terça-feira, 22 de setembro de 2015

Scott Walker sai da corrida

E a mais de três meses do início das primárias temos a primeira desistência de peso na corrida. Scott Walker, Governador do Wisconsin e visto, até há pouco tempo, como um dos principais favoritos a conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Republicano, anunciou ontem a sua saída da corrida pela Casa Branca.
Walker, um herói dos conservadores pela sua luta frente aos sindicados no Wisconsin, parecia destinado a ser o principal obstáculo de Jeb Bush e Marco Rubio na campanha, em particular por poder posicionar-se como o candidato anti-establishment. Contudo, o destaque conseguido por candidatos que nunca foram políticos - Donald Trump, Ben Carson e Carly Fiorina - ofuscou a candidatura de Scott Walker que também não foi capaz de aproveitar os debates para recuperar notoriedade.
Com os números no Iowa, o Estado fulcral para as suas hipóteses nas primárias, em derrapagem e sem dinheiro a entrar em valores suficientes para manter a sua campanha competitiva, Scott Walker tomou a mesma decisão de Rick Perry há algumas semanas e anunciou a desistência. Fala-se agora que o Governador do Wisconsin ainda pode regressar à corrida caso se chegue à Convenção Nacional Republicana sem um vencedor claramente definido, assumindo-se como uma figura de estabilidade e consenso. 
O mais provável, porém, é que Walker procure manter o seu lugar de Governador, procurando a reeleição em 2018. No imediato, e no que à disputa pela nomeação presidencial republicana diz respeito, Marco Rubio pode beneficiar desta desistência, absorvendo os poucos votos que Scott Walker estava a reunir, e, mais importante do que isso, os seus apoios financeiros e institucionais.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A escolha acertada


Quando, na semana passada, escrevi sobre o actual frontrunner da corrida pela nomeação presidencial republicana, deixei bem claro que Donald Trump seria uma péssima escolha do GOP para representar o partido na eleição geral, onde seria facilmente derrotado pelo candidato(a) democrata. Pelo contrário, hoje escolhi falar sobre aquele que seria, na minha opinião, a melhor opção do Partido Republicano para voltar a controlar a Casa Branca: Marco Rubio.
Rubio é uma estrela em ascensão no GOP desde que foi eleito para o Senado pelo Estado da Florida, na onda republicana de 2010. Na altura, o jovem político derrotou um consagrado e experiente Charlie Crist, que tinha a vantagem de concorrer enquanto Governador da Florida, frente a um então desconhecido Rubio. Ainda assim, o republicano derrotou copiosamente a concorrência e a sua campanha assertiva, eloquente e isenta de erros catapultou-o para a ribalta nacional. Logo aí, ficou claro que Marco Rubio, que mostrou ter um discurso sólido e ser excelente a debater, estaria destinado a voos mais altos. Foi, assim, sem surpresa que o senador júnior da Florida lançou a sua candidatura à Casa Branca, constituindo-se como um dos principais adversários do seu amigo e mentor, Jeb Bush.
Rubio, de 44 anos, é um cara nova no panorama políticos dos Estados Unidos e a sua entrada em cena recorda a de Barack Obama. É jovem e carrega um simbolismo paralelo ao do 44º Presidente: como filho de cubanos, seria o primeiro presidente hispânico dos Estados Unidos. Com os republicanos cada vez mais distantes do eleitorado latino, a escolha de Rubio como nomeado poderia representar uma nova oportunidade junto deste segmento do eleitorado tão decisivo em eleições presidenciais. Mais: num campo de candidatos republicanos muito homogéneo, Rubio destaca-se.
Sendo jovem e uma cara nova em Washington, Marco Rubio seria um excelente contraponto à provável nomeada democrata, Hillary Clinton, podendo utilizar a cartada da dinastia, algo que, naturalmente, não está à disposição de Jeb Bush, um dos favoritos a conseguir a nomeação republicana.  
Além disso, com o seu estatuto de Senador pela Florida, Rubio partiria na pole-position no sunshine state que é, sem dúvida alguma, um dos Estados mais importantes na disputa pela presidência, sendo mesmo o swing state com mais votos eleitorais à disposição do seu vencedor - 29.
Finalmente, Rubio também seria uma escolha ideologicamente coerente. Não pertencendo a nenhuma franja limitada do Partido Republicano, como o libertário Rand Paul ou o cristão Evangélico Mike Huckabee, o senador da Florida é um conservador que agrada ao Tea Party ao mesmo tempo que consegue atrair alguns eleitores mais moderados. É certo que é mais conservador do que o nomeado republicano tradicional, mas, numa época em que o GOP guinou à direita, isso não é propriamente algo de surpreendente.
Contudo, até ao momento, Rubio não tem confirmado o seu potencial e os seus números nas sondagens não têm sequer conseguido atingir os dois dígitos.Ainda assim, nada está ainda perdido para Marco Rubio que tem ainda tempo para se assumir como um dos favoritos a obter a nomeação. Para o fazer, é imperioso que recorde aos eleitores republicanos (normalmente pragmáticos na escolha do seu nomeado), que, caso seja nomeado, seria uma escolha fortíssima para derrotar os democratas quando chegar o dia 8 de Novembro de 2016.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

The Donald Show

Ainda que não tenha escrito sobre isso (24 horas por dia não chegam, nem nada que se pareça), tenho seguido atentamente a campanha para as eleições primárias para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano e todo o espectáculo gerado pela presença do mais polémico candidato de que há memória: Donald Trump. O magnata do imobiliário - e eterno candidato a candidato presidencial - desta vez avançou mesmo com uma candidatura à Casa Branca. E que candidatura! O efeito do "The Donald" tem sido tal que transformou estas primárias num autêntico circo mediático, bem à imagem do excêntrico bilionário.
Com a sua forma de estar polémica e o seu discurso agressivo e politicamente incorrecto (e não raras vezes a resvalar para o mal educado e insultuoso), Trump tomou conta da campanha e conquistou admiradores entusiásticos e críticos ferozes. Com a sua notoriedade, Trump subiu rapidamente nas sondagens e é, há largas semanas, o líder incontestado da corrida. É, neste momento, o frontrunner e o alvo a abater por parte dos restantes candidatos.
Todavia, não acredito (ainda) que Donald Trump possa vir a ser o candidato presidencial do GOP. Em primeiro lugar porque o Verão que antecede as primárias é conhecido, em especial do lado republicano, por ser uma espécie de silly season. Nesta altura, a vários meses do início das primárias, a maioria dos norte-americanos está ainda pouco atenta ao trilho da campanha, ao passo que os eleitores mais entusiastas, que, no caso do GOP, são, por norma, os mais conservadores, estão já ligados a tudo o que se passa na corrida. Ora, esses eleitores costumam procurar um candidato fora do establishment e que represente a ala-dura do partido. Foi isso que aconteceu há quatro anos, quando Michelle Bachman e Rick Perry dominaram as sondagens nesta fase da campanha, sem que nenhum deles se viesse a tornar um verdadeiro contender na fase "a doer" das eleições. Em 2016, pode ser a vez de Donald Trump. Mas, como Perry e Bachman, o mais provável é que à medida que o grosso dos eleitores comece a prestar verdadeira atenção à disputa pela nomeação (e não apenas a todo o show off actual), Donald Trump seja ultrapassado por concorrentes mais institucionais e melhor posicionados para a eleição geral.
Por outro lado, é um facto que Trump tem dominado por mais tempo do que qualquer outros dos candidatos "anti-Romney" o fez em 2012, o que pode levar a crer que Trump veio para ficar e não é um fenómeno de circunstância, especialmente porque tem reinado entre um grande e forte leque de candidatos. Mas The Donald tem beneficiado, e muito, precisamente do facto de concorrer entre quase duas dezenas de republicanos que procuram a nomeação do partido. Trump, sempre polémico e sem papas na língua, é um homem de extremos e provoca essa mesma reacção: ou se adora, ou se detesta. Assim, com o seu discurso fracturante, conseguiu uma franja de apoiantes (os que o adoram) que lhe tem valido cerca de 30/35% das intenções de, voto de acordo com as sondagens, com os restantes eleitores (os que o detestam) a dividirem-se pelas restantes candidaturas.
Assim sendo, é provável que à medida que o tempo passa e que a corrida se vai definido, os eleitores que não gostam de Trump se vão posicionando atrás de um ou dois candidatos melhor posicionados para obter a nomeação, ao mesmo tempo que os concorrentes secundários e que ficam sem dinheiro e apoios se vão retirando da corrida. O empresário ficará, assim, "agarrado" à sua franja eleitoral, sem grandes hipóteses de ver crescer a sua base de apoio.
Contra Donald Trump funcionará também o aparelho do Partido Republicano, que não quer, de forma alguma, que seja o excêntrico e polémico bilionário a representar o GOP na eleição geral, com a consciência que isso significaria entregar de bandeja a Casa Branca aos democratas por mais quatro anos. O establishment do partido tem conseguido manter o controlo do processo de nomeação, pois não é habitual ver um outsider a concorrer sob a égide dos republicanos - o último caso terá sido Barry Goldwater em 1964 - e quererá que assim continue desta vez.
Por tudo isto, considero muito pouco provável que Trump venha a conseguir a nomeação. Ainda assim, convém continuar a prestar atenção a este ilustre candidato (o que não será difícil). Primeiro, porque, nesta fase das campanhas presidenciais os candidatos procuram essencialmente duas coisas: dinheiro e notoriedade. Ora, Donald Trump não precisa nem de uma coisa nem de outra, pois é um bilionário e pode financiar pessoalmente a sua campanha e é uma figura pública, conhecido nos Estados Unidos e no mundo. Finalmente, porque costuma dizer-se que nesta fase não se ganham eleições, mas podem perder-se. E, para já, Trump ainda não as perdeu.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Conversas Cruzadas da RR

Estive, no passado Domingo, no programa Conversas Cruzadas, para falar um pouco da actualidade política internacional, nomeadamente sobre o acordo nuclear com o Irão, o estado da campanha presidencial nos Estados Unidos e a difícil situação política brasileira. Os restantes convidados foram o Embaixador Seixas da Costa e os jornalistas Germano Almeida e José Alberto Lemos, com a moderação a cargo de José Bastos. Fica o link da conversa, com a certeza de que vale bem a pena ouvir.

Link "roubado" ao Germano Almeida.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hillary is getting started

Como era esperado, Hillary Clinton anunciou, ontem, o início oficial da sua candidatura à Casa Branca. Com uma mensagem no Twitter e este vídeo, com o título Getting Started, a grande favorita a selar a nomeação pelo Partido Democrata arrancou a sua campanha presidencial. Um anúncio simples e discreto, mas que termina com anos de indefinição sobre a candidatura presidencial da política mais conhecida, mas também mais controversa, dos Estados Unidos. Agora sim, já podemos dizer que a campanha presidencial de 2016 está lançada.

domingo, 12 de abril de 2015

A imagem da semana


Barack Obama continua a apostar no desanuviamento das relações com alguns dos países tradicionalmente adversários dos Estados Unidos. Neste momento, decorrem as negociações para um acordo nuclear com o Irão, semanas depois de o Presidente norte-americano ter anunciado o reatar de relações diplomáticas com Cuba, uma nação desavinda com os EUA há quase 70 ano. Na Cimeira das Américas, Obama e Raul Castro cumprimentaram-se e fizeram história. É verdade que o mesmo já tinha sucedido em 2013, por ocasião do funeral de Nelson Mandela, mas, desta vez, o gesto foi menos espontâneo e mais significativo, pois simbolizou o início de uma nova página nas relações cubano-americanas. 

sábado, 11 de abril de 2015

Começou a corrida à Casa Branca

A menos de um ano do início oficial das primárias presidenciais, já foi dado o tiro de partida para a corrida que culminará com a eleição do Presidente dos Estados Unidos que sucederá a Barack Obama e ocupará a Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017. 
Ao que tudo indica, Hillary Clinton anunciará a formalmente a sua candidatura presidencial este fim-de-semana, provavelmente através das redes sociais, não sendo esperado um grande evento mediático para o arranque da sua campanha. Ao contrário de Obama, a presumível nomeada democrata prefere um início mais discreto, por se sentir menos à vontade do que o actual Presidente em eventos de grande escala, mas também para poder fazer uma campanha em crescendo e não perder balanço com o passar do tempo. 
Hillary deverá passar as próximas semanas nos early states (Iowa, New Hampshire e South Carolina), de forma a preparar as primárias do Partido Democrata, ainda que, até ao momento, não se vislumbre oposição de relevo para a sua segunda candidatura presidencial. Os pesos pesados que poderiam ameaçar a sua nomeação deverão deixar o caminho aberto para a antiga Secretária de Estado - nem a Senadora Elizabeth Warren, nem o Veep Joe Biden, nem o Governador de New York, Andrew Cuomo, são esperados na corrida em 2016. Por outro lado, os democratas que consideram concorrer contra Clinton (Martin O'Malley, Governador de Maryland, Jim Webb, Senador da Virginia e Lincoln Chafee, antigo Governador e Senador de Rhode Island) não têm notoriedade nem dinheiro suficientes para beliscar Hillary. Assim sendo, tudo aponta para um passeio da ex-Primeira-Dama rumo à nomeação democrata. Se isso é bom ou mau para os democratas será tema para um texto futuro.
Do lado republicano, o cenário é exactamente o oposto, com um leque de candidatos em quantidade e de qualidade. Até ao momento, o senador do Texas, Ted Cruz, e o senador pelo Kentucky, Rand Paul, já anunciaram a sua candidatura. Muito em breve, também Marco Rubio, Senador pelo Estado da Florida, deverá anunciar formalmente a sua candidatura à Casa Branca, sendo, então, adversário do seu grande amigo Jeb Bush (antigo Governador da Florida e irmão de George W. Bush) que será, certamente, outro dos concorrentes pela nomeação do GOP. Além destes, também Scott Walker, Governador do Wisconsin, Rick Perry, Governador do Texas, Chris Christie, Governador de New Jersey e Bobby Jindal, Governador do Louisiana deverão entrar na corrida. Há ainda outros possíveis candidatos, já repetentes destas andanças, como Mike Huckabee e Rick Santorum, que poderão animar a campanha.
Ou seja, são muitos os nomes que têm de ser referidos quando falamos nas primárias presidenciais republicanas para 2016. Há mesmo quem fale no mais forte leque de candidatos de sempre para uma campanha à Casa Branca. Contudo, de todos estes nomes, os principais favoritos a serem o escolhido pelos republicanos para defrontarem Hillary Clinton numa eleição geral são Jeb Bush, Scott Walker e Marco Rubio, provalvemente por esta ordem. Figuras como Rand Paul e Chris Christie podem ter uma palavra a dizer, mas dificilmente serão os nomeados. 
Neste momento, se tivesse de apostar, e a muito tempo do início das primárias, colocaria o meu dinheiro numa eleição geral disputada entre Hillary Clinton e Jeb Bush ou Scott Walker. Mas, até Janeiro do próximo ano, muito água vai passar debaixo da ponte e o cenário poder sofrer uma grande reviravolta. Durante os próximos tempos, falarei mais detalhadamente sobre cada um dos principais candidatos à Casa Branca. Mas, por agora, let the game begin!

P.S. - Infelizmente, e por vários motivos, tem sido impossível,a minha participação nesta Máquina Política. Espero, nos próximos tempos, alterar essa situação e conseguir voltar a escrever mais regular, especialmente agora, que vai começar aquele que considero ser o maior e mais importante espectáculo do mundo: a eleição presidencial norte-americana.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

State of the Union 2015

Barack Obama realizou ontem o habitual discurso do Estado da Nação perante o Congresso dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que o Presidente norte-americano discursou no órgão legislativo federal desde que os republicanos assumiram a maioria do Senado e terá sido o seu último State of the Union (SOTU) relevante para o que resta da sua Presidência (daqui a um ano já estarão a decorrer as primárias presidenciais e o SOTU perderá importância).
Foi um Presidente aguerrido e confiante aquele que compareceu na Câmara dos Representantes, ontem à noite. Desde a derrota democrata nas eleições intercalares, Obama parece renascido e com uma nova dinâmica. Os números das sondagens revelam isso mesmo e o actual ocupante da Sala Oval tem já índices de aprovação muito perto dos 50%, valores que, há pouco tempo, parecia que Obama nunca mais iria atingir neste seu último mandato na Casa Branca.
No seu discurso, Barack Obama apresentou uma clara defesa ao que a sua Administração alcançou nestes últimos seis anos e deixou bem claro que os seus principais feitos, como o Obamacare, a reforma de Wall Street ou a amnistia de imigrantes ilegais não serão revertidos pela oposição. Além disso, apresentou o seu plano para os seus dois últimos anos na Casa Branca, reafirmando a sua aposta na classe média, que considera o principal pilar da economia e da sociedade norte-americana, defendendo cortes fiscais para estes cidadãos, que serão possíveis com aumentos de impostos para os norte-americanos mais abastados.
Assim, assistiu-se, ontem, no Capitoll Hill, a um Presidente mais combativo do que apaziguador, ainda que Obama tenha recuperado um dos seus mais famosos discursos de sempre para afirmar que os críticos estão errados quando dizem que não cumpriu a sua ideia de uma América unida, em vez de uma América dividida em liberais e conservadores, ou em negros e brancos. 
Como é normal nestas ocasiões, a recepção ao seu discurso foi francamente positiva - uma sondagem da CNN mostrou que 81% dos norte-americanos deram uma nota positiva ao discurso do Presidente. Com este State of the Union, Barack Obama terá ganho ainda mais momentum, que lhe será, certamente, muito útil para enfrentar esta recta final da sua presidência. De facto, Obama volta a ser relevante e a ter capital político para fazer valer as suas ideias, mesmo perante um Congresso hostil e dominado pelo GOP. E isso também são boas notícias para Hillary Clinton, a provável nomeada presidencial para 2016 que logo após o final do SOTU deixou no Twitter o seu apoio a Barack.
Para o fim fica aquele que foi, no meu entender, o melhor momento de Barack Obama neste State of the Union. E, curiosamente, até foi improvisado...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tiro no porta-aviões

A base das Lajes, também conhecida como o porta-aviões do Atlântico, cedida por Portugal aos norte-americanos no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa celebrado pelos dois países tem estado, nos últimos dias, no centro do debate político no nosso país. Isto porque a decisão dos Estados Unidos, há muito anunciada, de reduzir drasticamente a presença na ilha Terceira foi agora confirmada pelo Pentágono.
Com os norte-americanos presentes na ilha desde a década de 40 do século passado, a enorme redução do efectivo militar dos Estados Unidos na Base das Lajes terá vastas repercussões na realidade sócio-económica da ilha, que depende, em grande parte, da actividade da base aérea. Por isso, a reacção por parte das autoridades locais e regionais não se fez esperar e o Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, classificou a decisão norte-americana como "hostil" e deslocou-se ao continente para apelar ao Governo e ao Presidente da República que encetem todos os esforços para reverter a posicão de Washington. 
É compreensível que Vasco Cordeiro, como líder da Região Autónoma dos Açores, faça tudo o que estiver ao seu alcance para reverter ou minimizar o downscale norte-americano nas Lajes, dadas as consequências negativas que se prevêem para a Terceira. Contudo, também é verdade que Vasco Cordeiro tem exagerado na retórica e nos argumentos utilizados para fazer valer o seu ponto de vista, especialmente quanto sugeriu, de forma algo atabalhoada, que Portugal poderia ceder a base das Lajes aos chineses.
Portugal pode e deve defender os seus interesses junto das autoridades norte-americanas. Contudo, roça o ridículo estarmos a ameaçar ou a fazer chantagem junto da maior potência económica e mundial do planeta. Terão de ser a diplomacia e o soft power nacionais a funcionar para que a posição norte-americana seja, pelo menos, suavizada. Mas não ajuda que o actual líder diplomático português seja Rui Machete, alguém de quem os norte-americanos não têm propriamente a melhor imagem, depois do seu mandato à frente da Fundação Luso-Americana, que desagradou, de sobremaneira, aos Estados Unidos.
Além disso, se o Presidente do Governo Regional dos Açores está a defender os interesses dos açorianos, também o governo norte-americano está, com a decisão de reduzir a presença nas Lajes, a procurar zelar pelos interesses do seu país e dos seus cidadãos. Há já alguns anos que o governo dos Estados Unidos e o Pentágono têm vindo a apostar no fecho de várias bases militares, nacionais e internacionais, como forma de reduzir os custos operacionais das forças armadas norte-americanas e de responder às mudanças da realidade geoestratégica mundial.
O encerramento de várias bases militares nos Estados Unidos tem resultado numa repetição, em vários locais, daquilo que se passa actualmente na Terceira: contestação, consequências na economia local e estadual e um forte lobby contra essas medidas. Por isso, se o governo norte-americano tem prosseguido nesse caminho, apesar dos fortes protestos de eleitores e políticos do seu país, será que o protesto de eleitores e políticos portugueses o farão mudar de ideias?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um amigo atrasado

O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está em Paris para demonstrar a solidariedade dos Estados Unidos para com os franceses, após os atentados terroristas da semana passada que assombraram a Europa e o mundo. Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, a sua visita serve para "dar um abraço a Paris" e transmitir todo o apoio do seu país para com a França em choque.
Contudo, este é um tímido lavar de face por parte da Administração Obama, que cometeu uma gigantesca e incompreensível gaffe ao não enviar nenhum representante à grande manifestação de Paris, realizada no passado Domingo em honra das vítimas do atentado e em repúdio ao terrorismo. De facto, Barack Obama foi o grande ausente da manifestação que reuniu praticamente toda a liderança europeu e contou até com os líderes turco, israelita e palestiniano. E se é compreensível que o  Secret Service tenha vetado a presença de Obama por não ter tempo suficiente para preparar e montar todo o esquema de segurança necessário para a a presença do Chefe de Estado norte-americano num evento deste género, também é verdade que a Casa Branca poderia ter enviado o Vice-Presidente Joe Biden ou mesmo John Kerry, que até tem boas ligações com os franceses (a sua reacção em francês aos atentados caiu bem no Eliseu). No mínimo dos mínimos, Obama poderia e deveria ter sido representado por Eric Holder, o Attorney-General dos Estados Unidos, que até estava em Paris nesse fim-de-semana. O que é certo é que o país que sofreu os atentados do 11 de Setembro e lidera a luta contra o terrorismo radical islâmico não poderia ter sido representado apenas pela sua embaixadora em Paris.
Como não poderia deixar de ser, esta falha da Administração Obama mereceu diversas críticas, o que obrigou mesmo a Casa Branca a admitir o erro e enviar John Kerry a Paris para minimizar os danos. Mas o Secretário de Estado não está sozinho a tentar compensar as falhas da liderança norte-americana e conta com um apoio de peso. O conceituado guitarrista James Taylor acompanhou Kerry numa visita aos responsáveis franceses e dedicou-lhes o tema "You've got a friend". Sim, os franceses têm nos Estados Unidos um amigo. Ainda que um amigo muito, muito atrasado...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como a história julgará Obama

Ao entrarmos nos dois últimos anos do segundo e final mandato de Barack Obama na Casa Branca, é altura de se começar a perceber qual será o legado do 44º Presidente dos Estados Unidos. É certo que é ainda muito, muito cedo para ser clara a forma como a História julgará Obama. Contudo, é certo que o primeiro afro-americano a ocupar a Sala Oval deixará uma forte marca através da sua presidência. 
A reforma do sistema de saúde norte-americano constituirá, quase de certeza, o seu maior feito, mas a presidência de Obama tem vários outros destaques. O lançamento da recuperação económica norte-americana merece o primeiro plano, mas a legalização de milhões de imigrantes ilegais, a (tímida) reforma de Wall Street, a nomeação de duas mulheres (uma delas hispânica) para o Supremo Tribunal, a retoma das relações diplomáticas com Cuba, a eliminação de Bill Laden e a melhoria da imagem dos Estados Unidos no mundo também têm lugar na lista de principais feitos da Administração Obama.
Por outro lado, Barack Obama falhou rotundamente naquela que foi, porventura, a sua principal promessa eleitoral: 6 anos depois da sua eleição, o ambiente política em Washington está mais polarizado do que nunca e democratas e republicanos são incapazes de chegar a qualquer tipo de compromisso. Além disso, na frente externa, e apesar de Obama ter retirado as tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão, o Médio Oriente continua um barril de pólvora e a emergência do Estado Islâmico pode obrigar a um regresso das forças armadas dos Estados Unidos à península arábica. E Guantánamo continua em funcionamento...
Este é apenas um pequeno resumo dos principais destaques da presidência de Obama, sendo certo que, daqui a dois anos, será ocasião de aprofundarmos este assunto. Seja como for, este texto serviu como prelúdio para apresentar um artigo da New York que nos mostra um testemunho de 53 historiadores sobre o legado de Barack Obama. Vale a pena ler.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Obama enfurece o GOP

Após a esmagadora vitória nas eleições intercalares, muitos republicanos pensaram que Barack Obama não teria outro remédio senão admitir a derrota e aproximar-se das posições do GOP. Contudo, quem esperava um compromisso em Washington enganou-se, pois as posições estão, agora, mais extremadas do que nunca. Isto porque o Presidente dos Estados Unidos, em vez de tentar agradar à oposição, preferiu irritá-la, ao fazer saber que se prepara para tomar acções executivas (flanqueando, assim, o Congresso) que permitam legalizar alguns imigrantes ilegais.
Como era previsível, o Partido Republicano insurgiu-se rapidamente contra estes planos da Casa Branca, com algumas vozes mais radicais a falarem mesmo num eventual processo de impeachment (demissão forçada pelo Congresso) de Barack Obama. E se o impeachment é um hipótese muito remota (e o desencadeamento desse processo por parte do GOP seria uma verdadeira dádiva para os democratas), já um novo shutdown do governo federal, através da suspensão dos fundos necessários para o funcionamento do Estado por parte do Congresso republicano, é um cenário mais plausível. E, de facto, já alguns sectores republicanos - mais ligados ao Tea Party - têm falado, nos últimos dias, de um novo shutdown como forma de retaliação pelas possíveis acções do Presidente no campo da imigração. Naturalmente, a liderança republicana, ciente que os shutdowns anteriormente provocados pelo seu partido prejudicaram a imagem do GOP junto da opinião pública, está já a tomar as medidas necessárias para evitar tal possibilidade.
Quanto a Barack Obama, parece-me que esta é uma medida acertada a nível político e eleitoral. É verdade que está novamente a confrontar a oposição e que pode ser criticado por não respeitar os resultados das últimas eleições que foram altamente favoráveis aos republicanos. Mas também é um facto que Obama tem poucas hipóteses, faça o que fizer, de alcançar compromissos razoáveis com um Partido Republicano cada vez mais entrincheirado. Sem o apoio do Congresso, resta ao Presidente dos Estados Unidos optar por acções executivas se quiser deixar a sua marca no campo legislativo interno nestes dois anos finais do seu mandato.
Por outro lado, Barack Obama pretende forçar os republicanos a tomarem novamente uma posição vista como anti-imigração, o que alienará - mais ainda - o eleitorado hispânico que será, previsivelmente, decisivo no próximo ciclo eleitoral. Esta medida de Obama é especialmente prejudicial para os candidatos presidenciais republicanos que, face à assertiva oposição do GOP, serão obrigados a vir a público condenar as acções do presidente norte-americano. E, como se viu com Romney em 2012, essa postura anti-imigração do eventual nomeado republicano poderá custar-lhe muitos votos na eleição geral e, quem sabe, até a Presidência. 
Por isso, com esta medida, Obama estará a ajudar alguns milhões de imigrantes ilegais que poderão ficar nos Estados Unidos, pelo menos, por mais algum tempo, mas estará também a dar uma preciosa contribuição para a campanha do nomeado presidencial democrata. Hillary Clinton (who else?) agradece.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As midterms de 2014: um balanço

Uma semana após serem conhecidos os resultados das eleições intercalares de 2014, é altura de fazer um balanço do que se passou, tentando perceber as razões que levaram a uma vitória imperial do Partido Republicano e a uma estrondosa derrota dos democratas. E, a meu ver, o desfecho da noite eleitoral explica-se mais pelo demérito do Partido Democrata do que propriamente pelo mérito do GOP.
Em primeiro lugar, importa referir que para estas eleições nunca se poderia esperar um resultado positivo para os democratas. As midterms que coincidem com o sexto ano de mandato de um Presidente são, por norma, muito penalizadoras para o partido que ocupa a Casa Branca. Para piorar as coisas, Barack Obama é um presidente impopular nos Estados Unidos, ainda que mantenha bastiões de defensores nos principais territórios democratas. Contudo, este ciclo eleitoral desenrolou-se principalmente em red e purple states, ou seja, Estados republicanos ou moderados, o que potenciou a carga negativa da imagem do Chefe de Estado para os candidatos democratas.
Se em 2010 e 2012 o Partido Democrata conseguiu algumas vitórias improváveis contando com a preciosa colaboração dos candidatos republicanos, alguns deles verdadeiramente inaptos para concorrerem a cargos de dimensão nacional, desta vez o GOP não prestou essa ajuda aos seus adversários. De facto, o establishment republicano foi capaz de evitar e derrotar candidatos mais radicais e conseguiu controlar o Tea Party. Para isso, foi muito importante o recrutamento de concorrentes de qualidade, mas também o controlo dos principais financiadores do partido (como os irmãos Koch), que, este ano, fecharam a torneira aos fringe candidates em detrimento daqueles que tinham o apoio da estrutura partidária.
Assim, a estratégia republicana centrou-se principalmente em não cometer erros, evitando candidatos improváveis, mas também gaffes comprometedoras como as que fizeram cabeçalhos de jornais nas duas últimas eleições e que prejudicaram seriamente os resultados eleitorais do partido. Por outro lado, assistimos a uma vazio ideológico por parte da maioria dos candidatos republicanos, que consideraram (e, pelos visto, bem) que quanto menos dissessem, melhor. E quando os concorrentes do GOP falavam era, invariavelmente, para colar a imagem dos seus opositores à do impopular Obama. 
Do lado democrata, a campanha eleitoral não podia ter sido mais desastrada. Como cada vez mais acontece, os operativos democratas planearam as suas estratégias com base quase exclusivamente nas sondagens. Desse modo, vimos os candidatos democratas a centrarem o seu discurso nos temas normalmente associados ao seu eleitorado mais predominante, as mulheres, com destaque para o direito ao aborto. Ao mesmo tempo, os democratas, assustados com os números de Obama nos estudos de opinião, fugiram a sete pés do seu Presidente e do seu currículo. 
Todavia, considero que esse foi o principal erro do Partido Democrata. Em vez de renegarem Barack Obama e o seu historial na Casa Branca, os democratas deveriam ter abraçado o legado do seu líder e feito campanha com base nos seus feitos. Podiam ter defendido o estímulo económico que terá evitado o colapso da economia do país; podiam ter apontado para os números do desempenho económico norte-americano, com o PIB a crescer acima dos 3% e o desemprego abaixo dos 6%; podiam ter recordado que o Obamacare é cada vez menos vilipendiado e veio cobrir dezenas de milhões de norte-americanos até então sem seguro de saúde; podiam ainda ter apostado na defesa dos direitos de milhões de imigrantes ilegais.
Mas não. Os democratas preferiram atirar tudo isso para debaixo do tapete com medo que o eleitorado republicano e independente os penalizasse nas urnas. O que conseguiram, porém, foi desmobilizar e desmotivar o seu eleitorado de base, que se mantém, desde 2008, com Barack Obama. E foram esses mesmos eleitores, como os hispânicos (que viram Obama a sacudir a reforma da imigração para uma qualquer data após as eleições), os afro-americanos e, principalmente, os jovens que ficaram em casa no passado dia 4 de Novembro e contribuíram, por isso, para uma esmagadora republicana nas midterms.
Durante os próximos dois anos, os democratas farão uma inevitável travessia no deserto, sendo minoritários nas duas câmaras do Congresso, detendo muito menos governos estaduais do que os republicanos e preparando a sucessão de um Presidente lame duck. Em 2016 terão uma nova oportunidade. Será que aprenderão com os erros, como fizeram, este ano, os republicanos?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

E tudo a onda levou

Estão contados quase todos os votos das eleições intercalares de 2014 nos Estados Unidos e o resultado é fácil de descrever: uma imponente vitória do Partido Republicano.  Confirmaram-se os piores receios democratas e a noite eleitoral de ontem revelou-se uma onda dos republicanos que venceram a toda a linha, com praticamente todas as corridas assinaladas como competitivas a caírem para o lado dos candidatos do GOP.
Nas eleições para o Senado, as melhores expectativas republicanas terão sido superadas e o GOP retirou sete assentos aos democratas, sendo que este número deverá aumentar para nove, quando todos os votos estiverem contados no Alaska, que deverá ir para a coluna vermelha, e quando se realizar a segunda volta da corrida no Louisiana, que deverá cair para o lado republicano. No outro Estado ainda sem resultado oficial, a Virginia, o Democrata Mark Warner deverá ser sagrado vencedor. Dessa forma, o Senado ficaria dividido entre 46 democratas (incluindo dois independentes) e 54 republicanos, uma assinalável transferência de poder e que coloca mesmo o Partido Republicano em condições de aguentar a previsível investida democrata nas eleições de 2016.
No que diz respeito à Câmara dos Representantes, cuja recuperação de controlo não passava pela cabeça ao democrata mais optimista, o desfecho não foi diferente. Esperava-se um resultado dentro do de há dois anos, ou, no máximo, um dos dois partidos a ganhar uma meia dúzia de lugares ao adversário. Porém, o Partido Republicano obteve um novo triunfo, conseguindo aumentar ainda mais a sua maioria na câmara baixa. Até ao momento, o GOP já conquistou 13 novos lugares, mas esse número poderá subir quase até aos 20, quando todas as corridas tiverem sido encerradas. Assim sendo, os republicanos passarão a ocupar cerca de 250 dos 435 lugares na House, ficando com uma sólida maioria que poderá resistir durante vários ciclos eleitorais.
Finalmente, nas eleições para governos de Estados federados, assistiu-se, invariavelmente, a uma vitória dos republicanos, com destaque para os resultados na Florida, onde Rick Scott segurou o seu cargo de Governador frente ao favorito Charlie Crist que, depois de ter sido Governador do Estado como republicano e de ter concorrido ao Senado como independente, tentou o regresso à mansão de governador do sunshine state, desta vez como democrata, mas sem sucesso, no Wisconsin, Estado onde Scott Walker garantiu a reeleição, posicionando-se, assim, para uma previsível candidatura à Casa Branca, em 2016, e no Illinois, território democrata, mas que não permitiu a reeleição a Pat Quinn, o actual Governador democrata, que perdeu a corrida para Bruce Rauner, o seu opositor republicano. 
Para os democratas, apenas a reconquista da Pennsylvania e e vitória no Colorado (ambas as corridas para Governador do Estado) podem ser encarados como resultados positivos, mas que não chegam, longe disso, para atenuar aquela que foi uma péssima noite eleitoral (foi mesmo pior do que o shellacking de 2010) e cujas consequências darão muito que falar nos próximos tempos. 

Vitória republicana

A noite ainda não terminou nos Estados Unidos, mas em Portugal a madrugada já vai longa e o sono começa finalmente a levar a melhor. Análises mais profundas ficarão para os próximos dias, mas, neste momento, parece evidente que as eleições intercalares de 2014 resultaram, como se esperava, numa vitória do Partido Republicano. 
Quando o próximo Congresso tomar posse, o GOP passará a deter a maioria dos assentos nas duas câmaras. Sem surpresas, manteve o controlo da Câmara dos Representantes (deverá mesmo ganhar mais alguns lugares) e, principalmente, conseguiu destronar o Partido Democrata da maioria no Senado. À hora que escrevo, ainda não são conhecidos os resultados na North Carolina, no Virginia (deverá cair para os democratas), no Iowa, no Kansas e no Alaska, mas esses Estados apenas ditarão a dimensão da vitória republicana.
No que diz respeito aos Governadores, os democratas ainda podem atenuar um pouco os danos se, à vitória na Pennsylvania juntarem um triunfo na Florida (neste momento, o sunshine state está muito renhido e será decidido no phono finish). Com o ganho destes dois grandes e importantes Estados ao GOP, os democratas teriam, pelo menos, alguns motivos de festa que serviriam de consolo para uma noite, no cômputo geral, muito negativa.
Ainda assim, e analisando as exit polls, parece-me que os democratas perderam principalmente, por falta de comparência. Olhando para os números, percebe-se que o Partido Democrata conseguiu atingir os valores habituais junto da sua coligação de eleitores (nomeadamente, afro-americanos, hispânicos jovens e mulheres). Contudo, esses eleitores deslocaram-se às urnas em menor número do que o necessário para que os democratas alcançassem melhores resultados. Por exemplo, em 2012, 72% dos votantes eram brancos, menos 3 pontos percentuais do que hoje, quando se sabe que a tendência da população dos Estados Unidos é tornar-se mais diversa. Por isso, não podem os republicanos retirar grandes ilações dos resultados de hoje no que diz respeito à corrida presidencial de daqui a dois anos.

Segunda volta no Louisiana

No Louisiana, já se sabe que não vai haver vencedor esta noite. Como nenhum dos candidatos obteve uma maioria absoluta, haverá lugar, a 6 de Janeiro, a uma segunda volta entre a democrata Mary Landrieu e o republicano Bill Cassidy na disputa de um lugar no Senado. Assim sendo, e dependendo dos resultados nos restantes Estados, pode acontecer que o controlo do Senado pode ficar adiado por mais dois meses. Todavia, nesta altura, o mais provável é que o Partido Republicano consiga alcançar os 51 assentos necessários para retirar a maioria na câmara alta do Congresso aos democratas.

GOP rouba primeiro assento no Senado aos democratas

Os republicanos já conseguiram "roubar" um assento no Senado aos democratas. Logo após o fecho das urnas na West Virginia, a CNN anunciou a vitória de Shelley Moore Capito. Este era um triunfo mais que aguardado para o GOP que, com este resultado, ficam precisam "apenas" de recuperar outros cinco lugares no Senado para retirar o controlo da câmara alta ao Partido Democrata. 

Mitch McConnell reeleito

Acabaram de fechar as urnas nos primeiros Estados e já há algumas corridas declaradas pelos principais meios de comunicação social. Entre elas, destaque para a vitória de Mitch McConnell no Kentucky. Assim sendo, o líder republicano do Senado garante um novo mandato de seis anos. Este era um resultado previsível, mas que chegou a estar em causa durante a campanha. Agora, McConnell terá de esperar para saber se, em Janeiro, continuará como líder da minoria, ou, se por outro lado, passará a chefiar a maioria no Senado.