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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Obama com larga vantagem no Big Three

Como apontei ontem, Barack Obama tem, de momento, uma importante vantagem nos battleground states. E, entre todos os Estados decisivos em eleições presidenciais americanas, o destaque vai para os três que entregam mais votos eleitorais: a Florida, a Pennsylvania e o Ohio, um grupo muitas vezes apelidado de Big Three. Ora, a crer por um conjunto de sondagens da responsabilidade do New York Times, da CBS e da Quinnipiac, Obama está em grande forma no Big Three:

Florida
Obama - 53%
Romney - 44%

Pennsylvania
Obama - 54%
Romney - 42%

Ohio
Obama - 53%
Romney - 43%

A grande novidade destas sondagens é o facto de Obama surgir, em todas elas, com um resultado solidamente acima da barreira dos 50%, o que obriga a campanha republicana não só a conquistar os votos dos eleitores indecisos mas também de muitos votantes que, de momento, estão mais inclinados a votar em Obama. A tarefa de Mitt Romney é ainda mais complicada quando se percebe que, para se sagrar vencedor, necessita de vencer, pelo menos, em dois destes três Estados. Para já, Romney, ainda conta com os debates para mudar o rumo da maré a seu favor, mas começa a ter já pouco tempo para dar a volta à corrida.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Obama lidera no "Big Three"

Dado o sistema de colégio eleitoral que rege as eleições presidenciais norte-americanas, os candidatos à Casa Branca concentram os seus esforços em determinados locais, os ditos swing states, Estados que podem cair para os democratas como para os republicanos. Entre esses, os mais importantes, dado a sua dimensão populacional e, consequentemente, o número de votos eleitorais em jogo, são a Florida, o Ohio e a Pensilvânia, o chamado Big Three das eleições presidenciais dos Estados Unidos.Importa, por isso, fazer referência às sondagens nestes três Estados, relativas à eleição geral, que foram ontem divulgadas pela Quinnipiac:

Florida
Obama - 49%
Romney - 42%

Pensilvânia: 
Obama - 45%
Romney 42%

Ohio:
Obama - 47%
Romney - 41%

São números extremamente positivos para Barack Obama, que caso consiga mesmo fazer o pleno no big three, à imagem do que fez em 2008, terá, certamente, a reeleição assegurada. O resultado na Florida é especialmente relevante, ficando perto da marca dos 50%, num Estado onde se chegou a pensar que não estaria ao seu alcance neste ciclo eleitoral. Por outro lado, na Pensilvânia, a sua vantagem para Mitt Romney é mais curta do que podia ser de esperar, visto que este Estado é, dos três, tradicionalmente o mais favorável aos democratas. Contudo, Romney está neste momento a investir fortemente em anúncios na Pensilvânia, no âmbito das primárias republicanas, o que pode explicar, pelo menos em parte, que esteja mais perto de Obama do que nos outros dois Estados.

Visto isto, e sendo verdade que Obama surge, para já, em boa posição para assegurar a reeleição, é preciso, porém, relativizar estas sondagens, numa altura em que Romney ainda não selou a nomeação republicana e quando estamos a mais de sete meses da noite eleitoral. Ainda não sabemos, por exemplo, quem será o running mate do ex-Governador do Massachusetts, um dado que pode alterar substancialmente a dinâmica da corrida, em especial num destes Estados, caso o Veep escolhido por Romney seja oriundo de um deles (o Senador pela Florida, Marco Rubio, é o caso mais flagrante). Seja como for, dada a importância do Big Three, continuaremos a seguir com atenção o que de mais de importante se passar nesses decisivos Estados.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Manipulando as eleições de 2012

Como se sabe, as eleições presidenciais nos Estados Unidos têm um sistema algo complicado para os menos acostumados com estas andanças, mas, ainda assim, bastante interessante. Em vez do modo tradicional de ganhar eleições, onde o vencedor é o candidato com mais votos expressos nas urnas, os norte-americanos adoptaram um modelo de colégio eleitoral. A cada Estado é atribuído um número de votos eleitorais (correspondente ao número de senadores e representantes desse Estado no Congresso) e o candidato vencedor no Estado recebe esse total de votos eleitorais. O vencedor final é aquele que, no final das contas, tiver atingido a maioria do total dos votos eleitorais a nível nacional - o número mágico é 270. Assim, a disputa pela presidência dos Estados Unido, em vez de uma grande corrida a nível nacional, consiste em várias pequenas batalhas pelos chamados swing states.
Todavia, na Pennsylvania, parece estar em curso uma tentativa de mudar as regras do jogo, adaptando aquilo que já se faz nos Estados do Maine e do Nebraska (mas aqui sem influência no desfecho das eleições). Os republicanos, que controlam os órgãos legislativos e executivos locais, tencionam mudar as regras de atribuição dos votos eleitorais do Estado, mudando do sistema de winner takes all para um em que o vencedor em cada distrito congressional receba um voto eleitoral, passando a ser apenas dois os votos eleitorais atribuídos directamente ao candidato mais votado a nível estadual.  Neste caso, mesmo que Barack Obama seja o candidato com mais votos no Estado, é bem provável que só conseguisse cerca de 8 dos 20 votos eleitorais da Pennsylvania, visto que o desenho dos distritos, da autoria da maioria republicana, é-lhe altamente prejudicial.
Ora, se os republicanos conseguirem avançar com este projecto, isso pode ter graves implicações numa eleição renhida, como se prevê que seja a do próximo ano. Para o evitar, os democratas pouco mais podem fazer do que influenciar a opinião pública e denunciar esta estratégia republicana como aquilo que é: batota. A Constituição entrega aos Estados a responsabilidade de escolherem a forma de atribuição dos seus votos eleitorais, mas esta atitude dos republicanos não é mais do que uma forma de manipular as regras do jogo para proveito próprio. Nas próximas semanas estarei atento ao desenrolar desta história, mas, a meu ver, espero que a táctica em questão não siga em frente. A bem da justiça e da emoção das eleições presidenciais de 2012.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A derrota do sistema

As eleições primárias de ontem para as corridas para o Senado ficaram indubitavelmente marcadas pela vitória dos candidatos ditos outsiders insurgentes e a derrota dos concorrentes do establishment partidário.

O grande destaque da noite de ontem vai para o Estado da Pennsylvania, onde o congressista e ex-almirante da marinha americana, Joe Sestak, derrotou o veterano senador, Arlen Specter, por uma margem confortável: 54 contra 46% dos votos expressos. Specter, quando, no ano passado, mudou do Partido Republicano para o Democrata, concedendo, dessa forma, uma maioria à prova de fillibuster a Barack Obama, garantiu o suporte do aparelho do partido para a sua reeleição deste ano e contou, nesta campanha, com o apoio das grandes figuras democratas, como o próprio presidente, o vice-presidente Joe Biden e o líder da maioria no Senado, Harry Reid. Contudo, pode-se discutir se esse mesmo apoio lhe foi favorável ou prejudicial, tendo em conta o profundo sentimento anti-Washignton que se observa, actualmente, nos Estados Unidos. Uma nota ainda para a vitória democrata numa eleição especial para a Câmara dos Representantes, pelo 12º círculo da Pennsylvania, onde se decidia a sucessão do falecido congressista John Murtha.

No Arkansas, o cenário não foi tão negro para a senadora democrata Blanche Lincoln que venceu a sua eleição primária. Contudo, a sua vitória, por uma ínfima margem e sem conseguir maioria absoluta, não foi suficiente para evitar uma segunda volta, contra Bill Halter, o candidato apoiado pela ala mais liberal dos democratas. O apertado resultado de ontem, combinado com mais duas semanas de campanha, fazem deste novo acto eleitoral uma corrida cujo desfecho é imprevisível.

Ainda no Sul, mas no Estado do Kentucky, realce para a esmagadora vitória de Rand Paul, o filho de Ron Paul e o candidato apoiado pelo Tea Party, sobre os dois concorrentes preferidos pelo establishment do GOP. Assim, defrontará, em Novembro, o democrata Jack Conway que, por sua vez, arrecadou a nomeação do seu partido. Esta vitória de Paul coloca a discussão por este lugar no Senado americano no centro das atenções, visto que as suas ideias e posições fogem do mainstream político americano. Contudo, o Kentucky é dos estados mais conservadores da América, o que permite a Rand Paul ser visto como o favorito à vitória.

Em jeito de rescaldo, ficam bem evidentes as dificuldades para os políticos de Washington, a quem os eleitores culpabilizam pela má situação económica do país e pelo clima de guerrilha política entre os dois partidos. Este cenário, a manter-se até Novembro, pode trazer grandes dissabores para os actuais detentores de cargos públicos e uma grande mudança no figurino do Congresso norte-americano.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

2010: um mau ano para os incumbentes e para o centro

Já se percebeu que, este ano, os senadores, governadores e congressistas que tentam a reeleição não terão vida fácil. Na verdade, o ambiente político é-lhes extremamente desfavorável, dada a lenta recuperação desde a crise financeira e económica de 2008, que faz com que os eleitores, na hora de procurarem culpados, tendam a escolher os actuais detentores de cargos públicos, favorecendo aqueles que tentam substituí-los.

Outro fenómeno a que se está a assistir nas eleições primárias deste ano, e em ambos os partidos, é o dos problemas que os candidatos mais moderados estão a enfrentar para se defenderem dos concorrentes que os atacam pela Direita, no caso republicano, ou pela Esquerda, no caso democrata. É um sinal da progressiva polarização da política americana que, a meu ver, não é bom sinal.

Esta semana, assistiu-se a um destes casos, com o afastamento do senador do Utah, o republicano Robert Bennett, da corrida à nomeação do GOP, numa convenção do partido, em detrimento de dois candidatos mais conservadores. Contudo, este é um caso singular, visto que Bennett foi derrotado devido ao sistema invulgar utilizado pelos republicanos neste Estado - uma convenção - exclusivo a um pequeno número de pessoas, na sua maioria bem mais conservadora que o grosso dos eleitores republicanos do Utah, já de si um Estado bem alinhado à Direita.

Na próxima Terça-feira, é possível que vejamos mais um incumbente moderado a ser afastado precocemente. Nesse dia, disputam-se as primárias na Pennsylvania, com o actual senador democrata, Arlen Specter, a ter a concorrência do congressista Joe Sestak, que tem surgido na dianteira da corrida em sucessivas sondagens. Sestak, um ex-Almirante da Marinha americana, tem-se assumido como a alternativa mais liberal a Specter, apesar de o seu currículo na Câmara dos Representantes até o colocar mais à Direita do que o seu opositor. O caso de Arlen Specter é curioso, pois este entrou para o Senado em 1981, mas, na altura, como republicano. No ano passado, quando percebeu que devido ao seu historial de voto - alinhado com os democratas - não teria hipóteses de ser nomeado pelo GOP, mudou-se para o lado democrata. Porém, parece que, no fim de contas, esta mudança pode não ter o desfecho que Specter desejava.

De facto, o clima político que se vive nos Estados Unidos não favorece Specter nem outros que, como ele, se encontram duplamente fragilizados: por um lado, pelo sentimento anti-Washington; por outro, pela sua posição moderada, que os torna mais vulneráveis a ataques pelo flanco.