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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um país dividido

A decisão de Evan Bayh em não se recandidatar a um terceiro mandato como senador do Indiana tem provocado um verdadeiro furacão político nos Estados Unidos. Esta opção surpreendente, por parte de um político centrista, levanta questões sobre o estado actual do panorama político-partidário no país do Tio Sam.

Actualmente, assiste-se a uma maior polarização entre democratas e republicanos e este extremar de posições tem consequências para os políticos moderados, como Bayh, que são obrigados a "desviarem-se" mais para a esquerda, no caso dos democratas, ou mais para a direita, se forem republicanos. Assim, o centro perde espaço e tende a desaparecer em favor das alas mais duras e doutrinárias.

E este facto não se verifica apenas no Partido Democrata. Também no lado republicano se assiste ao mesmo fenómeno. Em Novembro do ano passado, vimos como a candidata do GOP a um lugar de Representante pelo Estado de Nova Iorque foi ultrapassada pela direita por um concorrente conservador. Em 2010, candidatos moderados do GOP também não terão a vida facilitada. Exemplos disso mesmo são John McCain, que enfrenta um opositor nas primárias, ou o Governador da Florida, Charlie Crist, que deverá mesmo perder o lugar para um republicano mais conservador, Marc Rubio.

Este clima fraccionário afecta, também, o presidente. Obama, na sua vencedora campanha presidencial, apontou ao centro e tentou ser abrangente, o que lhe valeu o apoio da esmagadora maioria do eleitorado independente e mesmo de alguns republicanos mais moderados. Mas, agora, é atacado pela direita, que o acusa de ter uma agenda demasiadamente liberal, e por alguns sectores da ala mais esquerdista do seu próprio partido que o acusam de não estar a ser suficientemente ambicioso nas suas propostas.

Costuma dizer-se que é no meio que está a virtude. Se este ditado for verdade também na política, então os americanos terão razões para estarem preocupados , já que o seu país parece cada vez mais dividido politicamente.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Surpresa: Evan Bayh retira-se

Explodiu hoje uma bomba na política dos Estados Unidos. O Senador Evan Bayh, eleito pelo Estado do Indiana, vai anunciar hoje que não irá tentar a reeleição no acto eleitoral de Novembro.
Bayh, um democrata centrista, que esteve na shortlist para ser o vice-presidente de Obama, dá mais uma péssima notícia aos democratas que terão, desta forma, grandes dificuldades em manter este lugar no Senado. O Indiana, onde Obama ganhou, em 2008, por escassa margem, é, historicamente, um Estado tendencialmente republicano. Apesar disso, Bayh era o grande favorito para vencer a eleição e surgia nas sondagens com uma vantagem confortável para os potenciais concorrentes do GOP.

Ainda não se sabem as razões que levaram Evan Bayh a tomar esta decisão. O senador, com 54 anos e há 12 no Senado, é um político em ascensão no Partido Democrata e as suas ideias moderadas podiam fazer dele uma figura reconciliadora no panorama político actual, muito polarizado e dividido entre liberais e conservadores.

Este inesperado anúncio pode suscitar especulações em relação a uma eventual candidatura de Bayh em 2012, desafiando Obama e atacando o Presidente pelo centro. Não seria um caso virgem - Bobby e Teddy Kennedy desafiaram Johnson e Carter - mas seria inesperado e, a meu ver, com poucas probabilidades de sucesso. Esta decisão de Bayh vem é, certamente, tornar ainda mais negro o cenário dos democratas para as eleições intercalares deste ano.