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terça-feira, 24 de maio de 2011

Arrumar a casa: Mitch Daniels e o Processo de Paz

A minha cadência de "posts" aqui, no Máquina Política, já teve melhores dias. Contudo, o volume de trabalho e o fim do semestre têm-me impedido de escrever com a regularidade que gostaria. Por isso, nos últimos dias, tenho deixado passar alguns temas que estão a marcar a agenda mediática norte-americana sem a devida referência. Dois deles, em especial, merecem a minha análise.
Em primeiro lugar, importa destacar as novidades relativas à campanha presidencial, onde o campo de candidatos republicanos se encontra cada vez mais definido. No passado Domingo, Mitch Daniels surpreendeu ao anunciar que não irá tentar obter a nomeação pelo GOP, devido ao "veto familiar" que o impediu de cumprir aquele que era o seu intento, ou seja, tentar chegar à Casa Branca. 
Com o Governador do Indiana fora da corrida, o establishment do Partido Republicano tem ainda menos por onde escolher. Assim, os principais beneficiados serão Tim Pawlenty, Mitt Romney e John Huntsman, todos ex-governadores e com os melhores contactos no seio do partido. Não será surpresa, porém, se nos próximos dias observarmos uma renovada pressão por parte das maiores figuras do Partido Republicano sobre nomes como Chris Christie ou Jeb Bush no sentido de os convencer a concorrerem, na medida em que a opinião geral é que, tal como está, o leque de candidatos republicanos é demasiado fraco.
Também o discurso de Barack Obama sobre o Médio Oriente tem dado muito que falar, em particular a sua defesa de uma solução de dois Estados, segundo as fronteiras de 1967, o que originou imediatas críticas da administração israelita, que, alegando que tal medida colocaria em causa a segurança do território israelita, fez saber que não aceitaria um acordo nesses termos. 
Depois do êxito que foi a eliminação de Bin Laden, Obama terá tentado manter a agenda política focada em questões de política externa, onde pode surgir como Commander-in-Chief e em tom presidencial. Para isso, escolheu um tema, o processo de paz, que todos os últimos presidentes americanos têm tentado resolver, mas sem sucesso. Todavia, Obama não ficou muito bem na fotografia, especialmente quando Benjamin Netanyahu, lado a lado com o Presidente americano, negou categoricamente a possibilidade de apoiar o plano de Obama. Também os republicanos, tradicionalmente pró-israelitas, foram rápidos a criticar o Presidente, tentando, porventura, cativar alguns votos entre a comunidade judaica nos EUA.
Com esta breve abordagem à desistência de Daniels e à (desastrada) tentativa de Obama em apresentar uma solução para a questão israelo-palestiniana no Médio Oriente, fica a Máquina Política menos desactualizada. As próximas semanas não serão fáceis, mas darei o meu melhor para ir escrevendo e comentando as mais recentes novidades do que for acontecendo do outro lado do Atlântico.

sábado, 14 de maio de 2011

O desejado

É mais que conhecida a insatisfação dos eleitores republicanos com o campo de candidatos do seu partido a destronarem Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos. Mas, além disso, também a estrutura partidária republicana não está propriamente muito contente com os nomes à sua disposição nas primárias do partido. Entre aqueles demasiadamente encostados à ala radical republicana, como Michelle Bachmann, os representantes do movimento libertário, como Ron Paul, candidatos pouco carismáticos, como Tim Pawlenty, ou ainda outros com tendência para a auto-destruição - Mitt Romney - o establishment do GOP não escolheu ainda o seu candidato preferido.
Haley Barbour, Governador do Mississipi e antigo líder da Associação de Governadores Republicanos, parecia ser um sério concorrente ao epíteto de favorito do establishment republicano. Contudo, o seu passado como "lobbysta" e alguns comentários raciais mais polémicos levaram-no a abdicar de uma candidatura à Casa Branca. Consequentemente, a estrutura republicana virou-se imediatamente para Mitch Daniels, Governador do Indiana e ex-Director do Office of Management and Budget, na Administração de George W. Bush.
Porém, Daniels tem-se mostrado algo renitente em avançar com uma candidatura em 2012. Ao que parece, a principal oposição à entrada na corrida vem mesmo da sua esposa, Cheri Daniels, que não quer ver a sua vida privada exposta na praça pública, em especial o facto de, nos anos 90, se ter separado do seu marido para casar com outro homem, apenas para, algum tempo depois, se juntar novamente a Mitch Daniels. Mas a vontade por parte do GOP em ter o Governador do Indiana na corrida é tanta que, segundo a CBS, até Laura Bush já ligou a Cheri para a convencer a apoiar a candidatura do seu marido. De acordo com a mesma notícia, Daniels contaria com apoios importantes, casos do já citado Haley Barbour, do Governador do Winsconsin, Scott Walker, e mesmo da actual super estrela do Partido Republicano, o Governador de New Jersey, Chris Christie.
Mitch Daniels poderia ser, de facto, um nome de peso nas primárias presidenciais republicanas. O apoio do establishment valeria-lhe, certamente, uma grande capacidade financeira e muitos nomes sonantes do seu lado. Além disso, Daniels é um político com experiência executiva e com elevadas credenciais no controlo orçamental. Contudo, é ainda pouco conhecido do grande público e o facto de ter aumentado impostos enquanto Governador do Hoosier state poderia trazer-lhe problemas junto do eleitorado republicano.
Apesar das virtudes e defeitos de Mitch Daniels, a sua presença na campanha e nos debates das primárias republicanas traria, certamente, um maior grau de credibilidade e seriedade ao processo de escolha do nomeado do partido que, por agora, é mais destacada pelas excentricidades de Donald Trump do que pelas ideias e programas dos candidatos já conhecidos. E isso explica em grande medida toda a pressão que o establishment do GOP tem exercido sobre o casal Daniels para que este se decida a favor de uma candidatura de Mitch à Presidência dos Estados Unidos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Daniels vs Huckabee: a antecâmara de 2012

A luta pela nomeação presidencial do Partido Republicano ainda não começou (pelo menos oficialmente), mas já há cisões entre dois potenciais candidatos a destronar Barack Obama da Casa Branca: Mike Huckabee e Mitch Daniels.
Huckabee, antigo governador do Arkansas e o candidato presidencial republicano que, em 2008, mais tempo resistiu à caminhada triunfal de John McCain, tem sabido manter-se debaixo dos holofotes mediáticos, com vista, talvez, a uma nova corrida presidencial em 2012. Já Mitch Daniels é um dos dark horses com melhores hipóteses de se intrometer com sucesso na luta pela nomeação do GOP, pois é um republicano moderado a nível social, com boas credenciais nas matérias económicas, com experiência executiva e que apresenta excelentes índices de popularidade no seu Estado.

Os dois proeminentes republicanos mantiveram uma relação pacífica até à semana passada, quando Daniels apontou a necessidade de o próximo presidente declarar tréguas em relação à discussão em torno de assuntos sociais, para dar prioridade às questões económicas. Porém, Huckabbe, um dos baluartes do conservadorismo social, veio publicamente discordar desta posição do seu colega de partido, catalogando Daniels como um dos republicanos que vêem os eleitores que priveligiam os valores tradicionais como sendo "single-minded".

Esta discórdia antecipa o debate entre duas facções do GOP que irão estar frente a frente nas primárias de 2012. De um lado, a ala mais conservadora, que poderá apresentar candidatos como o próprio Huckabee ou Sarah Palin, e que darão especial atenção e destaque aos assuntos sociais, como o aborto, os valores familiares ou o combate ao crime . Do outro lado, a ala mais moderada, de onde poderão sair concorrentes como Mitt Romney, Tim Pawlenty ou Daniels, e que prefirão abordar os problemas económicos que o país atravessa ou o aumento do tamanho e do peso do governo federal liderado por Obama.

Apesar de as primárias republicanas terem como alvo primordial o eleitorado mais conservador, o que, aparentemente, favorece os candidatos mais à Direita no espectro político, a história diz-nos que os eleitores do GOP costumam ser bastante pragmáticos no momento de escolherem o seu nomeado. Assim, no actual clima político e económico, parece-me que o segundo grupo terá bastantes mais hipóteses de conseguir pôr em perigo um segundo mandato do actual presidente.