quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Segunda volta no Louisiana

No Louisiana, já se sabe que não vai haver vencedor esta noite. Como nenhum dos candidatos obteve uma maioria absoluta, haverá lugar, a 6 de Janeiro, a uma segunda volta entre a democrata Mary Landrieu e o republicano Bill Cassidy na disputa de um lugar no Senado. Assim sendo, e dependendo dos resultados nos restantes Estados, pode acontecer que o controlo do Senado pode ficar adiado por mais dois meses. Todavia, nesta altura, o mais provável é que o Partido Republicano consiga alcançar os 51 assentos necessários para retirar a maioria na câmara alta do Congresso aos democratas.

GOP rouba primeiro assento no Senado aos democratas

Os republicanos já conseguiram "roubar" um assento no Senado aos democratas. Logo após o fecho das urnas na West Virginia, a CNN anunciou a vitória de Shelley Moore Capito. Este era um triunfo mais que aguardado para o GOP que, com este resultado, ficam precisam "apenas" de recuperar outros cinco lugares no Senado para retirar o controlo da câmara alta ao Partido Democrata. 

Mitch McConnell reeleito

Acabaram de fechar as urnas nos primeiros Estados e já há algumas corridas declaradas pelos principais meios de comunicação social. Entre elas, destaque para a vitória de Mitch McConnell no Kentucky. Assim sendo, o líder republicano do Senado garante um novo mandato de seis anos. Este era um resultado previsível, mas que chegou a estar em causa durante a campanha. Agora, McConnell terá de esperar para saber se, em Janeiro, continuará como líder da minoria, ou, se por outro lado, passará a chefiar a maioria no Senado.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um guia para a noite eleitoral

Chegou, finalmente, o dia das eleições. Hoje, milhões de norte-americanos deslocam-se às urnas para votar. Outros milhões já o fizeram por voto antecipado, mas será na noite de hoje que serão contados os votos e anunciados os resultados que decidirão o figurino do Congresso, assim como o de vários governos estaduais um pouco por todo o país. 
Para quem está do lado de cá do Atlântico, a diferença horária é um obstáculo, mas, ainda assim, vários political junkies, como eu, ficarão acordados a seguir os resultados. E, para isso, nada melhor do que ter uma ferramenta como esta, providenciada pelo Daily Kos, que nos indica o horário de fecho das urnas em cada Estado, ao mesmo tempo que faz um apanhado dos destaques da noite eleitoral. Ajudará, sem dúvida, no acompanhamento da longa mas emocionante noite eleitoral de mais logo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os democratas perdem a maioria no Senado: e agora?

Como ontem referi, tudo aponta, na véspera do dia de todas as decisões, no sentido de os republicanos estarem muito perto de "roubarem" a maioria no Senado aos democratas, tornando-se, assim, a força maioritária nas duas câmaras do Congresso. A confirmar-se esta previsão (o que poderá suceder apenas em Janeiro do próximo ano, devida a possíveis segundas voltas), o que mudará no panorama político dos Estados Unidos?
Na verdade, não me parece que, formalmente, se verifique uma grande mudança, especialmente a nível legislativo. De facto, o Partido Republicano já controla a Câmara dos Representantes e, por isso, os democratas, para fazerem passar legislação, têm sempre de chegar a acordo com a oposição. Contudo, o mesmo já não acontece no que diz respeito a nomeações presidenciais, que, segundo a Constituição, necessitam apenas da confirmação do Senado. Assim, e caso a maioria na câmara alta seja republicana, Barack Obama terá mais dificuldades em fazer aprovar os seus nomeados políticos (eventuais substituições na sua Administração) e, principalmente judiciais. E isso, numa altura em que surgem rumores que apontam para uma possível vaga no Supremo Tribunal, pode ter um grande impacto.
Mas a maior consequência de uma derrota democrata de grandes proporções na noite de amanhã pode ser mesmo ao nível da percepção. Com os níveis de popularidade de Obama em queda livre, a perda do controlo do Senado implicaria um novo e grande rombo na credibilidade do Presidente norte-americano e debilitaria seriamente a sua posição em Washington. Sem apoio no Congresso e com uma imagem tão negativa junto do público que dissuadiria outros políticos de se verem associados ao Presidente, Obama teria enormes dificuldades em fazer passar algum pacote legislativo com alguma relevância. Nesse caso, a reforma da imigração poderia estar seriamente, senão definitivamente, comprometida. Em resumo, teríamos um Barack Obama, durante os dois últimos anos do seu mandato na Casa Branca, em modo lame duck.
Mas nem tudo são más notícias para o Partido Democrata. Mesmo que o partido de Obama perca, nestas eleições, a maioria no Senado, é praticamente certo que a recuperará já daqui a dois anos, aquando das eleições de 2016. Nessa altura, irão a votos os Senadores que foram eleitos na onda republicana de 2010 e, alguns deles, representam Estados fortemente democratas. Por isso, num ano de eleições presidenciais, que atraem mais eleitores democratas às urnas, é crível que o Partido Democrata amealhe assentos suficientes para destronarem novamente os republicanos da maioria na câmara alta. Em suma, as previsíveis vitórias do GOP na noite de amanhã serão, sem dúvida, saborosas para os republicanos, mas virão, todavia, com um prazo de validade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Onda republicana em formação?

A dois dias das eleições intercalares norte-americanas, os números das sondagens começam a convergir definitivamente num sentido. As sondagens do fim-de-semana indiciam que as eleições do dia 4 de Novembro poderão resultar numa wave republicano, um pouco à imagem do que sucedeu em 2010, quando o GOP conseguiu um resultado esmagador nas corridas para a Câmara dos Representantes, destronando a maioria democrata, e retirou seis assentos no Senado aos seus adversários do Partido Democrata, número que, ainda assim, não foi suficiente para alcançar a maioria na câmara alta.
Quatro anos depois, o mais provável é que os republicanos alcancem finalmente o objectivo que falharam em 2010 e 2012 e se tornem o partido maioritário no Senado. Mas deixemos as palavras e passemos aos mais recentes resultados de sondagens em alguns dos Estados que irão decidir o controlo do Senado na próxima Terça-feira:

Alaska: Sullivan (R) 47% - Begich (D) 42%

Georgia: Perdue (R) 48% - Nunn (D) 44%

Iowa: Ernst (R) 51 % - Braley (D) 44%

Arkansas: Cotton (R) 49% - Pryor 41%

Louisiana: Cassidy (R) 51% - Landrieu (D) 43% (em caso de segunda volta)

Definitivamente, não parece nada positivo o cenário para o lado democrata. Contudo, e como temos lembrado, também em 2010 e 2012 tiveram a sua maioria no Senado em perigo e, dessas vezes, os números das sondagens subvalorizaram os eventuais resultados dos candidatos democratas. Ainda assim, parece-me que, muito provavelmente, o Senado mudará mesmo de mãos e, para os democratas, restará a consolação da (quase) certeza de que voltarão a controlar o Senado daqui a dois anos. Mas isso já é tema para um novo post, que escreverei nos próximos dias.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Too close to call

As midterms são já na próxima Terça-feira, mas continua tudo em aberto no que diz respeito à maioria da câmara alta do Congresso norte-americano. Com o controlo da Câmara dos Representantes bem seguro em mãos republicanas e com as eleições para os governos estaduais a serem mais importantes a nível local do que nacional, resta a "batalha" pelo Senado como principal ponto de interesse para a noite eleitoral do dia 4 de Novembro.
Na ponta final da campanha, o Partido Republicano continua favorito para alcançar a maioria, mas o grande número de sondagens com resultados diferentes em vários Estados torna mais difícil fazer uma previsão de confiança sobre o que acontecerá na noite eleitoral. Em eleições intercalares, por norma bem menos participadas do que em anos coincidentes com eleições presidenciais, as sondagens são, também, tradicionalmente menos precisas. Por exemplo, em 2010, todos os estudos de opinião apontavam para a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Contudo, como hoje sabemos, o senador do Nevada saiu vitorioso e, inclusive, por uma margem relativamente folgada.
Além disso, as sondagens em alguns dos Estados cujas corridas serão decisivas para o desfecho final têm um historial de pouca fiabilidade. Entre eles, o caso mais paradigmático é o do Alaska, com um eleitorado disperso, pouco implantado e de difícil acesso por telefone (o método de contacto da grande maioria das sondagens). Os números das sondagens no Kansas e no South Dakota têm também de ser olhados com alguma reserva, já que estes dois Estados, ambos profundamente republicanos, não costumam gerar corridas competitivas. Por isso, os analistas e as empresas de sondagens não estão particularmente familiarizados com as realidade política e eleitoral desses Estados, que normalmente não contam para o "totobola" das noites de eleições.
Há ainda o caso da Georgia, onde as leis do Estado obrigam a uma segunda volta, caso o vencedor não alcance uma maioria absoluta dos votos. Ora, com a presença de um candidato libertário na corrida, é bem possível, se não provável, que o cenário de um runoff se concretize. Nesse caso, a segunda volta apenas se realizaria em Janeiro de 2015 (o que pode adiar a decisão do controlo do Senado para essa data), o que dificulta a "tomada de pulso" ao eleitorado, estando essa eventual eleição a mais de dois meses de distância. No Louisiana, também existe a figura do runoff, mas, nesse caso, é pouco provável que o candidato republicano deixe escapar a vitória à primeira volta.
Se a isto juntarmos resultados muito equilibrados que as sondagens vão mostrando no Kansas, na Georgia, no Iowa, no Alaska, na North Carolina, no Colorado e até no Kentucky (e ainda podem haver surpresas noutros Estados), facilmente se percebe que é muito difícil fazer uma previsão sobre o resultado da noite eleitoral da próxima semana no que ao controlo do Senado diz respeito. É certo que os republicanos parecem levar, hoje, uma vantagem importante sobre os democratas, mas, na minha opinião, a corrida está ainda too close to call.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Obama, o indesejado

Com as eleições intercalares à porta, os democratas de topo desdobram-se no apoio aos candidatos do seu partido. Contudo, Barack Obama tem marcado uma discreta presença no terreno, já que, devido à sua impopularidade, os concorrentes democratas preferem manter a distância em relação ao Presidente dos Estados Unidos. Aliás, houve mesmo uma candidata do Partido Democrata ao Senado - Alison Grimes, no Kentucky - que recusou dizer se havia votado em Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Não admira, por isso, que quando os democratas precisam de uma "estrela" para animar a sua campanha, passem ao lado de Barack Obama e chamem alguém como Bill Clinton ou até a Primeira-Dama, Michelle Obama...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Maioria democrata no Senado em perigo

A pouco mais de um mês das eleições intercalares de 4 de Novembro, as atenções políticas nos Estados Unidos estão principalmente dirigidas para a disputa pelo Senado. Com a Câmara dos Representantes bem segura nas mão dos republicanos, é, acima de tudo, o destino da câmara alta do Congresso que está em jogo na noite eleitoral. E, segundo as recentes sondagens, o Partido Republicano vai bem lançado para retirar a maioria no Senado aos democratas.
Para chegarem aos 51 assentos necessários para se tornarem a nova maioria na câmara alta, o GOP precisa de ganhar seis lugares ao Partido Democrata, que conta, actualmente, com 55 senadores no seu caucus. A crer nas sondagens, os republicanos são favoritos a vencer na West Virginia, no Arkansas, no Montana, no South Dakota, no Alaska e no Louisiana. Só com estas seis corridas o Partido Republicano já chegaria à maioria. 
Contudo, os democratas ambicionam ainda "roubar" um assento ao GOP. E logo num Estado onde os republicanos dominam há já várias décadas: o Kansas. Acontece, porém, que o candidato que ameaça destronar o actual ocupante do cargo, o republicano Pat Roberts, não é um democrata, mas sim um independente. Greg Orman, um ex-democrata, é um empresário de sucesso e a sua entrada na corrida foi de tal forma bem sucedida que os democratas retiraram o seu candidato, cientes de que Orman era a sua única possibilidade de derrotar o Senador Roberts. Neste momento, o concorrente independente é um ligeiro favorito a alcançar a vitória e, nesse caso, o mais provável é que, uma vez no Senado, se juntasse aos democratas. 
Assim sendo, teríamos um Senado empatado, com 50 republicanos e 50 democratas. Todavia, em caso de empate nas votações do Senado, o voto decisivo cabe ao Vice-Presidente e isso significa que, pelo menos até Janeiro de 2017, um empate no Senado favorece os democratas.
Mas calma, porque ainda não falei de dois dos três Estados que, juntamente com o Kansas, decidirão o controlo do Senado nas próximas eleições. No Colorado e no Iowa, os democratas defendem dois assentos que estão claramente em perigo para a eleição de 4 de Novembro. No Colorado, a corrida está praticamente empatada, mas, nos últimos dias, o candidato republicano, Cory Gardner, até parece levar uma ligeira vantagem em relação ao seu opositor, o senador democrata Mark Udall. No Iowa, as notícias são ainda menos animadoras para o partido de Obama. Isto porque uma sondagem do geralmente certeiro Des Moines Register colocou a candidata do GOP, Joni Ernst, seis pontos percentuais à frente do democrata Bruce Braley.
Com base neste cenário, percebemos que apenas uma perfeita conjugação de resultados permitirá ao Partido Democrata manter a sua maioria no Senado. Ou seja, precisa de contrariar as sondagens mais recentes e manter os assentos no Iowa e no Colorado do seu lado, impedir surpresas noutros Estados em que a vantagem democrata não é tão significativa quanto isso (New Hampshire, Michigan e North Carolina), ajudar o independente Orman a vencer no Kansas e depois convencê-lo a ajuntar-se ao caucus democrata no Senado.
Não parece uma tarefa nada fácil, especialmente num ano em que, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2012, os candidatos republicanos têm-se mostrado mais impermeáveis aos erros e às gaffes. Mas não deixa de ser verdade que, nos últimos ciclos eleitorais, os democratas têm superado as expectativas e conseguido segurar o controlo do Senado. A 4 de Novembro, tiraremos todas as dúvidas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agenda em dia

Depois de umas merecidas férias, o Máquina Política está de regresso. Durante o período de descanso, muito se passou do lado de lá do Atlântico. Mas vamos por partes:

EUA atacam o ISIS - Depois de dois jornalistas norte-americanos terem sido decapitados pelo Islamic State in Iraq and Syria (ISIS), Barack Obama decidiu agir e, num discurso transmitido em directo pelas principais cadeias dos Estados Unidos, anunciou o seu plano para combater o ISIS, grupo radical que controla já grande parte do Iraque e da Síria. O Presidente informou os cidadãos norte-americanos que os ataques aéreos da Força Aérea dos Estados Unidos já em vigor no território iraquiano serão alargados a regiões da Síria ocupadas pelo ISIS. Além disso, Obama anunciou ainda que colocará mais conselheiros militares norte-americanos no terreno e que aumentará o apoio financeiro e militar às autoridades iraquianas e curdas que combatem o Estado Islâmico. Contudo, Barack Obama frisou que o conjunto de acções agora implementado não contempla o envio de tropas combatentes norte-americanas.
Estas novas medidas são a resposta de Obama ao choque sentido pela opinião pública dos Estados Unidos após a divulgação dos vídeos das decapitações dois dois jornalistas. Contudo, o 44º Presidente norte-americano está numa situação muito delicada, pois sempre defendeu a retirada do Iraque e, agora, está, de facto, a regressar àquele território para uma nova guerra de desgaste sem um fim à vista. Na verdade, este pode ter sido um momento decisivo para o legado de Obama que chegou ao poder como aquele que acabaria com o fim da presença norte-americana no Médio Oriente, mas que pode, como o seu antecessor, deixar a Casa Branca com um conflito em aberto e que terá de ser resolvido pelo seu sucessor.

Eleições intercalares - A menos de dois meses das eleições intercalares, as notícias não podiam ser piores para os democratas. Com uma maioria na Câmara dos Representantes a ser uma mera possibilidade matemática, está também cada vez mais complicada a tarefa do partido de Obama para manter a maioria no Senado. Se as eleições fossem hoje,  segundo tanto Nate Silver como Larry Sabato, o mais provável é que o GOP alcançasse o controlo da câmara alta do Congresso, relegando os democratas para a oposição. 
Nesse caso, o mais provável é que os dois últimos anos do mandato presidencial de Obama fossem praticamente irrelevantes no sector legislativo, dado que sem apoio do Congresso, será praticamente impossível para um presidente relativamente impopular conseguir amealhar apoios para qualquer peça legislativa de relevo (como, por exemplo, a reforma da imigração).

Corrida presidencial - Do lado democrata, não há novidades. Hillary Clinton continua a ser a presumível nomeada democrata e a antiga Primeira-Dama regressará, este Domingo, ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos nas primárias presidenciais. Esta será a primeira vez que Hillary se desloca ao Hawkeye State desde que, em Janeiro de 2008, foi surpreendentemente derrotada por Barack Obama (e também por John Edwards). Tudo indica que a ex-Secretária de Estado entrará mesmo na corrida, isto apesar de ter anunciado esta semana que apenas tomará uma decisão no início do próximo ano. Com todos os outros democratas de peso (que não são assim tantos como isso) a colocarem-se de fora das contas presidenciais para 2016 devido à presença de Clinton, o Partido Democrata não receberia nada bem uma decisão negativa da sua grande estrela quanto à sua candidatura à Casa Branca.
Do lado republicano, o destaque vai para Ted Cruz e para Rand Paul. O primeiro continua a dar mais indicações quanto à sua candidatura presidencial, com o seu chefe de gabinete a deixar esse cargo para assumir maiores responsabilidades políticas (leia-se, eleitorais). Todavia, o Senador pelo Texas foi também notícia pela negativa: numa gala organizada por um grupo de cristãos do Médio Oriente, Cruz abandonou o palco onde discursava, após as suas declarações vincadamente pró-Israel terem sido recebidas pela audiência com fortes vaias. Já em relação ao segundo é praticamente certo que será um candidato presidencial e as suas constantes presenças no New Hampshire, o primeiro Estado a realizar primárias indiciam que o Granite State será o centro da sua estratégia. Ora, tal facto não é surpreendente ou não fosse o eleitorado republicano do New Hampshire um dos mais favoráveis a candidaturas de candidatos com raízes libertárias, como se comprova pelo excelente resultado obtido, em 2012, por Ron Paul (pai de Rand), com 23% dos votos, apenas atrás do vencedor, Mitt Romney.

sábado, 23 de agosto de 2014

Romney mais frio do que nunca



Está na moda o banho gelado como forma de impulsionar e promover a luta contra a esclerose lateral amiotrófica. Nos Estados Unidos, onde a campanha começou, os políticos já aderiram e, curiosamente, um dos mais recentes banhos gelados foi um político muitas vezes caracterizado como "frio". Mitt Romney, candidato presidencial republicano em 2012, derrotado por Barack Obama, divulgou o seu Ice Bucket Challenge" e convidou um amigo seu para o ajudar. Paul Ryan, o seu candidato à vice-presidência há dois anos, ficou encarregue de encharcar Romney. A esposa de Mitt, Ann, será a próxima "vítima".

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os 65 candidatos a candidato presidencial

Estamos a mais de dois anos da eleição presidencial de 2016 (ou a 14 meses do início das primárias) e foram já várias as dezenas de nomes falados para a corrida que decidirá o sucessor de Barack Obama. Segundo o The Hill, são exactamente 64 os políticos que já foram, de uma forma ou de outra, sugeridos como possíveis candidatos presidenciais. O panorama da campanha só começará a ficar definido a partir do início do próximo ano, mas, até lá, é sempre interessante percorrer esta lista e começar a fazer as primeiras apostas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Hillary distancia-se de Obama

Há já poucas dúvidas em relação à presença de Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, em 2016. Nas últimas semanas, a antiga Secretária de Estado tem-se comportado como uma concorrente presidencial e tudo indica que, em alguma altura do próximo ano, a esposa de Bill Clinton anunciará a sua candidatura ao cargo de Presidente dos Estados Unidos.
Com uma larga vantagem em todos os estudos de opinião sobre as primárias democratas e (ainda) sem um vislumbre de adversário nas eleições do seu partido, Hillary parece estar já a "piscar o olho" ao eleitorado independente, sempre fundamental numa corrida presidencial. Isso ficou evidente, nos últimos dias, com o distanciamento da ex-Senadora em relação a Barack Obama, Presidente e seu antigo patrão no que diz respeito à política externa. Ao dar a entender que considera que Obama tem sido demasiado prudente nas assuntos internacionais ("não fazer coisas estúpidas não é um princípio organizador"), Clinton está a querer transmitir que defende uma postura mais interventiva e agressiva dos Estados Unidos no mundo, algo que deve soar bem aos ouvidos dos eleitores independentes e até republicanos.
Hillary foi especialmente incisiva na questão da Síria, onde afirmou que foi o "falhanço" norte-americano em ajudar os rebeldes sírios no início da sua revolta contra o Presidente Assad que levou à ascensão do ISIS, movimento extremista islâmico que ameaça agora o Iraque. Além disso, mostrou-se totalmente alinhada com Israel e com Netanyahu, querendo mostrar que o seu nível de comprometimento com o aliado norte-americano é superior ao da Administração Obama (o que cai sempre bem entre o importante eleitorado judaico nos Estados Unidos).
Esta foi a primeira vez que Hillary Clinton se demarcou publicamente do líder do seu país (e do seu partido). Apesar de ter sido um desalinhamento educado e não muito "sonoro", a verdade é que não deixa de ser relevante e indicativo das intenções da mais conhecida política norte-americana. Sendo Obama um presidente relativamente impopular, é normal que Hillary se veja obrigada a distanciar-se de forma a não ser tão afectada pela má imagem do presidente democrata. Contudo, depois de ter servido como Secretária de Estado de Obama durante quatro anos, é inevitável a colagem de Hillary ao Chefe de Estado norte-americano e, certamente, os republicanos usarão isso para atacar Clinton durante uma eventual campanha presidencial. Veremos se isso será suficiente para afastar Hillary Clinton da Casa Branca. 

P.S. - Por diversos motivos, o Máquina Política tem estado inactivo. Tentarei, dentro dos possíveis, retomar reactivar a máquina e voltar a colocá-la a laborar a 100%.

domingo, 15 de junho de 2014

A incrível derrota de Eric Cantor

Na passada Terça-feira à noite, os Estados Unidos foram testemunhas de uma das mais surpreendentes derrotas políticas de que há memória. Eric Cantor, o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes (o segundo cargo mais importante, apenas ultrapassado pelo Speaker), não poderá ser reeleito como o congressista do 7º distrito do Estado da Virginia, após ter sido batido nas eleições primárias do Partido Republicano por David Brat, um (até agora) desconhecido professor universitário.
Apoiado por grupos do Tea Party a nível local e estadual, David Brat desafiou Cantor pela sua Direita, acusando-o de não ser suficientemente conservador, de se preocupar mais com a elevação do seu estatuto público do que com os seus constituintes e de ser soft on immigration. Contudo, nem mesmo as organizações do Tea Party a nível nacional investiram seriamente nestas primárias, dado que a vitória de Eric Cantor era vista como certa, o que demonstra bem o efeito choque que a derrota de um dos mais influentes e poderosos republicanos provocou no mundo político norte-americano.
Uma das principais repercussões do afastamento de Eric Cantor poderá sentir-se na tão aguardada e, ao mesmo tempo, tão adiada reforma da imigração. O congressista da Virginia era visto como uma das figuras de proa do Partido Republicano para o avanço legislativo desta reforma e, sem a sua presença na Câmara dos Representantes, a vontade dos republicanos para chegarem a um acordo com os democratas nesta matéria pode ser seriamente afectada. Além disso, o facto de a posição tendencialmente favorável de Cantor em relação à reforma da imigração ter sido, ao que tudo indica, uma das principais razões para a sua derrota nas primárias, pode levar muitos congressistas republicanos a pensarem duas vezes quando ponderarem o seu eventual apoio à reforma.
Após a derrota da semana passada, esfumou-se também o sonho de Eric Cantor em ascender à tão ambicionada posição de Speaker of the House. Sendo o número dois na hierarquia da Câmara dos Representantes e assumindo-se como uma das principais figuras do Partido Republicano, o congressista da Virginia era o principal favorito a suceder a John Boehner como Speaker. Agora, com Cantor fora de cena, assistiremos a uma enorme luta de poder entre os congressistas do GOP: primeiro, para a sucessão de Eric Cantor e, mais tarde, para a substituição de Boehner.
O resultado no 7º distrito da Virginia pode também voltar a trazer à baila a narrativa da influência negativa das facções mais conservadoras nas eleições primárias do Partido Republicano. Este ano, essa tendência não se tem sentido tanto como em 2010 e 2012, mas também é verdade que estamos ainda muito cedo no calendário eleitoral. Caso se verifique que, mais uma vez, os candidatos do Tea Party estão a derrotar, nas primárias, candidatos mais moderados e, logo, mais elegíveis, isso pode prejudicar as hipóteses do GOP nas eleições intercalares do Outono. Ora, numas eleições em que se prevê que o controlo do Senado possa depender de apenas um assento, basta uma escolha menos acertada para alterar totalmente o desfecho da noite eleitoral do dia 4 de Novembro.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Obama mexe na sua Administração, a pensar no presente e no futuro

Quando a primeira metade do segundo e último mandato de Barack Obama na Casa Branca se aproxima do fim, continua a dança de cadeiras na sua Administração. Nos últimos dias, merece destaque a mudança de Shaun Donovan, até agora director do Department of Housing and Urban Development, para ocupar o cargo de director do Office of Management and Budget, posto que (ainda) é ocupado por Sylvia Mathews Burwell, que por sua vez irá liderar o Department of Health and Human Services. 
A escolha de Shaun Donovan para este influente cargo, com importantes responsabilidades no orçamento federal, não era das mais óbvias. Contudo, na base da decisão de Obama terá estado o sucesso de Donovan em tomar acções por via de decisões executivas, deixando as medidas legislativas para segundo plano. Ora, esse é precisamente o caminho que o Presidente dos Estados Unidos procura tomar nos últimos anos à frente dos destinos da nação norte-americana, ciente que a oposição republicana no Congresso, porventura aumentada com a possível tomada do Senado pelo GOP, não poderá ser ultrapassada. Assim sendo, Obama chama para o seu lado personalidades com experiência de gestão e com provas dadas em acção executiva, como é o caso de Donovan.
Além disso, o cargo deixado em aberto no Department of Housing and Urban Development será preenchido por uma das principais estrelas em ascenção no Partido Democrata, o actual Mayor da cidade texana de San Antonio,Julián Castro. Castro, descendente de mexicanos, ganhou destaque com a Convenção Democrata de 2012, em que realizou o discurso keynote. Agora, com esta nomeação para a Administração, o ainda Mayor ganha mais notoriedade e bagagem política, que podem revelar-se mais-valias para eventuais voos mais altos. 
Voos esses que podem chegar mais cedo do que se pensa. Apesar de uma candidatura presidencial em 2016 estar praticamente fora de hipótese, Julián Castro seria, a meu ver, um excelente candidato à vice-presidência, especialmente se, como se espera, a nomeada presidencial democrata se chamar Hillary Clinton. Um ticket Clinton-Castro seria certamente fortíssimo, pois aliaria o eleitorado tradicional dos Clinton (mulheres, afro-americanos e blue collar workers) ao eleitorado hispânico (em que Hillary não deverá ser tão forte quanto Obama), que se sentiria encorajado a votar naquele que seria o primeiro Vice-Presidente hispânico dos Estados Unidos da América.
Com estas mudanças na sua Administração, Barack Obama mata, então, dois coelhos com uma só cajadada: adapta a sua equipa aos desafios que lhe são colocados na parte final da sua estadia na Casa Branca, ao mesmo tempo que coloca potenciais futuras figuras de proa seu partido sob os holofotes mediáticos. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jantar dos Correspondentes da Casa Branca


Foi no passado Sábado o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, um dos eventos mais aguardados e mediáticos da capital norte-americana, Washington D. C. Tradicionalmente, o Presidente é o orador principal e, para não fugir à regra estabelecida para esta ocasião, Barack Obama vestiu a pele de Comedian-in-Chief. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Teremos mais um Bush na Casa Branca?

As eleições intercalares, vulgarmente conhecidas como midterms, estão a cerca de meio ano de distância, mas as eleição presidencial, marcada para Novembro de 2016, continua a merecer grande parte das atenções nos meandros políticos dos Estados Unidos. E se no lado democrata, tudo continua na mesma, ou seja, ainda se aguarda a decisão por parte da ultra-mega-hiper-favorita Hillary Clinton, já no campo republicano o cenário é bem mais incerto.
Nos últimos dias, o nome mais falado é bem conhecido, pois partilha o apelido com dois antigos presidentes norte-americanos. Jeb Bush, antigo Governador da Florida, tem sido associado a uma possível candidatura presidencial. O mesmo aconteceu em 2012, mas, desta vez, esse rumor parece ser mais consistente, principalmente porque o establishment do GOP procura insistentemente um candidato credível para apoiar, depois da polémica que se instalou em torno de Chris Christie, que era, até há pouco tempo, o concorrente preferido por grande parte da estrutura partidária republicana para a corrida à Casa Branca.
O irmão mais novo do 43º Presidente pode muito bem ser uma boa aposta por parte do establishment do GOP para fazer frente aos candidatos do Tea Party, como Rand Paul ou Ted Cruz, figuras adoradas pela base do partido, mas demasiado conservadoras para representarem os republicanos numa eleição geral contra um(a) democrata. Com a vasta máquina dos Bush por detrás de si, Jeb não teria problemas em garantir apoios financeiros ou endorsements por parte de nomes proeminentes do Partido Republicano. Além disso, seria um candidato moderado quando comparado com outros possíveis concorrentes, como Rick Santorum, Mike Huckabee ou Scott Walker, além dos já citados Paul e Cruz. Em especial, a sua moderação em relação ao tema da imigração seria uma importante vantagem e um factor diferenciador (ainda que lhe pudesse trazer alguns dissabores durante as primárias), já que é conhecido o problema republicano junto do eleitorado hispânico. Finalmente, Jeb Bush provém da Florida, provavelmente o mais importante Estado numa eleição presidencial, fruto dos 29 votos eleitorais que o sunshine state atribui ao seu vencedor.
É claro que o nome Bush ainda traz recordações negativas à maior parte da população norte-americana. Contudo, isso não seria problema nas eleições primárias, já que a esmagadora maioria do eleitorado republicano tem uma imagem positiva de George W. Bush. Mas, mais importante que isso, Jeb sempre foi mais associado ao seu pai do que ao seu irmão mais velho, o que, numa altura, em que o patriarca da família goza de relativa popularidade junto da população, é uma boa notícia para o novo porta-estandarte da dinastia.
Ainda é muito cedo para dizer se Jeb Bush vai ou não ser candidato à Casa Branca, mas é certo que se o fizer será, apesar do seu nome, um fortíssimo concorrente. A sua entrada na corrida afastará outros nomes de peso (com Marco Rubio à cabeça) e reuniria o establishment e a ala moderada do GOP no apoio à sua candidatura, o que, por norma, é meio caminho andado para a vitória nas primárias republicanas. 
Será que vamos ter, 24 anos depois, um novo duelo presidencial entre um (uma, neste caso) Clinton e um Bush?

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sebelius de saída

Barack Obama aceitou, ontem, a demissão de Kathleen Sebelius, a Secretária dos Serviços de Saúde (Health and Human Services)  desde a tomada de posse da Administração Obama, em Janeiro de 2009. A imagem de Sebelius ficou inevitavelmente marcada pela negativa devido ao fiasco do site healthcare.gov, o sítio na internet onde os cidadãos norte-americanos se devem candidatar aos novos seguros de saúde criados pela reforma de saúde que ficou conhecida como Obamacare. Aquando do lançamento do site, vários foram os problemas e que levaram mesmo a um pedido de desculpas público do Presidente Obama.
Desde essa altura, o lugar da Secretária foi sucessivamente dado como muito estando em perigo, mas a verdade é que Barack Obama foi aguentando Sebelius no cargo, numa demonstração de lealdade para com aquela que foi uma das primeiras figuras proeminentes do Partido Democrata a apoiaram publicamente a sua candidatura à Casa Branca, em 2008 (na altura, Kathleen Sebelius era Governadora do Kansas). Agora, ao que tudo indica, será a actual directora do Office of Management and Budget, Sylvia Mathews Burwell a ser nomeada por Barack Obama para substituir a demissionária Sebelius.
Curiosamente (ou talvez não), a saída da Secretária dos Serviços de Saúde surge numa altura em que começam a aparecer os primeiros sinais positivos da implementação da reforma do sistema de saúde norte-americano. Com os problemas no healthcare.gov aparentemente resolvidos e com os primeiros milhões de cidadãos a aderirem ao Obamacare, é de esperar que a opinião dos norte-americanos comece a ser progressivamente (ainda que lentamente) mais favorável em relação à histórica peça legislativa assinada por Obama. Isso mesmo já terá percebido o Partido Republicano, que desde o início se mostrou intransigente na defesa da revogação da reforma, mas que, agora, já alterou o discurso, clamando pela melhoria e aperfeiçoamento da lei que permitiu o acesso a cuidados de saúde a milhões de norte-americanos.
Caberá agora a Sylvia Mathews Burwell a responsabilidade de alargar a implementação do Obamacare, uma tarefa de grande importância, em especial quando se aproxima a fase final da estadia de Obama na Casa Branca. Sendo a reforma da saúde a grande bandeira da presidência de Barack, é essencial que o Obamacare cumpra efectivamente a promessa de benificiar dezenas de milhões de norte-americanos que não tinham, até agora, acesso a cuidados de saúde O legado de Barack Obama depende disso.

domingo, 30 de março de 2014

Nate Silver está de volta

Nate Silver ficou conhecido na corrida eleitoral de 2008. Na altura, começou inicialmente por publicar as suas previsões eleitorais no site Daily Kos, tendo depois fundado o seu próprio blogue, o fivethirtyeight.com (538 é o número total de votos eleitorais em disputa numa eleição presidencial). Na votação que elegeu Barack Obama, Nate Silver acertou no vencedor em 49 dos 50 Estados norte-americanos, o que lhe valeu fama e reconhecimento como um guru das previsões eleitorais.
Com o estatuto alcançado, Silver foi convidado pelo New York Times a fazer parte da equipa do afamado jornal. Foi no NYT que Nate Silver que publicou as suas previsões para as corridas eleitorais de 2010 e 2012, sempre com muito sucesso - em 2012 acertou no vencedor em todos os Estados da eleição presidencial. Contudo, depois da segunda vitória de Obama, o especialista em estatística procurou novamente estabelecer um projecto próprio e autónomo e refundou o fivethirtyeight.com, que foi lançado a todo o gás no final deste mês. Com uma imagem mais moderna e um alcance mais ambicioso, o site de Nate Silver não se limita a realizar previsões e análises políticas e eleitorais, abrangendo agora áreas como a economia, a ciência e o desporto (com destaque para o basebol, uma das grandes paixões de Nate Silver).
Claro que para os apaixonados pela política norte-americana, serão as previsões eleitorais a merecerem uma maior atenção. E, nesse aspecto, Nate começou em força, a prever um ligeiro favoritismo republicano para o controlo do Senado, após as eleições intercalares de Novembro. É, obviamente, ainda muito cedo para retirarmos grandes ilações sobre as previsões, até porque o modelo de Silver é flexível e adapta-se às alterações que forem ocorrendo nas dezenas de corridas pelo Senado. Porém, dado o historial da jovem estrela no que diz respeito a previsões eleitorais, podem os democratas estar preocupados com as suas hipóteses de manter o controlo da câmara alta.
Com o prestígio alcançado nos últimos anos, Nate Silver é já uma referência política nos Estados Unidos e o seu regresso era um facto muito aguardado pelos political junkies norte-americanos. Agora que está de volta com as suas previsões, as eleições de 2014 parecem estar mais próximas do que nunca e conquistam um renovado interesse. É caso para dizer: welcome back, Nate!