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domingo, 1 de maio de 2011

O humor de Obama

Aqui ficam os melhores momentos do discurso de Barack Obama, ontem, por ocasião do Jantar de Correspondentes da Casa Branca. Este evento, habitualmente utilizado pelos Presidentes para mostrarem uma faceta mais humorística e descontraída, é já uma tradição em Washington DC. No que diz respeito ao humor, Obama parece estar em boa forma, tendo conseguido arrancar várias gargalhadas e, muitas vezes, através de referências aos seus possíveis opositores nas eleições presidenciais de 2012.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palin ao ataque

Devido à época de Thanksgiving, a actividade política e mediática nos Estados Unidos tem sido bastante reduzida. Contudo, Sarah Palin continua a ser a excepção à regra, já que se mantém na ordem do dia, provando ser uma força tremenda, que se sobrepõe mesmo a um dos principais feriados norte-americanos. E, apesar da época festiva, a antiga Governadora do Alasca não se inibe de disparar em todas as direcções, entre antigos ou novos inimigos, democratas ou republicanos.
Na sua mensagem de Thanksgiving, divulgada, como habitualmente, na sua página no Facebook, Palin lançou farpas a Barack Obama, dedicando a mensagem aos "57 Estados", numa referência a uma anterior gaffe do Presidente e ponto de partida para as suas críticas aos "lamestream media" que a potencial candidata à presidência acusa de serem parciais na sua cobertura política. Isto porque, segundo ela, a comunicação social amplifica qualquer erro ou deslize seu (como quando, na passada Quarta-feira, se referiu à Coreia do Norte como aliado dos Estados Unidos), enquanto que os enganos dos seus adversários não merecem grande destaque nos media.

Mas se Obama e a comunicação social são alvos tradicionais para Sarah, esta semana trouxe-nos uma novidade, com uma quezília entre a candidata republicana à vice-presidência em 2008 e a ex-Primeira-Dama, Barbara Bush, esposa de George H. W. Bush, o 41º presidente americano. Na Segunda-feira, B. Bush, quando questionada sobre a possibilidade de Palin concorrer à Casa Branca, foi bastante clara,  respondendo que Sarah deveria ficar no Alasca. A Mamma Grizzlie, como era previsível, não deixou de responder à antiga Primeira-Dama, dizendo que aqueles de "sangue azul" (numa clara alusão à quasi-monarquia hereditária da família Bush) querem escolher os vencedores, em vez de permitir a livre competição entre os candidatos.

Esta é uma pequena amostra do que pode ser a candidata presidencial Sarah Palin, à imagem da aguerrida (frequentemente agressiva) running mate de John McCain, que serviu, variadíssimas vezes, de attack dog da campanha republicana de 2008. Para vencer a nomeação republicana e, posteriormente, a presidência, Palin terá de jogar sempre ao ataque, até porque terá poucos aliados, mesmo no interior do Partido Republicano. Assim, uma candidatura da mulher mais famosa da América será sempre a garantia de uma corrida interessante, animada e polémica.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A reforma forçada de Helen Thomas

A questão israelita está na ordem do dia em todo o mundo e nos Estados Unidos já há, inclusive, uma baixa decorrente de todo o aparato que o tema tem merecido, na sequência do ataque de Israel ao navio turco que se dirigia para Gaza. Depois de ter prestado declarações polémicas sobre Israel, a jornalista Helen Thomas demitiu-se da Hearst Newspapers e passou à reforma.
Helen Thomas, a poucos meses de celebrar o seu 90º aniversário, é uma das grandes figuras do jornalismo americano e era há 50 anos correspondente na Casa Branca, cobrindo todos os presidentes americanos desde John Kennedy. A mais veterana de todos os correspondentes da Casa Branca, era conhecida como uma repórter "dura" para os presidentes e os press secretaries, mas gozava de um grande respeito entre os seus colegas e entre o staff presidencial.

Contudo, a sua prestigiada e longa carreira terminou abruptamente, após ter prestado declarações que caíram muito mal no meio político americano. A 27 de Maio, à saída de um evento judaico da Casa Branca, Helen Thomas, quando questionada sobre Israel, respondeu, como se pode ver e ouvir aqui, que os israelitas deviam sair da Palestina e regressar às suas casas, na Polónia e na Alemanha. Estes comentários, apesar de rapidamente retractados pela própria, foram duramente criticados por todos os quadrantes, inclusive pela Casa Branca, e levaram à demissão da histórica jornalista que, assim, passa à reforma e termina da pior maneira a sua notável carreira jornalística, durante a qual conheceu e escreveu sobre os últimos dez presidentes dos Estados Unidos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Obama e os media

Acossado pelos seus opositores que criticam a sua reacção ao desastre ambiental provocado pelo derrame da plataforma petrolífera no Golfo do México, Barack Obama voltou a dar uma conferência de imprensa, algo que não fazia há meses. Talvez não seja coincidência o facto de esse seu último encontro com os jornalistas na Casa Branca não ter corrido muito bem: foi nessa ocasião que afirmou que a polícia tinha "agido estupidamente" ao prender um professor universitário negro, quando este forçava a entrada na sua própria casa.
Após tanto tempo sem uma conferência de imprensa, é possível fazer uma breve análise sobre a relação de Obama com os media, que, hoje em dia, não parece ser a melhor. E este é um fenómeno que não era expectável, tendo em conta o historial de Obama com a comunicação social, particularmente durante a campanha presidencial. Nessa época, o, na altura, senador do Illinois era até visto como sendo muito próximo dos jornalistas que viajavam com ele e era acusado pela sua opositora nas primárias, Hillary Clinton, e, mais tarde, por John McCain, como estando a ser levado ao colo pelos media.

Porém, ao que parece, a mudança para o nº 1600 da Pennsylvania Avenue não fez bem às relações de Obama com a comunicação social. Os jornalistas que cobrem a Casa Branca têm-se queixado frequentemente do pouco acesso que têm ao presidente, talvez até menos do que em relação aos seus antecessores, o que se torna algo frustrante, dado que Obama, durante a campanha, prometeu uma presidência aberta aos cidadãos. E, de facto, no início da sua presidência, ainda a viver o período de "lua-de-mel" com os americanos, Obama foi um presidente muito comunicativo e quase sempre disponível a prestar declarações ou a falar em público. Porém, quando os seus índices de popularidade começaram a descer e os problemas com a reforma da saúde se acentuaram, o seu modus operandis alterou-se.

Parece-me a mim que a política de comunicação da Casa Branca pecou primeiro por excesso e, depois, por defeito, já que Obama e os seus assessores nunca conseguiram acertar na medida certa a nível de comunicação externa. Um presidente americano não deve falar de menos, já que corre o risco de dar a entender não estar em contacto com a realidade e com os problemas do país, nem deve falar de mais, visto que é uma verdadeira "pistola humana", com cada declaração sua a ter grandes repercussões.

Agora, o presidente americano parece querer recuperar o controlo e demonstrar que está ao leme do país. Esta crise ambiental pode mesmo ser um importante desafio para a sua presidência e Obama sabe que tem de controlar os danos já existentes (os ambientais e os da sua imagem) e que, para isso, a sua capacidade comunicativa e a sua relação com os media vão ser factores fundamentais.

domingo, 2 de maio de 2010

O Jantar dos Correspondentes

Todos os anos, geralmente no último Sábado de Abril, a Associação de Correspondentes da Casa Branca, que engloba todos os jornalistas que cobrem o Executivo americano, organiza o seu jantar. Este evento é já uma tradição de Washington e é um dos momentos mais importantes da capital americana, apesar de estar a ganhar, cada vez mais, um glamour "hollywoodesco". Normalmente, o presidente participa neste jantar e profere um discurso, quase sempre marcado pela boa disposição e pelo humor.

Este ano, o apresentador convidado foi Jay Leno, mas, pelos vistos, Obama conseguiu fazer soltar mais gargalhadas do que o humorista profissional, com várias figuras a serem alvo das suas piadas, desde Joe Biden, passando por John McCain, até ao próprio Leno. Aqui fica uma selecção dos melhores momentos do discurso do presidente americano, da responsabilidade do Politico.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Deste lado do Atlântico

A política norte-americana, uma temática algo específica, mas sempre muito importante dada a sua influência no resto do mundo, tem recebido uma crescente cobertura mediática no nosso país. Para isso muito contribuiu a emergência do fenómeno Obama que atraiu as atenções globais, Portugal incluído.
Assim, é um facto que a comunicação social portuguesa, de um modo geral, tem aumentado a sua cobertura à política americana. Porém, nem sempre essa mesma cobertura tem a qualidade que se esperaria e desejaria. Essas lacunas foram bem visíveis aquando da campanha presidencial de 2008, com a informação prestada por vários órgãos informativos portugueses a incorrer em erros de análise da corrida e em falta de conhecimento sobre o processo eleitoral americano. Claro que houve excepções à regra. Por exemplo, a cobertura de Rita Siza do Público, foi um bom modelo de um trabalho competente e bem executado.
Já na blogosfera portuguesa a coisa correu melhor e os interessados tiveram a possibilidade de ir acompanhado as incidências da extraordinária campanha de 2008 em locais de grande qualidade, recheados de informação. Por minha parte, fui um atento seguidor de três blogues em particular: o Política2008 de Nuno Gouveia, o Era uma vez na América, de José Gomes André e o Valor das Ideias, de Carlos Santos.
Actualmente, e passado mais de um ano da histórica eleição de Barack Obama, o interesse de alguns portugueses pela política dos Estados Unidos parece não ter esmorecido. Nuno Gouveia e José Gomes André uniram esforços e fundaram um espaço comum, o Era uma vez na América, um local que acompanho fielmente e que admiro pela constante actualização e qualidade da análise. Por outro lado, existe o constante e completo Casa Branca 2008, de Germano Almeida, cuja visita se tornou obrigatória pela diversidade dos temas tratados e pelos conteúdos multimédia, cujo acesso proporciona aos seus visitantes.
Claro que esta é uma análise pessoal das minhas preferências e corro o risco de não conhecer outros locais de interesse sobre esta temática na internet. Se os há, espero vir a conhecê-los, da mesma forma que desejo que esta Máquina Política também se torne uma referência para o leque de entusiastas do universo político do outro lado do Atlântico.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A polarização dos media americanos

A Public Policy Polling, uma empresa de sondagens americana, lançou, ontem, um estudo curioso, sobre o nível de confiança dos norte-americanos em relação às cadeias televisivas de informação dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, ficou a Fox, seguida da CNN, da NBC, da CBS e, por último, da ABC. Vendo os dados da sondagem, retiram-se algumas conclusões importantes:
Os americanos desconfiam, cada vez mais, das cadeias noticiosas. Na pergunta, "confia na cadeia x?", apenas a Fox conseguiu um resultado positivo, com 49% dos participantes a dizerem que sim e 37% a responderem que não. Todas os restantes canais de notícias tiveram valores negativos, com mais pessoas a não confiarem do que aquelas que afirmaram ter confiança na cadeia em questão.

Verifica-se uma acentuada divisão partidária nestas respostas. Veja-se, por exemplo, o caso da Fox, uma cadeia televisiva nitidamente pró-conservador, em quem 74% dos republicanos nesta amostra afirmaram confiar, enquanto apenas 30% dos democratas disseram o mesmo.

De facto, e ao contrário do que é comum em Portugal e na Europa, existe uma nítida partidarização e parcialidade na informação americana. Não é exclusivo da televisão, mas verifica-se com mais intensidade neste meio de comunicação social. Assim, a Fox News é tendencialmente conservadora, em contraste com a MSNBC, que é conotada como liberal. Por outro lado, a CNN, que afirma fazer jornalismo de middle of the road, ou seja, centrista e independente, tem vindo a perder quota de mercado e assiste a uma contínua descida nas audiências.

Parece, então, que os americanos estão cada vez mais polarizados e, cada vez mais, preferem informar-se junto de órgãos de comunicação social que estejam mais próximos da sua própria ideologia, em vez de procurarem os mais independentes. Isto pode ser um mau sinal para a sociedade americana que parece cada vez mais dividida entre Esquerda e Direita, entre liberais e conservadores, entre Democratas e Republicanos.