segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tragédia em Denver

O trágico "massacre de Denver" foi ainda na semana passada, mas o acto de loucura de um indivíduo que desatou a disparar na estreia de um filme da saga Batman continua a dominar o ciclo noticioso nos Estados Unidos. Como se sabe, nestas ocasiões, é normal que os índices de popularidade do Presidente em exercício subam ligeiramente, fruto do sentimento de luto e união popular que se costuma gerar após dramas de cariz nacional. Contudo, esse pequeno bump, a existir, será certamente de curta duração e, após estes dias em que as emoções estão ainda mais "à flor da pele", os números voltarão ao normal.
Nos Estados Unidos, é relativamente comum, quando sucede um acontecimento deste género, marcado por um grande número de mortes causadas por armas de fogo, se reaviva o debate em torno da 2ª emenda e das leis que tornam bastante fácil, na grande maioria dos Estados norte-americanos, o acesso a armas de foto. Desta vez, porém, e à imagem do que aconteceu após o massacre de Tucson, pouco se tem falado desta questão e poucos são os políticos que tentam levantar mais alto a bandeira do controlo de armas de fogo. Isto porque esta questão cada vez divide menos os cidadãos norte-americanos, que são, actualmente, esmagadoramente a favor da posse de armas de defesa pessoal e, consequentemente, diminuem os políticos que defendem a causa do controlo de armas de fogo.
Assim sendo, sem grandes implicações na campanha eleitoral e à falta de grandes iniciativas políticas que visem combater a ocorrência deste flagelo que é o homicídio em massa com recurso a armas de fogo, as declarações dos candidatos presidenciais sobre esta tragédia são os elementos políticos mais concretos a que podemos fazer referência. Elas aqui ficam:

quinta-feira, 19 de julho de 2012

New Mexico em jogo?

À medida que se aproximam as eleições presidenciais (serão a 6 de Novembro), convém ir prestando uma atenção mais detalhada às sondagens de nível estadual, nomeadamente nos chamados battleground states, onde se vai decidir o vencedor.
O New Mexico é, normalmente, um desses Estados decisivos. Contudo, nos últimos anos, este Estado do midwest tem-se tornado progressivamente mais democrata, fruto do aumento da comunidade hispânica - o New Mexico é o Estado mais latino da União, já que mais de 40% da sua população pertence a este grupo "étnico". Em 2008, Barack Obama venceu folgadamente neste Estado, derrotando John McCain por quase quinze pontos percentuais.
Assim, não se esperava que, este ano, o New Mexico fosse entrar nas contas da corrida e as sondagens vinham confirmando essas previsões, mostrando Obama à frente de Romney por uma larga margem. Ontem, porém, um estudo da Public Policy Polling atribui apenas 5% de vantagem ao Presidente, o que traduz uma redução drástica na diferença entre Obama e Romney em relação às últimas sondagens da mesma empresa no New Mexico, em que o Presidente tinha cerca de 15% de vantagem sobre o nomeado republicano.
É certo que esta sondagem pode apenas tratar-se de um outlier e terá de ser confirmada por outros estudos de opinião que confirmem os números da PPP. Todavia, e pelo menos para já, é melhor não riscarmos o New Mexico da lista de Estados a seguir com atenção nesta muito disputada corrida eleitoral.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Romney à defesa

Como escrevi ontem, Mitt Romney tem estado sob cerrado ataque da campanha de Barack Obama, que tenta explorar o seu passado na Bain Capital, acusando-o de enriquecer à custa das empresas que desmantelou e dos postos de trabalho que extinguiu ou enviou para o estrangeiro. Mais recentemente, o candidato tem tentado reagir, mas novas alegações, difundidas nos media, têm-no impedido de retomar à sua mensagem e ultrapassar este momento menos positivo para a sua candidatura.

Uma das histórias está ainda relacionada com o seu passado na Bain Capital, nomeadamente devido ao tempo que Romney terá passado nessa empresa. Ora, segundo os formulários financeiros que preencheu quando se candidatou à presidência, Mitt Romney declarou, sob juramento, que havia deixado a Bain Capital em Fevereiro de 1999, para se dedicar exclusivamente à organização dos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City. Contudo, segundo relatos posteriores, e de acordo com o próprio, Romney terá permanecido ligado à empresa até 2002. Assim,  há já quem acuse o nomeado republicano de faltar à verdade e mesmo de perjúrio. Mitt Romney já se veio defender, alegando que entre 1999 e 2002 esteve com uma licença sem vencimento e não manteve quaisquer responsabilidades na empresa. Ainda assim, a Bain Capital ameaça ensombrar a sua candidatura, com Barack Obama a saber aproveitar esta aparente fragilidade de Romney.

Mas há outro tema a dar dores de cabeça ao antigo Governador do Massachusetts e que pode ser ainda mais prejudicial à sua candidatura. Desde o início da campanha presidencial, Romney tem sido pressionado pelos seus opositores a divulgar as suas declarações de impostos. Até agora, havia sempre resistido, mas com o avolumar das pressões para que o fizesse, incluindo algumas provenientes do seu próprio partido, Romney anunciou que irá divulgar as suas declarações de impostos dos últimos dois anos e não mais do que isso. Ora, ao impor esta limitação, Romney já sabia que iria ser alvo de críticas e renovadas suspeitas em relação aos seus rendimentos. Todavia, optou por esta via, o que parece indicar que estará a querer controlar os danos e prefere esse tipo de críticas do que aquelas que surgiriam se revelasse as suas declarações de anos anteriores. É possível que esses documentos mostrassem que, nos últimos anos, Romney abriu novas contas em offshores ou que pagou taxas fiscais muito baixas, o que seria bastante prejudicial à sua campanha e daria novas e fortes linhas de ataque para os democratas. Estamos no campo da especulação, é certo, mas a decisão de Romney em não revelar as suas declarações de impostos dará azo a este tipo de controvérsias.

Por tudo isto, o candidato presidencial do GOP está actualmente obrigado a jogar à defesa. Devido a estes temas quentes, a sua campanha está a ter dificuldades em voltar à mensagem desejada, centrada, como se sabe, no tema da economia. Não admira, por isso, que já se fale na possibilidade de Romney divulgar em breve o seu candidato à vice-presidência. Nesta altura, tudo o que possa desviar o actual rumo dos ciclos noticiosos, é positivo para a campanha de Mitt Romney.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Obama ao ataque

Estamos de volta! Após umas férias retemperantes (ainda que tenham sabido a pouco), o Máquina Política regressa para fazer, sem mais interrupções, a cobertura do que resta da campanha eleitoral para a Presidência dos Estados Unidos. E, nas semanas em que não houve posts, Barack Obama saiu-se bem, devido principalmente à confirmação pelo Supremo Tribunal da constitucionalidade da reforma da saúde que promoveu, mas também pelos ataques que a sua campanha lançou contra o candidato republicano Mitt Romney.

Mas comecemos pelo tema mais importante: a aprovação da mais importante e polémica peça legislativa dos últimos anos nos Estados Unidos pelo mais alto órgão judicial norte-americano. Afinal, e ao contrário do que se esperava, o Supremo Tribunal declarou constitucional a famosa Obamacare, numa votação de cinco votos a favor contra quatro votos desfavoráveis. Surpreendentemente, não foi de Anthony Kennedy, o juíz moderado e que desempenha normalmente o papel de swinv vote, o voto decisivo. Desta vez, foi mesmo o Chief Justice John Roberts, um conservador nomeado por George W. Bush, que alinhou com os juízes da ala liberal para permitir a aprovação da lei. Desta forma, Roberts, que ainda tem largos anos no Supremo Tribunal pela frente, preferiu não tomar uma decisão que teria enormes consequências políticas e que poderia minar o seu futuro como líder do Supreme Court. 

Assim, Barack Obama conseguiu uma importante vitória, evitando que a bandeira mais emblemática do seu primeiro mandato fosse eliminada ou cortada pelo poder judicial. Além disso, após a decisão do Supremo Tribunal, a popularidade da reforma da saúde tem aumentando, o que permite a Obama utilizar a Obamacare na campanha, em especial os seus elementos mais sedutores, como a impossibilidade de as seguradoras negarem seguros a pessoas com condições médicas pré-existentes. 

Embalado por esta vitória, Obama partiu para o ataque no trilho da campanha, lançando uma série de anúncios onde critica ferozmente Mitt Romney pelo seu passado na Bain Capital, acusando-o de destruir empresas e empregos nos Estados Unidos, transferindo-os para o estrangeiro e, com isso, fazendo fortuna. Esta táctica tinha sido já utilizada durante as primárias republicanas, por Rick Santorum e Newt Gingrich. Na altura, o resultado foi nulo, com os eleitores republicanos pouco inclinados a criticar os feitos empresariais de Romney. Contudo, numa eleição geral, o eleitorado moderado e independente pode ser um alvo bem mais receptivo a este género de narrativa. E, de facto, nos últimos dias, as sondagens têm mostrado um ligeiro ganho por parte do Presidente, tanto nos estudos nacionais, como nas sondagens nos principais swing states.

Agora, Romney procura responder, tendo feito um périplo por vários programas informativos em diversos canais de televisão (alterando a sua estratégia mais recente de evitar as aparições nos media, exceptuando a Fox News, terreno mais seguro e familiar para o GOP), onde exigiu mesmo um pedido de desculpas por parte de Obama devido à onda de ataques vinda dos democratas. Como se pode ver, a campanha está definitivamente lançada e promete ser dura, negativa e disputada aos limites. E como não podia deixar de ser, nós cá estaremos para seguir e dissecar esta apaixonante corrida.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Encerrados para férias

Durante as próximas duas semanas, aproximadamente, o Máquina Política estará inactivo, por motivos de férias (bem merecidas) da gerência. Até ao meu regresso, já durante o mês de Julho, aconselho uma visita aos outros locais portugueses onde se pode ler sobre o mundo político dos Estados Unidos da América - a lista pode ser consultada na barra lateral. Até breve!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Obama vs Romney (by Mark Halperin)

Mark Halperin, o conceituado jornalista da TIME e co-autor do best seller sobre a campanha eleitoral de 2008, Game Change, compara, nesta tabela (clicar na imagem para aumentar), os dois candidatos presidenciais norte-americanos, com base em 10 critérios que podem decidir a corrida. Olhando para esta comparação, Mitt Romney parece levar alguma vantagem, já que, segundo Halperin, é quem vai na frente no que diz respeito à economia, à mensagem e ao dinheiro, três aspectos chaves para qualquer eleição dos Estados Unidos. Contudo, e como eu tenho afirmado, Obama lidera no critério do Colégio Eleitoral e, afinal de contas, é aí que se ganha ou perde a corrida.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um novo olhar sobre o mapa eleitoral


Como prometido, deixo aqui a minha visão actualizada sobre aquela que é a situação, no momento, do mapa eleitoral para as presidenciais norte-americanas de Novembro. Desde a minha última análise, em Abril, os números de votos eleitorais para cada lado quase não mudaram (na altura, dava vantagem a Barack Obama, com 258 votos eleitorais, face aos 190 de Mitt Romney. Contudo, houve algumas alterações importantes no que diz respeito aos battleground states da eleição que se aproxima.

O maior destaque vai, sem dúvida, para a passagem do Ohio para o estatuto de toss-up, já que acredito que este Estado poderá ser o local que decidirá o resultado da eleição, caso a corrida seja bastante renhida. Assim sendo, o swing state por excelência tem sempre de estar na coluna dos indecisos, mesmo que as sondagens continuem a mostrar um ligeiro favoritismo de Obama no the Buckeye State. Mas, além do Ohio, também o Wisconsin deixou a coluna democrata, passando também para toss-up, na sequência de várias sondagens que mostram um empate técnico e mesmo uma liderança para o nomeado republicano. Todavia, parece-me difícil que Obama não vença neste Estado e é possível que os últimos estudos de intenção de voto reflictam o momentum republicano proporcionado pela vitória de Scott Walker.

Mas nem todas as alterações no mapa eleitoral são negativas para os democratas, já que mudei o estado do Nevada para lean democrat e do New Hampshire e da Pensilvânia para likely democrat, depois de analisar as mais recentes sondagens relativas a estes Estados. Mas se a vitória de Obama nos dois últimos Estados não é propriamente uma novidade - o Partido Democrata é tradicionalmente bastante forte no nordeste dos Estados Unidos - já o movimento no Nevada traduz a actual grande importância do eleitorado latino no Oeste norte-americano, assim como a grande capacidade de mobilização dos democratas no Nevada, Estado onde o Senador Harry Reid, assim como os sindicatos de trabalhadores dos casinos, têm uma grande influência.

Com base neste mapa, e apesar de nenhum dos candidatos atingir o número mágico de 270 votos eleitorais necessários para ser o vencedor, parece correcto afirmar que Obama é ainda favorito para conseguir um segundo mandato, não obstante as últimas semanas não lhe terem corrido muito bem. Contudo, estamos ainda a mais de quatro meses da noite eleitoral e, até lá, o figurino do mapa eleitoral pode (e vai de certeza) dar algumas voltas. Para já, a corrida está ainda too close to call.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Obama contra-ataca

Como tenho vindo a dar conta neste blogue, Barack Obama tem vivido momentos difíceis nesta primeira fase da campanha para as eleições presidenciais de Novembro. Depois de ter começado a corrida bem lançado, tendo ganho vantagem sobre Mitt Romney fruto do desgaste que o republicano sofreu durante as primárias, o Presidente tem vindo a perder terreno e as sondagens mostram agora que a disputa pela Casa Branca está, de momento, muito renhida.

Contudo, esta tendência negativa de Obama deve ter feito soar os alarmes na sede da campanha democrata, em Washington, porque, finalmente, o Presidente parece estar a acertar agulhas e a responder ao seu momento menos positivo. E, como não podia deixar de ser, a reacção presidencial teria de passar, em primeira instância, por uma mensagem de cariz económica, mostrando aos norte-americanos que Obama é o homem certo para estar ao leme numa altura em que os Estados Unidos procuram uma recuperação económica mais acentuada.

Ontem, no Ohio (não é coincidência que se trate de um dos Estados mais decisivos em eleições presidenciais), o Presidente realizou um discurso exclusivamente dedicado à economia, onde delineou aquela que será a sua mensagem económica para a campanha presidencial. Em pouco menos de uma hora, Obama deixou bem marcadas as diferenças entre si e Mitt Romney (disse o nome do seu opositor oito vezes, tantas como no último ano e meio), afirmando que é o único candidato disposto a ajudar a classe média, enquanto que Romney representará o regresso às políticas republicanas (leia-se, de George W. Bush) que levaram à actual crise económica e financeira. Esta táctica de colar o nomeado do GOP ao ainda impopular 43º Presidente norte-americano resultou em 2008 para Obama. Contudo, quatro anos depois, teremos de esperar para ver se o mesmo acontece desta vez.

Mas nem só da economia se faz o contra-ataque da campanha de Obama. Também a imigração é uma questão que os democratas estão a tentar trazer para cima da mesa no que diz respeito aos temas centrais da campanha. Hoje mesmo, a Casa Branca assumiu a intenção de aligeirar as regras para os jovens e crianças que entraram ilegalmente nos Estados Unidos com os seus pais e que não tenham infringido a lei. Baseado no Dream Act, a proposta de lei apoiada por Obama e pelos democratas, mas rejeitada pelo republicanos do Congresso, esta ideia coloca um problema para Romney que se dividirá entre a posição tough on immigration do seu partido e a possibilidade de alienar ainda mais o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico do país - os hispânicos. 

Após esta investida de Obama, os próximos dias serão importantes para avaliarmos se a estratégia seguida pelos democratas teve impacto junto do eleitorado. Quanto a mim, parece-me que Obama está a corrigir erros anteriores e que este é um rumo mais acertado. Contudo, Novembro está ainda muito longe e, entretanto, as férias de Verão, altura em que os americanos pouco ou nada ligam às notícias, estão quase à porta. Só depois disso, mais precisamente após o Labor Day, é que a campanha presidencial começa verdadeiramente. Para já, estamos apenas no aquecimento.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O mapa eleitoral de James Carville

James Carville, o histórico conselheiro de Bill Clinton e um dos principais mentores das vitórias políticas do 42º Presidente dos Estados Unidos, apresenta neste vídeo a sua opinião no que diz respeito ao mapa eleitoral para as eleições presidenciais de 2012. Na sua análise dos swing states (é curiosa e certeira a sua definição de swing state), Carville atribui uma ligeira vantagem a Barack Obama sobre Mitt Romney, fruto, sobretudo, dos triunfos virtuais nos Estados da Virgínia e do Ohio. Contudo, com o momentum aparentemente do lado do nomeado republicano, as cores do mapa eleitoral de Carville podem mudar rapidamente. Ainda esta semana, também eu darei a minha achega sobre o estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Romney is closing in on Obama

Após uma complicada época de primárias, onde Mitt Romney conseguiu selar a nomeação, mas não sem uma grande dose de atritos com os seus adversários e sendo obrigado a encostar-se muito à Direita de forma a conquistar a simpatia e os votos do eleitorado republicano, o ex-Governador do Massachusetts era visto como um claro underdog no frente-a-frente com Barack Obama na eleição geral.
Todavia, Romney tem vindo a recuperar terreno e está, nesta altura, virtualmente empatado com o actual Presidente nas tracking polls da Rasmussen e da Gallup, que seguem o movimento diário dos eleitores norte-americanos. E, nos últimos dias, têm-se acumulado as notícias negativas para Obama, em especial no domínio da economia, que, como se sabe, será o factor decisivo das próximas eleições. Acontece que, últimos indicadores da economia dos Estados Unidos, em especial os números do desemprego, sugerem que a recuperação económica norte-americana está em quebra, com destaque para o aumento da taxa de desemprego, algo que não sucedia há vários meses. Ora, se esta tendência negativa estiver para ficar, então Romney não terá grandes dificuldades em assegurar o lugar na Casa Branca.
A economia pode ser a principal preocupação para a Obama, mas não é a única, já que também no trilho da campanha as coisas não andam a correr de feição para o Presidente. Alguns dos seus principais aliados têm cometido gaffes e proferido declarações que devem ter irritado Obama e os seus principais conselheiros. E se a tendência de Biden para falar demais (recentemente, foi apanhado a fazer comentários sobre a estratégia da campanha, afirmando que lhe tinham sido confiados seis Estados)  já é conhecida, mais estranhas foram algumas declarações de Bill Clinton que defendeu o passado empresarial de Romney e afirmou concordar com a extensão dos cortes fiscais da era Bush, contrariando a posição da Casa Branca.
Também a eleição no Wisconsin de ontem deve ter feito soar os alarmes na sede de campanha de Obama em Chicago. Isto porque, além da óbvia desilusão que acompanha uma derrota para um sempre importante cargo de Governador, as exit polls relativas a esta corrida demonstraram um retrato do eleitorado muito mais parecido com o ciclo eleitoral de 2010, favorável aos republicanos, do que com a onda democrata de 2008.
Ainda assim, Barack Obama tem ainda bastante tempo para cerrar fileiras e corrigir estes contratempos e voltar a ganhar vantagem na corrida presidencial. Até porque se encontra, a meu ver, em posição privilegiada no colégio eleitoral, tendo um caminho  mais favorável para os 270 votos eleitorais necessários para assegurar a Presidência do que Mitt Romney. Mas sobre isso falarei mais detalhadamente num post futuro, quando voltar a fazer o ponto da situação do mapa eleitoral.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Scott Walker aguenta-se

Sendo Terça-feira, ontem foi dia de eleições nos Estados Unidos, realizando-se primárias presidenciais em vários Estados norte-americanos. Contudo, com os nomeados de cada um dos partidos já mais que decididos, o grande ponto de interesse da noite de ontem foi a eleição recall para o Governador do Winsconsin, onde o actual dono do cargo, o republicano Scott Walker, enfrentou e venceu o challenger democrata, o Mayor de Milwaukee Tom Barret.
Esta eleição no Wisconsin teve uma grande dimensão nacional, logo pela particularidade de se tratar de um recall. Para quem não sabe, o recall é uma medida que permite, através de uma petição assinada por um número mínimo de cidadãos, a marcação de uma nova eleição durante o mandato de um político eleito. Representa, por assim dizer, uma espécie de moção de censura. Depois, Scott Walker tornou-se famoso aos olhos do grande público por ter enfrentado, numa escala sem precedentes, os sindicatos e os funcionários públicos do Estado do Winsconsin, numa batalha que assumiu proporções épicas e lhe valeu o estatuto de herói entre a Direita dos Estados Unidos e o ódio visceral dos norte-americanos mais à Esquerda.
Contudo, ontem, Scott Walker venceu, com 53% dos votos, o seu oponente democrata e completará, assim, o seu mandato. O triunfo de Walker deve-se sobretudo a uma incrível vantagem financeira sobre o seu adversário, mas também ao maior entusiasmo dos republicanos em relação a esta eleição, comparativamente com os eleitores democratas. Ora, tendo em conta que este recall partiu da iniciativa conjunta dos sindicatos e do Partido Democrata, não deixa de ser estranho que estas poderosas e influentes estruturas não tenham tido a capacidade de entusiasmar e mobilizar de forma mais eficaz o forte contingente democrata do Winsconsin.
Assim sendo, são os republicanos em geral, e Scott Walker em particular, que saem vencedores da noite eleitoral de ontem. Em sentido contrário, os democratas e os sindicatos não ficaram bem na fotografia e a derrota que lhes foi ontem infligida reflecte-se, indirectamente, em Barack Obama. Além disso, a vitória republicana de ontem junta-se ao triunfo do republicano Ron Johnson sobre o histórico senador democrata Russ Feingold, na eleição para o Senado de 2010, e isso pode fazer sinais de alarme na campanha presidencial de Obama em relação a um Estado em que o candidato republicano à Casa Branca não vence há 28 anos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

1144

Quase cinco meses depois dos caucuses do Iowa, que marcaram o início da época de primárias, Mitt Romney conseguiu finalmente alcançar o número mágico de 1144 delegados, conseguindo, assim, selar oficiosamente a nomeação presidencial pelo Partido Republicano. A marca foi obtida depois de, ontem, ter vencido, com 69% dos votos, a primária do Texas, o que lhe permitiu ultrapassar a fasquia dos tais 1144 delegados que valem a nomeação. Agora, com as primárias definitivamente para trás das costas, resta a Romney concentrar-se na eleição geral e em derrotar Barack Obama.

Ridiculous

Donald Trump está definitivamente de volta à ribalta política. Depois de, durante 2011, muito se ter falado de uma possível candidatura presidencial do multimilionário e criador de reality-shows, agora, em plena campanha eleitoral, Trump volta a dar que falar, desta vez devido à sua convicção de que Barack Obama não nasceu nos Estados Unidos. E ontem teve mesmo uma acesa discussão com Wolf Blitzer, depois de este lhe ter dito que começava a parecer ridículo, tendo Trump respondido na mesma moeda. Mas, para se perceber o tom ríspido da troca de argumentos, o melhor é mesmo verem o vídeo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Off message

Para uma campanha política ser bem sucedida é essencial que o candidato que a encabeça se mantenha focado na mensagem que pretende transmitir ao público, evitando as fugas ao discurso previamente definido e escapando a temas e assuntos que afastem a campanha do rumo que previamente definiu ser o mais acertado para a vitória.
 Contudo, a campanha presidencial está a ser marcada, pelo menos para já, por uma constante fuga à mensagem, e logo por parte das duas campanhas. De um lado, Barack Obama, tem sido recentemente criticado, inclusivamente no seio do seu próprio partido, por estar a apostar em ataques contra o passado empresarial do seu adversário, Mitt Romney. Em anúncios de campanha e declarações, Obama tem apontado o dedo aos milhares de empregos que Romney terá, diz o Presidente, destruído, aquando do seu tempo na Bain Capital. Esta é uma estratégia que se percebe, tendo em conta a ainda elevada taxa de desemprego que se regista nos Estados Unidos. Contudo, o ataque populista de Obama não parece estar a ser eficaz, da mesma forma, aliás, que não o foi, quando Newt Gingrich e Rick Santorum utilizaram a mesma táctica durante as primárias republicanas. 
 Por sua vez, Mitt Romney, que até estava a ter um período positivo, parecendo estar a ganhar ímpeto na corrida, foi forçado, recentemente, a desviar-se da sua mensagem essencialmente centrada na economia. Isto porque Donald Trump, actualmente um dos seus mais ferozes apoiantes voltou a dizer que Obama nasceu no Quénia e não nos Estados Unidos, não sendo, por isso, elegível para o cargo de Presidente. Acossado pelos jornalistas, que tentam obter uma reacção sobre as novas acusações do milionário Trump, Romney não condenou a posição do seu apoiante, apesar de ter dito que não concorda com tudo o que as pessoas que o apoiam dizem. Seja como for, a verdade é que uma nova polémica birther era a última coisa que o candidato republicano necessitaria, numa altura em que tenta atrair o eleitorado independente que poderá estar menos inclinado a votar em si, depois de umas primárias marcadas por um discurso encostado à Direita.
 Com os dois candidatos a viverem um momento menos positivo no trilho da campanha, cabe agora aos seus conselheiros a tarefa de redobrarem esforços no sentido de colocarem novamente os seus líderes no rumo certo, ou, como dizem os norte-americanos, back on message.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Latinos (ainda) com Obama

Sendo o grupo étnico (se é que se pode chamar assim) em maior crescimento nos Estados Unidos, os latinos - ou hispânicos - representam um eleitorado fundamental em eleições presidenciais. Aliás, muitos analistas consideram mesmo que os latinos são o fiel da balança na escolha do Presidente norte-americano, já que servem de desempate entre a minoria afro-americana (que prefere, por margem esmagadora, os democratas) e a maioria branca não-latina (com quem os republicanos levam curta vantagem).

Nas eleições de 2004, George W. Bush, que defendia políticas de imigração moderadas e até pró-integração, conseguiu bons resultados (terá obtido cerca de 45% do voto hispânico) junto dos latinos, o que lhe terá valido a reeleição. Contudo, em 2008, o candidato democrata, Barack Obama, arrasou completamente o republicano John McCain neste grupo eleitoral, obtendo perto de dois terços dos votos dos eleitores latinos, conseguindo, dessa forma, vencer em Estados como o Colorado, o Novo México, ou o Nevada. Dois anos depois, nas eleições intercalares de 2010, e num ciclo eleitoral em que o Partido Republicano foi absolutamente dominador, as poucas vitórias democratas surgiram, precisamente, em Estados com fortes comunidades latinas, destacando-se as vitórias em eleições para o Senado no Nevada e no Colorado.

Desta forma, é com grandes expectativas que se segue o movimento do eleitorado hispânico, com vista à decisão das eleições presidenciais deste ano. Durante as primárias republicanas, marcadas por um discurso marcadamente "encostado" à Direita, Mitt Romney proferiu algumas declarações, vistas como anti-imigração, que prejudicaram a sua imagem junto dos eleitores hispânicos. Não obstante, com o fim da época de primárias e com a consequente e natural inversão de marcha rumo ao centro do espectro político, esperava-se que o nomeado republicano conseguisse melhorar os seus números entre os latinos. 

Contudo, e segundo uma sondagem da NBC e do Wall Sreet Journal, os hispânicos continuam, de forma esmagadora, a preferir Barack Obama em detrimento de Mitt Romney para a presidência dos Estados Unidos. Com um score de 61-27% a seu favor, Obama mantém uma margem confortável e que lhe permite antever as eleições de Novembro com mais optimismo. Em sentido contrário, Mitt Romney, necessita urgentemente de inverter esta tendência, sob perigo de ver as suas hipóteses de chegar à Casa Branca francamente comprometidas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O vocabulário desportivo das eleições americanas

O universo do desporto está intrinsecamente ligado à política, como defende o Prof. Dr. António da Silva Costa (professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Desporto da Universidade de Porto), que afirma que "comparando estes dois fenómenos, o desportivo e o político, não é difícil constatar que eles são profundamente semelhantes. O seu funcionamento é idêntico, a sua lógica é fundamentalmente a mesma e o seu discurso rege-se pela mesma gramática". 
Ora, no caso específico das eleições americanas, essa ligação é por demais evidente, como se pode comprovar por algumas das expressões mais frequentemente encontradas na gíria das campanhas políticas dos Estados Unidos.
Senão vejamos: a palavra mais utilizada para fazer referência a uma eleição é a palavra race (corrida). Ainda no campo das referências a corridas (como se estivéssemos a falar de um evento do atletismo e não da política), existem expressões muito conhecidas, como frontrunner, quando nos referimos ao candidato favorito à vitória, ou to have the inside track, quando queremos dizer que um candidato parece levar vantagem sobre outro.
Momentum, uma palavra várias vezes repetida para transmitir a dinâmica de vitória de um dos lados, e que foi "pescada" na gíria desportiva, é um dos maiores exemplos desta promiscuidade entre o vocabulário do desporto e da política. Mas existem outros. quando um político não é tão agressivo ou incisivo num debate como se esperava, diz-se que he did not pull his punches, numa clara alusão ao box; numa ocasião em que um candidato aposta todas as suas hipóteses  num determinado Estado, local ou grupo do eleitorado, diz-se que ele está all in, como no poker. As expressões home-run, do basebol, slam dunk, do basquetebol, ou kick-off, do futebol, são também presença assídua no vocabulário da política norte-americana.
Estes são alguns exemplos, mas muitos outros poderiam ser utilizados para demonstrar a grande afinidade a nível de vocabulário entre a política e o desporto. No fundo, esta semelhança ao nível do discurso reflecte, pelo menos em parte, a necessidade sentida pela comunicação social e pelos próprios políticos de tornarem a política um fenómeno mais atraente e familiar para as grandes massas. Afinal, a política também pode ser divertida.

domingo, 20 de maio de 2012

Final da Champions interrompe G8

É bem conhecido o gosto e entusiasmo de Barack Obama pelo desporto, em particular pelo basquetebol, modalidade que continua a praticar, tendo mesmo instalado um campo para o efeito em plena Casa Branca. Contudo, como sabemos, o futebol (ou o soccer, como é conhecido nos Estados Unidos) não tem do outro lado do Atlântico o destaque que merece no resto do mundo. Ainda assim, a final da Champions League de ontem não passou despercebida para Obama, que, em Camp David, onde estão reunidos os Estados-membros do G8, fez questão de seguir a decisão por penaltis, acompanhado dos líderes dos países (Alemanha e Inglaterra) que estavam representados na final da maior competição de clubes do planeta. Para a história fica mais esta excelente fotografia de Pete Souza, que retrata o momento da vitória dos britânicos do Chelsea e as reacções dos líderes mundiais, apanhados num momento de descontracção.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bush apoia Romney

Depois do patriarca, George H. W. Bush, e do seu filho  Jeb Bush, terem anteriormente declarado o seu apoio a Mitt Romney na corrida pela Presidência dos Estados Unidos, esta semana foi a vez de George W. Bush, o 43º Presidente norte-americano, anunciar publicamente, ainda que de forma algo tímida, o candidato republicano que desafia Barack Obama. 
Apanhado pela ABC News a entrar num elevador depois de um discurso em Washington, Bush declarou com uma simples frase: "I'm for Romney". Este anúncio, apesar de ter sido feito de forma informal e "fora do guião", não é nenhuma surpresa, já que os antigos Presidentes apoiam sempre os nomeados do seu partido. Contudo, dada a ainda impopularidade do antecessor de Obama junto dos eleitores, este endorsement terá sempre algum impacto na campanha. Como seria de esperar, os democratas já estão a utilizar o apoio de Bush como arma de arremesso contra Romney, tentando colar o nomeado republicano ao antigo Presidente. Por sua vez, a campanha de Mitt Romney já emitiu uma sóbria e curta mensagem a agradecer o apoio de Bush, que daqui para a frente,deverá manter uma presença discreta na campanha, de forma a não prejudicar as hipóteses de Romney.