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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As Ohio goes...

... so goes the nation. Esta é uma frase muitas vezes ouvida em vésperas de eleições presidenciais norte-americanas. De facto, o Ohio é, porventura, o principal Estado barómetro quando se trata de escolher o próximo Presidente dos Estados Unidos. Para percebermos o porquê de isso suceder, importa fazermos uma análise à história política e eleitoral do Estado.
O Nordeste do Ohio foi povoado por New England Yankees, ao passo que o Sul do Estado foi ocupado por cidadãos provenientes da Vírginia. Isso resultou numa divisão cultural, social e mesmo política no Estado, levando mesmo a que, durante a Guerra da Secessão, a simpatia da população do Ohio variasse entre um dos lados em disputa, dependendo da zona do Estado em que se estivesse.
O facto de o Estado dividir as suas preferências políticas de forma quase igualitária entre os dois grandes partidos, fez do Ohio um prémio apetecível em eleições nacionais. A década de 1890 inaugurou um período de domínio republicano que durou mais de 30 anos. Apesar de perder as regiões rurais do Estado, a primazia do GOP nas zonas urbanas em crescimento proporcionaram-lhe muitas vitórias durante esse período.
Esse cenário seria alterado com o período de depressão económica dos anos 30 do século XX, altura em que o Ohio se tornou palco de uma acentuada luta de classes, com os sindicatos das maiores indústrias do Estado a conseguirem importantes vitórias sobre os patrões. A partir daí, as zonas de maior implantação dos sindicatos tornaram-se pró-democratas, enquanto que as regiões com menor presença de sindicatos continuaram terreno favorável para o Partido Republicano.
Desde essa altura, o Ohio tem oscilado as suas preferências e, com o seu grande número de votos eleitorais (ainda que tenha vindo a perder peso no colégio eleitoral) é constantemente um dos principais alvos das campanhas presidenciais. Curiosamente, nunca um candidato republicano foi eleito sem ter ganho o Ohio e, desde 1960, nunca o vencedor do Estado perdeu a eleição geral.
Nas eleições presidenciais mais recentes, Bill Clinton e George W. Bush venceram por duas vezes cada um o Ohio, mas sempre por curta margem, o que demonstrava o estatuto de battleground state por excelência do Ohio. Em 2006, porém, o Ohio virou a favor do Partido Democrata, na sequência do fraco crescimento do Estado, mesmo antes da crise económica e financeira, e da insatisfação com a liderança republicana, minada por escândalos e por sucessivos aumentos de impostos, que fizeram do Ohio um dos Estados com mais alta carga fiscal da União.
A eleição presidencial de 2008 veio confirmar o bom momento dos Democratas no Ohio, já que Obama conseguiu uma vitória relativamente folgada no Estado, apesar de este ter sido um dos Estados mais disputados na corrida presidencial. Mas é possível que o desfecho da eleição de há quatro anos no Ohio possa ter tido mais a ver com o demérito dos Republicanos do que com o mérito da campanha democrata, já que a margem entre os dois candidatos é mais explicada por uma drástica redução de votantes no Partido Republicano, do que por uma grande subida no número de votos no Partido Democrata.A corrida presidencial de 2008 também demonstrou que as antigas lealdades políticas do Estado se mantêm actuais, com o Nordeste do Estado a constituir-se ainda como o bastião liberal do Ohio, servindo de contraponto ao restante território, em especial o Sul do Estado, terreno favorável aos conservadores.
Este ano, mais uma vez, o Ohio deverá ser o Estado mais importante da eleição presidencial. Muito provavelmente, o candidato vencedor estará, pelo meio-dia do dia 20 de Janeiro de 2013, a prestar juramento como Presidente dos Estados Unidos. Por isso, até 6 de Novembro, todos os olhos estarão focados no Ohio.

Este texto foi adaptado da minha dissertação de mestrado, intitulada The Battleground States of America, apresentada à Universidade Fernando Pessoa, em Outubro de 2012.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Obama com larga vantagem no Big Three

Como apontei ontem, Barack Obama tem, de momento, uma importante vantagem nos battleground states. E, entre todos os Estados decisivos em eleições presidenciais americanas, o destaque vai para os três que entregam mais votos eleitorais: a Florida, a Pennsylvania e o Ohio, um grupo muitas vezes apelidado de Big Three. Ora, a crer por um conjunto de sondagens da responsabilidade do New York Times, da CBS e da Quinnipiac, Obama está em grande forma no Big Three:

Florida
Obama - 53%
Romney - 44%

Pennsylvania
Obama - 54%
Romney - 42%

Ohio
Obama - 53%
Romney - 43%

A grande novidade destas sondagens é o facto de Obama surgir, em todas elas, com um resultado solidamente acima da barreira dos 50%, o que obriga a campanha republicana não só a conquistar os votos dos eleitores indecisos mas também de muitos votantes que, de momento, estão mais inclinados a votar em Obama. A tarefa de Mitt Romney é ainda mais complicada quando se percebe que, para se sagrar vencedor, necessita de vencer, pelo menos, em dois destes três Estados. Para já, Romney, ainda conta com os debates para mudar o rumo da maré a seu favor, mas começa a ter já pouco tempo para dar a volta à corrida.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Obama lidera no "Big Three"

Dado o sistema de colégio eleitoral que rege as eleições presidenciais norte-americanas, os candidatos à Casa Branca concentram os seus esforços em determinados locais, os ditos swing states, Estados que podem cair para os democratas como para os republicanos. Entre esses, os mais importantes, dado a sua dimensão populacional e, consequentemente, o número de votos eleitorais em jogo, são a Florida, o Ohio e a Pensilvânia, o chamado Big Three das eleições presidenciais dos Estados Unidos.Importa, por isso, fazer referência às sondagens nestes três Estados, relativas à eleição geral, que foram ontem divulgadas pela Quinnipiac:

Florida
Obama - 49%
Romney - 42%

Pensilvânia: 
Obama - 45%
Romney 42%

Ohio:
Obama - 47%
Romney - 41%

São números extremamente positivos para Barack Obama, que caso consiga mesmo fazer o pleno no big three, à imagem do que fez em 2008, terá, certamente, a reeleição assegurada. O resultado na Florida é especialmente relevante, ficando perto da marca dos 50%, num Estado onde se chegou a pensar que não estaria ao seu alcance neste ciclo eleitoral. Por outro lado, na Pensilvânia, a sua vantagem para Mitt Romney é mais curta do que podia ser de esperar, visto que este Estado é, dos três, tradicionalmente o mais favorável aos democratas. Contudo, Romney está neste momento a investir fortemente em anúncios na Pensilvânia, no âmbito das primárias republicanas, o que pode explicar, pelo menos em parte, que esteja mais perto de Obama do que nos outros dois Estados.

Visto isto, e sendo verdade que Obama surge, para já, em boa posição para assegurar a reeleição, é preciso, porém, relativizar estas sondagens, numa altura em que Romney ainda não selou a nomeação republicana e quando estamos a mais de sete meses da noite eleitoral. Ainda não sabemos, por exemplo, quem será o running mate do ex-Governador do Massachusetts, um dado que pode alterar substancialmente a dinâmica da corrida, em especial num destes Estados, caso o Veep escolhido por Romney seja oriundo de um deles (o Senador pela Florida, Marco Rubio, é o caso mais flagrante). Seja como for, dada a importância do Big Three, continuaremos a seguir com atenção o que de mais de importante se passar nesses decisivos Estados.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais uma noite de primárias

Com as eleições intercalares de 2010 marcadas para o dia 2 de Novembro, sucedem-se as primárias que definem os candidatos de ambos os partidos para esse momento decisivo. Este ano, o calendário das primárias começou no início do mês de Fevereiro e apenas terminará a meados de Setembro, menos de dois meses antes das eleições gerais.

Ontem, foi a vez dos cidadãos do Ohio, do Indiana e da Carolina do Norte escolherem os seus candidatos para as corridas ao Senado e à Câmara dos Representantes. De entre as eleições para o Senado, que merecem um natural realce, destaque para a do Ohio, aquela que parece ser a mais renhida e disputada entre as três. Aqui, o vencedor democrata foi o Vice-Governador do Estado, Lee Fisher, o que representa um bom resultado para o partido de Obama, visto que Fisher tem sido apontado pelas sondagens como o melhor colocado para poder bater Rob Portman, o candidato republicano que não teve oposição nestas primárias.

No Indiana, o cenário foi o mesmo, mas invertendo-se os papéis. Na luta pelo lugar que Evan Bayh decidiu abandonar, o candidato democrata será o congressista Brad Ellsworth, que não teve adversários. Do lado do GOP, o vencedor das primárias republicanas foi o ex-senador Dan Coats. Com este resultado, a mudança deste lugar no Senado para a coluna republicana parece cada vez mais provável.

Por fim, na Carolina do Norte, o detentor do lugar, Richard Burr, venceu facilmente as primárias do GOP, enquanto que, no lado democrata, nenhum dos seis concorrentes conseguiu atingir a marca dos 40% dos votos, o valor necessário para se evitar uma segunda volta. Assim, Elaine Marshall e Cal Cunningham terão de disputar nova eleição, desta vez numa corrida a dois. De qualquer forma, o republicano Richard Burr deverá ser reeleito para o Senado, em Novembro.

Um factor comum a todos estes actos eleitorais foi a baixa afluência às urnas, mesmo tendo em conta a realidade das primárias a nível estadual. Este dado traduz a desilusão dos americanos em relação às políticas e aos políticos de Washington, sentimento esse que, a 2 de Novembro, pode resultar numa tremenda vaga anti-incumbente.