Mostrar mensagens com a etiqueta Militares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Militares. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Commander-in-Chief

Durante a histórica campanha presidencial de 2008, um dos principais talking points de Hillary Clinton, durante as primárias democratas, e de John McCain, antes da eleição geral, foi acusar Barack Obama de ser inexperiente e até ingénuo nas questões de segurança nacional e relações externas. O anúncio red phone de Hillary marcou a campanha democrata e até Joe Biden, na altura já candidato vice-presidencial, assumiu que o mundo testaria Obama durante os primeiros seis meses da sua presidência. Assim, estas matérias eram consideradas uma liability para a campanha de barack Obama.
Contudo, actualmente, tudo mudou. Depois do modo como Obama actuou relativamente à presença norte-americana no Iraque e no Afeganistão, retirando do primeiro país para reforçar o investimento no segundo, depois de ter eliminado Osama Bin Laden e de, agora, ter participado no esforço da NATO que, com sucesso, conseguiu derrubar o ditador líbio Muammar al-Kadaffi, o Presidente dos Estados Unidos tem já um importante currículo em matérias de defesa e relações externas e dificilmente poderá por aí ser criticado pelos seus opositores republicanos na campanha para as eleições presidenciais de 2012. Alías, isso ficou bem evidente nas tímidas e defensivas reacções dos candidatos presidenciais republicanos após a queda de Kadaffi, cientes de que neste ciclo eleitoral não poderão utilizar a política externa como arma de arremesso ao candidato democrata.
Ainda assim, e para infortúnio de Barack Obama, não deverão ser estas questões a decidir o desfecho da eleição de 2012. As vitórias militares e de política externa, apesar de importantes, serão rapidamente esquecidas pelos norte-americanos enquanto a economia do país não sair da estagnação e o desemprego se mantiver em níveis tão elevados. As eleições de 1992 foram um exemplo disso mesmo, quando George Bush, saído de uma vitória retumbante sobre Saddam Hussein na primeira Guerra do Golfo, foi derrotado por um pouco conhecido Bill Clinton que tinha como lema de campanha o lendário It's the economy, stupid! Mas também durante a presidência de Obama ficou já demonstrada a volatilidade das vitórias externas, visto que a subida do Presidente nas sondagens, após a morte de Bin Laden, foi de curta duração.
Seja como for, não se pode desprezar o comportamento de Barack Obama enquanto líder das forças armadas norte-americanas e apesar de esses triunfos não lhe valerem de muito quando for altura de lutar pela sua reeleição, o 44º Presidente dos EUA provou, pelo menos, que um civil sem experiência militar é perfeitamente capaz de cumprir o papel de Commander in Chief.

terça-feira, 22 de junho de 2010

McChristal ataca a administração Obama

Estalou mais uma polémica para a administração Obama, desta vez envolvendo o meio militar. Como se já não bastassem os problemas com a economia, as duas guerras distantes e o desastre ambiental no Golfo do México, Barack Obama vê-se agora a braços com um possível caso de insubordinação de um dos seus mais altos responsáveis militares, uma questão sempre muito sensível.
O general Stanley McChrystal, o comandante das forças da NATO no Afeganistão, em declarações reproduzidas pela revista Rolling Stone, criticou o Presidente (e seu comandante-em-chefe) e outros membros da sua administração, como Joe Biden ou o National Security Adviser Jim Jones. McChristal acusou Obama de não estar preparado para a primeira reunião que teve consigo depois de assumir a presidência e foi ainda mais duro com Jim Jones, chamando-lhe "palhaço". O famoso general já veio a público pedir desculpas pelo sucedido, dizendo que errou e que sente respeito e admiração por Obama e a sua equipa de Segurança Nacional. Contudo, as suas declarações tiveram uma repercussão de tal modo forte que o presidente convocou de imediato McChristal para uma reunião na Casa Branca, onde terá de prestar contas por estas controversas afirmações.

São várias as vozes que já se fazem ouvir, exigindo a demissão do comandante americano no Afeganistão e, ao que parece, nem mesmo os militares irão sair em defesa de McChristal, dado tratar-se de um ataque sem precedentes (pelo menos recentes) de um militar no activo aos seus líderes civis. A má relação de McChristal e de Obama nunca foi segredo, mas esperava-se que o general, respeitando a instituição militar, muito conceituada nos Estados Unidos pela honra, disciplina e rígida cadeia de comando, se abstivesse de criticar abertamente os seus superiores. Assim, depois desta entrevista à Rolling Stone, McChristal pode muito bem ser a próxima pedra a rolar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

"Don't ask, don't tell" com fim à vista

Desde 1993, numa época em que era Bill Clinton a ocupar a Casa Branca, que o método utilizado pelas forças armadas americanas para lidar com os gays e lésbicas que se desejassem alistar era o famoso "don't ask, don't tell". Esta política veio permitir a essas pessoas servirem no Exército, Marinha ou Força Aérea dos Estados Unidos, pois apesar de a homossexualidade continuar a ser proibida nos meios militares, os recrutas já não eram obrigados a revelar a sua orientação sexual, nem os seus superiores podiam questioná-los sobre isso.
O "don't ask, don't tell", apesar de não ter representado, na altura, o avanço esperado pelas associações de gays, lésbicas e bissexuais, veio acabar com a "caça às bruxas" nas forças armadas. No fundo, a implementação desta medida é o exemplo paradigmático da governação de Bill Clinton, que representou uma espécie de terceira via à americana, moderada, centrista e procurando o compromisso entre liberais e conservadores.

Agora, o fim do "don't ask, don't tell" está em vias de ser revogado, o que pode acontecer já esta semana, esperando-se uma votação no Congresso que faça isso mesmo e acabe com a proibição de homossexuais nas forças armadas. A Casa Branca deu ontem o seu apoio e hoje foi a vez do Secretário da Defesa, Robert Gates, conceder a sua (pouco convicta) anuência. Apesar de algumas reservas dos meios militares, o fim do "don't ask don't tell" é apoiado por uma grande maioria dos americanos - mesmo entre o eleitorado conservador - que entende que as escolhas sexuais de cada um não devem ser motivo de impedimento para o serviço militar. Vejamos, então, se o Congresso concorda ou não com os seus constituintes.