swing-states que demonstram que a corrida pela Casa Branca está renhida. Uma, do Politico, coloca Romney com uma pequena vantagem (48%-47%) sobre Obama, enquanto outra, da autoria da NBC, dá vantagem ao democrata (47%-45%).  Em ambas, a diferença entre os dois candidatos está perfeitamente dentro da margem de erro. Assim, os números demonstram que, a meio ano das eleições, é ainda cedo demais para antecipar um vencedor.

domingo, 6 de maio de 2012

Forward

Apesar de já estar em modo de campanha há algum tempo, Barack Obama deu ontem o pontapé de saída oficial na sua campanha de reeleição, com discursos na Virginia e no Ohio, dois Estados decisivos para o desfecho da eleição de 6 de Novembro. 
Contando com milhares de entusiastas de apoiantes a proporcionarem um ambiente apaixonado, Obama voltou a surgir com um slogan que parece estar para ficar na campanha presidencial: FOWARD, palavra que pretende transmitir a aposta nas políticas de Obama, em contraste com o regresso ao passado (leia-se, aos anos de Bush) que representaria uma vitória de Romney nas eleições do Outono. E Romney não esteve ausente dos comentários do Presidente, que fez uma clara alusão a uma famosa frase do candidato republicano, dizendo que corporations aren't people, people are people! 
Com base no que se viu ontem, a campanha democrata terá semelhanças e diferenças em relação a 2008. A mensagem transmitida será semelhante e Obama voltará a apostar nos temas da esperança e da mudança que tanto sucesso tiveram há quatro anos; o apelo às emoções dos eleitores, através de eventos grandiosos, multidões e com a capacidade oratória de Obama (e também de Michelle Obama, cada vez mais um sucesso de popularidade) voltará a fazer parte das vantagens da campanha democrata. 
Contudo, desta vez, o antigo Senador do Illinois terá quatro anos de decisões enquanto Presidente para defender, o que o torna mais vulnerável aos olhos do grande público. Não admira, por isso, que Obama tenha feito várias referências a Mitt Romney, com a intenção de garantir que a próxima eleição seja uma escolha entre si e um candidato cinzento, tecnocrata e que não entende as preocupações do cidadão comum (é desta forma que os democratas estão a tentar caracterizar Romney), em vez de um referendo sobre a sua Presidência.
Por outro lado, a campanha democrata de 2008 não terá as características da de 2008. Há quatro anos atrás, a candidatura de Barack Obama foi um movimento nacional, como ficou demonstrado com o anúncio da candidatura, em Springfield, no Illinois, quando Obama se propôs mudar a América e o mundo, um pouco à imagem do que fez Abraham Lincoln. Desta vez, será mais uma campanha de precisão, com Obama e os democratas a concentrarem-se nos Estados decisivos (como a Virginia e o Ohio) e em grupos específicos do eleitorado - mulheres, jovens e minorias.
Veremos, nos próximos tempos, se as decisões da campanha de Obama são as mais acertadas. Mas, pelo que se viu ontem, os democratas parecem partir com vantagens organizativas e emocionais sobre os republicanos, que não têm ainda com Romney a ligação que os democratas têm com o(s) Obama. À medida que a estrutura republicana se for colocando por detrás do seu candidato, é natural que esse handicap se desvaneça. Se isso será suficiente para evitar que Obama vá em frente (foward) para um segundo mandato, só saberemos daqui a meio ano.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Battleground Virginia

Durante anos, o Estado da Virginia foi um bastião republicano em eleições presidenciais, já que, entre 1968 e 2004, foi sempre o candidato do GOP a sair vencedor na Virginia. Em 2008, porém, Barack Obama não se coibiu de apostar desde cedo neste Estado do Sul, baseando-se na forte estrutura que montou para disputar a primária local contra Hillary Clinton. Na altura, este investimento democrata na Virginia parecia mais um tiro no escuro do que uma aposta com reais possibilidades de êxito. Todavia, a estratégia da campanha de Obama revelou-se certeira, já que o actual Presidente conquistou mesmo o Estado, batendo John McCain por sete pontos percentuais de diferença.
A forte aposta de Obama na Virginia é apenas uma das razões da vitória democrata em 2008. A parte Nordeste do Estado tem-se tornado, ao longo dos anos, progressivamente mais democrata, em consequência da expansão dos subúrbios de Washngton D.C., repletos de funcionários públicos (um grupo eleitoral tendencialmente mais próximo do Partido Democrata). Além disso, o Estado tem uma importante comunidade afro-americana (que vota, de forma esmagadora, nos democratas), ao mesmo tempo que as comunidades latinas e asiáticas (que tendem a favorecer os candidatos democratas) vão aumentando de dimensão.
Ainda assim, houve quem achasse que a vitória de Obama na Virginia fosse fruto das circunstâncias excepcionais da eleição de 2008, em que a pesada herança de George Bush levou a que Barack Obama tivesse o melhor resultado de sempre de um democrata (em percentagem do voto popular) desde 1968. Contudo, todas as sondagens mais recentes indicam que a Virginia tornou-se, de facto, num battleground state e que será, muito provavelmente, um dos mais disputados "prémios" na campanha presidencial que se aproxima. A sondagem mais recente, da autoria do Washington Post, atribui a liderança a Obama, que consegue 51% das intenções de voto, ficando Mitt Romney com 44%. Assim, tudo indica que a Virginia será um dos mais disputados "prémios" da campanha presidencial que se aproxima, com ambos os candidatos a concentrarem os seus esforços e recursos neste Estado. Nesse ponto, Obama tem a vantagem da proximidade da Virginia em relação à Casa Branca: não é todos os dias que um Presidente tem apenas de atravessar o Rio Potomac para chegar a um swing state.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º aniversário de morte de Bin Laden

Há exactamente um ano atrás, o mundo foi surpreendido com a notícia que Obama Bin Laden, o mentor dos atentados terroristas do 11 de Setembro, tinha sido morto por um ataque perpetrado por uma força de Navy Seals norte-americana, a mando do Commander-in-Chief Barack Obama. 
De facto, a eliminação do inimigo número um dos Estados Unidos da América foi um dos grandes marcos do mandato presidencial de Obama, porventura mais ainda do que a aprovação da reforma do sistema de saúde americano. Por isso, não é surpresa nenhuma que o actual Presidente recorde repetidamente esse feito, já que uma trunfo deste tipo em questões de defesa e segurança nacional, um tema em que, normalmente, os republicanos levam vantagem sobre os democratas, não é nunca de menosprezar em vésperas de eleições presidenciais.
Por seu lado, Mitt Romney, que espera derrotar Obama fazendo uma campanha baseada em questões económicos, já divulgou hoje um comunicado a assinalar a efeméride e a congratular o seu adversário pela decisão tomada em avançar com a missão que eliminaria Bin Laden. Contudo, esta posição representa um volte-face no que Romney havia dito ontem, quando afirmou que até Jimmy Carter teria tomado essa decisão.
É provável que, durante a campanha, este tema volte à baila, especialmente quando Obama quiser sublinhar a sua experiência presidencial, em contraste com a falta de "bagagem" de Romney, que foi "apenas" Governador estadual, relativamente a questões de defesa e de relações internacionais. Porém, como o grande tema das próximas eleições será sempre a economia, é de esperar que este assunto não se revele um handicap inultrapassável para Romney.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Gobama ou Nobama

É bem possível que a eleição presidencial de 2012 se transforme num verdadeiro referendo ao primeiro mandato de Barack Obama na Casa Branca. Se isso acontecer, veremos, por um lado, os democratas a defenderem o historial de Obama durante os últimos quatro anos, com destaque para os feitos realizados pelo Presidente em temas de defesa e relações externas, afinal a principal responsabilidade do Chefe de Estado norte-americano. E, neste domínio, a eliminação de Bin Laden estará em primeiro plano, como prova do bom desempenho do Commander in Chief das forças armadas dos Estados Unidos. Assim sendo, anúncios como este, com Bill Clinton no papel principal, deverão ser aposta frequente da campanha de Obama.



Por outro lado, os republicanos quererão demonstrar que o primeiro mandato de Obama se revelou um verdadeiro fiasco, depois das altíssimas expectativas que se geraram em 2008. Nesse sentido, a caracterização de Obama como um político com boa imagem, mas pouca substância pode funcionar a seu favor e, por isso, o caminho já seguido por John McCain em 2008, de comparar Obama a uma incelebridade inócua pode ser repetido por Mitt Romney, em 2012, como este anúncio (da autoria da Crossroads de Karl Rove) antecipa.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Romney cumpre calendário

A escolha de Mitt Romney como o nomeado presidencial do GOP em 2012 ficou sentenciada no momento em que Rick Santorum abandonou a corrida, deixando apenas um Newt Gingrich a meio gás e um inofensivo Ron Paul a disputarem as primárias com o antigo Governador do Massachusetts. 
Assim, esperava-se que as primárias de ontem, com cinco Estados a irem a votos (Nova Iorque Delaware, Connecticut, Pensilvânia e Rhode Island servissem apenas para cumprir calendário. Apenas no pequeno Estado do Delaware, onde Gingrich apostou em força nos últimos dias e conseguiu alguns apoios importantes a nível estadual, se admitia que a vitória do presumível nomeado republicano estivesse em causa. Contudo, ontem à noite, Romney conseguiu claras e inequívocas vitórias, ultrapassando a marca dos 50% em todos os Estados em jogo, incluindo o já citado Delaware e na Pensilvânia, onde se previa, até à desistência de Santorum, que se desenrolasse a "batalha" final pela nomeação republicana. 
Depois destes triunfos, Romney ainda não é formalmente o nomeado republicano, mas ficou já muito perto de atingir o número de delegados necessários para poder reclamar esse título na Convenção Nacional Republicana, em Tampa, Florida. Mas, seja como for, a verdade é que Romney é já tratado pelo seu partido e pela imprensa como o presumível nomeado e é provável que o passo final - a desistência dos adversários que ainda restam - não demore muito a chegar. Aliás, Gingrich, no seu discurso de ontem, já afirmou que vai agora pensar na melhor maneira de ajudar o seu partido. Ou seja, a sua saída da corrida deverá estar para breve.
Com a nomeação garantida, Mitt Romney há já algum tempo que está concentrado no seu próximo adversário: Barack Obama. Ontem, no seu discurso, que foi mais de aceitação da nomeação do que de vitória na noite eleitoral, deixou bem vincado que, a partir de agora, não dará tréguas ao ainda Presidente dos Estados Unidos. E a corrida está apenas a aquecer...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lies, damned lies and statistics



"Lies, damn lies and statistics". Assim reza a frase tornada famosa por Mark Twain e que retrata a força dos números. E, numa altura em que assistimos a uma espécie de intervalo na corrida pela Casa Branca, depois de Romney ter selado a nomeação, os maiores pontos de interesse (além das pouco importantes especulações sobre o eventual candidato vice-presidencial republicano) têm que ver com números, ou, mais precisamente, com as várias sondagens que vão saindo e que dizem respeito à eleição presidencial.

A discussão em torno das sondagens é enorme, ou não fossem os Estados Unidos um país verdadeiramente "viciado" nestes polémicos estudos. Entre as diferenças que surgem entre sondagens que utilizam modelos de eleitores registados ou de eleitores prováveis ou entre empresas com maiores ligações ao Partido Democrata ou ao Partido Republicano, não faltam motivos para questionar os resultados de cada estudo de opinião que surge na imprensa. Contudo, as sondagens têm-se mostrado cada vez mais fiáveis na previsão dos resultados eleitorais, como se viu, aliás, em 2008.

A disputa a dois entre Barack Obama e Mitt Romney ainda é uma criança, mas, para já, o actual ocupante da Casa Branca parece ligeiramente à frente do seu adversário nas intenções de voto dos norte-americanos. No gráfico de cima, referente à média das sondagens nacionais do Real Clear Politics, percebe-se essa ligeira vantagem de Obama, apesar de as tracking polls (sondagens diárias que seguem os movimentos do eleitorado) iniciais terem mostrado Romney na frente - a Rasmussen Report continua a dar a liderança ao republicano, mas na Gallup é agora Obama quem lidera.

Contudo, é nas sondagens de nível estadual que Barack Obama tem obtido melhores resultados. Estudos recentes no Ohio e na Florida, porventura os mais importantes Estados na eleição geral, têm atribuído sistematicamente a liderança a Obama. Mas as más notícias para Romney não se ficam por aqui: no Arizona, onde um candidato presidencial democrata não vence desde 1996, Obama surge a apenas dois pontos percentuais do candidato republicano, o que parece confirmar a aposta da campanha democrata em competir neste Estado do southwest. Também no Missouri, um Estado que McCain venceu em 2008 (ainda que por curtíssima margem), a diferença entre Romney e Obama está dentro da margem de erro, o que indicia uma disputa renhida para Novembro. Finalmente, no New Hampshire, onde Romney vive actualmente e cuja primária venceu folgadamente, é igualmente Obama que surge melhor colocado,com 9% de avanço, segundo uma sondagem da universidade local.

Para já, Obama está bem colocado para assegurar a sua reeleição. Contudo, a procissão ainda vai no adro e teremos que esperar para ver o que acontece até ao dia 6 de Novembro. Porque será nessa noite que terá lugar a sondagem mais importante de todos e a que decidirá quem ocupará a Sala Oval da Casa Branca a partir de 20 de Janeiro do próximo ano.

domingo, 22 de abril de 2012

Obama relembra Rosa Parks

Numa visita ao Estado do Michigan, na passada Quarta-feira, Barack Obama aproveitou para passar pelo Museu Henry Ford, onde está actualmente exposto o famoso autocarro em que Rosa Parks, em 1955, se recusou a levantar para ceder o seu lugar a uma passageira branca, entrando para a história como uma das fundadoras do movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Obama sentou-se mesmo no lugar de onde, há mais de meio século, Rosa Parks não se quis levantar e ficou, durante alguns momentos, em reflexão, talvez recordando a luta daqueles que permitiram que, já em pleno século XXI, um afro-americano chegasse à Casa Branca. Se há imagens que valem por mil palavras, esta é, definitivamente, uma delas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary e Christie na frente para 2016 (!)

Pode parecer estranho que, a mais de seis meses das eleições presidenciais de 2012, já haja empresas norte-americanas a realizar sondagens sobre a eleição seguinte, em 2016. Contudo, nos Estados Unidos, há sondagens sobre tudo e mais alguma coisa e, por isso, não admira assim tanto que a Public Policy Polling (PPP) tenha divulgado ontem um estudo sobre as preferências dos eleitores de ambos os partidos para a corrida à Casa Branca de daqui a quatro anos.
De acordo com esta sondagens, Hillary Clinton e Chris Christie são os favoritos a obter a nomeação, respectivamente, do Partido Democrata e do Partido Republicano. E se no caso dos democratas, a actual Secretária de Estado tem mesmo, uma vantagem demolidora sobre o segundo classificado, o Vice-Presidente Joe Biden, já no lado republicano a corrida parece bem mais equilibrada, com o Governador de New Jersey a surgir na frente, ainda que com curta vantagem sobre Jeb Bush e Mike Huckabee.
A tão grande distância de 2016 estes resultados pouco ou nada significam a tão grande distância e reflectem mais o nível de familiaridade dos eleitores com os nomes apresentados do que uma verdadeira intenção de voto. Todavia, são uma curiosidade que delicia qualquer political junkie que se preze. Em baixo, os resultados completos desta sondagem da PPP.

Partido Democrata

Hillary Clinton: 57%
Joe Biden: 14%
Elizabeth Warren: 6%
Andrew Cuomo: 5%
Russ Feingold: 3%

Partido Republicano

Chris Christie: 21%
Mike Huckabee: 17%
Jeb Bush: 17%
Rick Santorum: 12%
Marco Rubio: 10%
Paul Ryan: 7%
Rand Paul: 4%
Bobby Jindal: 3%

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Escândalo no Secret Service

O Secret Service é a agência governamental responsável pela segurança das mais altas figuras do governo norte-americano. Normalmente, a sua acção é marcada pela discrição, e desde que o Secret Servvice foi criado, em 1865, por ordem de Abraham Lincoln (que, ironicamente, seria assassinado pouco tempo depois) são muito poucos os escândalos a que estão associados os seus agentes. 
Contudo, nos últimos dias, o Secret Service tem dado que falar pelas piores razões. Alegadamente, onze dos agentes que se deslocaram até à Colômbia para preparar a visita de Barack  Obama àquele país da América do Sul, solicitaram o serviço de prostitutas, o que segundo os códigos de conduta da agência é uma grave brecha de segurança. Agora, os envolvidos enfrentam um processo interno e é de prever que as consequências possam ser severas.
Este escândalo, que é já considerado o maior na história do Secret Service, promete assombrar a visita do Presidente dos Estados Unidos à Colômbia. Obama, apesar de ter tentado manter-se afastado dos acontecimentos, foi mesmo obrigado a afirmar que, caso se confirme a história, ficará muito zangado. Dificilmente este incidente prejudicará reflectir-se-á negativamente no Presidente, mas, no início de uma dura campanha eleitoral, a última coisa que Obama desejaria era ver-se envolvido (ainda que indirectamente) num escândalo sexual.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Santorum sai de cena

Depois de alguns dias de ponderação, e em que esteve ausente da campanha devido a doença da sua filha mais nova, Rick Santorum decidiu hoje abandonar a corrida pela nomeação presidencial do Partido Republicano. Assim sendo, a época de primárias chega, na prática, ao fim, já que Mitt Romney perde o seu principal adversário e torna-se, definitivamente, o presumível nomeado republicano. 
Santorum conseguiu nestas primárias um feito verdadeiramente notável. No início da campanha, era apenas uma nota de rodapé, raramente merecendo destaque dos media e surgindo nas sondagens quase sempre nos últimos lugares. Contudo, nas vésperas dos caucuses do Iowa, Santorum encetou uma fantástica recuperação que lhe permitiu mesmo vencer nesse Estado. E, à medida que a época de primárias foi decorrendo, Rick Santorum estabeleceu-se como a maior ameaça para Mitt Romney, o grande favorito. 
Apesar de, no final, ter sido derrotado por um concorrente que contou com uma esmagadora superioridade financeira, estrutural e organizacional., Santorum conseguiu, com esta sua campanha, tornar-se um dos líderes do Partido Republicano e terá, no futuro (talvez até nas eleições de 2016), um papel de relevo na política norte-americana. 
Findas as primárias, marcadas por um ambiente hostil e negativo entre os candidatos republicanos, segue-se o inevitável cerrar de fileiras em torno do candidato presidencial. Mitt Romney, que será, salvo algo de verdadeiramente extraordinário, o adversário de Barack Obama, na eleição geral de Novembro.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

As 50 mais loucas gaffes

Um engraçado artigo do Politico reúne as 50 mais loucas citações que resultaram da campanha pela nomeação presidencial republicana. Para ver (e rir), aqui.

Game (almost) over

Como se esperava, Mitt Romney venceu ontem as primárias que se disputaram. Em Washington D.C. e em Maryland os seus triunfos foram avassaladores (na capital venceu com 70% dos votos e em Maryland deixou Santorum a mais de 20 pontos percentuais) e no Wisconsin, apesar de a margem de vitória ter sido mais curta do que se previa, Romney conseguiu bater a concorrência, conseguindo, assim, o hat-trick que precisava para poder afirmar-se como o presumível nomeado do Partido Republicano.
No seu discurso de vitória de ontem à noite, Romney enviou um firme recado aos seus adversários: o jogo acabou, eu serei o nomeado. E, realmente, é já um dado praticamente adquirido que será o ex-Governador do Massachusetts a enfrentar Barack Obama na eleição geral do Outono. Mesmo que Santorum, Gingrich e Paul teimem em não abandonar a corrida, pelo menos para já. Rick Santorum anunciou ontem a intenção de apostar tudo na primária do seu Estado Natal, a Pensilvânia, numa derradeira tentativa de contrariar o momentum de Romney. Todavia, com as sondagens no Keystone State a mostrarem que Santorum está em perda, é bem possível que nem o estatuto de favorite son (que nem é assim tão favorito quanto isso, visto que Santorum perdeu a sua reeleição para o Senado por quase 20%) seja suficiente para evitar a vitória de Romney.
Agora, sem primárias durante três semanas, veremos as atenções virarem-se para o início das escaramuças entre as campanhas de Obama e Romney. À medida que o interesse e a excitação da época das primárias se vão desvanecendo, vislumbra-se o início da campanha pela eleição geral, numa altura em que os protagonistas estão já praticamente encontrados: Barack Obama selou ontem formalmente a sua nomeação pelo Partido Democrata e Mitt Romney está cada vez mais perto de fazer o mesmo do lado republicano.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Romney quer acabar com o jogo

Nova Terça-feira, nova noite de primárias nos Estados Unidos. Desta vez, irão a votos os Estados do Wisconsin e de Maryland, além da capital, a cidade de Washington D.C. E este pode ser um dia decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano. 
Mitt Romney, que irá vencer facilmente em Washington e em Maryland, espera um triunfo robusto no Wisconsin, onde, há não muito tempo atrás, era Rick Santorum que aparecia a liderar as sondagens, para poder selar de forma praticamente definitiva a corrida. As atenções estão por isso concentradas neste Estado do midwest, que pode representar a última oportunidade para os seus adversários (leia-se Santorum) impedirem Romney de conseguir a nomeação republicano.
Todavia, se Romney conseguir, como se espera, um hat-trick nas primárias de hoje, amealhando com isso um significativo número de delegados, é bem provável que os seus adversários não tenham outra hipótese que não a de abandonarem a corrida presidencial. Santorum poderá ainda querer fazer do seu Estado da Pensilvânia (que realiza a sua primária no próximo dia 24) o seu último bastião, mas sem uma vitória no Wsinconsin, a sua candidatura estará por um fio. Por sua vez, Newt Gingrich, comanda uma campanha que está já claramente a meio-gás, realizando umas selectivas acções de campanha (onde cobra 50 dólares por fotografia) e falando já na provável vitória de Romney. Se logo à noite obtiver mais um resultado medíocre (nos single digits), deverá mesmo equacionar a desistência. Ron Paul, como se sabe, corre por fora e com outros objectivos (fazer-se ouvir) que não a nomeação.
Assim, a noite de hoje pode muito bem marcar o fim das primárias republicanas de 2012. Pelo menos é esse, certamente, o desejo de Mitt Romney e da sua campanha, que cada vez se preocupa mais com a eleição geral frente a Barack Obama, em detrimento das primárias. Logo à noite, veremos se os eleitores do Wisconsin (assim como Santorum e Gingrich) lhe fazem a vontade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um olhar sobre o mapa eleitoral (2)

Numa altura em que Mitt Romney está cada vez mais perto de confirmar a nomeação presidencial republicana e se aproxima o fim das primárias, é de todo o interesse dar uma nova vista de olhos ao mapa eleitoral norte-americano de 2012. No mapa de cima, podemos observar aquela que é a minha análise do estado da corrida, no momento actual, e partindo do princípio de que será Romney a bater-se com Obama, na eleição geral de Novembro.
Em relação à minha última análise, há quatro meses atrás, o cenário está significativamente mais favorável para Barack Obama, que está já muito perto do número de votos eleitorais necessários para garantir a reeleição (270). Os principais ganhos para Obama situam-se no midwest, zona onde Ohio, o Michigan e o Wisconsin passaram de toss ups (onde o resultado é demasiado incerto para se poder fazer uma previsão) para leaning democrat, fruto de sondagens que têm mostrado vantagem para o Presidente e porque Romney terá dificuldades em justificar a sua oposição ao bailout da indústria automóvel, um sector fundamental nesta região dos Estados Unidos. Também a Vírginia passou de toss-up para leaning democrat, enquanto que a Florida apenas continua como toss-up porque Marco Rubio é um grande candidato à presença no ticket republicano, o que seria uma grande mais-valia para os republicanos no sunshine state. Por fim, também um dos votos eleitorais do Nebraska passou a constar na lista dos toss-ups, visto que tenho lido que Obama tem fortes hipóteses de conseguir vencer no distrito eleitoral da cidade de Omaha, como fez em 2008. 
Segundo o meu cenário (que vale o que vale), Obama consegue 258 votos eleitorais, face aos 190 de Romney, ficando 90 votos eleitorais em disputa. De momento, o favoritismo está do lado do actual ocupante da Casa Branca, cujos números têm tido tendência para subir. Contudo, falta ainda muito tempo para as eleições e, até lá, é bem provável que este mapa vá sofrendo várias alterações.