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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ano horribilis de Obama

Há pouco mais de um ano, quando Barack Obama foi reeleito para a Casa Branca com um resultado relativamente folgado e de uma forma bem mais fácil do que se julgava antes da noite eleitoral, o Presidente dos Estados Unidos parecia estar em velocidade de cruzeiro rumo a um mandato tranquilo e rico em vitórias legislativas.
Contudo, hoje, tudo é diferente e Obama vive um dos seus piores momentos desde que, em 20 de Janeiro de 2009, chegou à Sala Oval. Curiosamente, esse mau momento tem origem naquela que foi, até à data, a sua maior conquista enquanto Presidente. A polémica reforma da saúde norte-americana, que marcou o primeiro mandato de Obama, começa agora a ser implementada, mas com notórios e importantes sobressaltos que minam a imagem do Presidente e da Administração que fizeram da reforma mais conhecida como Obamacare a sua grande bandeira política.
Em primeiro lugar, foram os problemas com o site onde os cidadãos se deveriam inscrever para conseguir os novos seguros de saúde ao abrigo do Obamacare. Informação errónea e contraditória, incapacidade para responder à elevada procura e candidaturas realizadas de forma indevida foram algumas das acusações que foram feitas ao healthcare.gov. A onda de protestos foi de tal ordem que chegou a estar em causa o cargo de Katheleen Sebelius, a Secretária da Saúde e dos Serviços Humanos da Administração Obama. 
Depois, as críticas subiram de tom com a revelação de que alguns norte-americanos não estavam a conseguir manter o seu seguro de saúde, ao contrário da anterior promessa de Obama que havia garantido que qualquer cidadão que gostasse do seu seguro o poderia manter quando aderisse ao Obamacare. Com o momentum negativo a avolumar-se, o Presidente foi obrigado a vir a público para pedir desculpa aos norte-americanos pela verdadeira trapalhada que representou o início da implementação da reforma e prometeu empenhar-se ao máximo para resolver os problemas detectados.
Todavia, o mal estava feito e a reforma da saúde, já polémica e polarizadora, viu a sua imagem ficar ainda mais denegrida aos olhos da opinião pública. Consequentemente, também Obama sentiu na pele os efeitos desta crise e os seus números desceram a pique nas sondagens. Segundo a Gallup, 53% dos norte-americanos desaprovam o trabalho do Presidente, contra os apenas 41% que têm uma opinião favorável. Ora, estes números são, imagine-se, semlhantes aos de George W. Bush na mesma altura do seu mandato.
Obama está, portanto, em muitos maus lençóis e esta crise ameaça paralizar seriamente a Casa Branca e compromete a capacidade política do Presidente. Obviamente, é ainda muito cedo para afirmarmos que o segundo mandato de Barack Obama está comprometido e é ainda mais prematuro caracterizarmos a sua presidência como falhada. Contudo, o 44º Presidente norte-americano precisa urgentemente de reagir e inverter a situação, porque, com os ciclos políticos e eleitorais a serem cada vez mais curtos, o rótulo de lame duck ameaça colar-se a Obama de forma irreversível.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A maldição do segundo mandato

É já praticamente uma tradição nos Estados Unidos que os Presidentes sejam assolados, durante o seu segundo mandato, por uma série de escândalos ou problemas que prejudicam a sua imagem e a sua capacidade de governar. Por isso, há quem diga que existe uma maldição que assombra todos os Chefes de Estado norte-americanos que são eleitos para novos quatro anos à frente dos destinos da nação.
E, de facto, os segundos mandatos estão repletos de escândalos presidenciais. Nas últimas décadas assistimos ao Watergate de Nixon, ao Irão-Contra de Reagan, o Monicagate de Clinton ou o Katrina de Bush. Agora, parece que também Barack Obama não escapará a esta maldição e uma série de escândalos para a sua presidência vão surgindo quase que simultaneamente.
Neste momento, o principal problema para Obama prende-se com a revelação que o IRS (Internal Revenue Service), o serviço que gere o pagamento de impostos nos Estados Unidos, atrasou a atribuição de isenção de impostos a grupos conservadores (na sua maioria ligados ao Tea Party). Ora, este comportamento por parte de uma entidade que deve ser neutra e imparcial gerou, justificadamente, muitos protestos por parte da Direita norte-americana. Em resposta ao escândalo, Obama demitiu o responsável do IRS, tentando, dessa forma, acalmar as criticas que eram dirigidas à sua administração.
Contudo, os problemas para a Casa Branca não ficam por aqui. Além do escândalo IRS ainda não estar totalmente sanado e continuar a dominar as atenções mediáticas, outros assuntos vieram prejudicar a imagem do Presidente. Nomeadamente, a descoberta de uma lista de jornalistas da Associated Press cujos telefones terão estado sob escuta do Departamento de Justiça de forma a impedir alegadas fugas de informação sobre temas de segurança nacional levantou, também, críticas à Administração Obama, acusada de contornar a liberdade de impresa. Além disso, a forma como a Casa Branca e o Departamento de Estado lidaram com o ataque à embaixada norte-americana em Benghazi continua a ser alvo de polémica, com os republicanos a insistirem neste tema de forma a tentarem prejudicar politicamente Hillary Clinton, Secretária de Estado aquando do atentado e grande candidata a conquistar a presidência em 2016.
Com todos estes problemas, fica muito complicada a vida de Barack Obama, que tencionava fazer avançar no início deste seu segundo mandato uma imponente agenda legislativa, com destaque para a reforma da imigração. Ciente de que está limitado no tempo e na influência (a parte final de uma presidência é apelidada de lame duck presidency), Obama tem agora de fazer um pressing final para ultrapassar esta fase menos positiva e ser capaz de alcançar metas importantes até 2017. Para isso, também precisa que a maldição do segundo mandato não o volte a assombrar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Jon Favreau goes to Hollywood

Com a entrada de um Presidente num novo mandato na Casa Branca é normal que ocorram algumas alterações no staff presidencial, com a saída de colaboradores cansados ou cujo ciclo terminou e com a chegada caras novas para ajudarem o Commander-in-Chief em mais quatro anos à frente dos destinos dos Estados Unidos. Entre as saídas, conta-se o nome de Jon Favreau, o principal speechwriter de Barack Obama, que colaborava com o actual Presidente desde 2005.
Favreau, que foi um dos mais novos escritores de discursos presidenciais de sempre (chegou à Casa Branca com 27 anos, estabeleceu uma funcional e proveitosa relação com Obama, que chegou a afirmar que Favreau era capas de ler a sua mente. Com uma ascensão meteórica no seio da política, o jovem oriundo do Massachusetts prepara-se agora para enfrentar um novo desafio, o da sétima arte. Após deixar, no início deste mês, a Casa Branca, Favreau irá mudar-se de malas e bagagens para Hollywood, onde o seu currículo lhe deve abrir muitas portas, nomeadamente no que diz respeito à escrita de argumentos para filmes. Aliás, há mesmo quem diga que Jon Favreau tem já um guião na calha.
Não se sabe ainda qual o género cinematográfico da eleição do antigo speechwriter de Obama, mas, com o seu background, não seria de admirar que estivessemos na presença do futuro argumentista de uma série como The West Wing ou de um filme como Nos Idos de Março. E se a escolha de Favreau recaísse mesmo sobre o grande ecrã, seria curioso uma parceria com o seu homónimo de Hollywood, o realizador Jon Favreau. Juntos, poderiam formar uma dupla de sucesso.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A América e a Casa Branca criam emprego

As primárias presidenciais do Partido Republicano têm dominado as atenções nas últimas semanas. Contudo, nem só de eleições é feito o quotidiano político dos Estados Unidos da América. Até porque, dada a situação económica mundial, a economia é uma preocupação bem mais premente para os norte-americanos do que propriamente a discussão eleitoral em curso. 
Na semana passada, surgiram boas notícias relativamente à criação de emprego nos Estados Unidos, com a taxa de desemprego a baixar para 8.5%, o valor mais baixo desde 2009 e já distante dos 9,4% dos números de Janeiro de 2011. Estes dados parecem indicar que a economia norte-americana está a recuperar, ainda que lentamente, o que pode ser uma preciosa ajuda para a campanha de reeleição de Obama, em 2012. A taxa de desemprego está já perto da fasquia dos 8%, apontada por muitos analistas como valor máximo que o desemprego poderá atingir de forma a permitir a reeleição de um Presidente. Contudo, existem ainda mais 1,4 milhões de americanos sem emprego do que na tomada de posse de Obama, o que poderá assombrar a sua campanha eleitoral.
Mas se a administração Obama é acusada de não criar emprego em níveis suficientes, a verdade é que pelo menos num caso isso não corresponde à verdade. De facto, o cargo de chief of staff de Obama está novamente livre, depois de Bill Daley ter, na semana passada, apresentado a demissão ao Presidente norte-americano. A sua saída não é uma surpresa, já que apesar das expectativas criadas em torna da sua escolha, Daley pareceu não se ter conseguido adaptar ao cargo e, recentemente, viu o seu portfolio de tarefas e responsabilidades reduzido. Apesar de se tratar uma posição de desgaste rápido, não deixa de ser relevante que Obama vá já para o seu quarto chefe de gabinete (a tradução para português não transmite a verdadeira importância do cargo nos EUA), depois de Rahm Emanuel, Pete Rouse (ainda que de forma interina) e Daley. Será interessante descobrir quem Obama escolherá para liderar a sua Casa Branca durante 2012, com a certeza que o eleito terá responsabilidades acrescidas durante o presente ano, já que com Barack Obama em campanha eleitoral, o seu chief of staff tornar-se-á, em alguma medida, o Presidente interino dos Estados Unidos.

terça-feira, 29 de março de 2011

No interior da Casa Branca

O National Journal presenteou-nos com mais uma preciosidade. Agora, através deste fabuloso mapa interactivo, oferece-nos uma visita guiada ao interior da Casa Branca de Barack Obama, vendo quem é quem e onde está. A não perder!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Shake up no staff presidencial

Bill Daley é o novo COS de Obama
Barack Obama continua a reagir à pesada derrota eleitoral que o seu partido sofreu nas eleições intercalares de Novembro passado. Depois de procurar e conseguir acordos bipartidários, como nos casos dos cortes fiscais ou da ratificação do tratado START, o presidente americano procede agora a significativas mudanças na constituição do seu staff.
Robert Gibbs, o Press Secretary de Obama, anunciou esta semana que irá abandonar essa posição, passando a ser um conselheiro externo do Presidente, ao mesmo tempo que se juntará a David Axelrod (também de saída da Casa Branca) na preparação da campanha de reeleição de Obama. Em sentido contrário está David Plouffe, director da campanha vitoriosa de Obama em 2008, que passará a integrar a equipa presidencial.
Foi também anunciado, ontem, que o substituto definitivo do controverso Rahm Emanuel, que deixou o cargo de  Chief of Staff da Casa Branca para concorrer ao posto de Mayor de Chicago, será Bill Daley, antigo Secretário do Comércio na administração Clinton e, como Emanuel e o próprio Obama, proveniente de Chicago. Aliás, Daley pertence à mais importante dinastia política da maior cidade do Estado do Illinois: é filho do histórico Mayor Richard J. Daley e irmão do actual ocupante da City Hall da Windy City, Richard M. Daley.
A nomeação de Bill Daley, que durante vários anos fez parte da administração do JP Morgan, o maior banco norte-americano, para a chefia do staff presidencial tem gerado reacções contraditórias. Os grupos de Esquerda, como a MoveOn, criticaram a escolha de uma figura com estreitas ligações com a banca e o big business, o que, dizem, envia a mensagem errada aos cidadãos americanos. Por outro lado, o sector financeiro aplaude a decisão de Obama, com a Chamber of Commerce a afirmar que Daley é uma forte escolha, que trará uma extraordinária experiência para o governo. Na verdade, a opção de Obama pelo experiente homem de Chicago representa uma espécie de bandeira branca agitada pelo Presidente dos Estados Unidos ao sector dos negócios, com quem manteve uma conflituosa relação durante a primeira metade do seu mandato.
Estas mudanças no staff da Casa Branca deixam antever, desde já, que os próximos dois anos de Obama na Sala Oval vão ser bem diferentes dos dois primeiros. A partir de agora, o foco da equipa do Presidente passará a estar na melhoria da imagem do Chefe de Estado, com uma maior abertura ao exterior e ao país, deixando as grandes empreitadas legislativas, que implicam delicadas manobras no Capitólio, para segundo plano. Barack Obama parece estar a seguir à risca o guião utilizado por Bill Clinton que, depois da derrota democrata de 1994 (semelhante à sofrida por Obama, em 2010) se deslocou para o centro do espectro político americano. Com essa estratégia (e com a ajuda de uma economia pojante), Clinton obteve facilmente a reeleição. Veremos se desta vez a história se repete.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nova baixa na equipa de Obama

James Jones, Barack Obama and Tom Donilon speak outside the White House.
Obama anuncia a saída de Jim Jones e a sua substituição por Tom Donilon
A administração de Barack Obama sofreu, hoje, uma nova baixa, com a saída do National Security Adviser, o General Jim Jones. No seu lugar ficará Tom Donilon, uma figura muito próxima do vice-presidente Joe Biden, mas que, segundo consta, mantinha uma relação tensa com o seu antecessor.
Nos últimos tempos, Obama já tinha assistido à partida de membros da sua equipa política e económica, com destaque para o seu chief of staff, Rahm Emanuel, e para o seu principal conselheiro económico, Larry Summers. Contudo, ainda não tinha havido mexidas no seu Conselho de Segurança Nacional. Agora, após a saída do General Jones, podem dar-se novas alterações. A mais previsível é a retirada do Secretário da Defesa, Robert Gates, que está à frente do Pentágono desde 2006, quando ainda era George W. Bush o presidente, e que deverá, também, abandonar a administração.
Apesar de Jim Jones e Barack Obama terem feito questão de afirmar que a saída de Jones é normal e estava há muito agendada, a verdade é que mais esta "deserção" de um dos principais conselheiros presidenciais vem transmitir a ideia de algum pânico no seio da administração. Por outro lado, estas alterações no Executivo podem ser utilizadas por Obama para demonstrar ao povo americano que está ciente da sua insatisfação e que está disposto a agir e a mudar de rumo para corresponder às altas expectativas que a sua presidência criou.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sai Emanuel, entra Rouse

Como esperado, Rahm Emanuel, o actual Chief of Staff da Casa Branca, abandonará Washington para concorrer ao cargo de Mayor de Chicago. Amanhã, o Presidente Barack Obama comunicará oficialmente, num anúncio a partir da East Room da Casa Branca, a saída de Emanuel e a sua substituição por Pete Rouse, o que também não representa qualquer surpresa.
Pete Rouse ganhou notoriedade como chief of staff de Tom Daschle, na altura líder da maioria democrata no Senado. Contudo, em 2004, com a derrota eleitoral de Daschle, Rouse foi contactado para ser o chefe de gabinete do recém eleito senador Barack Obama, o que concedeu ao político em ascensão uma maior credibilidade entre os seus colegas mais experientes. Quando Obama considerou uma candidatura presidencial, foi Pete Rouse que redigiu um memorandum com os prós e contras de uma eventual corrida à Casa Branca. Depois de ter estado envolvido na vitoriosa campanha de 2008, Rouse foi um dos responsáveis pela equipa de transição da nova administração. Já na Casa Branca,  foi um dos três colaboradores presidenciais (os outros foram David Axelrod e Valerrie Jarret) a receber o título de Senior Adviser to the President
Agora, Pete Rouse, como Chief of Staff da Casa Branca, assume um dos cargos mais importantes e influentes na política americana - há quem o considere o segundo mais poderoso dos Estados Unidos - mas tem também, muito provavelmente, o emprego mais difícil de Washington. O que ainda não se sabe é se Rouse é uma escolha definitiva, ou se é apenas temporária, estando Obama a aguardar pelos resultados das eleições intercalares de Novembro para, depois disso, e já na posse dos resultados, avançar para um novo chief of staff.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mudanças na Casa Branca


Larry Summers, o principal conselheiro económico de Barack Obama anunciou, este mês, que irá abandonar esse cargo para regressar ao ensino, na Universidade de Harvard. A saída de Summers, apesar das razões invocadas, terá muito a ver com a tímida recuperação económica do país e com a demora da administração Obama em conseguir baixar os números do desemprego. O Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, continua, até ao momento, em funções, mas tem-se especulado que pode ser a próxima baixa da equipa económica de Obama, especialmente se os resultados das eleições intercalares forem muito negativos para os democratas.
Nos últimos dias, também  se tem falado com insistência acerca de eventuais saídas e de mudanças de funções no staff da Ala Oeste, o pessoal que trabalha directamente com o Presidente e implementa a sua agenda política. Entre estes elementos, a principal questão prende-se com a substituição do Chief of Staff de Obama, já que é quase certo que Rahm Emanuel, o actual detentor do cargo, deixará a Casa Branca para concorrer ao lugar de Mayor de Chicago. Entre os principais nomes que têm sido apontados para lhe suceder encontram-se Ron Klain, Chief of Staff de Joe Biden, Valerrie Jarret, conselheira e uma das mais próximas amigas de Obama, ou Pete Rouse, um discreto mas experiente assessor do presidente. Qualquer uma destas escolhas representaria uma certa noção de continuidade, visto que já todos fazem parte do staff presidencial. Se, por outro lado, Obama optar por ir buscar alguém "de fora", isso poderá significar que pretende "abanar" um pouco as coisas na Casa Branca.
Perto de concluir a primeira metade do seu mandato, Barack Obama tem, também, de começar a preocupar-se com a sua campanha de reeleição. Nesse sentido, será expectável que David Axelrod, o seu principal conselheiro e o grande mentor da sua candidatura presidencial em 2008, abandone a Casa Branca e volte para Chicago, para aí começar a preparar a campanha de Obama para 2012. No sentido inverso poderá estar David Plouffe, director da campanha de 2008, que, segundo o próprio Axelrod, deverá passar a fazer parte do núcleo duro de conselheiros de Obama na Casa Branca. Todavia, estas e outras possíveis mudanças no staff presidencial, à excepção da saída de Rahm Emanuel, deverão ter de esperar pelas midterms, porque só depois de conhecidos os resultados eleitorais poderá Barack Obama ter uma melhor noção do que terá de enfrentar na segunda metade do seu mandato e que "ferramentas" necessitará de ter ao seu dispor.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rahm Emanuel de saída?

Hoje, o mayor de Chicago, Richard Daley, anunciou que não concorrerá a um novo mandato nas próximas eleições, em Fevereiro de 2011. Esta notícia, mesmo estando relacionada com uma das maiores cidades americanas, teria pouco impacto mediático ou relevância nacional não fossem as consequências, a nível da Casa Branca, que podem resultar desta decisão de Daley.
Isto porque Rahm Emanuel, Chief-of-Staff da Casa Branca de Obama, nunca escondeu o seu desejo de um dia vir a chefiar os destinos da windy city. Agora, com Daley fora de cena, Emanuel tem o caminho aberto para concorrer e, apesar de faltarem apenas cerca de seis meses para as eleições é bem possível que o antigo congressista pelo Illinois tente a sua sorte na luta pela City Hall de Chicago.
Por outro lado, a saída do chief-of-staff (um dos mais proeminentes membros das administrações nos Estados Unidos) poderia ser uma forma de Barack Obama responder ao clima de insatisfação relativamente à sua governação entre os americanos e à previsível grande derrota eleitoral em Novembro deste ano, fazendo rolar algumas cabeças, mostrando que está disposto a "abanar" as coisas, de modo a reaproximar-se do rumo desejado pelos cidadãos. Além disso, Emanuel não é tão próximo de Obama como outros nomes do staff presidencial (David Axelrod ou Valerie Jarret, por exemplo) e, durante a sua estadia na Casa Branca, já fez surgir algumas polémicas.
Rahm, famoso pelo seu feitio complicado, foi contratado num cenário em que os democratas mantinham confortáveis maiorias no Congresso e parecia a pessoa indicada para manter os democratas na linha. Contudo, actualmente, perspectiva-se um panorama totalmente diferente para a segunda metade do mandato de Obama e Emanuel, com grandes anticorpos entre os congressistas republicanos, teria mais dificuldades para trabalhar numa situação em que o compromisso e o diálogo com o GOP seja uma condição necessária para a governação. Assim, colocar uma cara nova (e com quem os republicanos se sintam mais à vontade para se relacionarem) como Chief-of-Staff parece ser uma boa aposta para Obama.
Por fim, a retirada de Rahm Emanuel não causaria uma grande surpresa em Washington já, que é sobejamente conhecida a grande exigência e desgaste do cargo de Chief-of-Staff, o que faz com que quem desempenha esta função não o faça, por norma, por mais que dois anos. Por tudo isto,  parece-me que Barack Obama e Rahm Emanuel teriam aqui uma saída airosa para ambas as partes.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O ambiente na ordem do dia

Na passada Terça-feira, na véspera da primeira reunião com a direcção da BP, Obama proferiu um discurso, transmitido pela televisão para todos os americanos. O discurso, realizado a partir da Sala Oval, com toda a solenidade e importância que o gabinete oficial do Presidente americano confere, partiu do desastre ambiental no Golfo do México para salientar a importância de uma mudança de comportamentos na sociedade americana em relação à utilização das energias fósseis e para sublinhar a necessidade da criação de uma nova lei energética que o Congresso americano tarda em aprovar.

O objectivo desta comunicação presidencial seria o de aproveitar a excelente capacidade comunicativa de Barack Obama para motivar os americanos a apoiarem a busca por energias alternativas e a exigirem a redução da emissão de gases nefastos à atmosfera terrestre. Numa altura em que as costas americanas são assoladas pela mancha de crude, as questões ambientais estão, mais do que nunca, na ordem do dia. Porém, o discurso de Obama tem sido criticado por todos os analistas, desde os mais liberais até aos mais conservadores, em particular pelo contéudo vago e pouco específico da sua mensagem aos americanos. Apesar das críticas, a verdade é que a nova lei ambiental, que Obama e os democratas perseguem, pode receber um importante empurrão depois do desastre do Deepwater Horizon, apesar de o cenário não parecer muito favorável para os apoiantes desta legislação, pois o acordo por uma reforma bipartidária patrocinada pelo democrata John Kerry, pelo independente Joe Lieberman e pelo republicano Lindsay Graham, continua muito distante de ser alcançado.

A questão ambiental é mais uma entre muitas matérias fracturantes nos Estados Unidos. Enquanto os democratas defendem a necessidade de se encontrarem alternativas às fontes energéticas convencionais, a maioria dos republicanos entende que a melhor solução é a aposta na exploração petrolífera, tanto em terra como no mar, posição que ainda ontem foi novamente defendida por Sarah Palin. É preciso ainda ter em conta que, nas terras do Tio Sam, este assunto é visto também como uma matéria de segurança nacional, visto que a dependência energética americana de uma região tão instável como a do Médio Oriente, pode, no futuro, trazer consequências diplomáticas e militares.

Ao contrário do que acontece na Europa, na América o tema não é consensual. Apesar do que sucedeu no Golfo do México, uma maioria dos americanos continua a favorecer a exploração petrolífera marítima. Além disso, a percentagem de pessoas que não acreditam no fenómeno do aquecimento global é bastante considerável. Agora que o tema ambiental promete dominar os próximos debates políticos na América, iremos ver se esta discussão irá ter consequências na posição dos norte-americanos em relação ao ambiente. Afinal, como os EUA são o segundo maior emissor de CO2 do mundo, este assunto interessa-nos a todos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A reforma forçada de Helen Thomas

A questão israelita está na ordem do dia em todo o mundo e nos Estados Unidos já há, inclusive, uma baixa decorrente de todo o aparato que o tema tem merecido, na sequência do ataque de Israel ao navio turco que se dirigia para Gaza. Depois de ter prestado declarações polémicas sobre Israel, a jornalista Helen Thomas demitiu-se da Hearst Newspapers e passou à reforma.
Helen Thomas, a poucos meses de celebrar o seu 90º aniversário, é uma das grandes figuras do jornalismo americano e era há 50 anos correspondente na Casa Branca, cobrindo todos os presidentes americanos desde John Kennedy. A mais veterana de todos os correspondentes da Casa Branca, era conhecida como uma repórter "dura" para os presidentes e os press secretaries, mas gozava de um grande respeito entre os seus colegas e entre o staff presidencial.

Contudo, a sua prestigiada e longa carreira terminou abruptamente, após ter prestado declarações que caíram muito mal no meio político americano. A 27 de Maio, à saída de um evento judaico da Casa Branca, Helen Thomas, quando questionada sobre Israel, respondeu, como se pode ver e ouvir aqui, que os israelitas deviam sair da Palestina e regressar às suas casas, na Polónia e na Alemanha. Estes comentários, apesar de rapidamente retractados pela própria, foram duramente criticados por todos os quadrantes, inclusive pela Casa Branca, e levaram à demissão da histórica jornalista que, assim, passa à reforma e termina da pior maneira a sua notável carreira jornalística, durante a qual conheceu e escreveu sobre os últimos dez presidentes dos Estados Unidos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Depois de Sestak, Romanoff

Veio a lume uma nova polémica que envolve a Casa Branca e um candidato democrata ao Senado, num cenário com moldes muito semelhantes ao que sucedeu com Sestak. Trata-se de mais um caso em que a administração Obama tentou seduzir um candidato que desafiava um sitting senator democrata nas primárias do partido. Desta vez, o envolvido é Andrew Romanoff que concorre contra Michal Bennet, actual senador pelo Colorado. Romanoff divulgou ontem um e-mail, datado de Setembro de 2009, que lhe foi enviado por Joe Messina, um proeminente membro do staff de Obama, onde este lhe falava em três possíveis cargos na administração em troca da sua desistência da intenção de se candidatar contra Bennet. Entretanto, a Casa Branca, na figura do press secretary, Robert Gibbs, já confirmou este contacto, afirmando que Messina tentou evitar uma disputa entre dois apoiantes de Obama.

É natural que a liderança democrata queira garantir que, em Novembro, o seu partido apresente os candidatos mais fortes e com mais possibilidades de derrotarem os republicanos. Além disso, este tipo de casos não é novidade nem é exclusivo do Partido Democrata. O problema para Obama e para os democratas é que o acumular deste género de polémicas marca uma narrativa tremendamente negativa e contrária à grande mensagem da campanha presidencial de 2008: a mudança e a ruptura com a politics as usual de Washignton. Ainda para mais, a mesmo estrutura de apoio a Obama, que nas campanhas vitoriosas contra McCain e Hillary provaram a sua extraordinária competência, parecem, agora, na Casa Branca, incapazes de controlar este tipo de situações. Obama necessita, e com urgência, de, como dizem os americanos, get it together.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Obama e os media

Acossado pelos seus opositores que criticam a sua reacção ao desastre ambiental provocado pelo derrame da plataforma petrolífera no Golfo do México, Barack Obama voltou a dar uma conferência de imprensa, algo que não fazia há meses. Talvez não seja coincidência o facto de esse seu último encontro com os jornalistas na Casa Branca não ter corrido muito bem: foi nessa ocasião que afirmou que a polícia tinha "agido estupidamente" ao prender um professor universitário negro, quando este forçava a entrada na sua própria casa.
Após tanto tempo sem uma conferência de imprensa, é possível fazer uma breve análise sobre a relação de Obama com os media, que, hoje em dia, não parece ser a melhor. E este é um fenómeno que não era expectável, tendo em conta o historial de Obama com a comunicação social, particularmente durante a campanha presidencial. Nessa época, o, na altura, senador do Illinois era até visto como sendo muito próximo dos jornalistas que viajavam com ele e era acusado pela sua opositora nas primárias, Hillary Clinton, e, mais tarde, por John McCain, como estando a ser levado ao colo pelos media.

Porém, ao que parece, a mudança para o nº 1600 da Pennsylvania Avenue não fez bem às relações de Obama com a comunicação social. Os jornalistas que cobrem a Casa Branca têm-se queixado frequentemente do pouco acesso que têm ao presidente, talvez até menos do que em relação aos seus antecessores, o que se torna algo frustrante, dado que Obama, durante a campanha, prometeu uma presidência aberta aos cidadãos. E, de facto, no início da sua presidência, ainda a viver o período de "lua-de-mel" com os americanos, Obama foi um presidente muito comunicativo e quase sempre disponível a prestar declarações ou a falar em público. Porém, quando os seus índices de popularidade começaram a descer e os problemas com a reforma da saúde se acentuaram, o seu modus operandis alterou-se.

Parece-me a mim que a política de comunicação da Casa Branca pecou primeiro por excesso e, depois, por defeito, já que Obama e os seus assessores nunca conseguiram acertar na medida certa a nível de comunicação externa. Um presidente americano não deve falar de menos, já que corre o risco de dar a entender não estar em contacto com a realidade e com os problemas do país, nem deve falar de mais, visto que é uma verdadeira "pistola humana", com cada declaração sua a ter grandes repercussões.

Agora, o presidente americano parece querer recuperar o controlo e demonstrar que está ao leme do país. Esta crise ambiental pode mesmo ser um importante desafio para a sua presidência e Obama sabe que tem de controlar os danos já existentes (os ambientais e os da sua imagem) e que, para isso, a sua capacidade comunicativa e a sua relação com os media vão ser factores fundamentais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Michelle, uma Primeira Dama popular

Não só do presidente vive a Casa Branca. Uma figura sempre importante e cuja vida e actividade os americanos seguem com muita atenção é a Primeira Dama. Ao longo dos anos, as funções da mulher do presidente basearam-se nas questões de protocolo de outros assuntos mais triviais e mais conotados com o papel tradicional da mulher de dona de casa, como a alimentação ou a decoração.
Mas, à medida que essa visão das mulheres se foi alterando, o mesmo aconteceu com as funções da Primeira Dama. Agora, é comum terem um campo de acção bem mais alargado, com uma voz e uma participação activa na política da Casa Branca.
A actual Primeira Dama, Michelle Obama, não é uma Hillary Clinton, que muitos afirmavam ser, durante os oito anos de Bill Clinton na Sala Oval,uma verdadeira vice-presidente. Michelle não tem o portfolio e as atribuições políticas da actual Secretária de Estado, mas isso também a ajuda a não polarizar a opinião pública, o que aconteceu com Hillary. Michelle preferiu escolher um tema principal para as suas actividades - a obesidade infantil - que não afronta ninguém (talvez apenas os donos de cadeias de "fast-food") e tem conseguido criar uma excelente imagem junto do público. Os media adoram-na e o povo americano já se rendeu ao seu charme. Basta ver os seus índices de popularidade, que andam à volta dos 70%.
Contudo, nem sempre foi assim. Durante a campanha presidencial de 2008, Michelle chegou a ser vista como uma "lyability" para Obama. A sua afirmação que ver o seu marido concorrer à presidência fazia com que, pela primeira vez, tivesse orgulho no seu país, caiu especialmente mal. Mas, dessa altura até à actualidade, Michelle Obama deu a volta por cima e a situação é, agora, totalmente diferente. Com a popularidade que usufrui junto do eleitorado, Michelle será, certamente, muito requisitada pelos democratas em campanha para as eleições de Novembro. Porventura, mais ainda que o seu marido...

terça-feira, 2 de março de 2010

Rahm Emanuel debaixo de fogo

Uma figura que para os menos atentos pode passar praticamente despercebida, mas que é, sem dúvida alguma, uma das personagens principais da política americana é Rahm Emanuel, o Chief of Staff da Casa Branca. Esta posição é traduzida para português como chefe de gabinete, mas acarreta um peso, importância e responsabilidade muito maiores do outro lado do Atlântico do que por cá. O Chief of Staff é membro do Cabinet do Presidente e, dependendo do portfolio que lhe é atribuído, pode ser uma espécie de co-presidente ou mesmo de primeiro-ministro.
A seu cargo estão diversas tarefas, como controlar o acesso ao presidente, escolher e estruturar a equipa de apoio ao chefe de Estado e pôr em prática a sua agenda política, nomeadamente a de teor legislativo. Como se trata de um trabalho extremamente cansativo e desgastante, o mais comum é haver mais que um Chief of Staff em cada mandato presidencial.

Rahm Emanuel está com Obama desde o início do mandato deste, mas é bem possível que não consiga chegar até 2012 na Ala Oeste da Casa Branca. Isto porque o seu trabalho à frente dos destinos da Administração tem sido alvo de vários ataques, tanto à Esquerda como à Direita. Enquanto os conservadores o acusam de ser um dos principais responsáveis pela forma partidária como Obama tem assumido o leme da nação americana, os liberais vêm-nos como o culpado pela alegada falta de ambição e determinação do presidente em seguir o caminho anunciado durante a campanha.

Agora, após algumas peças jornalísticas que elogiam Rahm Emanuel e afirmam ser ele a voz moderada e realista na Casa Branca (ao contrário de outros homens do presidente como Axelrod e Gibbs), surgem suspeitas que tenha sido o próprio a falar com a imprensa e a fazer um auto louvor ao seu trabalho. Contudo, Emanuel sempre foi próximo dos jornalistas, o que poderá explicar algum do crédito que possui junto deles. Além disso, Rahm Emanuel - veterano da Administração Clinton, ex-congressista e chairman do DCCC - é um político experiente e não o vejo a fazer uma acção de auto-promoção que lhe poderia sair, muito facilmente, pela culatra.

O que é certo é que o homem forte de Obama necessita de melhorar a sua imagem pública, pois só assim poderá conseguirá servir, mais efectivamente, o Presidente dos Estados Unidos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

David Plouffe na Casa Branca

Os homens do presidente estão de novo todos reunidos. DavidPlouffe junta-se aos seus amigos David Axelrod e Robert Gibbs que, juntamente consigo, foram os principais responsáveis pela eleição de Obama.
Plouffe, que tinha sido o director da campanha presidencial de Obama, aceitou o convite deste para ingressar na equipa da Casa Branca. Plouffe será conselheiro do Presidente e, como excelente estratega que é, terá a seu cargo funções relacionadas com as eleições intercalares de Novembro. Isto demonstra o wake up call que representou a derrota no Massachusetts e a necessidade da administração em mudar de rumo e de abordagem.

Após a campanha de 2008, Plouffe tinha optado por não seguir Obama para a Casa Branca já que, segundo afirmou na altura, tinha sido pai recentemente e a sua família já havia sofrido o suficiente com a sua ausência durante os quase dois anos em que andou no trilho da campanha.

Porém, Plouffe não esteve parado. Além de ter estado envolvido no Organizing for America - uma organização que visava dar continuidade à excelente estrutura montada pela campanha de Obama -, dedicou-se à escrita de um livro sobre a própria campanha. Esta obra, intitulada The Audacity to Win, foi lançada em Novembro do ano passado e teve uma excelente adesão por parte dos leitores americanos. Eu, que já li o livro, considero que este devia ser de leitura obrigatória em qualquer cadeira de Marketing ou Comunicação Política. Nesta publicação, Plouffe esmiuça alguns dos segredos para a histórica vitória de Obama, como a aposta nos caucuses ou a campanha de proximidade e baseada nos voluntários e nos chamados grassroots supporters. A leitura é agradável e cativante. Aconselho vivamente.