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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Nine Eleven

Marca-se hoje o 11º aniversário dos atentados terroristas que, a 11 de Setembro de 2001, mudaram a América e o mundo. Nos Estados Unidos, a data será assinalada um pouco por todo o país e, como não podia deixar de ser, os dois candidatos presidenciais não deixarão passar em claro este momento simbólico.
Barack Obama, que espera capitalizar o facto de este ser o primeiro aniversário do 11 de Setembro após a morte de Bin Laden, marcará a data com um momento de silêncio na Casa Branca, deslocando-se, depois disso, até ao Pentágono, um dos locais que foi alvo dos ataques terroristas da Al-Qaeda. Por sua vez, Mitt Romney, discursará, no Nevada, perante a National Guard. O nomeado republicano aproveitará, certamente, a ocasião para tentar limpar um pouco a má imagem que deixou na Convenção Nacional Republicana, por não ter incluído, no seu discurso, qualquer referência às forças armadas dos Estados Unidos, um facto que os democratas estão a utilizar sem quartel em anúncios da campanha.
Contudo, pelo menos durante o dia de hoje, assistiremos a uma certa de tréguas na campanha presidencial republicana. Por respeito à solenidade da ocasião, os dois lados suspenderão as acções mais agressivas da campanha, um pouco ao jeito do que acontecia na Primeira Guerra Mundial, quando se comemorava o Natal. E tem toda a lógica que assim seja, porque, há onze anos atrás, se houve coisa que os terroristas conseguiram efectivamente fazer foi unir todos os cidadãos norte-americanos como até então nunca se tinha visto.

domingo, 11 de setembro de 2011

Obama no Ground Zero

Barack Obama, que nas anteriores comemorações do 11 de Setembro durante o seu mandato nunca se tinha deslocado ao Ground Zero, em Nova Iorque, participou nas comemorações dos ataques ao World Trade Center, há dez anos atrás. Não sendo uma ocasião política, Obama absteve-se de discursar, mas leu uma passagem de um salmo em honra das vítimas dos maiores atentados terroristas da história.

11 de Setembro - 10 anos

Mesmo de férias (voltarei já amanhã), o Máquina Política não pode deixar passar em claro a efeméride que hoje se comemora. Foi há exactamente dez anos que os maiores atentados terroristas da história da Humanidade tiveram lugar, com os ataques aos centros financeiros, militares e políticos (o avião que se despenhou na Pensilvânia teria como alvo a Casa Branca ou o Capitólio) dos Estados Unidos da América por parte da Al-Qaeda de Bin Laden. Quase três mil pessoas morreram na sequência dos atentados, além das largas centenas de pessoal de socorro e de apoio que trabalhou e ajudou nos dias e semanas seguintes no Ground Zero e que tiveram problemas de saúde decorrentes da inalação dos fumos tóxicos que emanavam dos escombros do que outrora tinha sido o World Trade Center. Essas foram as principais vítimas do 11 de Setembro, mas, nesse dia, ninguém ficou indiferente à tragédia que mudou o mundo. Hoje, em Nova Iorque, George W. Bush e Barack Obama estarão juntos para recordar o décimo aniversário do dia mais infame da história norte-americana depois de Pearl Harbor. Que a memória da catástrofe se mantenha viva, para que nunca se repita.

sábado, 11 de setembro de 2010

Hoje é 11 de Setembro

Há exactamente nove anos atrás, o mundo mudou. A Al-Qaeda de Bin Laden orquestrou e levou a cabo um ataque a solo americano, desviando quatro aviões comerciais para os fazer embater contra edifícios símbolos dos Estados Unidos da América. O World Trade Center e o Pentágono foram atingidos e a Casa Branca (ou o Capitólio) apenas foi poupado devido à acção heróica de um punhado de passageiros do voo 93. No total, entre Nova Iorque, o Pentágono e a Pennsylvania, onde se despenhou o voo 93, erca de três mil pessoas perderam a vida.
Na América, o dia de hoje será dedicado a homenagens às vítimas e a assinalar uma data que para sempre será recordada nos Estados Unidos e no mundo. Apesar de toda a polémica que tem envolvido o nono aniversário dos atentados, serão várias as cerimónias que irão ter lugar nos locais habituais. No "Ground Zero" estará o vice-presidente Joe Biden, enquanto o Barack Obama irá marcar presença no Pentágono, o mesmo local onde esteve o ano passado, depois de, em 2008, ter estado na big apple.  Por fim, na Pennsylvania, estarão Michelle Obama e Laura Bush a prestarem a sua homenagem aos heróis que evitaram que, há nove anos atrás, a tragédia tivesse sido ainda maior.
Nove anos depois, as relações entre os americanos e o Islão estão mais tensas do que nunca. As controvérsias relacionadas com a construção de um centro islâmico nos arredores do "Ground Zero" e a intenção de um pastor da Florida de queimar exemplares do Corão vieram atirar ainda mais lenha para o lume. Porém, pode ser que a "celebração" de mais um aniversário do 11 de Setembro sirva de expiação e que proporcione um clima mais calmo e uma maior tolerância religiosa.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cartoons: A queima do Corão


A lunática ideia de um obscuro pastor de uma pequena igreja na Florida, cuja melhor forma de assinalar o 11 de Setembro que se lembrou foi a organização de um dia internacional de queima do Corão,  está a incendiar os ânimos nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo. Contudo, esta polémica teve pelo menos o condão de colocar do mesmo lado da barricada figuras que costumam ser adversárias. Tanto os democratas Barack Obama e Hillary Clinton, como os republicanos Mitt Romney e Sarah Palin já vieram criticar esta demonstração de intolerância  religiosa. Este cartoon, de David Fitzsimmons, do Arizona Star, sublinha as consequências que podem advir desta péssima maneira de marcar o 9º aniversário do trágico dia de 11 de Setembro de 2001.

sábado, 14 de agosto de 2010

A mesquita do Ground Zero

Os projectos de construção de um centro islâmico e de uma mesquita no centro de Manhattan, perto do Ground Zero, o local onde se encontrava o World Trade Center, destruído pelos ataques terroristas do 11 de Setembro, continuam na ordem do dia. Este é um tema sensível, com os detractores deste plano a insurgirem-se contra a instalação de um local de culto da religião islâmica, que era a praticada (de forma radical) pelos terroristas que, em 2001, atacaram os centros financeiro e militar da América, tirando cerca de três milhares de vidas.
Do lado republicano, sempre apostado a mostrar-se empenhado  e forte em temas de segurança nacional, figuras como Sarah Palin ou Newt Gingrich quase se atropelam para protestar contra tal projecto, enquanto que o candidato do GOP à mansão de governador de Nova Iorque, Rick Lazio, tem feito do tema uma das sua principais bandeiras de campanha. Aliás, a única surpresa é não termos ouvido mais de Rudy Giuliani  (Mayor de Nova Iorque na altura dos atentados) que, durante a sua desastrosa candidatura presidencial, praticamente monopolizou qualquer assunto relacionado com o 11 de Setembro.
Mais surpreendente foi a corajosa posição de Barack Obama que, por ocasião do jantar comemorativo  do Ramadão na Casa Branca, defendeu a concretização do projecto, lembrando que a primeira emenda à Constituição americana institui a liberdade de culto sem distinções entre religiões. Esta postura, assumida numa apropriada ocasião, é uma pedrada no charco no panorama do Partido Democrata, já que a maioria dos políticos deste partido tem optado por se manter afastado desta tão complicada questão, ainda para mais quando esta ocorre tão perto de um período eleitoral.
Quanto a mim, penso que impedir a construção deste centro islâmico em Manhattan, que além da mesquita contará com outras instalações, como uma biblioteca, um restaurante, um auditório e um ginásio, seria uma grande machadada no ideal americano, um país fundado por imigrantes que fugiam, eles próprios, da perseguição religiosa nos seus países de origem. Além disso, é errado associar a grande religião islâmica à minoria radical que apoiou e concretizou os bárbaros actos de há nove anos atrás. Na verdade, tal proibição, além de carecer totalmente de qualquer base legal, consistiria numa vitória para os terroristas de Bin Laden, que, assim, teriam conseguido minar com sucesso a essência dos Estados Unidos da América.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um tweet polémico

Mesmo depois de, surpreendentemente, se ter demitido do cargo de Governadora do Estado do Alasca, Sarah Palin nunca mais abandonou a arena mediática americana e mesmo mundial. Para se manter, então, debaixo dos holofotes, a candidata vice-presidencial de John McCain contou com diversos veículos, como a tournée de lançamento do seu livro, "Going Rogue" ou o seu programa na Fox News. Contudo, um dos métodos que mais eficazmente tem utilizado para divulgar as suas mensagens e pensamentos ao povo americano tem sido o recurso às redes sociais, como o Facebook e o Twitter.
A sua mais recente mensagem via Twitter causou muita polémica. Referindo-se aos planos de construção de uma mesquita perto do "Ground Zero", o local onde estavam situadas as Torres Gémeas, Palin apelou à rejeição de tal projecto, considerando que este constitui uma provocação desnecessária e prejudicial à recuperação das relação dos norte-americanos com o Islamismo, gravemente afectada pelos atentados de 11 de Setembro de 2001. Opinião contrária teve o Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que decidiu aprovar a construção da mesquita precisamente com o objectivo de melhorar essas mesmas relações inter-religiosas.
Além do conteúdo do tweet, também a forma fez furor, pois Palin utilizou uma palavra que não consta do dicionário inglês - "refudiate" - para incitar à recusa da mesquita. É mais uma gaffe que prejudica a imagem nacional de Sarah Palin, já muito "queimada" por anteriores deslizes que contribuíram para que grande parte da população americana a veja como incapaz de vir um dia a ocupar a presidência. Mas, por outro lado, o destaque concedido a este simples tweet demonstra (se mais provas fossem ainda necessárias) que Palin é mesmo uma super-estrela da política americana, apenas comparável ao próprio Presidente Obama.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ainda os julgamentos do 11 de Setembro

Em Novembro de 2009, a administração americana anunciou que os suspeitos de estarem por detrás dos atentados terroristas do 11 de Setembro seriam julgados num tribunal criminal federal em Nova Iorque. Esta decisão despoletou grandes críticas e forte oposição por parte das autoridades nova-iorquinas, dos republicanos e da maior parte da população, por não quererem ver os alegados terroristas serem julgados em tribunais civis e no interior das grandes cidades americanas. Porém, nas últimas semanas surgiram indícios que a administração está a ceder face às críticas e planeia mudar a localização prevista para os julgamentos.
Porém, esta vaga de protestos contra a decisão do Procurador-Geral Eric Holder parece-me totalmente injustificada. E passo a explicar as minhas razões:
Em primeiro lugar, porque ao julgar os alegados terroristas num tribunal militar o governo americano estaria a promovê-los ao estatuto de combatentes inimigos. Ora, na minha opinião, esta atitude não seria a mais correcta. Deveria reduzir-se o terrorismo a um "simples" acto criminoso e não a um acto de guerra, não atribuindo ainda mais importância e credibilidade a pessoas, organizações e métodos que não o merecem.
Depois, porque não vejo melhor local para realizar estes julgamentos do que na cidade de Nova Iorque, cuja silhueta os terroristas mudaram para sempre. Seria um poderoso gesto simbólico com que os americanos poderiam mostrar ao mundo e aos seus inimigos que a América não foi vergada por tão infame atentado. O medo de ver estes julgamentos terem lugar na baixa de Nova Iorque é uma forma de ceder face ao terrorismo e é precisamente o que pessoas como Bin Laden pretendem.
Também me parece, como já referi anteriormente, que pelo menos alguma parte desta discussão tem sido gerada por motivos políticos, tentando mostrar Obama e os democratas como sendo soft on terror. Contudo, não me parece correcto estar a fazer jogos políticos com esta tema que, mais que qualquer outro, deveria unir os americanos em vez de dividi-los.

domingo, 31 de janeiro de 2010

The mommy problem

Uma das analogias mais interessantes da política americana é a comparação do eleitorado e dos partidos políticos com uma criança e os seus pais. Nesta visão, as necessidades dos cidadãos americanos são equiparadas às necessidades de uma criança e ao progenitor, ao qual esta recorre para as resolver.

Assim, o Partido Democrata representa a mãe e o Partido Republicano o pai. Isto porque, quando os eleitores se preocupam com emprego, educação ou saúde, se viram para os Democratas, da mesma forma que os filhos procuram as mães para resolver problemas desta ordem. Por outro lado, quando estão mais preocupados com a insegurança e temas da ordem da Defesa e da Segurança Nacional, os cidadãos tendem a confiar mais nos Republicanos, como uma criança que procura a figural paternal quando necessita de protecção.

Verifica-se, então, uma antiga e bem implementada tendência dos americanos considerarem os Republicanos mais competentes em matérias de Defesa e Segurança Nacional, enquanto os Democratas têm a fama de serem soft on terror, crime and security. Esta propensão, apesar de infundada (mais tarde, hei-de escrever detalhadamente sobre isto), leva a que os políticos do GOP façam campanha e baseiem muito a sua mensagem nestes temas, de modo a conseguirem pontos políticos e vitórias sobre os Democratas. É o chamado mommy problem para o Partido Democrata.

Agora, a vítima é Obama, que está a rever a sua decisão de julgar cinco alegados conspiradores envolvidos no 11 de Setembro, em Nova Iorque, perto da cena do crime. O facto destes suspeitos irem ser julgados em tribunais civis tem sido alvo de forte oposição, não só por parte dos Republicanos, mas mesmo dos nova-iorquinos que temem pela sua segurança e pelo elevado custo destes julgamentos.

Esta polémica permite ao GOP trazer à baila um dos temas em que o eleitorado o favorece: a guerra ao terrorismo e, mesmo tempo, recria uma das maiores dificuldades dos Democratas: o mommy problem.