segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um republicano a dar tiros nos pé

O congressista republicano pelo Missouri Todd Arkin, que concorre a um lugar no Senado pelo mesmo estado, teve ontem declarações bombásticas acerca do aborto em casos de violação e que estão já a ter repercussões nacionais. Numa entrevista televisiva, quando justificava a sua oposição ao aborto mesmo em casos de violação, Arkin afirmou que as vítimas de violação "legítima" raramente engravidam. Como seria de esperar, estas declarações tiveram grande repercussão nos media que reproduziram vezes sem conta as polémicas afirmações do candidato ao Senado.

Numa primeira instância, será mesmo Todd Arkin a sofrer as consequências, já que é bem possível que esta polémica seja uma dádiva caída do céu para a sua opositora democrata, a Senador Claire McCaskill, que, até agora, vinha surgindo atrás do candidato republicano nas sondagens. Contudo, o impacto declarações de Arkin deverá chegar à corrida nacional pela Casa Branca, pelo menos se isso depender dos democratas, que estão já a ligar a posição do político do Missouri ao GOP em geral e ao ticket Romney/Ryan em particular.

Para Mitt Romney, o principal problema nesta questão não vem propriamente das afirmações de Arkin, mas sim a possibilidade de os democratas poderem novamente utilizar a questão do aborto na campanha presidencial. Numa eleição renhida, as mulheres solteiras podem tornar-se um grupo eleitoral decisivo e a posição pro-life do ticket republicano pode alienar uma boa parte dessas eleitoras. Mais uma vez neste ciclo eleitoral, os republicanos serão obrigados a desviar-se da sua mensagem centrada em temas económicos, o que só os prejudica. Neste caso, porém, o culpado é um membro do próprio partido, que, em Novembro, poderá ser responsável não só pela manutenção da maioria democrata no Senado, mas também por ajudar Barack Obama a ser reeleito.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Romney com momentum?

Até ao momento, verificava-se uma tendência na corrida presidencial norte-americana: as sondagens nacionais traduziam um grande equilíbrio entre os dois candidatos, mas, por outro lado, as sondagens estaduais nos chamados battleground states mostravam Barack Obama numa posição favorável para vencer o Colégio Eleitoral e, consequentemente, garantir mais um mandato na Casa Branca.
Contudo, durante o dia de hoje, a Purple Strategies revelou novos estudos de opinião em quatro Estados fundamentais: Colorado, Florida, Ohio e Virginia. E, algo surpreendentemente, ficámos a saber que, segundo estas sondagens, Obama apenas lidera no Colorado, ficando atrás de Romney nos restantes três Estados.

Colorado
Obama 49%
Romney 46%

Florida
Romney 48%
Obama 47%

Ohio
Romney 46%
Obama 44%

Virginia
Romney 48%
Obama 45%

Como se pode ver pelos números de cima, o equilíbrio é a nota dominante, mas não deixa de ser significativo que, de um momento para o outro, Obama perca, aparentemente, terreno para Romney em vários Estados decisivos para o desfecho da eleição. Mas, afinal de contas, o que quererão dizer estes resultados: serão apenas outliers? Serão efeito positivo da escolha de Paul Ryan para running mate de Romney? Para já, a resposta a estas questão é um incógnita. Teremos de esperar pelos próximos dias para ver se a corrida está mesmo a mudar a favor do nomeado republicano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Missouri parece competitivo

Em eleições presidenciais, o Missouri é considerado um barómetro, já que, desde 1904, apenas por duas vezes (em 1956 e em 2008) o vencedor neste Estado não coincidiu com o vencedor da eleição geral. Assim, o Missouri é tradicionalmente um battleground state bastante disputado durante a campanha presidencial. Neste ciclo eleitoral, porém, este Estado não parecia, à partida, um dos principais palcos da corrida à Casa Branca, até porque se, em 2008, num ano extremamente favorável para os democratas, Obama não foi capaz de vencer neste Estado, então, desta vez, isso ainda seria mais improvável.
Talvez em virtude dessa descrença quase geral de uma corrida renhida no Missouri, este Estado tem recebido pouca atenção por parte das empresas de sondagens e há algum tempo que estávamos sem notícias sobre o rumo dos acontecimentos neste Estado do midwest. Contudo, foram divulgadas duas sondagens sobre a disputa presidencial no Missouri e, de forma até algo surpreendente, ambas mostram uma corrida muito renhida, com Mitt Romney a superiorizar-se a Barack Obama por apenas um ponto percentual.
Primeiro, foi a SurveyUSA a apresentar uma sondagem que colocava Romney com 45% das intenções de voto, contra os 44% de Obama. Quando esse estudo surgiu, houve quem pensasse (eu próprio incluído) que se tratava de "ruído estatístico". Contudo, logo depois, surgiu uma nova sondagem, desta vez da Chilenski Strategies (confesso que desconheço esta empresa), que mostrou números semelhantes - Romney 48%, Obama 47%, o que pode indicar que, afinal, o Missouri é mesmo um Estado competitivo e a ter em conta para a eleição presidencial.
Ainda assim, parece-me que o Missouri não será decisivo na luta pela Casa Branca. É certo Barack Obama pode perfeitamente sair vencedor neste Estado, mas, se o fizer, será certamente num cenário em que ganhará facilmente a eleição geral, já que o Missouri é significativamente mais republicano que a média nacional.Ou seja, muito dificilmente serão os votos eleitorais do Missouri a decidir o desfecho da eleição.

sábado, 11 de agosto de 2012

Paul Ryan é o escolhido

Confirmando os rumores cada vez mais consistentes dos últimos dias, Mitt Romney já escolheu o seu candidato vice-presidencial: o congressista Paul Ryan completará o ticket republicano nas eleições presidenciais de Novembro. Durante a madrugada, a campanha de Romney lançou o site romneyryan.com e, na manhã de hoje, os dois candidatos republicanos surgirão juntos num evento que servirá para oficializar a escolha de Romney.
Como já tinha referido, a opção Paul Ryan será sempre um pau de dois bicos para Romney. Por um lado, escolhe um político jovem (42 anos) e inovador, que é um dos principais pensadores do actual GOP e que excitará de igual modo as bases e o establishment do partido. Ao mesmo tempo, reveste de susbstância política e ideológica a sua campanha, muitas vezes acusada de ser inócua e de não apresentar propostas e soluções para o país.
Por outro lado, os planos de Ryan para o Medicare (tenciona transformar o programa num sistema de vouchers) poderão prejudicar as chances do ticket republicano junto do eleitorado independente. Não admira, por isso, que os democratas estejam a rejubilar pela escolha de Romney, começando já a caracterizar Paul Ryan como uma ameaça para a classe média norte-americana. Há ainda a possibilidade de o brilho de Paul Ryan (é um político dinâmico e capaz de cativar quem o ouve) ofuscar o estilo sóbrio e até algo "cinzento" de Romney.
A escolha de Paul Ryan como candidato vice-presidencial representa o primeiro grande acto audaz da campanha de Mitt Romney, que, até agora, não tinha corrido grandes riscos.  Já o timing da escolha parece perfeito, visto que nos últimos dias Barack Obama vinha a fugir nas sondagens, obrigando a campanha republicana a tomar uma atitude e a tornar-se, depois deste anúncio, o centro das atenções mediáticas da campanha presidencial. 
A partir de agora, com os quatro candidatos presidenciais conhecidos e a poucos dias do início das convenções nacionais, a disputa pela Casa Branca aumenta de intensidade. Todavia, o melhor é mesmo esperarmos alguns dias para percebermos o impacto que Paul Ryan provoca na corrida presidencial.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Se a eleição fosse hoje...

... este seria o mapa eleitoral em que eu apostaria. Se tivesse razão, Barack Obama ganharia folgadamente a Mitt Romney no colégio eleitoral, ainda que ficasse aquém dos 365 votos eleitorais que conseguiu em 2008.
Esta meu mapa eleitoral, baseado nos resultados actuais das sondagens nos diversos Estados norte-americanos, é bastante semelhante com o panorama da eleição de há quatro anos, com apenas duas excepções: o Indiana e a Carolina do Norte, que passam da coluna democrata para a republicana. E se a vitória de Romney no primeiro Estado é praticamente um dado adquirido, já a Carolina do Norte, é outra questão, com os dois candidatos praticamente empatados nas sondagens. Contudo, neste momento, parece-me que é o nomeado do GOP quem leva ligeira vantagem.
Contudo, a minha maior dúvida ao realizar a minha previsão foi relativa ao caso Florida, que é, a meu ver, o exemplo perfeito de um toss-up, um Estado de vencedor imprevisível. Acabei por colocar as minhas fichas numa vitória de Obama, apesar de estar ciente que a corrida no sunshine state está ainda too close to call e que um novo dado, como, por exemplo, a escolha de Marco Rubio para VP de Romney pode alterar completamente o panorama.
Em menor medida, também os Estados do Colorado, da Virgínia e do Ohio me obrigaram a colocar alguns pontos de interrogação. No Colorado, parecia que Obama seguia bem encaminhado para uma vitória, fruto da sua popularidade junto do eleitorado hispânico, comunidade com forte implementação neste Estado do Oeste. Todavia, as duas últimas sondagens vieram mostrar que o Colorado pode estar mais equilibrado do que se previa: a Quinnipiac deu vantagem de 5% a Romney, enquanto que a Rasmussen mostrou a corrida empatada. De qualquer forma, e como em 2010, num ano extremamente favorável ao GOP, os democratas conseguiram bons resultados no Colorado, mantive este Estado pintado de azul.
Seguindo para Leste, vamos até ao Ohio, palco tradicional das grandes decisões das eleições presidenciais, onde continuo a pensar que é Barack Obama quem leva vantagem, em parte devido à popularidade do bailout realizado pelo governo federal dos EUA às grandes empresas do sector automóvel, que empregam muitos dos eleitores nesta zona do país. Além disso (e é provável que estes dois factos estejam relacionados), o southwest dos Estados Unidos tem tido uma recuperação económica mais rápida do que a média nacional, com uma taxa de desemprego relativamente reduzida.
Por fim, na Virgínia, uma das apostas de sucesso da campanha de Obama em 2008, o momentum continua, aparentemente, do lado democrata, com as sondagens a mostrarem um ligeiro ascendente de Obama neste Estado, o que se pode explicar pela expansão dos subúrbios de Washington D.C., para onde vão viver muitos funcionários públicos, que, tradicionalmente, preferem o Partido Democrata.
Ficam, assim, justificadas as minhas decisões mais difíceis ao realizar esta aposta para o mapa eleitoral das próximas eleições presidenciais. Estamos, porém, a muitos dias da verdadeira noite eleitoral e tudo pode mudar. Até lá, irei fazendo novas projecções, com a derradeira aposta a ficar prometida para a véspera do dia de todas as decisões.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os últimos rumores sobre o VP de Romney

Deve estar por dias o anúncio do candidato vice-presidencial de Mitt Romney. Como é norma nestas alturas, têm-se sucedido os rumores sobre vários nomes que podem concorrer no ticket republicano. 
Ontem, no normalmente bem informado Drudge Report, foi notícia, baseado num suposto desabafo de Barack Obama a um angariador de fundos, de que podia ser o General David Petraeus o nomeado vice-presidencial do GOP. Todavia, parece-me que não será o herói do surge do Iraque a concorrer juntamente com Romney, apesar dessa ser uma ideia que assusta, e muito, a Casa Branca. Petraeus é um soldado e, como tal, deveria sentir alguns constrangimentos éticos ao ter de enfrentar e mesmo de criticar durante aquele que tem sido, nos últimos quatro anos, o seu Commander-in-Chief. Além disso, o General Petraeus, recentemente nomeado Director da CIA por Obama, teria dificuldades em explicar como aceitou um cargo tão conceituado e de tão alta responsabilidade numa Administração em que não acredita. Por isso, parece-me que o surgimento do nome de David Petraeus nas coagitações para a vice-presidência  é mais um acto de desinformação do que um rumor fundado.
Já hoje, tem-se falado com maior insistência no nome de Paul Ryan, congressista pelo Winsconsin, para possível running mate de Mitt Romney. Ryan é uma estrela em ascensão do Partido Republicano e a principal figura do GOP a nível de política fiscal. A sua escolha seria, sem dúvida, uma boa forma de Romney dar maior substância à sua candidatura, muitas vezes acusada de apresentar poucas ideias concretas para os Estados Unidos. Contudo, com Ryan no ticket presidencial, a campanha republicana tornar-se-ia rapidamente numa espécie de referendo ao Medicare, o popular programa de assistência de saúde aos idosos, e que Paul Ryan pretende reformar profundamente.
Petraeus e Ryan seriam escolhas arrojadas, sem dúvida. Porém, até ao momento, Romney tem apostado numa campanha by the book e sem correr grandes riscos. Assim, políticos como Rob Portman ou Tim Pawlenty têm uma maior probabilidade de serem os escolhidos. Até porque se costuma dizer que o principal critério para a escolha de um candidato vice-presidência é: first, do no harm.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Romney a vencer a batalha pelo dinheiro

Há nem tanto tempo quanto isso, quando se antevia a corrida pela Presidência dos Estados Unidos em 2012, um dado era praticamente adquirido: Barack Obama e os democratas teriam, à semelhança do que aconteceu há quatro anos, uma considerável vantagem financeira sobre o seu adversário republicano. Com uma enorme capacidade de angariar pequenas quantidades de contribuições monetárias oriundas de centenas de milhares de indivíduos, muitos deles jovens ou pertencentes a minorias e contando com uma aposta de sucesso nas novas tecnologias, Obama parecia fora de alcance, a nível financeira, para qualquer candidato do GOP.
Todavia, logo que a disputa pela nomeação republicana terminou, Mitt Romney demonstrou ser um formidável angariador de dinheiro, ultrapassando sucessivamente as receitas mensais dos democratas. Com base numa estratégia diferente, ou não fossem o seu eleitorado e grupo de apoiantes totalmente diferentes dos do Presidente, Romney conseguiu atrair avultadas contribuições de empresas e particulares do meio empresarial. Além disso, os seus Super PACs continuam a fazer entrar milhões de dólares em dinheiro de contribuições não sujeitas às restrições e ao controlo dos dólares que entram directamente na campanha e no Partido Republicano.
Ontem, foram divulgados os números das angariações de ambos os candidatos durante o mês de Julho e, uma vez mais, foi Mitt Romney quem conseguiu colectar mais dinheiro. Com 75 milhões de dólares (entre a sua campanha e o DNC), Obama ficou significativamente aquém dos 101 milhões angariados por Mitt Romney e o RNC. Continua, assim, a construir-se um cenário até há pouco tempo impensável, em que são os republicanos a dispor de uma maior capacidade financeira que é fundamental para uma campanha eleitoral norte-americana, onde é necessário distribuir recursos por vários Estados onde se disputa a eleição presidencial. Esta é, porém, uma realidade bem familiar para os democratas, habituados a serem os claros underdogs nesta corrida pelo dinheiro, que pode ser importante, mas não decidirá, por si só, quem será o vencedor na noite eleitoral de 6 de Novembro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Obama descola, mas pouco


A pouco mais de três meses da eleição presidencial norte-americana, a corrida entra agora num período de alguma acalmia que se manterá até ao fim dos Jogos Olímpicos. Depois disso, a campanha eleitoral deve voltar em força, com o anúncio do candidato à vice-presidência no ticket de Romney e as convenções nacionais dos dois partidos a assinalarem o arranque a todo o gás, e sem mais pausas até ao final, da corrida pela Casa Branca.
Importa, por isso, fazer um breve ponto da situação. De momento, os números parecem mostrar uma ligeira descolagem de Barack Obama. Como indica o gráfico do Real Clear Politics, as sondagens nacionais têm colocado o Presidente em vantagem e apenas a Rasmussen continua a dar a liderança na sua tracking poll. Mas, mais importante ainda que as sondagens nacionais são os números que chegam dos swing states e esses também têm favorecido Obama. Ainda ontem, a Quinnipiac divulgou sondagens no big three (Ohio, Florida e Pennsylvania), onde Barack surge em todos os Estados acima da barreira dos 50% e com uma vantagem interessante sobre Romney. Aliás, o actual ocupante da Sala Oval tem conseguido a dianteira em praticamente todos os battleground states, com excepção do Missouri (que este ano não o deverá ser) e da Carolina do Norte, onde, ainda assim, está muito próximo, se não empatado, de Romney. É com base nos números das sondagens, mas não só, que a probabilidade de vitória de Barack Obama, segundo o modelo do fivethirtyeight de Natel Silver, ultrapassa já os 70%. 
Contudo, alguns analistas têm sugerido que quando as empresas e institutos responsáveis pelas sondagens mudarem o modo como seleccionam as amostras (aceitando apenas eleitores prováveis), isso favorecerá os republicanos, já que os apoiantes democratas têm, tradicionalmente, uma maior propensão à abstenção do que os republicanos. Ainda assim, há já algumas empresas que já sondam apenas likely voters (a própria Quinnipiac, por exemplo) e as eleições passadas provaram que a alteração nos modelos tem impacto nos números das sondagens, mas que esse impacto é muito reduzido.
Assim sendo, parece correcto afirmar que Barack Obama está, de momento, numa situação de vantagem, ainda que muito ligeira. Todavia, faltam ainda muitos dias até 6 de Novembro, quando se saberá quem será o Presidente dos EUA durante os próximos quatro anos. Até lá, conheceremos o VP de Romney, decorrerão as convenções nacionais, os quatro debates televisivos e poderão suceder, ou não, várias surpresas. Além disso, estamos em pleno período de férias e só lá para Setembro é que o grosso do eleitorado norte-americano irá prestar uma maior atenção à campanha eleitoral. E aí sim, começará verdadeiramente a corrida.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As boas-vindas dos democratas a Romney

Numa altura em que Mitt Romney está de volta aos Estados Unidos, depois do seu périplo europeu, o DNC (Democratic National Committee), lançou um novo anúncio de ataque ao nomeado republicano. De forma a que o público não esqueça as diversas gaffes cometidas por Romney no estrangeiro, o anúncio faz uma compilação de diversas reacções de órgãos de comunicação social locais às afirmações mais controvérsias do candidato presidencial.

terça-feira, 31 de julho de 2012

O atribulado périplo internacional de Romney

A política externa é, tradicionalmente, um dos pontos fortes dos nomeados presidenciais republicanos, já que o Partido Republicano é genericamente visto pelos eleitores como mais competente do que os democratas neste capítulo da governação. Contudo, desta vez, parece ser Barack Obama que vai à frente neste tema, fruto de algumas decisões e atitudes populares que foi tomando ao longo do seu mandato no que diz respeito à política externa e de defesa, como a morte de Bin Laden, a retirada do Iraque ou a ausência de atentados terroristas durante o seu período na Casa Branca.
Assim, Mitt Romney, repetindo a jogada realizada pelo próprio Obama em 2008, partiu para um périplo pelo estrangeiro de forma a tentar firmar os seus créditos em relações internacionais e a dar-se a conhecer aos líderes mundiais, com quem poderá ter de lidar directamente num futuro próximo, caso vença as eleições de Novembro. Como não podia deixar de ser, Romney começou por visitar o grande aliado dos EUA, o Reino Unido. 
Todavia, uma vez em terras de Sua Majestade, o ex-Governador do Massachusetts logo começou a "meter água" ao afirmar que duvidava da capacidade britânica para organizar os Jogos Olímpicos. Em resposta ao republicano, o Primeiro-Ministro David Cameron respondeu de pronto, recordando que é bem mais fácil organizar umas Olímpiadas "no meio do nada", numa clara alusão aos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City, cuja organização foi liderada por Romney. Para piorar as coisas, durante a estadia de Mitt Romney em Londres, houve quem recordasse que, no seu livro No Apology, o candidato republicano disse que a Inglaterra é apenas uma pequena ilha, que, com poucas excepções, nada produz que o resto do mundo queira comprar.
Depois da atribulada visita ao Reino Unido, Romney viajou para Israel. Porém, também em solo judaico Mitt Romney já cometeu uma gaffe ao sugerir que as diferenças de riqueza entre os israelitas e os palestinianos pode ser explicada, em parte, pelas suas diferentes culturas, o que já deu origem a protestos palestinianos, que se sentiram insultados pelos comentários do candidato. Finalmente, a última etapa no périplo europeu teve lugar na Polónia, onde Romney se encontra actualmente. E também aqui a sua campanha já deu que falar, depois de um assessor de Mitt Romney ter utilizado termos menos próprios para se dirigir aos jornalistas que tentavam obter declarações por parte do candidato em Varsóvia.
Erros deste género não deverão ter consequências muito pesadas para as chances eleitorais de Mitt Romney. Contudo, tudo o que desvie o nomeado republicano da sua mensagem centrada na economia é uma má notícia para a sua campanha. Além disso, se com esta viagem Romney esperava marcar pontos e diminuir a vantagem de Obama em matérias de relações externas, então esse objectivou falhou completamente.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A rising star

Em 2008, os democratas contaram com muitos e grandes nomes a concorrerem pela nomeação presidencial, incluindo as super-estrelas Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards (entretanto caído em desgraça), mas contando ainda com as presenças de alguns políticos de nomeada, como Joe Biden, Bill Richardson ou Chris Dodd. Contudo, quando se olha para 2016, o leque de candidatos a segurarem no estandarte do Partido Democrata é bastante reduzido e faltam pesos-pesados a perfilharem-se para a corrida à presidência.
Muitos democratas sonham com a candidatura de Hillary Clinton, mas a solução para o partido pode residir numa estrela em clara ascenção, nada mais nada menos que Andrew Cuomo, o Governador de Nova Iorque. Filho de Mario Cuomo, outro popular ex-Governador do mesmo Estado, Andrew tem no currículo uma presença na Administração Clinton, como Secretário da Habitação e do Desenvolvimento Humano, passando depois para o governo estadual de Nova Iorque, primeiro como Attorney-General e, agora, como Governador.
Actualmente, Andrew Cuomo é provavelmente o Governador mais popular dos Estados Unidos. Ainda recentemente, uma sondagem da Quinnipiac atribuía-lhe uma taxa de aprovação de 73%, conseguindo mesmo um valor elevadíssimo entre os eleitores republicanos (69%). É certo que Nova Iorque é um dos Estados mais favoráveis aos democratas da União, mas, ainda assim, estes números não deixam de impressionar. E, além de popular no seu Estado, Cuomo está ainda muito bem financiado, tendo quase 20 milhões de dólares no seu "cofre de guerra", o que, segundo o Wall Street Journal, é mais do que o que possuem 40 outros governadores em conjunto.
Não admira, por isso, que Cuomo surja como um dos nomes em destaque quando se fala das eleições presidenciais de 2016. E o próprio parece mesmo estar a preparar terreno para uma eventual candidatura, com algumas notícias a darem conta de que Cuomo está a tentar ocultar informação e dados sobre o seu mandato como líder de Nova Iorque. Assim, tudo indica que o mais recente representante político da família Cuomo seja, daqui a 4 anos, candidato a suceder a Barack Obama, ou tente impedir um segundo mandato de Mitt Romney.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tragédia em Denver

O trágico "massacre de Denver" foi ainda na semana passada, mas o acto de loucura de um indivíduo que desatou a disparar na estreia de um filme da saga Batman continua a dominar o ciclo noticioso nos Estados Unidos. Como se sabe, nestas ocasiões, é normal que os índices de popularidade do Presidente em exercício subam ligeiramente, fruto do sentimento de luto e união popular que se costuma gerar após dramas de cariz nacional. Contudo, esse pequeno bump, a existir, será certamente de curta duração e, após estes dias em que as emoções estão ainda mais "à flor da pele", os números voltarão ao normal.
Nos Estados Unidos, é relativamente comum, quando sucede um acontecimento deste género, marcado por um grande número de mortes causadas por armas de fogo, se reaviva o debate em torno da 2ª emenda e das leis que tornam bastante fácil, na grande maioria dos Estados norte-americanos, o acesso a armas de foto. Desta vez, porém, e à imagem do que aconteceu após o massacre de Tucson, pouco se tem falado desta questão e poucos são os políticos que tentam levantar mais alto a bandeira do controlo de armas de fogo. Isto porque esta questão cada vez divide menos os cidadãos norte-americanos, que são, actualmente, esmagadoramente a favor da posse de armas de defesa pessoal e, consequentemente, diminuem os políticos que defendem a causa do controlo de armas de fogo.
Assim sendo, sem grandes implicações na campanha eleitoral e à falta de grandes iniciativas políticas que visem combater a ocorrência deste flagelo que é o homicídio em massa com recurso a armas de fogo, as declarações dos candidatos presidenciais sobre esta tragédia são os elementos políticos mais concretos a que podemos fazer referência. Elas aqui ficam:

quinta-feira, 19 de julho de 2012

New Mexico em jogo?

À medida que se aproximam as eleições presidenciais (serão a 6 de Novembro), convém ir prestando uma atenção mais detalhada às sondagens de nível estadual, nomeadamente nos chamados battleground states, onde se vai decidir o vencedor.
O New Mexico é, normalmente, um desses Estados decisivos. Contudo, nos últimos anos, este Estado do midwest tem-se tornado progressivamente mais democrata, fruto do aumento da comunidade hispânica - o New Mexico é o Estado mais latino da União, já que mais de 40% da sua população pertence a este grupo "étnico". Em 2008, Barack Obama venceu folgadamente neste Estado, derrotando John McCain por quase quinze pontos percentuais.
Assim, não se esperava que, este ano, o New Mexico fosse entrar nas contas da corrida e as sondagens vinham confirmando essas previsões, mostrando Obama à frente de Romney por uma larga margem. Ontem, porém, um estudo da Public Policy Polling atribui apenas 5% de vantagem ao Presidente, o que traduz uma redução drástica na diferença entre Obama e Romney em relação às últimas sondagens da mesma empresa no New Mexico, em que o Presidente tinha cerca de 15% de vantagem sobre o nomeado republicano.
É certo que esta sondagem pode apenas tratar-se de um outlier e terá de ser confirmada por outros estudos de opinião que confirmem os números da PPP. Todavia, e pelo menos para já, é melhor não riscarmos o New Mexico da lista de Estados a seguir com atenção nesta muito disputada corrida eleitoral.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Romney à defesa

Como escrevi ontem, Mitt Romney tem estado sob cerrado ataque da campanha de Barack Obama, que tenta explorar o seu passado na Bain Capital, acusando-o de enriquecer à custa das empresas que desmantelou e dos postos de trabalho que extinguiu ou enviou para o estrangeiro. Mais recentemente, o candidato tem tentado reagir, mas novas alegações, difundidas nos media, têm-no impedido de retomar à sua mensagem e ultrapassar este momento menos positivo para a sua candidatura.

Uma das histórias está ainda relacionada com o seu passado na Bain Capital, nomeadamente devido ao tempo que Romney terá passado nessa empresa. Ora, segundo os formulários financeiros que preencheu quando se candidatou à presidência, Mitt Romney declarou, sob juramento, que havia deixado a Bain Capital em Fevereiro de 1999, para se dedicar exclusivamente à organização dos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City. Contudo, segundo relatos posteriores, e de acordo com o próprio, Romney terá permanecido ligado à empresa até 2002. Assim,  há já quem acuse o nomeado republicano de faltar à verdade e mesmo de perjúrio. Mitt Romney já se veio defender, alegando que entre 1999 e 2002 esteve com uma licença sem vencimento e não manteve quaisquer responsabilidades na empresa. Ainda assim, a Bain Capital ameaça ensombrar a sua candidatura, com Barack Obama a saber aproveitar esta aparente fragilidade de Romney.

Mas há outro tema a dar dores de cabeça ao antigo Governador do Massachusetts e que pode ser ainda mais prejudicial à sua candidatura. Desde o início da campanha presidencial, Romney tem sido pressionado pelos seus opositores a divulgar as suas declarações de impostos. Até agora, havia sempre resistido, mas com o avolumar das pressões para que o fizesse, incluindo algumas provenientes do seu próprio partido, Romney anunciou que irá divulgar as suas declarações de impostos dos últimos dois anos e não mais do que isso. Ora, ao impor esta limitação, Romney já sabia que iria ser alvo de críticas e renovadas suspeitas em relação aos seus rendimentos. Todavia, optou por esta via, o que parece indicar que estará a querer controlar os danos e prefere esse tipo de críticas do que aquelas que surgiriam se revelasse as suas declarações de anos anteriores. É possível que esses documentos mostrassem que, nos últimos anos, Romney abriu novas contas em offshores ou que pagou taxas fiscais muito baixas, o que seria bastante prejudicial à sua campanha e daria novas e fortes linhas de ataque para os democratas. Estamos no campo da especulação, é certo, mas a decisão de Romney em não revelar as suas declarações de impostos dará azo a este tipo de controvérsias.

Por tudo isto, o candidato presidencial do GOP está actualmente obrigado a jogar à defesa. Devido a estes temas quentes, a sua campanha está a ter dificuldades em voltar à mensagem desejada, centrada, como se sabe, no tema da economia. Não admira, por isso, que já se fale na possibilidade de Romney divulgar em breve o seu candidato à vice-presidência. Nesta altura, tudo o que possa desviar o actual rumo dos ciclos noticiosos, é positivo para a campanha de Mitt Romney.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Obama ao ataque

Estamos de volta! Após umas férias retemperantes (ainda que tenham sabido a pouco), o Máquina Política regressa para fazer, sem mais interrupções, a cobertura do que resta da campanha eleitoral para a Presidência dos Estados Unidos. E, nas semanas em que não houve posts, Barack Obama saiu-se bem, devido principalmente à confirmação pelo Supremo Tribunal da constitucionalidade da reforma da saúde que promoveu, mas também pelos ataques que a sua campanha lançou contra o candidato republicano Mitt Romney.

Mas comecemos pelo tema mais importante: a aprovação da mais importante e polémica peça legislativa dos últimos anos nos Estados Unidos pelo mais alto órgão judicial norte-americano. Afinal, e ao contrário do que se esperava, o Supremo Tribunal declarou constitucional a famosa Obamacare, numa votação de cinco votos a favor contra quatro votos desfavoráveis. Surpreendentemente, não foi de Anthony Kennedy, o juíz moderado e que desempenha normalmente o papel de swinv vote, o voto decisivo. Desta vez, foi mesmo o Chief Justice John Roberts, um conservador nomeado por George W. Bush, que alinhou com os juízes da ala liberal para permitir a aprovação da lei. Desta forma, Roberts, que ainda tem largos anos no Supremo Tribunal pela frente, preferiu não tomar uma decisão que teria enormes consequências políticas e que poderia minar o seu futuro como líder do Supreme Court. 

Assim, Barack Obama conseguiu uma importante vitória, evitando que a bandeira mais emblemática do seu primeiro mandato fosse eliminada ou cortada pelo poder judicial. Além disso, após a decisão do Supremo Tribunal, a popularidade da reforma da saúde tem aumentando, o que permite a Obama utilizar a Obamacare na campanha, em especial os seus elementos mais sedutores, como a impossibilidade de as seguradoras negarem seguros a pessoas com condições médicas pré-existentes. 

Embalado por esta vitória, Obama partiu para o ataque no trilho da campanha, lançando uma série de anúncios onde critica ferozmente Mitt Romney pelo seu passado na Bain Capital, acusando-o de destruir empresas e empregos nos Estados Unidos, transferindo-os para o estrangeiro e, com isso, fazendo fortuna. Esta táctica tinha sido já utilizada durante as primárias republicanas, por Rick Santorum e Newt Gingrich. Na altura, o resultado foi nulo, com os eleitores republicanos pouco inclinados a criticar os feitos empresariais de Romney. Contudo, numa eleição geral, o eleitorado moderado e independente pode ser um alvo bem mais receptivo a este género de narrativa. E, de facto, nos últimos dias, as sondagens têm mostrado um ligeiro ganho por parte do Presidente, tanto nos estudos nacionais, como nas sondagens nos principais swing states.

Agora, Romney procura responder, tendo feito um périplo por vários programas informativos em diversos canais de televisão (alterando a sua estratégia mais recente de evitar as aparições nos media, exceptuando a Fox News, terreno mais seguro e familiar para o GOP), onde exigiu mesmo um pedido de desculpas por parte de Obama devido à onda de ataques vinda dos democratas. Como se pode ver, a campanha está definitivamente lançada e promete ser dura, negativa e disputada aos limites. E como não podia deixar de ser, nós cá estaremos para seguir e dissecar esta apaixonante corrida.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Encerrados para férias

Durante as próximas duas semanas, aproximadamente, o Máquina Política estará inactivo, por motivos de férias (bem merecidas) da gerência. Até ao meu regresso, já durante o mês de Julho, aconselho uma visita aos outros locais portugueses onde se pode ler sobre o mundo político dos Estados Unidos da América - a lista pode ser consultada na barra lateral. Até breve!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Obama vs Romney (by Mark Halperin)

Mark Halperin, o conceituado jornalista da TIME e co-autor do best seller sobre a campanha eleitoral de 2008, Game Change, compara, nesta tabela (clicar na imagem para aumentar), os dois candidatos presidenciais norte-americanos, com base em 10 critérios que podem decidir a corrida. Olhando para esta comparação, Mitt Romney parece levar alguma vantagem, já que, segundo Halperin, é quem vai na frente no que diz respeito à economia, à mensagem e ao dinheiro, três aspectos chaves para qualquer eleição dos Estados Unidos. Contudo, e como eu tenho afirmado, Obama lidera no critério do Colégio Eleitoral e, afinal de contas, é aí que se ganha ou perde a corrida.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um novo olhar sobre o mapa eleitoral


Como prometido, deixo aqui a minha visão actualizada sobre aquela que é a situação, no momento, do mapa eleitoral para as presidenciais norte-americanas de Novembro. Desde a minha última análise, em Abril, os números de votos eleitorais para cada lado quase não mudaram (na altura, dava vantagem a Barack Obama, com 258 votos eleitorais, face aos 190 de Mitt Romney. Contudo, houve algumas alterações importantes no que diz respeito aos battleground states da eleição que se aproxima.

O maior destaque vai, sem dúvida, para a passagem do Ohio para o estatuto de toss-up, já que acredito que este Estado poderá ser o local que decidirá o resultado da eleição, caso a corrida seja bastante renhida. Assim sendo, o swing state por excelência tem sempre de estar na coluna dos indecisos, mesmo que as sondagens continuem a mostrar um ligeiro favoritismo de Obama no the Buckeye State. Mas, além do Ohio, também o Wisconsin deixou a coluna democrata, passando também para toss-up, na sequência de várias sondagens que mostram um empate técnico e mesmo uma liderança para o nomeado republicano. Todavia, parece-me difícil que Obama não vença neste Estado e é possível que os últimos estudos de intenção de voto reflictam o momentum republicano proporcionado pela vitória de Scott Walker.

Mas nem todas as alterações no mapa eleitoral são negativas para os democratas, já que mudei o estado do Nevada para lean democrat e do New Hampshire e da Pensilvânia para likely democrat, depois de analisar as mais recentes sondagens relativas a estes Estados. Mas se a vitória de Obama nos dois últimos Estados não é propriamente uma novidade - o Partido Democrata é tradicionalmente bastante forte no nordeste dos Estados Unidos - já o movimento no Nevada traduz a actual grande importância do eleitorado latino no Oeste norte-americano, assim como a grande capacidade de mobilização dos democratas no Nevada, Estado onde o Senador Harry Reid, assim como os sindicatos de trabalhadores dos casinos, têm uma grande influência.

Com base neste mapa, e apesar de nenhum dos candidatos atingir o número mágico de 270 votos eleitorais necessários para ser o vencedor, parece correcto afirmar que Obama é ainda favorito para conseguir um segundo mandato, não obstante as últimas semanas não lhe terem corrido muito bem. Contudo, estamos ainda a mais de quatro meses da noite eleitoral e, até lá, o figurino do mapa eleitoral pode (e vai de certeza) dar algumas voltas. Para já, a corrida está ainda too close to call.