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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os democratas apostam tudo no Senado

A menos de nove meses das eleições intercalares, as atenções começam a virar-se para as várias corridas que terão lugar um pouco por todo o território dos Estados Unidos. Ainda assim, nesta altura, o centro das decisões eleitorais ainda se mantém em Washington, à medida que os diversos candidatos vão angariando os tão necessitados fundos financeiros para as suas campanhas e que as estruturas partidárias vão alinhavando estratégias para alcançar o melhor resultado possível nas eleições do dia 4 de Novembro.
No Partido Democrata, a estratégia escolhida começa a ser evidente: com fundos e recursos limitados, os líderes e estrategas democratas apontam baterias para o Senado, deixando as corridas para a Câmara dos Representantes para segundo plano. Nos últimos tempos, esta táctica tem sido evidente e abertamente discutida em público, com muitos dos maiores financiadores do Partido Democrata a revelarem que a liderança do partido tem solicitado que concentrem as suas doações em eleições para a câmara alta. 
O rumo escolhido pelos democratas parece lógico. Se há um ano atrás, após a derrota republicana no shutdown, parecia possível os democratas estarem na luta pela reconquista da Câmara dos Representantes, agora, com o deterioração da imagem do Presidente Obama, a situação é bem diferente e os democratas têm poucas hipóteses de voltarem a ser a maioria na câmara baixa. De facto, o redesenho dos distritos eleitorais está actualmente tão desequilibrado a favor dos candidatos republicanos que, mesmo que os democratas consigam  uma percentagem total de votos nacionais para a House superior a dois pontos percentuais (como apontam as previsões actuais), isso não será suficiente para o Partido Democrata eleger mais congressistas que o GOP.
Assim, os democratas preferem ir all in nas corridas para o Senado, de modo a aumentarem as suas hipóteses de manter a maioria na câmara alta, já que a derrota nas duas câmaras significaria o fim de facto da presidência Obama, que ficaria sem qualquer possibilidade de interferir na agenda doméstica, ficando relegado para a política externa, quase que como um Secretário de Estado com o Air Force One só para si.
Contudo, nem essa estratégia é garantia de sucesso, já que o cenário em 2014 é muito desfavorável para o Partido Democrata. Dos 36 assentos no Senado em discussão no próximo Outono, 21 deles são actualmente ocupados por democratas, com apenas 15 na posse de republicanos.
Entre os 21 lugares democratas, os lugares em disputa no South Dakota, no Montana e na West Virginia estão muito inclinados para o lado republicano, ao passo que outras seis corridas  (Michigan, Arkansas, Alaska, Iowa, Louisiana e North Carolina) estão actualmente muito equilibradas. Por seu lado, o GOP tem apenas dois lugares em jogo, no Kentucky e na Georgia. Curiosamente, o primeiro corresponde precisamente a Mitch McConnell, o líder da minoria republicana no Senado, que, apesar da sua posição de liderança, é altamente impopular no seu Estado e pode muito bem não conseguir a reeleição.
Ora, como o Partido Democrata conta com 55 senadores face aos 45 republicanos, o GOP necessita de ganhar seis assentos aos democratas para se afirmar como a maioria no Senado. Se segurar os seus dois lugares no Kentucky e na Georgia e se se confirmarem as vitórias republicanas no South Dakota, no Montana e na West Virginia, o Partido Republicano fica a apenas três assentos de conquistar a maioria do Senado, que podem ser alcançada se vencer em três das seis corridas actualmente muito renhidas.
Fica, por isso, demonstrado que a conquista da maioria no Senado pelos republicanos é um cenário possível e que alguns consideram até provável num ano que se espera favorável para os candidatos do GOP. Todavia, é preciso não esquecer que em todos as eleições para o Senado desde 2006 os candidatos democratas à câmara alta do Congresso superaram as expectativas e alcançaram resultados acima do esperado. Será que em 2014 isso voltará a acontecer ou teremos um Congresso totalmente republicano? Teremos de esperar para ver.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As duras tarefas de Obama em 2014

Já começa a dar que falar a eleição presidencial de 2016, momento em que os norte-americanos escolherão o sucessor da Barack Obama à frente dos destinos dos Estados Unidos. Contudo, quase três anos nos separam desse marcante acontecimento e o actual ocupante da Casa Branca tem ainda mais de metade do seu mandato pela frente. Ora, a segunda metade do último mandato de um Presidente é normalmente caracterizada por uma perda de influência e de capacidade interventiva do Chefe de Estado que se torna um Lame Duck. Para Obama, este é um problema ainda maior, dado que o primeiro ano deste seu segundo mandato, o período em que teria, em teoria, mais margem para conseguir realizações importantes, foi marcado pela polémica em torno da implementação do programa que ficou conhecido como Obamacare, que ofuscou todos os outros temas e manchou de tal modo a sua imagem que impediu Obama de perseguir outros objectivos.
Agora, Barack Obama tenta recuperar o domínio da narrativa política, de forma a recuperar a opinião pública a tempo de alcançar ainda vitórias que marquem a sua passagem pela Casa Branca, com natural destaque para uma muito aguardada reforma da imigração. O discurso do Estado da Nação, marcado para daqui a duas semanas, é a oportunidade ideal para o fazer. Contudo, um discurso eficiente perante o Congresso não chegará para colocar Obama de novo nas boas graças da opinião pública. Com a reforma do sistema de saúde no centro das atenções, os democratas se podem dar ao luxo de ignorar o tópico. Assim, Obama e os membros do seu partido começam agora a fazer um novo pressing, tentando "vender" a sua mais importante vitória legislativa aos norte-americanos. Para serem bem sucedidos, é essencial que os problemas com o site do Obamacare sejam totalmente resolvidos, pois só assim poderão acalmar as críticas ao programa.
Finalmente, e mesmo que tudo isto seja alcançado por Barack Obama, chegará o mais decisivo dos objectivos para este ano: as eleições intercalares. Apesar de o Presidente não ir a votos nas eleições de Novembro, a verdade é que os seus dois últimos anos enquanto Presidente muito dependerão dos resultados desse momento eleitoral, já que uma vitória republicana em toda a linha, que significasse uma maioria nas duas câmaras do Congresso, teria um efeito devastador para o Presidente.Se, neste momento, quando ainda não é um Lame Duck e ainda conta com uma maioria democrata no Senado, Obama já sente enormes dificuldades em fazer avançar as suas iniciativas legislativas, então, no período final da sua estadia Casa Branca, com o GOP a controlar o Congresso, seria um Presidente isolado e totalmente paralisado.
Por isso, Obama e o Partido Democrata sabem que têm de se agarrar com unhas e dentes ao controlo do Senado, já que a recuperação da maioria na Câmara dos Representantes é algo muito difícil de ser conseguido. Acontece que o cenário é muito complicado para os democratas, que contam com 21 assentos  na câmara alta em jogo, contra apenas 14 do lado republicano. Além disso, muitos dos lugares democratas em jogo estão em perigo de trocarem de mãos, enquanto que os do GOP estão, maioritariamente, mais seguros na coluna vermelha. Desta forma, os democratas terão de jogar principalmente à defesa, defendendo a sua maioria de 55 senadores, sendo certo que perderão pelo menos alguns deles.
Assim sendo, em 2014, Barack Obama terá, simultaneamente, de conseguir voltar a controlar a narrativa política, recuperar a sua popularidade (e do "seu" Obamacare) aos olhos dos eleitores, tentar alguma vitória legislativa e evitar uma derrota eleitoral, empenhando-se no trilho da campanha (onde a sua presença for benéfica, claro) e na angariação de fundos em prol dos candidatos democratas. Será, certamente, um ano duro e trabalhoso para Obama. Falta saber se será também um ano bem sucedido.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A inevitabilidade de Hillary Clinton

Estamos ainda a três anos das próximas eleições presidenciais norte-americanas, que terão lugar no dia 8 de Novembro de 2016. Contudo, parece que os ciclos eleitorais começam cada vez mais cedo e a sucessão de Barack Obama já dá que falar, independentemente da grande distância a que nos encontramos da eleição que se adivinha muito interessante.
Inevitavelmente, o primeiro nome que vem à baila quando se discutem as eleições de 2016 é o de Hillary Clinton. Hoje, a antiga Primeira-Dama, Senadora e Secretária de Estado é, sem margem para dúvidas, a preferida entre os democratas para concorrer à Casa Branca. E é fácil de perceber porquê: com uma capacidade financeira invejável, Hillary tem um currículo que fala por si e não há ninguém, em qualquer dos lados (nem Joe Biden), com tão vasta experiência política. Com um reconhecimento nacional praticamente nos 100% e com a sua popularidade em máximos de sempre, a esposa de Bill Clinton é a clara favorita para conseguir a nomeação democrata.
Cientes de que Hillary é a sua melhor candidata para manterem a Casa Branca, os democratas têm feito um forte lobby para assegurar que a antiga Senadora de Nova Iorque entra mesmo na corrida. Senão vejamos: muitas figuras de peso do partido têm clamado por Hillary Clinton (Charles Schumer foi a última voz a levantar-se a seu favor); existe até uma petição a pedir a sua candidatura presidencial e, na semana passada, soube-se de uma carta secreta em que as senadoras democratas terão alegadamente encorajado Hillary a concorrer.
Apesar do actual tom consensual à volta de Hillary Clinton, é preciso não esquecer que, num passado não muito distante, a ex-Primeira-Dama era uma das figuras mais polarizantes da política norte-americana. Mesmo durante as primárias de 2008, Hillary, apesar de favorita, tinha um elevado índice de opiniões negativas sobre si. Só mais tarde, com a sua actuação na liderança da diplomacia dos Estados Unidos, é que a sua imagem se suavizou e alcançou números bem mais positivos. Ainda assim, é previsível que, quando (e se) entrar na corrida, o regresso à política partidária e os ataques da campanha terão efeitos negativos na sua imagem. Além disso, o estado de saúde da antiga Secretária de Estado levanta algumas preocupações, o que, aliado à sua idade (terá 69 anos em 2016), pode prejudicar as suas hipóteses numa longa e desgastante campanha. Finalmente, pode ainda sofrer o problema de carregar o nome Clinton, o que, não obstante a popularidade do seu marido, pode levar os eleitores norte-americanos a temerem uma nova dinastia política, depois das poucas saudades que deixaram os dois presidentes da família Bush.
Mas, pesados os prós e os contras, Hillary Clinton tem nas próximas eleições uma excelente oportunidade para se tornar a primeira Presidente dos Estados Unidos. E, ao que tudo indica, irá mesmo tentar chegar à Casa Branca, a julgar pela sua marcada presença no circuito de palestras norte-americano, onde vai ensaiando a mensagem a utilizar numa eventual campanha. A confirmar-se a sua candidatura, a vitória de Hillary é possível e até provável. Todavia, é melhor não afirmarmos que é inevitável, porque já se sabe como isso resultou em 2008.

sábado, 19 de outubro de 2013

Que futuro para o GOP depois do shutdown?

Na passada Quarta-feira, democratas e republicanos chegaram finalmente a um entendimento que levou ao fim do shutdown e trouxe a normalidade de volta a Washington e aos Estados Unidos. O acordo foi originalmente anunciado pelos líderes do Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell e, mais tarde, o Senado votava esmagadoramente a favor do acordo para retomar o financiamento do governo federal, com apenas 18 senadores (todos republicanos) a votarem contra o fim do shutdown. De seguida, também a Câmara dos Representantes aprovou o acordo, com os votos favoráveis de todos os democratas e 87 republicanos (144 congressistas do GOP votaram contra).
16 dias depois, chegou ao fim, pelo menos por agora, um longo e desgastante impasse que provocou grandes tumultos políticos e económicos na nação norte-americana. Contudo, o acordo agora alcançado não resolve o problema do orçamento federal, limitando-se a adiar o debate para daqui a cerca de três meses. Nessa altura, democratas e republicanos terão de chegar a um novo entendimento para que o o governo continue a funcionar.
Ainda assim, um novo shutdown deverá estar fora da mesa, já que os republicanos não quererão repetir a receita que, desta vez, lhes trouxe tantos dissabores. De facto, este frente-a-frente foi altamente prejudicial para o Partido Republicano, que saiu da crise como o grande derrotado. Considerados pela opinião pública como os principais responsáveis pelo shutdown e sem terem conseguido ganhar nada com a sua tomada de posição, os republicanos estão agora numa posição muito fragilizada e terão de correr atrás do prejuízo causado pela sua actuação ao longo da crise que agora termina.
Em sentido inverso, os democratas e Barack Obama em particular estão a ser caracterizados como os vencedores do despique. É um facto que conseguiram obrigar os republicanos a ceder sem "entregar" nada ao outro lado. Todavia, não é totalmente claro que o Presidente dos Estados Unidos tenha ganho alguma coisa com esta sua vitória. Isto porque é bem possível que, após esta derrota, os republicanos se tornem ainda mais intransigentes e ainda menos dispostos a negociar com Obama e com os democratas. E isso pode inviabilizar quaisquer novas conquistas legislativas da Casa Branca durante este segundo e último mandato de Barack Obama. A reforma da imigração, cuja aprovação no Congresso parecia, há uns meses atrás, parecia praticamente inevitável, pode ser a grande prejudicada e arrisca-se a ficar na "gaveta".
Contudo, a estratégia a seguir pelos republicanos é ainda um pouco dúbia e deverá depender do resultado da batalha interna pelo controlo do partido que se trava actualmente no seio do GOP. De um lado, os republicanos mais radicais, liderados pelos políticos mais próximos do Tea Party e, do outro, os membros do GOP mais moderados. No Congresso, essa disputa tem sido vencida pelos mais radicais e a liderança republicana, constituída principalmente por políticos mais próximos do centro, tem tido enorme dificuldade em controlar as suas bancadas, hoje em dia sob grande influência dos Tea Party. 
Ora, a posição demasiado intransigente dos republicanos do Congresso tem levado à contínua degradação da imagem do partido a nível nacional. As últimas sondagens colocam os a aprovação do trabalho dos congressistas republicanos por parte dos eleitores nos níveis mais baixo de sempre e mostram os democratas a fugir nas intenções de voto para as eleições intercalares de 2014. Assim sendo, e apesar de faltar ainda mais de um ano para este momento eleitoral, tudo aponta para que os republicanos não tenham um 2014 tão positivo como esperariam.
Em suma, o GOP atravessa, hoje, um mau momento, com o extremismo da ala mais conservadora e a impopularidade dos seus membros do Congresso a arrastarem o partido para o fundo. Assim, e com as presidenciais de 2016 cada vez mais perto, aquilo que os republicanos precisam desesperadamente a precisar é de encontrar um líder moderado, que não tenha sido "tocado" pelos vícios de Washington e que tenha experiência de governação. Neste momento, quem encaixa que nem uma luva nesta descrição é, claro está, Chris Christie.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Obamacare: a luta continua

A passagem de uma história lei que reformou o sistema de saúde norte-americano foi a maior vitória do primeiro mandato de Barack Obama na Casa Branca e constituirá, muito provavelmente, o principal marco da presidência do antigo Senador pelo Illinois. A aprovação do Affordable Care Act, nome oficial da legislação que ficou mais conhecida como Obamacare, foi em Março de 2010, mas hoje, três anos e meio depois, continua ainda no centro da discussão política dos Estados Unidos.
Esta semana, esteve em destaque o Senador republicano Ted Cruz, que discursou, de forma ininterrupta, durante mais de 21 horas, no Senado, utilizando uma espécie de filibuster para evitar que a câmara alta do Congresso, dominada pelos democratas, votasse para derrubar uma proposta aprovada pela Câmara dos Representantes, sob controlo republicano, que retiraria os fundos governamentais necessários para a manutenção do Obamacare.
Ted Cruz, eleito em 2012 pelo Estado do Texas, é uma figura em ascenção no GOP e um potencial candidato presidencial em 2016. Com esta acção, o jovem senador ganhou reconhecimento nacional, mas, por outro lado, tornou-se uma figura controversa. Para os seus apoiantes, como os libertários e o Tea Party, o épico discurso de Ted Cruz foi um acto heróico e uma firme demonstração de defesa das suas convicções. Já para os seus detractores, foi apenas uma manobra publicitária desprovida de qualquer objectivo prático, visto que, mais tarde ou mais cedo, a votação seria realizada.
As reacções aos discurso de Cruz demonstram bem a enorme polaridade causada pela reforma da saúde. Três anos volvidos, a histórica peça legislativa continua a dividir opiniões. Obama e os democratas achavam que a reforma iria ganhar apoiantes à medida que as pessoas iam assimilando as vantagens do novo sistema. Contudo, as sondagens indicam que o aumento de popularidade do Obamacare é, no máximo, muito tímido. Não obstante, não deixa de ser verdade que uma curta maioria dos norte-americanos não vê com bons olhos as repetidas tentativas republicanas de reverter a lei que criou a reforma do sistema de saúde. Além disso (ou por causa disso), mesmo no seio do GOP se começam a levantar vozes contra a insistência do partido em combater o Obamacare, com alguns republicanos a temerem que a perservança seja entendida pelos eleitores como  radicalismo, o que, numa altura em que o GOP é cada vez mais criticado por estar sob "sequestro" da sua ala mais radical, não é algo que interesse ao partido de Lincoln.
No fim de contas, não será muito legítima esta batalha contínua em torno de uma legislação já em vigor há algum tempo e que já foi (indirectamente) sufragada nas urnas. Como recordou esta semana o senador republicano John McCain, a reforma da saúde foi um dos temas centrais da campanha presidencial do ano passado que, como se sabe, resultou na vitória de Barack Obama. Assim sendo, e devendo respeitar-se a vontade popular, que preferiu o candidato que originou e defendeu com unhas e dentes (e até deu nome) a reforma, o Obamacare é a law of the land e deverá ser respeitada, mesmo não se concordando com ela.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nas mãos de Rubio

Ainda que muito lentamente, continuam as negociações entre democratas e republicanos com vista à reforma da imigração no país. Com o apoio da Casa Branca de Barack Obama, é o o chamado Gang of Eight, constituido por oito senadores dos dois partidos, que lidera o processo que deverá levar à apresentação de uma proposta que possa ser aprovada pelo Congresso norte-americano.
Aparentemente, tudo aponta para que a reforma da imigração tenha já os votos suficientes para passar no Senado, mesmo tendo em conta que necessitaria de uma maioria de pelo menos 60 senadores para ultrapassar um eventual bloqueio através de filibuster. Contudo, o Gang of Eight pretende alcançar uma super-maioria, conseguindo o apoio de 70 ou mais dos 100 senadores e uma maioria entre os representantes dos dois partidos. Dessa forma, demonstrando força e consenso, seria bem mais provável que a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos e cujos membros são bem mais voláteis e polarizados politicamente, aprovasse também esta reforma.
Com os votos democratas garantidos, assim como os de pelo menos quase uma dezena de senadores republicanos mais moderados, falta agora atrair os votos de republicanos relativamente conservadores. Para isso, a chave parece ser Marco Rubio, o senador da Florida e porventura a maior figura do Partido Republicano na actualidade. Filho de pais cubanos que imigraram para os Estados Unidos, Rubio foi um dos proponentes desta reforma que permitirá legalizar milhões de cidadãos ilegais no país e tornou-se o líder do GOP nesta questão. Com o seu apoio inequívoco, muitos dos congressistas republicanos terão maior propensão em aprovar a reforma da imigração. Caso contrário, terão na "desistência" de Rubio um excelente motivo para votarem contra.
Nos últimos tempos, Marco Rubio tem preferido manter um low profile, deixando o destaque para o Gang of Eight que integra. Todavia, é certo que terá sempre um papel determimante para o futuro da reforma da imigração. Ao apostar muito do seu capital político neste tema, Rubio tem também muito a ganhar e a perder. Se a reforma passar tranquilamente e de forma consensual no Congresso, então Rubio terá afirmado a sua liderança e será um concorrente de peso para as eleições presidenciais de 2016. Se, pelo contrário, a reforma falhar, então Rubio terá perdido a batalha que travou o seio do seu próprio partido, ao mesmo tempo que verá o voto hispânico fugir ainda mais dos republicanos, com todas as consequências eleitorais que daí advêm, como tão bem se tem visto nas últimas eleições.

quarta-feira, 27 de março de 2013

À espera de Hillary

Com a agenda política dos Estados Unidos pouco activa (apesar da expectativa em redor da decisão do Supremo Tribunal sobre a constitucionalidade da proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo na California), qualquer political junkie que se preze é levado a desviar a sua atenção para o próximo ciclo eleitoral. Como as intercalares de 2014 são de menor importância em relação às presidenciais de 2016, é natural que a próxima corrida pela Casa Branca mereça prioridade e se comece a antever a sucessão de Barack Obama.
E, neste momento, a grande questão que domina as atenções é a eventual candidatura de Hillary Clinton. No Partido Democrata, as primeiras movimentações de possíveis candidatos estão como que congeladas, com as principais figuras "presidenciáveis" a esperarem para ver o que fará Hillary Clinton. Se a antiga Secretária de Estado decidir mesmo concorrer à presidência, então é provável que o campo de candidatos se reduza drasticamente, já que o favoritismo de Hillary é de tal ordem que poucos pensam ser possível derrotá-la. Aliás, há mesmo quem considere que a esposa de Bill Clinton, caso venha a entrar na campanha, será a mais forte frontrunner de sempre numa eleição presidencial. 
Contudo, também em 2008 Hillary Clinton era tida como a presumível nomeada democrata e sabemos hoje como isso resultou para ela. Ainda assim, é preciso ter em conta que a ex-Primeira Dama é, neste momento, muito mais consensual na sociedade americana do que há cinco anos, quando era uma figura muito polarizadora. Além disso, é pouco provável que volte a surgir um candidato como Barack Obama, que faça sonhar os americanos e o mundo com o seu carisma e a sua capacidade oratória. 
Assim sendo, parece evidente que, neste momento, o Partido Democrata (e também, pelo menos em parte, o GOP) está em suspenso à espera do primeiro movimento por parte de Hillary. Se concorrer, será, em circunstâncias normais, quase imbatível nas primárias democratas. Já no que diz respeito à eleição geral, será outra conversa, porque estará sempre muito dependente do que suceder durante o que resta da presidência de Obama. Caso os democratas cheguem a 2016 com uma boa imagem, então tudo se conjugará para que Hillary Clinton cumpra o seu sonho de se sentar na Sala Oval. Se o conseguir, tornar-se-á não somente a primeira mulher a assumir a presidência norte-americana, mas também a personalidade com o mais rico currículo político de sempre:  Primeira-Dama (não deixa de ser um cargo político e Hillary foi uma First Lady particularmente activa), Senadora, Secretária de Estado e, finalmente, Presidente dos Estados Unidos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O precipício fiscal aproxima-se

O Máquina Política está de volta, após um curto interregno, em que não tive muito tempo para escrever, devido, particularmente, à preparação da defesa da minha tese de mestrado e a um consequente período de descanso, mas também para evitar uma overdose de política norte-americana provocada pela sobreposição das eleições presidenciais de 6 de Novembro e da conclusão minha tese sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Com o país do Tio Sam ainda em ressaca pós-eleitoral e em período de holidays, a actividade política do outro lado do Atlântico não é muito substancial. Nos últimos dias, a sucessão de Hillary Clinton e o fiscal cliff têm sido os assuntos dominantes na agenda política norte-americana. Em relação ao primeiro tema, tudo indica que Barack Obama estará cada vez mais inclinado a escolher Susan Rice, actual Embaixadora dos Estados Unidos na ONU como a Secretária de Estado para o seu segundo mandato na Casa Branca. Apesar de várias críticas que Rice tem recebido devido à sua reacção aos atentados de Benghazi por parte do Partido Republicano, em especial de proeminentes senadores do GOP, como John McCain ou Lindsey Graham, o Presidente tem feito questão de repetidamente a elogiar e defender, o que dá a entender que Obama já escolheu a sua nova responsável pela diplomacia norte-americana.
No que diz respeito ao fiscal cliff, a incerteza é maior e aproxima-se o precipício fiscal que chegará com o final de 2012, quando expirarem os cortes fiscais da era Bush e entrarem em vigor grandes reduções nas despesas federais. Ora, sem um acordo entre os dois partidos que permita prolongar esses cortes de impostos e minimizar os cortes na despesa, a economia norte-americana corre sérios riscos de entrar em recessão, com todas as consequências que isso acarreta para milhões de pessoas.
Após a vitória democrata nas últimas eleições, o partido de Obama sente agora que tem maior legitimidade para fazer valer a sua vontade. Por isso, a posição dos democratas tem-se concentrado na extensão dos cortes fiscais, excepto para os cidadãos com maiores rendimentos e no corte em despesas militares. Contudo, o GOP, apesar de já ter dado alguns sinais de abertura, continua pouco disposto a fazer grandes cedências, nomeadamente no que diz respeito ao aumento de impostos. Há mesmo, no seio do Partido Republicano, quem fale em não ceder um milímetro para os democratas e deixar que se ultrapasse o fiscal cliff. Todavia, há vozes mais sensatas no GOP e que pretendem chegar a um acordo, até porque compreendem que seriam os republicanos os mais responsabilizados pelos cidadãos americanos no caso de uma ruptura nas negociações.
Assim sendo, o mês de Dezembro será dominado pelas negociações entre os dois partidos que terão de chegar a um acordo que evite o fiscal cliff, mas que não aumente de forma substancial a dívida externa norte-americana. Como se percebe, este é um frágil equilíbrio que não será facilmente alcançável, especialmente porque a actual polarização política nos Estados Unidos não favorece acordos bipartidários.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Discurso de vitória de Obama

Como é da praxe, Barack Obama esperou pelo final do discurso de concessão de Romney para subir ao pódio e dirigir-se aos cidadãos norte-americanos. O discurso de vitória do Presidente recordou mais o vibrante e sonhador Obama de há quatro anos do que o pragmático candidato desta eleição. Mais uma vez, apelou à unidade nacional e uma das maiores curiosidades para o seu segundo mandato é saber se o Presidente é capaz, ao contrário do que sucedeu nos últimos quatro anos, de esbater a brutal polarização política que se vive actualmente nos Estados Unidos. Mas, para já, o momento é mesmo de festa e de descanso para o 44º Presidente norte-americano.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A batalha pelo Congresso

Em ano de eleições presidenciais é normal que a corrida pela Casa Branca domine os destaques noticiosos e desvie muita da atenção das eleições para o Congresso. Este ano, com a disputa pela Presidência a ser mais renhida do que nunca, o relativo esquecimento das corridas para o Congresso e para cargos  estaduais é ainda mais notória. Assim, aproveitando esta espécie de pausa na campanha presidencial causada pelo Sandy, vale a pena fazer uma breve análise ao estado da corrida pelo Senado e pela Câmara dos Representantes.
Em relação à câmara baixa, já se sabia que, depois dos enormes ganhos do GOP nas eleições intercalares de 2010, em que os republicanos arrebataram a maioria na Câmara dos Representantes, seria muito difícil para os democratas, em apenas dois anos, estarem em posição de conseguir inverter a situação e voltarem a dominar a House. Para os democratas, a situação ficou ainda mais complicada, após o processo de redistricting que foi dominado, na maioria dos Estados, por legislaturas republicanas (consequência, também, das vitórias do GOP, em 2010) que souberam "trabalhar" o mapa dos congressional districts de forma a maximizar as suas hipóteses em eleições para a Câmara dos Representantes. Não obstante, é expectável que os democratas "roubem" alguns lugares ao Partido Republicano, ainda que esses ganhos não venham a ser suficientes para que Nancy Pelosi volte a ocupar o lugar de Speaker.
No Senado, a situação é muito semelhante. Actualmente, o Partido Democrata conta com uma maioria de 53 senadores, face aos 47 do lado republicano. Até há alguns meses atrás, a perda da maioria por parte dos democratas era um dado praticamente adquirido. Contudo, alguns erros de casting por parte dos eleitores republicanos nas primárias (à semelhança do que sucedeu em 2010) e gaffes monumentais por parte dos próprios candidatos do GOP (Todd Akin, no Missouri, e Richard Mourdock foram os casos mais gritantes, com os seus "estranhos" comentários acerca da questão do aborto em situações de violação). Assim, tudo indica que os democratas serão capazes de manter o controlo da câmara alta, não sendo totalmente impossível que consigam mesmo aumentar a sua maioria. Na minha opinião, o figurino do Senado não deverá sofrer grandes modificações e os democratas deverão ficar, após as eleições, com  uma representação entre os 52 e os 54 senadores.
Em conclusão, percebe-se que as eleições legislativas deste ano não devem trazer grandes novidades no que diz respeito à composição do Congresso norte-americano. Também por isso se entende que, neste ciclo eleitoral, as centenas de corridas por cargos na Câmara dos Representantes e no Senado não estejam a suscitar um grande interesse por parte dos media, que se interessam mais por verdadeiras horse races. Nesse aspecto, a corrida pela Casa Branca deste ano, totalmente em aberto, é imbatível.

domingo, 16 de setembro de 2012

A corrida muda de figura

As últimas semanas trouxeram, sem dúvida, muita actividade e uma nova dinâmica à corrida presidencial norte-americana. As convenções nacionais, o discurso de Bill Clinton e a crise no Médio Oriente transformaram a campanha eleitoral e alteraram o cenário da disputa pela Casa Branca, numa altura em que estamos a menos de dois meses da grande noite eleitoral.
Em primeiro lugar, as convenções dos dois partidos tiveram um forte impacto na campanha, com clara vantagem para os democratas. De facto, Barack Obama viu os seus números nas sondagens subirem significativamente depois da Convenção Nacional Democrata, e isto apesar de o seu discurso não ter sido empolgante nem brilhante. Contudo, até deverá ter sido essa a intenção de Obama, a querer assumir-se como Presidente, apostando numa postura sóbria e realista, em contraste com a imagem idealista e sonhadora da sua campanha de há quatro anos. 
Assim, da convenção democrata, sobressaiu especialmente o discurso de Bill Clinton, que foi o primeiro democrata a conseguir defender de forma efectiva o primeiro mandato de Obama na Casa Branca. No fundo, os democratas foram capazes de responder à pergunta que teimava em assombrar a campanha de Obama: estão os norte-americanos melhor agora do que há quatro anos? A julgar pela subida do Presidente nas sondagens, parece que Clinton conseguiu convencer a maioria dos cidadãos norte-americanos que a resposta a esta pergunta é sim.
Mais recentemente, surgiu a inesperada crise no Médio Oriente, com um ridículo filme amador divulgado no Youtube a incendiar os ânimos do mundo muçulmano, que se vingou, em muitos países, nas embaixadas dos Estados Unidos, levando mesmo à morte de cinco americanos, entre os quais o Embaixador na Líbia. No despoletar da crise, Mitt Romney foi rápido a criticar a resposta do Departamento de Estado, em especial uma nota da Embaixada norte-americana no Cairo divulgada antes dos ataques e que simpatizava com os protestos da comunidade islâmica e criticava o filme em questão. Todavia, o tiro de Romney saiu-lhe pela culatra, com os media a condenarem a campanha do nomeado republicano por tentar retirar dividendos políticos numa altura que deveria ser de união nacional. 
A posição da campanha republicana foi, a meu ver, precipitada. Terão visto nesta crise uma oportunidade para desafiarem a primazia de Obama num tema, a política externa, que, até há pouco tempo, "pertencia" aos republicanos. Acontece, porém, que o ataque político não teve o timing devido, já que é norma nos Estados Unidos que, aquando de um ataque externo, todos os agentes políticos se coloquem por detrás do Commander-in-Chief. Se as críticas de Mitt Romney tivessem vindo num momento posterior, talvez tivessem algum efeito. Assim, o que o candidato do GOP conseguiu foi minar ainda mais a sua imagem no campo da política externa, em contraste com a postural presidencial adoptada por Obama.
Todavia, não deixa de ser compreensível a precipitação da campanha republicana, que, após o bounce de Obama nas sondagens, após as convenções, necessitava urgentemente de algo que pudesse inverter o rumo dos acontecimentos. A jogada, ao que parece, não correu bem, o que veio sublinhar ainda mais a mudança do status quo da campanha pela presidência. Agora, e apesar da vitória estar ainda ao alcance de qualquer um dos candidatos, temos um claro frontrunner: Barack Obama.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O cair do pano

Terminou ontem o período de convenções nacionais, após ter decorrido o último dia da Convenção Democrata, marcada, claro está, pelo discurso de aceitação formal da nomeação presidencial por parte de Barack Obama. Antes do Presidente, porém, várias figuras discursaram, incluíndo alguns pesos-pesados da política norte-americana.
Charlie Christ, o antigo Governador da Florida que era republicano, concorreu em 2010 ao Senado como independente (depois de se ver ultrapassado nas primárias republicanas por Marco Rubio) e, agora, parece muito próximo dos democratas, surgiu no pódio a desempenhar o papel de republicano dissidente que apoia Barack Obama, depois deste ter salvo, segundo Christie, a economia do Estado da Florida. É duvidoso que este endorsement tenha grande influência na corrida pelo sunshine state, que, com os seus 29 votos eleitorais, é fundamental na disputa pela Casa Branca. Contudo, é possível que, em 2014, Charlie Christ volte a concorrer par ao cargo de Governador da Florida, desta vez como democrata.
Quem também parece interessado num novo cargo é John Kerry, que aponta à Secretaria de Estado num eventual segundo mandato de Obama. Já em 2008, o Senador pelo Massachusetts havia sido referenciado para o mais alto cargo da diplomacia norte-americana, tendo sido, contudo, ultrapassado por Hillary Clinton, que já anunciou não desejar cumprir um segundo mandato. O antigo candidato presidencial falou ontem na Convenção, servindo essencialmente para atacar Mitt Romney e o GOP em questões de política externa. Nessa função, saiu-se muito bem e, este ano, ao contrário do que é habitual, serão os democratas a levar vantagem na área da política externa. 
Antes de Obama, e fora do horário nobre, o que não é habitual para candidatos à Vice-Presidência, falou Joe Biden, que, como é seu apanágio, se dirigiu principalmente à classe média e apresentou um discurso mesclado entre a defesa do primeiro mandato de Barack Obama e o ataque ao candidato presidencial republicano. Com a sua conhecida capacidade para se dirigir num tom pessoal e directo ao eleitorado, Biden conseguiu um bom e emotivo desempenho e preparou o ambiente para o discurso seguinte: o de Barack Obama.
Depois dos excelentes discursos que marcaram a Convenção Democrata, em especial os de Michelle Obama e de Bill Clinton, as expectativas eram elevadas para quando fosse a vez de Obama subir ao pódio. Contudo, o Presidente dos Estados Unidos optou por, ao contrário do que fez há quatro anos, não realizar um discurso apaixonado, preferindo uma comunicação mais sóbria, reflectindo, talvez, o peso da responsabilidade do selo presidencial. Apesar de não ter sido um discurso memorável (o vídeo do discurso pode ser visualizado aqui), Obama evitou grandes riscos e cumpriu a sua parte, tentando demonstrar aos americanos que necessita de mais quatro anos na Casa Branca para resolver todos os problemas que herdou da administração republicana anterior.
No final de contas, e apesar de alguns percalços, a Convenção Democrata, foi, globalmente, superior à Convenção Republicana, em grande parte devido aos êxitos de Michelle e Clinton. Contudo, não deverá ser por isso que Obama vencerá a eleição e apenas nos próximos dias saberemos se o ticket democrata consegue ou não uma subida nas sondagens, depois destes dias positivos em Charlotte. Terminadas as convenções, a corrida está definitivamente lançada e entra, agora, na sua fase decisiva. 

Gaby Giffords emociona os democratas

A Convenção Nacional Democrata terminou bem, com vários e importantes discursos, como os de Charlie Christ, John Kerry, Joe Biden e, obviamente, Barack Obama. Contudo, o momento mais emocional da noite coube a Gabrielle Giffords, a congressista do Arizona (desde então retirada) que foi baleada na cabeça no decurso de uma acção política. Ontem, Gaby, como é tratada pelos amigos, subiu ao palco para liderar a Plegde of Alliance e a Time Warner Cable Arena quase veio abaixo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bill Clinton em grande forma

As convenções servem, essencialmente, para que os partidos e as respectivas campanhas presidenciais possam fazer passar aos eleitores americanos a imagem que querem transmitir dos seus candidatos à Casa Branca. E, se no caso de candidatos que concorrem pela primeira vez o principal objectivo é dá-los a conhecer ao grande público, já os Presidentes em exercício, com quem os eleitores estão totalmente familiarizados, têm de demonstrar que o melhor para o país é a sua reeleição. No fundo, trata-se de responder à questão tornada famosa por Ronald Reagan, em 1980, quando concorria contra Jimmy Carter: "are we better of than we were four years ago?"
Até ontem, essa pergunta não havia sido verdadeiramente abordada na Convenção Democrata. As figuras mais ou menos secundárias preocuparam-se principalmente em atacar Mitt Romney, enquanto Michelle Obama serviu para mostrar o lado humano e pessoal de Obama, lembrando aos americanos as razões que os levam a gostar do Presidente a nível pessoal, mesmo que não apreciem as suas políticas. Contudo, Bill Clinton, num discurso muito aguardado, serviu para apresentar o caso a favor do primeiro mandato de Barack Obama. E, como é seu apanágio, o 42º Presidente não desiludiu.
Fugindo muitas vezes ao texto, Clinton falou convictamente, dirigindo-se de forma directa e clara aos eleitores, em especial aos da classe média, explicando as razões que, no seu entender, devem levar os eleitores a permitir a Barack Obama continuar na Sala Oval por mais quatro anos. Um dos melhores momentos do seu discurso foi quando referiu que o argumento republicano era "nós deixamos a Obama o país numa confusão, mas ele ainda não acabou de arrumar a casa, por isso despeçam-no e devolvam-nos o poder". 
Ainda que Bill Clinton não tenha, porventura, atingido o brilhantismo alcançado, na véspera, por Michelle Obama, é indiscutível que o ex-Presidente marcou pontos importantes para a campanha de Obama. No final, Obama subiu ao palco para agradecer e cumprimentar Clinton, mostrando aos democratas e ao país que as querelas antigas (geradas aquando das primárias de 2008) estão definitivamente para trás das costas.   
Hoje, no último dia da Convenção Nacional Democrata, sobem ao palco os dois nomes do ticket presidencial do partido, Barack Obama e Joe Biden. Contudo, como não podia deixar de ser, cabe a Obama o grande destaque. Com os seus conhecidos dotes oratórios, o Presidente aceitará a nomeação presidencial democrata e dirigir-se-à aos americanos. Se Obama tiver tanto sucesso como a sua esposa e como Bill Clinton, então a Convenção Democrata terá sido uma enorme ajuda para as suas hipóteses de reeleição.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Michelle Obama superstar

Começou bem a Convenção Nacional para o Partido Democrata, já que o primeiro dia de trabalhos foi um verdadeiro sucesso, com todos os intervenientes a cumprirem o seu papel e a prepararem o terreno para os dias de hoje e amanhã, quando falarão, entre muitos outros nomes, Bill Clinton e Barack Obama. No dia de ontem, houve espaço para diferentes temas (a política externa, um tópico em que os democratas tradicionalmente são menos forte que os republicanos, mas que, este ano, é um dos seus pontos fortes, foi um deles), mas onde dominou especialmente temas relacionados com as mulheres, ou não coubesse a Michelle Obama o grande destaque da primeira noite da Convenção Democrata. 
Contudo, antes da Primeira-Dama, várias figuras de proa do Partido Democrata discursaram, como Ted Strickland, antigo Governador do Ohio e Martin O'Malley, actual Governador do Maryland. Servindo essencialmente para atacarem o nomeado republicano, Mitt Romney, prepararam ainda o terreno para o keynote speech, protagonizado pelo Mayor de San Antonio, no Texas, Julian Castro. Com um discurso empolgante e marcado pela sua fantástica história de vida, Castro fez lembrar o épico momento da Convenção Democrata de 2004 que lançou Barack Obama para a fama, ainda que não tenha chegado ao brilhantismo desse famoso discurso do então candidato ao Senado pelo Illinois. Além de funcionar como chamariz para o eleitorado hispânico (Castro é filho de imigrantes mexicanos), o discurso do Mayor de San Antonio, que lhe deu estatuto nacional, pode ainda servir como trampolim para uma futura candidatura ao cargo de Governador do Texas, um Estado onde os democratas tencionam quebrar a hegemonia republicana, devido ao aumento da população latina, que tem tendência a ser pró-democrata.
Para o final da noite, ficou reservado o grande momento, com o discurso de Michelle Obama que conseguiu, segundo Wolf Blitzer da CNN, um "grand slam". Com um discurso muito bem escrito, a Primeira-Dama, que conta com uma excelente imagem junto do povo americano, conseguiu passar a ideia de que o seu marido não foi contaminado pelo "espírito de Washington" e ainda é, quatro anos depois, o mesmo homem que inspirou os Estados Unidos e o mundo e foi eleito com base nas ideias de mudança e esperança. O público democrata presente no pavilhão reagiu efusivamente, ao mesmo tempo que as críticas da comunicação social foram consensualmente positivas.
Para hoje, no segundo dia da Convenção, os democratas tencionam manter o ímpeto conseguido na véspera e continuar a marcar pontos políticos que podem ser decisivos na corrida para a Casa Branca. E, para o conseguirem, nada melhor do que um dos melhores jogadores políticos, senão o melhor, que contam nas suas fileiras: Bill Clinton, o 42º Presidente dos EUA, discursará hoje e apresentará o seu caso, perante o público americano, a favor de um segundo mandato para Obama. 
Até ver, os democratas estão a bater aos pontos os seus adversários republicanos, no que às convenções diz respeito. Mas, mais logo, veremos, se Clinton é capaz de, como se espera, manter ou até elevar a fasquia que Michelle Obama já colocou muito alta na noite de ontem. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A vez dos democratas

Depois dos republicanos, cabe, agora, ao Partido Democrata realizar a sua Convenção Nacional. Em Charlotte, na Carolina do Norte, Barack Obama e Joe Biden aceitarão formalmente a nomeação como candidatos à Presidência e Vice-Presidência dos Estados Unidos, respectivamente. Mas, mais que isso, os democratas tentarão demonstrar aos americanos que conseguiram contrariar o rumo negativo que o país vinha a percorrer desde a administração republicana anterior e que, com Romney na Casa Branca, os americanos ficarão muito pior servidos e as suas vidas irão piorar. 
Para alcançar esse objectivo, o Partido Democrata conta com algumas figuras de peso (ainda que haja alguns membros do partido que estejam a evitar este evento que pretende transmitir uma imagem de união partidária). No dia de hoje, intervirão, entre outros, Julián Castro, o Mayor de Santo António, e que é mais um "piscar de olhos" ao eleitorado hispânico, e o popular Governador do Estado de Maryland, Martin O'Malley. Contudo, o grande destaque vai inteirinho para o discurso de Michelle Obama, a Primeira-Dama dos Estados Unidos e, muito provavelmente, a figura mais popular de todas as que vão participar na Convenção Democrata. Ao que parece, os democratas querem começar em grande. Mas já se sabe que a política é como o futebol, e o mais importante não é como começa, mas como acaba. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A rising star

Em 2008, os democratas contaram com muitos e grandes nomes a concorrerem pela nomeação presidencial, incluindo as super-estrelas Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards (entretanto caído em desgraça), mas contando ainda com as presenças de alguns políticos de nomeada, como Joe Biden, Bill Richardson ou Chris Dodd. Contudo, quando se olha para 2016, o leque de candidatos a segurarem no estandarte do Partido Democrata é bastante reduzido e faltam pesos-pesados a perfilharem-se para a corrida à presidência.
Muitos democratas sonham com a candidatura de Hillary Clinton, mas a solução para o partido pode residir numa estrela em clara ascenção, nada mais nada menos que Andrew Cuomo, o Governador de Nova Iorque. Filho de Mario Cuomo, outro popular ex-Governador do mesmo Estado, Andrew tem no currículo uma presença na Administração Clinton, como Secretário da Habitação e do Desenvolvimento Humano, passando depois para o governo estadual de Nova Iorque, primeiro como Attorney-General e, agora, como Governador.
Actualmente, Andrew Cuomo é provavelmente o Governador mais popular dos Estados Unidos. Ainda recentemente, uma sondagem da Quinnipiac atribuía-lhe uma taxa de aprovação de 73%, conseguindo mesmo um valor elevadíssimo entre os eleitores republicanos (69%). É certo que Nova Iorque é um dos Estados mais favoráveis aos democratas da União, mas, ainda assim, estes números não deixam de impressionar. E, além de popular no seu Estado, Cuomo está ainda muito bem financiado, tendo quase 20 milhões de dólares no seu "cofre de guerra", o que, segundo o Wall Street Journal, é mais do que o que possuem 40 outros governadores em conjunto.
Não admira, por isso, que Cuomo surja como um dos nomes em destaque quando se fala das eleições presidenciais de 2016. E o próprio parece mesmo estar a preparar terreno para uma eventual candidatura, com algumas notícias a darem conta de que Cuomo está a tentar ocultar informação e dados sobre o seu mandato como líder de Nova Iorque. Assim, tudo indica que o mais recente representante político da família Cuomo seja, daqui a 4 anos, candidato a suceder a Barack Obama, ou tente impedir um segundo mandato de Mitt Romney.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Obama contra-ataca

Como tenho vindo a dar conta neste blogue, Barack Obama tem vivido momentos difíceis nesta primeira fase da campanha para as eleições presidenciais de Novembro. Depois de ter começado a corrida bem lançado, tendo ganho vantagem sobre Mitt Romney fruto do desgaste que o republicano sofreu durante as primárias, o Presidente tem vindo a perder terreno e as sondagens mostram agora que a disputa pela Casa Branca está, de momento, muito renhida.

Contudo, esta tendência negativa de Obama deve ter feito soar os alarmes na sede da campanha democrata, em Washington, porque, finalmente, o Presidente parece estar a acertar agulhas e a responder ao seu momento menos positivo. E, como não podia deixar de ser, a reacção presidencial teria de passar, em primeira instância, por uma mensagem de cariz económica, mostrando aos norte-americanos que Obama é o homem certo para estar ao leme numa altura em que os Estados Unidos procuram uma recuperação económica mais acentuada.

Ontem, no Ohio (não é coincidência que se trate de um dos Estados mais decisivos em eleições presidenciais), o Presidente realizou um discurso exclusivamente dedicado à economia, onde delineou aquela que será a sua mensagem económica para a campanha presidencial. Em pouco menos de uma hora, Obama deixou bem marcadas as diferenças entre si e Mitt Romney (disse o nome do seu opositor oito vezes, tantas como no último ano e meio), afirmando que é o único candidato disposto a ajudar a classe média, enquanto que Romney representará o regresso às políticas republicanas (leia-se, de George W. Bush) que levaram à actual crise económica e financeira. Esta táctica de colar o nomeado do GOP ao ainda impopular 43º Presidente norte-americano resultou em 2008 para Obama. Contudo, quatro anos depois, teremos de esperar para ver se o mesmo acontece desta vez.

Mas nem só da economia se faz o contra-ataque da campanha de Obama. Também a imigração é uma questão que os democratas estão a tentar trazer para cima da mesa no que diz respeito aos temas centrais da campanha. Hoje mesmo, a Casa Branca assumiu a intenção de aligeirar as regras para os jovens e crianças que entraram ilegalmente nos Estados Unidos com os seus pais e que não tenham infringido a lei. Baseado no Dream Act, a proposta de lei apoiada por Obama e pelos democratas, mas rejeitada pelo republicanos do Congresso, esta ideia coloca um problema para Romney que se dividirá entre a posição tough on immigration do seu partido e a possibilidade de alienar ainda mais o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico do país - os hispânicos. 

Após esta investida de Obama, os próximos dias serão importantes para avaliarmos se a estratégia seguida pelos democratas teve impacto junto do eleitorado. Quanto a mim, parece-me que Obama está a corrigir erros anteriores e que este é um rumo mais acertado. Contudo, Novembro está ainda muito longe e, entretanto, as férias de Verão, altura em que os americanos pouco ou nada ligam às notícias, estão quase à porta. Só depois disso, mais precisamente após o Labor Day, é que a campanha presidencial começa verdadeiramente. Para já, estamos apenas no aquecimento.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary e Christie na frente para 2016 (!)

Pode parecer estranho que, a mais de seis meses das eleições presidenciais de 2012, já haja empresas norte-americanas a realizar sondagens sobre a eleição seguinte, em 2016. Contudo, nos Estados Unidos, há sondagens sobre tudo e mais alguma coisa e, por isso, não admira assim tanto que a Public Policy Polling (PPP) tenha divulgado ontem um estudo sobre as preferências dos eleitores de ambos os partidos para a corrida à Casa Branca de daqui a quatro anos.
De acordo com esta sondagens, Hillary Clinton e Chris Christie são os favoritos a obter a nomeação, respectivamente, do Partido Democrata e do Partido Republicano. E se no caso dos democratas, a actual Secretária de Estado tem mesmo, uma vantagem demolidora sobre o segundo classificado, o Vice-Presidente Joe Biden, já no lado republicano a corrida parece bem mais equilibrada, com o Governador de New Jersey a surgir na frente, ainda que com curta vantagem sobre Jeb Bush e Mike Huckabee.
A tão grande distância de 2016 estes resultados pouco ou nada significam a tão grande distância e reflectem mais o nível de familiaridade dos eleitores com os nomes apresentados do que uma verdadeira intenção de voto. Todavia, são uma curiosidade que delicia qualquer political junkie que se preze. Em baixo, os resultados completos desta sondagem da PPP.

Partido Democrata

Hillary Clinton: 57%
Joe Biden: 14%
Elizabeth Warren: 6%
Andrew Cuomo: 5%
Russ Feingold: 3%

Partido Republicano

Chris Christie: 21%
Mike Huckabee: 17%
Jeb Bush: 17%
Rick Santorum: 12%
Marco Rubio: 10%
Paul Ryan: 7%
Rand Paul: 4%
Bobby Jindal: 3%

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mitt vs Mitt

Barack Obama e o Partido Democrata já escolheram o alvo a abater, entre os candidatos republicanos à Presidência. Sem surpresas, Mitt Romney é o nome mais temido pela campanha que tenta reeleger Obama, em 2012. Assim sendo, os democratas não perdem tempo nem esperam pelo desfecho da disputa pela nomeação republicana para abrirem as hostilidades. Tendo definido as várias trocas de posição de Romney em relação a diversos assuntos como a sua principal fragilidade, os democratas lançaram recentemente este vídeo na Internet, além de uma versão condensada em anúncios nas televisões de alguns dos principais swing states. O resultado final dos vídeos parece devastador para Romney, mas falta saber a reacção dos eleitores a este excelente peça de marketing político, denominada Mitt vs Mitt.