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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A recuperação democrata

2009 e 2010 foram péssimos anos para o Partido Democrata, derrotado em várias eleições, que lhe custaram o controlo da Câmara dos Representantes, a maioria à prova de fillibuster no Senado e ainda vários governos estaduais. Contudo, nas últimas semanas têm surgido alguns indicadores que apontam para uma recuperação democrata junto do eleitorado e, em sentido inverso, para a perda de popularidade do Partido Republicano.
Quando o congressista republicano, Paul Ryan, Presidente da Comissão do Orçamento, anunciou o seu plano para o défice, as suas ideias para o Medicare, o programa de saúde federal de apoio aos idosos, prevendo a sua gradual privatização, provocaram uma espécie de terramoto político. Ora, o "ataque" de Ryan a um dos programas mais populares do governo federal americano foi uma verdadeira prenda oferecida pelo GOP aos democratas, que imediatamente fizeram da defesa do Medicare o seu principal talking point.
Pelos vistos, a estratégia está a resultar, já que nas sondagens relativas ao voto nacional para a Câmara dos Representantes os democratas já desalojaram os republicanos da liderança. O bom momento democrata ficou provado esta semana, numa eleição especial para um lugar na Câmara dos Representantes por Nova Iorque, onde o candidato democrata saiu vencedor, num distrito normalmente considerado seguro para os republicanos (porém, o concorrente republicano foi prejudicado pela presença de um candidato representante do Tea Party, que lhe terá retirado alguns votos).
Com base no momentum adquirido, o DCCC (o comité democrata responsável pelas campanhas para o Congresso) prepara uma forte aposta nas eleições de 2012, prevendo atacar 97 lugares actualmente na posse de congressistas republicanos. Ainda assim, 2012 não deverá ser uma wave election, como foram as de 2006 e 2008, a favor dos democratas, ou as do ano passado, que favoreceram os republicanos. É  improvável que o Partido Democrata consiga recuperar o controlo da câmara baixa do Congresso, mas deverá, pelo menos, "roubar" alguns assentos ao GOP.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O risco do GOP

Na passada Sexta-feira, a maioria republicana na Câmara dos Representantes aprovou um projecto para o orçamento federal que prevê um corte de 5.8 triliões (!) de dólares na despesa, durante a próxima década. Entre as medidas que seriam tomadas para diminuir a dimensão do Estado encontram-se cortes nos programas federais de assistência de saúde aos idosos (Medicare) e aos mais pobres (Medicaid). Ora, tem sido precisamente em torno destes dois programas que se tem concentrado a discórdia e a polémica entre os dois partidos. Na votação da Câmara dos Representantes, a divisão foi notória, já que todos os democratas votaram contra o plano do congressista do GOP Paul Ryan, enquanto que apenas quatro republicanos quebraram a disciplina partidária e se opuseram a esta proposta. 
É de esperar que a votação da semana passada, assim como o plano de Paul Ryan, seja um dos tópicos mais presentes na cada vez mais próxima campanha de 2012. Ao proporem-se reduzir o Medicare e o Medicaid, dois programas muito populares entre os norte-americanos, os republicanos arriscam-se a sofrer tanto ou mais danos eleitorais do que os democratas sofreram em 2010, devido à impopular reforma da saúde que fizeram aprovar no ano passado. Além disso, os democratas passam a contar com uma importante bandeira eleitoral, que poderão e deverão utilizar durante a campanha para as eleições presidenciais e legislativas contra os candidatos republicanos. Este é um grande risco assumido pelo GOP, com consequências que apenas o futuro ditará.