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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bill Clinton em grande forma

As convenções servem, essencialmente, para que os partidos e as respectivas campanhas presidenciais possam fazer passar aos eleitores americanos a imagem que querem transmitir dos seus candidatos à Casa Branca. E, se no caso de candidatos que concorrem pela primeira vez o principal objectivo é dá-los a conhecer ao grande público, já os Presidentes em exercício, com quem os eleitores estão totalmente familiarizados, têm de demonstrar que o melhor para o país é a sua reeleição. No fundo, trata-se de responder à questão tornada famosa por Ronald Reagan, em 1980, quando concorria contra Jimmy Carter: "are we better of than we were four years ago?"
Até ontem, essa pergunta não havia sido verdadeiramente abordada na Convenção Democrata. As figuras mais ou menos secundárias preocuparam-se principalmente em atacar Mitt Romney, enquanto Michelle Obama serviu para mostrar o lado humano e pessoal de Obama, lembrando aos americanos as razões que os levam a gostar do Presidente a nível pessoal, mesmo que não apreciem as suas políticas. Contudo, Bill Clinton, num discurso muito aguardado, serviu para apresentar o caso a favor do primeiro mandato de Barack Obama. E, como é seu apanágio, o 42º Presidente não desiludiu.
Fugindo muitas vezes ao texto, Clinton falou convictamente, dirigindo-se de forma directa e clara aos eleitores, em especial aos da classe média, explicando as razões que, no seu entender, devem levar os eleitores a permitir a Barack Obama continuar na Sala Oval por mais quatro anos. Um dos melhores momentos do seu discurso foi quando referiu que o argumento republicano era "nós deixamos a Obama o país numa confusão, mas ele ainda não acabou de arrumar a casa, por isso despeçam-no e devolvam-nos o poder". 
Ainda que Bill Clinton não tenha, porventura, atingido o brilhantismo alcançado, na véspera, por Michelle Obama, é indiscutível que o ex-Presidente marcou pontos importantes para a campanha de Obama. No final, Obama subiu ao palco para agradecer e cumprimentar Clinton, mostrando aos democratas e ao país que as querelas antigas (geradas aquando das primárias de 2008) estão definitivamente para trás das costas.   
Hoje, no último dia da Convenção Nacional Democrata, sobem ao palco os dois nomes do ticket presidencial do partido, Barack Obama e Joe Biden. Contudo, como não podia deixar de ser, cabe a Obama o grande destaque. Com os seus conhecidos dotes oratórios, o Presidente aceitará a nomeação presidencial democrata e dirigir-se-à aos americanos. Se Obama tiver tanto sucesso como a sua esposa e como Bill Clinton, então a Convenção Democrata terá sido uma enorme ajuda para as suas hipóteses de reeleição.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cartoon: The President's new best friend

Em 2008, durante a histórica campanha pela nomeação democrata, entre Barack Obama e Hillary Clinton, a relação entre o actual Presidente e Bill Clinton foi bastante tensa, com o 42º ocupante da Casa Branca a referir-se, algumas vezes, em tons pouco abonatórios para o candidato que acabaria por ser o nomeado do Partido Democrata. Contudo, quatro anos depois, tudo mudou e Bill Clinton é um dos principais apoiantes de Obama, marcando presença em vários eventos de apoio e de angariação de fundos da campanha. Por isso, este cartoon não podia ser mais certeiro e divertido.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Clinton quase convenceu Meek a desistir

Esteve muito perto de acontecer um decisivo golpe de teatro na corrida para o Senado na Florida. Segundo uma história do Politico,  Bill Clinton tentou convencer o candidato democrata, Kendrick Meek, a desistir a favor do independente Charlie Crist, de forma a impedir que o concorrente republicano, Marco Rubio, conquiste o assento no Senado em disputa. Meek terá, alegadamente, chegado a concordar com a ideia, mas desistiu no último momento, não querendo passar a imagem de desistente e, de acordo com o artigo, convencido pela esposa que ainda podia vencer a eleição.
Gorou-se a melhor e única hipótese de Rubio ser derrotado, já que, numa corrida a três, o republicano tem larga vantagem sobre os seus adversários. Se Meek tivesse desistido e apoiado o actual governador da Florida (em troca da promessa deste em juntar-se aos democratas no Senado), a eleição ganharia uma dinâmica totalmente diferente e a vitória estaria ao alcance de Charlie Crist. Além disso, esta "jogada" teria o condão de impedir a meteórica ascensão de Marco Rubio, que está a tornar-se um caso sério na política dos Estados Unidos e que, no futuro, pode ser um dos líderes do Partido Republicano.
A opção de Kendrick Meek é compreensível, até porque passou toda a campanha a atacar os flip-floppers e as manobras políticas de Crist. Contudo, ao não desistir, entrega a eleição a Rubio numa bandeja e resigna-se a um distante terceiro lugar. O seu futuro político é incerto, porque abdicou do seu assento na Câmara dos Representantes para concorrer ao Senado e esta sua decisão pode causar-lhe alguns anti-corpos no seio do seu partido. Mas, por outro lado, há alguém que, neste momento, está muito feliz e agradecido com a posição de Meek: Marco Rubio, pois claro.

terça-feira, 25 de maio de 2010

"Don't ask, don't tell" com fim à vista

Desde 1993, numa época em que era Bill Clinton a ocupar a Casa Branca, que o método utilizado pelas forças armadas americanas para lidar com os gays e lésbicas que se desejassem alistar era o famoso "don't ask, don't tell". Esta política veio permitir a essas pessoas servirem no Exército, Marinha ou Força Aérea dos Estados Unidos, pois apesar de a homossexualidade continuar a ser proibida nos meios militares, os recrutas já não eram obrigados a revelar a sua orientação sexual, nem os seus superiores podiam questioná-los sobre isso.
O "don't ask, don't tell", apesar de não ter representado, na altura, o avanço esperado pelas associações de gays, lésbicas e bissexuais, veio acabar com a "caça às bruxas" nas forças armadas. No fundo, a implementação desta medida é o exemplo paradigmático da governação de Bill Clinton, que representou uma espécie de terceira via à americana, moderada, centrista e procurando o compromisso entre liberais e conservadores.

Agora, o fim do "don't ask, don't tell" está em vias de ser revogado, o que pode acontecer já esta semana, esperando-se uma votação no Congresso que faça isso mesmo e acabe com a proibição de homossexuais nas forças armadas. A Casa Branca deu ontem o seu apoio e hoje foi a vez do Secretário da Defesa, Robert Gates, conceder a sua (pouco convicta) anuência. Apesar de algumas reservas dos meios militares, o fim do "don't ask don't tell" é apoiado por uma grande maioria dos americanos - mesmo entre o eleitorado conservador - que entende que as escolhas sexuais de cada um não devem ser motivo de impedimento para o serviço militar. Vejamos, então, se o Congresso concorda ou não com os seus constituintes.