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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Obama domina a corrida

A eleição presidencial aproxima-se rapidamente - estamos a menos de mês e meio de 6 de Novembro - e a corrida parece cada vez mais inclinada para Barack Obama. É provável que, neste momento, os sinais de alarme estejam a soar na sede da campanha de Mitt Romney, que vê, a cada dia que passa, as suas hipóteses de vitória diminuírem. De facto, basta observar para se perceber que o candidato republicano terá de fazer algo para mudar a dinâmica da corrida.
Nas sondagens de nível nacional, Obama nem tem uma vantagem por aí além, especialmente se virmos de forma isolada as tracking polls da Gallup, onde o actual Presidente tem surgido com uma reduzida vantagem, ou da Rasmussen, onde Obama consegue hoje uma vantagem de apenas um ponto (um bom resultado, tendo em conta que, nesta sondagem, da autoria da republican leaning Rasmussen, o democrata tem ficado atrás de Rommney). Noutros estudos, Obama tem conseguido melhores resultados, distanciando-se do seu oponente por uma margem superior. Além disso, a taxa de aprovação do trabalho do Presidente também tem vindo a subir e, para o RealClearPolitics já atingiu mesmo a barreira psicológica dos 50%.
Mas é nas sondagens dos swing states que Obama marca claramente a diferença para Romney. Nos últimos dias, o candidato democrata tem surgido constantemente à frente de praticamente todos os Estados que parecem em disputa neste ciclo eleitoral, com excepção da Carolina do Norte, que parece um verdadeiro exemplo de um Estado too close to call. Correndo os principais sites que realizam uma média de sondagens e apresentam o estado actual do mapa eleitoral, vemos que o Pollster atribui 332 votos eleitorais a Obama e 191 a Romney, deixando apenas a Carolina do Norte na coluna dos toss up. O Politico, que não classifica Estados como indecisos, entrega 347 votos eleitorais ao Presidente e 191 ao challenger republicano. Finalmente, o RealClearPolitics, com um modelo mais conservador (ou seja, é mais rígido a atribuir Estados a um dos candidatos), coloca 247 votos eleitorais na coluna de Obama e os "habituais" 191 na de Romney. 
Tendo em conta que são 270 os votos eleitorais necessários para um dos candidatos se sagrar vencedor, torna-se perceptível que, de momento, Barack Obama leva uma importante vantagem no Colégio Eleitoral. Para já, Romney está a perder a luta pelos battleground states em toda a linha e isso obriga-o a virar o tabuleiro de jogo totalmente de pernas para o ar se quiser tornar-se o próximo Presidente dos Estados Unidos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Obama vs Romney take 2 (by Mark Halperin)

Mark Halperin,  analista político da Time, actualiza na próxima edição da histórica revista norte-americana o seu quadro do estado da corrida pela Casa Branca. Em relação à sua anterior tabela, é notória a escalada de Barack Obama rumo ao actual estatuto de frontrunner. A crer na visão de Halperin, Mitt Romney tem um duro caminho a percorrer se quiser tornar-se o 45º Presidente dos Estados Unidos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A estranha estratégia de Mitt Romney

É agora praticamente consensual (mesmo no seio do Partido Republicano) que Mitt Romney está à frente de uma campanha medíocre, que tem cometido muitos e significativos erros de palmatória na corrida pela Casa Branca. Erros esses que estão a comprometer seriamente as aspirações presidenciais de Romney. As falhas tácticas têm-se repetido a grande ritmo, como a incapacidade da campanha se manter na mensagem centrada na economia (os democratas têm conseguido mudar o assunto em destaque por várias vezes), ou as declarações menos conseguidas do próprio candidato. Contudo, parece-me que o principal problema da campanha republicana é de ordem estratégica.
Mitt Romney foi um Governador republicano num dos Estados mais democratas da União, o Massachusetts. Por isso, sempre pensei que, durante a campanha pela eleição geral, Romney utilizasse esse ponto do seu currículo como argumento fundamental para apresentar o seu caso aos norte-americanos. Numa altura em que os Estados Unidos estão mais polarizados politicamente do que nunca, isso podia ser um ponto forte da sua candidatura, especialmente se fosse sublinhado pela referência ao falhanço total de Barack Obama em reduzir a crispação política em Washignton, que foi, afinal, uma das suas grandes promessas eleitorais, em 2008.
Todavia, as referências ao seu passado como líder do governo estadual do Massachusetts estão praticamente ausentes do discurso de Mitt Romney, que prefere passar uma esponja por cima desse período da sua vida e virar de forma pronunciada à Direita. Provavelmente, Romney teme alienar parte da base republicana, ao lembrar que, em tempos, se assumiu como um republicano moderado, capaz de chegar a acordo com a larga maioria democrata na legislatura estadual do Massachusetts e que implementou mesmo um sistema de saúde no Estado muito semelhante ao agora vilipendiado Obamacare
De facto, é possível que as alas mais à Direita no GOP não ficassem muito agradados com a possibilidade de elegerem um Presidente republicano que governasse ao centro. Porém, se Romney definisse claramente a escolha dos eleitores norte-americanos como uma decisão entre um republicano moderado, que conseguiu ser eleito no liberal Massachusetts, e um democrata liberal, que, no Senado, teve um historial de votos claramente à Esquerda, alargaria, quase de certeza, o número de eleitores que seria capaz de alcançar. Além disso, ao romper definitivamente com o seu passado no Massachusetts, Romney fortaleceu a sua imagem de flip-flopper e de alguém que diz o que for preciso para ser eleito.
É verdade que Romney permaneceu bem ancorado à Direita, depois de umas primárias republicanas em que foi obrigado a manter um discurso mais conservador do que provavelmente gostaria. Muito mérito tem também de ser atribuído à campanha de Obama, que, desde 2011, ciente de que ia ser Romney o nomeado do GOP, conseguiu caracterizar o eventual nomeado republicano como um candidato muito conservador, incrivelmente rico e completamente desfasado da realidade do cidadão norte-americano comum. 
Contudo, parece-me evidente que a campanha de Romney tomou várias decisões erradas e escolheu uma estratégia que, para já, não está a dar frutos e que pode custar a Casa Branca ao Partido Republicano.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Romney dá um passo em falso


Mitt Romney foi apanhado em vídeo, durante um discurso num evento de angariação de fundos, a referir-se de maneira menos agradável a 47% dos eleitores norte-americanos que, segundo o candidato presidencial republicano, votarão em Barack Obama de qualquer maneira. Para Romney, o seu trabalho não é preocupar-se com essas pessoas, que são dependentes do governo, que se consideram vítimas e que acreditam que o Estado tem o dever de lhes proporcionar cuidados de saúde, habitação ou comida.
Declarações fortes e que podem ter um pesado impacto na corrida pela Casa Branca. Romney não contaria que as suas palavras se tornassem públicas, mas deveria ter noção que, na época do Youtube e dos telemóveis com câmara, nenhum evento é totalmente privado. Agora, terá de se defender das vozes críticas que o acusam de ter riscado da sua lista de preocupações quase metade da população dos Estados Unidos e, mais grave do que isso, estas declarações agudizam a percepção de que o antigo Governador do Massachusetts está desligado do cidadão comum e que, uma vez no poder, atacará os programas sociais do país.
Este caso faz lembrar uma situação parecida, que ocorreu há quatro anos, quando Obama, também numa angariação de fundos, afirmou que alguns americanos, com a degradação da situação económica do país, se tornavam "azedos" se viravam para as armas e para a religião. Contudo, essas declarações, na minha opinião não tão graves quanto estas de Romney, foram proferidas ainda durante as primárias democratas e não tiveram grande repercussão na campanha da eleição geral. No caso de Romney, porém, esta gaffe não podia ter vindo em pior ocasião, pois o nomeado republicano atravessa um período menos positivo e vê Obama afastar-se nas sondagens. Por isso, a última coisa de que a campanha de Romney precisava agora era de um tão grande passo em falso que prejudica ainda mais as suas hipóteses de chegar à Casa Branca.

domingo, 16 de setembro de 2012

A corrida muda de figura

As últimas semanas trouxeram, sem dúvida, muita actividade e uma nova dinâmica à corrida presidencial norte-americana. As convenções nacionais, o discurso de Bill Clinton e a crise no Médio Oriente transformaram a campanha eleitoral e alteraram o cenário da disputa pela Casa Branca, numa altura em que estamos a menos de dois meses da grande noite eleitoral.
Em primeiro lugar, as convenções dos dois partidos tiveram um forte impacto na campanha, com clara vantagem para os democratas. De facto, Barack Obama viu os seus números nas sondagens subirem significativamente depois da Convenção Nacional Democrata, e isto apesar de o seu discurso não ter sido empolgante nem brilhante. Contudo, até deverá ter sido essa a intenção de Obama, a querer assumir-se como Presidente, apostando numa postura sóbria e realista, em contraste com a imagem idealista e sonhadora da sua campanha de há quatro anos. 
Assim, da convenção democrata, sobressaiu especialmente o discurso de Bill Clinton, que foi o primeiro democrata a conseguir defender de forma efectiva o primeiro mandato de Obama na Casa Branca. No fundo, os democratas foram capazes de responder à pergunta que teimava em assombrar a campanha de Obama: estão os norte-americanos melhor agora do que há quatro anos? A julgar pela subida do Presidente nas sondagens, parece que Clinton conseguiu convencer a maioria dos cidadãos norte-americanos que a resposta a esta pergunta é sim.
Mais recentemente, surgiu a inesperada crise no Médio Oriente, com um ridículo filme amador divulgado no Youtube a incendiar os ânimos do mundo muçulmano, que se vingou, em muitos países, nas embaixadas dos Estados Unidos, levando mesmo à morte de cinco americanos, entre os quais o Embaixador na Líbia. No despoletar da crise, Mitt Romney foi rápido a criticar a resposta do Departamento de Estado, em especial uma nota da Embaixada norte-americana no Cairo divulgada antes dos ataques e que simpatizava com os protestos da comunidade islâmica e criticava o filme em questão. Todavia, o tiro de Romney saiu-lhe pela culatra, com os media a condenarem a campanha do nomeado republicano por tentar retirar dividendos políticos numa altura que deveria ser de união nacional. 
A posição da campanha republicana foi, a meu ver, precipitada. Terão visto nesta crise uma oportunidade para desafiarem a primazia de Obama num tema, a política externa, que, até há pouco tempo, "pertencia" aos republicanos. Acontece, porém, que o ataque político não teve o timing devido, já que é norma nos Estados Unidos que, aquando de um ataque externo, todos os agentes políticos se coloquem por detrás do Commander-in-Chief. Se as críticas de Mitt Romney tivessem vindo num momento posterior, talvez tivessem algum efeito. Assim, o que o candidato do GOP conseguiu foi minar ainda mais a sua imagem no campo da política externa, em contraste com a postural presidencial adoptada por Obama.
Todavia, não deixa de ser compreensível a precipitação da campanha republicana, que, após o bounce de Obama nas sondagens, após as convenções, necessitava urgentemente de algo que pudesse inverter o rumo dos acontecimentos. A jogada, ao que parece, não correu bem, o que veio sublinhar ainda mais a mudança do status quo da campanha pela presidência. Agora, e apesar da vitória estar ainda ao alcance de qualquer um dos candidatos, temos um claro frontrunner: Barack Obama.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Nine Eleven

Marca-se hoje o 11º aniversário dos atentados terroristas que, a 11 de Setembro de 2001, mudaram a América e o mundo. Nos Estados Unidos, a data será assinalada um pouco por todo o país e, como não podia deixar de ser, os dois candidatos presidenciais não deixarão passar em claro este momento simbólico.
Barack Obama, que espera capitalizar o facto de este ser o primeiro aniversário do 11 de Setembro após a morte de Bin Laden, marcará a data com um momento de silêncio na Casa Branca, deslocando-se, depois disso, até ao Pentágono, um dos locais que foi alvo dos ataques terroristas da Al-Qaeda. Por sua vez, Mitt Romney, discursará, no Nevada, perante a National Guard. O nomeado republicano aproveitará, certamente, a ocasião para tentar limpar um pouco a má imagem que deixou na Convenção Nacional Republicana, por não ter incluído, no seu discurso, qualquer referência às forças armadas dos Estados Unidos, um facto que os democratas estão a utilizar sem quartel em anúncios da campanha.
Contudo, pelo menos durante o dia de hoje, assistiremos a uma certa de tréguas na campanha presidencial republicana. Por respeito à solenidade da ocasião, os dois lados suspenderão as acções mais agressivas da campanha, um pouco ao jeito do que acontecia na Primeira Guerra Mundial, quando se comemorava o Natal. E tem toda a lógica que assim seja, porque, há onze anos atrás, se houve coisa que os terroristas conseguiram efectivamente fazer foi unir todos os cidadãos norte-americanos como até então nunca se tinha visto.

domingo, 9 de setembro de 2012

Obama ganha avanço

Ao que tudo indica, o saldo das convenções nacionais dos dois partidos foi extremamente favorável a Barack Obama, que, nas tracking polls já divulgadas após o final da Convenção Democrata, surge com vantagem sobre Mitt Romney, tendo também melhorado o seu resultado comparativamente às mesmas sondagens, mas que haviam sido realizadas antes das convenções. Mas vejamos os números das sondagens já conhecidas:

Gallup:
Obama - 49%
Romney - 45%

Rasmussen:
Obama - 46%
Romney - 44%

Reuters/Ipsos:
Obama - 47%
Romney - 44%

É expectável que a diferença venha a alargar-se durante os próximos dias, já que a maior parte das entrevistas destas sondagens foi ainda realizada antes da convenção democrata, ou, mais precisamente, antes do discurso de Bill Clinton, que terá sido o momento decisivo na mente dos eleitores. Por isso, Nate Silver prevê que, nesta altura, a diferença entre os dois candidatos se situe entre os sete e os nove pontos percentuais. A confirmar-se a previsão do especialista em sondagens do New York Times, então o panorama da eleição alterou-se significativamente após as convenções e Barack Obama é, para já, o claro frontrunner desta corrida pela Casa Branca.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A oportunidade perdida de Romney

A Convenção Nacional Republicana terminou, a semana passada, com o habitual discurso de aceitação da nomeação por parte do candidato presidencial do partido. Para Mitt Romney, este era a sua grande oportunidade para transmitir uma boa imagem de si mesmo ao povo americano e para ganhar momentum na corrida presidencial, de forma a entrar na fase decisiva da campanha eleitoral com melhores probabilidades de derrotar Barack Obama.
Mas, a meu ver, o discurso de Mitt Romney foi uma oportunidade falhada. É certo que conseguiu mostrar o seu lado humano, desmontando algumas ideias com que os democratas vão tentando denegrir a sua imagem, como por exemplo, ao defender o seu passado na Bain Capital e ao sossegar o eleitorado feminino, junto do qual tem tido algumas dificuldades. Contudo, e apesar da defesa da sua imagem pessoal e dos ataques a Obama, Romney não foi capaz de apresentar o seu caso aos eleitores americanos. Ao não explicar como cumprirá as suas grandes promessas eleitorais (como irá, por exemplo, ser capaz de reduzir ao défice depois de baixar os impostos e aumentar a despesa com a Defesa, por exemplo?), o candidato republicano falha na questão essencial nesta eleição: porque é que os americanos estarão melhor com Romney na Casa Branca.
Além do conteúdo, há também a forma do discurso de Romney. Já se sabia que o antigo Governador do Massachusetts não é um grande orador, mas a verdade é que o seu discurso não foi galvanizador, não foi entusiasmante e não pareceu ter representado um momento de viragem na corrida. De facto, pela maior parte das opiniões nos media, e mesmo entre a Direita norte-americana, o discurso de Romney não foi o game changer de que os republicanos necessitavam, até porque os americanos não pareceram muito interessados naquilo que Romney tinha a dizer (as audiências do discurso foram as mais baixas dos últimos anos).
Assim sendo, a corrida pela Casa Branca, continua, ainda que ligeiramente, favorável a Obama. Aliás, segundo as sondagens, os republicanos não conseguiram um bounce significativo nas intenções de voto dos norte-americanos. Pelo contrário, o modelo de Nate Silver atribui, nesta altura, quase 75% probabilidades de vitória a Obama, isto ainda antes da Convenção Democrata, que começa hoje, em Charlotte.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Condoleeza brilha; Ryan ataca


A Convenção Nacional Republicana, em Tampa, na Florida, continua a destacar-se como um momento galvanizador para o movimento conservador nos Estados Unidos. Depois de um primeiro dia animado, marcado por Ann Romney e por Chris Christie, o segundo dia foi ainda mais intenso, em especial os últimos dois discursos da noite, os de Condoleeza Rice, Secretária de Estado durante o segundo mandato de George W. Bush, e o candidato vice-presidencial republicano, o congressista Paul Ryan.
Condoleeza teve ontem aquele que foi talvez o seu primeiro grande momento de política partidária desde que assumiu funções na Administração Bush. Com um discurso brilhantemente escrito, além de muito bem delivered (falta-me melhor expressão em português), sem recurso a teleponto, Rice mostrou que pode ter um grande futuro político à sua frente, quem sabe já em 2016, com uma eventual candidatura à Casa Branca, caso Barack Obama obtenha um segundo mandato. Apesar de ter enviado algumas farpas à liderança de Obama, a ex-Secretária de Estado transmitiu principalmente uma postura responsável, séria e presidencial que devem ter conquistado mesmo os conservadores mais cépticos. Com experiência e conhecimentos suficientes, aliados ao facto de ser uma mulher afro-americana, o que poderia abrir novos eleitores ao GOP, Condoleeza Rice poderia ser, de facto, uma excepcional candidata republicana.
Em seguida, Paul Ryan subiu ao pódio para aceitar formalmente a sua nomeação como candidato vice-presidencial republicano. Quase desde a primeira frase, o congressista do Wisconsin agarrou por completo a sua audiência, que se deixou levar pela intensidade do discurso do candidato à Vice-presidência. Ryan, como se esperava, não poupou Barack Obama e teceu duras e contínuas críticas ao Presidente dos Estados Unidos. Mostrando ser um adepto da máxima "a melhor defesa é o ataque", Paul Ryan utilizou mesmo a questão do Medicare (programa cuja reforma por si proposta é considerada uma das potenciais fraquezas da candidatura republicana) para atacar Obama, dizendo que o Obamacare (reforma da saúde patrocinada pelo Presidente) é a maior ameaça aos cuidados de saúde dos idosos.
No final do discurso, Ryan tinha a sala da Convenção totalmente a seus pés e tinha, pelo menos, dado um novo herói ao movimento conservador americano e trazido uma paixão à campanha republicana que, até agora, Mitt Romney ainda não foi capaz de proporcionar. No rescaldo do discurso, surgiram em muitos órgãos de comunicação social informações que apontavam para incorrecções e distorções de factos utilizados por Ryan para atacar Obama. Contudo, é muito duvidoso que essas acusações, ainda que verdadeiras, tenham qualquer impacto na popularidade de Paul Ryan, já que a maioria dos eleitores não segue os fact-checkers ou os programas de comentário político da televisão por cabo.
Assim sendo, este foi mais um dia bastante positivo para o Partido Republicano. Agora, falta apenas o dia final da Convenção, cujo ponto alto será o discurso de Mitt Romney, que aceitará ocialmente a nomeação presidencial do GOP. A fasquia está colocada bastante alta para o candidato republicano à Casa Branca, já que, após os excelentes discursos dos últimos dias, Romney não quererá, certamente, ser ofuscado por figuras menores neste seu momento decisivo rumo à Presidência.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O primeiro dia

Começou ontem, pelo menos "a sério", a Convenção Nacional Republicana e o GOP não perdeu a oportunidade que lhes é concedida pela grande atenção mediática deste evento para "vender" a imagem do seu candidato à Casa Branca, Mitt Romney.
Terça-feira, que deveria ser o segundo da Convenção, mas que, devido ao furacão Isaac, foi, de facto, o primeiro, teve discursos para todos os gostos e com objectivos diferentes. O Senador Rand Paul dirigiu-se aos congressistas, basicamente para acalmar os apoiantes do seu pai, o candidato presidencial da facção libertária do partido, Ron Paul, e para demonstrar que a heterogeneidade do GOP é respeitada pela actual liderança. De seguida, discursou Rick Santorum, o principal adversário de Romney durante a campanha e que serviu para agradar aos republicanos mais conservadores e para atacar o registo de Barack Obama no que diz respeito às políticas do Estado social. Contudo, estes não eram os momentos mais aguardados.
Uma das maiores curiosidades do dia de ontem dizia respeito a Ann Romney e ao seu discurso. Até ao momento, a possível futura Primeira-Dama dos Estados Unidos tem estado algo ausente da campanha e há quem considere que Ann poderia ser uma mais valia para a candidatura republicana no trilho da campanha. E, ontem, a esposa de Mitt Romney pareceu dar razão a esses comentários, já que conseguiu um excelente discurso, apresentando um lado mais pessoal e humano do seu marido, o que é essencial, visto que as sondagens têm mostrado que uma das principais debilidades do nomeado republicano é a sua fraca capacidade para se "ligar" aos eleitores. No final do discurso de Ann, Mitt subiu ao palco, numa surpresa encenada.
Mais tarde, foi a vez do keynote speech, honra que este ano foi designada a Chris Christie, Governador de New Jersey. O discurso de Christie era muito antecipado pelos media e pelos delegados à Convenção. E o imponente Governador não desiludiu, apresentando uma comunicação ao seu estilo, apaixonada e vibrante, que levou ao rubro o Tampa Bay Times Forum. Christie serviu de attack dog, criticando duramente Barack Obama e os democratas. Contudo, parece-me que terá falhado, pelo menos em parte, no objectivo de "vender" a imagem de Mitt Romney aos norte-americanos, tendo demorado mais de metade do seu discurso a referir sequer o nome do nomeado republicano. Além disso, apresentou um contraste talvez demasiado forte com o discurso emotivo e sereno de Ann Romney e houve mesmo alguma contradição entre os dois discursos (Ann montou o seu discurso à volta do tema «amor», enquanto Christie disse que os americanos deveriam preferir o respeito ao amor).
 Mas, no final da noite, o resultado foi globalmente positivo para o Partido Republicano, que tem o handicap de ver a sua Convenção competir com um furacão no domínio do ciclo noticioso. Hoje, continuam os trabalhos, com a realização de muitos discursos de grandes estrelas do GOP (McCain, Pawlenty, Jeb Bush, etc.), mas o maior destaque vai para o de Paul Ryan, o candidato vice-presidencial que terá aqui o seu primeiro grande teste na campanha. Mais logo, veremos como se sai.

Vídeos dos discursos de Ann Romney e Chris Christie aqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Convenção republicana com início adiado

Devia ser hoje o arranque da Convenção Nacional Republicana, em Tampa Bay, na Florida. Todavia, devido à iminente chegada do furacão Isaac à costa dos Estados Unidos, o primeiro dia de trabalhos foi cancelado, aliás à imagem do que aconteceu, há quatro anos atrás, aquando da Convenção Nacional Republicana, em Minneapolis, cujo primeiro dia foi também desmarcado por causa de um outro furacão que ameaçava o Estado do Lousiana.
Com os fenómenos naturais a perturbarem o normal funcionamento do evento que o Partido Republicano tencionava utilizar para dar um empurrão decisivo à candidatura de Mitt Romney à Casa Branca, o alinhamento terá que ser, agora, remodelado, já que para o dia de hoje estavam agendados vários discursos, entre os quais os de Rand Paul, Mike Huckabee e da esposa do candidato presidencial republicano, Ann Romney.
Para já, apenas foi anunciada esta decisão adiar o início da Convenção, mas o Boston Globe colocou mesmo a possibilidade de todo o evento ser cancelado, dependendo da violência do furacão. Isto porque as imagens simultâneas de uma festa política e de milhares de americanos em sofrimento devido a uma catástrofe natural não é propriamente o cenário que os republicanos quererão transmitir aos eleitores, a poucos meses da eleição presidencial.
Contudo, esse cenário parece, de momento, pouco provável e a Convenção Nacional Republicana deverá abrir portas amanhã, num dia que será muito preenchido e onde se destaca o discurso de Chris Christie, o carismático Governador de New Jersey. Assim, se o tempo o permitir, os próximos três dias serão a grande oportunidade para o GOP vender a sua imagem é o do seu nomeado presidencial ao grande público e, com isso, dar um importante passo rumo à Casa Branca.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mr. Nice Guy vs Mr. Businessman

Barack Obama e Mitt Romney são dois candidatos totalmente diferentes que contam também com pontos fortes e fraquezas totalmente opostos. Enquanto o actual Presidente é visto favoravelmente enquanto ser humano e homem de família pelos norte-americanos, já o seu trabalho na Casa Branca, em especial no domínio da economia não merece a aprovação da maioria dos eleitores dos Estados Unidos. Por seu lado, Mitt Romney, é visto com uma certa desconfiança pela maioria dos americanos que não nutrem especial simpatia pessoal pelo antigo Governador do Massachusetts. Todavia, porventura devido ao seu passado de executivo de sucesso, confiam na sua competência para melhorar a situação económica do país.

Como prova desta dicotomia Obama/Romney, saiu ontem uma sondagem USA Today/Gallup que apresenta resultados interessantes. Como se pode ver no quadro de baixo, Obama fica bastante à frente de Romney em termos de características pessoais, com excepção da capacidade de gerir o governo, onde os dois candidatos obtêm resultados semelhantes.


Contudo, quando se pergunta aos eleitores qual o político que consideram mais capaz para lidar com um determinado tópico da agenda política, obtemos também resultados interessantes. O Presidente consegue vantagem em quase todas as áreas, incluindo relações externas, energia, saúde e até, de forma algo surpreendente, nos impostos. Todavia, os eleitores consideram, por larga margem, que Romney é o melhor preparado para lidar com a economia e com o défice federal.


No fim de contas, é verdade que Obama fica à frente de Romney em quase todos os critérios, sejam eles pessoais ou políticos. Contudo, a vantagem do nomeado republicano na economia, que é, de longe, a principal preocupação dos eleitores norte-americanos, pode fazer toda a diferença e ser suficiente para destronar Barack Obama da Casa Branca. Seja como for, tem um facto bastante curioso: nunca um Presidente com o país em tão má situação económica teve tantas possibilidades de ser reeleito e, ao mesmo tempo, nunca um candidato presidencial com tão baixos índices de popularidade esteve tão perto de ser eleito Presidente.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

The money race

Esta infografia, da autoria do New York Times, ilustra a corrida pelo dinheiro na campanha presidencial norte-americana. Com estes valores, podemos ver que Barack Obama, juntamente com o Partido Democrata e o seu Super PAC, angariou, até ao momento, mais dinheiro que o seu adversário, mas que, ao mesmo tempo, também já gastou mais, tendo mesmo, actualmente, menos dinheiro disponível do que Mitt Romney.
Como candidato, Obama consegue receber muito mais dinheiro em doações monetárias do que o nomeado republicano, enquanto que a nível de contribuições para as estruturas partidárias os números estão muito próximos. Assim, estes números, por si só, fariam supor que o Presidente teria, como há quatro anos, vantagem financeira sobre o nomeado republicano. Contudo, desta vez, existe uma nova variável: os Super PACs. E, aí, o GOP levam uma substancial vantagem sobre os democratas, vantagem essa que, numa eleição muito equilibrada, pode fazer a diferença entre a vitória e a derrota.

(Mais detalhes sobre a money race podem ser consultados aqui).

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um republicano a dar tiros nos pé

O congressista republicano pelo Missouri Todd Arkin, que concorre a um lugar no Senado pelo mesmo estado, teve ontem declarações bombásticas acerca do aborto em casos de violação e que estão já a ter repercussões nacionais. Numa entrevista televisiva, quando justificava a sua oposição ao aborto mesmo em casos de violação, Arkin afirmou que as vítimas de violação "legítima" raramente engravidam. Como seria de esperar, estas declarações tiveram grande repercussão nos media que reproduziram vezes sem conta as polémicas afirmações do candidato ao Senado.

Numa primeira instância, será mesmo Todd Arkin a sofrer as consequências, já que é bem possível que esta polémica seja uma dádiva caída do céu para a sua opositora democrata, a Senador Claire McCaskill, que, até agora, vinha surgindo atrás do candidato republicano nas sondagens. Contudo, o impacto declarações de Arkin deverá chegar à corrida nacional pela Casa Branca, pelo menos se isso depender dos democratas, que estão já a ligar a posição do político do Missouri ao GOP em geral e ao ticket Romney/Ryan em particular.

Para Mitt Romney, o principal problema nesta questão não vem propriamente das afirmações de Arkin, mas sim a possibilidade de os democratas poderem novamente utilizar a questão do aborto na campanha presidencial. Numa eleição renhida, as mulheres solteiras podem tornar-se um grupo eleitoral decisivo e a posição pro-life do ticket republicano pode alienar uma boa parte dessas eleitoras. Mais uma vez neste ciclo eleitoral, os republicanos serão obrigados a desviar-se da sua mensagem centrada em temas económicos, o que só os prejudica. Neste caso, porém, o culpado é um membro do próprio partido, que, em Novembro, poderá ser responsável não só pela manutenção da maioria democrata no Senado, mas também por ajudar Barack Obama a ser reeleito.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Romney com momentum?

Até ao momento, verificava-se uma tendência na corrida presidencial norte-americana: as sondagens nacionais traduziam um grande equilíbrio entre os dois candidatos, mas, por outro lado, as sondagens estaduais nos chamados battleground states mostravam Barack Obama numa posição favorável para vencer o Colégio Eleitoral e, consequentemente, garantir mais um mandato na Casa Branca.
Contudo, durante o dia de hoje, a Purple Strategies revelou novos estudos de opinião em quatro Estados fundamentais: Colorado, Florida, Ohio e Virginia. E, algo surpreendentemente, ficámos a saber que, segundo estas sondagens, Obama apenas lidera no Colorado, ficando atrás de Romney nos restantes três Estados.

Colorado
Obama 49%
Romney 46%

Florida
Romney 48%
Obama 47%

Ohio
Romney 46%
Obama 44%

Virginia
Romney 48%
Obama 45%

Como se pode ver pelos números de cima, o equilíbrio é a nota dominante, mas não deixa de ser significativo que, de um momento para o outro, Obama perca, aparentemente, terreno para Romney em vários Estados decisivos para o desfecho da eleição. Mas, afinal de contas, o que quererão dizer estes resultados: serão apenas outliers? Serão efeito positivo da escolha de Paul Ryan para running mate de Romney? Para já, a resposta a estas questão é um incógnita. Teremos de esperar pelos próximos dias para ver se a corrida está mesmo a mudar a favor do nomeado republicano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Missouri parece competitivo

Em eleições presidenciais, o Missouri é considerado um barómetro, já que, desde 1904, apenas por duas vezes (em 1956 e em 2008) o vencedor neste Estado não coincidiu com o vencedor da eleição geral. Assim, o Missouri é tradicionalmente um battleground state bastante disputado durante a campanha presidencial. Neste ciclo eleitoral, porém, este Estado não parecia, à partida, um dos principais palcos da corrida à Casa Branca, até porque se, em 2008, num ano extremamente favorável para os democratas, Obama não foi capaz de vencer neste Estado, então, desta vez, isso ainda seria mais improvável.
Talvez em virtude dessa descrença quase geral de uma corrida renhida no Missouri, este Estado tem recebido pouca atenção por parte das empresas de sondagens e há algum tempo que estávamos sem notícias sobre o rumo dos acontecimentos neste Estado do midwest. Contudo, foram divulgadas duas sondagens sobre a disputa presidencial no Missouri e, de forma até algo surpreendente, ambas mostram uma corrida muito renhida, com Mitt Romney a superiorizar-se a Barack Obama por apenas um ponto percentual.
Primeiro, foi a SurveyUSA a apresentar uma sondagem que colocava Romney com 45% das intenções de voto, contra os 44% de Obama. Quando esse estudo surgiu, houve quem pensasse (eu próprio incluído) que se tratava de "ruído estatístico". Contudo, logo depois, surgiu uma nova sondagem, desta vez da Chilenski Strategies (confesso que desconheço esta empresa), que mostrou números semelhantes - Romney 48%, Obama 47%, o que pode indicar que, afinal, o Missouri é mesmo um Estado competitivo e a ter em conta para a eleição presidencial.
Ainda assim, parece-me que o Missouri não será decisivo na luta pela Casa Branca. É certo Barack Obama pode perfeitamente sair vencedor neste Estado, mas, se o fizer, será certamente num cenário em que ganhará facilmente a eleição geral, já que o Missouri é significativamente mais republicano que a média nacional.Ou seja, muito dificilmente serão os votos eleitorais do Missouri a decidir o desfecho da eleição.

sábado, 11 de agosto de 2012

Paul Ryan é o escolhido

Confirmando os rumores cada vez mais consistentes dos últimos dias, Mitt Romney já escolheu o seu candidato vice-presidencial: o congressista Paul Ryan completará o ticket republicano nas eleições presidenciais de Novembro. Durante a madrugada, a campanha de Romney lançou o site romneyryan.com e, na manhã de hoje, os dois candidatos republicanos surgirão juntos num evento que servirá para oficializar a escolha de Romney.
Como já tinha referido, a opção Paul Ryan será sempre um pau de dois bicos para Romney. Por um lado, escolhe um político jovem (42 anos) e inovador, que é um dos principais pensadores do actual GOP e que excitará de igual modo as bases e o establishment do partido. Ao mesmo tempo, reveste de susbstância política e ideológica a sua campanha, muitas vezes acusada de ser inócua e de não apresentar propostas e soluções para o país.
Por outro lado, os planos de Ryan para o Medicare (tenciona transformar o programa num sistema de vouchers) poderão prejudicar as chances do ticket republicano junto do eleitorado independente. Não admira, por isso, que os democratas estejam a rejubilar pela escolha de Romney, começando já a caracterizar Paul Ryan como uma ameaça para a classe média norte-americana. Há ainda a possibilidade de o brilho de Paul Ryan (é um político dinâmico e capaz de cativar quem o ouve) ofuscar o estilo sóbrio e até algo "cinzento" de Romney.
A escolha de Paul Ryan como candidato vice-presidencial representa o primeiro grande acto audaz da campanha de Mitt Romney, que, até agora, não tinha corrido grandes riscos.  Já o timing da escolha parece perfeito, visto que nos últimos dias Barack Obama vinha a fugir nas sondagens, obrigando a campanha republicana a tomar uma atitude e a tornar-se, depois deste anúncio, o centro das atenções mediáticas da campanha presidencial. 
A partir de agora, com os quatro candidatos presidenciais conhecidos e a poucos dias do início das convenções nacionais, a disputa pela Casa Branca aumenta de intensidade. Todavia, o melhor é mesmo esperarmos alguns dias para percebermos o impacto que Paul Ryan provoca na corrida presidencial.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os últimos rumores sobre o VP de Romney

Deve estar por dias o anúncio do candidato vice-presidencial de Mitt Romney. Como é norma nestas alturas, têm-se sucedido os rumores sobre vários nomes que podem concorrer no ticket republicano. 
Ontem, no normalmente bem informado Drudge Report, foi notícia, baseado num suposto desabafo de Barack Obama a um angariador de fundos, de que podia ser o General David Petraeus o nomeado vice-presidencial do GOP. Todavia, parece-me que não será o herói do surge do Iraque a concorrer juntamente com Romney, apesar dessa ser uma ideia que assusta, e muito, a Casa Branca. Petraeus é um soldado e, como tal, deveria sentir alguns constrangimentos éticos ao ter de enfrentar e mesmo de criticar durante aquele que tem sido, nos últimos quatro anos, o seu Commander-in-Chief. Além disso, o General Petraeus, recentemente nomeado Director da CIA por Obama, teria dificuldades em explicar como aceitou um cargo tão conceituado e de tão alta responsabilidade numa Administração em que não acredita. Por isso, parece-me que o surgimento do nome de David Petraeus nas coagitações para a vice-presidência  é mais um acto de desinformação do que um rumor fundado.
Já hoje, tem-se falado com maior insistência no nome de Paul Ryan, congressista pelo Winsconsin, para possível running mate de Mitt Romney. Ryan é uma estrela em ascensão do Partido Republicano e a principal figura do GOP a nível de política fiscal. A sua escolha seria, sem dúvida, uma boa forma de Romney dar maior substância à sua candidatura, muitas vezes acusada de apresentar poucas ideias concretas para os Estados Unidos. Contudo, com Ryan no ticket presidencial, a campanha republicana tornar-se-ia rapidamente numa espécie de referendo ao Medicare, o popular programa de assistência de saúde aos idosos, e que Paul Ryan pretende reformar profundamente.
Petraeus e Ryan seriam escolhas arrojadas, sem dúvida. Porém, até ao momento, Romney tem apostado numa campanha by the book e sem correr grandes riscos. Assim, políticos como Rob Portman ou Tim Pawlenty têm uma maior probabilidade de serem os escolhidos. Até porque se costuma dizer que o principal critério para a escolha de um candidato vice-presidência é: first, do no harm.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Romney a vencer a batalha pelo dinheiro

Há nem tanto tempo quanto isso, quando se antevia a corrida pela Presidência dos Estados Unidos em 2012, um dado era praticamente adquirido: Barack Obama e os democratas teriam, à semelhança do que aconteceu há quatro anos, uma considerável vantagem financeira sobre o seu adversário republicano. Com uma enorme capacidade de angariar pequenas quantidades de contribuições monetárias oriundas de centenas de milhares de indivíduos, muitos deles jovens ou pertencentes a minorias e contando com uma aposta de sucesso nas novas tecnologias, Obama parecia fora de alcance, a nível financeira, para qualquer candidato do GOP.
Todavia, logo que a disputa pela nomeação republicana terminou, Mitt Romney demonstrou ser um formidável angariador de dinheiro, ultrapassando sucessivamente as receitas mensais dos democratas. Com base numa estratégia diferente, ou não fossem o seu eleitorado e grupo de apoiantes totalmente diferentes dos do Presidente, Romney conseguiu atrair avultadas contribuições de empresas e particulares do meio empresarial. Além disso, os seus Super PACs continuam a fazer entrar milhões de dólares em dinheiro de contribuições não sujeitas às restrições e ao controlo dos dólares que entram directamente na campanha e no Partido Republicano.
Ontem, foram divulgados os números das angariações de ambos os candidatos durante o mês de Julho e, uma vez mais, foi Mitt Romney quem conseguiu colectar mais dinheiro. Com 75 milhões de dólares (entre a sua campanha e o DNC), Obama ficou significativamente aquém dos 101 milhões angariados por Mitt Romney e o RNC. Continua, assim, a construir-se um cenário até há pouco tempo impensável, em que são os republicanos a dispor de uma maior capacidade financeira que é fundamental para uma campanha eleitoral norte-americana, onde é necessário distribuir recursos por vários Estados onde se disputa a eleição presidencial. Esta é, porém, uma realidade bem familiar para os democratas, habituados a serem os claros underdogs nesta corrida pelo dinheiro, que pode ser importante, mas não decidirá, por si só, quem será o vencedor na noite eleitoral de 6 de Novembro.