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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Acordo fiscal aprovado!

O acordo fiscal formado entre o Presidente Barack Obama e a liderança republicana do Congresso foi aprovado, ontem, pela Câmara dos Representantes, depois de já ter passado sem problemas  no Senado (81 votos a favor, contra apenas 19 votos desfavoráveis). Assim sendo, Obama, que deve promulgar o diploma ainda hoje, conseguiu uma importante vitória legislativa, ainda por cima com o selo do bipartidarismo, pouco depois dos péssimos resultados que o seu partido obteve nas eleições intercalares.
Quem não ficou nada agradado com este acordo fiscal (que, recorde-se, prolongou os cortes de impostos da era Bush e estendeu apoios aos desempregados por mais um ano) foi a ala mais liberal do Partido Democrata, que se insurgiu contra a legislação e também contra o seu próprio presidente, criticando-o por ter faltado à sua promessa eleitoral de não prolongar os cortes fiscais para os mais ricos. Apesar de os republicanos mais conservadores também terem contestado o acordo bipartidário, os membros moderados dos dois partidos foram suficientes para garantir a passagem da legislação.
Para Obama, este acordo pode significar o seu ressurgimento político e marcar o início da sua campanha de reeleição. Ao colocar-se como o principal proponente de um compromisso bipartidário altamente popular entre aos americanos, o 44º presidente dos Estados Unidos pode passar a imagem de um líder moderado, ponderado e que procura e alcança compromissos com a oposição, em claro contraste com as facções mais radicais dos dois partidos e cumprindo, finalmente, aquilo que prometeu durante a campanha de 2008. Esse é, certamente, o objectivo de Obama. Porém, se será essa a percepção dos americanos é algo que teremos de esperar para ver.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Obama procura consenso fiscal

Uma das ideias principais da campanha presidencial de Barack Obama foi relativa aos cortes fiscais de George W. Bush que expiram no fim deste ano. Enquanto candidato à Casa Branca, Obama prometeu manter esses cortes para aqueles que ganhassem menos de 250 mil dólares por ano, ou seja, para a classe média, mas não os renovar para quem estivesse acima desse escalão de rendimentos. 
Contudo, o actual panorama político americano, depois da derrota eleitoral do mês passado e a consequente perda do controlo da Câmara dos Representantes, pode obrigá-lo a ceder nesse intento, indo de encontro aos desejos republicanos, que defendem que os cortes fiscais devem ser prolongados para todos os americanos. Nos últimos tempos, chegou a ser ventilado que o acordo poderia passar pela subida do escalão que veria os seus tax breaks terminarem, passando dos 250 mil que Obama propunha, para o patamar de 500 mil dólares, ou mesmo um milhão. Contudo, segundo as informações que começam a passar para o exterior, o mais provável é que a totalidade dos cortes de impostos sejam renovados, com os republicanos a permitirem que surjam mais subsídios e apoios para os desempregados, numa altura em que o desemprego teima em não diminuir nos Estados Unidos.

Obama será certamente muito criticado pela Esquerda do seu partido, que não ficará nada agradada com esta cedência do seu Presidente. E, de facto, parece-me que este processo não foi muito bem conduzido pela Casa Branca, que desde há muito tempo deu a entender que não teria capital político para contrariar os republicanos. A meu ver, os democratas perderam aqui uma oportunidade de se baterem mais afincadamente com o GOP e de salientarem as contradições da oposição que, ao mesmo tempo que exige a redução do défice federal, defende a redução de impostos para os mais ricos. Além disso, a opção defendida por Obama, de manter os cortes de impostos para a classe média, mas deixá-los expirar para os mais abastados, é a preferida pelos cidadãos americanos, como indicam estas sondagens.

Por outro lado, esta semi-derrota democrata, pode permitir um pequeno desanuviamento das relações entre os dois partidos, levando a que Obama consiga fazer passar outros elementos do seu programa no Congress, como o tratado START, ou o fim do "Don't Ask, Don't Tell". Depois da pesada derrota nas intercalares, Obama prometeu esforçar-se por trabalhar e cooperar com a oposição, e este parece ser o primeiro passo nesse sentido, demonstrando que também é capaz de ser reconciliador, ponderado e bipartidário. O que, convenhamos, quando as eleições de 2012 estão aí à porta, são qualidades que o ajudarão, e muito, com o eleitorado.