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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Na luta pelo Senado, os democratas respiram (um pouco) melhor

Depois de várias semanas em que não conheceram outra coisa a não ser más notícias, os democratas tiveram nos últimos dias, alguns motivos para sorrir, ainda que moderadamente. Se os cenários relativamente à Câmara dos Representantes e às corridas para governadores estaduais não se alteraram significativamente (mas sobre isso falarei mais tarde), o mesmo não se pode dizer sobre a batalha pelo Senado dos Estados Unidos.
As últimas sondagens indicam que o Partido Democrata aparenta estar a ganhar vantagem em alguns estados que tinha obrigatoriamente de vencer para manter o controlo da câmara alta do Congresso, ao mesmo tempo que recupera e aperta a luta em corridas que pareciam estar a inclinar-se decisivamente para o lado republicano. Segundo os últimos estudos, a Califórnia, Washington e o Connecticut aparentam estar a aguentar-se no lado democrata, enquanto que a vitória no Delaware, depois do desastre que representou para o GOP a nomeação de Christine O'Donnel, é já um dado adquirido. Os êxitos nestas corridas chegariam, então, para os democratas atingirem a marca dos 50 senadores.
Contudo, e até para precaver eventuais deserções na sua bancada, os democratas desejam conseguir uma maioria menos precária. Para o fazerem, precisam de vencer o máximo das eleições que estão a ser disputadas ao limite. Entre essas, é no Wisconsin que a situação parece estar mais negativa, já que o senador Feingold aparece em todas as sondagens bem atrás do seu opositor republicano. Já no Illinois e no Nevada o cenário não se alterou, com ambas as corridas a permanecerem totalmente empatadas. Já a eleição na West Virgínia, que chegou a parecer um caso perdido, pode estar novamente a inclinar-se para lado democrata. Outra corrida que aparentava estar a fugir completamente ao candidato do Partido Democrata era a da Pennsylvania. Porém, as sondagens internas dos democratas e alguns rumores sugerem que esta eleição poderá estar, também ela, a reequilibrar-se. Por fim, a corrida do Colorado volta figurar-se como um genuíno toss-up, já que, depois de sucessivas sondagens indicarem uma pequena mas estável vantagem do candidato do GOP, agora, o democrata Michael Bennet voltou a "encostar" no seu adversário.
Com esta ligeira melhoria na sua situação para as eleições para o Senado, os democratas afastam, pelo menos em parte, os piores receios que apontavam para a perda do controlo desta câmara. Contudo, a sua situação é ainda pouco segura e num ciclo eleitoral como o deste ano, onde há um grande descontentamento popular face aos políticos incumbentes e à governação democrata,  pode suceder um efeito de "onda", com todas as corridas actualmente classificadas como "toss up" a caírem para o lado do GOP. Assim sendo, qualquer vaticínio é prematuro e qualquer previsão é arriscada.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A (in)decisão do Kentucky

Rand Paul e Jack Conway
Uma das corridas mais interessantes deste ciclo eleitoral é, sem dúvida, aquele que se desenrola no Kentucky, onde o republicano Rand Paul e o democrata Jack Conway concorrem por um lugar no Senado dos Estados Unidos. Em condições normais, este não seria um local onde o Partido Democrata tivesse hipóteses de vitória (em 2008, Obama perdeu o Kentucky por mais de 16 pontos percentuais). Contudo, com a nomeação de Rand Paul para ser o candidato do GOP, esta corrida mudou de figura e as última sondagens têm mostrado os dois concorrentes muito próximos um do outro.
O grande destaque desta disputa eleitoral é definitivamente Rand Paul, que, após a vitória das primárias republicanas, saltou para a ribalta da política norte-americana. Rand é filho de Ron Paul, congressista do GOP pelo Texas, candidato presidencial em 2008 e um dos mentores e símbolos do movimento libertário nos Estados Unidos. E como tal pai, tal filho, Rand Paul herdou muito do pensamento do progenitor, sendo um liberal a nível económico, mas também em algumas questões sociais - defende, por exemplo, a legalização da marijuana. Porém, algumas das suas ideias políticas chocam com as do cidadão americano comum, o que prejudica as suas perspectivas de vitória, mesmo num estado profundamente republicano, como é o Kentucky. A seu favor, tem o facto de contar com o apoio entusiasta dos movimentos Tea Party e de nunca ter exercido qualquer cargo político, o que, dado o actual ambiente nos EUA, é sempre uma vantagem.
O adversário de Paul é o democrata Jack Conway, actual Attorney General do Kentucky, que venceu umas disputadas primárias democratas. Apesar de Conway não poder contar com o apoio de Barack Obama - o que só o prejudicaria - tem outras armas para jogar. Bill Clinton,  em particular, tem prestado uma importante ajuda ao candidato democrata, valendo-se da sua popularidade no Kentucky. 
Por outro lado, esta corrida tem como particularidade o facto de se assistir ao debate entre estes dois concorrentes, a uma espécie de inversão ideológica. Veja-se, por exemplo, que, relativamente ao Patriot Act, o polémico pacote de medidas, promovido por George W. Bush após o 11 de Setembro, Rand Paul é crítico, enquanto Jack Conway defende algumas medidas da legislação, precisamente as posições inversas dos seus partidos. 
Uma coisa é certa: pelo menos esta corrida está a ter o condão de tornar o Kentucky famoso no mundo por outra razão que não o frango frito da cadeia de fast food KFC.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nova projecção para o Senado


A menos de um mês das eleições intercalares, que decorrerão no próximo dia 2 de Novembro, volto a fazer uma previsão do mapa eleitoral que resultará depois de apurados os resultados de todas as 37 corridas  relativas aos assentos no Senado em disputa este ano.
Em comparação com a minha última projecção, o cenário piorou bastante para o Partido Democrata, tendo passado de 54 lugares no Senado para apenas 51. Segundo esta actualização, os democratas passaram de favoritos para underdogs em três corridas fulcrais. No Wisconsin, o senador democrata Russ Feingold aparece em clara desvantagem em todas as mais recentes sondagens, o que me faz colocar este estado na coluna republicana, apesar de, no início, me ter custado a acreditar que Feingold, um dos mais poderosos democratas no Senado, pudesse estar em perigo. Continuando no Midwest, também no Illinois poderá residir uma surpresa, se o lugar que outrora pertenceu a Barack Obama passar para o GOP. Esta corrida está, porém, longe de estar decidida (existe ainda um grande número de eleitores indecisos) e apenas o facto de me parecer que esta zona dos EUA se inclina, este ano, para os republicanos me fez colocar o Illinois a vermelho. Por fim, o último estado que mudei para o lado republicano foi a West Virginia. Aqui, apesar de o candidato democrata ser o governador e, por sinal, bastante popular, as sondagens indicam que a corrida se está a inclinar, porventura definitivamente, para o GOP.
Para os democratas rareiam as boas notícias e as que existem não chegam para animar as hostes.  Neste momento, restam aos democratas os tradicionais bastiões do Nordeste e do Pacífico. No Delaware, Christine O'Donnel parece mesmo a opositora de sonho para os democratas, que deverão vencer facilmente esta corrida. Mais a norte, os últimos dados mostram que as eleições no Connecticut e em Nova Iorque (a eleição especial, onde concorre Kirsten Gillibrand) não deverão fugir aos candidatos democratas, algo que, a um dado momento, chegou a parecer estar em causa. No outro lado do continente, ergue-se aquilo a que já chamam a barreira do Pacífico, pois as disputas na Califórnia e em Washington tendem nitidamente para o lado democrata. Já o caso do Nevada é, como no Illinois, de um verdadeiro empate técnico. Porém, arrisco dizer que Harry Reid deverá bater a sua adversária, Sharron Angle, nem que seja ao photo-finish.
Mesmo que, como é minha convicção, os democratas consigam manter o controlo do Senado, fá-lo-ão sempre por uma margem reduzida. Isso poderá levar os republicanos a tentar aliciar senadores que alinham com os democratas a mudarem de lado e, assim, constituírem-se como a nova maioria. Num cenário desse género, o independente Joe Lieberman ou o democrata moderado Ben Nelson seriam, previsivelmente, potenciais alvos do Partido Republicano. Não se esgotam, portanto, no dia 2 de Novembro, as hipóteses republicanas no Senado. Mas esse será, sem dúvida alguma, o momento decisivo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Castle fica de fora

Uma das corridas para o Senado que mais tinta tem feito correr é a do Delaware, onde está em disputa o lugar que, até 2008, era ocupado pelo agora Vice-presidente, Joe Biden. Esta era uma eleição que parecia garantida para os republicanos. Porém, nas primárias de 14 de Setembro, Christine O'Donnel, apoiada pelos Tea Party e por Sarah Palin, derrotou o favorito do establishment republicano. Dessa forma, a escolha de uma política extremamente conservadora em detrimento de um moderado num estado que vota, por norma, nos democratas praticamente entregou a eleição aos democratas.
Depois da derrota nas primárias, Mike Castle colocou a hipótese de concorrer na eleição geral como candidato write in. Ou seja, o nome do concorrente não aparece no boletim de voto, mas os eleitores podem escrever o nome do candidato no boletim e, dessa forma, o voto será considerado válido. Como se percebe facilmente, esta  forma de concorrer dificilmente dá bons resultados a quem a utiliza. Aliás, o último a conseguir ser eleito para o Senado como um candidato write in foi Strom Thurmand, em 1954. Depois, a candidatura write in traz ainda outras complicações, decorrentes de serem os próprios eleitores a escreverem o nome da figura em questão. Um desses problemas está a ser visto no Alasca, com a candidatura da senadora Murkosky, que também perdeu a nomeação nas primárias republicanas. Ora, Murkosky não é propriamente um nome fácil de soletrar e isso está já a causar polémica no estado mais a norte dos Estados Unidos.
Assim, não admira que Mike Castle, um político histórico no Delaware - foi Lieutanant Governor,  Governador e congressista do estado - já com 71 anos de idade, tenha optado por não concorrer, de modo a não comprometer o seu legado e a sua reputação numa eleição que dificilmente venceria, como o prova esta sondagem, onde surgia com apenas 5% das intenções de voto. Além disso, a sua candidatura viria abrir novas brechas na conturbada relação entre a ala mais conservadora e a mais moderada do Partido Republicano, o que só beneficiaria os democratas.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um péssimo dia para os democratas

Após a vitória de Christine O'Donnel nas primárias republicanas do Delaware, o que praticamente entregou aos democratas o lugar no Senado em disputa nesse estado, parecia que estava completamente tapado o possível caminho do GOP rumo ao controlo da câmara alta do Congresso americano. Porém, as últimas sondagens têm sido terrivelmente negativas para os democratas. Hoje mesmo, foram divulgados diversos resultados que fazem antever uma verdadeira hecatombe para os democratas na noite eleitoral de 2 de Novembro, com a possibilidade de perda da maioria no Senado a voltar a estar de pé.
As más notícias
Pennsylvania: Toomey (R) 49%, Sestak (D) 41% - No início da campanha, esta corrida parecia ir ser bastante equilibrada. Contudo, com o passar do tempo, o candidato republicano foi-se distanciando progressivamente. Na luta das primárias face a Arlen Specter, o democrata Joe Sestak provou ser muito forte na ponta final, mas nem isso lhe deverá permitir lutar pela vitória. Status da corrida: likely republican.
New Hampshire: Ayotte (R) 46%, Hodes (D) 32% - Apesar do grande número de indecisos, a vantagem parece ser grande demais para que Hodes possa disputar a eleição com Ayotte. Quando  se considera ser esta a melhor possibilidade que os democratas possuem para "roubar" um lugar aos republicanos, está tudo dito em relação às perspectivas do partido de Obama para este ciclo eleitoral. Status: strong republican.
Washington: Murray (D) 48%, Rossi (R) 47% - Depois de várias sondagens indicarem uma vantagem confortável para Pat Murray, esta vem colocar novas dúvidas em relação a esta corrida. Pode tratar-se de um outlier, mas é mais um motivo de preocupação para os democratas. Status: (ainda) leaning democrat.
Illinois: Kirk (R) 42%, Giannoulias (D) 40% - Continua apertada a disputa pelo lugar no Senado que pertenceu a Barack Obama. As últimas sondagens têm dado sucessivas vantagens, se bem que residuais, ao republicano Kirk. Contudo, neste caso, será a afluência às urnas a decidir o desfecho da eleição. Se os democratas conseguirem motivar o seu eleitorado, em grande maioria neste estado,  Giannoulias tornar-se-á senador. Status: toss-up.
Colorado: Buck (R) 47%, Bennet (D) 43% - A situação no Colorado parece algo estacionária, com Ken Buck a manter sucessivas vantagens, mesmo que reduzidas, nas sondagens. Bennet tem o handicap de não ter sido eleito para o Senado, mas sim nomeado. Além disso, falta-lhe carisma e à vontade para ter sucesso no trilho da campanha. Status:Toss up, mas com tendência a mudar para leaning republican. 
Ohio: Portman (R) 51%, Fisher (D) 42% - Nada de novo no Ohio, onde o candidato republicano continua bem à frente nas intenções de voto. Status: likely republican.
Wisconsin: Johnson (R) 52%, Feingold (D) 44% - Parece confirmar-se o cenário indicado pelas últimas sondagens e o senador Feingold corre mesmo sérios riscos de ser expulso do Senado americano pelos seus constituintes. Status: leaning republican. 
As péssimas notícias
West Virginia: Raese (R) 48%, Manchin (D) 46% - Inicialmente, Joe Manchin parecia imbatível e com lugar assegurado no Senado. Porém, a distância foi encurtando até que, segundo esta sondagem, o republicano Raese ultrapassou o seu opositor. Num estado que sempre torceu o nariz a Obama (desde as primárias democratas de 2008), nem mesmo o popular governador Manchin parece capaz de inverter a grande impopularidade do presidente e dos democratas. Status: toss-up.
Connecticut: Blumenthal (D) 49%, McMahon (R) 46% - Num dos estados mais liberais da União, não deixa de ser surpreendente que Blumenthal, até há pouco tempo bastante popular no Connecticut, esteja perto de ser alcançado pela sua adversária republicana. Este apertar da corrida obriga os democratas a gastarem mais recursos e fundos numa eleição que em qualquer outro ciclo eleitoral venceriam por larga margem. Porém, é ainda cedo para se afirmar que poderá estar em formação um novo upset como o que sucedeu no Massachussetts, quando Scott Brown foi eleito. Status: leaning democrat.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ainda não foi desta

O Senado americano chumbou, ontem, a proposta de lei que terminaria com a política, em vigor desde 1993, que regula o acesso dos homossexuais às Forças Armadas dos Estados Unidos, o don't ask, don't tell. Com apenas 56 votos favoráveis, a liderança democrata ficou longe de conseguir os 60 necessários para ultrapassar o bloqueio republicano, a que se juntaram os dois senadores democratas do Arkansas.
Assim, continua bastante complicado o cumprimento de uma promessa eleitoral de Barack Obama que, na sua campanha presidencial, prometeu terminar com a discriminação dos gays e lésbicas que pretendem servir nas Forças Armadas. Mas, agora que a proposta fica em suspenso e existem dúvidas se ainda será possível a sua passagem nesta sessão do Senado (recorde-se que, a 2 de Novembro, 38 assentos vão a votos), as organizações e activistas dos direitos dos homossexuais não poupam o Presidente nas suas críticas, acusando-o de se ter envolvido pouco nesta questão e não ter feito tudo o que podia para garantir que cumpria a sua promessa.
Porém, é o líder da maioria no Senado, Harry Reid, que mais tem estado debaixo de fogo. Por um lado, os democratas acusam-no de ter "afugentado" os republicanos mais moderados e que podiam votar do seu lado ao recusar a apresentação de emendas à proposta por parte de senadores do GOP. Por outro, os senadores republicanos, com John McCain à cabeça, criticam Reid, que enfrenta uma dura batalha pela reeleição, por tentar obter ganhos políticos através da apresentação de legislação que motivasse e atraísse o voto gay e o voto latino nas eleições intercalares. Isto porque, além de linguagem que acabaria com o "don't ask, don't tell", faz parte deste pacote legislativo o DREAM act, que concederia a cidadania americana aos filhos de imigrantes ilegais que servissem nas Forças Armadas ou que frequentassem a universidade. 
Na minha opinião, este é um daqueles casos em que uma medida, além de good politics, é também the right policy. E depois, se é verdade que Harry Reid pode estar a tentar obter pontos políticos desta questão, também os republicanos, ao bloquearem estas propostas (alegando este "jogo" de Reid ao invés de apontarem os defeitos da legislação), estão a incorrer no mesmo pecado que apontam ao líder da maioria do Senado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tsunami republicano em formação

Com as eleições intercalares ai à porta, passarei a dar um cada vez maior destaque e atenção às várias sondagens que vão saindo sobre as inúmeras corridas que vão decorrendo um pouco por todo o lado nos Estados Unidos. Hoje, foi dia de um grande número de estudos de intenção de voto virem a público e quase todos trouxeram notícias muito preocupantes para as perspectivas democratas para o dia 2 de Novembro, no que diz respeito à batalha pelo Senado. Mas passemos, então, aos números propriamente ditos.
Nevada: Angle (R) 46%, Reid (D) 45% - Numa das disputas mais renhidas do ano, o líder da maioria do Senado mantém-se em empate técnico com a sua opositora democrata. Há algumas semanas, parecia que Harry Reid se ia distanciar de Angle, mas, nos últimos tempos, a candidata insurgente apoiada pelos Tea Party ganhou novo fôlego e já lidera a corrida, mesmo que dentro da margem de erro.
West Virginia: Raese (R) 46%, Manchin (D) 43% - Confirma-se o cenário que vinha a anunciar-se nos últimos tempos. Pode tratar-se de um mero outlier (a Rasmussen dava, há dias, uma vantagem confortável a Manchin a Joe Manchin), mas Obama e os democratas são extremamente impopulares neste estado e esse pode ser um factor importante. Além disso, neste caso, a popularidade de Joe Manchin enquanto governador da West Virginia pode jogar contra si, já que é possível que os eleitores considerem que Manchin servirá melhor os seus interesses continuando à frente do governo estadual do que em Washington, no Senado.
Pennsylvania: Toomey (R) 48%, Sestak (D) 40% - Esta corrida parece levar o mesmo destino da do Ohio, com a vantagem do candidato republicano a aumentar à medida que se aproxima o acto eleitoral. Tendo começado como toss-up, a luta por este lugar no Senado pode agora ser caracterizado como likely republican.
Wisconsin: Jonhson (R) 52%, Feingold (D) 41% - Segunda sondagem consecutiva a colocar o republicano Ron Jonhson com uma vantagem confortável face ao Senador Feingold. A confirmar-se este resultado, poderá morar no Wisconsin um dos grandes upsets da noite eleitoral de 2 de Novembro.
Depois da nomeação de Christine O'Donnell no Delaware, era convicção quase geral que os republicanos tinham, praticamente, hipotecado as suas hipóteses de retirar o controlo do Senado aos democratas. Contudo, o GOP aparece competitivo ou em vantagem em quase todos os battlegrounds, como se viu pelas sondagens de hoje. Vale a pena continuar a seguir estas eleições intercalares de 2010, elas estão ao rubro!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mais uma ronda pelas sondagens

Depois de ontem ter feito uma previsão (algo optimista para o lado democrata) relativamente às eleições para o Senado, hoje convém fazer um resumo das últimas sondagens que saíram (Sexta-feira é tradicionalmente um dia fértil) sobre a emocionante disputa pela câmara alta do Congresso que está a ser travada por democratas e republicanos, com especial atenção, como sempre, para os estados decisivos.
Delaware: Coons (D) 53%, O'Donnell (R) 42% - Depois da bombástica vitória de Christine O'Donnel nas primárias do GOP, este lugar parece cada vez mais seguro na coluna democrata. Porém, será importante ir prestando atenção a esta corrida.
New Hampshire: Ayotte (R) 51%, Hodes (D) 44% - Para já, vantagem relativamente confortável para Kelly Ayotte, depois da vitória in extremis nas primárias do seu partido. Ainda assim, talvez seja esta a melhor oportunidade de os democratas "roubarem" um lugar ao GOP, o que é sintomático da inclinação das eleições deste ano.
Arkansas: Boozman (R) 51%, Lincoln (D) 34% - No estado dos Clinton, os democratas perderão, sem margem para dúvidas, um lugar no Senado, pois a Senadora Lincoln não tem sequer condições de discutir a corrida.
Washington: Murray (D) 51%, Rossi (R) 46% - Corrida cada vez mais inclinada para o lado democrata. Com Murray já acima dos 50% nas sondagens, dificilmente Rossi conseguirá alterar a situação.
Illinois: Kirk (R) 39%, Giannoulias (D) 36% - Aparentemente, más notícias para os democratas, numa das mais renhidas corridas deste ciclo eleitoral. Contudo, tenho algumas razões para desconfiar desta sondagem, devido ao grande número de indecisos, à empresa que a conduziu e ainda pelo candidato do Green Party surgir com 4% dos votos. Para mim, o Illinois continua o toss-up dos toss-ups.
Ohio: Portman (R) 55%, Fisher (D) 35% - Pela diferença entre os dois candidatos, esta sondagem é, quase de certeza, um outlier. Ainda assim, a disputa por este lugar no Senado parece já fora de alcance para os democratas, que deviam pensar em deslocar os seus recursos para outras corridas mais competitivas.
Wisconsin: Johnson (R) 51%, Feingold (D) 44% - Do conjunto de sondagens de hoje, esta é, para mim, a grande surpresa. Mesmo sendo a empresa conservadora Rasmussem a responsável pelo estudo, estranho a grande diferença entre os dois candidatos, bem para lá da margem de erro. Caso não se trate de um outlier, estes números são péssimas notícias para Feingold e para os democratas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Senado: uma previsão

Azul (D); Vermelho (R); Cinza (Sem eleição)
Tendo terminado o processo das primárias, onde os dois partidos escolheram os seus candidatos para as eleições gerais, é tempo de fazer um balanço da situação. A mês e meio das midterms de 2 de Novembro, o cenário continua favorável para os republicanos. Porém, surgiram alguns dados que podem indicar que estas eleições poderão não ser tão catastróficas para os democratas como se previa há pouco tempo atrás. No Senado, em especial, o partido de Obama viu as suas perspectivas melhorarem consideravelmente devido à ajuda improvável do próprio Partido Republicano, que, em alguns estados, nomeou figuras tão controversas que colocam essas corridas ao alcance dos democratas, com o caso do Delaware a ser o mais recente exemplo.
E é em relação ao Senado que faço a minha primeira previsão. A uma tão grande distância do dia das eleições, é um exercício meramente especulativo, tendo como base as sondagens que vão sendo conhecidas, mas também uma certa dose de feeling pessoal em relação a cada uma das corridas. Assim, como se pode observar pelo mapa no topo do texto, a minha previsão indica que os democratas perderão cinco lugares no Senado, vendo a sua maioria diminuir de 59 para 54 senadores, mas mantendo o controlo da câmara alta do Congresso. 
Se em muitos estados o resultado é previsível, já nos chamados swing states, a minha tarefa foi mais complicada, mas também serão essas as corridas a decidir as eleições. Assim, penso que o Missouri, o Ohio, o Kentucky e a Florida dificilmente escaparão aos republicanos. Na Pennsylvania, no Colorado e no New Hampshire, os democratas ainda poderão ter uma palavra a dizer, mas, para já, a situação não lhes é favorável. Todos estes estados ficam, então, a vermelho, a cor do Partido Republicano.
Por sua vez, prevejo que os candidatos democratas vençam no estado de Washington, na West Virginia e no Connecticut, com maior ou menor dificuldade. Já nos casos do Nevada, do Wisconsin e da Califórnia a vantagem democrata é residual, mas, de momento, vejo estes estados a inclinarem-se para o lado democrata. Por fim, a situação mais difícil foi a do Illinois, que me parece ser a corrida com desfecho mais imprevisível. Contudo, como se trata de um estado profundamente democrata e dado o peso e influência que Barack Obama pode ter nesta eleição (ou não estivesse em causa o seu antigo lugar no Senado) a cor escolhida foi o azul, dos democratas.
Um resultado deste género representaria uma espécie de empate, porque, por um lado, os republicanos ganhariam um importante número de assentos aos democratas, mas, por outro, não conseguiriam a esmagadora vitória que muitos analistas prevêem para estas eleições. De qualquer forma, e como se diz por cá em relação às sondagens, as previsões valem o que valem, porque os resultados que interessam só saberemos depois de milhões de eleitores americanos votarem, no próximo dia 2 de Novembro.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Senado: Sondagens

A dois meses das eleições intercalares de 2010, importa ir espreitando as sucessivas sondagens que surgem sobre as corridas mais importantes, sejam para o Senado, para a Câmara dos Representantes. ou para os governos estaduais. Hoje, o destaque vai para o Senado e para as disputas mais renhidas e que decidirão qual o partido que ficará no controlo da câmara alta do Congresso, após as midterms. E, neste capítulo, segundo os últimos estudos de opinião, há boas e más notícias para os dois lados. Senão vejamos:
Califórnia:  Fiorina (R) 48%, Boxer (D) 46%
Florida: Crist (I) 34%, Rubio (R) 34%, Meek (D) 17%
Illinois: Giannoulias (D) 34%, Kirk (R) 34%
Kentucky: Paul (R) 43%, Conway (D) 37%
Nevada: Reid (D) 50%, Angle (R) 47%
Ohio: Portman (R) 45%, Fisher (D) 38%
Washington: Rossi (R) 50%, Murray (D) 47%
Vistos os números, ficam evidentes os excelentes resultados de Carly Fiorina no maior estado da União, onde, caso se venha a verificar uma vitória republicana, pode residir a maior surpresa da noite eleitoral. Depois, ainda mais motivos para o GOP sorrir em Washington, normal terreno democrata, e no Ohio, onde parece cada vez mais improvável uma ameaça democrata. Por outro lado, o partido de Obama consegue resultados animadores no Nevada, onde Harry Reid continua a sua recuperação às custas da candidata escolhida pelos republicanos, e no Illinois, onde os dois concorrentes surgem empatados, depois de várias sondagens que davam vantagem ao republicano Mark Kirk. Além disso, o Kentucky parece ainda ao alcance dos democratas, apesar de Rand Paul manter ainda uma margem relativamente confortável.
Por fim, a Florida, a eleição mais interessante e complexa deste ano, onde Crist e Rubio surgem neck-and-neck com o democrata Keek bem atrás. Aqui, como já tenho referido, os democratas terão um complicado jogo de equilíbrio para fazer, entre o apoio oficial ao seu candidato e a ajuda à vitória do moderado Charlie Crist sobre o conservador Marco Rubio. Mas, para já, o desfecho continua totalmente imprevisível.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O incrível Alvin Greene

O caso mais caricato desde ciclo eleitoral está-se a desenrolar na corrida por um lugar no Senado pelo Estado da Carolina do Sul. Aqui, o interesse reside não na disputa pela vitória, pois o senador incumbente, o republicano Jim DeMint, é o mais que provável vencedor, mas sim no seu opositor, Alvin Greene, que, surpreendentemente conseguiu a nomeação pelo Partido Democrata.
Greene, um total desconhecido de 32 anos, é um ex-militar no desemprego e com cadastro criminal. A visibilidade da sua candidatura à nomeação democrata era praticamente inexistente, não tendo sequer um site oficial. Contudo, devido à elevada abstenção no acto eleitoral, ao grande desinteresse pela corrida e ao facto de o seu nome ser o primeiro na boletim de voto, o improvável candidato venceu mesmo as primárias do seu partido com 59% dos votos.
Imediatamente a seguir à sua vitória surgiram acusações de que Greene fazia parte de uma estratégia republicana que visava a ridicularização do Partido Democrata e uma fácil reeleição para DeMint. Segundo essas teorias, o GOP teria pago o montante de apresentação de candidatura de Greene (cerca de 10 mil dólares) e incitado os seus eleitores a votarem nas primárias democratas a seu favor, aproveitando-se do facto de as primárias no Estado serem abertas. 
Apesar de não parecer provável que os republicanos estejam directamente envolvidos na candidatura de Alvin Greene, a verdade é que este é já uma dor de cabeça para o Partido Democrata, devido à fama que já alcançou no Estados Unidos esta insólita corrida ao Senado. Para piorar a situação, Greene tem proferido algumas declarações perfeitamente surreais, como quando sugeriu que, para melhorar a situação económica do país, uma solução seria o de vender cartazes da sua cara. Para ilustrar toda esta curiosa confusão na Carolina do Sul, aqui fica o vídeo de uma das famosas entrevistas de Alvin Greene à Comunicação Social.


terça-feira, 20 de julho de 2010

A importância da eleição no Nevada

Há bem pouco tempo atrás, quando se fazia a antevisão das eleições intercalares de Novembro deste ano e se analisavam as corridas mais problemáticas para os democratas, surgia, no topo da lista, a previsível derrota do líder da maioria no Senado, Harry Reid, cuja reeleição no seu Estado do Nevada parecia, então, muito complicada. Reid, há 23 anos no Senado, é uma figura que polariza o eleitorado e, além disso, a sua postura e actuação durante algumas das mais duras batalhas na câmara alta do Congresso garantiram-lhe muitos anti-corpos, alguns mesmo dentro do Partido Democrata.
Contudo, os republicanos do Nevada fizeram um favor a Reid e aos democratas e, nas primárias do seu partido, nomearam Sharron Angle - que tinha, em 2006, concorrido, sem sucesso, à Câmara dos Representantes - como a sua candidata. Acontece que Angle é uma figura com ideias bem fora do mainstream político americano. Defende, por exemplo, o abandono da ONU por parte dos Estados Unidos, a extinção do Departamento da Educação e de programas como o Medicare ou a Segurança Social. A concorrente escolhida pelo GOP acredita ainda que o aquecimento global não passa de uma fraude e chegou mesmo a falar em voltar a ilegalizar as bebidas alcoólicas, no que seria um retorno à famosa "lei seca".  Além das suas ideias políticas, Angle também tem atraído diversas polémicas, como a que se geraram em torno da sua suposta adesão à Cientologia e da sua proposta de conceder programas de massagens aos presidiários do Nevada.
Assim, não admira que, agora, várias sondagens atribuam a Harry Reid vantagem na corrida frente a Sharron Angle. É ainda previsível que, à medida que os eleitores do Nevada vão conhecendo melhor a candidata republicana e que a vantagem financeira de Reid se acentue, esta diferença entre os dois aumente ainda mais. A confirmar-se uma vitória do líder democrata em Novembro, esta será um exemplo raro de uma má escolha republicana nas suas primárias, pois os eleitores do GOP são, habitualmente, práticos e pragmáticos nas suas escolhas, elegendo o candidato que mais garantias lhes dá numa eleição geral contra o Partido Democrata. 
Porém, é possível que este caso não seja um fenómeno isolado, mas sim um sinal do crescente peso das franjas mais conservadoras, com destaque para o Tea Party, no interior do Partido Republicano, o que pode empurrar o GOP para a direita do espectro político, com óbvia repercussão nos candidatos escolhidos nas primárias do partido. Se for o caso, tratar-se-á de uma óptima notícia para os democratas, que sairão, com toda a certeza, a ganhar de um cenário deste género.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Reforma financeira aprovada!

O Senado americano aprovou, ontem, a reforma financeira que se transforma, assim, na segunda grande vitória legislativa da administração de Barack Obama, após da reforma do sistema de saúde. Depois do diploma ter passado nas duas câmaras do Congresso, espera-se que o presidente americano promulgue, muito em breve, o documento, transformando a proposta em Lei e cumprindo mais uma das suas principais promessas eleitorais.
Ainda assim, a passagem com sucesso desta reforma pelo Senado foi mais complicada do que era previsível há alguns meses atrás, quando se iniciou a sua discussão no Capitólio. Apesar do apoio popular que as sondagens atribuem a uma reforma do sistema financeiro dos Estados Unidos, os republicanos uniram-se para tentar impedir a sua aprovação e mesmo entre as fileiras democratas houve algumas dissidências. De facto, o senador democrata Russ Feingold votou contra a reforma, afirmando que esta não seria suficiente para impedir uma nova  crise económica. Este voto negativo, combinado com o lugar deixado vago pela morte do senador Robert Byrd, obrigou a liderança democrata a encontrar três votos "sim" do lado republicano. Após negociações e algumas cedências, as duas senadoras republicanos do Maine, Olympia Snowe e Susan Collins, e o senador Scott Brown do Massachusetts concordaram em permitir a passagem da reforma.
Na verdade, Scott Brown desempenhou um papel fundamental para a aprovação da reforma financeira, fazendo a ponte entre os democratas e os republicanos mais moderados que podiam, eventualmente, quebrar as fileiras partidárias e votar no lado democrata. Não deixa de ser irónico que Brown, cuja eleição representou a maior derrota e humilhação pública da actual administração, tenha sido um dos veículos principais grande vitória da Casa Branca de Obama.
À imagem do que aconteceu após a aprovação da reforma da saúde, os republicanos já vieram a público clamar pela revogação desta reforma, cujo objectivo, segundo os seus proponentes e defensores, será o de regular o sector financeiro, de modo a proteger os cidadãos americanos e evitar novas crises financeiras. Se esta diploma será capaz de o fazer, é algo que só o futuro dirá. Mas uma coisa é certa: com mais esta histórica vitória, Obama não pode ser acusado de nada ter alcançado e realizado durante a sua presidência, que, recorde-se, ainda nem a meio vai.

terça-feira, 13 de julho de 2010

É tempo de contar os votos

Aproximam-se duas importantes votações no Senado norte-americano: a primeira, que terá lugar provavelmente ainda esta semana, sobre a reforma do sistema financeiro americano e a segunda, adiada hoje para a próxima semana, relativa à confirmação da nomeação presidencial de Elena Kagan para o Supremo Tribunal. Em qualquer uma destas situações os democratas precisam de atrair votos de senadores republicanos para que consigam obter uma maioria à prova de fillibuster
Neste momento, e ao que tudo indica, o Partido Democrata já conseguiu reunir os votos necessários para poder cantar uma dupla vitória e, desta vez, ao contrário do que aconteceu na polémica reforma da saúde, conseguindo o selo de uma decisão bipartidária, pois deverá contar com votos de senadores da oposição. No caso da reforma financeira os democratas devem conseguir os voto favoráveis da Senadora Olympia Snowe e do Senador Scott Brown, dois republicanos moderados e que serão suficientes para contrabalançar o surpreendente Senador Russ Feingold, um democrata que é habitualmente um voto fiável para os liberais mas que tem manifestado a intenção de se opôr a esta reforma.
No que diz respeito à confirmação de Elena Kagan, a nomeada por Obama para ocupar o lugar no Supremo Tribunal deixado vago pelo Juíz John Paul Stevens, os democratas têm a hipótese de amealhar um voto "sim" de um republicano no Comité Judiciário do Senado, pois o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, já deu a entender que poderá aprovar a nomeação daquela que será a terceira mulher na mais alta instituição judicial do país, aliás à imagem do que fez em 2009, quando votou ao lado dos democratas para confirmar a nomeação da juíza Sottomayor, também para o Supremo Tribunal.
Estas duas vitórias, a confirmarem-se, serão importantes para o lado democrata, especialmente quando se aproximam as férias do Congresso e as eleições intercalares de Novembro. Com a lenta recuperação económica dos Estados Unidos, serão realizações como as reformas da saúde, do sistema financeiro e a ambiental (que será o ponto seguinte da agenda democrata) e a suave confirmação de duas nomeadas para o Supremo Tribunal que os democratas poderão utilizar para mostrar obra feita durante os dois últimos anos em que controlaram a Casa Branca, o Senado e a Câmara dos Representantes. Depois, em Novembro, serão contados não os votos de meia dúzia de senadores, mas sim o de vários milhões de americanos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um balanço da luta pelo Senado

Faltam menos de quatro meses para as decisivas eleições intercalares de Novembro, onde irá a votos a totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, além de várias eleições estaduais. Porém, de entre todas estas decisões que irão ser tomadas pelos eleitores americanos, aquela que mais importância e atenção mediática tem merecido é a referente ao Senado. Isto acontece porque o cargo de Senador é bastante mais conceituado e relevante do que o de Representante, visto que o mandato destes é mais curto (2 anos contra os 6 de um político eleito para o Senado), e porque existem apenas 100 senadores comparativamente aos 435 lugares na House. Já as escolhas dos governadores estaduais, apesar de importantes, são, na maior parte dos casos, apenas relevantes a nível dos Estados, sem grandes repercussões nacionais.

Actualmente, os democratas possuem uma clara vantagem no Senado, com 59 senadores (incluindo dois independentes) contra os 41 do GOP. Assim, e recordando que o empate não lhes serve - nesse caso, cabe ao vice-presidente o voto decisivo - os republicanos necessitam de "virar" 10 lugares para se tornarem na força maioritária da câmara alta do Congresso. A possibilidade de conseguirem tal proeza, e apesar de faltarem quase quatro meses até os americanos se deslocarem às urnas, existe, mas é improvável. Se tal acontecesse, isso significaria que o Partido Republicano tinha conseguido uma esmagadora vitória a nível nacional, de dimensões superiores à de 1994.

Mas vejamos o panorama actual: é praticamente certo que os republicanos vão conseguir retirar quatro dos 36 lugares em disputa aos democratas - Indiana, North Dakota, Arkansas e Delaware. Além destes, existem outras corridas por lugares controlados pelos democratas onde as sondagens indicam um empate técnico - Illinois (o antigo lugar de Obama), Colorado, Pennsylvania e Nevada. Depois, os republicanos têm ainda hipóteses de conseguir vitórias na Califórnia e em Washignton, mas aqui as suas possibilidades são mais remotas. Em resumo, os republicanos têm 4 Estados democratas assegurados, com boas hipóteses em outros 4 e relativas possibilidades em outros 2. Isto perfaz um total de 10 Estados, que seriam, então, suficientes para conseguirem uma maioria de 51 senadores e constituírem-se como a maioria no Senado.

Contudo, os democratas estão também a lutar por conseguir conquistar lugares actualmente ocupados por republicanos. A sua melhor possibilidade é no Ohio, onde são mesmo ligeiramente favoritos, mas também no Missouri e no New Hampshire existem eleições ao seu alcance. Em menor medida, as disputas na North Carolina, no Kentucky e no Arizona podem tornar-se corridas mais disputadas do que parecem actualmente. Por fim, há o caso especial da Florida, onde o (agora) independente Charlie Crist parece bem lançado para a vitória. Caso tal aconteça, é bem possível que, no Senado, opte por se juntar aos democratas. Assim, este seria um lugar, actualmente nas mãos do GOP, que passaria para a coluna democrata.

Concluindo, para passarem a ser a maioria no Senado, os republicanos necessitam de vencer todas as corridas em que têm possibilidades de destronar um democrata, além de terem de defender com sucesso todos os seus lugares em risco. Depois, caso Rubio não consiga derrotar Crist, precisariam de fazer as pazes com este para evitar que o actual governador da Florida se juntasse aos democratas. Assim, parece claro que o Partido Republicano necessitaria de uma "tempestade perfeita" para conseguir o controlo do Senado. O que não quer dizer que, a manter-se o actual clima político, essa tempestade não se possa mesmo vir a formar. 

terça-feira, 27 de abril de 2010

A primeira batalha pela reforma de Wall Street

Ontem, no Senado americano, os democratas promoveram uma votação que, a passar, daria início ao debate sobre a anunciada reforma de Wall Street, defendida por Barack Obama e pelo seu partido. O resultado dessa votação foi de 57-41, com todos os republicanos presentes a votarem contra, tendo-se-lhes juntado o democrata Ben Nelson e o líder da maioria no Senado, Harry Reid - este por mero estratagema processual, de modo a poder realizar uma nova votação quando entender.
Esta votação surgiu num ponto ainda muito precoce do processo. Porém, o objectivo democrata não seria, provavelmente, o de conseguirem fazer passar, desde já, esta legislação que pretende regular o sector financeiro americano, visto saberem que ainda não tinham os votos necessários. Assim, a verdadeira intenção dos liberais seria o de conseguirem mais uma oportunidade para caracterizarem os republicanos como obstrucionistas e a soldo dos grandes interesses. No outro lado da barricada, os senadores do GOP queixam-se das tácticas utilizadas pelos democratas e, em particular, por Harry Reid. A moderada Olympia Snowe criticou esta votação, numa altura em que o democrata Chris Dodd e o republicano Richard Shelby tentam chegar a um acordo bipartidário.
Este primeiro "contar de espingardas" parece indicar um novo conflito legislativo entre os dois partidos americanos. A meu ver, ainda é possível chegar-se a um entendimento, mas o cenário não parece nada favorável. Por um lado, Obama tem sido cada vez mais pressionado pela Esquerda para seguir a sua agenda política com o mínimo de cedências possíveis para o GOP. Por outro lado, os republicanos não estarão muito interessados em conceder vitórias políticas aos seus adversários, quando se aproximam rapidamente as eleições de Novembro.
Mas, desta vez, e ao contrário do que aconteceu com a reforma da saúde, os democratas têm uma vantagem: o apoio popular. Uma sondagem recente indicou que dois terços da população americana favorece esta reforma. Veremos, então, se este sentimento se mantém e se os democratas conseguem fazer passar mais uma reforma de fundo, ainda na primeira metade do primeiro mandato de Obama.

sexta-feira, 26 de março de 2010

It's over

Agora foi de vez. A reforma da saúde americana, depois de um ano de polémicas e disputas no congresso, passou, finalmente, nas duas câmaras do Capitólio.
O Senado aprovou a legislação, através do método de Reconciliation, para evitar o bloqueio do fillibuster republicano, com o voto favorável de 56 senadores, todos do caucus democrata. Apenas três senadores do partido maioritário votaram contra - Ben Nelson, do Nebraska, Mark Pryor e Blanche Lincoln, ambos do Arkansas. Estes senadores são todos democratas moderados que representam Estados conservadores, o que explica o seu interesse em não votarem a favor da reforma.
Logo a seguir, a Câmara dos Representantes voltou a votar a proposta de lei, depois das irregularidades detectadas na véspera. O resultado foi o mesmo e a reforma foi aprovada, com 220 votos a favor e 207 contra.
Terminou, assim, um longo processo que dominou a agenda política dos Estados Unidos, desde que Barack Obama tomou posse, em Janeiro de 2009, e definiu a reforma no serviço de saúde americano como a sua grande prioridade para o início do seu mandato.
Obama e os democratas conseguiram uma vitória, que se revelou mais difícil e menos limpa do que gostariam e do que esperariam, dado o seu controlo da Casa Branca e do Congresso, mas que não deixa de ser um grande triunfo legislativo e político.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A luta continua

Afinal, a longa novela da aprovação da reforma da saúde ainda não acabou, mesmo depois da promulgação da lei por Barack Obama. Ontem, os republicanos tentaram incluir 29 emendas à proposta, prontamente negadas pelos democratas. Porém, foram encontradas duas disposições que vão contra as regras processuais do Senado e que não podem ser incluídas na versão final da lei. Sendo assim, hoje, a reforma será novamente votada na Câmara dos Representantes, sem as 17 linhas que foram excluídas do documento de 156 páginas. Estas mudanças, relacionadas com empréstimos a estudantes, são de menor importância e não alteram o essencial do plano democrata.
Os republicanos podem conseguir, assim, uma pequena vitória, pois quanto mais arrastarem os procedimentos e em mais polémica envolverem a aprovação da reforma, mais manchada e ilegítima esta parecerá aos olhos dos americanos. Porém, o tiro também lhes pode sair pela culatra, se os democratas conseguirem demonstrar que o GOP está apenas a bloquear um processo que já foi aprovado pela maioria. Veremos, então, quem melhor consegue passar a sua mensagem.

quarta-feira, 17 de março de 2010

It's the economy, stupid!

O Senado norte-americano aprovou hoje uma proposta de lei que prevê isenções fiscais para empregadores que contratem trabalhadores que tenham estado no desemprego pelo menos 60 dias. Esta proposta passou com o voto sim de 68 senadores, incluindo onze republicanos, permitindo que tenha o selo do bipartidarismo. Agora, falta apenas o carimbo do presidente para a sua promulgação.
É intenção dos legisladores democratas que esta seja apenas a primeira de um conjunto de propostas que promovam a criação de emprego. Parece que os democratas começam finalmente a apontar as suas agulhas para o tema que, actualmente, mais preocupa a população dos Estados Unidos: a economia. Com a taxa de desemprego a teimar não descer dos 9,7%, a criação de emprego e a recuperação financeira e económica tem de ser a principal prioridade da administração. Contudo, toda a polémica que se gerou à volta da reforma do sistema de Saúde fez com que o governo americano parecesse estar a centrar-se em outros problemas que não os económicos.
Este breakthrough em legislação sobre emprego e economia, combinado com uma eventual aprovação da reforma do healthcare, poderá marcar o início de uma nova fase da administração democrata, marcada por uma maior dinamização, por mais resultados concretos, e indo de encontro ao que muitas vozes têm clamado - a definição da economia como o ponto principal da agenda política. Afinal, parece que o velho ditado se mantém e it's still the economy, stupid!

sexta-feira, 5 de março de 2010

The final push

Aproxima-se o final de uma das mais polémicas e disputadas batalhas legislativas da história política americana. Segundo o que foi determinado por Barack Obama na sua última comunicação ao país, a discussão da reforma do serviço de saúde dos Estados Unidos estará a terminar e uma votação deverá ter lugar nas próximas semanas.

Depois de falhadas todas as tentativas de acordo com o GOP, a responsabilidade da aprovação do diploma recai apenas nos democratas. Na Câmara dos Representantes, onde basta uma maioria simples, o Partido Democrata conta com uma larga vantagem e no Senado, com a utilização do método de Reconciliação em cima da mesa, Harry Reid apenas necessita de 50 votos da sua bancada para fazer passar a reforma (em caso de empate, o vice-presidente tem direito ao voto de desempate). Ora, como estes contam com 59 senadores no seu caucus, não deverão ter grandes dificuldades em conseguir os votos necessários.

A utilização do processo de Reconciliação pelos democratas está a ser alvo de fortes críticas, em particular do Partido Republicano. Porém, há vários factores que me fazer considerar que o uso deste método é perfeitamente legítimo e até aconselhável. Em primeiro lugar, porque considero que muito mais indevido é o constante bloqueio de legislação através do filibuster, um procedimento que não foi previsto pelos Founding Fathers americanos e que não foi criado com este objectivo. Depois, porque os republicanos já utilizaram esta mesma medida para fazer passar muita da sua legislação mais controversa e importante, como a reformulação do código fiscal. Virem, agora, declararem-se ofendidos com a utilização da Reconciliação parece-me apenas hipocrisia.

O GOP, em defesa da sua oposição ao plano democrata, não deixa de lembrar o que as sondagens parecem confirmar: que o povo americano não quer esta reforma. Porém, o que as sondagens também indicam é que cerca de 10 ou 12% dos americanos discordam desta proposta não por não a quererem, mas sim por não a considerarem suficientemente ambiciosa e liberal. E é preciso não esquecer que também o Medicare, agora um dos programas mais populares do Governo Federal, era extremamente impopular aquando da sua criação.

Todo este processo, conflituoso, divisório e controverso, arrastou-se demasiado tempo e Obama e os democratas gastaram com ele muito do capital político que conquistaram nas vitórias de 2006 e 2008. Contudo, no final, a passagem desta legislação, com todas as suas insuficiências e defeitos, representaria um momento histórico e decisivo para os Estados Unidos da América.