sábado, 11 de abril de 2015

Começou a corrida à Casa Branca

A menos de um ano do início oficial das primárias presidenciais, já foi dado o tiro de partida para a corrida que culminará com a eleição do Presidente dos Estados Unidos que sucederá a Barack Obama e ocupará a Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017. 
Ao que tudo indica, Hillary Clinton anunciará a formalmente a sua candidatura presidencial este fim-de-semana, provavelmente através das redes sociais, não sendo esperado um grande evento mediático para o arranque da sua campanha. Ao contrário de Obama, a presumível nomeada democrata prefere um início mais discreto, por se sentir menos à vontade do que o actual Presidente em eventos de grande escala, mas também para poder fazer uma campanha em crescendo e não perder balanço com o passar do tempo. 
Hillary deverá passar as próximas semanas nos early states (Iowa, New Hampshire e South Carolina), de forma a preparar as primárias do Partido Democrata, ainda que, até ao momento, não se vislumbre oposição de relevo para a sua segunda candidatura presidencial. Os pesos pesados que poderiam ameaçar a sua nomeação deverão deixar o caminho aberto para a antiga Secretária de Estado - nem a Senadora Elizabeth Warren, nem o Veep Joe Biden, nem o Governador de New York, Andrew Cuomo, são esperados na corrida em 2016. Por outro lado, os democratas que consideram concorrer contra Clinton (Martin O'Malley, Governador de Maryland, Jim Webb, Senador da Virginia e Lincoln Chafee, antigo Governador e Senador de Rhode Island) não têm notoriedade nem dinheiro suficientes para beliscar Hillary. Assim sendo, tudo aponta para um passeio da ex-Primeira-Dama rumo à nomeação democrata. Se isso é bom ou mau para os democratas será tema para um texto futuro.
Do lado republicano, o cenário é exactamente o oposto, com um leque de candidatos em quantidade e de qualidade. Até ao momento, o senador do Texas, Ted Cruz, e o senador pelo Kentucky, Rand Paul, já anunciaram a sua candidatura. Muito em breve, também Marco Rubio, Senador pelo Estado da Florida, deverá anunciar formalmente a sua candidatura à Casa Branca, sendo, então, adversário do seu grande amigo Jeb Bush (antigo Governador da Florida e irmão de George W. Bush) que será, certamente, outro dos concorrentes pela nomeação do GOP. Além destes, também Scott Walker, Governador do Wisconsin, Rick Perry, Governador do Texas, Chris Christie, Governador de New Jersey e Bobby Jindal, Governador do Louisiana deverão entrar na corrida. Há ainda outros possíveis candidatos, já repetentes destas andanças, como Mike Huckabee e Rick Santorum, que poderão animar a campanha.
Ou seja, são muitos os nomes que têm de ser referidos quando falamos nas primárias presidenciais republicanas para 2016. Há mesmo quem fale no mais forte leque de candidatos de sempre para uma campanha à Casa Branca. Contudo, de todos estes nomes, os principais favoritos a serem o escolhido pelos republicanos para defrontarem Hillary Clinton numa eleição geral são Jeb Bush, Scott Walker e Marco Rubio, provalvemente por esta ordem. Figuras como Rand Paul e Chris Christie podem ter uma palavra a dizer, mas dificilmente serão os nomeados. 
Neste momento, se tivesse de apostar, e a muito tempo do início das primárias, colocaria o meu dinheiro numa eleição geral disputada entre Hillary Clinton e Jeb Bush ou Scott Walker. Mas, até Janeiro do próximo ano, muito água vai passar debaixo da ponte e o cenário poder sofrer uma grande reviravolta. Durante os próximos tempos, falarei mais detalhadamente sobre cada um dos principais candidatos à Casa Branca. Mas, por agora, let the game begin!

P.S. - Infelizmente, e por vários motivos, tem sido impossível,a minha participação nesta Máquina Política. Espero, nos próximos tempos, alterar essa situação e conseguir voltar a escrever mais regular, especialmente agora, que vai começar aquele que considero ser o maior e mais importante espectáculo do mundo: a eleição presidencial norte-americana.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

State of the Union 2015

Barack Obama realizou ontem o habitual discurso do Estado da Nação perante o Congresso dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que o Presidente norte-americano discursou no órgão legislativo federal desde que os republicanos assumiram a maioria do Senado e terá sido o seu último State of the Union (SOTU) relevante para o que resta da sua Presidência (daqui a um ano já estarão a decorrer as primárias presidenciais e o SOTU perderá importância).
Foi um Presidente aguerrido e confiante aquele que compareceu na Câmara dos Representantes, ontem à noite. Desde a derrota democrata nas eleições intercalares, Obama parece renascido e com uma nova dinâmica. Os números das sondagens revelam isso mesmo e o actual ocupante da Sala Oval tem já índices de aprovação muito perto dos 50%, valores que, há pouco tempo, parecia que Obama nunca mais iria atingir neste seu último mandato na Casa Branca.
No seu discurso, Barack Obama apresentou uma clara defesa ao que a sua Administração alcançou nestes últimos seis anos e deixou bem claro que os seus principais feitos, como o Obamacare, a reforma de Wall Street ou a amnistia de imigrantes ilegais não serão revertidos pela oposição. Além disso, apresentou o seu plano para os seus dois últimos anos na Casa Branca, reafirmando a sua aposta na classe média, que considera o principal pilar da economia e da sociedade norte-americana, defendendo cortes fiscais para estes cidadãos, que serão possíveis com aumentos de impostos para os norte-americanos mais abastados.
Assim, assistiu-se, ontem, no Capitoll Hill, a um Presidente mais combativo do que apaziguador, ainda que Obama tenha recuperado um dos seus mais famosos discursos de sempre para afirmar que os críticos estão errados quando dizem que não cumpriu a sua ideia de uma América unida, em vez de uma América dividida em liberais e conservadores, ou em negros e brancos. 
Como é normal nestas ocasiões, a recepção ao seu discurso foi francamente positiva - uma sondagem da CNN mostrou que 81% dos norte-americanos deram uma nota positiva ao discurso do Presidente. Com este State of the Union, Barack Obama terá ganho ainda mais momentum, que lhe será, certamente, muito útil para enfrentar esta recta final da sua presidência. De facto, Obama volta a ser relevante e a ter capital político para fazer valer as suas ideias, mesmo perante um Congresso hostil e dominado pelo GOP. E isso também são boas notícias para Hillary Clinton, a provável nomeada presidencial para 2016 que logo após o final do SOTU deixou no Twitter o seu apoio a Barack.
Para o fim fica aquele que foi, no meu entender, o melhor momento de Barack Obama neste State of the Union. E, curiosamente, até foi improvisado...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tiro no porta-aviões

A base das Lajes, também conhecida como o porta-aviões do Atlântico, cedida por Portugal aos norte-americanos no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa celebrado pelos dois países tem estado, nos últimos dias, no centro do debate político no nosso país. Isto porque a decisão dos Estados Unidos, há muito anunciada, de reduzir drasticamente a presença na ilha Terceira foi agora confirmada pelo Pentágono.
Com os norte-americanos presentes na ilha desde a década de 40 do século passado, a enorme redução do efectivo militar dos Estados Unidos na Base das Lajes terá vastas repercussões na realidade sócio-económica da ilha, que depende, em grande parte, da actividade da base aérea. Por isso, a reacção por parte das autoridades locais e regionais não se fez esperar e o Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, classificou a decisão norte-americana como "hostil" e deslocou-se ao continente para apelar ao Governo e ao Presidente da República que encetem todos os esforços para reverter a posicão de Washington. 
É compreensível que Vasco Cordeiro, como líder da Região Autónoma dos Açores, faça tudo o que estiver ao seu alcance para reverter ou minimizar o downscale norte-americano nas Lajes, dadas as consequências negativas que se prevêem para a Terceira. Contudo, também é verdade que Vasco Cordeiro tem exagerado na retórica e nos argumentos utilizados para fazer valer o seu ponto de vista, especialmente quanto sugeriu, de forma algo atabalhoada, que Portugal poderia ceder a base das Lajes aos chineses.
Portugal pode e deve defender os seus interesses junto das autoridades norte-americanas. Contudo, roça o ridículo estarmos a ameaçar ou a fazer chantagem junto da maior potência económica e mundial do planeta. Terão de ser a diplomacia e o soft power nacionais a funcionar para que a posição norte-americana seja, pelo menos, suavizada. Mas não ajuda que o actual líder diplomático português seja Rui Machete, alguém de quem os norte-americanos não têm propriamente a melhor imagem, depois do seu mandato à frente da Fundação Luso-Americana, que desagradou, de sobremaneira, aos Estados Unidos.
Além disso, se o Presidente do Governo Regional dos Açores está a defender os interesses dos açorianos, também o governo norte-americano está, com a decisão de reduzir a presença nas Lajes, a procurar zelar pelos interesses do seu país e dos seus cidadãos. Há já alguns anos que o governo dos Estados Unidos e o Pentágono têm vindo a apostar no fecho de várias bases militares, nacionais e internacionais, como forma de reduzir os custos operacionais das forças armadas norte-americanas e de responder às mudanças da realidade geoestratégica mundial.
O encerramento de várias bases militares nos Estados Unidos tem resultado numa repetição, em vários locais, daquilo que se passa actualmente na Terceira: contestação, consequências na economia local e estadual e um forte lobby contra essas medidas. Por isso, se o governo norte-americano tem prosseguido nesse caminho, apesar dos fortes protestos de eleitores e políticos do seu país, será que o protesto de eleitores e políticos portugueses o farão mudar de ideias?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um amigo atrasado

O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está em Paris para demonstrar a solidariedade dos Estados Unidos para com os franceses, após os atentados terroristas da semana passada que assombraram a Europa e o mundo. Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, a sua visita serve para "dar um abraço a Paris" e transmitir todo o apoio do seu país para com a França em choque.
Contudo, este é um tímido lavar de face por parte da Administração Obama, que cometeu uma gigantesca e incompreensível gaffe ao não enviar nenhum representante à grande manifestação de Paris, realizada no passado Domingo em honra das vítimas do atentado e em repúdio ao terrorismo. De facto, Barack Obama foi o grande ausente da manifestação que reuniu praticamente toda a liderança europeu e contou até com os líderes turco, israelita e palestiniano. E se é compreensível que o  Secret Service tenha vetado a presença de Obama por não ter tempo suficiente para preparar e montar todo o esquema de segurança necessário para a a presença do Chefe de Estado norte-americano num evento deste género, também é verdade que a Casa Branca poderia ter enviado o Vice-Presidente Joe Biden ou mesmo John Kerry, que até tem boas ligações com os franceses (a sua reacção em francês aos atentados caiu bem no Eliseu). No mínimo dos mínimos, Obama poderia e deveria ter sido representado por Eric Holder, o Attorney-General dos Estados Unidos, que até estava em Paris nesse fim-de-semana. O que é certo é que o país que sofreu os atentados do 11 de Setembro e lidera a luta contra o terrorismo radical islâmico não poderia ter sido representado apenas pela sua embaixadora em Paris.
Como não poderia deixar de ser, esta falha da Administração Obama mereceu diversas críticas, o que obrigou mesmo a Casa Branca a admitir o erro e enviar John Kerry a Paris para minimizar os danos. Mas o Secretário de Estado não está sozinho a tentar compensar as falhas da liderança norte-americana e conta com um apoio de peso. O conceituado guitarrista James Taylor acompanhou Kerry numa visita aos responsáveis franceses e dedicou-lhes o tema "You've got a friend". Sim, os franceses têm nos Estados Unidos um amigo. Ainda que um amigo muito, muito atrasado...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como a história julgará Obama

Ao entrarmos nos dois últimos anos do segundo e final mandato de Barack Obama na Casa Branca, é altura de se começar a perceber qual será o legado do 44º Presidente dos Estados Unidos. É certo que é ainda muito, muito cedo para ser clara a forma como a História julgará Obama. Contudo, é certo que o primeiro afro-americano a ocupar a Sala Oval deixará uma forte marca através da sua presidência. 
A reforma do sistema de saúde norte-americano constituirá, quase de certeza, o seu maior feito, mas a presidência de Obama tem vários outros destaques. O lançamento da recuperação económica norte-americana merece o primeiro plano, mas a legalização de milhões de imigrantes ilegais, a (tímida) reforma de Wall Street, a nomeação de duas mulheres (uma delas hispânica) para o Supremo Tribunal, a retoma das relações diplomáticas com Cuba, a eliminação de Bill Laden e a melhoria da imagem dos Estados Unidos no mundo também têm lugar na lista de principais feitos da Administração Obama.
Por outro lado, Barack Obama falhou rotundamente naquela que foi, porventura, a sua principal promessa eleitoral: 6 anos depois da sua eleição, o ambiente política em Washington está mais polarizado do que nunca e democratas e republicanos são incapazes de chegar a qualquer tipo de compromisso. Além disso, na frente externa, e apesar de Obama ter retirado as tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão, o Médio Oriente continua um barril de pólvora e a emergência do Estado Islâmico pode obrigar a um regresso das forças armadas dos Estados Unidos à península arábica. E Guantánamo continua em funcionamento...
Este é apenas um pequeno resumo dos principais destaques da presidência de Obama, sendo certo que, daqui a dois anos, será ocasião de aprofundarmos este assunto. Seja como for, este texto serviu como prelúdio para apresentar um artigo da New York que nos mostra um testemunho de 53 historiadores sobre o legado de Barack Obama. Vale a pena ler.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Obama enfurece o GOP

Após a esmagadora vitória nas eleições intercalares, muitos republicanos pensaram que Barack Obama não teria outro remédio senão admitir a derrota e aproximar-se das posições do GOP. Contudo, quem esperava um compromisso em Washington enganou-se, pois as posições estão, agora, mais extremadas do que nunca. Isto porque o Presidente dos Estados Unidos, em vez de tentar agradar à oposição, preferiu irritá-la, ao fazer saber que se prepara para tomar acções executivas (flanqueando, assim, o Congresso) que permitam legalizar alguns imigrantes ilegais.
Como era previsível, o Partido Republicano insurgiu-se rapidamente contra estes planos da Casa Branca, com algumas vozes mais radicais a falarem mesmo num eventual processo de impeachment (demissão forçada pelo Congresso) de Barack Obama. E se o impeachment é um hipótese muito remota (e o desencadeamento desse processo por parte do GOP seria uma verdadeira dádiva para os democratas), já um novo shutdown do governo federal, através da suspensão dos fundos necessários para o funcionamento do Estado por parte do Congresso republicano, é um cenário mais plausível. E, de facto, já alguns sectores republicanos - mais ligados ao Tea Party - têm falado, nos últimos dias, de um novo shutdown como forma de retaliação pelas possíveis acções do Presidente no campo da imigração. Naturalmente, a liderança republicana, ciente que os shutdowns anteriormente provocados pelo seu partido prejudicaram a imagem do GOP junto da opinião pública, está já a tomar as medidas necessárias para evitar tal possibilidade.
Quanto a Barack Obama, parece-me que esta é uma medida acertada a nível político e eleitoral. É verdade que está novamente a confrontar a oposição e que pode ser criticado por não respeitar os resultados das últimas eleições que foram altamente favoráveis aos republicanos. Mas também é um facto que Obama tem poucas hipóteses, faça o que fizer, de alcançar compromissos razoáveis com um Partido Republicano cada vez mais entrincheirado. Sem o apoio do Congresso, resta ao Presidente dos Estados Unidos optar por acções executivas se quiser deixar a sua marca no campo legislativo interno nestes dois anos finais do seu mandato.
Por outro lado, Barack Obama pretende forçar os republicanos a tomarem novamente uma posição vista como anti-imigração, o que alienará - mais ainda - o eleitorado hispânico que será, previsivelmente, decisivo no próximo ciclo eleitoral. Esta medida de Obama é especialmente prejudicial para os candidatos presidenciais republicanos que, face à assertiva oposição do GOP, serão obrigados a vir a público condenar as acções do presidente norte-americano. E, como se viu com Romney em 2012, essa postura anti-imigração do eventual nomeado republicano poderá custar-lhe muitos votos na eleição geral e, quem sabe, até a Presidência. 
Por isso, com esta medida, Obama estará a ajudar alguns milhões de imigrantes ilegais que poderão ficar nos Estados Unidos, pelo menos, por mais algum tempo, mas estará também a dar uma preciosa contribuição para a campanha do nomeado presidencial democrata. Hillary Clinton (who else?) agradece.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As midterms de 2014: um balanço

Uma semana após serem conhecidos os resultados das eleições intercalares de 2014, é altura de fazer um balanço do que se passou, tentando perceber as razões que levaram a uma vitória imperial do Partido Republicano e a uma estrondosa derrota dos democratas. E, a meu ver, o desfecho da noite eleitoral explica-se mais pelo demérito do Partido Democrata do que propriamente pelo mérito do GOP.
Em primeiro lugar, importa referir que para estas eleições nunca se poderia esperar um resultado positivo para os democratas. As midterms que coincidem com o sexto ano de mandato de um Presidente são, por norma, muito penalizadoras para o partido que ocupa a Casa Branca. Para piorar as coisas, Barack Obama é um presidente impopular nos Estados Unidos, ainda que mantenha bastiões de defensores nos principais territórios democratas. Contudo, este ciclo eleitoral desenrolou-se principalmente em red e purple states, ou seja, Estados republicanos ou moderados, o que potenciou a carga negativa da imagem do Chefe de Estado para os candidatos democratas.
Se em 2010 e 2012 o Partido Democrata conseguiu algumas vitórias improváveis contando com a preciosa colaboração dos candidatos republicanos, alguns deles verdadeiramente inaptos para concorrerem a cargos de dimensão nacional, desta vez o GOP não prestou essa ajuda aos seus adversários. De facto, o establishment republicano foi capaz de evitar e derrotar candidatos mais radicais e conseguiu controlar o Tea Party. Para isso, foi muito importante o recrutamento de concorrentes de qualidade, mas também o controlo dos principais financiadores do partido (como os irmãos Koch), que, este ano, fecharam a torneira aos fringe candidates em detrimento daqueles que tinham o apoio da estrutura partidária.
Assim, a estratégia republicana centrou-se principalmente em não cometer erros, evitando candidatos improváveis, mas também gaffes comprometedoras como as que fizeram cabeçalhos de jornais nas duas últimas eleições e que prejudicaram seriamente os resultados eleitorais do partido. Por outro lado, assistimos a uma vazio ideológico por parte da maioria dos candidatos republicanos, que consideraram (e, pelos visto, bem) que quanto menos dissessem, melhor. E quando os concorrentes do GOP falavam era, invariavelmente, para colar a imagem dos seus opositores à do impopular Obama. 
Do lado democrata, a campanha eleitoral não podia ter sido mais desastrada. Como cada vez mais acontece, os operativos democratas planearam as suas estratégias com base quase exclusivamente nas sondagens. Desse modo, vimos os candidatos democratas a centrarem o seu discurso nos temas normalmente associados ao seu eleitorado mais predominante, as mulheres, com destaque para o direito ao aborto. Ao mesmo tempo, os democratas, assustados com os números de Obama nos estudos de opinião, fugiram a sete pés do seu Presidente e do seu currículo. 
Todavia, considero que esse foi o principal erro do Partido Democrata. Em vez de renegarem Barack Obama e o seu historial na Casa Branca, os democratas deveriam ter abraçado o legado do seu líder e feito campanha com base nos seus feitos. Podiam ter defendido o estímulo económico que terá evitado o colapso da economia do país; podiam ter apontado para os números do desempenho económico norte-americano, com o PIB a crescer acima dos 3% e o desemprego abaixo dos 6%; podiam ter recordado que o Obamacare é cada vez menos vilipendiado e veio cobrir dezenas de milhões de norte-americanos até então sem seguro de saúde; podiam ainda ter apostado na defesa dos direitos de milhões de imigrantes ilegais.
Mas não. Os democratas preferiram atirar tudo isso para debaixo do tapete com medo que o eleitorado republicano e independente os penalizasse nas urnas. O que conseguiram, porém, foi desmobilizar e desmotivar o seu eleitorado de base, que se mantém, desde 2008, com Barack Obama. E foram esses mesmos eleitores, como os hispânicos (que viram Obama a sacudir a reforma da imigração para uma qualquer data após as eleições), os afro-americanos e, principalmente, os jovens que ficaram em casa no passado dia 4 de Novembro e contribuíram, por isso, para uma esmagadora republicana nas midterms.
Durante os próximos dois anos, os democratas farão uma inevitável travessia no deserto, sendo minoritários nas duas câmaras do Congresso, detendo muito menos governos estaduais do que os republicanos e preparando a sucessão de um Presidente lame duck. Em 2016 terão uma nova oportunidade. Será que aprenderão com os erros, como fizeram, este ano, os republicanos?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

E tudo a onda levou

Estão contados quase todos os votos das eleições intercalares de 2014 nos Estados Unidos e o resultado é fácil de descrever: uma imponente vitória do Partido Republicano.  Confirmaram-se os piores receios democratas e a noite eleitoral de ontem revelou-se uma onda dos republicanos que venceram a toda a linha, com praticamente todas as corridas assinaladas como competitivas a caírem para o lado dos candidatos do GOP.
Nas eleições para o Senado, as melhores expectativas republicanas terão sido superadas e o GOP retirou sete assentos aos democratas, sendo que este número deverá aumentar para nove, quando todos os votos estiverem contados no Alaska, que deverá ir para a coluna vermelha, e quando se realizar a segunda volta da corrida no Louisiana, que deverá cair para o lado republicano. No outro Estado ainda sem resultado oficial, a Virginia, o Democrata Mark Warner deverá ser sagrado vencedor. Dessa forma, o Senado ficaria dividido entre 46 democratas (incluindo dois independentes) e 54 republicanos, uma assinalável transferência de poder e que coloca mesmo o Partido Republicano em condições de aguentar a previsível investida democrata nas eleições de 2016.
No que diz respeito à Câmara dos Representantes, cuja recuperação de controlo não passava pela cabeça ao democrata mais optimista, o desfecho não foi diferente. Esperava-se um resultado dentro do de há dois anos, ou, no máximo, um dos dois partidos a ganhar uma meia dúzia de lugares ao adversário. Porém, o Partido Republicano obteve um novo triunfo, conseguindo aumentar ainda mais a sua maioria na câmara baixa. Até ao momento, o GOP já conquistou 13 novos lugares, mas esse número poderá subir quase até aos 20, quando todas as corridas tiverem sido encerradas. Assim sendo, os republicanos passarão a ocupar cerca de 250 dos 435 lugares na House, ficando com uma sólida maioria que poderá resistir durante vários ciclos eleitorais.
Finalmente, nas eleições para governos de Estados federados, assistiu-se, invariavelmente, a uma vitória dos republicanos, com destaque para os resultados na Florida, onde Rick Scott segurou o seu cargo de Governador frente ao favorito Charlie Crist que, depois de ter sido Governador do Estado como republicano e de ter concorrido ao Senado como independente, tentou o regresso à mansão de governador do sunshine state, desta vez como democrata, mas sem sucesso, no Wisconsin, Estado onde Scott Walker garantiu a reeleição, posicionando-se, assim, para uma previsível candidatura à Casa Branca, em 2016, e no Illinois, território democrata, mas que não permitiu a reeleição a Pat Quinn, o actual Governador democrata, que perdeu a corrida para Bruce Rauner, o seu opositor republicano. 
Para os democratas, apenas a reconquista da Pennsylvania e e vitória no Colorado (ambas as corridas para Governador do Estado) podem ser encarados como resultados positivos, mas que não chegam, longe disso, para atenuar aquela que foi uma péssima noite eleitoral (foi mesmo pior do que o shellacking de 2010) e cujas consequências darão muito que falar nos próximos tempos. 

Vitória republicana

A noite ainda não terminou nos Estados Unidos, mas em Portugal a madrugada já vai longa e o sono começa finalmente a levar a melhor. Análises mais profundas ficarão para os próximos dias, mas, neste momento, parece evidente que as eleições intercalares de 2014 resultaram, como se esperava, numa vitória do Partido Republicano. 
Quando o próximo Congresso tomar posse, o GOP passará a deter a maioria dos assentos nas duas câmaras. Sem surpresas, manteve o controlo da Câmara dos Representantes (deverá mesmo ganhar mais alguns lugares) e, principalmente, conseguiu destronar o Partido Democrata da maioria no Senado. À hora que escrevo, ainda não são conhecidos os resultados na North Carolina, no Virginia (deverá cair para os democratas), no Iowa, no Kansas e no Alaska, mas esses Estados apenas ditarão a dimensão da vitória republicana.
No que diz respeito aos Governadores, os democratas ainda podem atenuar um pouco os danos se, à vitória na Pennsylvania juntarem um triunfo na Florida (neste momento, o sunshine state está muito renhido e será decidido no phono finish). Com o ganho destes dois grandes e importantes Estados ao GOP, os democratas teriam, pelo menos, alguns motivos de festa que serviriam de consolo para uma noite, no cômputo geral, muito negativa.
Ainda assim, e analisando as exit polls, parece-me que os democratas perderam principalmente, por falta de comparência. Olhando para os números, percebe-se que o Partido Democrata conseguiu atingir os valores habituais junto da sua coligação de eleitores (nomeadamente, afro-americanos, hispânicos jovens e mulheres). Contudo, esses eleitores deslocaram-se às urnas em menor número do que o necessário para que os democratas alcançassem melhores resultados. Por exemplo, em 2012, 72% dos votantes eram brancos, menos 3 pontos percentuais do que hoje, quando se sabe que a tendência da população dos Estados Unidos é tornar-se mais diversa. Por isso, não podem os republicanos retirar grandes ilações dos resultados de hoje no que diz respeito à corrida presidencial de daqui a dois anos.

Segunda volta no Louisiana

No Louisiana, já se sabe que não vai haver vencedor esta noite. Como nenhum dos candidatos obteve uma maioria absoluta, haverá lugar, a 6 de Janeiro, a uma segunda volta entre a democrata Mary Landrieu e o republicano Bill Cassidy na disputa de um lugar no Senado. Assim sendo, e dependendo dos resultados nos restantes Estados, pode acontecer que o controlo do Senado pode ficar adiado por mais dois meses. Todavia, nesta altura, o mais provável é que o Partido Republicano consiga alcançar os 51 assentos necessários para retirar a maioria na câmara alta do Congresso aos democratas.

GOP rouba primeiro assento no Senado aos democratas

Os republicanos já conseguiram "roubar" um assento no Senado aos democratas. Logo após o fecho das urnas na West Virginia, a CNN anunciou a vitória de Shelley Moore Capito. Este era um triunfo mais que aguardado para o GOP que, com este resultado, ficam precisam "apenas" de recuperar outros cinco lugares no Senado para retirar o controlo da câmara alta ao Partido Democrata. 

Mitch McConnell reeleito

Acabaram de fechar as urnas nos primeiros Estados e já há algumas corridas declaradas pelos principais meios de comunicação social. Entre elas, destaque para a vitória de Mitch McConnell no Kentucky. Assim sendo, o líder republicano do Senado garante um novo mandato de seis anos. Este era um resultado previsível, mas que chegou a estar em causa durante a campanha. Agora, McConnell terá de esperar para saber se, em Janeiro, continuará como líder da minoria, ou, se por outro lado, passará a chefiar a maioria no Senado.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um guia para a noite eleitoral

Chegou, finalmente, o dia das eleições. Hoje, milhões de norte-americanos deslocam-se às urnas para votar. Outros milhões já o fizeram por voto antecipado, mas será na noite de hoje que serão contados os votos e anunciados os resultados que decidirão o figurino do Congresso, assim como o de vários governos estaduais um pouco por todo o país. 
Para quem está do lado de cá do Atlântico, a diferença horária é um obstáculo, mas, ainda assim, vários political junkies, como eu, ficarão acordados a seguir os resultados. E, para isso, nada melhor do que ter uma ferramenta como esta, providenciada pelo Daily Kos, que nos indica o horário de fecho das urnas em cada Estado, ao mesmo tempo que faz um apanhado dos destaques da noite eleitoral. Ajudará, sem dúvida, no acompanhamento da longa mas emocionante noite eleitoral de mais logo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os democratas perdem a maioria no Senado: e agora?

Como ontem referi, tudo aponta, na véspera do dia de todas as decisões, no sentido de os republicanos estarem muito perto de "roubarem" a maioria no Senado aos democratas, tornando-se, assim, a força maioritária nas duas câmaras do Congresso. A confirmar-se esta previsão (o que poderá suceder apenas em Janeiro do próximo ano, devida a possíveis segundas voltas), o que mudará no panorama político dos Estados Unidos?
Na verdade, não me parece que, formalmente, se verifique uma grande mudança, especialmente a nível legislativo. De facto, o Partido Republicano já controla a Câmara dos Representantes e, por isso, os democratas, para fazerem passar legislação, têm sempre de chegar a acordo com a oposição. Contudo, o mesmo já não acontece no que diz respeito a nomeações presidenciais, que, segundo a Constituição, necessitam apenas da confirmação do Senado. Assim, e caso a maioria na câmara alta seja republicana, Barack Obama terá mais dificuldades em fazer aprovar os seus nomeados políticos (eventuais substituições na sua Administração) e, principalmente judiciais. E isso, numa altura em que surgem rumores que apontam para uma possível vaga no Supremo Tribunal, pode ter um grande impacto.
Mas a maior consequência de uma derrota democrata de grandes proporções na noite de amanhã pode ser mesmo ao nível da percepção. Com os níveis de popularidade de Obama em queda livre, a perda do controlo do Senado implicaria um novo e grande rombo na credibilidade do Presidente norte-americano e debilitaria seriamente a sua posição em Washington. Sem apoio no Congresso e com uma imagem tão negativa junto do público que dissuadiria outros políticos de se verem associados ao Presidente, Obama teria enormes dificuldades em fazer passar algum pacote legislativo com alguma relevância. Nesse caso, a reforma da imigração poderia estar seriamente, senão definitivamente, comprometida. Em resumo, teríamos um Barack Obama, durante os dois últimos anos do seu mandato na Casa Branca, em modo lame duck.
Mas nem tudo são más notícias para o Partido Democrata. Mesmo que o partido de Obama perca, nestas eleições, a maioria no Senado, é praticamente certo que a recuperará já daqui a dois anos, aquando das eleições de 2016. Nessa altura, irão a votos os Senadores que foram eleitos na onda republicana de 2010 e, alguns deles, representam Estados fortemente democratas. Por isso, num ano de eleições presidenciais, que atraem mais eleitores democratas às urnas, é crível que o Partido Democrata amealhe assentos suficientes para destronarem novamente os republicanos da maioria na câmara alta. Em suma, as previsíveis vitórias do GOP na noite de amanhã serão, sem dúvida, saborosas para os republicanos, mas virão, todavia, com um prazo de validade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Onda republicana em formação?

A dois dias das eleições intercalares norte-americanas, os números das sondagens começam a convergir definitivamente num sentido. As sondagens do fim-de-semana indiciam que as eleições do dia 4 de Novembro poderão resultar numa wave republicano, um pouco à imagem do que sucedeu em 2010, quando o GOP conseguiu um resultado esmagador nas corridas para a Câmara dos Representantes, destronando a maioria democrata, e retirou seis assentos no Senado aos seus adversários do Partido Democrata, número que, ainda assim, não foi suficiente para alcançar a maioria na câmara alta.
Quatro anos depois, o mais provável é que os republicanos alcancem finalmente o objectivo que falharam em 2010 e 2012 e se tornem o partido maioritário no Senado. Mas deixemos as palavras e passemos aos mais recentes resultados de sondagens em alguns dos Estados que irão decidir o controlo do Senado na próxima Terça-feira:

Alaska: Sullivan (R) 47% - Begich (D) 42%

Georgia: Perdue (R) 48% - Nunn (D) 44%

Iowa: Ernst (R) 51 % - Braley (D) 44%

Arkansas: Cotton (R) 49% - Pryor 41%

Louisiana: Cassidy (R) 51% - Landrieu (D) 43% (em caso de segunda volta)

Definitivamente, não parece nada positivo o cenário para o lado democrata. Contudo, e como temos lembrado, também em 2010 e 2012 tiveram a sua maioria no Senado em perigo e, dessas vezes, os números das sondagens subvalorizaram os eventuais resultados dos candidatos democratas. Ainda assim, parece-me que, muito provavelmente, o Senado mudará mesmo de mãos e, para os democratas, restará a consolação da (quase) certeza de que voltarão a controlar o Senado daqui a dois anos. Mas isso já é tema para um novo post, que escreverei nos próximos dias.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Too close to call

As midterms são já na próxima Terça-feira, mas continua tudo em aberto no que diz respeito à maioria da câmara alta do Congresso norte-americano. Com o controlo da Câmara dos Representantes bem seguro em mãos republicanas e com as eleições para os governos estaduais a serem mais importantes a nível local do que nacional, resta a "batalha" pelo Senado como principal ponto de interesse para a noite eleitoral do dia 4 de Novembro.
Na ponta final da campanha, o Partido Republicano continua favorito para alcançar a maioria, mas o grande número de sondagens com resultados diferentes em vários Estados torna mais difícil fazer uma previsão de confiança sobre o que acontecerá na noite eleitoral. Em eleições intercalares, por norma bem menos participadas do que em anos coincidentes com eleições presidenciais, as sondagens são, também, tradicionalmente menos precisas. Por exemplo, em 2010, todos os estudos de opinião apontavam para a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Contudo, como hoje sabemos, o senador do Nevada saiu vitorioso e, inclusive, por uma margem relativamente folgada.
Além disso, as sondagens em alguns dos Estados cujas corridas serão decisivas para o desfecho final têm um historial de pouca fiabilidade. Entre eles, o caso mais paradigmático é o do Alaska, com um eleitorado disperso, pouco implantado e de difícil acesso por telefone (o método de contacto da grande maioria das sondagens). Os números das sondagens no Kansas e no South Dakota têm também de ser olhados com alguma reserva, já que estes dois Estados, ambos profundamente republicanos, não costumam gerar corridas competitivas. Por isso, os analistas e as empresas de sondagens não estão particularmente familiarizados com as realidade política e eleitoral desses Estados, que normalmente não contam para o "totobola" das noites de eleições.
Há ainda o caso da Georgia, onde as leis do Estado obrigam a uma segunda volta, caso o vencedor não alcance uma maioria absoluta dos votos. Ora, com a presença de um candidato libertário na corrida, é bem possível, se não provável, que o cenário de um runoff se concretize. Nesse caso, a segunda volta apenas se realizaria em Janeiro de 2015 (o que pode adiar a decisão do controlo do Senado para essa data), o que dificulta a "tomada de pulso" ao eleitorado, estando essa eventual eleição a mais de dois meses de distância. No Louisiana, também existe a figura do runoff, mas, nesse caso, é pouco provável que o candidato republicano deixe escapar a vitória à primeira volta.
Se a isto juntarmos resultados muito equilibrados que as sondagens vão mostrando no Kansas, na Georgia, no Iowa, no Alaska, na North Carolina, no Colorado e até no Kentucky (e ainda podem haver surpresas noutros Estados), facilmente se percebe que é muito difícil fazer uma previsão sobre o resultado da noite eleitoral da próxima semana no que ao controlo do Senado diz respeito. É certo que os republicanos parecem levar, hoje, uma vantagem importante sobre os democratas, mas, na minha opinião, a corrida está ainda too close to call.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Obama, o indesejado

Com as eleições intercalares à porta, os democratas de topo desdobram-se no apoio aos candidatos do seu partido. Contudo, Barack Obama tem marcado uma discreta presença no terreno, já que, devido à sua impopularidade, os concorrentes democratas preferem manter a distância em relação ao Presidente dos Estados Unidos. Aliás, houve mesmo uma candidata do Partido Democrata ao Senado - Alison Grimes, no Kentucky - que recusou dizer se havia votado em Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Não admira, por isso, que quando os democratas precisam de uma "estrela" para animar a sua campanha, passem ao lado de Barack Obama e chamem alguém como Bill Clinton ou até a Primeira-Dama, Michelle Obama...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Maioria democrata no Senado em perigo

A pouco mais de um mês das eleições intercalares de 4 de Novembro, as atenções políticas nos Estados Unidos estão principalmente dirigidas para a disputa pelo Senado. Com a Câmara dos Representantes bem segura nas mão dos republicanos, é, acima de tudo, o destino da câmara alta do Congresso que está em jogo na noite eleitoral. E, segundo as recentes sondagens, o Partido Republicano vai bem lançado para retirar a maioria no Senado aos democratas.
Para chegarem aos 51 assentos necessários para se tornarem a nova maioria na câmara alta, o GOP precisa de ganhar seis lugares ao Partido Democrata, que conta, actualmente, com 55 senadores no seu caucus. A crer nas sondagens, os republicanos são favoritos a vencer na West Virginia, no Arkansas, no Montana, no South Dakota, no Alaska e no Louisiana. Só com estas seis corridas o Partido Republicano já chegaria à maioria. 
Contudo, os democratas ambicionam ainda "roubar" um assento ao GOP. E logo num Estado onde os republicanos dominam há já várias décadas: o Kansas. Acontece, porém, que o candidato que ameaça destronar o actual ocupante do cargo, o republicano Pat Roberts, não é um democrata, mas sim um independente. Greg Orman, um ex-democrata, é um empresário de sucesso e a sua entrada na corrida foi de tal forma bem sucedida que os democratas retiraram o seu candidato, cientes de que Orman era a sua única possibilidade de derrotar o Senador Roberts. Neste momento, o concorrente independente é um ligeiro favorito a alcançar a vitória e, nesse caso, o mais provável é que, uma vez no Senado, se juntasse aos democratas. 
Assim sendo, teríamos um Senado empatado, com 50 republicanos e 50 democratas. Todavia, em caso de empate nas votações do Senado, o voto decisivo cabe ao Vice-Presidente e isso significa que, pelo menos até Janeiro de 2017, um empate no Senado favorece os democratas.
Mas calma, porque ainda não falei de dois dos três Estados que, juntamente com o Kansas, decidirão o controlo do Senado nas próximas eleições. No Colorado e no Iowa, os democratas defendem dois assentos que estão claramente em perigo para a eleição de 4 de Novembro. No Colorado, a corrida está praticamente empatada, mas, nos últimos dias, o candidato republicano, Cory Gardner, até parece levar uma ligeira vantagem em relação ao seu opositor, o senador democrata Mark Udall. No Iowa, as notícias são ainda menos animadoras para o partido de Obama. Isto porque uma sondagem do geralmente certeiro Des Moines Register colocou a candidata do GOP, Joni Ernst, seis pontos percentuais à frente do democrata Bruce Braley.
Com base neste cenário, percebemos que apenas uma perfeita conjugação de resultados permitirá ao Partido Democrata manter a sua maioria no Senado. Ou seja, precisa de contrariar as sondagens mais recentes e manter os assentos no Iowa e no Colorado do seu lado, impedir surpresas noutros Estados em que a vantagem democrata não é tão significativa quanto isso (New Hampshire, Michigan e North Carolina), ajudar o independente Orman a vencer no Kansas e depois convencê-lo a ajuntar-se ao caucus democrata no Senado.
Não parece uma tarefa nada fácil, especialmente num ano em que, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2012, os candidatos republicanos têm-se mostrado mais impermeáveis aos erros e às gaffes. Mas não deixa de ser verdade que, nos últimos ciclos eleitorais, os democratas têm superado as expectativas e conseguido segurar o controlo do Senado. A 4 de Novembro, tiraremos todas as dúvidas.