Nos mais recentes ciclos eleitorais, estabeleceu-se a percepção que as campanhas presidenciais começavam cada vez mais cedo. Porém, o panorama para as eleições de 2012 parece querer contrariar esta ideia. Apesar de ainda estarmos na primeira metade de 2010, seria expectável haver um leque de candidatos já razoavelmente definido, o que, de facto, ainda não acontece.
Claro que este problema não se coloca para o Partido Democrata, que encontrou o seu candidato para 2012 no dia 4 de Novembro de 2008, quando Barack Obama venceu a corrida para a Casa Branca. Será necessário que ocorra um verdadeiro tsunami político para impedir o actual presidente de procurar a reeleição.
Já no lado do GOP, a conversa é outra e prevê-se uma disputa renhida e de vencedor imprevisível. Contudo, como já disse, o campo de candidatos a candidatos ainda é estranhamente curto. Claro que há Mitt Romney, mas esse está em campanha desde 2006 e, apesar de ser, para já, o mais próximo que os republicanos têm de um frontrunner, tem alguns handicaps que podem limitar as suas hipóteses em 2012. Entre essas desvantagens, destaca-se o facto de, enquanto governador do Massachussets, ter erigido uma reforma do serviço de saúde nesse Estado de New England muito semelhante ao Obamacare que os republicanos prometem anular se chegarem ao poder.
Há ainda outras figuras duas figuras de 2008 - Sarah Palin e Mike Huckabee. Palin ainda não clarificou se será ou não candidata em 2012. Se escolher tentar a sua sorte, será uma concorrente muito forte nas primárias republicanas, mas, por outro lado, seria facilmente batida por Obama na eleição geral. Se os democratas pudessem escolher o candidato republicano, Palin seria, certamente, a sua primeira escolha. Já Huckabee é uma incógnita ainda maior, mas só terá alguma hipótese no caso de entrar numa corrida sem Palin, porque ambos partilham o mesmo tipo de eleitorado, mas com vantagem para a ex-governadora do Alasca.
Depois, há os ditos "dark horses", com Newt Gingrich e Tim Pawlenty à cabeça. O primeiro tem contra si o facto de ter uma imagem muito negativa em grande parte do eleitorado - a sua condução da Câmara dos Representantes durante os anos Clinton foi muito polémica -, enquanto o segundo sofre de um grande défice de reconhecimento nacional que, apesar das suas mais recentes iniciativas, não tem conseguido anular. Em segundo plano, existem outras figuras que podem tentar saltar para o grande palco e almejar a nomeação republicana. Nomes como Bobby Jindal, Mitch Daniels ou Haley Barbour enquadram-se no perfil de candidato que melhores resultados poderá obter (especialmente os dois primeiros): são governadores que podem fazer campanha numa mensagem anti-Washington, sem que a Casa Branca possa utilizar contra si o seu historial de voto no Congresso. Porém, sofrem do mesmo mal de Pawlenty: são pouco reconhecidos a nível nacional e, nos 19 meses que faltam até aos caucus do Iowa, será necessário um grande esforço para contrariar esse problema
Esta falta de clarificação de possíveis adversários de Obama para as eleições de 2012 reflecte-se na actual crise de liderança do Partido Republicano. Assim, se se prevê que 2010 seja um ano extremamente favorável para o GOP, que pode mesmo recuperar o controlo do Congresso, já para 2012 as perspectivas são extremamente favoráveis para Obama e os democratas.