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terça-feira, 8 de novembro de 2016

O controlo do Senado (também) está em jogo

Apesar de receber o grosso das atenções mediáticas, não é apenas a escolha do Presidente que está hoje em jogo nos Estados Unidos. Como acontece de dois em dois anos, há eleições para o Congresso, com todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes a irem e votos, bem como um terço dos assentos no Senado (este ano 34 dos 100). Além disso, há ainda outros eleições de nível estadual, com destaque para a escolha do Governador em 12 Estados, assim como vários referendos, como, por exemplo, para a legalização da marijuana em vários Estados.
Dado o seu impacto a nível nacional, são as eleições para o Congresso aquelas que serão seguidas com mais atenção. No que diz respeito à Câmara dos Representantes, tudo indica que o Partido Republicano manterá a sua maioria. Com uma grande vantagem na câmara baixa (247 republicanos face a 188 democratas), conseguida na vitória esmagadora de há dois anos, seria necessária uma hecatombe destronar Paul Ryan do seu cargo de Speaker. Além disso, o redesenho dos distritos eleitorais, realizado após outra grande vitória republicana em 2010, favorece claramente o GOP, pelo que, mesmo que o voto nacional para o Congresso favoreça os democratas por alguns pontos percentuais, isso não será suficiente para dar ao partido de Hillary Clinton o controlo da câmara baixa. No final de contas, os democratas deverão ganhar alguns lugares - o número de assentos que conquistarão aos republicanos pode muito bem depender da dimensão da (eventual) vitória da sua candidata presidencial - mas o Partido Republicano manterá a sua maioria.
Já no Senado, a conversa é outra e o equilíbrio é a nota dominante. Actualmente, o GOP possui 54 dos 100 assentos na câmara alta, contra 44 democratas e 2 independentes (que votam ao lado dos democratas). Todavia, neste ciclo eleitoral 24 dos 34 lugares em jogo são ocupados por republicanos, pelo que os democratas têm muito a ganhar com a eleição de hoje. 

Para chegarem pelo menos a 50 assentos (contando que Hillary vence, podendo Tim Kaine utilizar o voto de desempate atribuído ao Vice-Presidente pela Constituição), os democratas precisam, então de recuperar 4 assentos. Um deles, no Illinois parece garantido, pelo que terão de vencer, pelo menos, três de seis eleições que se encontram equilibradas. No Wisconsin, no Nevada e na Pennsylvania, os candidatos democratas são ligeiramente favoritos, enquanto que no Missouri, no Indiana e na North Carolina as sondagens favorecem os candidatos republicanos. 
Normalmente, nestas eleições "secundárias", o voto é muito afectado pelo que acontece no topo do ticket. Assim sendo, é bem possível que uma vitória robusta de Hillary Clinton ajude a uma vitória dos democratas na maioria, ou mesmo em todas, das corridas, como aconteceu em 2008 ou em 2012, quando ajudados pelos triunfos de Obama, os candidatos democratas ao Senado venceram todas as eleições competitivas. Por outro lado, se Donald Trump vencer ou conseguir um resultado muito próximo de Hillary Clinton, é possível que os republicanos juntem o controlo do Senado ao da Câmara dos Representantes. Ainda assim, parece-me mais plausível que os democratas saiam vencedores na disputa pelo controlo do Senado ou que, pelo menos, consigam os 50 votos necessários para dependerem do (provável) VP Tim Kaine para o desempate.

domingo, 15 de junho de 2014

A incrível derrota de Eric Cantor

Na passada Terça-feira à noite, os Estados Unidos foram testemunhas de uma das mais surpreendentes derrotas políticas de que há memória. Eric Cantor, o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes (o segundo cargo mais importante, apenas ultrapassado pelo Speaker), não poderá ser reeleito como o congressista do 7º distrito do Estado da Virginia, após ter sido batido nas eleições primárias do Partido Republicano por David Brat, um (até agora) desconhecido professor universitário.
Apoiado por grupos do Tea Party a nível local e estadual, David Brat desafiou Cantor pela sua Direita, acusando-o de não ser suficientemente conservador, de se preocupar mais com a elevação do seu estatuto público do que com os seus constituintes e de ser soft on immigration. Contudo, nem mesmo as organizações do Tea Party a nível nacional investiram seriamente nestas primárias, dado que a vitória de Eric Cantor era vista como certa, o que demonstra bem o efeito choque que a derrota de um dos mais influentes e poderosos republicanos provocou no mundo político norte-americano.
Uma das principais repercussões do afastamento de Eric Cantor poderá sentir-se na tão aguardada e, ao mesmo tempo, tão adiada reforma da imigração. O congressista da Virginia era visto como uma das figuras de proa do Partido Republicano para o avanço legislativo desta reforma e, sem a sua presença na Câmara dos Representantes, a vontade dos republicanos para chegarem a um acordo com os democratas nesta matéria pode ser seriamente afectada. Além disso, o facto de a posição tendencialmente favorável de Cantor em relação à reforma da imigração ter sido, ao que tudo indica, uma das principais razões para a sua derrota nas primárias, pode levar muitos congressistas republicanos a pensarem duas vezes quando ponderarem o seu eventual apoio à reforma.
Após a derrota da semana passada, esfumou-se também o sonho de Eric Cantor em ascender à tão ambicionada posição de Speaker of the House. Sendo o número dois na hierarquia da Câmara dos Representantes e assumindo-se como uma das principais figuras do Partido Republicano, o congressista da Virginia era o principal favorito a suceder a John Boehner como Speaker. Agora, com Cantor fora de cena, assistiremos a uma enorme luta de poder entre os congressistas do GOP: primeiro, para a sucessão de Eric Cantor e, mais tarde, para a substituição de Boehner.
O resultado no 7º distrito da Virginia pode também voltar a trazer à baila a narrativa da influência negativa das facções mais conservadoras nas eleições primárias do Partido Republicano. Este ano, essa tendência não se tem sentido tanto como em 2010 e 2012, mas também é verdade que estamos ainda muito cedo no calendário eleitoral. Caso se verifique que, mais uma vez, os candidatos do Tea Party estão a derrotar, nas primárias, candidatos mais moderados e, logo, mais elegíveis, isso pode prejudicar as hipóteses do GOP nas eleições intercalares do Outono. Ora, numas eleições em que se prevê que o controlo do Senado possa depender de apenas um assento, basta uma escolha menos acertada para alterar totalmente o desfecho da noite eleitoral do dia 4 de Novembro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A posição republicana

Dois dias depois do Shutdown, continua a não haver acordo em Washington e os serviços não essenciais do governo federal continuam encerrados. Ontem, na Casa Branca, Barack Obama reuniu-se com os líderes democratas e republicanos do Congresso, mas nenhum entendimento foi alcançado. Os republicanos continuam a insistir no seu ataque ao Obamacare e Obama é intransigente na defesa da maior vitória legislativa da sua presidência.
Para muitos, pode parecer estranha a posição republicana. É verdade que a reforma do sistema de saúde norte-americano continua a dividir opiniões nos Estados Unidos. Contudo, essa reforma foi aprovada pelo Congresso, confirmada pelo Supremo Tribunal e passou o teste das urnas no ano passado. Assim sendo, porque razão continuam os congressistas republicanos tão empenhados na sua luta para derrubar o Obamacare?
Para perceber a resposta a esta questão é preciso recuarmos às eleições intercalares de 2010. Nesse ano, o Partido Republicano alcançou uma grande vitória e, além de roubar a maioria na Câmara dos Representantes aos democratas, conseguiu o controlo da maioria dos órgãos legislativos estaduais. Ora, são exatamente as legislaturas estaduais que determinam, a cada dez anos, o desenho e a distribuição dos círculos eleitorais que determinam a eleição dos congressistas para a Câmara dos Representantes. Em 2011, com as câmaras legislativas da maior parte dos Estados no seu poder, os republicanos redesenharam os círculos eleitorais de forma a que as suas hipóteses nas eleições para a House saíssem muito favorecidas. Neste momento, a distribuição dos círculos eleitorais é-lhes tão favorável que os democratas, para conseguirem uma maioria na Câmara dos Representantes, teriam de vencer o GOP por 4% ou 5% dos votos a nível nacional.
Além de garantir que a maioria dos congressistas republicanos estão seguros da sua posição eleitoral, tendo, por isso, maior margem de manobra para tomar posições impopulares, a redistribuição dos distritos congressionais também resultou numa maior polarização dos círculos eleitorais. Por norma, os distritos controlados por um congressista democrata são constítuidos por uma maioria de liberais, enquanto que os distritos nas mãos de um republicano são tendencialmente muito conservadores. Assim, os congressistas do GOP têm, grosso modo, um eleitorado significativamente mais conservador do que o eleitor médio norte-americano. E, como é óbvio, esse eleitorado opõe-se ao Obamacare, provavelmente o programa federal mais odiado de sempre pelo movimento conservador dos Estados Unidos.
Podemos, então, concluir que os congressistas republicanos, ao combaterem a implementação do novo sistema de saúde, estão apenas a cumprir a vontade dos eleitores que representam. É preciso ainda recordar que os congressistas têm, com honrosas excepções, pouca notoriedade e influência a nível nacional. Apenas um pequeno número terá a ambição de alcançar cargos estaduais ou nacionais, pelo que lhes interessa, sobretudo, manter satisfeitos os seus constituintes. 
Com esta explicação, torna-se mais compreensível a tomada de posição dos republicanos na Câmara dos Representantes. Todavia, nem o facto de a postura do GOP ser menos irracional do que à primeira vista se poderia pensar reveste de objectividade a sua posição. Isto porque, mais tarde ou mais cedo, terão de ceder de forma a permitir que o governo volte a funcionar normalmente. E, no final, o Obamacare continuará a ser the law of the land, mas o shutdown terá, ao que tudo indica, fortes consequências políticas e eleitorais para o Partido Republicano

quinta-feira, 7 de março de 2013

Obama decidido a recuperar a Câmara dos Representantes

Barack Obama venceu há poucos meses aquela que terá sido a última eleição da sua vida, mas estará já com os olhos postos no próximo ciclo eleitoral, ainda que o seu nome não vá constar dos boletins de voto. Em 2014, haverá eleições intercalares e o Presidente dos Estados Unidos parece determinado a recuperar o controlo da Câmara dos Representantes para o seu partido. 
A tarefa não se avizinha nada fácil, já que o Partido Democrata terá de conquistar 17 assentos na câmara baixa do Congresso ao GOP. Apesar de ser possível, e até provável, que os democratas sejam o partido mais votado nas eleições para a House, a verdade é que a actual distribuição dos círculos uninominais favorece claramente os republicanos que, após as suas vitórias retumbantes nas midterms de 2010, redesenharam os distritos de forma a terem vantagem nas eleições para a Câmara dos Representantes. 
Assim sendo, os democratas terão de obter um excelente resultado para serem capazes de se tornaram novamente maioritários. E é nesse sentido que Obama tem trabalhado, envolvendo-se mais directamente do que nunca no planeamento da estratégia da campanha do próximo ano e, principalmente, concentrando-se em angariar rios de dinheiro para os candidatos democratas serem o mais competitivos possível. Todavia, o contributo do 44º Presidente será principalmente ao nível organizacional e financeiro e menos focado no apoio pessoal aos candidatos no terreno (como, por exemplo, com presenças em eventos de campanha). Isto porque, neste momento, os democratas controlam a grande maioria dos distritos onde o seu candidato presidencial venceu em 2012, pelo que terão de apostar em terrenos onde Obama é relativamente impopular.
Esta nova atitude do Presidente em relação às eleições para o Congresso (noutros ciclos eleitorais mostrou-se bem menos interessado em ajudar o seu partido) prende-se sobretudo com a preocupação em garantir um legado duradouro e efectivo para a sua presidência. Frustrado com a ausência de entendimentos com a oposição republicana no Congresso, Obama já percebeu que a melhor forma fazer passar legislação de relevo neste seu segundo mandato é contar com uma maioria democrata no Capitólio.
Deste modo, Obama aposta na recuperação da Câmara dos Representantes - que terá de ser conjugada com a manutenção da maioria democrata no Senado, o que não é um dado adquirido - para garantir que a sua agenda legislativa será cumprida e que o legado da sua presidência deixará uma profunda marca na história norte-americana. Com esta nova estratégia, Barack Obama parece estar a dizer: "se não te podes juntar a eles (ou eles a ti), derrota-os".

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Previsão final


Colégio Eleitoral: Obama 303 - Romney 235
 
Voto Popular: Obama 50% - Romney 49%
 
Senado: Democratas 53 - Republicanos 47
 
Câmara dos Representantes: Democratas ganham alguns lugares (entre 4 a 8), mas o GOP mantém a maioria
 
No Sábado, já antevi a vitória de Barack Obama na eleição presidencial que se decide amanhã. Contudo, na véspera do grande dia, deixo aqui a minha previsão para o mapa eleitoral das eleições de 2012. Como podem ver pela imagem de cima, prevejo a vitória de Obama por 303 votos eleitorais, cabendo a Mitt Romney os restantes 235. Para chegar a estes números, atribuí ao actual Presidente vitórias nos battleground states Ohio, New Hampshire, Virginia, Iowa, Colorado e Nevada, ficando Romney com a North Carolina e a Florida. Entre estes, as minhas principais dúvidas prenderam-se com o Colorado e com a Florida. Optei por atribuir cada um deles a um candidato: o Colorado para Obama, devido à forte comunidade hispânica que pode fazer a diferença a favor do democrata, e a Florida para Romney, porque é o republicano quem tem liderado na maior parte das sondagens sobre o sunshine state. Já o voto popular deve reflectir o equilíbrio da corrida, pelo que aponto um triunfo de Obama pela margem mínima.
Em relação às eleições do Congresso, mantenho a minha previsão anterior, onde tinha projectado que os democratas mantivessem o controlo da câmara alta, ficando com um número de senadores entre os 52 e os 54. Assim sendo, e para ser mais preciso, aponto que, após as eleições de amanhã, os democratas ficarão com 53 assentos, face aos 47 dos republicanos. Ou seja, se estiver correcto, o Senado ficará exactamente na mesma. Por sua vez, a constituição da Câmara dos Representantes também não deverá sofrer grandes alterações. É provável que o Partido Democrata ganhe alguns lugares, talvez uma mão cheia, actualmente detidos por republicanos. Todavia, isso não será suficiente para colocar em perigo a actual maioria do GOP na câmara baixa do Congresso.
Na Quarta-feira, quando forem conhecidos todos os resultados (se tudo correr bem), veremos como me saí nas minhas previsões. Mas, como não quero ser o único a arriscar, desafio também os leitores a deixarem as suas previsões na caixa de comentários, para que possamos comparar opiniões.
 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vitórias republicanas a Norte e a Oeste

Continuam as más notícias para os democratas. Ontem foi dia de eleições especiais para o Congresso dos Estados Unidos em dois distritos, um em Nova Iorque, outro no Nevada. E ambos caíram para o lado dos republicanos.
No Nevada, já se esperava que os republicanos fossem capazes de manter o assento na Câmara dos Representantes que ocupavam, mas a margem da vitória (58% contra 36%) não deixa de ser contundente, em especial tratando-se de um swing state para as eleições presidenciais do próximo ano. Assim, este resultado deve preocupar os democratas e, em especial, Barack Obama.
Por sua vez, o desfecho da eleição em Nova Iorque, num distrito que agrega as zonas de Queens e de Brooklyn, terreno onde os democratas têm uma vantagem de três para um em eleitores registados, envia um sinal alarmante para o Partido Democrata, que parece estar em perda mesmo entre as suas bases. Esta derrota é, pelo menos em parte, explicada pelo escândalo que envolveu o anterior detentor do cargo, o democrata Anthony Weiner, que se demitiu depois de um escândalo sexual, mas também pela impopularidade de Obama entre a comunidade judaica nos Estados Unidos e que compunha grande parte do eleitorado neste distrito. 
Apesar de se tratarem de apenas duas eleições especiais para a Câmara dos Representantes, com pouca ou nenhuma expressão política em termos efectivos, a verdade é que estes dois resultados comprovam a fragilidade dos democratas e do Presidente, mesmo numa altura em que os republicanos do Congresso são ainda mais impopulares. Assim, e para desfortúnio do Partido Democrata, parece que o actual clima político dos Estados Unidos se assemelha mais ao dos anos das vitórias republicanas, de 2009 e 2010, do que a 2006 e 2008, quando os democratas varreram o mapa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O regresso de Gabrielle Giffords

Apesar da extrema importância do voto de ontem à noite na Câmara dos Representantes, o maior destaque da noite foi, sem dúvida, o regresso da congressista democrata pelo Arizona, Gabrielle Giffords, à Câmara dos Representantes. Cerca de oito meses depois de ter sido baleada na cabeça no tristemente célebre massacre de Tucson, Giffords foi recebida em verdadeira apoteose pelos seus colegas na câmara baixa do Congresso e pelo Vice-presidente Joe Biden, tendo, depois, votado em sentido favorável ao aumento da dívida dos Estados Unidos. Entre o clima de discórdia e a intolerância que rodeou este debate, o regresso de Gabrielle trouxe alguma união e compaixão entre os políticos de Washington. Welcome back, Gaby!

Aumento da dívida passa na House

Parece muito próximo o final da maior trapalhada na política norte-americana dos últimos anos. Ontem à noite, a Câmara dos Representantes aprovou o aumento do limite da dívida dos Estados Unidos, juntamente com um plano de redução do défice que prevê o corte de mais de 2 triliões de dólares durante os próximos dez anos.
Ao contrário do que se chegou a esperar, ao longo das longas e difíceis conversações rumo a um entendimento entre democratas e republicanos, a proposta passou folgadamente, com 269 favoráveis e apenas 161 contra. Entre as fileiras partidárias, os congressistas republicanos declararam-se maioritariamente a favor do plano, numa divisão entre 174 votos "sim" e 66 votos "não. Já entre os democratas a divisão foi total, com 95 votos positivos e outros 95 negativos. Em ambos os caso, os votos contra vieram das alas menos moderadas: no GOP, os congressistas mais conservadores, menos experientes e apoiados pelos Tea Party foram, por norma, aqueles que votaram contra o aumento da dívida; por sua vez, na bancada democrata, foram os elementos mais liberais, com destaque para o black caucus, que não acompanharam a liderança do seu partido e da sua bancada no apoio a este plano.
Agora caberá ao Senado, que deverá votar durante o dia de hoje, confirmar a votação da câmara baixa, de modo a evitar que os Estados Unidos entrem, à meia noite nos EUA, em default. Todavia, o pior parece ter já passado e ninguém imagina que possa ocorrer um qualquer golpe de teatro, ainda para mais quando é sabido que o Senado é, por tradição, um órgão formado por políticos de maior ponderação e sentido de responsabilidade do que a volátil Câmara dos Representantes.
Quanto a Barack Obama, consegue evitar a utilização da opção constitucional que lhe permitiria aumentar automaticamente e unilateralmente o tecto da dívida. Contudo, se o Presidente americano se visse forçado a isso, o mais provável é que os republicanos mais radicais avançassem com um processo de impeachment, o que proporcionaria uma disputa feia e intensa nas vésperas da campanha pela sua reeleição.
No fim de contas, todo o processo parece ter resultado numa vitória republicana, que consegue, como pretendido, uma substancial diminuição do Estado. Até por isso, é quase incompreensível a atitude da ala mais radical do GOP, que se comportou de forma irresponsável e indefensável, tomando de refém todo um processo negocial, quando, no fundo, o seu partido apenas domina a Câmara dos Representantes, estando o Senado e a Casa Branca nas mãos dos democratas.
Este acordo, apesar de ser penoso para o Partido Democrata - não incluí qualquer subida de impostos - tem pelo menos o condão de "empurrar" para 2013 (depois das eleições presidenciais) qualquer discussão sobre um novo aumento do limite da dívida e contempla, contra a vontade republicana, cortes no orçamento do Pentágono.  Além disso, é provável que, devido ao plano que hoje deverá passar no Senado, os democratas não deixem passar a oportunidade de, no próximo ano, deixarem cair os cortes de impostos da era Bush. Assim, apesar do acordo final ser favorável ao GOP, é caso para dizer que os democratas live to fight another day.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O risco do GOP

Na passada Sexta-feira, a maioria republicana na Câmara dos Representantes aprovou um projecto para o orçamento federal que prevê um corte de 5.8 triliões (!) de dólares na despesa, durante a próxima década. Entre as medidas que seriam tomadas para diminuir a dimensão do Estado encontram-se cortes nos programas federais de assistência de saúde aos idosos (Medicare) e aos mais pobres (Medicaid). Ora, tem sido precisamente em torno destes dois programas que se tem concentrado a discórdia e a polémica entre os dois partidos. Na votação da Câmara dos Representantes, a divisão foi notória, já que todos os democratas votaram contra o plano do congressista do GOP Paul Ryan, enquanto que apenas quatro republicanos quebraram a disciplina partidária e se opuseram a esta proposta. 
É de esperar que a votação da semana passada, assim como o plano de Paul Ryan, seja um dos tópicos mais presentes na cada vez mais próxima campanha de 2012. Ao proporem-se reduzir o Medicare e o Medicaid, dois programas muito populares entre os norte-americanos, os republicanos arriscam-se a sofrer tanto ou mais danos eleitorais do que os democratas sofreram em 2010, devido à impopular reforma da saúde que fizeram aprovar no ano passado. Além disso, os democratas passam a contar com uma importante bandeira eleitoral, que poderão e deverão utilizar durante a campanha para as eleições presidenciais e legislativas contra os candidatos republicanos. Este é um grande risco assumido pelo GOP, com consequências que apenas o futuro ditará.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pelosi não desarma

Apenas dois dias depois de ter sofrido uma retumbante derrota eleitoral, Nancy Pelosi anunciou, hoje, via Twitter, que é candidata a manter-se como líder dos democratas na Câmara dos Representantes. Desta vez, depois de o seu partido ter perdido o controlo da câmara baixa do Congresso, não terá o cargo de Speaker, tendo de se contentar (se for eleita) com o título de minority leader.
O anúncio de intenções de Pelosi não deixa de ser surpreendente, já que a congressista californiana foi uma das grandes derrotadas das eleições intercalares. A sua tremenda impopularidade junto do eleitorado fez mesmo com que os republicanos a elegessem como o principal alvo nos seus anúncios e discursos eleitorais, associando cada político democrata à sua impopular líder. Dessa forma, era esperado que pusesse o seu lugar à disposição, de modo a que os democratas pudessem renovar a sua imagem, para começarem, desde já, a preparar o seu contra-ataque para 2012.
Contudo, Nancy Pelosi resolveu continuar a liderar os democratas e, apesar dos anti-corpos que reúne junto da população americana, a verdade é que tem boas hipóteses de ser novamente escolhida para a função, pois é uma heroína dos liberais e tem fortes laços com a ala mais à esquerda do Partido Democrata. Além disso, o grupo dos democratas que terá, porventura, menos interesse em continuar a ser liderado por Pelosi são os Blue Dogs. Contudo, não deverão ter a força necessária para fazerem frente à ainda Speaker, já que foram literalmente trucidados nas últimas eleições, com cerca de metade dos membros da Blue Dog Coalition a ser derrotados pelos republicanos.
Não há dúvidas que Nancy Pelosi provou ser uma Speaker eficaz e muitíssimo bem sucedida. Porém, nessa posição, a sua principal função era garantir a coesão partidária e evitar divisões, enquanto que, agora, à frente de uma bancada minoritária, os democratas necessitam de alguém com menos anti-corpos no GOP e melhor capacidade de fazer a ponte com a oposição.
Assim, parece-me que quem sai a ganhar desta jogada é mesmo o GOP, que continua a ter como principal adversário no Congresso uma figura que os americanos não vêem de forma favorável. Pelo contrário, Barack Obama não deve ficar muito satisfeito com a "nuvem" Pelosi a ensombrar a sua campanha de reeleição, mas também nada pode fazer para o evitar, correndo o risco de irritar e alienar os democratas mais liberais.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

House sweep

Este é o novo mapa da distribuição dos representantes por partido político relativo à Câmara dos Representantes. Como se pode ver, o vermelho é, agora, a cor dominante, já que a imponente vitória republicana fez com que o GOP passasse a ser o partido maioritário na câmara baixa do Congresso. Agora, quando há ainda 13 corridas sem vencedor anunciado, os republicanos contam com 239 representantes, enquanto os democratas se ficam pelos 183. A perda de lugares pelo Partido Democrata vai já em 60, o que representa uma maior derrota do que em 1994, durante o primeiro mandato de Bill Clinton, quando perderam 52 assentos na House.
Está, assim, concretizada uma pesadíssima derrota para os democratas, que vêem Nancy Pelosi abandonar o cargo de speaker, lugar que passará a ser ocupado pelo republicano John Boehner. A partir de agora, o panorama político dos Estados Unidos vai mudar completamente, já que a Casa Branca de Obama e a Câmara dos Representantes controlada pelo GOP terão de ser capazes de se entender e alcançar compromissos, caso contrário o país ficará ingovernável. E o primeiro passo nesse sentido deverá ser dado pelo Presidente americano, já hoje, quando falar ao país.

GOP ganha a Câmara dos Representantes

É praticamente oficial. A CNN e a NBC já declararam a vitória do Partido Republicano na câmara baixa do Congresso. Assim, Nancy Pelosi deixa o cargo de speaker, que deverá passar a ser ocupado pelo republicano John Boehner. Este era um desfecho esperado, mas que não deixa de constituir um enorme triunfo para o GOP. Com a vitória assegurada, falta agora perceber qual a sua dimensão.

Balanço inicial

Apesar de ainda estarmos no início da noite eleitoral, parece já claro que os democratas vão manter o controlo do Senado, podendo mesmo conseguir manter uma maioria mais folgada do que parecia possível. Por outro lado, os republicanos estão a conseguir os ganhos que eram esperados na Câmara dos Representantes. Nesta altura, a maior dúvida é perceber se os resultados deste ano serão superiores ou não aos de 1994, quando os republicanos retiraram 54 assentos aos democratas na House. Pelo que vi até agora, parece-me que a vitória do GOP deverá rondar esses números.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Primeiras impressões

Enquanto vou vendo os primeiros resultados oficiais e analisando algumas exit polls, fico com a sensação que a noite de hoje poderá trazer desfechos diferentes para cada uma das câmaras do Congresso. No Senado, a situação para os democratas poderá ser melhor do que se previa, já que parecem estar em boa posição nas corridas de Washington, da California, da West Virginia e mesmo nas do Colorado e do Nevada. Contudo, na disputa pela Câmara dos Representantes a história é bem diferente, visto que os resultados já conhecidos em alguns distritos do Kentucky e do Indiana parecem indicar que se está a preparar uma grande vitória republicana. Assim, pode muito bem acontecer que, com um empate no Congresso (apesar de, na prática, os republicanos também irem ganhar lugares no Senado), sejam as eleições para os governadores estaduais que decidam quem cantará vitória nestas midterms de 2010.

domingo, 31 de outubro de 2010

Projecções finais: Câmara dos Representantes

Este é o actual figurino da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos. Contudo, após as eleições da próxima Terça-feira, a sua constituição deverá ser profundamente modificada, devendo mesmo alterar-se o partido maioritário, com os democratas a perderem o controlo da House.
Neste caso, tratando-se de 435 eleições diferenciadas, torna-se quase impossível fazer a minha previsão independente do possível resultado da noite de 2 de Novembro. Dessa forma, o melhor é mesmo citar as várias projecções dos especialistas. E todos perspectivam um grande número de lugares conquistados pelos republicanos aos democratas:  Nate Silver: + 53; Larry Sabato: + 55; Cook Political Report: entre + 48 e + 60. Dado que os democratas contam, actualmente com uma vantagem de 39 congressistas, qualquer uma destas previsões aponta para um ganho de assentos pelos republicanos que será mais que suficiente para que assumam o controlo da Câmara dos Representantes.
A último e derradeiro factor que pode permitir ao Partido Democrata manter a sua maioria na House é que as empresas de sondagens tenham previsto erroneamente aquilo a que se costuma referir como entusiasm gap. Ou seja, pode suceder que, afinal, os tradicionais eleitores democratas (como os jovens ou os afro-americanos) não se abstenham em tão altos números como está a ser suposto pelos analistas, o que poderia proporcionar melhores resultados aos democratas do que os que estão a ser traduzidos pelas sondagens. Porém, esse é o melhor cenário possível para o Partido Democrata e nada indica que se venha a cumprir. Pode acontecer, pelo contrário, que esse entusiasm gap seja ainda maior do que o previsto e que, dessa forma, os republicanos tenham ganhos estrondosos, retirando aos democratas mais de 60 lugares na câmara baixa e talvez conseguindo mesmo o controlo do Senado (que terá, em breve, direito a nova projecção). 
Esses são cenários extremos e que provavelmente não se realizarão. O mais provável é assistirmos, ainda assim, a uma estrondosa republicana na Câmara dos Representantes que levará à mudança da maioria e, em última instância, à saída de Nancy Pelosi como Speaker of the House.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

2 weeks to go

Daqui a precisamente duas semanas, os eleitores americanos deslocar-se-ão às urnas para escolher os seus congressistas, senadores e governadores (além de outros representantes a nível estadual). Com o aproximar do dia de todas as decisões, muitas das corridas têm mostrado uma tendência de maior equilíbrio rumo às eleições de 2 de Novembro. Esse dia irá marcar decisivamente o futuro próximo da política norte-americana e vai também moldar as eleições presidenciais de 2012, onde Obama tentará a reeleição.
Mas, de entre todas as centenas de corridas que irão decorrer na noite eleitoral, haverão alguns pontos de interesse que se destacarão. Em primeiro lugar estará a disputa pelo controlo da Câmara dos Representantes, actualmente sob o domínio democrata, partido que tem uma vantagem de 39 congressistas sobre os seus adversários republicanos. Contudo, todas as análises são unânimes em atribuir aos republicanos um ganho de lugares que será suficiente para fazer com que o GOP retome o controlo da Câmara Baixa e afaste Nancy Pelosi do cargo de speaker.
Depois, e apesar de dificilmente o Senado ir mudar de mãos, várias corridas para esta câmara irão merecer as maiores atenções durante a noite das midterms. Entre elas, a do Nevada merece natural destaque, visto que o actual líder da maioria do Senado, Harry Reid, corre sérios riscos de não ser reeleito. Em seguida, temos quase uma dezena de eleições equilibradas e cujo desfecho está longe de ser conhecido. A mais curiosa dessas corridas é a do Alasca, onde decorre uma interessante luta a três, entre o republicano Joe Miller, o democrata Scott Adams e a "auto-candidata" Lisa Murkowski que, sendo a actual detentora do cargo, perdeu a nomeação do Partido Republicano. Esta indecisão no mais remoto estado americano fará com que apenas na manhã do dia 3 de Novembro saibamos todos os resultados finais desta louca noite eleitoral.
Por fim, entre as eleições para os governadores estaduais, saliento as que terão lugar na Califórnia, no Illinois, na Florida e no Ohio, pela importância que se revestem devido à dimensão dos estados em causa, mas também por se tratarem, nos últimos dois casos, dos maiores battlegrounds em eleições presidenciais. Em segundo plano estarão as disputas no Massachussetts e no Minnesota, as mais importantes daquelas que estão, neste momento, em empate técnico.
Quando entramos para as duas últimas semanas de campanha, muito pode ainda acontecer e nunca se sabe que surpresas podem aparecer até ao dia das eleições. Porém, por esta pequena amostra daquilo que poderão ser alguns dos principais destaques da noite de 2 de Novembro, fica claro que não faltarão motivos de interesse, nem matéria para analisar, numa noite que promete ser longa, mas também emocionante.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nate Silver anuncia: o GOP vai recuperar a House

Nate Silver, o especialista em estatísticas que se notabilizou durante as eleições presidenciais de 2008 (onde previu correctamente os resultados em 49 dos 50 estados), lançou  o seu novo modelo de previsão dos resultados relativos à Câmara dos Representantes nas  eleições intercalares de 2 de Novembro, depois de ter feito o mesmo para o Senado e para as eleições para os governos estaduais. 
Os primeiros valores hoje apresentados são muito negativos para os democratas: Nate Silver estima que os republicanos ganhem entre 45 e 50 representantes ao Partido Democrata, o que será suficiente para que o GOP passe a ser o partido maioritário na câmara baixa do Congresso. Segundo o seu site, o Partido Republicano tem 67% de probabilidades de recuperar o controlo da House, que perdeu para os democratas em 2006.
O espaço de Nate Silver, o 538 (número correspondente ao total de votos eleitorais nas eleições presidenciais), lançado durante a fantástica disputa pela presidência americana de 2008, está agora englobado no gigante New York Times, o que confere ainda mais credibilidade a Nate Silver, um talentoso analista político e que, apesar de ser assumidamente um liberal, é capaz de manter a imparcialidade. Para quem gosta de sondagens e de estatísticas, ou simplesmente de política americana, o seu site é de visita obrigatória.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A luta pela Câmara dos Representantes

No que diz respeito às eleições intercalares que irão ter lugar no próximo dia 2 de Novembro, tenho dado especial destaque às corridas em que se disputam lugares no Senado americano, mas tenho-me abstido de fazer grandes referências à disputa pela Câmara dos Representantes. Isto porque, ao contrário do Senado, onde apenas estão em jogo um terço dos lugares, a câmara baixa do Congresso irá a votos, na sua totalidade perfazendo 435 diferentes eleições. Assim, torna-se impossível seguir um tão elevado número de situações e, além disso, o cargo de Senador tem uma importância e um destaque que o de Representante não tem, levando os media e os analistas a focarem a sua atenção nas corridas ao Senado.
Mas enquanto que no Senado dificilmente os republicanos conseguirão destronar os democratas da maioria, já na House a situação é-lhes mais favorável. Apesar da larga vantagem com que os democratas contam, não é de todo impossível que o GOP consiga vencer os cerca de 40 lugares que chegariam para passarem a controlar a Câmara dos Representantes. Se tal vier a suceder, repetir-se-ia o cenário das eleições de 1994, quando os republicanos, a meio do primeiro mandato de Bill Clinton, conseguiram uma estrondosa vitória, "virando" 54 assentos. 
Como não é possível haver sondagens para cada eleição, o método utilizado para se seguir a disputa pela House é a intenção de voto a nível nacional. E, segundo a média do Pollster, os republicanos levam vantagem, se bem que uma recente sondagem da conceituada Gallup tenha atribuído vantagem ao Partido Democrata. Contudo, é preciso ter em conta que os números nacionais não passam de um indicador, e as ilações que deles podem ser retiradas são muito limitadas. Além disso, como a distribuição dos círculos eleitorais é prejudicial aos democratas, é usual considerar-se que o empate real entre os dois partidos corresponde a uma vantagem de dois pontos percentuais dos democratas. Desta forma, só quando o Partido Democrata surge com vantagem superior a 2% nas sondagens nacionais é que terá ganhos reais em número de representantes eleitos.
Para já, o cenário para Novembro está totalmente em aberto. É quase certo que os republicanos irão conseguir recuperar assentos no Congresso, mas se vão conseguir destronar Nancy Pelosi como speaker é algo que permanece uma incógnita. Se o conseguirem, isso significará que teve lugar um verdadeiro vendaval do GOP, e traduzir-se-á numa grande vitória republicana. Por outro lado, os democratas, mesmo vendo a sua maioria reduzir-se, poderão cantar vitória se, depois das eleições, continuarem a controlar o Congresso. 
Assim, a luta pelo Congresso define-se não só pelas disputas eleitorais, mas também pelo jogo de expectativas. Com o clima político a prometer ser bem mais favorável aos republicanos, não é de admirar que o lado democrata tenha começado a  subir as expectativas para os resultados do GOP, enquanto desce as suas. Desta forma, será mais fácil declararem-se vitoriosos depois de contados os votos dos americanos, ao mesmo tempo que eleva o nível de exigência para uma vitória republicana. 
Seja como for, esta é uma luta que se prevê animada e disputada até 2 de Novembro, passando muito por aqui a declaração de vitória nessa longa noite de importantes decisões.

sexta-feira, 26 de março de 2010

It's over

Agora foi de vez. A reforma da saúde americana, depois de um ano de polémicas e disputas no congresso, passou, finalmente, nas duas câmaras do Capitólio.
O Senado aprovou a legislação, através do método de Reconciliation, para evitar o bloqueio do fillibuster republicano, com o voto favorável de 56 senadores, todos do caucus democrata. Apenas três senadores do partido maioritário votaram contra - Ben Nelson, do Nebraska, Mark Pryor e Blanche Lincoln, ambos do Arkansas. Estes senadores são todos democratas moderados que representam Estados conservadores, o que explica o seu interesse em não votarem a favor da reforma.
Logo a seguir, a Câmara dos Representantes voltou a votar a proposta de lei, depois das irregularidades detectadas na véspera. O resultado foi o mesmo e a reforma foi aprovada, com 220 votos a favor e 207 contra.
Terminou, assim, um longo processo que dominou a agenda política dos Estados Unidos, desde que Barack Obama tomou posse, em Janeiro de 2009, e definiu a reforma no serviço de saúde americano como a sua grande prioridade para o início do seu mandato.
Obama e os democratas conseguiram uma vitória, que se revelou mais difícil e menos limpa do que gostariam e do que esperariam, dado o seu controlo da Casa Branca e do Congresso, mas que não deixa de ser um grande triunfo legislativo e político.