Num forcing de última hora para colocar em jogo a Pennsylvania e os seus 20 votos eleitorais, a campanha de Mitt Romney tem concentrado os seus esforços neste Estado que pode permitir ao candidato republicano um caminho alternativo rumo aos 270 votos eleitorais necessários para alcançar a Casa Branca. Ontem, Romney esteve na localidade de Morrisville (no vídeo) e, hoje, aproveitará todos os segundos do dia eleitoral para tentar angariar novos votos, com visitas ao decisivo Ohio e, novamente, à Pennsylvania, onde estará na cidade de Piitsburgh. Depois disso, voará para Boston, onde está sediada a sua campanha e será a partir da capital do Masshusetts que acompanhará os resultados e reagirá ao veredicto eleitoral.
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
Closing arguments: Obama
Barack Obama encerrou, ontem, a sua campanha presidencial, naquele que terá sido a última acção de campanha a seu favor da sua vida política. Simbolicamente, o Estado escolhido foi o Iowa, onde Obama, há quase cinco anos atrás, começou a sua improvável caminhada até à Casa Branca, batendo, surpreendentemente, Hillary Clinton e John Edwards nas primárias democratas. Terminada a sua participação no trilho da campanha, Barack Obama partiu para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos e fará o seu discurso de vitória ou de derrota, dependendo do que for decidido pelos eleitores norte-americanos.
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Apanhado de projecções
Depois da minha projecção, feita ontem, vale a pena fazer um apanhado de previsões das mais variadas fontes, entre especialistas, jornalistas ou entusiastas das eleições presidenciais americanas. Como se pode ver, há previsões para todos os gostos.
Nate Silver (FiveThirtyEight): Obama 303 - Romney 235
Larry Sabato (UVA Center for Politics): Obama 290 - Romney 248
Ezra Klein (Washinton Post): Obama 290 - Romney 248
Josh Putnam (Davidson College): Obama 332 - Romney 206
Filipe Ferreira (EUA2012): Obama 286 - Romney 252
José Gomes André (Era Uma Vez na América): Obama 294 - Romney 244
Michael Barone (The Examiner): Romney 315 - Obama 223
Karl Rove: Romney 285 - Obama 253
Dick Morris (FoxNews): Romney 325 - Obama 213
Election Day!
Chegou, finalmente, o grande dia. Durante o dia de hoje, os eleitores norte-americanos (que não votaram antecipadamente) deslocam-se às urnas para escolher o Presidente dos Estados Unidos para os próximos quatro anos. Barack Obama, do Partido Democrata, e Mitt Romney, do Partido Republicano são as suas opções, além de vários outros candidatos praticamente irrelevantes, como Gary Johnson, candidato pelo Partido Libertário.
Nos Estados Unidos, a campanha decorre até ao último minuto e, por isso, as campanhas realizam os últimos esforços, mesmo no último dia, tentando amealhar todo e qualquer voto que ainda esteja indeciso. Mitt Romney nem sequer desperdiça o dia de hoje e estará em comícios eleitorais nos importantes Estados do Ohio e da Pennsylvania. Por sua vez, Barack Obama passou a noite no Iowa e é daí que partirá para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos.
Chega, assim, ao fim uma longa e muito disputada campanha eleitoral, que foi também a mais dispendiosa da história mundial, tendo cada candidato presidencial gasto, nada mais nada menos, do que mil milhões de dolares com a sua campanha pela Casa Branca. Nove meses depois dos caucus do Iowa, teremos finalmente um vencedor, a não ser que a corrida seja de tal modo equilibrada, que haja necessidade de se recorrer a recontagens ou a disputas legais pelo resultado em algum Estado (como sucedeu, em 2000, na Florida).
Neste dia de todas as decisões, estarei por aqui a acompanhar tudo o que de mais importante se passar do outro lado do Atlântico. Será uma longa noite e que apenas deverá terminar na manhã de Quarta-feira. Mas, como quem corre por gosto não cansa, é com prazer que seguirei atentamente a escolha do próximo Presidente dos Estados Unidos. Conto com a vossa visita!
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Previsão final
Colégio Eleitoral: Obama 303 - Romney 235
Voto Popular: Obama 50% - Romney 49%
Senado: Democratas 53 - Republicanos 47
Câmara dos Representantes: Democratas ganham alguns lugares (entre 4 a 8), mas o GOP mantém a maioria
No Sábado, já antevi a vitória de Barack Obama na eleição presidencial que se decide amanhã. Contudo, na véspera do grande dia, deixo aqui a minha previsão para o mapa eleitoral das eleições de 2012. Como podem ver pela imagem de cima, prevejo a vitória de Obama por 303 votos eleitorais, cabendo a Mitt Romney os restantes 235. Para chegar a estes números, atribuí ao actual Presidente vitórias nos battleground states Ohio, New Hampshire, Virginia, Iowa, Colorado e Nevada, ficando Romney com a North Carolina e a Florida. Entre estes, as minhas principais dúvidas prenderam-se com o Colorado e com a Florida. Optei por atribuir cada um deles a um candidato: o Colorado para Obama, devido à forte comunidade hispânica que pode fazer a diferença a favor do democrata, e a Florida para Romney, porque é o republicano quem tem liderado na maior parte das sondagens sobre o sunshine state. Já o voto popular deve reflectir o equilíbrio da corrida, pelo que aponto um triunfo de Obama pela margem mínima.
Em relação às eleições do Congresso, mantenho a minha previsão anterior, onde tinha projectado que os democratas mantivessem o controlo da câmara alta, ficando com um número de senadores entre os 52 e os 54. Assim sendo, e para ser mais preciso, aponto que, após as eleições de amanhã, os democratas ficarão com 53 assentos, face aos 47 dos republicanos. Ou seja, se estiver correcto, o Senado ficará exactamente na mesma. Por sua vez, a constituição da Câmara dos Representantes também não deverá sofrer grandes alterações. É provável que o Partido Democrata ganhe alguns lugares, talvez uma mão cheia, actualmente detidos por republicanos. Todavia, isso não será suficiente para colocar em perigo a actual maioria do GOP na câmara baixa do Congresso.
Na Quarta-feira, quando forem conhecidos todos os resultados (se tudo correr bem), veremos como me saí nas minhas previsões. Mas, como não quero ser o único a arriscar, desafio também os leitores a deixarem as suas previsões na caixa de comentários, para que possamos comparar opiniões.
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domingo, 4 de novembro de 2012
Obama lidera a nível nacional
Até há alguns dias, Barack Obama aparecia em desvantagem em grande parte das sondagens de âmbito nacional. Em algumas delas, como as da Rasmussen e da Gallup, chegou mesmo a estar a uma distância significativa de Mitt Romney. Contudo, agora, nas vésperas da eleição, o cenário inverteu-se a favor do actual Presidente dos Estados Unidos, como se pode ver pelos números das diversas sondagens que foram hoje divulgadas:
NBC/Wall Street Journal - Obama 48% - Romney 47%
Reuters/Ipsos - Obama 48% - Romney 47%
Rasmussen - Obama 49% - Romney 49%
YouGov - Obama 49% - Romney 47%
Washington Post/ABC - Obama 49% - Romney 48%
Politico/George Washington University - Obama 48% - Romney 48%
Pew Research - Obama 50% - Romney 47%
Ou seja, entre todos os estudos, Romney não lidera em nenhum e o melhor que consegue é um empate em duas sondagens. Chamo atenção especial para os números da YouGov, por se tratar da sondagem final desta entidade e que reuniu a opinião de 36 mil (!) prováveis eleitores. Com estes resultados, a média nacional do Real Clear Politcs já é favorável, ainda que ligeiramente, a Obama.
Assim, o Presidente junta esta pequena vantagem nacional à liderança que tem mantido sistematicamente na maioria dos battleground states. Por tudo isto, percebe-se que as coisas estão muito complicadas para a candidatura de Mitt Romney, que parte para o último dia de campanha como o underdog da corrida e com as suas principais esperanças a focarem-se na possibilidade de as sondagens estarem totalmente erradas.
Assim, o Presidente junta esta pequena vantagem nacional à liderança que tem mantido sistematicamente na maioria dos battleground states. Por tudo isto, percebe-se que as coisas estão muito complicadas para a candidatura de Mitt Romney, que parte para o último dia de campanha como o underdog da corrida e com as suas principais esperanças a focarem-se na possibilidade de as sondagens estarem totalmente erradas.
Há quatro anos foi assim
Faz hoje quatro anos que, a 4 de Novembro de 2008, Barack Obama fez história, sendo eleito Presidente dos Estados Unidos, derrotando o nomeado republicano, John McCain. E este ano, como será? Como previ ontem, penso que a história será a mesma e que Obama alcancará um segundo mandato. Contudo, o cenário não deverá ser tão majestoso como o do Grant Park, em Chicago (na foto). Desta vez, a festa (a a contecer) deverá ser mais modesta, reflexo do menor entusiasmo em torno do actual ocupante da Casa Branca.
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sábado, 3 de novembro de 2012
4 more years
A três dias do dia das eleições nos Estados Unidos, é esta a minha previsão: Barack Obama será reeleito para um novo mandato como Presidente norte-americano. Conseguirá mais do que 270 votos eleitorais (mais tarde farei a minha previsão do mapa eleitoral) e, penso eu, alcançará ainda o maior número de votos a nível nacional, evitando, assim, que se repita, à imagem do que sucedeu em 2000, um cenário de divisão entre o voto do Colégio Eleitoral e do voto popular.
Até há poucos dias, e apesar de atribuir um ligeiro favoritismo a Obama, recusava-me a indicar um vencedor nesta disputadíssima corrida pela Casa Branca. Contudo, neste momento, o actual ocupante da Sala Oval possui, segundo as sondagens, uma liderança sólida em Estados decisivos e que serão suficientes para que vença o Colégio Eleitoral. No Nevada, no Wisconsin e no Ohio, Obama tem surgido constantemente à frente de Mitt Romney e a única esperança para o nomeado republicano é que as sondagens estejam totalmente erradas. É possível, mas, a tão poucos dias da eleição e com tantas entidades a sondar estes Estados, é algo bastante improvável. Além disso, Obama recuperou terreno na Virginia e na Florida. No primeiro caso, o democrata parece estar mesmo a levar a melhor, enquanto que no Sunshine State, o equilíbrio é a nota dominante. Se vencer num destes Estados, então a eleição será decidida bastante cedo na noite eleitoral.
A vantagem de Obama no Colégio Eleitoral não é um dado novo e já tenho escrito muito sobre isso. Todavia, desde o primeiro debate, em Denver, e em que Romney foi o incontestado vencedor, que as sondagens nacionais tinham tendência para indicar que o antigo Governador do Massachusetts poderia vir a ser o candidato a receber mais votos no dia 6 de Novembro. Acontece que, nos últimos dias, essa tendência tem vindo a inverter-se e, agora, a maioria das sondagens nacionais mostram um empate ou uma ligeira vantagem de Obama. Até a tracking poll da Rasmussen, que chegou a dar cinco pontos de vantagem a Romney, mostra agora a corrida empatada. Segunda-feira, a véspera da eleição, regressará a mais famosa das tracking polls, a da Gallup, que interrempeu os seus trabalhos devido ao furacão Sandy. Aguarda-se com expectativa os números que a Gallup anunciará, já que esta tracking poll tem sido a mais favorável aos republicanos, tendo, a determinada altura, atribuido a Mitt Romney uma vantagem de 7% sobre Obama.
Mas, independentemente do que a Gallup vier a anunciar, mantenho a minha previsão de uma vitória para Barack Obama. Os últimos dias foram extremamente positivos para o Presidente, que correspondeu â altura do cargo que exerce por ocasião da crise provocada pelo Sandy e viu a economia americana criar um grande número de empregossegundo o relatório da passada Sexta-feira, segundo o relatório divulgado na passada Sexta-feira.
Contudo, as previsões, como as sondagens, valem o que valem e a verdadeira decisão caberá aos cidadãos norte-americanos, no dia 6 de Novembro. Se a minha previsão falhar, então cá estarei para me penitenciar.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O Sandy soprou a favor de Obama
O furacão Sandy foi uma castástrofe natural que provocou dezenas de vítimas mortais, centenas de desalojados e milhões de dólares de prejuízo. Assim sendo, é um pouco constrangedor retirar conclusões políticas de uma tragédia deste género, mas a verdade é que essas leituras têm de ser feitas, especialmente quando estamos a poucos dias de uma eleição presidencial disputada ao milímetro.
Como já tinha escrito, Mitt Romney, sem nenhum cargo oficial para desempenhar, pouco ou nenhum trabalho teria a mostrar na gestão desta crise. Assim sendo, as atenções estavam concentradas no Presidente e Barack Obama esteve à altura dos acontecimentos, não cometendo os erros da Administração Bush aquando do Katrina (aliás, é bem provável que, desde aí, o overreacting seja a norma).
Obama, que deixou a campanha para lidar de perto com o acontecimento que ameaçou a Costa Leste dos Estados Unidos, geriu a situação com mestria, fazendo questão de se mostrar empenhado em abordar os problemas e em dirigir-se às zonas mais afectadas para consolar as vítimas do Sandy. O seu melhor momento foi a forma como coordenou os esforços com Chris Christie, o carismático Governador republicano de New jersey que veio mesmo a público elogiar o trabalho de Obama na resposta ao furacão. Apesar de ainda não se estarem a verificar nas sondagens eventuais efeitos desta gestão da crise por parte de Obama, é praticamente certo que o Sandy veio dar uma ajuda às hipóteses de reeleição para o actual Presidente.
Para Mitt Romney, esta é uma situação deveras ingrata, dado que o nomeado republicano ficou como que de mãos atadas numa altura crucial da campanha eleitoral. Ainda por cima, imagens como a que ilustra este post funcionam muito melhor do que dezenas de anúncios televisivos.
Edit: O Mayor de New York City, Michael Bloomberg, também anunciou hoje o seu apoio a Barack Obama, tendo afirmado que a forma como o Presidente lidou com o Sandy foi o factor decisivo na sua escolha.
Edit: O Mayor de New York City, Michael Bloomberg, também anunciou hoje o seu apoio a Barack Obama, tendo afirmado que a forma como o Presidente lidou com o Sandy foi o factor decisivo na sua escolha.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A batalha pelo Congresso
Em ano de eleições presidenciais é normal que a corrida pela Casa Branca domine os destaques noticiosos e desvie muita da atenção das eleições para o Congresso. Este ano, com a disputa pela Presidência a ser mais renhida do que nunca, o relativo esquecimento das corridas para o Congresso e para cargos estaduais é ainda mais notória. Assim, aproveitando esta espécie de pausa na campanha presidencial causada pelo Sandy, vale a pena fazer uma breve análise ao estado da corrida pelo Senado e pela Câmara dos Representantes.
Em relação à câmara baixa, já se sabia que, depois dos enormes ganhos do GOP nas eleições intercalares de 2010, em que os republicanos arrebataram a maioria na Câmara dos Representantes, seria muito difícil para os democratas, em apenas dois anos, estarem em posição de conseguir inverter a situação e voltarem a dominar a House. Para os democratas, a situação ficou ainda mais complicada, após o processo de redistricting que foi dominado, na maioria dos Estados, por legislaturas republicanas (consequência, também, das vitórias do GOP, em 2010) que souberam "trabalhar" o mapa dos congressional districts de forma a maximizar as suas hipóteses em eleições para a Câmara dos Representantes. Não obstante, é expectável que os democratas "roubem" alguns lugares ao Partido Republicano, ainda que esses ganhos não venham a ser suficientes para que Nancy Pelosi volte a ocupar o lugar de Speaker.
No Senado, a situação é muito semelhante. Actualmente, o Partido Democrata conta com uma maioria de 53 senadores, face aos 47 do lado republicano. Até há alguns meses atrás, a perda da maioria por parte dos democratas era um dado praticamente adquirido. Contudo, alguns erros de casting por parte dos eleitores republicanos nas primárias (à semelhança do que sucedeu em 2010) e gaffes monumentais por parte dos próprios candidatos do GOP (Todd Akin, no Missouri, e Richard Mourdock foram os casos mais gritantes, com os seus "estranhos" comentários acerca da questão do aborto em situações de violação). Assim, tudo indica que os democratas serão capazes de manter o controlo da câmara alta, não sendo totalmente impossível que consigam mesmo aumentar a sua maioria. Na minha opinião, o figurino do Senado não deverá sofrer grandes modificações e os democratas deverão ficar, após as eleições, com uma representação entre os 52 e os 54 senadores.
Em conclusão, percebe-se que as eleições legislativas deste ano não devem trazer grandes novidades no que diz respeito à composição do Congresso norte-americano. Também por isso se entende que, neste ciclo eleitoral, as centenas de corridas por cargos na Câmara dos Representantes e no Senado não estejam a suscitar um grande interesse por parte dos media, que se interessam mais por verdadeiras horse races. Nesse aspecto, a corrida pela Casa Branca deste ano, totalmente em aberto, é imbatível.
No Senado, a situação é muito semelhante. Actualmente, o Partido Democrata conta com uma maioria de 53 senadores, face aos 47 do lado republicano. Até há alguns meses atrás, a perda da maioria por parte dos democratas era um dado praticamente adquirido. Contudo, alguns erros de casting por parte dos eleitores republicanos nas primárias (à semelhança do que sucedeu em 2010) e gaffes monumentais por parte dos próprios candidatos do GOP (Todd Akin, no Missouri, e Richard Mourdock foram os casos mais gritantes, com os seus "estranhos" comentários acerca da questão do aborto em situações de violação). Assim, tudo indica que os democratas serão capazes de manter o controlo da câmara alta, não sendo totalmente impossível que consigam mesmo aumentar a sua maioria. Na minha opinião, o figurino do Senado não deverá sofrer grandes modificações e os democratas deverão ficar, após as eleições, com uma representação entre os 52 e os 54 senadores.
Em conclusão, percebe-se que as eleições legislativas deste ano não devem trazer grandes novidades no que diz respeito à composição do Congresso norte-americano. Também por isso se entende que, neste ciclo eleitoral, as centenas de corridas por cargos na Câmara dos Representantes e no Senado não estejam a suscitar um grande interesse por parte dos media, que se interessam mais por verdadeiras horse races. Nesse aspecto, a corrida pela Casa Branca deste ano, totalmente em aberto, é imbatível.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
O Sandy também atinge a campanha eleitoral
Até ver, ainda não houve nenhuma surpresa de Outubro e a campanha eleitoral tem decorrido dentro da normalidade, sempre que nada de muito inesperado altere totalmente a mensagem de qualquer uma das candidaturas à Casa Branca. Contudo, a poucos dias da noite de todas as decisões, o furacão Sandy veio colocar em sobressalto a Costa Leste dos Estados Unidos, com milhões de cidadãos norte-americanos a temerem as consequências de um desastre natural destruidor.
Com populações deslocadas ou abrigadas nas suas casas ou em abrigos comunitários, não existem, naturalmente, condições para a realização de eventos de campanha nas zonas mais afectadas e, com os candidatos a quererem evitar a imagem de festas partidárias ao mesmo tempo que cidadãos americanos estão a passar por dificuldades, serão muito poucas as acções de campanha em outras zonas, como na Florida ou no Midwest.
Assim, podemos esperar, nos próximos dois ou três dias, uma espécie de suspensão da campanha. Para Barack Obama é tempo de regressar à Casa Branca e daí seguir os acontecimentos e tomar as medidas necessárias para responder a eventuais problemas. Já Mitt Romney terá mais dificuldades em "aparecer" durante este período, já que não possui qualquer cargo de governação e se for demasiado interventivo corre o risco de ser acusado de estar a tentar retirar dividendos políticos de uma crise.
Não se pense, porém, que o Sandy foi uma dádiva para a campanha democrata. É certo que se a Administração Obama não cometer erros na gestão da crise e se o Sandy não provocar danos catastróficos, então o Presidente pode sair bem na fotografia, reforçando o seu papel de Commander-in-Chief. Contudo, caso o furacão provoque estragos de monta e surjam muitas críticas à resposta federal, o mais certo é que o Sandy se torne no último grande evento com que Obama terá de lidar enquanto Presidente dos Estados Unidos. Por isso, até pode muito bem acontecer que o Sandy seja a surpresa de Outubro da corrida de 2012.
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sábado, 27 de outubro de 2012
Irá o candidato mais votado perder as eleições?
A dez dias do dia de todas as decisões, a eleição presidencial norte-americana está longe de estar decidida. Nesta altura, reina a incerteza relativamente ao vencedor da disputa pela Casa Branca e nem as dezenas de novas sondagens que saem todos os dias clarificam o estado da corrida. Aliás, as sondagens têm servido para confundir ainda mais quem, como eu, segue atentamente a campanha presidencial dos Estados Unidos.
De um lado, temos a maioria das sondagens nacionais, incluindo as tracking polls mais credenciadas, como as da Gallup ou da Rasmussen, que têm mostrado Mitt Romney com uma vantagem importante, entre os três e os sete pontos percentuais, sobre Barack Obama. Por outro lado, as sondagens nos battleground states indicam que o Presidente continua em melhor posição para vencer em Estados como o Ohio (o mais importante de todos), o Nevada e o Wisconsin, que, juntos, chegariam para Obama garantir a reeleição. Além disso, noutros Estados (Virginia, Colorado, New Hampshire e Florida), Obama continua altamente competitivo e com hipóteses de vitória.
Como explicar esta diferença tão gritante entre as sondagens nacionais e as sondagens estaduais? Bem, na minha opinião, pelo menos parte da explicação reside numa extraordinariamente eficaz campanha democrata nos Estados decisivos, que tem permitido a Obama aguentar-se nesses locais de uma forma que não tem conseguido fazer no resto do país. Se analisarmos todas as sondagens estaduais, e não apenas as que dizem respeito aos battleground states, vemos que o apoio de Obama diminuiu nos Estados marginais em eleições americanas. Dito de outra forma, o candidato democrata deverá perder por mais nos Estados normalmente republicanos e deverá ganhar por menos nos Estados tradicionalmente democratas.
Assim, e com base nestes resultados contraditórios, é totalmente possível que Mitt Romney, mesmo conseguindo um maior número de votos a níve nacional, não seja capaz de derrotar Obama no Colégio Eleitoral. Não seria um cenário inédito na história dos Estados Unidos, pois tal situação já ocorreu por três vezes, a última das quais, em 2000, quando Al Gore, o candidato mais votado, perdeu no Colégio Eleitoral para George W. Bush.
Não seria, a meu ver, a forma ideal de terminar uma campanha eleitoral interessante e bastante renhida, ao mesmo tempo que colocaria, uma vez mais, o sistema eleitoral norte-americano debaixo de fogo, deixando-o vulnerável a alterações que, para um apaixonado das eleições norte-americanas como eu, retirariam emoção e interesse ao processo de escolha do líder político dos Estados Unidos.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012
As Ohio goes...
... so goes the nation. Esta é uma frase muitas vezes ouvida em vésperas de eleições presidenciais norte-americanas. De facto, o Ohio é, porventura, o principal Estado barómetro quando se trata de escolher o próximo Presidente dos Estados
Unidos. Para percebermos o porquê de isso suceder, importa fazermos uma análise à história política e eleitoral do Estado.
O Nordeste do Ohio foi povoado por New England Yankees, ao passo que o Sul do Estado foi ocupado por cidadãos provenientes da Vírginia. Isso resultou numa divisão cultural, social e mesmo política no Estado, levando mesmo a que, durante a Guerra da Secessão, a simpatia da população do Ohio variasse entre um dos lados em disputa, dependendo da zona do Estado em que se estivesse.
O facto de o Estado dividir as suas preferências políticas de forma quase igualitária entre os dois grandes partidos, fez do Ohio um prémio apetecível em eleições nacionais. A década de 1890 inaugurou um período de domínio republicano que durou mais de 30 anos. Apesar de perder as regiões rurais do Estado, a primazia do GOP nas zonas urbanas em crescimento proporcionaram-lhe muitas vitórias durante esse período.
Esse cenário seria alterado com o período de depressão económica dos anos 30 do século XX, altura em que o Ohio se tornou palco de uma acentuada luta de classes, com os sindicatos das maiores indústrias do Estado a conseguirem importantes vitórias sobre os patrões. A partir daí, as zonas de maior implantação dos sindicatos tornaram-se pró-democratas, enquanto que as regiões com menor presença de sindicatos continuaram terreno favorável para o Partido Republicano.
Desde essa altura, o Ohio tem oscilado as suas preferências e, com o seu grande número de votos eleitorais (ainda que tenha vindo a perder peso no colégio eleitoral) é constantemente um dos principais alvos das campanhas presidenciais. Curiosamente, nunca um candidato republicano foi eleito sem ter ganho o Ohio e, desde 1960, nunca o vencedor do Estado perdeu a eleição geral.
O facto de o Estado dividir as suas preferências políticas de forma quase igualitária entre os dois grandes partidos, fez do Ohio um prémio apetecível em eleições nacionais. A década de 1890 inaugurou um período de domínio republicano que durou mais de 30 anos. Apesar de perder as regiões rurais do Estado, a primazia do GOP nas zonas urbanas em crescimento proporcionaram-lhe muitas vitórias durante esse período.
Esse cenário seria alterado com o período de depressão económica dos anos 30 do século XX, altura em que o Ohio se tornou palco de uma acentuada luta de classes, com os sindicatos das maiores indústrias do Estado a conseguirem importantes vitórias sobre os patrões. A partir daí, as zonas de maior implantação dos sindicatos tornaram-se pró-democratas, enquanto que as regiões com menor presença de sindicatos continuaram terreno favorável para o Partido Republicano.
Desde essa altura, o Ohio tem oscilado as suas preferências e, com o seu grande número de votos eleitorais (ainda que tenha vindo a perder peso no colégio eleitoral) é constantemente um dos principais alvos das campanhas presidenciais. Curiosamente, nunca um candidato republicano foi eleito sem ter ganho o Ohio e, desde 1960, nunca o vencedor do Estado perdeu a eleição geral.
Nas eleições presidenciais mais recentes, Bill Clinton e George W. Bush venceram por duas vezes cada um o Ohio, mas sempre por curta margem, o que demonstrava o estatuto de battleground state por excelência do Ohio. Em 2006, porém, o Ohio virou a favor do Partido Democrata, na sequência do fraco crescimento do Estado, mesmo antes da crise económica e financeira, e da insatisfação com a liderança republicana, minada por escândalos e por sucessivos aumentos de impostos, que fizeram do Ohio um dos Estados com mais alta carga fiscal da União.
A eleição presidencial de 2008 veio confirmar o bom momento dos Democratas no Ohio, já que Obama conseguiu uma vitória relativamente folgada no Estado, apesar de este ter sido um dos Estados mais disputados na corrida presidencial. Mas é possível que o desfecho da eleição de há quatro anos no Ohio possa ter tido mais a ver com o demérito dos Republicanos do que com o mérito da campanha democrata, já que a margem entre os dois candidatos é mais explicada por uma drástica redução de votantes no Partido Republicano, do que por uma grande subida no número de votos no Partido Democrata.A corrida presidencial de 2008 também demonstrou que as antigas lealdades políticas do Estado se mantêm actuais, com o Nordeste do Estado a constituir-se ainda como o bastião liberal do Ohio, servindo de contraponto ao restante território, em especial o Sul do Estado, terreno favorável aos conservadores.
Este ano, mais uma vez, o Ohio deverá ser o Estado mais importante da eleição presidencial. Muito provavelmente, o candidato vencedor estará, pelo meio-dia do dia 20 de Janeiro de 2013, a prestar juramento como Presidente dos Estados Unidos. Por isso, até 6 de Novembro, todos os olhos estarão focados no Ohio.
Este texto foi adaptado da minha dissertação de mestrado, intitulada The Battleground States of America, apresentada à Universidade Fernando Pessoa, em Outubro de 2012.
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Obama vence último debate
Terminou a época de debates presidenciais nos Estados Unidos, depois de ontem ter decorrido o terceiro e último frente-a-frente entre os dois candidatos à Casa Branca. Na Florida, Barack Obama voltou a sair-se melhor do que o seu adversário e sua vitória no debate, confirmada pela maioria dos analistas e pelas sondagens realizadas, foi provavelmente mais clara do que a do segundo debate (que alguns consideraram ter-se tratado de um empate), mas, ainda assim, não tão evidente como o triunfo de Romney no debate inaugural.
Sentindo-se à vontade na temática da política externa, Obama surgiu confiante e ao ataque, talvez acossado pela melhor momento que a campanha de Romney atravessa. Esteve bem ao nível do conteúdo, demonstrando dominar perfeitamente as matérias em discussão, e também da forma, com algumas tiradas (fruto do trabalho de casa) bem conseguidas, como quando afirmou, referindo-se a uma posição de Romney, que os anos 80 queriam a sua política externa de volta, ou quando deu o exemplo das baionetas e dos cavalos para explicar a necessidade de mudanças na afectação de recursos das forças armadas.
Em sentido contrário, Mitt Romney apostou numa postura serena, praticamente abstraindo-se de atacar ou mesmo de discordar do seu adversário. Aliás, foi notório que as suas posições no campo da política externa pouco ou nada diferiram das de Barack Obama, o que o obrigou a mudar o tema da conversa para a economia, onde Romney poderia ter mais hipóteses de somar pontos no debate. Em suma, o nomeado republicano não esteve desastrado, mas a verdade é que pareceu um pouco ausente do debate, tentando, principalmente, não cometer qualquer grande erro que comprometesse o momentum actual da sua campanha.
Após o debate de ontem, e com duas semanas de campanha até à grande noite eleitoral, é tempo de os candidatos apresentarem os seus argumentos finais. Em relação aos quatro debates, se contabilizarmos apenas as vitórias de um lado e outro, até poderiamos pensar que o saldo final foi um empate ou mesmo uma vitória para os democratas, dado que Romney venceu um debate, Obama outro, enquanto o segundo debate presidencial e o vice-presidencial foram, dependendo do ponto de vista, empates ou vitórias tangenciais democratas. Contudo, o grande momento desta campanha é, sem dúvida, a esmagadora vitória de Romney no primeiro debate, momento esse que foi um verdadeiro game changer na campanha eleitoral. Até aí, Obama era o favorito ao triunfo, mas, a partir desse momento, a corrida transformou-se totalmente, estando, agora, demasiado equilibrada para ser possível antever o vencedor final. Por isso, se tivermos que indicar quem foi o vencedor da época de debates, apenas poderemos apontar um nome: Mitt Romney.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Debate final
Realiza-se, hoje, na Lynn University, na Florida, o terceiro e último debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Moderado por Bob Schieffer, jornalista da CBS, este embate será totalmente dedicado à política externa e promete ser bastante importante na definição do vencedor da corrida pela Casa Branca.
À partida, o tema do debate favorece Barack Obama, já que o actual Presidente conseguiu muito crédito nos domínios da política externa com a morte de Osama Bin Laden. Por outro lado, Mitt Romney tem cometido vários erros relacionados com assuntos internacionais, como se viu, por exemplo, com o seu atribulado périplo europeu, ou, no último debate, com a sua fraca resposta relativamente à questão da Líbia.
Salvo qualquer surpresa de última hora, este será o último momento decisivo da campanha, pelo que os dois candidatos deverão apostar forte numa boa prestação, em especial Obama, que precisa a todo o custo de evitar uma vitória de Romney que poderia ser fatal para as suas aspirações a um segundo mandato. Mas Romney também quererá emendar a mão numa temática onde tem vacilado. Se o conseguir, então terá passado em todos os testes necessários para assumir a Presidência e ameaçará, ainda mais, o actual Commander-in-Chief.
Assim, estão reunidas todas as condições para um debate interessante e emocionante. Para quem quiser seguir em directo, Obama e Romney subirão ao palco às duas da manhã, hora portuguesa.
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domingo, 21 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O mapa eleitoral
A menos de três semanas da eleições presidenciais, a corrida pela Casa Branca está mais animada e equilibrada do que nunca. Após o primeiro debate, em que Mitt Romney saiu vitorioso, o republicano anulou a vantagem de que Obama vinha a beneficiar nas sondagens e colocou novamente em dúvida o vencedor da disputa. Nas sondagens nacionais, Romney chegou mesmo a ultrapassar o Presidente, ainda que, neste momento, os números estejam muito próximos. Contudo, o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas é determinado pelo Colégio Eleitoral e, aí, Obama ainda é o favorito.
Na figura de cima, surge a minha opinião sobre o que é o actual estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos. Neste mapa eleitoral, Obama já ultrapassou o número mágico de 270 votos eleitorais necesssários para alcançar um segundo mandato. Actualmente, no que diz respeito aos battleground states Barack leva vantagem nos no Ohio, no Iowa, no Wisconsin e no Nevada, o que é suficiente para sair vencedor na eleição, desde que não haja surpresas na Pennsylvania e no Michigan.
Mitt Romney, por sua vez, parece neste momento levar vantagem na Carolina do Norte (que pode estar já fora do alcance dos democratas) e na Florida, ainda que o destino do sunshine state continue em aberto. O Missouri, a Georgia e o Arizona, que em alguma altura desta campanha chegaram a parecer estar em jogo, estão agora bem encaminhados para se manterem na coluna de Romney.
Finalmente, neste momento, não arrisco prognósticos para o vencedor no Colorado, na Virginia e no New Hampshire, três verdadeiros Estados toss-up, em que as sondagens não indiciam uma liderança clara, ou mesmo tangencial, para qualquer dos candidatos à Presidência. Ainda assim, mesmo que Romney consiga atrair estes três Estados para o seu lado, isso não seria suficiente para, a 6 de Novembro, ser eleito como o próximo Presidente dos Estados Unidos. Por isso, neste momento, ainda que a corrida esteja equilibradíssima, considero que Obama está ligeiramente em melhor posição para se sagrar vencedor e, consequentemente, chegar a um segundo mandato na Casa Branca.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
O momento "gotcha" do debate
Com uma ajuda da moderadora, a jornalista da CNN, Candy Crowley, Mitt Romney teve aqui aquele que foi o seu pior momento no debate de ontem e que muito contribuiu para que Barack Obama fosse considerado o vencedor da noite.
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Obama contra-ataca
Depois de duas semanas terríveis na sequência de uma má prestação no primeiro debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama precisava de uma boa performance no segundo frente-a-frente com Mitt Romney, de modo a estancar a hemorragia que os seus números nas sondagens estavam a sofrer nos últimos dias. E, ontem à noite, foi mesmo isso que Obama fez, alcançando uma vitória sobre o seu adversário, num debate com um formato que lhe assentou como uma luva.
Ainda assim, os primeiros minutos de Obama não foram muito convincentes, mostrando-se algo nervoso e talvez pouco confiante, na sequência da sua fraca prestação anterior. Contudo, com o passar do tempo, o Presidente soltou-se e pareceu à vontade na interacção com os eleitores que estavam na audiência e que iam fazendo perguntas aos candidatos presidenciais. Mostrou ter a lição bem estudada e deixou a postura desinteressada do debate anterior, apresentando-se mais envolvido e motivado neste momento que podia ser decisivo para as suas aspirações a um segundo mandato. Tinha algumas linhas de ataque preparadas para encostar Romney às cordas e, em alguns momentos, conseguiu fazê-lo. Além disso, Obama foi também capaz de defender o seu mandato, ao mesmo tempo que apontava as contradições entre as posições de Mitt Romney durante as primárias e as que agora o republicano defende. No cômputo geral, Obama foi extremamente competente e bateu Romney,
ainda que não tenha sido uma vitória tão clara como a do antigo
Governador do Massachusetts no primeiro debate.
Apesar de, a meu ver, Romney ter saído derrotado do debate de ontem, a verdade é que não esteve mal. Mostrou uma atitude semelhante à de há duas semanas e também se mostrou capaz de dialogar e interagir com o público, o que constituiu um ponto a seu favor, tendo em conta os problemas de falta de ligação com o cidadão comum que lhe têm sido apontados. Todavia, os pontos que marcou durante o debate foram, de alguma forma, anulados pelo erro táctico que cometeu ao afirmar que Obama nunca denominou os ataques ao consulado norte-americano de Benghazi como um ataque terrorista, algo que Obama fez e que foi mesmo confirmado pela moderadora, Candy Crowley (que, por sinal, esteve muito bem). A reacção da audiência a este momento, aplaudindo o fact checking de Crowley, pareceu destabilizar Romney, que, por momentos, perdeu o fio à meada.
Agora, com esta vitória de Obama, confirmada pelas sondagens realizadas a seguir ao debate, é possível que o candidato democrata recupere algum terreno nas sondagens. Pelo menos, a sua prestação de ontem deverá servir para pausar o momentum de Romney. Mas, se há coisa que ficou provada pelo debate de ontem, foi que os dois candidatos estão à altura do momento e que não será por incompetência ou falta de jeito para debater que qualquer um deles não chegará à Casa Branca. A menos de três semanas da eleição, a corrida promete!
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Um momento decisivo
Realiza-se esta noite, na Hofstra University, em Nova Iorque, o segundo debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Moderado por Candy Crowley, da CNN, o embate promete ser, pelo menos, muito importante para a determinação desta louca corrida pela Casa Branca.
Se há cerca de duas semanas, Barack Obama parecia imparável rumo a um segundo mandato, agora, após a copiosa derrota que sofreu no primeiro debate televisivo, as coisas parecem estar muito mais complicadas para o actual ocupante da Sala Oval. Nas tracking polls tem surgido constantemente atrás do seu adversário (apesar de noutras sondagens nacionais continuar a surgir à frente de Romney) e mesmo nos battleground states, onde Obama parecia mais forte do que o seu opositor republicano, a corrida está agora too close to call.
Assim, o debate desta noite surge numa altura em que a disputa presidencial está mais renhida do que nunca, podendo mesmo dizer-se que Romney começa a levar alguma vantagem. Obama está, por isso, obrigado a mudar a actual narrativa da campanha e deverá apostar forte neste frente-a-frente para o fazer. Até porque o modelo do debate de logo à noite é-lhe mais favorável, dado que se trata de um formato em town-hall, onde Obama e Romney estarão rodeados de público, que colocará questões e interagirá com os candidatos à Presidência. Desta vez, e ao contrário do debate de Denver, Barack Obama não deverá ter uma prestação tão passiva nem adoptar uma postura tão cinzenta como a do embate anterior. Sabendo que esta é uma altura crucial da campanha, terá de ser mais agressivo e mais envolvido na discussão, de forma fazer recordar aos americanos o Obama que elegeram em 2008 e não o aborrecido Presidente que viram no Colorado, há duas semanas.
Mas, como é óbvio, Romney também terá uma palavra a dizer. Após a sua indiscutível vitória no primeiro debate, não terá, é certo, a mesma vantagem no jogo das expectativas, visto que os americanos e a comunicação social já não estarão à espera de uma vitória relativamente fácil de Obama. Contudo, o candidato republicano está já muito calejado em debates deste nível e tem-se saído sempre bem, especialmente nos momentos decisivos, como quando, na época de primárias, esmagou completamente Newt Gingrich, numa altura em que o antigo Speaker parecia uma ameaça à sua nomeação, ou, mais recentemente, no debate de Denver, onde bateu Obama e melhorou substancialmente as suas hipóteses para a eleição de 6 de Novembro.
São, então, muito altas as expectativas para o embate desta noite, em Nova Iorque. Com uma corrida tão equilibrada, uma vitória num debate pode muito bem ser o facto decisivo para a determinação do vencedor na noite de 6 de Novembro. Barack Obama e Mitt Romney, cientes da importância do momento, darão certamente o seu melhor, na ânsia de vencerem a corrida à Casa Branca. Do outro lado do ecrã, milhões de norte-americanos (mas não só) estarão muito atentos ao seu desempenho.
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