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quarta-feira, 9 de junho de 2010

O centro responde; os democratas sorriem

Sucedem-se as primárias para as eleições intercalares de Novembro e ontem foi uma das noites mais importantes do ano nessa matéria. Foram a votos 12 Estados da União, mas, aqui, irei destacar apenas três, onde tiveram lugar as corridas mais importantes: o Arkansas, o Nevada e, claro, a Califórnia.
No Arkansas disputava-se a segunda volta das primárias democratas para o Senado, onde a senadora Blanche Lincoln tinha a forte e perigosa oposição de Bill Halter, o Lieutenant Governor do Estado, apoiado pela ala mais liberal do Partido Democrata e pelos sempre influentes sindicatos. Apesar das últimas sondagens atribuírem o favoritismo a Halter, Lincoln conseguiu a vitória nesta disputada contenda eleitoral. Para isso, muito deve agradecer ao filho pródigo do Arkansas, Bill Clinton, que, como a grande maioria do establishment democrata (Obama incluído) apoiou a ainda senadora. Porém, na eleição geral, Blanche Lincoln terá uma dificílima tarefa para bater o candidato republicano, o congressista John Boozman, que surge em todos os estudos de opinião com uma tremenda vantagem.

No Nevada, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, tem, também, uma dura batalha pela frente para conseguir a reeleição. Contudo, ontem, a sua tarefa poderá ter ficado mais acessível, fruto da vitória de Sharron Angle, a candidata apoiada pelo Tea Party, nas primárias do Partido Republicano e que as sondagens indicam ser uma concorrente mais frágil frente a Reid do que os republicanos que ontem derrotou. Mas, ontem, também outro Reid teve motivos para sorrir: Rory, filho de Harry, conseguiu a nomeação democrata para disputar a eleição para Governador do Nevada, podendo, assim, estar na forja mais uma dinastia política nos Estados Unidos, depois de outras como a Bush, a Clinton, a Biden ou a Paul.

Para o fim fica o maior Estado americano, a Califórnia. Aqui, o destaque vai para o GOP e para as vitórias de duas mulheres nas primárias para o Senado e para o cargo de Governador estadual. No primeiro caso, Carly Fiorina, ex-CEO da HP, venceu facilmente a sua oposição e disputará, em Novembro próximo, um lugar no Senado americano com a sua oponente democrata, Barbara Boxer, há 17 anos em Washington. Já na disputa pela mansão do Governador, actualmente ocupada por Arnold Schwarzenegger, Meg Whitman venceu a sua primária e enfrentará o democrata Jerry Brown, antigo governador da golden state. Em ambos os casos, os democratas são os favoritos, mas, no clima actual, estas duas corridas estão mais abertas do que seria expectável, visto que a Califórnia é um dos Estados americanos mais liberais.

A cada primária que passa fica mais definido o cenário para as importantes eleições de 2 de Novembro. Em certa medida, especialmente pela vitória da Lincoln no Arkansas, a ronda eleitoral de ontem marca a reacção dos candidatos moderados e apoiados pelo establishment partidário face aos anteriores triunfos dos políticos mais outsiders, como Joe Sestak na Pennsylvania. Mas, por outro lado, os resultados na Califórnia e no Nevada foram "simpáticos" para os democratas, tendo em conta a vitória, nas primárias do GOP, de candidatos que poderão estar mais facilmente ao alcance dos concorrentes pelo partido de Obama.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A derrota do sistema

As eleições primárias de ontem para as corridas para o Senado ficaram indubitavelmente marcadas pela vitória dos candidatos ditos outsiders insurgentes e a derrota dos concorrentes do establishment partidário.

O grande destaque da noite de ontem vai para o Estado da Pennsylvania, onde o congressista e ex-almirante da marinha americana, Joe Sestak, derrotou o veterano senador, Arlen Specter, por uma margem confortável: 54 contra 46% dos votos expressos. Specter, quando, no ano passado, mudou do Partido Republicano para o Democrata, concedendo, dessa forma, uma maioria à prova de fillibuster a Barack Obama, garantiu o suporte do aparelho do partido para a sua reeleição deste ano e contou, nesta campanha, com o apoio das grandes figuras democratas, como o próprio presidente, o vice-presidente Joe Biden e o líder da maioria no Senado, Harry Reid. Contudo, pode-se discutir se esse mesmo apoio lhe foi favorável ou prejudicial, tendo em conta o profundo sentimento anti-Washignton que se observa, actualmente, nos Estados Unidos. Uma nota ainda para a vitória democrata numa eleição especial para a Câmara dos Representantes, pelo 12º círculo da Pennsylvania, onde se decidia a sucessão do falecido congressista John Murtha.

No Arkansas, o cenário não foi tão negro para a senadora democrata Blanche Lincoln que venceu a sua eleição primária. Contudo, a sua vitória, por uma ínfima margem e sem conseguir maioria absoluta, não foi suficiente para evitar uma segunda volta, contra Bill Halter, o candidato apoiado pela ala mais liberal dos democratas. O apertado resultado de ontem, combinado com mais duas semanas de campanha, fazem deste novo acto eleitoral uma corrida cujo desfecho é imprevisível.

Ainda no Sul, mas no Estado do Kentucky, realce para a esmagadora vitória de Rand Paul, o filho de Ron Paul e o candidato apoiado pelo Tea Party, sobre os dois concorrentes preferidos pelo establishment do GOP. Assim, defrontará, em Novembro, o democrata Jack Conway que, por sua vez, arrecadou a nomeação do seu partido. Esta vitória de Paul coloca a discussão por este lugar no Senado americano no centro das atenções, visto que as suas ideias e posições fogem do mainstream político americano. Contudo, o Kentucky é dos estados mais conservadores da América, o que permite a Rand Paul ser visto como o favorito à vitória.

Em jeito de rescaldo, ficam bem evidentes as dificuldades para os políticos de Washington, a quem os eleitores culpabilizam pela má situação económica do país e pelo clima de guerrilha política entre os dois partidos. Este cenário, a manter-se até Novembro, pode trazer grandes dissabores para os actuais detentores de cargos públicos e uma grande mudança no figurino do Congresso norte-americano.