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terça-feira, 4 de setembro de 2012

A oportunidade perdida de Romney

A Convenção Nacional Republicana terminou, a semana passada, com o habitual discurso de aceitação da nomeação por parte do candidato presidencial do partido. Para Mitt Romney, este era a sua grande oportunidade para transmitir uma boa imagem de si mesmo ao povo americano e para ganhar momentum na corrida presidencial, de forma a entrar na fase decisiva da campanha eleitoral com melhores probabilidades de derrotar Barack Obama.
Mas, a meu ver, o discurso de Mitt Romney foi uma oportunidade falhada. É certo que conseguiu mostrar o seu lado humano, desmontando algumas ideias com que os democratas vão tentando denegrir a sua imagem, como por exemplo, ao defender o seu passado na Bain Capital e ao sossegar o eleitorado feminino, junto do qual tem tido algumas dificuldades. Contudo, e apesar da defesa da sua imagem pessoal e dos ataques a Obama, Romney não foi capaz de apresentar o seu caso aos eleitores americanos. Ao não explicar como cumprirá as suas grandes promessas eleitorais (como irá, por exemplo, ser capaz de reduzir ao défice depois de baixar os impostos e aumentar a despesa com a Defesa, por exemplo?), o candidato republicano falha na questão essencial nesta eleição: porque é que os americanos estarão melhor com Romney na Casa Branca.
Além do conteúdo, há também a forma do discurso de Romney. Já se sabia que o antigo Governador do Massachusetts não é um grande orador, mas a verdade é que o seu discurso não foi galvanizador, não foi entusiasmante e não pareceu ter representado um momento de viragem na corrida. De facto, pela maior parte das opiniões nos media, e mesmo entre a Direita norte-americana, o discurso de Romney não foi o game changer de que os republicanos necessitavam, até porque os americanos não pareceram muito interessados naquilo que Romney tinha a dizer (as audiências do discurso foram as mais baixas dos últimos anos).
Assim sendo, a corrida pela Casa Branca, continua, ainda que ligeiramente, favorável a Obama. Aliás, segundo as sondagens, os republicanos não conseguiram um bounce significativo nas intenções de voto dos norte-americanos. Pelo contrário, o modelo de Nate Silver atribui, nesta altura, quase 75% probabilidades de vitória a Obama, isto ainda antes da Convenção Democrata, que começa hoje, em Charlotte.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O momento zen da Convenção Republicana

Durante os últimos dias, o Partido Republicano colocou os jornalistas que cobrem a Convenção Nacional Republicana em alvoroço, depois de anunciar que, no último dia, haveria lugar ao discurso de um orador mistério, sem dar qualquer indicação de quem seria essa enigmática figura. Pois ontem ficaram desfeitas as dúvidas, quando o actor e realizador Clint Eastwood (que já havia declarado o seu apoio a Mitt Romney) subiu ao pódio para um discurso que pode ser caracterizado bizarro, que incluiu falar em direcção a uma cadeira vazia, colocada ao seu lado, e que estaria imaginariamente ocupada por Barack Obama, a quem afirmou ser "completamente maluco". Um momento surreal e que pode assombrar toda a Convenção, assim como o discurso final de Mitt Romney, sobre o qual falarei mais tarde.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O primeiro dia

Começou ontem, pelo menos "a sério", a Convenção Nacional Republicana e o GOP não perdeu a oportunidade que lhes é concedida pela grande atenção mediática deste evento para "vender" a imagem do seu candidato à Casa Branca, Mitt Romney.
Terça-feira, que deveria ser o segundo da Convenção, mas que, devido ao furacão Isaac, foi, de facto, o primeiro, teve discursos para todos os gostos e com objectivos diferentes. O Senador Rand Paul dirigiu-se aos congressistas, basicamente para acalmar os apoiantes do seu pai, o candidato presidencial da facção libertária do partido, Ron Paul, e para demonstrar que a heterogeneidade do GOP é respeitada pela actual liderança. De seguida, discursou Rick Santorum, o principal adversário de Romney durante a campanha e que serviu para agradar aos republicanos mais conservadores e para atacar o registo de Barack Obama no que diz respeito às políticas do Estado social. Contudo, estes não eram os momentos mais aguardados.
Uma das maiores curiosidades do dia de ontem dizia respeito a Ann Romney e ao seu discurso. Até ao momento, a possível futura Primeira-Dama dos Estados Unidos tem estado algo ausente da campanha e há quem considere que Ann poderia ser uma mais valia para a candidatura republicana no trilho da campanha. E, ontem, a esposa de Mitt Romney pareceu dar razão a esses comentários, já que conseguiu um excelente discurso, apresentando um lado mais pessoal e humano do seu marido, o que é essencial, visto que as sondagens têm mostrado que uma das principais debilidades do nomeado republicano é a sua fraca capacidade para se "ligar" aos eleitores. No final do discurso de Ann, Mitt subiu ao palco, numa surpresa encenada.
Mais tarde, foi a vez do keynote speech, honra que este ano foi designada a Chris Christie, Governador de New Jersey. O discurso de Christie era muito antecipado pelos media e pelos delegados à Convenção. E o imponente Governador não desiludiu, apresentando uma comunicação ao seu estilo, apaixonada e vibrante, que levou ao rubro o Tampa Bay Times Forum. Christie serviu de attack dog, criticando duramente Barack Obama e os democratas. Contudo, parece-me que terá falhado, pelo menos em parte, no objectivo de "vender" a imagem de Mitt Romney aos norte-americanos, tendo demorado mais de metade do seu discurso a referir sequer o nome do nomeado republicano. Além disso, apresentou um contraste talvez demasiado forte com o discurso emotivo e sereno de Ann Romney e houve mesmo alguma contradição entre os dois discursos (Ann montou o seu discurso à volta do tema «amor», enquanto Christie disse que os americanos deveriam preferir o respeito ao amor).
 Mas, no final da noite, o resultado foi globalmente positivo para o Partido Republicano, que tem o handicap de ver a sua Convenção competir com um furacão no domínio do ciclo noticioso. Hoje, continuam os trabalhos, com a realização de muitos discursos de grandes estrelas do GOP (McCain, Pawlenty, Jeb Bush, etc.), mas o maior destaque vai para o de Paul Ryan, o candidato vice-presidencial que terá aqui o seu primeiro grande teste na campanha. Mais logo, veremos como se sai.

Vídeos dos discursos de Ann Romney e Chris Christie aqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Convenção republicana com início adiado

Devia ser hoje o arranque da Convenção Nacional Republicana, em Tampa Bay, na Florida. Todavia, devido à iminente chegada do furacão Isaac à costa dos Estados Unidos, o primeiro dia de trabalhos foi cancelado, aliás à imagem do que aconteceu, há quatro anos atrás, aquando da Convenção Nacional Republicana, em Minneapolis, cujo primeiro dia foi também desmarcado por causa de um outro furacão que ameaçava o Estado do Lousiana.
Com os fenómenos naturais a perturbarem o normal funcionamento do evento que o Partido Republicano tencionava utilizar para dar um empurrão decisivo à candidatura de Mitt Romney à Casa Branca, o alinhamento terá que ser, agora, remodelado, já que para o dia de hoje estavam agendados vários discursos, entre os quais os de Rand Paul, Mike Huckabee e da esposa do candidato presidencial republicano, Ann Romney.
Para já, apenas foi anunciada esta decisão adiar o início da Convenção, mas o Boston Globe colocou mesmo a possibilidade de todo o evento ser cancelado, dependendo da violência do furacão. Isto porque as imagens simultâneas de uma festa política e de milhares de americanos em sofrimento devido a uma catástrofe natural não é propriamente o cenário que os republicanos quererão transmitir aos eleitores, a poucos meses da eleição presidencial.
Contudo, esse cenário parece, de momento, pouco provável e a Convenção Nacional Republicana deverá abrir portas amanhã, num dia que será muito preenchido e onde se destaca o discurso de Chris Christie, o carismático Governador de New Jersey. Assim, se o tempo o permitir, os próximos três dias serão a grande oportunidade para o GOP vender a sua imagem é o do seu nomeado presidencial ao grande público e, com isso, dar um importante passo rumo à Casa Branca.