Mostrar mensagens com a etiqueta George W. Bush. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta George W. Bush. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A doutrina Bush/Obama

Quando Barack Obama foi eleito pela primeira vez, em 2008, conseguiu-o depois de uma campanha eleitoral em que o seu principal talking point foi a crítica à Administração de George W. Bush. Na altura (e actualmente, ainda que de forma menos pronunciada), o 43º Presidente dos Estados Unidos era altamente impopular e a estratégia democrata resultou na perfeição - quatro anos mais tarde voltaria a funcionar. 
Assim, após a eleição do antigo Senador do Illinois, esperava-se que Obama, ao cumprir a sua promessa de romper com as políticas de Bush, mudasse radicalmente o rumo da Casa Branca. Contudo, isso foi apenas parcialmente verdade, já que, no domínio da política externa e da segurança nacional, Obama optou por seguir os passos de Bush. 
Uma das raras excepções verificou-se logo no início do seu primeiro mandato, quando Obama tentou cumprir a promessa eleitoral de fechar Guantánamo. Todavia, os seus esforços esbarraram na intransigência do Congresso e, ainda hoje, a polémica prisão para os suspeitos de terrorismo continua a funcionar. 
Também é verdade que o actual Presidente melhorou um pouco a imagem dos Estados Unidos no mundo e que retirou as tropas do Iraque (ainda que a retirada deste país se tenha iniciado durante o mandato de Bush). Todavia, no restante, Barack Obama tem seguido um guião que podia muito bem ter sido escrito por W. O combate ao terrorismo continua a seguir uma linha dura, como é demonstrado  pela prioridade dada ao cenário de guerra afegão, pela morte de Osama Bin Laden e pela aposta no uso de drones, com estes aparelhos não tripulados a serem mesmo utilizados em países terceiros ou contra cidadãos americanos.
Mais recentemente, a polémica em torno do acesso pelo governo norte-americano a todas as comunicações realizadas no país veio reacender ainda mais o debate sobre os meios utilizados pelo governo dos Estados Unidos para fazer face ao terrorismo. Também aqui, Obama parece seguir a linha de Bush, ao utilizar todas as capacidades ao dispor do governo federal para combater o terror, ainda que tenha de por em causa a privacidade dos cidadãos norte-americanos.
Neste debate, e como seria de esperar, as posições inverteram-se. De um lado, os democratas, anteriormente mais propensos a oporem-se a programas que limitavam a privacidade e os direitos dos cidadãos, como o Patriot Act, são agora acérrimos defensores das medidas adoptadas pelo governo para limitar as actividades terroristas. Do outro lado, os republicanos, que apoiaram todas as políticas anti-terrorismo de Bush, clamam agora por justiça e acusam Barack Obama de extrapolar os seus poderes entrando no domínio privado dos norte-americanos.
No fim de contas, e apesar de todo espectáculo mediático e político à volta desta polémica, verifica-se que George W. Bush em Barack Obama, os dois presidentes dos Estados Unidos na era pós-11 de Setembro, têm seguido a mesma cartilha. Para combater o terrorismo, aumentaram o poder presidencial e não deixaram de utilizar qualquer ferramenta à sua disposição, mesmo que, com isso, tenham levantado questões legais e éticas. Ainda assim, a verdade é que a maioria dos norte-americanos apoia com estas medidas, o que leva a entender que tanto os Presidentes como os cidadãos estão de acordo: neste caso, os fins justificam os meios.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bush apoia Romney

Depois do patriarca, George H. W. Bush, e do seu filho  Jeb Bush, terem anteriormente declarado o seu apoio a Mitt Romney na corrida pela Presidência dos Estados Unidos, esta semana foi a vez de George W. Bush, o 43º Presidente norte-americano, anunciar publicamente, ainda que de forma algo tímida, o candidato republicano que desafia Barack Obama. 
Apanhado pela ABC News a entrar num elevador depois de um discurso em Washington, Bush declarou com uma simples frase: "I'm for Romney". Este anúncio, apesar de ter sido feito de forma informal e "fora do guião", não é nenhuma surpresa, já que os antigos Presidentes apoiam sempre os nomeados do seu partido. Contudo, dada a ainda impopularidade do antecessor de Obama junto dos eleitores, este endorsement terá sempre algum impacto na campanha. Como seria de esperar, os democratas já estão a utilizar o apoio de Bush como arma de arremesso contra Romney, tentando colar o nomeado republicano ao antigo Presidente. Por sua vez, a campanha de Mitt Romney já emitiu uma sóbria e curta mensagem a agradecer o apoio de Bush, que daqui para a frente,deverá manter uma presença discreta na campanha, de forma a não prejudicar as hipóteses de Romney.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Terá Bush votado em Obama?

Surgiu, ontem, num blogue do jornal Financial Times, uma curiosa e surpreendente história que remonta ao pico da campanha presidencial de 2008, quando Barack Obama e John McCain disputavam a presidência americana. Segundo o autor do artigo, o então Presidente George W. Bush terá dito, numa reunião na Sala Oval com dignitários britânicos, que provavelmente nem iria votar em McCain e que teve de apoiar o candidato oficial do seu partido, mas que teria dado o seu endorsement a Obama se este lhe tivesse pedido para o fazer. 
George W. Bush já veio desmentir categoricamente tal história, que apelidou de ridícula. Porém, não é segredo nenhum que a relação entre W. e McCain nunca foi a melhor. Os problemas entre os dois vêm já desde que os dois disputaram a nomeação presidencial republicana, em 2000. Nessa altura, particularmente aquando das primárias da Carolina do Sul, o despique foi aceso, ultrapassando, frequentemente, a barreira do aceitável.
Depois disso, as relações entre o Presidente e o Senador do Arizona foram-se suavizando, com McCain a "engolir um sapo" e a apoiar Bush, na sua batalha pela reeleição, em 2004. Quatro anos depois, foi a vez de Bush retribuir o favor e apoiar publicamente o seu antigo adversário. Porém, John McCain, que pretendia distanciar-se o máximo possível do impopular presidente, não se fez nunca acompanhar de Bush durante a sua falhada campanha presidencial.
Agora, no seu livro Decision Points, George W. Bush não foi brando com McCain. Em primeiro lugar, questionou o seu afastamento do trilho da campanha, dizendo que podia ter auxiliado o candidato republicano junto de alguns grupos do eleitorado. Depois, foi ainda mais longe ao criticar o comportamento de McCain após o despoletar da crise financeira no apogeu da campanha. Ao recordar o encontro na Sala Oval com os candidatos dos dois partidos sobre a grave situação do país, realizada após exigência do republicano, Bush afirmou ter ficado espantado pela falta de preparação e de ideias de McCain, enquanto Obama, pelo contrário, parecia em cima dos acontecimentos e presidencial.
Contudo, não quero com isto dizer que Bush tenha mesmo votado em Obama. Mesmo que estas declarações que são relatadas na história sejam verdadeiras, o mais provável é que o anterior ocupante da Casa Branca estivesse apenas a fazer trash talk e a tentar impressionar os seus convivas, entre eles Gordon Brown. Mas esta não deixa de ser mais uma engraçada curiosidade/rumor sobre a mais dissecada e esmiuçada campanha eleitoral de todos os tempos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Obama=Bush?

A principal mensagem da campanha presidencial vitoriosa de Barack Obama foi a mudança e o corte total com os oito anos de administração Bush, que haviam levado a América a duas guerras impopulares e a uma crise financeira sem precedentes desde a Sexta-feira Negra de 1929. Contudo, decorridos os primeiros 18 meses de Obama na Casa Branca, muitos activistas e organizações liberais americanas estão desiludidas com o presidente que ajudaram a eleger, e alguns dos mais radicais afirmam mesmo que Obama parece George W. Bush.
Porém, se virmos bem as coisas, é por demais evidente que Obama é um presidente bastante diferente de Bush e, além disso, é preciso ter em conta que uma coisa é o que as pessoas esperavam de Obama e outra bem diferente foi aquilo que o próprio prometeu durante a campanha. Vejamos as questões de política externa: se os americanos mais liberais esperavam um retirada total dos dois teatros de guerra é porque não estiveram atentos à campanha de Obama, que sempre prometeu o desvio de atenções e recursos do Iraque para o Afeganistão. Mas terá sido, porventura, no Iraque que a estratégia do actual presidente menos diferiu da do seu antecessor, mas, de qualquer forma, procedendo à retirada gradual da presença militar norte-americana no país outrora dominado por Saddam Hussein. A sua grande falha terá sido mesmo em relação à prisão de Gauntanamo Bay, que ainda não conseguiu encerrar, ao contrário do que prometeu durante a campanha.
A nível de política interna as diferenças são notórias. Apesar de Obama ter herdado e dado continuidade ao bailout iniciado por Bush, foi ainda mais longe e conseguiu aprovar uma reforma financeira com vista a evitar uma nova crise como a que se despoletou em 2008. Ainda relativamente a questões económicas, Obama rompeu totalmente com o 43º presidente, pondo um fim aos cortes fiscais para os mais ricos, uma das imagens de marca de Bush. Depois, a histórica reforma da saúde foi, sem dúvida, o momento mais importante da presidência de Obama até ao momento. Pode não ter ido tão longe como a facção mais à esquerda do Partido Democrata desejaria, mas, dadas as circunstâncias e a feroz oposição republicana, esta reforma foi a possível e, ainda assim, um tremendo avanço do welfare state norte-americano. Por fim, as duas nomeadas por Obama para o Supremo Tribunal mantiveram o equilíbrio ideológico da Instituição, além de Sonia Sottomayor se ter tornado a primeira latina na mais alta instância jurídica dos Estados Unidos.
Vistas bem as coisas, não me parece que a Esquerda americana tenha motivos suficientes para estar tão insatisfeita com Obama quanto isso. Ao contrário do que muitos quiseram dar a entender (como Hillary Clinton durante as primárias, ou os republicanos desde 2008), Obama não é um radical liberal, mas sim um moderado. Pode não ser um centrista como Bill Clinton, mas também não é um Walter Mondale ou um George McGovern. E não é, certamente, um George W. Bush.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A doutrina Obama

Na sequência dos atentados terroristas do 11 de Setembro, George W. Bush moldou uma resposta americana forte e clara. No auge do sentimento de revolta e sede de vingança, após as mortes de 3 mil pessoas, vítimas do infame ataque no coração da América, Bush estabeleceu aquilo que ficaria conhecido como a "Doutrina Bush".
Esta doutrina defendia a legitimidade de uma guerra preventiva que evitasse futuros ataques ao território americano, como se veria no Iraque, além de outras medidas polémicas como o "Patriot Act", a utilização de torturas como o "water boarding", no interrogatório de terroristas, ou a criação da prisão de Guantanamo.
Bush fez da "war on terror" a sua principal prioridade, mas Obama parece mais preocupado com a questão da proliferação nuclear, temendo que um grupo terrorista consiga, com o recurso a esse tipo de armas, criar a sua própria Hiroshima. Foi nesse sentido que assinou o novo tratado START com a Rússia, com vista à redução dos arsenais nucleares dos dois países e que agora organiza a cimeira nuclear, onde participam 47 países.
No fundo, Bush e Obama têm duas visões opostas do mundo, das ameaças à segurança americana e do modo de melhor combater essas ameaças. Enquanto o anterior presidente apostou na guerra directa e global ao terrorismo, como uma batalha justa e necessária para manter a segurança e o modo de vida americano e evitar futuros ataques terroristas, o actual defende que a melhor forma de lidar com o terrorismo é encará-lo como um acto criminoso e um caso de polícia, evitando o escalar de violência que resulta de um conflito armado directo e mantendo as liberdades civis e os valores democráticos. Dentro desta óptica, enquadram-se o fim da denominação de "war on terror", quando se refere às guerras no Iraque e no Afeganistão, e também a intenção de julgar os suspeitos do 11 de Setembro em tribunais civis.
Esta abordagem de Obama, mais dialogante e flexível do que a de "connosco ou contra nós" de Bush e menos agressiva do que a do "Eixo do Mal" do 43º presidente pode, contudo, ser encarada como um sinal de fraqueza da actual administração. No fim, serão a história e os resultados a classificarem estas duas doutrinas: a de Obama e a de Bush.