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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A guerra dos anúncios já começou

Já é sabido que as eleições primárias são discutidas nas alas ideológicas dos partidos, à Esquerda no caso democrata e à Direita no caso republicano, enquanto que a eleição geral é discutida ao centro, na disputa pelo eleitorado independente e mais moderado. Dessa forma, é frequente que nas primárias os candidatos assumam posições mais próximas das das bases do seu partido, fazendo, depois de nomeados, uma viragem ao centro no seu discurso. 
Contudo, não raras vezes, as posições mais extremistas, declaradas durante as primárias, voltam para assombrar os candidatos durante as eleições gerais, em alguns casos com consequências danosas para as chances de eleição dos políticos em questão. Assim, os debates entre os concorrentes à nomeação por um dos partidos são uma das principais fontes de material para o partido adversário, já que é natural que esses momentos, geralmente importantes para atrair os eleitores mais militantes do partido em causa, sejam férteis em declarações polémicas ou distantes daquilo a que o eleitor comum estará habituado a ouvir.
O Democratic National Committee (DNC) não perdeu tempo e, apesar de ainda estarmos muito longe da eleição presidencial do próximo ano, já começou a atacar os candidatos republicanos à Casa Branca, utilizando, para isso, imagens dos debates entre eles. No vídeo, vemos atitudes de gosto duvidoso por parte da audiência dos debates, normalmente constituída por die hard conservatives, seja a aplaudir o número recorde de execuções da pena de morte no Texas, ou a apupar um membro das Forças Armadas homossexual, sem que, como salienta o anúncio do DNC, nenhum dos candidatos se insurja contra a reacção do público.
Parece-me que esta é uma estratégia acertada por parte dos democratas, que, face à impopularidade de Barack Obama e à situação económica do país, têm na táctica de "pintar" os republicanos como radicais a sua melhor hipóteses de manter a Casa Branca. Nesse sentido, anúncios como este, em que os candidatos republicanos não saem nada favorecidos, podem ser bastante benéficos para a obtenção desse objectivo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Florida, como sempre decisiva

Já é tradição que a Florida seja um dos mais importantes Estados numa eleição presidencial norte-americana. O caso mais flagrante foi quando, em 2000, Bush alcançou a presidência depois de vencer, de forma muito contestada, Al Gore no sunshine state, ainda que tenha recebido menos votos a nível nacional do que o seu opositor. Contudo, a relevância da Florida parece estar a estender-se também para as eleições primárias.
Já em 2008, foi a vitoria na primária da Florida que lançou definitivamente John McCain para a nomeação republicana. Agora, o solarengo Estado do Sul dos Estados Unidos promete também desempenhar um importante papel nas primárias republicanas. Isto porque a Florida é o quinto Estado a ir a votos no calendário republicano, depois de Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul. Acontece que, pelo menos actualmente, é previsível que Rick Perry e Mitt Romney dividam esses Estados entre eles, com Perry a vencer no Iowa e na Carolina do Sul, ficando Romney com o New Hampshire e o Nevada. Assim, seria a Florida a desempatar a corrida antes da Super Tuesday, momento onde ocorrem várias eleições simultaneamente e onde, face à quantidade de Estados em jogo, o momentum com que se lá chega acaba por ser determinante.Para já, e segundo uma sondagem da Quinnipiac, é Rick Perry que leva vantagem, com 28% das intenções de voto, contra 22% de Romney. 
Contudo, há ainda muito tempo para que Romney consiga dar a volta a recuperar o terreno perdido para Perry, que, relembre-se, tem a vantagem de ser sulista. E a resposta do antigo Governador do Massachusetts na Florida pode começar já hoje, quando tiver lugar mais um debate entre os candidatos presidenciais do GOP, precisamente no sunshine state, na cidade de Orlando, num evento organizado pela Fox News e pela Google. Até porque se tivermos em conta as últimas prestações de Perry e Romney em debates televisivos, então o último tem motivos para estar optimista.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Agora já é a sério

O debate de ontem à noite no Iowa ficou marcado, sem dúvida, pelo abrir das hostilidades entre os dois políticos oriundos do Minnesota, Tim Pawlenty e Michelle Bachmann. Logo na primeira hora do debate transmitido pela Fox News, os ânimos aqueceram, com ambos a trocarem acusações entre si, tendo sido Pawlenty a desferir os primeiros ataques à sua opositora, que representa a principal ameaça às suas hipóteses de um bom resultado no caucus do Iowa, no arranque das primárias republicanas.
O antigo Governador do Minnesota pareceu ter trazido a lição bem estudada de casa, não repetindo os mesmos erros do debate anterior, onde se absteve de atacar Romney e a concorrência. Desta vez, não se coibiu de chamar à reforma do serviço de saúde norte-americano "Obamneycare", numa alusão às semelhanças entre a histórica legislação aprovada pelo Presidente e a reforma da saúde do Massachusetts, que Romney, enquanto Governador, apoiou e promulgou.
Todos os candidatos, com a excepção (e ainda assim tímida) de John Huntsman, se preocuparam em adequar o seu discurso de modo a agradar aos republicanos mais conservadores e que são os mais propensos a votarem nas primárias do partido. Mais particularmente, no que diz respeito ao debate sobre o aumento da dívida pública norte-americana, pareceu-me que a mensagem geral utilizada foi demasiadamente radical e irresponsável e até Romney criticou o acordo conseguido à última hora pelo Congresso. Nas primárias, este discurso pode trazer votos, mas, na eleição geral, poderá ser bastante prejudicial quando um deles disputar a Casa Branca com Obama.
No cômputo geral, e apesar de Bachmann se ter aguentado e de Pawlenty ter limpo a fraca imagem que deixou no New Hampshire, penso que depois do debate de ontem se acentuou a ideia de que o campo de candidatos republicanos à presidência é relativamente fraco. Houve muitas contradições (Rick Santorum até chegou a vociferar contra a falta de direitos dos gays no Irão!), irritações (Gingrich parece zangado com o mundo e não gostou de algumas perguntas que lhe foram feitas) e confusões (Huntsman a defender as uniões civis entre casais do mesmo sexo e, logo a seguir, a afirmar que os seus adversários que se opõem a isso não estão errados). Assim, Rick Perry, que não participou no debate, mas deve entrar a qualquer momento na corrida, e Barack Obama, que ainda não entra nestas contas, podem ter sido os grandes vencedores deste debate.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Game on

Depois da Carolina do Sul e do New Hampshire, hoje é a vez do Iowa albergar o seu debate com os candidatos presidenciais pelo Partido Republicano. O evento, organizado pelo Washington Examiner e pela Fox, representa o arranque definitivo e a todo o gás da campanha pela vitória no caucus do Iowa, que, em Janeiro ou Fevereiro do próximo ano, assinalará o início das primárias presidenciais.
Será deveras interessante ver como os diferentes candidatos enfrentarão este terceiro debate. A estreia de John Huntsman, que entrou mais tarde na corrida e não participou nos debates anteriores, é uma das principais expectativas. O antigo Governador do Utah, que já anunciou não ir competir no Iowa, cujo eleitorado, tendencialmente conservador, não lhe é favorável, terá aqui uma oportunidade (quem sabe, a última) para reanimar a sua campanha, actualmente quase que moribunda. Para isso, é provável que ataque Mitt Romney, o seu maior adversário na luta pela vitória no New Hampshire e pela conquista dos eleitores mais moderados.
Por sua vez, Mitt Romney, com o seu estatuto de favorito, terá de se defender da ofensiva não só de Huntsman, mas também dos outros candidatos, bem conscientes da ameaça que o antigo Governador do Massachusetts representa às suas candidaturas. Não admira, por isso, que nas últimas horas tenham surgido várias histórias que indiciam alguns comportamentos menos lícitos entre os apoios financeiros à campanha de Romney.
À imagem de Huntsman, concorrentes como Tim Pawlenty, Rick Santorum e Newt Gingrich, cujas campanhas não têm tido o sucesso esperado, necessitam de conseguir um qualquer balão de oxigénio que lhes permita continuar a sonhar com a nomeação. Entre eles, Pawlenty é o que mais terá a provar, depois da sua prestação negativa no debate anterior. Em sentido contrário está Michelle Bachmann, que superou as expectativas no encontro do New Hampshire e se tornou uma força a ser reconhecida na campanha presidencial.Mas, também por isso, mais se esperará dela na noite de hoje. Já Ron Paul e Herman Cain não deverão trazer nada de muito relevante à discussão além dos seus tradicionais discursos dirigidos à limitada mas fiel franja de seguidores que possuem. Outra figura que poderá marcar o debate, ainda que ausente, será Rick Perry, que ainda não anunciou formalmente a sua candidatura, mas que promete ser um dos principais competidores pela nomeação republicana.
O debate de logo à noite será ainda marcado pela aproximação da Ames Straw Poll do próximo Sábado, um evento do GOP no Iowa que acontece sempre que a nomeação republicana está em jogo e que, no fundo, representa uma espécie de sondagem informal à intenção de voto dos republicanos locais. Mas sobre isso falarei mais profundamente amanhã.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A surpresa Bachman e a desilusão Pawlenty

Apesar de faltarem ainda oito meses para o caucus do Iowa, o primeiro momento das primárias presidenciais norte-americanas, podem já ser retiradas algumas ilações do debate de ontem à noite, onde estiveram frente-a-frente os já assumidos candidatos a conseguir a nomeação pelo Partido Republicano.
Michelle Bachman foi, quase unanimemente, considerada a vencedora do debate. Começou bem e conseguiu chamar as atenções para si, ao anunciar oficialmente a sua candidatura à Casa Branca e foi autora de uma das frases mais aplaudidas da noite, quando afirmou decisivamente que Barack Obama será um presidente de um só mandato. Depois da prestação da congressista do Minnesota, parecendo sempre confiante e assertiva, Sarah Palin deverá ter muitas razões para estar preocupada, visto que ambas disputariam o mesmo grupo do eleitorado republicano. 
Em sentido contrário, Tim Pawlenty foi a desilusão da noite. Depois de, na véspera, ter atacado duramente a reforma da saúde aprovada por Mitt Romney enquanto Governador do Massachusetts, não deu seguimento a essa táctica agressiva, optando por se esquivar das perguntas dos jornalistas da CNN, que lhe tentaram arrancar novas tiradas mais "picantes". Assim, o antigo Governador do Minnesota perdeu uma excelente oportunidade para se colocar como o candidato anti-Romney, visto com desconfiança por muitos eleitores conservadores, e, pelo contrário, pareceu fraco e incapaz de se impor no palco principal da política norte-americana.
Mitt Romney, que carrega o estatuto de principal favorito à vitória final, foi também um dos vencedores da noite, já que, ao contrário do que seria de esperar, nenhum dos seus adversários optou por lhe fazer frente, preferindo Barack Obama como o principal alvo de críticas. Outra conclusão que pode ser retirada do debate é que há ainda espaço para uma outra candidatura, porventura de alguém com credenciais conservadoras, mas que possa contar com o apoio do establishment republicano. Nesse sentido, o Governador do Texas, Rick Perry, é um nome cada vez mais falado.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

O primeiro debate

Os participantes no debate de amanhã
É já amanhã, Quinta-feira, que se realiza o primeiro de vários debates entre os candidatos republicanos a obter a nomeação para as eleições presidenciais de 2012 pelo GOP, naquilo que pode ser considerado como o pontapé de saída da campanha eleitoral para as eleições que têm lugar no próximo ano. O evento decorrerá na Carolina do Sul, um dos Estados mais importantes nas primárias presidenciais americanas e o terceiro a ir a votos. 
Dos candidatos já anunciados, apenas Tim Pawlenty, Ron Paul, Rick Santorum, Herman Cain e Gary Johnson marcarão presença, enquanto que Mitt Romney e Newt Gingrich declinaram o convite. Assim sendo, este primeiro debate terá pouco ou nenhum significado, servindo quase somente para dar a conhecer alguns dos concorrentes menos mediáticos, como Cain ou Johnson. Aliás, o lento arranque da campanha e o fraco leque de candidatos que já anunciaram oficialmente a candidatura, já tinham feito com que o Politico e a NBC adiassem o seu primeiro debate, posição que não foi imitada pelo GOP da Carolina do Sul e pela FOX News, responsáveis pelo despique de amanhã.