domingo, 22 de abril de 2012

Obama relembra Rosa Parks

Numa visita ao Estado do Michigan, na passada Quarta-feira, Barack Obama aproveitou para passar pelo Museu Henry Ford, onde está actualmente exposto o famoso autocarro em que Rosa Parks, em 1955, se recusou a levantar para ceder o seu lugar a uma passageira branca, entrando para a história como uma das fundadoras do movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Obama sentou-se mesmo no lugar de onde, há mais de meio século, Rosa Parks não se quis levantar e ficou, durante alguns momentos, em reflexão, talvez recordando a luta daqueles que permitiram que, já em pleno século XXI, um afro-americano chegasse à Casa Branca. Se há imagens que valem por mil palavras, esta é, definitivamente, uma delas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary e Christie na frente para 2016 (!)

Pode parecer estranho que, a mais de seis meses das eleições presidenciais de 2012, já haja empresas norte-americanas a realizar sondagens sobre a eleição seguinte, em 2016. Contudo, nos Estados Unidos, há sondagens sobre tudo e mais alguma coisa e, por isso, não admira assim tanto que a Public Policy Polling (PPP) tenha divulgado ontem um estudo sobre as preferências dos eleitores de ambos os partidos para a corrida à Casa Branca de daqui a quatro anos.
De acordo com esta sondagens, Hillary Clinton e Chris Christie são os favoritos a obter a nomeação, respectivamente, do Partido Democrata e do Partido Republicano. E se no caso dos democratas, a actual Secretária de Estado tem mesmo, uma vantagem demolidora sobre o segundo classificado, o Vice-Presidente Joe Biden, já no lado republicano a corrida parece bem mais equilibrada, com o Governador de New Jersey a surgir na frente, ainda que com curta vantagem sobre Jeb Bush e Mike Huckabee.
A tão grande distância de 2016 estes resultados pouco ou nada significam a tão grande distância e reflectem mais o nível de familiaridade dos eleitores com os nomes apresentados do que uma verdadeira intenção de voto. Todavia, são uma curiosidade que delicia qualquer political junkie que se preze. Em baixo, os resultados completos desta sondagem da PPP.

Partido Democrata

Hillary Clinton: 57%
Joe Biden: 14%
Elizabeth Warren: 6%
Andrew Cuomo: 5%
Russ Feingold: 3%

Partido Republicano

Chris Christie: 21%
Mike Huckabee: 17%
Jeb Bush: 17%
Rick Santorum: 12%
Marco Rubio: 10%
Paul Ryan: 7%
Rand Paul: 4%
Bobby Jindal: 3%

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Escândalo no Secret Service

O Secret Service é a agência governamental responsável pela segurança das mais altas figuras do governo norte-americano. Normalmente, a sua acção é marcada pela discrição, e desde que o Secret Servvice foi criado, em 1865, por ordem de Abraham Lincoln (que, ironicamente, seria assassinado pouco tempo depois) são muito poucos os escândalos a que estão associados os seus agentes. 
Contudo, nos últimos dias, o Secret Service tem dado que falar pelas piores razões. Alegadamente, onze dos agentes que se deslocaram até à Colômbia para preparar a visita de Barack  Obama àquele país da América do Sul, solicitaram o serviço de prostitutas, o que segundo os códigos de conduta da agência é uma grave brecha de segurança. Agora, os envolvidos enfrentam um processo interno e é de prever que as consequências possam ser severas.
Este escândalo, que é já considerado o maior na história do Secret Service, promete assombrar a visita do Presidente dos Estados Unidos à Colômbia. Obama, apesar de ter tentado manter-se afastado dos acontecimentos, foi mesmo obrigado a afirmar que, caso se confirme a história, ficará muito zangado. Dificilmente este incidente prejudicará reflectir-se-á negativamente no Presidente, mas, no início de uma dura campanha eleitoral, a última coisa que Obama desejaria era ver-se envolvido (ainda que indirectamente) num escândalo sexual.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Santorum sai de cena

Depois de alguns dias de ponderação, e em que esteve ausente da campanha devido a doença da sua filha mais nova, Rick Santorum decidiu hoje abandonar a corrida pela nomeação presidencial do Partido Republicano. Assim sendo, a época de primárias chega, na prática, ao fim, já que Mitt Romney perde o seu principal adversário e torna-se, definitivamente, o presumível nomeado republicano. 
Santorum conseguiu nestas primárias um feito verdadeiramente notável. No início da campanha, era apenas uma nota de rodapé, raramente merecendo destaque dos media e surgindo nas sondagens quase sempre nos últimos lugares. Contudo, nas vésperas dos caucuses do Iowa, Santorum encetou uma fantástica recuperação que lhe permitiu mesmo vencer nesse Estado. E, à medida que a época de primárias foi decorrendo, Rick Santorum estabeleceu-se como a maior ameaça para Mitt Romney, o grande favorito. 
Apesar de, no final, ter sido derrotado por um concorrente que contou com uma esmagadora superioridade financeira, estrutural e organizacional., Santorum conseguiu, com esta sua campanha, tornar-se um dos líderes do Partido Republicano e terá, no futuro (talvez até nas eleições de 2016), um papel de relevo na política norte-americana. 
Findas as primárias, marcadas por um ambiente hostil e negativo entre os candidatos republicanos, segue-se o inevitável cerrar de fileiras em torno do candidato presidencial. Mitt Romney, que será, salvo algo de verdadeiramente extraordinário, o adversário de Barack Obama, na eleição geral de Novembro.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

As 50 mais loucas gaffes

Um engraçado artigo do Politico reúne as 50 mais loucas citações que resultaram da campanha pela nomeação presidencial republicana. Para ver (e rir), aqui.

Game (almost) over

Como se esperava, Mitt Romney venceu ontem as primárias que se disputaram. Em Washington D.C. e em Maryland os seus triunfos foram avassaladores (na capital venceu com 70% dos votos e em Maryland deixou Santorum a mais de 20 pontos percentuais) e no Wisconsin, apesar de a margem de vitória ter sido mais curta do que se previa, Romney conseguiu bater a concorrência, conseguindo, assim, o hat-trick que precisava para poder afirmar-se como o presumível nomeado do Partido Republicano.
No seu discurso de vitória de ontem à noite, Romney enviou um firme recado aos seus adversários: o jogo acabou, eu serei o nomeado. E, realmente, é já um dado praticamente adquirido que será o ex-Governador do Massachusetts a enfrentar Barack Obama na eleição geral do Outono. Mesmo que Santorum, Gingrich e Paul teimem em não abandonar a corrida, pelo menos para já. Rick Santorum anunciou ontem a intenção de apostar tudo na primária do seu Estado Natal, a Pensilvânia, numa derradeira tentativa de contrariar o momentum de Romney. Todavia, com as sondagens no Keystone State a mostrarem que Santorum está em perda, é bem possível que nem o estatuto de favorite son (que nem é assim tão favorito quanto isso, visto que Santorum perdeu a sua reeleição para o Senado por quase 20%) seja suficiente para evitar a vitória de Romney.
Agora, sem primárias durante três semanas, veremos as atenções virarem-se para o início das escaramuças entre as campanhas de Obama e Romney. À medida que o interesse e a excitação da época das primárias se vão desvanecendo, vislumbra-se o início da campanha pela eleição geral, numa altura em que os protagonistas estão já praticamente encontrados: Barack Obama selou ontem formalmente a sua nomeação pelo Partido Democrata e Mitt Romney está cada vez mais perto de fazer o mesmo do lado republicano.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Romney quer acabar com o jogo

Nova Terça-feira, nova noite de primárias nos Estados Unidos. Desta vez, irão a votos os Estados do Wisconsin e de Maryland, além da capital, a cidade de Washington D.C. E este pode ser um dia decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano. 
Mitt Romney, que irá vencer facilmente em Washington e em Maryland, espera um triunfo robusto no Wisconsin, onde, há não muito tempo atrás, era Rick Santorum que aparecia a liderar as sondagens, para poder selar de forma praticamente definitiva a corrida. As atenções estão por isso concentradas neste Estado do midwest, que pode representar a última oportunidade para os seus adversários (leia-se Santorum) impedirem Romney de conseguir a nomeação republicano.
Todavia, se Romney conseguir, como se espera, um hat-trick nas primárias de hoje, amealhando com isso um significativo número de delegados, é bem provável que os seus adversários não tenham outra hipótese que não a de abandonarem a corrida presidencial. Santorum poderá ainda querer fazer do seu Estado da Pensilvânia (que realiza a sua primária no próximo dia 24) o seu último bastião, mas sem uma vitória no Wsinconsin, a sua candidatura estará por um fio. Por sua vez, Newt Gingrich, comanda uma campanha que está já claramente a meio-gás, realizando umas selectivas acções de campanha (onde cobra 50 dólares por fotografia) e falando já na provável vitória de Romney. Se logo à noite obtiver mais um resultado medíocre (nos single digits), deverá mesmo equacionar a desistência. Ron Paul, como se sabe, corre por fora e com outros objectivos (fazer-se ouvir) que não a nomeação.
Assim, a noite de hoje pode muito bem marcar o fim das primárias republicanas de 2012. Pelo menos é esse, certamente, o desejo de Mitt Romney e da sua campanha, que cada vez se preocupa mais com a eleição geral frente a Barack Obama, em detrimento das primárias. Logo à noite, veremos se os eleitores do Wisconsin (assim como Santorum e Gingrich) lhe fazem a vontade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um olhar sobre o mapa eleitoral (2)

Numa altura em que Mitt Romney está cada vez mais perto de confirmar a nomeação presidencial republicana e se aproxima o fim das primárias, é de todo o interesse dar uma nova vista de olhos ao mapa eleitoral norte-americano de 2012. No mapa de cima, podemos observar aquela que é a minha análise do estado da corrida, no momento actual, e partindo do princípio de que será Romney a bater-se com Obama, na eleição geral de Novembro.
Em relação à minha última análise, há quatro meses atrás, o cenário está significativamente mais favorável para Barack Obama, que está já muito perto do número de votos eleitorais necessários para garantir a reeleição (270). Os principais ganhos para Obama situam-se no midwest, zona onde Ohio, o Michigan e o Wisconsin passaram de toss ups (onde o resultado é demasiado incerto para se poder fazer uma previsão) para leaning democrat, fruto de sondagens que têm mostrado vantagem para o Presidente e porque Romney terá dificuldades em justificar a sua oposição ao bailout da indústria automóvel, um sector fundamental nesta região dos Estados Unidos. Também a Vírginia passou de toss-up para leaning democrat, enquanto que a Florida apenas continua como toss-up porque Marco Rubio é um grande candidato à presença no ticket republicano, o que seria uma grande mais-valia para os republicanos no sunshine state. Por fim, também um dos votos eleitorais do Nebraska passou a constar na lista dos toss-ups, visto que tenho lido que Obama tem fortes hipóteses de conseguir vencer no distrito eleitoral da cidade de Omaha, como fez em 2008. 
Segundo o meu cenário (que vale o que vale), Obama consegue 258 votos eleitorais, face aos 190 de Romney, ficando 90 votos eleitorais em disputa. De momento, o favoritismo está do lado do actual ocupante da Casa Branca, cujos números têm tido tendência para subir. Contudo, falta ainda muito tempo para as eleições e, até lá, é bem provável que este mapa vá sofrendo várias alterações.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Reforma da Saúde: o juiz decide

Depois de transitar por diversos tribunais inferiores, a reforma do sistema de Saúde norte-americano, a maior vitória legislativa da presidência de Barack Obama, chegou, finalmente, ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Agora, os nove juízes da mais alta instância jurídica do país irão decidir se a Obamacare é ou não constitucional. Mais que uma disputa jurídica, esta é uma contenda política, com vastas consequências, em especial em ano de eleições presidenciais.

No debate no Supremo Tribunal, o ponto mais discutido desta lei tem sido o individual mandate, ou seja, o facto de a reforma da Saúde obrigar todos os cidadãos americanos a comprar um seguro de saúde, algo que os conservadores consideram ser uma intromissão do Estado na liberdade pessoal do indivíduo. Nestas audiências, tem dado que falar o "argumento dos brócolos", que aponta para o precedente criado por esta lei: "se o Estado pode obrigar alguém a comprar um seguro de saúde também pode obrigar o cidadão a comer brócolos".

Num tribunal altamente politizado, ou não fossem os seus juízes nomeados pelo Presidente, é esperado que os juízes liberais votem favoravelmente e que os juízes conservadores optem por votar contra a healthcare reform. Assim, o tradicional fiel da balança do Supremo Tribunal, o juiz Anthony Kennedy, nomeado por Ronald Reagan pode desempenhar, uma vez mais, o papel de voto decisivo nesta contenda. Mas, pelo que se tem percebido das suas perguntas e intervenções no debate com o Solicitador-Geral dos EUA (que representa o Governo em audiências no Supremo Tribunal), Kennedy deverá estar mais inclinado a rejeitar a reforma da Saúde.

Contudo, resta ainda uma outra esperança para a Administração Obama. O Chief Justice, John Roberts, que pontualmente também já alinhou com a facção liberal do Tribunal (maioritariamente acompanhando a decisão de Kennedy, resultando isso numa votação de 6-3), estará, diz-se, a ponderar a possibilidade de votar a favor da Obamacare, esperando apenas por um bom argumento para que possa justificar essa sua decisão. Ora, o Solicitador Geral, Donald Verrilli, poderá ter arranjado o argumento que Roberts procurava para poder votar a favor da reforma da Saúde. Ao destacar a singularidade da questão da Saúde, visto que todos os cidadãos são consumidores de serviços de Saúde, quer tenham seguro ou não. Assim, como quem não tem seguro de saúde necessita de dispendiosos serviços de saúde, nomeadamente nas urgências hospitalares, essa factura acaba sempre por ser paga pelos consumidores de seguros de saúde, através de prémios mais altos.

A decisão final relativamente a este processo ainda deve demorar algumas semanas, mas é certo que o resultado terá um grande impacto na corrida eleitoral de 2012. É ainda difícil dizer que desfecho interessa a quem, porque, por exemplo, em caso de revogação da reforma da Saúde, isso tanto pode prejudicar Obama, que vê a sua peça legislativa mais marcante ser anulada pela poder dos tribunais, como ser-lhe favorável, ao motivar e mobilizar o eleitorado democrata para as eleições de Novembro. Seja qual for a decisão do Supremo Tribunal, a verdade é que os nove juízes da mais alta instância jurídica dos Estados Unidos terão, uma vez mais, realizado uma opção com base na sua ideologia política, em vez de terem tomado uma decisão baseada na Lei. E isso não pode ser bom para ninguém.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Obama lidera no "Big Three"

Dado o sistema de colégio eleitoral que rege as eleições presidenciais norte-americanas, os candidatos à Casa Branca concentram os seus esforços em determinados locais, os ditos swing states, Estados que podem cair para os democratas como para os republicanos. Entre esses, os mais importantes, dado a sua dimensão populacional e, consequentemente, o número de votos eleitorais em jogo, são a Florida, o Ohio e a Pensilvânia, o chamado Big Three das eleições presidenciais dos Estados Unidos.Importa, por isso, fazer referência às sondagens nestes três Estados, relativas à eleição geral, que foram ontem divulgadas pela Quinnipiac:

Florida
Obama - 49%
Romney - 42%

Pensilvânia: 
Obama - 45%
Romney 42%

Ohio:
Obama - 47%
Romney - 41%

São números extremamente positivos para Barack Obama, que caso consiga mesmo fazer o pleno no big three, à imagem do que fez em 2008, terá, certamente, a reeleição assegurada. O resultado na Florida é especialmente relevante, ficando perto da marca dos 50%, num Estado onde se chegou a pensar que não estaria ao seu alcance neste ciclo eleitoral. Por outro lado, na Pensilvânia, a sua vantagem para Mitt Romney é mais curta do que podia ser de esperar, visto que este Estado é, dos três, tradicionalmente o mais favorável aos democratas. Contudo, Romney está neste momento a investir fortemente em anúncios na Pensilvânia, no âmbito das primárias republicanas, o que pode explicar, pelo menos em parte, que esteja mais perto de Obama do que nos outros dois Estados.

Visto isto, e sendo verdade que Obama surge, para já, em boa posição para assegurar a reeleição, é preciso, porém, relativizar estas sondagens, numa altura em que Romney ainda não selou a nomeação republicana e quando estamos a mais de sete meses da noite eleitoral. Ainda não sabemos, por exemplo, quem será o running mate do ex-Governador do Massachusetts, um dado que pode alterar substancialmente a dinâmica da corrida, em especial num destes Estados, caso o Veep escolhido por Romney seja oriundo de um deles (o Senador pela Florida, Marco Rubio, é o caso mais flagrante). Seja como for, dada a importância do Big Three, continuaremos a seguir com atenção o que de mais de importante se passar nesses decisivos Estados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Santorum continua a adiar o inevitável

Rick Santorum obteve, no Sábado, uma expressiva vitória na primária do Louisiana, conquistando o voto de quase metade dos eleitores daquele Estado do Sul dos Estados Unidos. Com 49% dos votos, Santorum amealhou ainda dez delegados, face aos 26,7% e aos 5 delegados conquistados por Romney. Abaixo da margem dos 25%, resultado mínimo para se receber delegados, ficaram Newt Gingrich (15,9%) e Ron Paul (2,3%).
Com este triunfo, Rick Santorum somou mais uma vitória num Estado sulista, território onde o eleitorado evangélico e socialmente muito conservador o vai preferindo em detrimento do presumível nomeado, Romney. Contudo, o resultado do passado Sábado em pouco ou nada alteram a dinâmica da corrida, que parece cada vez mais decidida em favor de Mitt Romney, que está já em velocidade de cruzeiro em direcção à nomeação. Para já, Santorum ainda o vai beliscando com estas vitórias, mas a  vantagem que Romney leva em termos de delegados é já praticamente inultrapassável, a não ser que aconteça um enorme golpe de teatro que faça grandes danos à campanha do antigo Governador do Massachusetts.
Também Newt Gingrich e Ron Paul se não mantendo na corrida, apesar de já se terem tornado totalmente irrelevantes na campanha eleitoral em curso. O caso de Gingrich é especialmente gritante, visto que o ex-Speaker já nem no Sul profundo é capaz de obter bons resultados, como se viu no Louisiana. Por sua vez, Ron Paul, vai aguentando a sua candidatura, como seria de esperar, mas até mesmo a sua estratégia de apostar forte nos caucuses se tem revelado um rotundo fracasso.
Agora, o establishment  republicano e, claro está, a campanha de Romney vão clamando pelo final da corrida, tentando forçar os restantes candidatos ao abandono, de forma a que o frontrunner possa desviar atenções das primárias, passando e concentrar-se na eleição geral contra Barack Obama. Porém, todos têm afirmado que vão aguentar até à Convenção Nacional do GOP, em Tampa, na esperança de um milagre (que não acontecerá). E a verdade é o próprio Mitt Romney tem uma grande responsabilidade nesta relutância de Santorum e Gingirch em abandonarem a corrida. A forma como Romney ganhou, com muitos ataques pessoais e vários anúncios negativos, criou nos seus adversários um grande ressentimento, tornando-os menos susceptíveis de desistirem em prol da união partidária. Por isso, teremos primárias (ainda que, se calhar, a meio gás), durante mais algum tempo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Etch a Sketch

Depois de uma excelente vitória no Illinois, Mitt Romney pretendia, seguramente, aproveitar o ciclo de notícias positivas para aumentar a sua popularidade e parecer ser o presumível nomeado republicano. Contudo, uma gaffe de um dos membros do seu senior staff, Eric Fehrnstrom, resolveu deitar essas ideias por terra e afirmou, na CNN, que, após as primárias, Romney terá muito tempo para reformular a sua imagem, como quem faz um novo desenho no popular brinquedo infantil "Etch a Sketch". 
Esta foi uma daquelas verdades que não devem ser ditas em voz alta, pelo menos não na televisão por um membro da campanha. A mudança de discurso de um candidato presidencial quando muda da campanha das primárias para a campanha da eleição geral é uma realidade para todos os políticos que concorrem para a presidência (e não só), visto que enquanto que na disputa pela nomeação se fala para as bases do partido, já na eleição geral é necessário atrair o eleitorado do centro: os independentes e os moderados.
Esta gaffe de Fehrnstrom é especialmente danosa para a campanha de Romney, porque o candidato tem já a fama de flip flopper e de ser capaz de afirmar qualquer coisa ou defender qualquer posição que o possa ajudar a ser eleito. Agora, o ex-Governador do Massachusetts, em vez da victory lap que pretenderia depois do triunfo no Illinois, é obrigado a defender-se dos ataques dos seus adversários, que tiveram nesta gaffe uma verdadeira dádiva divina. É evidente que não há campanhas infalíveis, mas, com tantas falhas já cometidas, Romney começa a ficar sem margem de erro.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O princípio do fim?

Resultados da primária do Illinois:

Mitt Romney - 46,7%
Rick Santorum - 35%
Ron Paul - 9,3%
Newt Gingrich - 8,0%

Mitt Romney teve ontem uma excelente noite eleitoral, conseguindo uma clara vitória na primária do Illinois, um dos maiores Estados norte-americanos e a que pertence a cidade de Chicago. A diferença para Santorum foi de quase doze pontos percentuais, o que permitiu ao ex-Governador do Massachusetts arrecadar cerca de mais 30 delegados do que o seu principal opositor.
 Ontem à noite, no seu discurso de vitória, Romney pareceu já mais focado na eleição geral, frente a Barack Obama, do que na continuação da disputa das primárias republicanas com os seus companheiros de partido. Não se referindo a Santorum, Gingrich ou Paul, Mitt Romney adoptou a postura de presumível nomeado, preparando o terreno para a fase de reconciliação intra-partidária pós-primárias. Continua, contudo, a cometer o erro de resumir a corrida a uma mera equação matemática de atribuição de delegados, o que não me parece ser uma boa forma de "chegar" aos eleitores, nomeadamente àqueles que ainda têm muitas dificuldades em ver o seu lado mais humano e emocional. 
 Agora, segue-se, já no próximo Sábado, a primária do Louisiana, Estado que, por ser sulista e conservador, deverá ser ganho por Santorum. Mas, mesmo assim, depois da robusta vitória de ontem, Romney tem o momentum e o balanço necessários para em Abril  (mês que, a ver pelas primárias agendadas, lhe deve ser favorável) arrumar com a questão da nomeação, ou, pelo menos, ficar muito perto disso. Com Gingrich em queda livre e Ron Paul a tornar-se praticamente um aliado, resta apenas a Romney preocupar-se com Rick Santorum, que, apesar de um bom político de campanha, não tem nem a estrutura nem o dinheiro para recuperar a já grande desvantagem de delegados que tem em relação a Romney. 
 Assim, mais tarde ou mais cedo, Romney deverá selar a nomeação, mesmo que, para isso, necessite da ajuda de um grande número de super-delegados que poderão sair em seu socorro, caso a possibilidade de uma brokered convention, um cenário de pesadelo para os republicanos, esteja em cima da mesa. É evidente que ainda não foi capaz de convencer os eleitores republicanos mais conservadores, que continuam a preferir Santorum, mas Romney também não precisa de se preocupar muito com isso, porque numa eleição geral entre si e Obama, o candidato republicano, seja ele quem for, tem sempre esses votos garantidos. 
 Sendo, por tudo isto, muito provável que Mitt Romney seja mesmo o nomeado presidencial do Partido Republicano, é bem possível que, mais tarde, quando se contar a história destas primárias, se afirme que o Illinois marcou o princípio do fim desta corrida. Por esta altura, mais pertinente do que saber quem será o vencedor destas primárias, parece ser perceber quando é que elas terminarão.

terça-feira, 20 de março de 2012

Will the Real Mitt Romney Please Stand Up?

Antes das tensões da primária do Illinois, cai sempre bem um pouco de humor. E, nesse campo, esta  adaptação de uma conhecida música do rapper Eminen que brinca com os não menos famosos flip flops de Mitt Romney, é de visualização obrigatória. Está verdadeiramente fantástico!

Na terra de Lincoln

Realizam-se hoje as primárias do Illinois, Estado que deu a conhecer um dos mais famosos e importantes norte-americanos de todos os tempos, o Presidente Abraham Lincoln. E que jeito daria aos republicanos um candidato da estirpe do homem que venceu a Guerra Civil Americana. Contudo, têm que se contentar com Romney, Santorum, Gingrich e Paul. Entre estes nomes, sairá o próximo candidato presidencial do GOP que defrontará Barack Obama, em Novembro.
Depois das vitórias de Rick Santorum no Alabama e no Mississipi, esperava-se que a disputa no Illinois fosse muito equilibrada. E, de facto, nos dias seguintes a esse duplo triunfo sulista de Santorum, as sondagens pareciam indicar que a corrida iria ser decidida até ao último voto. Contudo, nos últimos dias, Mitt Romney disparou nas intenções de voto e surge agora bem posicionado para uma vitória confortável, provavelmente nos double digits
Mais uma vez, a vantagem financeira de Romney foi decisiva para fazer a diferença. Tratando-se o Illinois de um Estado de grandes dimensões e com mercados publicitários caros, tornou-se ainda mais difícil para Santorum competir com uma campanha superiormente organizada e com muitos mais meios monetários, como é o caso da de Romney. Mas, além disso, o antigo Governador do Massachusetts  beneficiou ainda do momentum proporcionado pela sua vitória nas primárias de Puerto Rico, onde derrotou copiosamente a concorrência. Finalmente, também Santorum contribuiu para a sua própria descida nas sondagens, com uma presença algo errática no trilho da campanha, proferindo, por exemplo, uma gaffe "a la Romney", afirmando que não se interessa pela taxa de desemprego.
A confirmar-se, mais logo, uma vitória robusta de Romney na primária do Illinois, o actual frontrunner da corrida republicana passa a ser ainda mais favorito a obter a nomeação presidencial do seu partido. Contudo, com a dinâmica da corrida em constante mudança, teremos sempre que esperar para ver o que sucede nas primárias que se avizinham. De qualquer forma, dificilmente a luta pela nomeação ficará decidida antes de Maio ou Junho. E mesmo a hipótese de se chegar à Convenção Nacional sem um nomeado não pode ainda ser descartada.

domingo, 18 de março de 2012

Apresentação da obra "Razão e Liberdade"

José Gomes André, que escreve (e bem) no Era Uma Vez na América, um blogue de referência sobre a política e a cultura norte-americana, apresenta amanhã a sua obra sobre o pensamento político de James Madison, o quarto Presidente dos Estados Unidos e um dos founding fathers da nação americana, sob o título de "Razão e Liberdade". A apresentação do livro fica a cargo de Viriato Soromenho-Marques e decorre amanhã, pelas 18:30, na FNAC do do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Gingrich quer ir até Tampa

Infelizmente para Rick Santorum, Newt Gingrich parece determinado em não desistir da sua candidatura à presidência. Nesta sua entrevista no programa "This Morning", da CBS, o ex-Speaker afirmou novamente que irá continuar na corrida até à Convenção Nacional Republicana, em Tampa, na Florida. Apesar de já não ter qualquer hipótese de vir a ser o nomeado do GOP, Gingrich parece querer retirar o máximo de dividendos que puder desta sua aventura presidencial, nomeadamente ao nível da publicidade ao seu próprio nome, o que o pode ajudar, no futuro, a vender mais livros e a valer mais dinheiro no sempre lucrativo circuito de palestras norte-americano.

Sejam quais forem as suas intenções, a verdade é que a única importância que resta à candidatura de Newt Gingrich é a questão da sua desistência, se e quando acontecer. Como candidato, o georgiano é já totalmente irrelevante. Nos último dias, Newt tem justificado a sua permanência na corrida como uma forma de obrigar Mitt Romney a desdobrar os seus ataques, em vez de se concentrar apenas em Rick Santorum. Contudo, é já seguro que Romney apenas se tem de preocupar com Santorum e que Gingrich, ao não desistir, está a prejudicar as hipóteses de o antigo Senador pela Pensilvânia ainda poder ameaçar a nomeação de Romney. Mas Newt Gingrich é conhecido por ser um indivíduo pouco disposto a ouvir a razão e a lógica de terceiros, preferindo apostar tudo nas suas convicções e ideias. Mesmo que elas, como neste caso, façam pouco sentido.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Santorum varre o Sul

Resultados das primárias de ontem:

Alabama

Rick Santorum -  34,9%
Newt Gingrich - 29,5%
Mitt Romney - 28,4%
Ron Paul - 5,0%

Mississippi

Rick Santorum - 32,9%
Newt Gingrich - 31,4%
Mitt Romney - 30,3%
Ron Paul - 4,4%

Rick Santorum teve ontem uma excelente noite eleitoral, obtendo uma algo improvável "dobradinha" nas primárias dos dois Estados sulistas que ontem foram a votos: o Alabama e o Mississippi. A partir de agora, fica claro que a corrida pela nomeação presidencial republicana é uma luta a dois entre Santorum e Romney. Depois das vitórias de ontem, o ex-Senador da Pensilvânia volta a ganhar um novo fôlego para enfrentar Romney no trilho da campanha, apesar de não poder contar, nem de perto nem de longe, com uma estrutura de apoio e de fundos monetários como os do antigo Governador do Massachusetts. Santorum leva já dez vitórias nesta campanha, mas estas provêm de Estados pequenos e maioritariamente conservadores. Agora, precisa de triunfar num Estado urbano e populoso, de forma a provar que pode mesmo retirar a nomeação a Romney. E as primárias do Illinois, que decorrem na próxima Terça-feira, são um local ideal para o fazer.

Mitt Romney, por sua vez, sai como derrotado da noite de ontem, principalmente devido à forma como jogou (mal) o jogo das expectativas. Ainda que se tenha quedado pelo terceiro posto tanto no Alabama como no Mississippi, Romney ficou, em ambos os Estados, muito perto do topo, o que poderia ser entendido como um bom resultado num terreno que lhe é desfavorável. Todavia, nas vésperas destas votações, Romney afirmou que iria vencer pelo menos uma delas, elevando as expectativas, que, no final de contas, saíram goradas. Agora, volta a ser alvo de uma maré de comentários que afirmam o seu problema em seal the deal e atrair o grosso do eleitorado de base do Partido Republicano. O antigo Governador do Massachusetts continua a ser o grande favorito a enfrentar Obama em Novembro, mas terá de passar obrigatoriamente por uma época de primárias prolongadas e onde nunca se sabe o que pode suceder.

Mitt Romney poderá ainda ter a tarefa mais complicada se Newt Gingrich desistir da corrida e deixar o seu eleitorado à mercê de ser conquistado por Santorum. O ex-Speaker necessitava de vencer pelo menos um dos Estados que realizaram ontem as suas primárias de modo a poder afirmar-se ainda como um candidato credível e relevante nesta campanha eleitoral. Mas, mesmo a jogar em casa, Newt foi batido em ambos os casos por um Santorum que é definitivamente o porta-estandarte da ala mais conservadora do Partido Republicano. No seu discurso, Gingrich continuou a afirmar que permanecerá na corrida, mas mesmo a sua conhecida obstinação poderá não bastar para que a sua campanha, sem vitórias e, consequentemente, sem apoios e sem dinheiro, continue por muito mais tempo.

Para o final ficam os dados menos relevantes da noite de ontem. Ron Paul, que é cada vez mais uma mera nota de rodapé nestas eleições, obteve fracos resultados no Alabama e no Mississippi, Estados onde não teria, à partida, condições para conseguir fazer muito melhor. Entretanto, fora do território continental americano, Romney conseguiu vitórias nos caucuses do Hawaii e da Samoa americana e consegue alguns delegados com esses triunfos. Contudo, quando se faz o rescaldo da noite de ontem, o que se destaca são os excelentes resultados de Rick Santorum e as latentes fragilidades de Mitt Romney, que, para quem se descreve como o presumível nomeado, continua com enormes dificuldades em afastar candidatos relativamente fracos (relembre-se que Santorum perdeu, em 2006, a reeleição para o Senado por 20 pontos percentuais) e com fracos recursos. A corrida está mesmo para continuar.