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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mapa eleitoral - a minha previsão

Há quatro anos fui um verdadeiro Nate Silver e acertei no vencedor de 49 dos 50 Estados norte-americanos. Agora, volto a fazer uma previsão, ainda que me pareça que, desta vez, o mapa eleitoral é mais incerto e, como tal, mais difícil de prever. Com algumas dúvidas (principalmente na Florida, North Carolina e New Hampshire), aposto no seguinte mapa:
  
Teremos, assim, se estiver correcto, uma mulher na Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017 e Hillary Clinton será a 45ª presidente dos EUA. Quanto ao voto popular, prevejo uma vitória de Hillary por 4%, com 49% dos votos, contra 45% de Donald Trump. O candidato libertário Gary Johnson receberá 4%, falhando assim o seu objectivo (5%). Amanhã (ou na madrugada de Quarta-feira), veremos como me saí neste "totobola".

Os Estados a seguir

Devido ao sistema eleitoral das presidenciais norte-americanas, a corrida decide-se num punhado de Estados, os chamados swing states, ou, como eu prefiro, os battleground states. Com o grande dia a chegar, deixo aqui uma espécie de guia para os Estados que decidirão quem será o 45º presidente dos Estados Unidos.

New Hampshire - O swing state perfeito, sendo um Estado que replica, nos últimos anos, quase a 100%, o voto a nível nacional. Hillary Clinton parecia levar uma vantagem confortável no granite state, mas tem vindo a perder terreno, talvez pela subida nas sondagens do candidato libertário Gary Johnson, cuja votação neste Estado conhecido pelas suas tendências libertárias pode chegar aos 10%. A democrata ainda é a (ligeira) favorita, mas, numa eleição decidida ao milímetro, o New Hampshire pode muito bem vir a atribuir os 4 votos eleitorais decisivos. Toss up.

Pennsylvania - Desde 1992 que a história se repete. Os republicanos sonham sempre com a vitória neste Estado que este ano atribui 18 votos eleitorais, mas, no final, são sempre os democratas que levam a melhor. Em 2016, o GOP volta a apostar numa vitória na Pennsylvania como forma de derrubar a blue wall. Até ao momento, porém, Trump não liderou uma única sondagem e seria uma grande surpresa se ultrapassasse Clinton na noite de amanhã. Como este Estado não tem voto antecipado, o ground game será decisivo e os democratas terão de contar com uma grande afluência às urnas nas grandes cidades (principalmente em Philadelphia) de forma a contrariar a vantagem republicana nos meios suburbanos e rurais. Com a participação afro-americana em queda relativamente há quatro anos, esse poderá ser um problema. Ainda que Hillary seja claramente favorita, este é um Estado a seguir com atenção: se Trump vencer aqui, poderá mesmo estar a caminho da Casa Branca. Leaning Democrat.

Ohio - Este Estado, sempre altamente competitivo e disputado em eleições presidenciais, parece ter virado à direita neste ciclo eleitoral. Com um grande número de eleitores brancos de classe média, em especial de blue collar workers muito afectados pela crise económica de 2008 e pela fuga de empregos de manufactura para países com mão-de-obra mais barata, o Ohio é terreno fértil para o discurso populista de Trump. Assim, depois de ter votado duas vezes em Obama, é bem possível que o buckeye state seja "pintado" a vermelho na noite de amanhã, ainda que, nos últimos dias, as sondagens mostrem uma corrida equilibrada. O GOP parece em vantagem, mas, numa eleição muito renhida, o ground game pode ser decisivo e nisso os democratas são superiores. Toss up.

Michigan - Em 2008, o Michigan esteve na origem de uma polémica no seio da candidatura de John McCain, quando Sarah Palin se pronunciou contra a desistência da campanha neste Estado. Agora, em 2016, o cenário é quase inverso, com os democratas a terem de apostar forte num Estado que parecia decidido a seu favor. Apesar de as sondagens mostrarem uma corrida a apertar (com diferenças que chegam a apenas quatro pontos percentuais), é pouco crível que o Michigan vote em Trump. Porém, com os democratas a enviaram para o grate lake state todos os seus pesos pesados (a própria candidata, Obama e Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden), tudo indica que os seus números internos estão a preocupar os democratas. Leaning Democrat.

Iowa - Foi este o Estado que catapultou Barack Obama para a Casa Branca, depois da vitória do actual Presidente no caucus do Iowa. Todavia, e apesar de Obama ter vencido aqui em 2008 e 2012, tudo indica que, desta vez, os democratas sairão derrotados, já que Trump tem surgido constantemente na frente das sondagens do hawkeye state. De facto, o Iowa, com uma população quase exclusivamente branca e tradicionalmente rural, é um perfect match para o apelo de Donald Trump que deve amealhar aqui 6 votos eleitorais. Se amanhã o Iowa for equilibrado ou cair para Hillary Clinton, então é porque teremos uma vitória folgada da antiga Secretária de Estado. Leaning Republican.

North Carolina - Outrora um Estado fortemente republicano, a North Carolina é, agora, um verdadeiro swing state, tendo votado Obama em 2008 e em Romney há quatro anos. A forte imigração de jovens com elevada instrução para o Estado, conjugada com uma grande comunidade afro-americana e cada vez mais eleitores hispânicos, tem tornado o Estado cada vez mais democrata. Se Hillary vencer aqui, tem a eleição ganha, por isso este é um Estado obrigatório para Trum - Toss up.

Florida - O sunshine state é, por norma, o prémio mais apetecível nas eleições presidenciais. Com 29 votos eleitorais, a Florida, por si só, garante mais de 1/10 dos votos necessários para se chegar à Casa Branca. Tendo uma população muito heterogénea, fruto da elevada imigração para o Estado, a Florida é sempre um battleground state por excelência e é disputado ao máximo por ambas as partes. Se Hillary conseguir motivar a comunidade hispânica a votar e se conseguir imitar Obama e retirar o voto dos cubano-americanos (tendencialmente republicanos) a Trump, então será a próxima Presidente norte-americana, pois Trump não tem como substituir os votos eleitorais em disputa na Florida. Toss up.

Nevada - As sondagens mostram que o equilíbrio é a nota dominante no Estado dominado por Las Vegas. Contudo, os números do voto antecipado, contam outra história, já que a participação hispânica disparou e pode mesmo acontecer que este eleitorado venha a representar 20% do total, o que, por si só, deverá ser suficiente para Hillary conquistar estes 5 votos eleitorais. Harry Reid, o líder democrata no Senado, que se reforma este ano, montou uma poderosa máquina neste Estado, contando com a preciosa colaboração dos sindicatos dos trabalhadores dos casinos. Com um ground game muito superior, os democratas poder\ao levar vantagem. Leaning Democrat.

Arizona - Estive para não colocar o Arizona como um Estado decisivo, porque, normalmente, uma vitória de um democrata num Estado tradicionalmente republicano significaria um triunfo folgado no Colégio Eleitoral, com este Estado a ser apenas um extra. Todavia, o Arizona é um Estado especial porque a recuperação democrata neste Estado deve-se, quase exclusivamente, ao aumento da população hispânica e ao sucesso do Partido Democrata em registar os elementos desta comunidades como eleitores. Assim, é possível que, num cenário em que Donald Trump vença Estados do Este e do midwest com grandes maiorias brancas, Hillary Clinton alcance, ainda assim, o triunfo, com uma coligação de Estados com forte presença latina como o Colorado, o New Mexico, o Nevada e, claro, o Arizona. Ainda assim, Trump parte em clara vantagem. Leaning Republican. 

Quem quiser aprofundar um pouco mais esta questão, poderá consultar a minha dissertação de mestrado, precisamente sobre os Battleground States of America, disponível aqui.

domingo, 6 de novembro de 2016

Clinton segura a vantagem

A dois dias do dia em que a maioria dos norte-americanos vai depositar o seu voto (milhões já o fizeram através de voto antecipado), Hillary Clinton parece ter estancado a hemorragia e, agora, os seus valores nas sondagens a nível nacional estabilizaram numa vantagem curta mas sólida. Vejamos os números das sondagens publicadas hoje:

ABC/Washington Post - Clinton 48% - Trump 43%

Ipsos/Reuters - Clinton 44% - Trump 40%

UPI/CVOTER - Clinton 49% - Trump 48%

McClatchy/Marist - Clinton 46% - Trump 44%

Politico/Morning Consult - Clinton 45 %- Trump 42%

Nestas sondagens, o melhor que o candidato republicano consegue é ficar a um ponto percentual, com os estudos de opinião mais favoráveis à antiga Secretária de Estado a indicarem uma vantagem de Clinton que pode chegar aos 5%. Em 2012, as sondagens nacionais (na minha opinião, bem menos fiáveis do que as de nível estadual) subestimaram a votação de Obama. Se isso voltar a acontecer, então Hillary poderá ter um triunfo relativamente folgado. Contudo, e como costumam dizer os políticos, a sondagem que interessa só terá lugar na próxima Terça-feira.

sábado, 5 de novembro de 2016

Os últimos anúncios televisivos

Na recta final da campanha, as candidaturas de Hillary Clinton e Donald Trump divulgaram os seus últimos vídeos de publicidade eleitoral que passarão na internet e nas televisões dos battleground states. Enquanto o candidato do GOP apostou num anúncio negativo, atacando os poderes instalados de Washington e de Wall Street, a nomeada democrata preferiu terminar num tom positivo, apelando aos better angels dos norte-americanos. Dia 8 saberemos quem levou a melhor.

O estado da corrida


Depois do desastroso primeiro debate para Donald Trump e o escândalo gerado pela revelação das suas declarações em open mic sobre a sua relação com o sexo feminino, escrevi aqui que a candidatura do republicano estava perdida e que apenas uma grande surpresa impediria a vitória de Hillary Clinton. Agora, menos de um mês depois e apenas a três dias do dia decisivo, as sondagens voltaram a apertar e Trump parece estar novamente na corrida.
Ainda assim, e na minha opinião, Clinton continua a ser a grande favorita e vejo como muito difícil o triunfo de Donald Trump no voto popular, mas, mais importante ainda, no Colégio Eleitoral. Isto porque Hillary consolidou uma importante firewall de Estados que lhe permitem chegar, como se pode ver no mapa acima, a um número muito próximo dos 270 votos eleitorais necessários para ser eleita como a 45ª Presidente norte-americana. Ao aguentar os Estados tradicionalmente democratas (no Nordeste, na costa Oeste e no Midwest) e ao juntar-lhes os novos bastiões democratas na Virginia, New Mexico e Colorado, que, nos últimos anos viram as alterações demográficas fazerem passar estes Estados definitivamente para a coluna azul, Hillary Clinton fica apenas a dois votos do número mágico.
Ou seja, bastará à nomeada do Partido Democrata vencer qualquer um dos Estados toss-up - New Hampshire, North Carolina, Florida, Ohio, Iowa ou Nevada. E se no Ohio e no Iowa, Trump parece bem posicionado para garantir um triunfo (dois Estados com muitos blue collar workers, um grupo que apoia maioritariamente o candidato republicano), já no Nevada, na North Carolina e no New Hampshire é Hillary quem parte como favorita, estando a Florida num verdadeiro empate técnico. 
É verdade que os republicanos continuam a afirmar que têm hipóteses na Virginia (onde Clinton surgiu na frente de 28 das últimas 30 sondagens), no Colorado (um Estado com muitos jovens, eleitores com altos níveis de instrução e muitos hispânicos), na Pennsylvania (o blue state que é sempre "namorado" pelo GOP) e no Michigan (onde existem muitos blue collar workers, mas onde impera a indústria automóvel, salva pelos democratas), mas qualquer um destes Estados parece-me fora do alcance de Trump - ainda que os democratas pareçam algo preocupados com o Michigan (Clinton agendou mesmo uma visita de última hora a Detroit).
Por sua vez, os democratas também contam com alguns long shots, nomeadamente o Arizona, a Georgia e, em menor medida (e muito mais incerto, por falta de sondagens), o Alaska. Contudo, estas serão apostas de segunda linha para Hillary Clinton, que terá mais a ganhar em apostar as suas fichas nos Estados toss up, onde se decidirá a corrida, caso se confirmem os cenários de uma disputa muito equilibrada.
Curiosamente, não é totalmente descabido que nenhum dos candidatos chegue aos 270 votos eleitorais, num cenário de empate a 269 entre Hillary e Trump (com o republicano a vencer todos os toss up states, mas Hillary a vencer o voto do 2º distrito eleitoral do Maine), ou com o candidato independente Evan McMullin a amealhar a vitória no Utah e a impedir que os principais candidatos alcancem o número mágico de 270 votos. Nesse caso, a decisão passaria para a Câmara dos Representantes, que votaria por Estado e não por Congressista. Quer isto dizer que cada Estado teria um voto, votando de acordo com a maioria da sua delegação. Ou seja, tendo em conta o actual figurino da House, a vitória seria, quase de certeza, atribuída a Donald Trump, caso se confirmasse este cenário possível, mas improvável.

domingo, 9 de outubro de 2016

A derrota de Donald Trump

Estamos a praticamente um mês da noite eleitoral de 8 de Novembro que decidirá quem sucederá a Barack Obama na Casa Branca, mas, por esta altura, é já praticamente certo que Donald Trump não virá a ocupar a Sala Oval a partir de 20 de Janeiro do próximo ano., depois de um mês de Outubro que tem sido absolutamente devastador para a sua candidatura.
O início do fim de Trump terá começado no primeiro debate televisivo face a Hillary, onde finalmente ficou totalmente clara a sua completa falta de preparação para assumir o cargo de Presidente dos Estados Unidos. Face a uma adversária segura, com a lição bem estudada e com a atitude correcta perante um adversário intelectualmente inferior (não repetiu, por exemplo, o erro que Al Gore cometeu em 2000 ao demonstrar o seu menosprezo por George W. Bush), o candidato republicano limitou-se ao populismo e à demagogia, sendo incapaz de desenvolver minimamente uma qualquer ideia política. Além disso, e ao contrário do que sucedeu em muitos dos debates das primárias republicanas, Trump não conseguiu desferir ataques certeiros de forma a destabilizar a sua adversária. Pareceu sempre na defensiva e sem argumentos para a antiga Secretária de Estado, além de ter, novamente, ofendido uma mulher e de se ter gabado de não pagar impostos.
A vitória de Hillary no primeiro debate foi de tal forma clara que, nos dias seguintes, Clinton disparou nas sondagens, deixando Trump, que, até esse ponto, tinha vindo a recuperar terreno, a cerca de 5% de distância. Contudo, a reacção de The Donald à sua derrota no debate serviu como que para atirar mais lenha para a fogueira. Desde de falar em problemas no microfone causados intencionalmente, passando por críticas ao moderador (que fez um excelente trabalho), até novos insultos a mulheres, tudo serviu ao candidato presidencial do GOP para desculpabilizar pelo seu fiasco.
Depois, veio a lume uma investigação do New York Times, que indiciou que Donald Trump poderá não ter pago impostos federais durante 18 anos, por ter apresentado, em 1995, um prejuízo de quase mil milhões de dólares. Esta narrativa parecia vir confirmar o rumor lançado por Hillary Clinton no debate, quando esta afirmou que Trump não divulgava as suas declarações de impostos com medo de duas coisas: ou de mostrar que afinal não é tão rico como gosta de afirmar ou de provar que esteve largos anos sem pagar impostos. 
Contudo, o pior ainda estava para vir e, na Sexta-feira, veio a público uma gravação de Donald Trump, em 2005, a fazer comentários nada abonatórios sobre, pasme-se, mulheres. Nesta conversa, agora tornada pública, o magnata do imobiliário confessava assediar mulheres casadas e dizia que tudo era permitido a uma figura pública como ele. Nas últimas horas, as consequências de mais este caso têm sido dramáticas para a candidatura de Trump. Vários republicanos de nomeada (como John McCain ou Kelly Ayotte) vieram retirar o seu apoio ao nomeado do partido e muitos insiders pedem mesmo a sua desistência, algo que não sucederá - devido à personalidade do próprio candidato (antes quebrar que torcer) e por motivos logísticos (neste momento, já muitos norte-americanos, incluindo o próprio Obama, já votaram antecipadamente).
Agora, a não ser que algo de catastrófico suceda à candidatura de Hillary Clinton, é certo que será a concorrente democrata a vencer a eleição presidencial de 8 de Novembro. Apesar de não ser uma candidata perfeita, longe disso, Hillary tem gerido uma campanha serena, profissional e altamente competente. Com larga vantagem financeira e organizativa, a antiga Primeira-Dama seria sempre favorita no cenário de uma corrida equilibrada. Assim, com uma vantagem considerável nas sondagens e o seu adversário em queda livre nos estudos de opinião e acossado pelo seu próprio partido, é de esperar um landslide que "coroe" Hillary Clinton como a 45ª Presidente dos Estados Unidos. Para Trump, que glorifica os vencedores e abomina os vencidos, a noite da sua derrota deverá ser especialmente agonizante.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Super Tuesday: a noite democrata

Foi uma noite morna a da Super Tuesday de ontem no que diz respeito às primárias do Partido Democrata. No cômputo geral, e como se esperava, Hillary Clinton conseguiu uma sólida vitória, amealhando sete dos onze Estados em jogo, entre eles o maior prémio em jogo, o Texas, e o Massachussetts, que Bernie Sanders contaria conquistar para a sua coluna. A estes dois, Hillary juntou o Arkansas (onde foi Primeira-Dama, quando Bill Clinton foi Governador), o Alabama, a Georgia, o Tennessee e a Virginia. Por seu lado, Bernie Sanders ganhou nos caucuses do Colorado e Minnesota, no seu Estado do Vermont e no Oklahoma - aqui, de forma algo surpreendente e evitando o pleno de Hillary no Sul. 
Já se sabia que iria ser uma noite complicada para Sanders, que fez bem em baixar as expectativas da sua candidatura no que dizia respeito à Super Tuesday, mas é difícil de ver um caminho viável que leve o Senador do Vermont até à nomeação presidencial democrata. Até agora, Hillary venceu 10 das 15 eleições realizadas, tem uma vantagem esmagadora em termos de superdelegados e apoio da estrutura partidária, conta com os votos das minorias e dos blue collar workers e pode fechar a contenda ainda este mês.
Bernie Sanders, que tem vencido caucuses, formato que favorece a sua campanha, por contar com apoiantes organizados e entusiastas, conta ainda com muito dinheiro no banco (os últimos números de dinheiro angariado superam mesmo os da sua adversária) e deverá permanecer na corrida durante mais algum tempo. A vitória no Oklahoma amenizou o desaire sofrido a Nordeste, no Massachussetts, e permite-lhe dizer que não foi derrubado pela Super Tuesday. Ainda assim, e como já começou a dizer no discurso de ontem, a sua campanha é mais do que a eleição de um presidente, mas sim o forjar de um movimento liberal (ou socialista), porventura fazendo à Esquerda o que o Tea Party fez pelo movimento conservador.
Bernie Sanders, por ter tido um desempenho surpreendente e conseguido cativar milhares de eleitores, em especial jovens e com elevados níveis de escolaridade, será sempre uma figura a ter em conta no Partido Democrata e Hillary Clinton, ciente disso, não forçará a desistência do seu antigo colega no Senado e deverá passar mensagens de paz e união para a campanha de Sanders. Porque, agora, é já claro para a Hillaryland que a ex-Secretária de Estado será a nomeada democrata e terão de começar a pensar no grande desafio que os espera, em Outubro, quando tiverem de enfrentar o candidato escolhido pelos republicanos. 
Em resumo, a Super Tuesday não foi o ponto final parágrafo na corrida democrata, mas terá sido, ainda assim, um dos últimos capítulos decisivos antes do desfecho há muito aguardado: a vitória da super favorita Hillary Clinton.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Hillary vira a página

Hillary Clinton alcançou ontem a sua primeira grande vitória nas primárias presidenciais do Partido Democrata. Na Carolina do Sul, 73,5% dos eleitores votaram na antiga Primeira-Dama, deixando Bernie Sanders a quase 50 pontos percentuais de diferença, naquilo que foi uma vitória a que nos norte-americanos gostam de chamar de landslide.
E foi, de facto, um triunfo esmagador para Clinton, que já havia vencido no Iowa e no Nevada, mas sempre por margens pouco consonantes com o favoritismo que a candidatura da ex-Secretária de Estado sempre reuniu. Mas ontem, num Estado com uma grande presença de eleitores afro-americanos, Hillary conseguiu uma verdadeira demonstração de força, provando que o eleitorado negro, que a havia abandonado há oito anos por causa do carácter histórico da candidatura de Barack Obama, continua a confiar na marca Clinton. 
Por outro lado, Bernie Sanders, não conseguiu fazer chegar a sua mensagem aos eleitores afro-americanos, tendencialmente menos propensos a serem seduzidos por discursos idealistas como o do Senador do Vermont do que, por exemplo, os jovens universitários do Iowa. Para eles, Sanders é um perfeito desconhecido, enquanto que Hillary Clinton tem já uma história junto dos negros norte-americanos, desde os tempos em que defendeu o Movimento dos Direitos Civis e, principalmente, devido aos anos da presidência do seu marido. Bill Clinton chegou mesmo a ser apelidado de "o primeiro presidente negro da história" e a popularidade dos Clinton tem-se mantido, desde essa altura, em alta junto dos afro-americanos.
Com esta vitória esmagadora na Carolina do Sul, Hillary Clinton pode virar a página no que tinha sido o livro das primárias até agora, em que tinha ficado aquém das expectativas. Na Super Tuesday, dos 11 Estados que vão a votos, 7 são do Sul, com grande presença de eleitores afro-americanos. Assim sendo, e tendo a Carolina do Sul como amostra, tudo aponta para uma grande noite de Hillary que poderá tornar-se, já nessa noite de 1 de Março, como a presumível nomeada democrata, começando a apontar baterias para a eleição geral do Outono.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Donald vs Hillary?

Realiza-se hoje, na Carolina do Sul, as primárias do Partido Democrata nesse Estado, ficando concluída a ronda pelos early states, Iowa, New Hampshire, Nevada e South Carolina, que costumam ser determinantes na nomeação dos candidatos presidenciais dos dois grandes partidos norte-americanos. Em 2016, manteve-se essa tradição e deveremos chegar à Super Tuesday, do próximo dia 1 de Março, com dois grandes favoritos: Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, e Donald Trump, pelo GOP.
Depois da grande vitória de Bernie Sanders no New Hampshire, a campanha do Senador pelo Vermont perdeu algum gás e Hillary garantiu uma vitória (ainda que por curta margem) no Nevada e prepara-se para obter um triunfo folgado na primária de hoje na Carolina do Sul. Assim, tudo indica que a ex-Secretária de Estado vai chegar à Super Tuesday com três vitórias contra apenas uma de Bernie Sanders. 
A 1 de Março, com muitos Estados sulistas, uma zona onde os Clinton sempre foram fortes, a irem a votos, Hillary poderá garantir uma vantagem em delegados suficiente para se tornar, logo aí, a presumível nomeada democrata. Será também importante perceber como vota, na Super Tuesday, o Massachussetts, Estado vizinho do Vermont e bastante liberal. Se Hillary conseguir derrotar Sanders no seu próprio terreno, então a corrida estará mesmo terminada. 
E se a disputa no lado democrata parece começar a desequilibrar-se a favor daquela que era apontada desde o início como a grande favorita, já na ala republicana estamos perto de assistir a uma enorme surpresa. Donald Trump, o magnata do imobiliário nova-iorquino, garantiu vitórias na Carolina do Sul e no Nevada, o que, juntamente com o triunfo no New Hampshire, constitui um hat trick que o torna o frontrunner na disputa pela nomeação presidencial republicana.
Confesso que nunca levei muito a sério a candidatura de Trump, e só a partir do New Hampshire comecei a perceber que The Donald pode mesmo ir até ao fim e ser o adversário de Hillary Clinton em Novembro. Agora, porém, parece claro que a nomeação de Trump é perfeitamente possível e, se calhar, até provável. Aproveitando-se do enorme descontentamento dos eleitores republicanos com o establishment do seu partido e de um enorme leque de candidatos que dispersou o voto dos eleitores tradicionais, Donald Trump explorou todos os seus trunfos e qualidades, fazendo uma campanha baseada na sua notoriedade, usando e abusando de frases bombásticas e até disparatadas, garantindo tempo de antena e concentrando em si todas as atenções, retirando espaço aos políticos de carreira e levado a narrativa da campanha para longe dos temas políticos, que não domina.
No último debate, Trump foi alvo de todos os ataques, com Ted Cruz e Marco Rubio, os adversários que restam (Ben Carson continua na corrida, mas é um non factor), a unirem esforços contra o líder da corrida. Terá sido a primeira vez que Donald Trump se sentiu verdadeiramente acossado nos debates televisivos. Sofreu alguns duros golpes (em especial de Rubio), mas, ainda assim, não foi ao tapete. 
Ontem, no dia seguinte ao debate, Trump conseguiu imediatamente recuperar dos eventuais danos que havia sofrido no debate, com o anúncio do apoio de Chris Christie à sua candidatura. O actual Governador de New Jersey e ex-candidato presidencial (desistiu após o New Hampshire) tornou-se no primeiro grande nome do establishment republicano a apoiar o bilionário de New York. No mesmo dia, também Paul LePage, Governador do Maine, declarou o seu endorsement a Trump, o que demonstra que algumas figuras do GOP começam a perceber que Donald Trump será o vencedor das primárias e querem ser os primeiros a escolher o "cavalo" vencedor, com todo o significado que isso poderá ter, mais tarde, quando o nomeado tiver de escolher o seu vice-presidente ou, caso seja eleito, o seu cabinet.
Numa corrida tradicional, com as vitórias já amealhadas por Trump e com a vantagem que tem nas sondagens, Donald seria já o presumível nomeado republicano. Contudo, já vimos que esta é tudo menos uma corrida tradicional. Marco Rubio recuperou depois do péssimo debate no New Hampshire e conseguiu o segundo lugar na Carolina do Sul e no Nevada. O establishment republicano tem-lhe dado o seu apoio e Mitt Romney, porventura a maior figura actual do GOP, já anunciou o seu endorsement ao Senador da Florida. Ainda assim, Rubio não conseguiu subir o suficiente nas sondagens para destronar Donald Trump e, ainda por cima, os Estados que vão a votos na Super Tuesday não lhe são muito favoráveis. Por isso, precisará de minimizar os danos a 1 de Março e vencer as primárias da Florida e do Ohio, a 15 de Março se quiser manter vivas as suas hipóteses.
Ted Cruz ainda se mantém na corrida, mas, na Carolina do Sul, nem sequer conseguiu ser a primeira escolha do eleitorado evangélico, o seu grande alvo. E se, nesse Estado do Sul, com eleitores profundamente conservadores, o Senador do Texas não foi além do terceiro lugar, não vejo que rumo possa Cruz tomar em direcção à nomeação. Talvez a sua melhor opção seja manter-se o mais tempo possível na corrida, de forma a ganhar notoriedade e a estabelecer uma marca junto dos eleitores conservadores, com vista a uma segunda candidatura presidencial.
Mas não vale a pena adiantarmo-nos muito nas previsões, porque, como já vimos, tudo pode acontecer e as coisas, em política, mudam muito depressa. Veremos como corre, hoje, a primária democrata na Carolina do Sul e, na Terça-feira, a Super Tuesday. Depois disso, já podemos tirar melhores conclusões sobre quem irá disputar a Casa Branca na eleição geral do Outono. Contudo, se tivesse, neste momento, de apostar o meu dinheiro, teria de dizer que teremos um embate entre Hillary Clinton e Donald Trump. Quem diria...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Iowa falou

Está dado o primeiro passo rumo à escolha do 45º Presidente dos Estados Unidos. Ontem (esta madrugada em Portugal), os eleitores do Iowa compareceram em números recordes (170 mil pessoas apenas no lado republicano) ao caucus e deram a primeira vitória deste ciclo eleitoral a Ted Cruz. Na corrida democrata, temos, até ver, um empate, ainda que, numa altura em que ainda não se conhecem os resultados definitivos, tenha uma minúscula vantagem sobre Bernie Sanders. Sem mais demoras, aqui ficam os resultados:

Partido Democrata
Hillary Clinton - 49,9%
Bernie Sanders - 49,5%
Martin O'Malley - 0,6%

Partido Republicano
Ted Cruz - 27,7%
Donald Trump - 24,3%
Marco Rubio - 23,1%
Ben Carson - 9,3%
Rand Paul - 4,5%
Jeb Bush - 2,8%
Carly Fiorina - 1,9%
John Kasich - 1,9%
Mike Huckabee - 1,8%
Chris Christie - 1,8%
Rick Santorum 1,0%
Jim Gilmore - 0%

No lado democrata, como se esperava, tivemos uma corrida muitíssimo equilibrada e que ainda não está totalmente decidida, mas em que Hillary parece levar vantagem. Estranhamente, Clinton declarou vitória (ou quase), sem que esse desfecho fosse conhecido na altura ( e ainda não o é). Ou os números internos da sua campanha lhe davam uma vantagem que não se veio a verificar, ou se trata de um táctica pouco ortodoxa por parte da ex-Secretária de Estado, já que uma eventual reviravolta nos resultados tornaria o cenário ainda pior para Hillary, que cairia no ridículo de perder uma eleição em que tinha declarado vitória. 
Seja quem for o vencedor final, isso apenas contará em termos de spinning por parte das campanhas, porque o resultado será sempre, na prática, um empate, ainda que HIllary deva conseguir mais delegados do que o Senador do Vermont. Com este resultado, a presumível nomeada democrata sustém o primeiro golpe de Bernie Sanders e ganha algum oxigénio para suportar a derrota esperada no New Hampshire, a acreditar nas sondagens que dão a Sanders uma larga vantagem no Granite State, cuja primária se realiza de hoje a oito dias. Quanto a Martin O'Malley, teve uma votação inexpressiva e já suspendeu a sua campanha.
Na disputa republicana, o destaque tem de ir para a vitória de Ted Cruz que aguentou a forcing final de Donald Trump, que o havia ultrapassado o senador do Texas nas sondagens, e conseguiu uma importante vitória num Estado em que apostou todas as suas fichas. Até há cerca de um mês, Cruz era o grande favorito a vencer no Iowa, mas uma forte investida de Trump e a subida de Marco Rubio prejudicaram os seus números. Com este triunfo, Cruz ganha momentum para melhor encarar o New Hampshire.
Donald Trump, que até obteve um bom resultado, não deixa de sair como derrotado, até porque no dia de ontem afirmou, no seu tom característico, que iria obter uma grande vitória. Por não ter sabido jogar o jogo das expectativas, Trump sai mal na fotografia e perdeu algum ímpeto e a aura de winner que sempre apontou a si próprio. 
No último lugar do pódio ficou Marco Rubio, que superou as expectativas e confirmou a tendência de subida que lhe apontavam recentemente. Com um excelente terceiro posto, muito perto de Trump, o senador da Florida assume-se como um sério candidato à nomeação presidencial e ofusca todos os outros candidatos mais tradicionais.
Em quarto lugar, Ben Carson até conseguiu um melhor resultado do que esperava, mas, com a sua campanha em clara perda, não deverá ser um verdadeiro contender nesta corrida. Ainda assim, ficou bem à frente de candidatos mais conhecidos e de quem se espera muito mais. Rand Paul teve um fraco resultado, ficando à frente de Jeb Bush (que teve uns ridículos 2,8% dos votos), de John Kasich e de Chris Christe, que passaram ao lado do Iowa e esperam fazer melhor no New Hampshire.
Os restantes candidatos confirmaram que não farão história nestas eleições e estarão de saída da corrida. Mike Huckabee e Rick Santorum, os últimos vencedores do caucus do Iowa não conseguiram melhor que 1,8% dos votos e o ex-Governador do Arkansas já suspendeu mesmo a sua campanha. Carly Fiorina e Jim Gilmore são, também, irrelevantes.
Todos os candidatos - aqueles que se mantiverem na corrida - terão agora uma semana para apresentar o seu caso perante os eleitores do New Hampshire. A primária decorrerá na próxima Terça-feira e fará uma nova selecção, clarificando, ou assim se espera, a corrida. Quanto ao Iowa, (e porque este será um Estado importante na eleição geral), vemo-nos no Outono!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Hillary a tentar evitar que 2008 se repita

Há oito anos como agora, Hillary Clinton era a grande favorita a conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Democrata. Contudo, um terceiro lugar no Iowa, perdendo para um surpreendente Barack Obama e para um John Edwards que cedo cairia em desgraça, fez soar os alarmes na Hillaryland e acabaria por marcar o início do fim das hipóteses da antiga Primeira-Dama nesse ciclo eleitoral.
Desta vez, Clinton é novamente vista como uma a inevitável nomeada democrata, mas voltou a ver a sua suposta imbatibilidade ser posta em causa por um improvável Senador. Em 2016, é Bernie Sander que com uma campanha em muito semelhante à de Obama (pela mensagem de mudança do status quo e pelos eleitores que atrai - principalmente os jovens) ameaça Hillar pela sua Esquerda. 
No New Hampshire, Bernie Sanders está bem lançado para derrotar a ex-Secretária de Estado, mas, no Iowa, Hillary tem surgido à frente nas sondagens e conta derrotar o Senador do Iowa para evitar que este ganhe momentum e que se diga que it's 2008 all over again. Até porque, de facto, 2016 não é em nada semelhante com a eleição de há oito anos. Sanders é um candidato mais marginal do que Obama (auto-denomina-se um democrata socialista, uma denominação com uma conotação muito negativa nos Estados Unidos), ao contrário do actual Presidente não conseguiu apoios no establishment do Partido Democrata e não tem um aparelho montado a nível nacional como aquela formidável estrutura que apoiava Obama em 2008.
Apesar disso, Bernie Sanders montou uma eficaz campanha, concentrando-se nos dois primeiros Estados das primárias, o Iowa e o New Hampshire, com uma mensagem populista anti-Wall Street que vale cada vez mais votos e com uma aposta nos grassroots que o levou a encher comícios com vários milhares de apoiantes entusiastas um pouco por todo o lado onde passou. Com isso, tornou-se uma ameaça para Hillary Clinton que se viu forçada a gastar mais tempo e dinheiro nos early states do que aquilo que eventualmente gostaria. 
Hoje, na véspera do início das primárias, percebe-se que é muito possível que Sanders consiga mesmo uma dupla vitória no Iowa e no New Hampshire, algo impensável até há pouco tempo atrás. Ainda assim, e mesmo que isso seja um grande contratempo para Hillary, é pouco provável que não seja a esposa de Bill Clinton a nomeada democrata, já que, ao contrário do seu principal adversário, conta com uma estrutura a nível nacional que lhe permitirá recuperar rapidamente dos desaires que possa sofrer nas primeiras contendas. Além disso, conta com o apoio em peso de todo o seu partido, o que lhe garante, à partida, uma grande vantagem nos superdelegados, que podem decidir a corrida caso esta seja muito equilibrada. Finalmente, é inegável que Hillary Clinton é uma das mais bem preparadas candidatas presidenciais da história do país, como recordou o New York Times no editorial em que anunciou o seu apoio à antiga Senadora do Estado de New York.
Assim, deveremos assistir a uma interessante disputa na fase inicial das primárias democratas, a começar já amanhã, no Iowa. Com as sondagens a mostrarem os dois adversários muito próximos, é difícil prever quem vencerá. O formato de caucus pode favorecer Bernie Sanders, cujos apoiantes se encontram muito motivados, mas Hillary conta com o apoio do eleitorado mais moderado e com um nome reconhecido por praticamente 100% dos eleitores.
Seja como for, e ao contrário do que sucede do lado republicano, parece-me que o Iowa não será decisivo na escolha do nomeado democrata para a corrida à Casa Branca. Isto porque, como expliquei atrás, parece-me muito improvável que Bernie Sanders consiga mais do que retardar a vitória de Hillary. Até porque o Senador do Vermont terá como principal objectivo obrigar Clinton a "manter-se honesta" na sua campanha, ou seja, fazer com que a presumível nomeada se mantenha ancorada a um discurso mais liberal (leia-se, de Esquerda) do que seria previsível caso não tivesse oposição nas primárias democratas.
Falta falar de Martin O'Malley, ex-Governador do Estado do Maryland, cuja campanha nunca descolou e que tem tido números insignificantes nas sondagens. À espera de um milagre que lhe permita obter oxigénio para se manter na corrida, O'Malley parece remetido para a irrelevância nestas eleições. 

Para o fim, fica a minha previsão para amanhã. Se não houver surpresas, acredito que Hillary ganhará, mas com uma curta margem para Bernie Sanders. O'Malley não deverá passar dos 3%.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hillary is getting started

Como era esperado, Hillary Clinton anunciou, ontem, o início oficial da sua candidatura à Casa Branca. Com uma mensagem no Twitter e este vídeo, com o título Getting Started, a grande favorita a selar a nomeação pelo Partido Democrata arrancou a sua campanha presidencial. Um anúncio simples e discreto, mas que termina com anos de indefinição sobre a candidatura presidencial da política mais conhecida, mas também mais controversa, dos Estados Unidos. Agora sim, já podemos dizer que a campanha presidencial de 2016 está lançada.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agenda em dia

Depois de umas merecidas férias, o Máquina Política está de regresso. Durante o período de descanso, muito se passou do lado de lá do Atlântico. Mas vamos por partes:

EUA atacam o ISIS - Depois de dois jornalistas norte-americanos terem sido decapitados pelo Islamic State in Iraq and Syria (ISIS), Barack Obama decidiu agir e, num discurso transmitido em directo pelas principais cadeias dos Estados Unidos, anunciou o seu plano para combater o ISIS, grupo radical que controla já grande parte do Iraque e da Síria. O Presidente informou os cidadãos norte-americanos que os ataques aéreos da Força Aérea dos Estados Unidos já em vigor no território iraquiano serão alargados a regiões da Síria ocupadas pelo ISIS. Além disso, Obama anunciou ainda que colocará mais conselheiros militares norte-americanos no terreno e que aumentará o apoio financeiro e militar às autoridades iraquianas e curdas que combatem o Estado Islâmico. Contudo, Barack Obama frisou que o conjunto de acções agora implementado não contempla o envio de tropas combatentes norte-americanas.
Estas novas medidas são a resposta de Obama ao choque sentido pela opinião pública dos Estados Unidos após a divulgação dos vídeos das decapitações dois dois jornalistas. Contudo, o 44º Presidente norte-americano está numa situação muito delicada, pois sempre defendeu a retirada do Iraque e, agora, está, de facto, a regressar àquele território para uma nova guerra de desgaste sem um fim à vista. Na verdade, este pode ter sido um momento decisivo para o legado de Obama que chegou ao poder como aquele que acabaria com o fim da presença norte-americana no Médio Oriente, mas que pode, como o seu antecessor, deixar a Casa Branca com um conflito em aberto e que terá de ser resolvido pelo seu sucessor.

Eleições intercalares - A menos de dois meses das eleições intercalares, as notícias não podiam ser piores para os democratas. Com uma maioria na Câmara dos Representantes a ser uma mera possibilidade matemática, está também cada vez mais complicada a tarefa do partido de Obama para manter a maioria no Senado. Se as eleições fossem hoje,  segundo tanto Nate Silver como Larry Sabato, o mais provável é que o GOP alcançasse o controlo da câmara alta do Congresso, relegando os democratas para a oposição. 
Nesse caso, o mais provável é que os dois últimos anos do mandato presidencial de Obama fossem praticamente irrelevantes no sector legislativo, dado que sem apoio do Congresso, será praticamente impossível para um presidente relativamente impopular conseguir amealhar apoios para qualquer peça legislativa de relevo (como, por exemplo, a reforma da imigração).

Corrida presidencial - Do lado democrata, não há novidades. Hillary Clinton continua a ser a presumível nomeada democrata e a antiga Primeira-Dama regressará, este Domingo, ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos nas primárias presidenciais. Esta será a primeira vez que Hillary se desloca ao Hawkeye State desde que, em Janeiro de 2008, foi surpreendentemente derrotada por Barack Obama (e também por John Edwards). Tudo indica que a ex-Secretária de Estado entrará mesmo na corrida, isto apesar de ter anunciado esta semana que apenas tomará uma decisão no início do próximo ano. Com todos os outros democratas de peso (que não são assim tantos como isso) a colocarem-se de fora das contas presidenciais para 2016 devido à presença de Clinton, o Partido Democrata não receberia nada bem uma decisão negativa da sua grande estrela quanto à sua candidatura à Casa Branca.
Do lado republicano, o destaque vai para Ted Cruz e para Rand Paul. O primeiro continua a dar mais indicações quanto à sua candidatura presidencial, com o seu chefe de gabinete a deixar esse cargo para assumir maiores responsabilidades políticas (leia-se, eleitorais). Todavia, o Senador pelo Texas foi também notícia pela negativa: numa gala organizada por um grupo de cristãos do Médio Oriente, Cruz abandonou o palco onde discursava, após as suas declarações vincadamente pró-Israel terem sido recebidas pela audiência com fortes vaias. Já em relação ao segundo é praticamente certo que será um candidato presidencial e as suas constantes presenças no New Hampshire, o primeiro Estado a realizar primárias indiciam que o Granite State será o centro da sua estratégia. Ora, tal facto não é surpreendente ou não fosse o eleitorado republicano do New Hampshire um dos mais favoráveis a candidaturas de candidatos com raízes libertárias, como se comprova pelo excelente resultado obtido, em 2012, por Ron Paul (pai de Rand), com 23% dos votos, apenas atrás do vencedor, Mitt Romney.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Hillary distancia-se de Obama

Há já poucas dúvidas em relação à presença de Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, em 2016. Nas últimas semanas, a antiga Secretária de Estado tem-se comportado como uma concorrente presidencial e tudo indica que, em alguma altura do próximo ano, a esposa de Bill Clinton anunciará a sua candidatura ao cargo de Presidente dos Estados Unidos.
Com uma larga vantagem em todos os estudos de opinião sobre as primárias democratas e (ainda) sem um vislumbre de adversário nas eleições do seu partido, Hillary parece estar já a "piscar o olho" ao eleitorado independente, sempre fundamental numa corrida presidencial. Isso ficou evidente, nos últimos dias, com o distanciamento da ex-Senadora em relação a Barack Obama, Presidente e seu antigo patrão no que diz respeito à política externa. Ao dar a entender que considera que Obama tem sido demasiado prudente nas assuntos internacionais ("não fazer coisas estúpidas não é um princípio organizador"), Clinton está a querer transmitir que defende uma postura mais interventiva e agressiva dos Estados Unidos no mundo, algo que deve soar bem aos ouvidos dos eleitores independentes e até republicanos.
Hillary foi especialmente incisiva na questão da Síria, onde afirmou que foi o "falhanço" norte-americano em ajudar os rebeldes sírios no início da sua revolta contra o Presidente Assad que levou à ascensão do ISIS, movimento extremista islâmico que ameaça agora o Iraque. Além disso, mostrou-se totalmente alinhada com Israel e com Netanyahu, querendo mostrar que o seu nível de comprometimento com o aliado norte-americano é superior ao da Administração Obama (o que cai sempre bem entre o importante eleitorado judaico nos Estados Unidos).
Esta foi a primeira vez que Hillary Clinton se demarcou publicamente do líder do seu país (e do seu partido). Apesar de ter sido um desalinhamento educado e não muito "sonoro", a verdade é que não deixa de ser relevante e indicativo das intenções da mais conhecida política norte-americana. Sendo Obama um presidente relativamente impopular, é normal que Hillary se veja obrigada a distanciar-se de forma a não ser tão afectada pela má imagem do presidente democrata. Contudo, depois de ter servido como Secretária de Estado de Obama durante quatro anos, é inevitável a colagem de Hillary ao Chefe de Estado norte-americano e, certamente, os republicanos usarão isso para atacar Clinton durante uma eventual campanha presidencial. Veremos se isso será suficiente para afastar Hillary Clinton da Casa Branca. 

P.S. - Por diversos motivos, o Máquina Política tem estado inactivo. Tentarei, dentro dos possíveis, retomar reactivar a máquina e voltar a colocá-la a laborar a 100%.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A inevitabilidade de Hillary Clinton

Estamos ainda a três anos das próximas eleições presidenciais norte-americanas, que terão lugar no dia 8 de Novembro de 2016. Contudo, parece que os ciclos eleitorais começam cada vez mais cedo e a sucessão de Barack Obama já dá que falar, independentemente da grande distância a que nos encontramos da eleição que se adivinha muito interessante.
Inevitavelmente, o primeiro nome que vem à baila quando se discutem as eleições de 2016 é o de Hillary Clinton. Hoje, a antiga Primeira-Dama, Senadora e Secretária de Estado é, sem margem para dúvidas, a preferida entre os democratas para concorrer à Casa Branca. E é fácil de perceber porquê: com uma capacidade financeira invejável, Hillary tem um currículo que fala por si e não há ninguém, em qualquer dos lados (nem Joe Biden), com tão vasta experiência política. Com um reconhecimento nacional praticamente nos 100% e com a sua popularidade em máximos de sempre, a esposa de Bill Clinton é a clara favorita para conseguir a nomeação democrata.
Cientes de que Hillary é a sua melhor candidata para manterem a Casa Branca, os democratas têm feito um forte lobby para assegurar que a antiga Senadora de Nova Iorque entra mesmo na corrida. Senão vejamos: muitas figuras de peso do partido têm clamado por Hillary Clinton (Charles Schumer foi a última voz a levantar-se a seu favor); existe até uma petição a pedir a sua candidatura presidencial e, na semana passada, soube-se de uma carta secreta em que as senadoras democratas terão alegadamente encorajado Hillary a concorrer.
Apesar do actual tom consensual à volta de Hillary Clinton, é preciso não esquecer que, num passado não muito distante, a ex-Primeira-Dama era uma das figuras mais polarizantes da política norte-americana. Mesmo durante as primárias de 2008, Hillary, apesar de favorita, tinha um elevado índice de opiniões negativas sobre si. Só mais tarde, com a sua actuação na liderança da diplomacia dos Estados Unidos, é que a sua imagem se suavizou e alcançou números bem mais positivos. Ainda assim, é previsível que, quando (e se) entrar na corrida, o regresso à política partidária e os ataques da campanha terão efeitos negativos na sua imagem. Além disso, o estado de saúde da antiga Secretária de Estado levanta algumas preocupações, o que, aliado à sua idade (terá 69 anos em 2016), pode prejudicar as suas hipóteses numa longa e desgastante campanha. Finalmente, pode ainda sofrer o problema de carregar o nome Clinton, o que, não obstante a popularidade do seu marido, pode levar os eleitores norte-americanos a temerem uma nova dinastia política, depois das poucas saudades que deixaram os dois presidentes da família Bush.
Mas, pesados os prós e os contras, Hillary Clinton tem nas próximas eleições uma excelente oportunidade para se tornar a primeira Presidente dos Estados Unidos. E, ao que tudo indica, irá mesmo tentar chegar à Casa Branca, a julgar pela sua marcada presença no circuito de palestras norte-americano, onde vai ensaiando a mensagem a utilizar numa eventual campanha. A confirmar-se a sua candidatura, a vitória de Hillary é possível e até provável. Todavia, é melhor não afirmarmos que é inevitável, porque já se sabe como isso resultou em 2008.

quarta-feira, 27 de março de 2013

À espera de Hillary

Com a agenda política dos Estados Unidos pouco activa (apesar da expectativa em redor da decisão do Supremo Tribunal sobre a constitucionalidade da proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo na California), qualquer political junkie que se preze é levado a desviar a sua atenção para o próximo ciclo eleitoral. Como as intercalares de 2014 são de menor importância em relação às presidenciais de 2016, é natural que a próxima corrida pela Casa Branca mereça prioridade e se comece a antever a sucessão de Barack Obama.
E, neste momento, a grande questão que domina as atenções é a eventual candidatura de Hillary Clinton. No Partido Democrata, as primeiras movimentações de possíveis candidatos estão como que congeladas, com as principais figuras "presidenciáveis" a esperarem para ver o que fará Hillary Clinton. Se a antiga Secretária de Estado decidir mesmo concorrer à presidência, então é provável que o campo de candidatos se reduza drasticamente, já que o favoritismo de Hillary é de tal ordem que poucos pensam ser possível derrotá-la. Aliás, há mesmo quem considere que a esposa de Bill Clinton, caso venha a entrar na campanha, será a mais forte frontrunner de sempre numa eleição presidencial. 
Contudo, também em 2008 Hillary Clinton era tida como a presumível nomeada democrata e sabemos hoje como isso resultou para ela. Ainda assim, é preciso ter em conta que a ex-Primeira Dama é, neste momento, muito mais consensual na sociedade americana do que há cinco anos, quando era uma figura muito polarizadora. Além disso, é pouco provável que volte a surgir um candidato como Barack Obama, que faça sonhar os americanos e o mundo com o seu carisma e a sua capacidade oratória. 
Assim sendo, parece evidente que, neste momento, o Partido Democrata (e também, pelo menos em parte, o GOP) está em suspenso à espera do primeiro movimento por parte de Hillary. Se concorrer, será, em circunstâncias normais, quase imbatível nas primárias democratas. Já no que diz respeito à eleição geral, será outra conversa, porque estará sempre muito dependente do que suceder durante o que resta da presidência de Obama. Caso os democratas cheguem a 2016 com uma boa imagem, então tudo se conjugará para que Hillary Clinton cumpra o seu sonho de se sentar na Sala Oval. Se o conseguir, tornar-se-á não somente a primeira mulher a assumir a presidência norte-americana, mas também a personalidade com o mais rico currículo político de sempre:  Primeira-Dama (não deixa de ser um cargo político e Hillary foi uma First Lady particularmente activa), Senadora, Secretária de Estado e, finalmente, Presidente dos Estados Unidos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

John Kerry sucederá a Hillary

Barack Obama anunciou formalmente que nomeará o Senador John Kerry para suceder a Hillary Clinton como Secretário de Estado norte-americano. Esta era a escolha anunciada, depois de Susan Rice, alegadamente a primeira escolha de Obama, ter saído da corrida para a liderança da diplomacia dos Estados Unidos, devido à polémica levantada pelo Partido Republicano relativamente à forma como Rice lidou com os acontecimentos em Benghazi.
Kerry, Senador pelo Massachusetts desde 1985, Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado nos últimos quatro anos e candidato presidencial democrata em 2004, é uma opção segura e lógica por parte do Presidente dos Estados Unidos. Aliás, já em 2008, após a primeira vitória de Obama, John Kerry havia sido apontado como presumível Secretário de Estado. Todavia, na altura, e de forma surpreendentemente, a escolha acabou por recair em Hillary Clinton, a grande adversária de Obama nas eleições primárias desse ciclo eleitoral. 
Esta notícia é também positiva para os republicanos que, além de terem conseguido derrubar Susan Rice, têm ainda a oportunidade de recuperar um lugar no Senado. Isto porque com a saída de Kerry da câmara alta, terá de se realizar uma eleição especial para substituir o futuro Secretário de Estado. Ora, o principal favorito para suceder a Kerry é precisamente um republicano. Scott Brown, que perdeu o seu lugar no Senado nas últimas eleições para a democrata Elizabeth Warren, tem todas as possibilidades de recuperar o seu lugar numa eleição especial, com uma afluência às urnas muito inferior àquela que se observa quando as eleições para o Senado coincidem com as eleições presidenciais, como foi o caso de 2012. 
Assim, e dado que John Kerry é mais do que qualificado para o cargo de Secretário de Estado, tudo indica que a sua confirmação pelo Senado será rápida e pouco atribulada, dado que a sua nomeação para o Departamento de Estado agrada aos dois partidos e, claro está, ao próprio Kerry que tem, desta forma, a oportunidade de fechar com chave de ouro uma distinta carreira política.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quem será o próximo Secretário de Estado?

Há já muito tempo que Hillary Clinton afirmou que, caso Barack Obama fosse eleito para um segundo mandato, não quereria ser reconduzida como Secretária de Estado. Ao que tudo indica, a antiga Primeira-Dama não mudou de ideias e, por isso, o Presidente norte-americano estará à procura de um novo líder para a diplomacia dos Estados Unidos.
No topo da shortlist de candidatos ao lugar estará provavelmente John Kerry. Já em 2008, Kerry havia sido dado como certo na chefia do Departamento de Estado, mas, no último momento, Obama preferiu a sua rival das primárias, Hillary Clinton. Desta vez, o Senador pelo Massachusetts e candidato presidencial em 2004 volta a partir na frente da disputa por um dos lugares mais desejados em Washington. Contudo, as hipóteses de Kerry podem ser prejudicadas pelo facto de a sua escolha ter como efeito colateral a abertura de uma vaga no Senado e, consequentemente, a marcação de uma eleição especial, que podia muito bem ser aproveitada pelo republicano Scott Brown (que falhou, há dias, a sua reeleição, tendo sido derrotado por Elizabeth Warren) para voltar à câmara alta.
Se a escolha não recair no Senador John Kerry, então é bem possível que seja a actual Embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, a conseguir o cargo. Rice, uma veterana da administração Clinton é uma das preferidas de Obama a sua experiência nas relações internacionais pode valer-lhe o Departamento de Estado. Todavia, seria uma opção mais polémica por parte do Presidente, já que Susan Rice tem estado debaixo de fogo nos últimos tempos, tendo sido muito criticada no rescaldo do incidente na Líbia, de que resultou a morte de quatro americanos, incluindo o Embaixador Christopher Stevens. 
Outra escolha segura e pouco surpreendente para o lugar seria a nomeação de Tom Donilon, actual National Security Advisor de Obama. Esta seria uma opção considerada tradicional, já que é comum que os principais conselheiros de Segurança Nacional do Presidente sejam promovidos ao posto de Secretário de Estado. No passado mais recente, tivemos, por exemplo, os casos de Henry Kissinger e de Condoleeza Rice.
Contudo, se Obama quiser surpreender, pode optar por escolher um republicano para o cargo. Dessa forma, estaria a dar um sinal evidente e concreto de que deseja, no seu segundo mandato, alcançar uma relativa paz política com a oposição, patrocinando o bipartidarismo que apregoou durante a sua primeira campanha eleitoral. Se seguir este caminho, nomes como Jon Huntsman e Richard Lugar deverão estar em cima da mesa. Huntsman, antigo Govenador do Utah e candidato presidencial em 2012, já serviu na actual Administração como Embaixador na China e poderia estar disposto a trabalhar sob as ordens de Obama, o que até poderia ser uma boa forma de preparar terrenos para uma eventual nova corrida até à Casa Branca. Já o Senador Lugar, que este ano perdeu o seu lugar no Senado, derrotado nas primárias republicanas por um candidato ultra conservador que contou com o apoio do Tea Party, conquistou a amizade de Obama quanto estiveram juntos no Congresso e, como Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado, tem as credenciais certas para o lugar (passe o trocadilho).
Estes são alguns dos nomes que têm sido falados para suceder a Hilary Clinton no Departamento de Estado norte-americano. Não obstante, é sempre possível que Obama surpreenda e escolha alguém que não foi aqui referido. Seja como for, não deverá demorar muito a saber-se quem é o nomeado do Presidente que terá ainda de ser confirmado no Senado. Por isso, o melhor é mesmo aguardarmos pela decisão do Presidente.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary e Christie na frente para 2016 (!)

Pode parecer estranho que, a mais de seis meses das eleições presidenciais de 2012, já haja empresas norte-americanas a realizar sondagens sobre a eleição seguinte, em 2016. Contudo, nos Estados Unidos, há sondagens sobre tudo e mais alguma coisa e, por isso, não admira assim tanto que a Public Policy Polling (PPP) tenha divulgado ontem um estudo sobre as preferências dos eleitores de ambos os partidos para a corrida à Casa Branca de daqui a quatro anos.
De acordo com esta sondagens, Hillary Clinton e Chris Christie são os favoritos a obter a nomeação, respectivamente, do Partido Democrata e do Partido Republicano. E se no caso dos democratas, a actual Secretária de Estado tem mesmo, uma vantagem demolidora sobre o segundo classificado, o Vice-Presidente Joe Biden, já no lado republicano a corrida parece bem mais equilibrada, com o Governador de New Jersey a surgir na frente, ainda que com curta vantagem sobre Jeb Bush e Mike Huckabee.
A tão grande distância de 2016 estes resultados pouco ou nada significam a tão grande distância e reflectem mais o nível de familiaridade dos eleitores com os nomes apresentados do que uma verdadeira intenção de voto. Todavia, são uma curiosidade que delicia qualquer political junkie que se preze. Em baixo, os resultados completos desta sondagem da PPP.

Partido Democrata

Hillary Clinton: 57%
Joe Biden: 14%
Elizabeth Warren: 6%
Andrew Cuomo: 5%
Russ Feingold: 3%

Partido Republicano

Chris Christie: 21%
Mike Huckabee: 17%
Jeb Bush: 17%
Rick Santorum: 12%
Marco Rubio: 10%
Paul Ryan: 7%
Rand Paul: 4%
Bobby Jindal: 3%