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terça-feira, 6 de março de 2012

Super Tuesday

Chegou finalmente o grande dia das primárias presidenciais. A Super Tueday de 2012 não é tão super como a de outros anos, mas é constituída, ainda assim, por votações em dez Estado e marcará certamente a campanha eleitoral em curso.
Geórgia, Ohio, Massachusetts, Idaho, Dakota do Norte, Oklahoma, Tennessee, Vermont, Virginia e Alaska dirão de sua justiça durante o dia de hoje. As atenções estarão principalmente viradas para o Ohio, onde Mitt Romney veio de trás nas sondagens e parece agora em melhor posição para derrotar Rick Santorum e para o Tennessee, Estado em que Santorum é favorito, ainda que por curta margem. Depois, na Geórgia e no Massachusetts deverão vencer os candidatos que jogam em casa, respectivamente Newt Gingrich e Romney. No Oklahoma, um Estado profundamente conservador, a vitória não deve fugir a Santorum, enquanto o Vermont e a Virgínia (onde apenas Romney e Ron Paul surgirão nos boletins de voto) ficarão na coluna do ex-Governador do Massachusetts. Finalmente, Dakota do Norte, Idaho e Alaska são corridas pouco importantes e onde não se têm realizado sondagens. Nesses Estados, o vencedor é incerto, mas Ron Paul terá aqui aquela que poderá ser a sua derradeira oportunidade de conseguir uma vitória na presente campanha eleitoral.
A Super Tuesday de hoje não definirá o nomeado presidencial do Partido Republicano, mas será certamente decisiva na clarificação da corrida. A análise dos resultados de hoje será muito condicionada pelo que acontecer no Ohio, um Estado com uma dimensão importante e geralmente decisivo nas eleições presidenciais. Quem aí vencer, estará em melhores condições de declarar vitória. Será, por isso, o Estado a seguir com mais atenção.
Seja como for, a noite (ou madrugada, em Portugal) será longa e promete ser emocionante.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Wyoming vai para Romney

Com pouco mais de 500 mil habitantes, o Wyoming é o menos populoso dos Estados norte-americanos e apenas cerca de 2 mil dos seus habitantes participaram, nas últimas semanas, nos caucuses. Com 39% dos votos, Romney foi o vencedor, seguido de Rick Santorum, com 32%, de Ron Paul, com 21%, e, finalmente, de Newt Gingrich,  com 8%. Em matéria de delegados, as coisas deverão ser mais aproximadas, esperando-se que Romney arrecade dez, ficando Santorum com nove, Paul com seis e Gingrich com apenas um. Apesar de este resultado representar sempre uma vitória para Romney, a verdade é que os caucuses do Wyoming são praticamente irrelevantes para o processo das primárias. Não admira por isso que nem os candidatos nem a imprensa tenham dado grande importância e destaque a este assunto. De momento, as atenções estão totalmente concentradas na Super-Tuesday, do próximo dia 6 de Março.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Romney respira melhor

Resultados das primárias de ontem:

Arizona

Mitt Romney - 47,3%
Rick Santorum - 26,6%
Newt Gingrich - 16,2%
Ron Paul - 8,4%

Michigan

Mitt Romney - 41,1%
Rick Santorum - 37,9%
Ron Paul - 11,6%
Newt Gingrich - 6,5%

Mitt Romney foi o grande vencedor da noite de ontem, tendo vencido as duas primárias em disputa. No Arizona, obteve o triunfo esperado, mas por uma larga margem (mais de 20 pontos percentuais), amealhando todos os delegados eleitos por este Estado do Sudoeste norte-americanos. Num Estado que, numa determinada altura, chegou a parecer competitivo, Romney foi dominador e destroçou a concorrência. Já a sua vitória Michigan, o seu home-state, foi bem mais suada e renhida. As cadeias televisivas demoraram a anunciar um vencedor, mas, no final, foi o antigo Governador do Massachusetts a obter o prémio mais apetecido da noite de ontem. 
Com estes resultados, Romney evita o que poderia ser um golpe fatal para a sua candidatura presidencial e volta a respirar melhor. Cortou o momentum a Santorum e parte em melhor posição para a Super-Tuesday
Rick Santorum, por sua vez, perdeu talvez a sua grande oportunidade para poder tornar-se o nomeado republicano. A última semana de campanha no Michigan correu-lhe mal e não esteve à altura no derradeiro debate televisivo. Agora, tem de apostar forte no Estado do Ohio para voltar a incomodar Romney. 
Newt Gingrich, que continua à espera de um milagre, teve resultados modestos, ficando mesmo em último lugar no Arizona. Ainda disputará a Super-Tuesday e tem os cofres recheados com mais uma grande contribuição do seu Super-PAC, mas é difícil de escrutinar um cenário em que Gingrich ainda volte a tornar-se relevante nesta campanha.
Para último lugar fica Ron Paul, que chegou a ser uma força no actual ciclo eleitoral, mas que foi perdendo fulgor até se tornar praticamente irrelevante. Actualmente, é visto como uma espécie de wing man de Romney, aliando-se a este para fazer frente a Santorum e Gingrich. Ora, essa fama não pode ser positiva para um candidato de franja e que lidera um movimento que se diz independente e inovador. 
De partida do Michigan e do Arizona, as atenções passam a estar centradas na Super-Tuesday do próximo dia 6 de Março, ainda que antes, no Sábado, decorram os caucuses do Estado de Washington. Na Terça-feira,10 Estados irão a votos, num dia que poderá ser decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Indecisão no Michigan

Chegou mais um dia de eleições primárias presidenciais nos Estados Unidos da América. Desta vez, são os Estados do Michigan e do Arizona a votarem para eleger o candidato republicano à Presidência. E se para a votação no Arizona não há grandes expectativas - espera-se que Mitt Romney obtenha uma vitória confortável -, a história no Michigan é outra, já que é muito difícil antever o vencedor desta primária. Aliás, esta primária parece ser a mais competitiva de todas as que já se desenrolaram até ao momento.
À imagem da própria disputa pela nomeação presidencial republicana, a corrida no Michigan tem sido marcada por constantes alterações na sua dinâmica, com as sondagens a mostrarem, num curto período de tempo, mudanças na liderança e nas votações de Romney e Santorum, os dois candidatos à vitória neste Estado do Midwest norte-americano. Primeiro, Mitt Romney, que nasceu no Michigan, era visto como o grande favorito à vitória. Contudo, depois da tripla vitória de Santorum no Colorado, Missouri e Minnesota, o antigo Senador da Pensilvânia tomou a liderança nas sondagens do Michigan, tendo-se distanciado rapidamente de Romney. Só que depois de uma barragem de ataques negativos contra Santorum e uma boa prestação no debate da semana passada, Romney voltou a encurtar a distância, chegando mesmo a ultrapassar o seu adversário. Parecia, assim, que Mitt se encaminhava para uma vitória na primária de logo à noite. Acontece, porém, que num ressurgimento tardio de Santorum, este voltou a colar-se a Romney, surgindo, em duas sondagens divulgadas durante o dia de ontem, novamente na liderança da corrida. 
O equilíbrio é, portanto, a nota dominante na primária do Michigan, que decidirá se será Romney ou Santorum a cantar vitória no rescaldo da noite de hoje. Contudo, há outro factor a ter em conta nesta primária. Como Nate Silver aponta neste texto, o complexo sistema de distribuição de delegados da primária do Michigan pode levar a que o candidato mais votado não seja aquele que arrecada mais delegados. Assim sendo, há sempre a possibilidade de os dois concorrentes declararem vitória no Estado dos Grandes Lagos: um enquanto o candidato mais votado e o outro enquanto o que amealhou mais delegados. 
Como vimos, a indecisão e a incerteza marcam a antevisão da noite eleitoral que se aproxima. Todavia, os resultados de logo deverão ter uma grande influência na presente corrida pela nomeação, até porque a Super-Tuesday é já de hoje a oito dias. Chegamos, por isso, aos momentos decisivos desta campanha pela nomeação presidencial pelo Partido Republicano.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Santorum e Romney lado a lado

Depois de um pequeno intervalo no calendário das primárias presidenciais, as decisões regressam já de hoje a oito dias, quando o Michigan e o Arizona realizam as suas primárias e que parecem estar a revestir-se de uma grande importância para o desfecho da disputa pela nomeação presidencial do Partido Republicano.
Começando pelo Sudoeste, o Arizona era considerado, até há pouco tempo atrás, terreno seguro para Mitt Romney, devido, principalmente, à forte comunidade mórmon presente nesse Estado. E, de facto, as sondagens pareciam confirmar o favoritismo do antigo Governador do Massachusetts. Contudo, um estudo divulgado ontem, da responsabilidade da Public Policy Polling (PPP), mostrou Romney com apenas três pontos percentuais de vantagem sobre Rick Santorum (39%-36%). Para já, apenas esta sondagem coloca os dois candidatos tão perto um do outro, pelo que o equilíbrio desta corrida carece de confirmação. Ainda assim, Romney tem motivos para se preocupar com o que se passa no "Faroeste" dos Estados Unidos.
Mas o principal problema de Mitt Romney localiza-se no Midwest, mais precisamente no Michigan, o seu Estado onde nasceu e onde o seu pai foi Governador nos anos 60. Durante a semana passada, as sondagens mostraram uma vantagem clara de Santorum, mas mais recentemente a corrida tende a equilibrar-se. Segundo a PPP, Santorum lidera com 37%, face aos 33% de Romney, estando esta diferença dentro da margem de erro apontada pela sondagem. Já a We Wask America encontrou um empate entre os dois candidatos a 29%. 
Tendo em contas os números apresentados, parece seguro afirmar que, durante a próxima semana, a campanha eleitoral estará ao rubro, com ambas a apostarem tudo por tudo para vencerem. Para Romney, uma derrota em qualquer um dos Estados será um duro golpe para a sua candidatura presidencial, que parece cada vez mais fragilizada. Mas uma derrota tanto no Michigan como no Arizona representaria uma verdadeira catástrofe para si e é difícil de dizer qual seria a reacção do establishment do GOP. O mais provável é que se instalasse o pânico e que se redobrassem os esforços por encontrar uma alternativa fora do actual leque de candidatos.
Contudo, Mitt Romney tem muito dinheiro para gastar e, como se viu na Florida, é capaz de atacar sem quartel os seus adversários através de anúncios televisivos. Além disso, Santorum começa agora a ser mais escrutinado pela imprensa e as suas ideias sobre questões sociais estão a levantar maior polémica e a desviá-lo da sua mensagem. Mas é incerto se isso chegará para que Romney saia vencedor na próxima Terça-feira. O melhor é mesmo esperar para ver.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um novo frontrunner?


Após o hat-trick de Rick Santorum na passada Terça-feira, a corrida voltou a alterar-se totalmente e as sondagens a nível nacional têm mostrado um movimento nos números que favorece o antigo Senador pela Pensilvânia. Como se pode ver no gráfico de cima, a média do Real Clear Politics já atribui mesmo a liderança a Santorum, que ultrapassou Mitt Romney nas sondagens nacionais. E se no início da época de primárias, este tipo de estudos não tinha grande significado, agora, quando nos aproximamos de votações em Estados maiores e de dias com várias primárias (com destaque para a Super-Tuesday), as sondagens nacionais serão um indicador mais importante e fiável para se "medir a temperatura" da corrida. 
Mas o excelente momento de Santorum também se faz sentir a nível local, como se pode comprovar através da sondagem da PPP no Michigan, um dos próximos Estados a ir a votos, que coloca o ex-Senador com uma robusta vantagem sobre Romney(39% contra 24%). Este resultado é ainda mais surpreendente se tivermos em conta que Romney joga em casa no Michigan, dado que foi nesse Estado que cresceu, tendo o seu pai sido Governador.
Como se viu, Rick Santorum é a mais recente sensação nas primárias republicanas. Pelo menos para já, é a maior ameaça a Romney, que nem com a vitória nos caucuses do Maine e na straw poll da CPAC (encontro anual de conservadores) conseguiu contrariar o momentum do seu adversário. Mas, como já aprendemos neste ciclo eleitoral, o melhor é mesmo esperar para ver se o actual estatuto de Santorum é para manter ou se se trata apenas de mais um flavour of the month na interminável procura por parte do eleitorado conservador de um candidato que derrote Romney.
Seja como for, creio que um político que perdeu a possibilidade de ser reeleito para o Senado por quase 20 pontos percentuais de diferença (a maior derrota de um Senador incumbente desde 1980) dificilmente conseguirá ser o nomeado republicano para disputar a presidência.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A ascenção de Santorum

Rick Santorum varreu completamente as primárias da passada Terça-feira, amealhando vitórias nos caucuses do Colorado e do Minnesota, assim como na primária do Missouri, ainda que esta não atribuísse qualquer delegado. 
Foi, sem dúvida, um resultado brutal para o antigo Senador pela Pensilvânia, que, nos últimos dias de campanha no Minnesota e no Missouri, conseguiu destacar-se dos seus opositores. Já a sua vitória no Colorado, que se supunha ser terreno seguro para Mitt Romney, foi uma grande surpresa e representou a cereja no topo do bolo para Santorum que se tornou, assim, o candidato com mais triunfos (quatro), ultrapassando Romney (que conta com três) e Gingrich (apenas venceu na Carolina do Sul).
Depois de um 2011 muito apagado - até finais de Dezembro, estava constantemente no último lugar das sondagens -, Santorum conseguiu ganhar tracção no Iowa, triunfando mesmo neste Estado, ainda que apenas tenha sido declarado vencedor depois de uma recontagem dos votos. Todavia, o momentum pós-Iowa não foi sentido de forma muita intensa e a estrela do ex-Senador foi perdendo brilho, tendo-se chegado mesmo a falar numa possível desistência. Mas Santorum não desistiu e, apelando aos eleitores mais conservadores com base nos seus valores religiosos e familiares, foi capaz de voltar ao topo e ser agora a maior ameaça para Mitt Romney.
Ainda assim, Romney é ainda o grande favorito a conseguir a nomeação republicana. Conta uma estrutura altamente capaz e profissional  e tem o apoio do establishment do partido. Mas, principalmente, tem uma enorme vantagem financeira, o que, numa campanha marcada pelo negativismo, lhe dá a capacidade de atacar sem tréguas os seus adversários, através de anúncios televisivos, na rádio, nos jornais, ou na Internet.
Mas a principal vítima da ascensão de Santorum foi Newt Gingrich, que teve uma noite péssima na Terça-feira e perdeu a possibilidade de continuar a afirmar ser a única alternativa a Romney. O antigo Speaker, que já provou nesta campanha ser capaz do mais improvável dos regressos à disputa pela nomeação, procura agora bons resultados na Super-Tuesday, apostando no Ohio e no seu home-state da Geórgia, um prémio muito apetecível, já que o seu vencedor, através do sistema de winner-takes-all, arrecada automaticamente os 70 delegados em discussão.
O calendário das primárias segue já amanhã, com a realização de uns pouco relevantes caucuses no Maine, mas, nas próximas semanas, as atenções estarão viradas para as primárias do Arizona e do Michigan, que têm lugar no dia 28. Romney parte como favorito nos dois Estados, fruto importante comunidade mórmon no primeiro Estado e de ser uma espécie de favorite-son no segundo, já que o seu pai foi Governador do Michigan na década de 60. Porém, como já se viu tantas vezes nesta campanha, o melhor é não fazer muitas apostas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Noite de primárias

Continuam as eleições primárias nos Estados Unidos, com vista à escolha do político republicano que defrontará Obama, em Novembro. Hoje, decorrem caucuses no Colorado e no Minnesota, e um concurso de beleza no Missouri, já que a primária que tem lugar neste Estado do Midwest  não elege nenhum delegado (para esse efeito, serão realizadas caucuses no dia 17 de Março.
Foram hoje divulgadas sondagens da PPP nestes três Estados. No Colorado, espera-se uma vitória clara de Mitt Romney, de acordo com os números daquela empresa:  37% das intenções de voto para Romney, contra 27% de Rick  Santorum, 21% de  Newt Gingrich e 13% de Ron Paul. No Minnesotta, Santorum lidera com 33%, seguido de Romney, com 24%, Gingrich com 22% e Ron Paul, com 20%. Relativamente ao Missouri, a mesma empresa aponta para uma vitória folgada de Santorum, que surge com 45%, seguido de Romney, com 32%, e Ron Paul, com 19% (Gingrich não surge nos boletins de voto).
Se a PPP estiver correcta nas suas previsões, esta pode ser uma grande noite para Santorum, que venceria duas das três corridas e se colocaria como o grande adversário de Romney, relegando Newt para uma incómoda posição. Assim sendo, as eleições de hoje podem provocar mais uma reviravolta nesta campanha eleitoral, que, a cada dia que passa, nos continua a surpreender.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Oeste nada de novo

Resultados provisórios (45% dos votos apurados) dos caucuses do Nevada:

Mitt Romney - 42,6%
Newt Gingrich - 26,0%
Ron Paul - 18,4%
Rick Santorum - 13%

Como se esperava, Mitt Romney venceu facilmente os caucuses do Nevada, com um resultado que se espera chegar perto da marca dos 50%, após todos os votos estarem contados. Num Estado com uma forte comunidade mórmon e onde Romney tem uma organização de campanha montada há cinco anos, a sua vitória nunca esteve em causa e era antecipada como normal. Ainda assim, com este triunfo, o ex-Governador do Massachusetts consegue a terceira vitória em cinco eleições disputadas até ao momento e é cada vez mais o grande favorito a defrontar Obama na eleição geral de Novembro. 
Para já, a maior desilusão foi o score obtido por Ron Paul, que aposta nos caucuses e nos Estados mais pequenos, onde a sua entusiasta e jovem campanha pode ser mais eficaz. Contudo, parece que nem foi capaz de alcançar o segundo lugar, perdendo para Gingrich que, praticamente abdicando de competir no Nevada, deverá ter sido o candidato mais votado depois de Romney. E, por falar no antigo Speaker, diga-se que, afinal, os rumores que chegaram a circular sobre uma possível desistência eram infundados. Newt pretende continuar na corrida e na sua conferência de imprensa de ontem, onde atacou Mitt Romney ininterruptamente, deixou isso bem claro. 
Todavia, o voto conservador continua a ser dividido entre Gingrich e Santorum, sem que nenhum deles esteja, aparentemente, a pensar em desistir a favor do outro, de forma a criar uma mais forte e credível alternativa a Mitt Romney.  Assim sendo, Romney continua a perfilar-se como o presumível nomeado republicano. Ainda para mais quando se olha para o calendário das primárias e se percebe que Fevereiro deverá ser um mês altamente favorável para Romney, com poucas oportunidades de vitória para os seus opositores. Não seria, por isso, uma grande surpresa que Romney pudesse selar a nomeação na Super-Tuesday, a 6 de Março.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney dominador

Resultados da primária da Florida:
 
Mitt Romney -46,4%
Newt Gingrich - 31,9%
Rick Santorum -13,4%
Ron Paul - 7%

Como os números indicam, Mitt Romney obteve ontem uma estrondosa vitória na primária da Florida, deixando o seu mais directo perseguidor, Newt Gingrich, a mais de 14 pontos percentuais de distância. Com este resultado, o antigo Governador do Massachusetts volta a parecer o inevitável nomeado presidencial pelo Partido Republicano. Uma vitória deste calibre no mais importante Estado em eleições presidenciais norte-americanas deve fazer cair as dúvidas que ainda existiam em alguns eleitores mais conservadores. Aliás, as sondagens não têm deixado margens para dúvidas: entre Romney e Gingrich é o primeiro que melhores resultados consegue nos hipotéticos embates face a Obama. Por isso, não admira que Mitt Romney, no seu discurso de vitória de ontem, tenha focado as suas atenções em Barack Obama e não nos seus adversários republicanos, dando a entender que está já mais preocupado com a eleição geral de Novembro, do que com o que resta das primárias do seu partido.
Mas Newt parece não querer desarmar e tenciona ficar na corrida até ao fim, esperando impedir Romney de conseguir uma maioria absoluta em delegados e levar a decisão para a Convenção Nacional Republicana. Contudo, é preciso que obtenha rapidamente alguns bons resultados, para que o dinheiro proveniente das contribuições financeiras continue a entrar nos cofres das suas campanhas. Gingrich já provou por várias vezes ao longo desta campanha que consegue ressurgir das cinzas. Poderá consegui-lo uma vez mais, mas o tempo começa a escassear e as próximas primárias não o favorecem. Apostará forte na Super-Tuesday, altura em que o seu Estado de origem, a Géorgia, irá a votos, mas é incerto que tenha capacidade para competir em vários locais ao mesmo tempo (nesse dia, dez Estados realizarão as suas primárias).
Quem também parece apostar numa última oportunidade é Rick Santorum, que, apesar do fraco resultado de ontem, tenciona capitalizar com uma possível queda de Gingrich, assumindo-se como o candidato preferido dos eleitores mais conservadores. Contudo, à imagem de Newt, é também difícil de idealizar um caminho rumo à nomeação para o antigo Senador da Pensilvânia. 
Finalmente, Ron Paul, que praticamente abdicou de competir na Florida, preferindo apostar em Estados mais pequenos e em que a votação seja feita através de caucuses, onde pode mais facilmente aproveitar a sua excelente estrutura de campanha, continuará até ao final. Tentará angariar o máximo de delegados possível, de forma a poder chegar à Convenção numa posição de força e que lhe permita optimizar a sua notoriedade, tanto do seu nome (preparando uma possível futura candidatura do seu filho, Rand), como dos seus ideiais libertários.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Florida decide

Já abriram as urnas na Florida, Estado onde se desenrola hoje mais uma primária presidencial. Apesar de ter perdido metade dos delegados a que teria direito por ter adiantado a data da primária para Janeiro, a Florida continua a ser um importante prémio para os candidatos presidenciais, em especial por se tratar de uma primária no sistema de winner takes all, pelo que o seu vencedor arrecadará todos os 50 delegados do sunshine state.
Logo à noite (as urnas encerram à uma da madrugada de Lisboa), é praticamente certo que será Mitt Romney a festejar o triunfo, visto que todas as sondagens atribuem uma vantagem decisiva ao antigo Governador do Massachusetts sobre Newt Gingrich. Depois da Carolina do Sul, o ex-Speaker subiu em flecha nas intenções de voto no sunshine state, mas uma campanha agressiva e uma boa prestação nos debates por parte de Romney transformou novamente a corrida a seu favor.
A Florida pode, por isso, representar um momento crucial para a decisão destas primárias. Com uma vitória robusta, Romney pode arrancar decisivamente para a nomeação, ficando os seus opositores com menos possibilidades de ainda conseguirem chegar ao topo. Contudo, tanto Gingrich como Ron Paul já anunciaram a sua intenção de ficarem na corrida até à convenção republicana, no Verão.
Mas, pelo menos para já, a palavra está do lado dos eleitores da Florida.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Gingrich relança a corrida

Resultados finais da primária presidencial da Carolina do Sul:

Newt Gingrich - 40,4%
Mitt Romney - 27,8%
Rick Santorum - 17,0%
Ron Paul - 13,0%

Contados todos os votos, fica a certeza que Newt Gingrich obteve uma tremenda vitória, tendo alcançado a marca dos 40% e deixado Romney a quase 14 pontos percentuais de distância. 
Por esta altura, a campanha do antigo Governador do Massachusetts deve estar a fazer contas à vida e a preparar-se para uma campanha mais longa e complicada do que se previa há poucos dias atrás. De facto, ainda no início da semana, Romney tinha vencido o Iowa e o New Hampshire, liderava destacado na Carolina do Sul e Jon Huntsman desistia a seu favor. Contudo, um debate televisivo, alguma cobertura negativa, a desistência de Perry que passou a apoiar Gingrich e a declaração de Santorum como vencedor no Iowa foram elementos que mudaram por completo a narrativa da campanha.
Agora vem a Florida, que tem a sua primária no próximo dia 31 de Janeiro, e que deverá ser decisiva. Romney tinha vindo a mostrar muita força nas sondagens, mas, depois dos resultados de ontem, será curioso como evoluirão os números no Sunshine State. Gingrich tem momentum, mas falta-lhe o dinheiro que Romney tem em fartura. A não ser, claro está, que surjam contribuições avultadas de conservadores com muito dinheiro e que contribuam para o Super PAC do antigo Speaker. Pelo menos, Gingrich não terá de se preocupar com o eventual endorsement de Jeb Bush a Romney, como chegou a ser falado durante a noite eleitoral de ontem. O antigo Governador da Florida (e irmão de George W. Bush) já anunciou que não irá apoiar ninguém antes da primária do seu Estado.
Neste momento, a corrida parece estar reduzida a dois nomes, mas Rick Santorum não teve uma noite terrível e aguentou o último lugar do pódio. É verdade que 17% na Carolina do Sul, um Estado socialmente conservador e onde Santorum devia ser mais apelativo, não é um grande resultado, mas não me parece que o antigo Senador pela Pensilvânia esteja a pensar desistir. Numa campanha como esta, onde tudo é possível, Santorum deverá querer esperar para ver se a campanha de Gingrich implode novamente (o que não é propriamente um cenário inimaginável) ou se surge uma qualquer outra oportunidade para voltar à luta pela nomeação. Ron Paul, por sua vez, deverá ficar na corrida até ao fim, espalhando a sua mensagem e ideias libertárias.
Agora é tempo de os candidatos abandonarem a Carolina do Sul e rumarem a Sul, para a Florida, onde deverá ter lugar a mais importante primária até ao momento. Romney ainda é o favorito a vencer, mas terá de saber reagir à dura derrota de ontem. Da mesma maneira, Gingrich terá de ser capaz de lidar com a vitória, ao invés do que aconteceu quando, antes do Iowa, liderava isolado as sondagens e tomou uma série de decisões erradas que quase lhe custaram a sua candidatura presidencial. De qualquer forma, uma coisa parece certa: temos corrida!

Gingrich vence na Carolina do Sul

Segundo a Associated Press e algumas cadeias televisivas norte-americanas, Newt Gingrich terá vencido a primária da Carolina do Sul, relegando Mitt Romney para o segundo posto, com Ron Paul e Rick Santorum a disputarem o terceiro lugar. Ainda não se sabe a dimensão do triunfo, mas o facto de a vitória de Gingrich ter sido declarada bastante cedo deve indicar que ganhou com larga margem. Se, por exemplo, a diferença se situar nos double digits, então o antigo Speaker terá conseguido uma grande vitória e a corrida estará relançada. Depois da Carolina do Sul, segue-se a Florida, que deverá desempenhar um importante papel nas primárias presidenciais do GOP. Mas isso é algo com que Newt Gingrich apenas se preocupará a partir de amanhã. Hoje, para ele, é dia de celebração.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Carolina do Sul vai a votos

Chegou a tão aguardada primária da Carolina do Sul, a terceira etapa do processo de escolha do opositor de Barack Obama na eleição geral, em Novembro. Depois do Iowa (onde, afinal, foi Rick Santorum o vencedor, e não Mitt Romney) e do New Hampshire, este é o primeiro Estado do Sul a dizer de sua justiça nas primárias presidenciais. As urnas encerram às 19 horas locais (meia-noite em Portugal), e isso, aliado ao facto de hoje ser Sábado, fará com que seja mais fácil seguirmos os acontecimentos neste dia de decisões nos Estados Unidos.
Nos últimos dias, assistiu-se a uma fantástica recuperação de Newt Gingrich, que é agora o principal favorito a vencer na Carolina do Sul - Nate Silver atribui-lhe 80% de possibilidade de vitória. Depois de ter ficado em quarto lugar no Iowa em quinto no New Hampshire, a campanha do antigo Speaker foi dada (uma vez mais) como perdida. Contudo, surpreendendo tudo e todos, Newt volta à ribalta e uma vitória consistente hoje pode voltar a semear dúvidas acerca da inevitabilidade da vitória de Romney. Além disso, se Rick Santorum ficar em quarto e último lugar, atrás de Ron Paul - o que é bem possível de acontecer - é provável que abandone a corrida, deixando o caminho aberto para os seus apoiantes se deslocarem para o campo de Gingrich.
Todavia, Romney ainda terá uma palavra a dizer e não é certo que saia derrotado logo à noite. Se vencer, o antigo Governador do Massachusetts torna-se o nomeado de facto e a corrida praticamente termina. E mesmo ficando em segundo lugar, desde que muito perto de Gingrich, o jogo das expectativas pode jogar a seu favor, visto que, dadas as últimas sondagens, todos esperam um triunfo algo folgado (mais de 5% de vantagem) de Newt. 
É preciso ainda lembrar que, até há poucas semanas atrás, não se pensava que Romney pudesse competir na Carolina do Sul contra os candidatos mais conservadores. Contudo, depois do apoio da Governador do Estado, Nikky Haley, e dos triunfos anteriores (apesar de, como se sabe agora, não ter ganho no Iowa), Romney passou para a frente nas sondagens e decidiu apostar forte no The Palmetto State. É provável que essa decisão não tenha sido, afinal de contas, a mais acertada, mas, mais logo, saberemos a resposta a essa questão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vitória folgada de Romney

Resultados das primárias de New Hampshire (95% dos votos apurados):

Mitt Romney - 39,%
Ron Paul - 22.8%
Jon Huntsman - 16.8%
Newt Gingrich - 9.4%
Rick Santorum - 9.3%
Rick Perry - 0.7%



Não houve surpresas, ontem à noite, no New Hampshire. Mitt Romney venceu por larga margem e ficou perto dos 40%, conseguindo um resultado sólido e que lhe permitiu fazer a dobradinha, amealhando triunfos no Iowa e no New Hampshire, algo que nunca tinha sucedido na histórias das primárias presidenciais modernas. Ron Paul obteve um claro segundo posto, confirmando a boa campanha que tem feito até ao momento e mostrando ser uma força a ter em conta no seio do GOP. Jon Huntsman fechou o pódio, conseguindo um resultado interessante, mas que não deverá ser suficiente para as suas aspirações de disputar a nomeação. Quase empatados ficaram Gingrich e Santorum, não sendo possível deste modo clarificar quem será o "candidato conservador" que fará frente a Romney nos Estados do Sul. Perry, que desistiu de disputar esta primária, teve um resultado ridículo.
Depois do New Hampshire, seguem-se as primárias da Carolina do Sul e na Florida, onde Romney é o favorito a vencer ambas. Para os seus opositores, vão-se esgotando as possibilidades de colocarem em perigo o triunfo final do antigo Governador do Massachusetts, que tem sido, claramente, o melhor candidato de todos que disputam as primárias republicanas. Neste momento, a questão que se coloca não é se Romney vai conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Republicano, mas sim quando a vai selar definitivamente.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

The New Hampshire Primary

Depois dos caucuses do Iowa da semana passada, hoje é a vez New Hampshire pronunciar-se sobre a escolha do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. Até às vinte horas locais (uma da madrugada em Portugal continental), os eleitores deste pequeno Estado de New England participam na primeira eleição primária de 2012.
Ao contrário do que aconteceu no Iowa, o vencedor desta primária é já um dado praticamente adquirido. Mitt Romney, que foi Governador no vizinho Estado do Massachusetts e comprou casa no New Hampshire, tem surgido nas sondagens com uma enorme vantagem sobre a concorrência e só um impensável golpe de teatro o impedirá de vencer esta noite. Contudo, o jogo das expectativas pode virar-se contra si, pois um resultado abaixo dos 35%, ou uma margem de diferença nos single digits poderá ser lido como uma derrota para Romney.
Assim, com a vitória à partida entregue a Romney, a principal disputa será pelo segundo lugar, despique esse que deverá ser protagonizado por Ron Paul e Jon Huntsman. Até há pouco tempo, Paul parecia bem lançado para o segundo lugar no pódio. Todavia, uma certa quebra nos seus números, assim como uma tardia recuperação de Huntsman deixam agora antever uma equilibrada luta entre os dois. E se o texano não entra nas contas da nomeação, já Jon Huntsman apostou tudo no New Hampshire e apenas um bom resultado pode mantê-lo na corrida.
Por sua vez, Rick Santorum e Newt Gingrich travarão uma batalha muito própria, com cada um deles a tentar ficar à frente do outro, de modo a assumir-se como o principal candidato "anti-Romney", aglomerando o votos dos eleitores republicanos mais conservadores. Apesar do brilharete no Iowa, Santorum não tem conseguido subir de forma vigorosa nas sondagens e um mau resultado no New Hamphire pode torná-lo no mais recente flavour of the week da corrida presidencial republicana. Por seu lado, Gingrich necessita de um desfecho que lhe permita continuar a sua campanha até à Carolina do Sul e à Florida, onde tem mais possibilidades de se tornar uma real ameaça a Romney.
Quem deverá ter uma votação inexpressiva (as sondagens dão-lhe 1% das intenções de voto) é Rick Perry, que optou por não competir no New Hampshire, passando directamente para a Carolina do Sul, onde acredita que o seu sotaque sulista o pode ajudar a conseguir um resultado que relance a sua campanha.
Vistos os principais pontos de interesse nas primárias desta noite, resta agora ir seguindo os resultados, para, depois disso, ser possível uma nova tomada de pulso à corrida presidencial republicana. Neste momento, a decisão está nas mãos dos cidadãos do New Hampshire, sempre orgulhosos da sua tradição de "first in the nation", no que às primárias presidenciais diz respeito.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O enigma Sarah Palin

Com o campo de candidatos presidenciais republicanos praticamente definido, a maior dúvida que ainda subsiste é se Sarah Palin irá ou não concorrer à Casa Branca. Tendo sido a candidata à vice-presidência nas últimas eleições, seria normal que fosse a frontrunner na disputa pela nomeação. Contudo, com Sarah Palin nada é como o habitual e a sua demissão do cargo de Governadora do Alasca condenou (ou assim se pensava) o futuro da sua carreira política.
2011 não tem sido um bom ano para Palin e os seus números nas sondagens baixaram para valores ainda mais negativos. Esse facto aliado à sua postura mediática parecia indicar que a Mamma Grizzly não entraria na corrida. Todavia, nos últimos tempos, surgiram novos dados que parecem indicar que Sarah poderá estar mesmo a pensar candidatar-se. Primeiro, foi o lançamento do seu novo site, uma ferramenta que lhe permite agregar os contactos dos seus apoiantes. Depois, a confissão de que tinha o desejo de concorrer à presidência e as notícias da compra de uma casa no continente (mais precisamente no Arizona), um requisito fundamental para uma campanha eleitoral, tendo em conta a perifericidade do Alasca. Na semana passada, chegou o mais recente indicador, com o anúncio de uma espécie de tournée pela Costa Leste, onde constará uma visita ao crucial Estado de New Hampshire.
A verdade é que os últimos desenvolvimentos na corrida têm-lhe sido favoráveis, em especial a desistência de Mike Huckabee, que libertou um grande grupo do eleitorado que poderá estar bastante propenso em apoiar Palin. Isso mesmo tem sido reflectido pelas últimas sondagens, que voltaram a colocar Sarah na dianteira, apenas atrás de Mitt Romney. Além disso, sem Huckabee, Palin passa a ser uma das favoritas a vencer no Iowa, o primeiro dos Estados a votar nas primárias.
A seu favor, Palin tem o facto de ser uma figura reconhecida a nível nacional e de possuir uma abnegada legião de seguidores, o que lhe permite esperar para ver e, se for esse o seu desejo, entrar na corrida mais tarde do que seria necessário para um candidato "normal". De qualquer forma, as intenções de Sarah Palin não são ainda claras e o mais provável é que nem mesmo a própria já tenha chegado a uma decisão em relação ao seu futuro político.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rand Paul testa as águas

Em 2009 e 2010, o Partido Republicano obteve importantes vitórias eleitorais, entre eleições para a Câmara dos Representantes, o Senado e governos estaduais. Nesse período, emergiram novas estrelas do partido, que representam uma vaga de políticos republicanos com sangue novo e capacidade de catapultarem o GOP para os sucessos de que andaram afastados entre 2006 e 2008. Entre essas rising stars, destacaram-se nomes como os de Chris Christie, Bob McDonnel, Marco Rubio ou Rob Portman. Contudo, todos eles têm afastado a possibilidade de entrarem na corrida presidencial já em 2012, provavelmente à espera de uma melhor oportunidade do que num ano onde teriam de enfrentar um presidente em exercício.
Assim, e quando já não se esperava que nenhum destes "jovens lobos" republicanos participasse nas primárias republicanas de 2012, eis que Rand Paul, recentemente eleito Senador pelo Kentucky, sugere estar a ponderar uma candidatura à Casa Branca, tendo visitado a Carolina do Sul, um dos early states, para discutir essa possibilidade. Adiantou, porém, uma única certeza: não concorrerá contra o seu pai, Ron Paul, congressista do Texas, e candidato presidencial em 2008.
Apesar de o mais recente Senador pelo Kentucky ter diminutas hipóteses de conseguir a nomeação pelo seu partido, poderia mobilizar a ala libertária do Partido Republicano e, à imagem do que aconteceu com o seu pai em 2008, criar um movimento de entusiasmo à sua volta. Além disso, é agora muito mais conhecido a nível nacional do que era o seu pai no último ciclo eleitoral e o calendário das primárias favorece-o, podendo conseguir bons resultados no Iowa, com o seu eleitorado conservador, e no New Hampshire, onde existem muitos eleitores com tendências libertárias. 
A entrada de Paul na corrida seria, sem dúvida, um motivo de interesse acrescido numa contenda que teima em iniciar-se e ameaça tornar-se pouco cativante. De qualquer forma, uma coisa é certa: Rand Paul não será o próximo Presidente dos Estados Unidos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primárias 2012: Nevada e Carolina do Sul

O Iowa e o New Hampshire são, por tradição, os Estados decisivos nas primárias presidenciais norte-americanas. Contudo, mais recentemente, foram surgindo muitas críticas ao facto de estes dois Estados, com um peso predominante na escolha dos candidatos presidenciais, serem pouco representativos da nação americana como um todo. Assim, para contrastar com estes dois Estados, um de New England e outro do Midwest, onde as minorias étnicas estão subrepresentadas, ambos os partidos acharam por bem adiantar dois outros Estados para o início do calendário das primárias: o Nevada, do Southwest e com uma enorme comunidade latina, e a Carolina do Sul, que conta com um grande número de afro-americanos.
Mais a Sul, a South Carolina conseguiu impor-se como um Estado reconhecidamente importante nas primárias presidenciais. De um lado, os republicanos têm aqui a primeira oportunidade de lutarem pela conquista de eleitores sulistas, um grupo tradicionalmente fulcral para as aspirações eleitorais de um candidato do GOP. Por sua vez, os concorrentes democratas têm de conquistar a simpatia e o voto de um conjunto de eleitores decisivos para a sua coligação eleitoral: os afro americanos, que representam cerca de metade dos eleitores democratas neste Estado. Assim, é apenas natural que a Carolina do Sul seja um dos principais alvos dos candidatos na época de primárias, ficando apenas atrás dos "dois grandes".
Em 2008, o vencedor da primária republicana foi John McCain, que venceu por curta margem o sulista Mike Huckabee, num dos momentos mais importantes para a sua nomeação. Na altura, McCain beneficiou da divisão de votos entre dois homens do Sul, Huckabee e Fred Thompson, e ainda do voto considerável em Romney. Em 2012, a Carolina do Sul deve ser o alvo dos candidatos mais conservadores, em especial de figuras provenientes do Sul dos Estados Unidos. A concorrer, Mike Huckabee deverá partir como frontrunner, mas Newt Gingrich, da vizinha Geórgia, ou estrelas do Tea Party, como Sarah Palin, Michelle Bachman ou Rick Santorum também poderão ter uma palavra a dizer.
A Oeste, o Nevada, que escolheu o caucus como modelo de eleição, não tem tido muito sucesso a conquistar notoriedade no processo das primárias. Contudo, o Estado aposta forte em 2012, decidido a tornar-se uma referência nas escolhas presidenciais dos americanos. Se do lado democrata, os kingmakers são os sindicatos dos trabalhadores dos casinos de Las Vegas, já no caso republicano é o eleitorado mórmon a ditar as leis. Em 2012, à semelhança do que aconteceu em 2008, Mitt Romney, que é mórmon, deverá vencer folgadamente, a não ser que John Huntsman, do mesmo credo, consiga estabelecer-se como um candidato viável. 
Findas as primárias nos quatro Estados que têm o privilégio de votar em primeiro lugar, é provável que haja já um favorito a conseguir a nomeação presidencial do Partido Republicano. Contudo, e como a fantástica disputa pela nomeação de 2008 tão bem demonstrou, a luta pode ser demorada, complexa e atribulada. Assim, tanto podemos assistir a um vencedor anunciado em Março, como vermos a decisão arrastar-se até ao Verão. A única certeza é que nós estaremos cá para acompanhar a corrida a par e passo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Primárias 2012: New Hampshire

Depois dos caucuses do Iowa, será a vez do New Hampshire dizer de sua justiça relativamente aos candidatos presidenciais para as eleições de 2012. As primárias do granite state deverão ter lugar em meados de Fevereiro do próximo ano e aqui, ao contrário do Iowa, a votação decorrerá segundo o tradicional modelo de voto secreto em urna. 
As primárias de New Hampshire costumam ser um momento decisivo no processo das nomeações presidenciais - mais até do que os caucuses do Iowa. Em 2008, foi neste Estado que John McCain deu o passo decisivo rumo à nomeação republicana, enquanto que do lado democrata a vitória de Hillary Clinton impediu Obama de selar a nomeação após a sua surpreendente vitória no Iowa. 
Em 2012, porém, prevê-se que o New Hampshire não se revista de uma importância tão decisiva como no último ciclo eleitoral, visto que existe um político que é globalmente apontado como o grande favorito à vitória. Apesar de ter perdido as primárias de 2008 para McCain, Mitt Romney parece, pelo menos para já, lançado para a vitória no granite state já que, além da proximidade entre o seu Massachusetts e o New Hampshire, Romney está presente no terreno desde 2007, tendo, inclusivamente, estabelecido residência neste Estado de New England. 
Se o antigo Governador do Massachusetts deve estar optimista para as primárias do New Hampshire, isso já não acontece com os candidatos da ala mais conservadora do GOP e por uma variedade de razões. Em primeiro lugar, pela própria constituição do eleitorado republicano no granite state, conhecido pela sua tendência moderada e independente. Depois,  porque no New Hampshire a facção libertária tem uma substancial relevância, o que permitirá a um candidato como Ron Paul obter um bom resultado (em 2008, Paul conseguiu 8% dos votos), mas prejudicará concorrentes com ideias mais conservadoras (principalmente em questões sociais). Finalmente, devido ao facto de as primárias neste Estado serem abertas, o que permite que eleitores registados como independentes e mesmo como democratas votem nas primárias do GOP, o que será sempre um factor para os candidatos mais moderados em detrimento dos representantes da ala mais radical do Partido Republicano.
Assim, a previsão que é possível fazer neste momento, quando estamos a um ano do início da época de primárias, é que o desfecho previsível (uma vitória de Romney) das primárias do New Hampshire ditará um de dois cenários: caso Mitt vença no Iowa, um triunfo no NH selará praticamente a sua nomeação presidencial; se não ganhar no Iowa (o mais provável), então disputará uma corrida a dois com o candidato conservador mais bem colocado depois dos dois primeiros momentos eleitorais, começando pelos dois early states que se seguem ao New Hampshire: o Nevada e a Carolina do Sul.