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quarta-feira, 20 de abril de 2011

O risco do GOP

Na passada Sexta-feira, a maioria republicana na Câmara dos Representantes aprovou um projecto para o orçamento federal que prevê um corte de 5.8 triliões (!) de dólares na despesa, durante a próxima década. Entre as medidas que seriam tomadas para diminuir a dimensão do Estado encontram-se cortes nos programas federais de assistência de saúde aos idosos (Medicare) e aos mais pobres (Medicaid). Ora, tem sido precisamente em torno destes dois programas que se tem concentrado a discórdia e a polémica entre os dois partidos. Na votação da Câmara dos Representantes, a divisão foi notória, já que todos os democratas votaram contra o plano do congressista do GOP Paul Ryan, enquanto que apenas quatro republicanos quebraram a disciplina partidária e se opuseram a esta proposta. 
É de esperar que a votação da semana passada, assim como o plano de Paul Ryan, seja um dos tópicos mais presentes na cada vez mais próxima campanha de 2012. Ao proporem-se reduzir o Medicare e o Medicaid, dois programas muito populares entre os norte-americanos, os republicanos arriscam-se a sofrer tanto ou mais danos eleitorais do que os democratas sofreram em 2010, devido à impopular reforma da saúde que fizeram aprovar no ano passado. Além disso, os democratas passam a contar com uma importante bandeira eleitoral, que poderão e deverão utilizar durante a campanha para as eleições presidenciais e legislativas contra os candidatos republicanos. Este é um grande risco assumido pelo GOP, com consequências que apenas o futuro ditará.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Crise evitada

Na passada Sexta-feira, e praticamente no último minuto, foi evitado o encerramento do governo federal norte-americano, com a chegada a um acordo relativamente ao orçamento, entre democratas e republicanos. Era já perto da meia noite na costa leste dos Estados Unidos, quando foi anunciado um compromisso entre os dois lados, que prevê o corte na despesa de 38 milhões de dólares, o maior da história.
Este acordo representa uma espécie de empate entre as duas forças políticas. Por um lado, o Partido Democrata, em minoria na Câmara dos Representantes, o órgão responsável pelo orçamento federal, conseguiu reduzir em 22 milhões de dólares o corte inicialmente pretendido pelos republicanos. Por outro lado, o GOP alcançou um corte significativo na despesa, evitando, ao mesmo tempo, a suspensão da administração federal, o que teria, presumivelmente, consequências danosas para a imagem do partido junto do povo americano.
Duas figuras emergiram, a meu ver, vitoriosas de todo este complexo e demorado processo. John Boehner, o Speaker da Câmara dos Representantes, não repetiu os erros de Newt Gingrich, em 1995, e conseguiu um significativo corte na despesa, evitando o shutdown. Por sua vez, Barack Obama, ao distanciar-se da luta partidária e da facção mais liberal no interior do seu partido, continuou a marcar pontos junto do eleitorado independente (que decide as eleições), estabelecendo-se como uma figura moderada e que possibilita os compromissos bipartidários.

terça-feira, 1 de março de 2011

Shutdown

Enquanto continuam as difíceis negociações em torno do orçamento federal, um processo especialmente sensível este ano devido ao facto de cada um dos dois partidos controlar uma das câmaras do Congresso (os democratas são a maioria no Senado, enquanto que o GOP tem o controlo da Câmara dos Representantes), começa a ganhar consistência o cenário de uma paragem governamental, mais conhecido nos Estados Unidos como shutdown.
Numa situação de shutdown, que sucede quando o órgão legislativo é incapaz de produzir o orçamento federal (ou quando o Presidente veta o orçamento proposto pelo Congresso), o governo federal é suspenso, ficando apenas em actividade os sectores considerados essenciais para o funcionamento do país (forças armadas, polícia, bombeiros, etc.). Como democratas e republicanos parecem muito distantes de chegar a um qualquer tipo de acordo relativamente ao orçamento, em especial no que diz respeito a políticas fiscais e cortes na despesa, é bem possível que o governo venha mesmo a encerrar nas próximas semanas, senão nos próximos dias. 
A última vez que uma situação como estas ocorreu foi em 1995, quando as divergências entre o Presidente Bill Clinton e Newt Gingrich (então speaker of the house) levaram ao fecho de portas do federal government. Na altura, o desenrolar dos acontecimentos resultou numa vitória política de Bill Clinton, já que a maioria dos americanos atribuíram à intransigência de Gingrich em negociar com a Casa Branca a maior parte das responsabilidades pelo shutdown. 
Este ano, Barack Obama parece querer seguir o guião de Clinton, preferindo manter-se na retaguarda, deixando os papéis principais nas negociações com os republicanos para os líderes democratas do Congresso. Assim, se (ou quando) as coisas derem para o torto, poderá surgir como a voz da razão e apresentar soluções de compromisso entre as posições dos dois lados. Estaria, dessa forma, a dar um importante passo para a sua reeleição em 2012.