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quinta-feira, 21 de março de 2013

Obama em Israel

Após um primeiro mandato em que foi notícia o alegado distanciamento entre o Presidente norte-americano e o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Barack Obama procura agora melhorar a relação com um dos principais aliados dos Estados Unidos da América. Assim, escolheu Israel como o destino da sua primeira viagem de Estado no seu segundo mandato na Casa Branca.
Além do Estado judaico, Obama também visitará o West Bank e reunirá com o Primeiro-ministro palestino. Como não podia deixar de ser, o processo de paz entre Israel e a Palestina estará em destaque, ainda que este tema não seja agora merecedor de tanta atenção e importância por parte da diplomacia norte-americana. Actualmente, os Estados Unidos parecem mais preocupados com a situação no Irão, na Síria e um pouco por todo o Médio Oriente, desde que a Primavera Árabe veio transformar radicalmente o panorama político e estratégico da região.
Assim, não se deve esperar grandes feitos diplomáticos desta viagem do Presidente norte-americano. É altamente improvável que Obama venha a fazer da resolução do conflito israelo-palestiniano um dos principais objectivos do seu segundo mandato. É certo que esse seria um fantástico legado para a sua presidência, mas, como Bill Clinton tão arduamente aprendeu no final da sua estadia na Casa Branca, nem mesmo toda o peso do selo presidencial dos Estados Unidos é suficiente para fazer com que israelitas e palestinianos se entendam. Por isso, a visita de Obama ao Médio Oriente mais não deve ser encarada do que como o cumprimento dos serviços mínimos pelo Presidente norte-americano para silenciar as críticas internas que o acusam de não ser suficientemente pró-Israel.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Tropeções democratas

A Convenção Nacional Democrata está a ser um grande sucesso e, ontem, o discurso de Bill Clinton foi mais um grande momento para o partido e para Barack Obama. Contudo, e como não há bela sem senão, também tem havido alguns pontos negativos para os democratas neste seu evento em Charlotte. E, ontem, até houve dois.
Primeiro, foi o anúncio da decisão de passar o dia final da Convenção, marcado pelo discurso de Barack Obama, do Bank of America, com capacidade para 65 mil pessoas, para o interior da Time Warner Cable Arena, onde tem decorrido a Convenção Democrata. A razão apresentada pelos responsáveis democratas foi a possibilidade de ocorrência de trovoadas com relâmpagos, o que pode por em causa a segurança do evento. Contudo, os republicanos já sugeriram que a verdadeira causa da mudança dos planos democratas se deve ao facto de estes temerem que ficassem muitos lugares por preencher no estádio, o que daria uma má imagem à campanha de Obama. 
Dado que os democratas tinham já distribuído todos os bilhetes, havendo mesmo uma lista de espera, não deverá ter sido essa a razão, mas a verdade é que a alteração do local do evento é uma dor de cabeça para os democratas, que vêem o grande momento da sua Convenção diminuir drasticamente de dimensão, ao mesmo tempo que têm de lidar com milhares de democratas insatisfeitos por não puderem assistir ao discurso de Obama, apesar de terem bilhete para isso, já que a Time Warner Cable Arena apenas alberga cerca de 15 mil pessoas.
Outro momento menos positivo para os democratas, que chegou mesmo a ser caricato, foi a votação da reintrodução da palavra "Deus" e da definição de Jerusalém como capital do Estado de Israel (os EUA não reconhecem oficialmente a cidade santa como a capital israelita) na plataforma do partido. Apesar de, aparentemente, se terem ouvido votos "não" do que votos "sim" no floor da Convenção quando foram propostas essas alterações, a líder do Democratic National Committee declarou-as aprovadas, tendo-se ouvido, de seguida, alguns apupos. 
A reintrodução de Deus na plataforma democrata é uma pequena desilusão para o grande número de ateus do partido, mas uma medida natural em ano de eleições, num país onde a religião tem um importante peso político (a eleição de um Presidente ateu seria praticamente impossível nos EUA). Já a questão de Jerusalém é mais complexa ou não tocasse num ponto sensível da política externa norte-americana. Tanto George W. Bush como Barack Obama prometeram, em campanha eleitoral, reconhecer Jerusalém como a capital israelita, mas, até ao momento, nada aconteceu. Por isso, estamos na presença de uma forma dos democratas "piscarem o olho" ao eleitorado judaico, tradicionalmente aliado dos democratas, nas vésperas de uma corrida eleitoral que se prevê renhida e onde todos os votos serão importantes.
Estes foram pequenos percalços no segundo dia da Convenção, que, fora isso, está a ser uma grande mais-valia para Obama e os democratas. Mais tarde, falarei sobre o muito aguardado discurso de Bill Clinton, que, ontem, dominou as atenções, assim como o desfecho da Convenção, agendado para hoje, com a aceitação formal da nomeação democrata, por Joe Biden e Barack Obama.

terça-feira, 31 de julho de 2012

O atribulado périplo internacional de Romney

A política externa é, tradicionalmente, um dos pontos fortes dos nomeados presidenciais republicanos, já que o Partido Republicano é genericamente visto pelos eleitores como mais competente do que os democratas neste capítulo da governação. Contudo, desta vez, parece ser Barack Obama que vai à frente neste tema, fruto de algumas decisões e atitudes populares que foi tomando ao longo do seu mandato no que diz respeito à política externa e de defesa, como a morte de Bin Laden, a retirada do Iraque ou a ausência de atentados terroristas durante o seu período na Casa Branca.
Assim, Mitt Romney, repetindo a jogada realizada pelo próprio Obama em 2008, partiu para um périplo pelo estrangeiro de forma a tentar firmar os seus créditos em relações internacionais e a dar-se a conhecer aos líderes mundiais, com quem poderá ter de lidar directamente num futuro próximo, caso vença as eleições de Novembro. Como não podia deixar de ser, Romney começou por visitar o grande aliado dos EUA, o Reino Unido. 
Todavia, uma vez em terras de Sua Majestade, o ex-Governador do Massachusetts logo começou a "meter água" ao afirmar que duvidava da capacidade britânica para organizar os Jogos Olímpicos. Em resposta ao republicano, o Primeiro-Ministro David Cameron respondeu de pronto, recordando que é bem mais fácil organizar umas Olímpiadas "no meio do nada", numa clara alusão aos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City, cuja organização foi liderada por Romney. Para piorar as coisas, durante a estadia de Mitt Romney em Londres, houve quem recordasse que, no seu livro No Apology, o candidato republicano disse que a Inglaterra é apenas uma pequena ilha, que, com poucas excepções, nada produz que o resto do mundo queira comprar.
Depois da atribulada visita ao Reino Unido, Romney viajou para Israel. Porém, também em solo judaico Mitt Romney já cometeu uma gaffe ao sugerir que as diferenças de riqueza entre os israelitas e os palestinianos pode ser explicada, em parte, pelas suas diferentes culturas, o que já deu origem a protestos palestinianos, que se sentiram insultados pelos comentários do candidato. Finalmente, a última etapa no périplo europeu teve lugar na Polónia, onde Romney se encontra actualmente. E também aqui a sua campanha já deu que falar, depois de um assessor de Mitt Romney ter utilizado termos menos próprios para se dirigir aos jornalistas que tentavam obter declarações por parte do candidato em Varsóvia.
Erros deste género não deverão ter consequências muito pesadas para as chances eleitorais de Mitt Romney. Contudo, tudo o que desvie o nomeado republicano da sua mensagem centrada na economia é uma má notícia para a sua campanha. Além disso, se com esta viagem Romney esperava marcar pontos e diminuir a vantagem de Obama em matérias de relações externas, então esse objectivou falhou completamente.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Gaffe presidencial

Ontem, em Cannes, num encontro à margem da reunião do G20, Barack Obama e Nicolas Sarkozy foram intervenientes num embaraçoso incidente de open mic. Não se apercebendo que tinha o microfone ligado, o Presidente francês disse ao seu homólogo americano que não suportava o Primeiro Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelidando-o de mentiroso. Obama replicou, afirmando que Sarkozy estava farto de Bibi, mas que ele tinha de lidar com o israelita diariamente.
Estas gaffes, que acontecem com alguma frequência para infortúnio dos seus intervenientes, são a maior parte das vezes inofensivas. Todavia, este incidente não podia vir em pior altura para Obama, que tem tido frequentes problemas com a comunidade judia norte-americana, que o acusa de não ser tão favorável à sua causa como os seus antecessores na Casa Branca. Apercebendo-se desse problema, o Presidente dos Estados Unidos já reforçou o seu apoio a Israel, como se viu através da sua tomada de posição em relação à formação de um Estado Palestiniano. Mas, a um ano das eleições presidenciais, onde o eleitorado judeu pode desempenhar um importante papel, a gaffe de ontem não ajuda em nada as hipóteses de reeleição de Obama.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Arrumar a casa: Mitch Daniels e o Processo de Paz

A minha cadência de "posts" aqui, no Máquina Política, já teve melhores dias. Contudo, o volume de trabalho e o fim do semestre têm-me impedido de escrever com a regularidade que gostaria. Por isso, nos últimos dias, tenho deixado passar alguns temas que estão a marcar a agenda mediática norte-americana sem a devida referência. Dois deles, em especial, merecem a minha análise.
Em primeiro lugar, importa destacar as novidades relativas à campanha presidencial, onde o campo de candidatos republicanos se encontra cada vez mais definido. No passado Domingo, Mitch Daniels surpreendeu ao anunciar que não irá tentar obter a nomeação pelo GOP, devido ao "veto familiar" que o impediu de cumprir aquele que era o seu intento, ou seja, tentar chegar à Casa Branca. 
Com o Governador do Indiana fora da corrida, o establishment do Partido Republicano tem ainda menos por onde escolher. Assim, os principais beneficiados serão Tim Pawlenty, Mitt Romney e John Huntsman, todos ex-governadores e com os melhores contactos no seio do partido. Não será surpresa, porém, se nos próximos dias observarmos uma renovada pressão por parte das maiores figuras do Partido Republicano sobre nomes como Chris Christie ou Jeb Bush no sentido de os convencer a concorrerem, na medida em que a opinião geral é que, tal como está, o leque de candidatos republicanos é demasiado fraco.
Também o discurso de Barack Obama sobre o Médio Oriente tem dado muito que falar, em particular a sua defesa de uma solução de dois Estados, segundo as fronteiras de 1967, o que originou imediatas críticas da administração israelita, que, alegando que tal medida colocaria em causa a segurança do território israelita, fez saber que não aceitaria um acordo nesses termos. 
Depois do êxito que foi a eliminação de Bin Laden, Obama terá tentado manter a agenda política focada em questões de política externa, onde pode surgir como Commander-in-Chief e em tom presidencial. Para isso, escolheu um tema, o processo de paz, que todos os últimos presidentes americanos têm tentado resolver, mas sem sucesso. Todavia, Obama não ficou muito bem na fotografia, especialmente quando Benjamin Netanyahu, lado a lado com o Presidente americano, negou categoricamente a possibilidade de apoiar o plano de Obama. Também os republicanos, tradicionalmente pró-israelitas, foram rápidos a criticar o Presidente, tentando, porventura, cativar alguns votos entre a comunidade judaica nos EUA.
Com esta breve abordagem à desistência de Daniels e à (desastrada) tentativa de Obama em apresentar uma solução para a questão israelo-palestiniana no Médio Oriente, fica a Máquina Política menos desactualizada. As próximas semanas não serão fáceis, mas darei o meu melhor para ir escrevendo e comentando as mais recentes novidades do que for acontecendo do outro lado do Atlântico.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A reforma forçada de Helen Thomas

A questão israelita está na ordem do dia em todo o mundo e nos Estados Unidos já há, inclusive, uma baixa decorrente de todo o aparato que o tema tem merecido, na sequência do ataque de Israel ao navio turco que se dirigia para Gaza. Depois de ter prestado declarações polémicas sobre Israel, a jornalista Helen Thomas demitiu-se da Hearst Newspapers e passou à reforma.
Helen Thomas, a poucos meses de celebrar o seu 90º aniversário, é uma das grandes figuras do jornalismo americano e era há 50 anos correspondente na Casa Branca, cobrindo todos os presidentes americanos desde John Kennedy. A mais veterana de todos os correspondentes da Casa Branca, era conhecida como uma repórter "dura" para os presidentes e os press secretaries, mas gozava de um grande respeito entre os seus colegas e entre o staff presidencial.

Contudo, a sua prestigiada e longa carreira terminou abruptamente, após ter prestado declarações que caíram muito mal no meio político americano. A 27 de Maio, à saída de um evento judaico da Casa Branca, Helen Thomas, quando questionada sobre Israel, respondeu, como se pode ver e ouvir aqui, que os israelitas deviam sair da Palestina e regressar às suas casas, na Polónia e na Alemanha. Estes comentários, apesar de rapidamente retractados pela própria, foram duramente criticados por todos os quadrantes, inclusive pela Casa Branca, e levaram à demissão da histórica jornalista que, assim, passa à reforma e termina da pior maneira a sua notável carreira jornalística, durante a qual conheceu e escreveu sobre os últimos dez presidentes dos Estados Unidos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Obama vive tempos difíceis

Os últimos dias não têm sido propriamente os mais positivos para a administração Obama, que se vê a braços com diversas crises de diferentes características, desde as políticas, até às militares, passando pelas ambientais e pelas estatísticas.

O desastre ambiental no Golfo do México continua a fazer correr muito crude, mas também muita tinta, com a resposta do governo federal a ser alvo de várias críticas. Porém, a administração Obama parece já ter percebido que este tema pode trazer sérias repercussões para a imagem do presidente e, agora, a sua postura em relação à mancha de crude, originada pelo acidente na plataforma petrolífera da BP, tornou-se bem mais enérgica e com maior visibilidade.

Também o caso Joe Sestak continua a dar que falar e a embaraçar a Casa Branca. A divulgação de ter sido Bill Clinton a oferecer um cargo na administração ao congressista da Pennsylvania, em troca da sua desistência na corrida frente a Arlen Specter, e de esse mesmo cargo ser não remunerado, arrefeceu um pouco os ânimos, mas, mesmo assim, não afastou completamente a polémica e a imagem de um comportamento menos ético por parte da liderança democrata.

Na Segunda-feira, surgiu uma crise internacional que trouxe mais uma preocupação para a Casa Branca de Obama e para o Departamento de Estado de Hillary. O ataque israelita a um navio de ajuda humanitária que procurava aceder a Gaza provocou ainda mais complicações nas já conturbadas relações entre os EUA e Israel, provocando o cancelamento de um encontro entre Obama e Netanyahu. Além disso, existem também repercussões internas deste incidente, pois os americanos dividem-se entre o apoio ao seu aliado histórico e a necessidade de condenar a acção israelita.

Todos estes problemas e situações menos positivas para a administração Obama reflectem-se nos números das sondagens, que mostram uma tendência para a descida na taxa de aprovação do trabalho de Obama e, mais importante ainda, uma substancial vantagem do GOP nas intenções de voto para as intercalares de Novembro. Até lá, ainda muito pode acontecer, mas a verdade é que o cenário não parece muito risonho para o presidente americano e para os democratas.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Biden na Terra Santa

O vice-presidente Joe Biden está em Israel para uma visita de cinco dias, a primeira de uma alta figura americana desde que a nova administração, liderada por Barack Obama, tomou posse.
Esta viagem vice-presidencial pode servir vários propósitos. Em primeiro lugar, será importante para relançar a aliança israelo-americana, acalmando algumas críticas que têm surgido em relação ao aparente esfriar de relações entre os dois países.
Depois, os americanos parecem interessados em voltar a chamar as atenções para a questão do Médio Oriente, um tema recorrente, mas de quase impossível resolução. O objectivo não será o de partir já para um novo processo de paz, mas sim reatar, progressivamente, as negociações entre as duas partes. Esta viagem marca, então, o regresso deste tema à agenda principal da política externa de Obama, depois de um certo período de tempo em que esteve numa espécie de estado de hibernação.
E, por fim, há também as inevitáveis razões políticas: em ano de eleições, o Partido Democrata não pode dar-se ao luxo de descurar as preocupações da comunidade judaica nos Estados Unidos, um grupo muito importante para as contas eleitorais, especialmente em Estados-chave, como a Florida.
São muitas e boas razões para a viagem de Biden se revestir de uma importância acrescida e até para relançar a imagem do vice-presidente, que, ultimamente, tem andado afastado dos grandes palcos. Ficam vistos os fundamentos para esta jornada diplomática, ficando a faltar conhecer os resultados que serão (ou não) conseguidos.