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sábado, 17 de outubro de 2020

The West Wing de regresso para apelar ao voto

Em 1999, Aaron Sorkyn, um dos mais conceituados argumentistas de Hollywood, teve a inaudita ideia de fazer uma série de televisão sobre os bastidores da política. Na altura, parecia uma iniciativa condenada ao fracasso, pois havia a ideia que os espectadores queriam acção e emoção e proliferavam as séries sobre hospitais e forças policiais. Contudo, a Warner Brothers apostou no autor que, entretanto, já venceu um Óscar e viu The West Wing tornar-se consagrada pela crítica (venceu 4 Emmys para melhor série dramática) e pelo público.

A visão idealizada da política e dos seus bastidores que era transmitida pela série inspirou milhões de fãs e levou muitos deles a dedicarem-se à política. Outros, como eu, tomaram um rumo académico por sua influência. Por isso, ao longo dos últimos anos, The West Wing tornou-se uma série de culto, com uma fiel e dedicada legião de fãs que sempre pediu o regresso da série televisiva que marcou o início do século XX e lançou o período de ouro da televisão, que, até então, era vista como a parente pobre do cinema.

Finalmente, em 2020, Sorkyn, o produtor Thomas Schlamme e o elenco de The West Wing reuniram-se para a encenação de um dos melhores episódios da série - Hartsfield Landing. Numa parceria com a associação When We All Vote, a emissão do episódio na HOB Max teve como propósito o apelo ao voto nas próximas eleições norte-americanas. O elenco, agora 20 anos mais velho e sem John Spencer, falecido em 2005, encenou em palco o episódio que se desenrola em torno de um potencial conflito entre a China e Taiwan e com uma pequena eleição primária na ficcional vila que dá nome ao episódio em plano de fundo. Sendo um episódio que funciona bem por si só e com os temas da democracia e do voto muito presentes, a escolha do episódio fez todo o sentido e funciona na perfeição, mesmo tanto tempo depois.

Com algumas participações especiais de luxo, como Bill Clinton, Michelle Obama ou Samuel L. Jackson, a apelarem à participação eleitoral, esta reunião da família The West Wing representa um farol de esperança numa época em que o clima de conflito e de crispação dominam o panorama político dos Estados Unidos. Para mim e para outros entusiastas da série que considero ser a melhor de sempre (em especial ao nível da escrita e do desempenho dos actores), este Hartsfield Landing sabe como um regresso a casa. 

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sarah Palin's Alaska

Estreou, ontem à noite, na cadeia televisa norte-americana TLC, a grande sensação do momento nos Estados Unidos: o reality show de Sarah Palin, baptizado de Sarah Palin's Alaska. No programa, as câmaras seguem o dia-a-dia da política republicana mais famosa do mundo no seu frio e distante estado natal do Alasca. 
Mas quais serão os objectivos de Palin com este programa de televisão? Os analistas dividem-se relativamente à resposta a esta questão. Por um lado, uns afirmam que esta é a prova definitiva de que a running mate de John McCain em 2008 não se candidatará à presidência, dado que participar num programa deste género lhe retira credibilidade política junto do eleitorado e que a faz parecer pouco "presidencial". Mas, por outro lado, há quem defenda que Palin está com esta jogada a tentar mudar a imagem pouco positiva que muitos americanos têm de si, mostrando a sua faceta de mãe e cidadã comum, igual a qualquer um dos seus compatriotas, em oposição aos políticos de Washington, elitistas e out of touch com a realidade do país.
Qualquer uma das respostas pode estar correcta e é bem possível que a própria Sarah Palin ainda não se tenha decidido em relação a uma eventual candidatura à Casa Branca, em 2012. Contudo, este não deixa de ser um passo inteligente da antiga Governadora do Alasca rumo, pelo menos, à nomeação republicana. No fundo, trata-se de um anúncio político de longa duração (supostamente, não se fala de política no programa, mas, como não podia deixar de ser, ela está sempre presente) e, ainda por cima, grátis.
Mas o Sarah Palin's Alaska também serve para por a nu o lado mais demagogo e até ridículo da grande estrela do GOP. Por exemplo, a um dado momento. os Palin queixam-se da intromissão na sua vida pessoal que representou a mudança de um biógrafo não-autorizado de Sarah para a casa ao lado da família. E fazem-no diante de várias câmaras, que os seguem passo a passo, praticamente 24 horas por dia...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The West Wing

Uma das principais razões para me ter tornado um aficionado por política norte-americana foi uma série televisiva. Mas não foi uma série qualquer, mas sim uma das melhores coisas que a televisão já nos proporcionou. Estou a falar de The West Wing, ou os Homens do Presidente, como ficou conhecida em Portugal.

Esta série retrata o dia-a-dia de um presidente americano e do seu staff mais chegado. Apesar de ter como fundo os meandros políticos de Washington - muito bem retratados, diga-se - debruça-se, sobretudo, sobre as relações humanas que se desenvolvem na Casa Branca de Jed Bartlet, um ficcional presidente democrata.

Durante sete temporadas, que correspondem a um duplo mandato de Bartlet na Sala Oval, os telespectadores assistem a todas as peripécias da administração (e são muitas). Esta série, por vezes acusada de ser demasiado idealista, não pretende descrever a política tal como ela é, mas sim como dela devia ser. E vão por mim: era bom que a política e os políticos fossem mesmo assim! Nos últimos episódios, o destaque mudou da Casa Branca para a campanha eleitoral onde se escolhia o sucessor de Bartlet. Esta fase do programa teve a particularidade de possuir várias semelhanças com a campanha real de 2008. Há até quem diga que o candidato democrata da série, interpretado por Jimmy Smiths, foi inspirado em Barack Obama.

Eu, que sou um devorador de séries televisivas, considero-a a melhor que já assisti e a uma longa distância de todas as outras. Os diálogos são absolutamente brilhantes, especialmente nas quatro primeiras temporadas, quando o argumentista era Aaron Sorkin - temporadas essas que venceram, consecutivamente, quatro Emmys para melhor série dramática. Depois, apesar de ter continuado a um nível altíssimo, perdeu-se o "toque especial" de Sorkin. Mas, além da escrita inteligente e sagaz, esta série contava também com um elenco de luxo onde pontificava o nome de Martin Sheen. Mas, excelentes actores como Bradley Whitford, Allison Janney, Richard Schiff ou Rob Lowe realizaram aqui os papeis das suas vidas.

The West Wing é, então, uma série a não perder para qualquer espectador de televisão e absolutamente indispensável para os interessados por política americana! Como uma espécie de teaser, aqui fica um dos meus momentos preferidos do programa, num dos muitos fabulosos discursos de Bartlet (Martin Sheen):